sexta-feira, fevereiro 24, 2012

GABRIELA

CRAVO

E

CANELA


Episódio nº 31


Preços altos absorveriam todo o lucro. Tinha de arranjar, naquele mesmo dia, se possível, uma cozinheira e de mão-cheia, sem o que…

- É capaz de ter de jogar a carga no mar para se safar – comentou um homem em mangas de camisa. – Tá preso de verdade.

Nacib esqueceu por um momento suas preocupações: as máquinas do navio roncavam sem sucesso.

- Isso vai acabar… - a voz do Doutor na discussão.

- Ninguém nem sabe direito quem é esse tal Mundinho Falcão… - atacava Amâncio Leal, sempre suave.

- Não sabe? Pois é um homem que está nesse navio, um homem como Ilhéus precisa.

O navio sacudia-se, o casco arrastava-se sobre a areia, os motores gemiam, o prático gritava ordens. Na ponte de comando surgiu um homem ainda jovem, bem vestido, as mãos sobre os olhos, buscando reconhecer amigos entre os espectadores.

- Lá está ele… Mundinho! – avisou o Capitão.

- Onde?

- Lá em cima…

Sucederam-se os gritos:

- Mundinho! Mundinho!

O outro ouviu, procurou donde vinham as vozes, abanou com a mão. Depois desceu as escadas, desapareceu durante uns minutos, surgiu na amurada, entre os passageiros, risonho.

Punha agora as mãos em concha em torno da boca para anunciar:

- O engenheiro vai vir!

- Que engenheiro?

- Do Ministério da Viação, para estudar a barra. Grandes novidades…

- Tão vendo? O que é que eu dizia?

Por detrás de Mundinho Falcão surgia a figura de uma mulher nova, um grande chapéu verde, cabelos loiros. Tocava, sorridente, o braço do exportador.

- Que mulher, puxa! Mundinho não perde tempo…

- Um peixão! – Nhô Galo aprovou com a cabeça.

O navio balançou violentamente, assustando os passageiros – a mulher loira soltou um pequeno grito – o fundo desprendeu-se da areia, um clamor alegre desprendeu-se de terra e de bordo. Um homem escuro e magérrimo, cigarro na boca ao lado de Mundinho, olhava indiferente. O exportador disse-lhe uma coisa, ele riu.

Esse Mundinho é um finório… - comentou com simpatia, o coronel Ribeirinho.

O navio apitou, apito largo e livre, rumou para o porto

É um lorde, não é como a gente – respondeu sem simpatia o coronel Amâncio Leal.

Vamos saber as novidades que Mundinho traz – propôs o capitão.

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