quarta-feira, fevereiro 22, 2017

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Os organizadores do Carnaval brasileiro decidiram, em obediência ao “politicamente correto”, excluir sambas que incluam a palavra “mulato” para já não referir outras expressões como, por exemplo, “é dos carecas que elas gostam mais”, por serem consideradas ofensivas aos calvos e idosos.

Lembro que se dizia, em tempos, que Deus criou o branco e o preto e o português o mulato. Pois bem, “mataram o mulato”, que era uma criação nossa e por isso ficamos mais pobres...

Felizmente, que vultos conhecidos da intelectualidade cultural brasileira, como Caetano Veloso, Djovan ou Ney  Matogrosso, vieram em nosso socorro e só lhes faltou acrescentar que, do ponto de vista genético, tal representou um enriquecimento, para além do mais importante ainda, que foi a fusão de culturas.

Mas as coisas chegaram a este ponto:

- Num auto-carro de São Paulo, o vulgar Bus, uma mulher branca, que disse sofrer de cancro, levava um turbante na cabeça e uma outra, negra, que seguia a seu lado, solicitou-lhe que o retirasse com a alegação de que o turbante era uma característica das baianas negras, e que, portanto, o que ela estava fazendo era apropriação cultural.

Estranho, muito estranho, que num país onde judeus e árabes convivem, casam e reproduzem-se e não há registos históricos de seitas do tipo Ku Klux-Klan, apareça agora alguém a implicar com um turbante que, no entendimento dela, estaria na cabeça errada...

A grande influência da cultura dos povos latinos nos países da América do Sul, por razões óbvias relacionados com a colonização, parecia pô-las a salvo deste tipo de atitudes mais possíveis, pensávamos nós, entre pessoas oriundas da cultura anglo-saxónica e da infeliz experiencia do apartheid na África do Sul e, daí, a minha surpresa. Engano meu.

A sociedade brasileira está hoje infiltrada por todo o tipo de imigrantes portadores de preconceitos que eram inexistentes há umas décadas atrás e que não se fundiram ainda na sociedade multicultural que aceita os outros, naturalmente, tal como eles são nas suas terras de origem com os seus tipicismos próprios.

Ser-se capaz de ultrapassar, falando neles, sem preconceitos raciais que realmente existiram e hoje, aqui e ali, continuam em surdina, envergonhados, é a melhor forma de dizer ao mundo que eles pertencem ao passado e hoje apenas servem de chacota em desfiles de carnaval.

Um ou outro ainda os leva a sério talvez porque lá no fundo, no fundo, não sejam assim tão coisa do passado... 

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