segunda-feira, fevereiro 04, 2013

D.PEDRO I

D. PEDRO I (1320-1367)

O JUSTICEIRO 
 (Continuação)


Dissemos, no texto anterior, a propósito deste rei, protagonista do grande romance de Pedro e Inês, que as suas funções, aquilo que ele gostava de fazer era caçar, comer, beber e divertir-se em festas, bailando e, finalmente, exercer a justiça que era mais uma forma de dar vazão aos seus terríveis instintos de pura maldade e violência.

D. Pedro I, era, averiguadamente, dado a práticas homossexuais, adúltero, pois a sua mulher, D.ª Constança, nunca o inibiu de contrair relações íntimas com Inês, para além de ter tido mancebas em barda, como reza o cronista. No entanto, a sua natureza de um impulsivo sanguíneo, com manifestações de epilepsia e histerismo agudo, não suportava que se faltasse à moral rígida do sexto mandamento.

Ora na corte havia um corregedor, chamado Lourenço Gonçalves, homem cordato, benquisto, de ânimo liberal e bem-falante em quem o rei muito confiava pela sua lisura e incorruptibilidade. A mulher era um peixão de alto lá com ela, mais apetitosa que morangos mas ninguém lhe punha a taxa em cima.

No entanto, um pajem muito querido de D. Pedro, chamado Afonso Madeira, enamorou-se dela e começou a persegui-la com a porfia de um perdigueiro vicioso. Dados os muitos atributos de beleza do jovem dificilmente a pombinha podia resistir e, como a corte passava todo o tempo, fora de Lisboa, a correr o país, Évora, Estremoz, Santarém, Torres, Almeirim, Coimbra, Guimarães…, como era de uso durante a primeira dinastia, o nosso amigo Afonso Madeira arranjou jeito de se instalar num quarto junto da casa do corregedor.


Não sabemos se ele chegou a “vias de facto” mas nunca como então ele tocou e cantou e, como diz o povo, “passarinho que assim canta algo tem na garganta”. Muito chegado ao bom do corregedor, embrenhando-se com ele em amistosos colóquios e, desta sorte, “veio o acabamento dos seus desejos”.

Claro que, mesmo andando por fora, tudo isto chegou ao conhecimento de el-rei e foi o diabo. Antes lhe tivesse caído o céu em cima. Segundo diz o cronista, Fernão Lopes, D. Pedro não teria ficado menos sentido se ela fosse sua mulher ou filha e chamando o jovem pajem à sua câmara «mandou-lhe cortar aqueles membros que os homens têm em mor apreço».

Não morreu, medicaram-no bem e arribou. O esquisito é que engrossaram-lhe as pernas, os seios, a barba desapareceu para dar lugar a uma penugem loira, e com gostos flácidos e encontros arredondados viveu o resto dos seus dias, assim pagando a traição ao rei o escudeiro amado.
(continua)

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