terça-feira, dezembro 21, 2010

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 76 SOB O TEMA:


“UMA FÁBRICA DE SANTOS?” (3 e últ.)


JOÃO PAULO II: Record histórico

Durante os 26 anos do seu Pontificado, o Papa João Paulo II, canonizou mais pessoas que os Papas anteriores durante os últimos cinco séculos: quatrocentos e oitenta e dois (482) novos santos e santas que se juntaram aos quatro (4.000) que vinham do anteriormente. E, já colocados no caminho da “santidade”, como beatos e beatas, João Paulo II terá colocado umas 1.338 pessoas. Um “especialista em santos” reduziu-os para 464. Enfim, mais santo, menos santo, a cifra é um record.


Andrés Perez Baltodano

Andrés Perez Baltodano é nicaraguense e catedrático em Ciências Políticas no Canadá. Participa num programa para uma crítica lúcida da visão providencialista e do pragmatismo resignado que a igreja do Vaticano promove e faz investigação sobre as consequências que esta cultura religiosa tem na cultura política latino-americana.

Num dos seus escritos pode ler-se o seguinte:

- “A visão pragmática resignada e providencialista do poder e da história é reforçada em cada dia que passa pelo Vaticano. O providencialismo que hoje o Vaticano promove expressa-se, por exemplo, no escandaloso número de santos e santas canonizadas pelo Papa João Paulo II. O Vaticano está a fazer esforços para re-sacrilizar o mundo partindo de uma ideia providencialista porque só canoniza pessoas que “fazem milagres”, o mesmo é dizer, que confirmam a actuação directa de Deus providencial na história humana.

Para manter o seu poder a igreja decidiu, lamentavelmente, a re-sacrilização do mundo, a re-institucionalização do providencialismo.

Decidiu que o seu poder é mais facilmente reproduzido através da regeneração do providencialismo e isto coincide com uma maneira perversa de accionar o mercado global.

O culto dos santos faz parte do “sentido mágico da vida” que caracteriza a cultura política dos nossos países. Para a maioria das nossas populações, os fenómenos naturais e os factos sociais e humanos têm uma origem misteriosa, impenetrável, produto de forças extraordinárias. Na política, este traço cultural expressa-se na tendência em depositar fé no caudilho político que
estiver de serviço.”

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