DONA FLOR
E SEUS DOIS
MARIDOS
Episódio Nº 191
Com a mão alisou-lhe o peito amplo, o rosto plácido, numa carícia leve para não acordá-lo. Vontade de envolver-se nele, de dormir entre seus braços, presa em suas pernas. Não se atreveu. Cada homem era diferente, não existiam dois iguais, bem lhe avisaram certas alunas de vasta experiência, como a debochada Maria Antónia, a proclamar:
- Não existem dois homens iguais na cama, cada um tem sua maneira, sua predilecção, sua prepotência, uns são sabidos e outros não. Mas se a gente souber aproveitar, ah!, todos são bons, e com qualquer, tolo ou sabido, bruto ou delicado, se mata a pulga e se arrosa a flor…
Outro homem, diferente, oposto. Cheio de tato, de compreensão, tão afetuoso, que delicadeza! Cabia à esposa moldar-se à forma e à vontade do marido, nele conter-se inteira e justa. Muito mais difícil fora da vez anterior, com o outro, e ela o conseguira. Por que não agora tão mais fácil?
Tinham os dois, doutor Teodoro e dona Flor tudo quanto necessário para a vida mais doce e mais feliz. Não só todos o diziam, unânimes: também dona Flor se dava conta.
O perfume do jardim penetra pelas frinchas das janelas. Lá fora serena noite de golfo, sem os rudes ventos, sem as imprevistas tempestades, sem o tumulto, sem o insólito; golfo de bonança. Vida feliz, equilíbrio e garantia, nem carência nem dissipação, nem medo nem amargura, nem humilhado sofrimento. Por fim, depois de tantas voltas e andanças, dona Flor vai conhecer o gosto da felicidade.
- Teodoro… - Murmurou de coração alegre e confiante: - Vai ser bom, vai dar certo, muito certo…
O concerto dos sapos nos fagotes de bruxedo e em concordância:
- Amem! Amem!
Foi na noite de Paripe, com estrelas e lanternas de saveiros.
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