sexta-feira, junho 08, 2012


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
 À ENTREVISTA Nº 52 SOBRE O TEMA:
 “AS PROSTITUTAS PRIMEIRO?” (5)

Uma Profissão, Ou uma Opção?

Elizalde diz:  Uma coisa é exercer a prostituição, responsavelmente ou não, e outra é escolhê-la livremente. Quando dizemos que uma mulher escolhe a prostituição, subentendemos que o faz com inteira liberdade mas esse é outro grande mito associado ao fenómeno da prostituição. Ela não é não é uma causa, mas um efeito e, assim, a opção de escolher o caminho do sexo para satisfazer ambições pessoais é precedidos pelo condicionamento social, educacional, familiar, económico, a pré-determiná-la, e essa análise é muito importante para na elaboração de estratégias para a reabilitação social da prostituta, para evitar agir contra a vítima, e não contra o mal.
Chamar às prostitutas "mulheres de vida fácil" ou, pior ainda, de "vida feliz" é uma das mentiras mais escandalosas que podem ser ditas neste planeta.  Estas definições foram certamente alcunhadas pelos clientes na perspectiva do comprador para o libertar da culpa quando está a  pagar.
 A vida de uma prostituta não é fácil nem feliz, mas eles são o preconceito de género tão arraigado, que às vezes até se assumir a culpa da imagem frívola que fica para o cliente e o proxeneta, dois elementos da cadeia que têm igual perigosidade social pelo seu papel na institucionalização da exploração sexual.  Tende-se a identificar a prostituta que é a sua cara mais visível e frágil.
  Os personagens mais sinistros nesta história não costumam emergir das sombras.  Mas a pessoa que põe o corpo em venda, a que especula com a sua dignidade, ainda que não o queira admitir, é marcada por uma experiência devastadora e pela tortura permanente de culpa.

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