quarta-feira, maio 28, 2014

António Costa
Acomodação











Nos partidos políticos, os “aparelhos” são o conjunto de militantes, na maioria da confiança do líder, que preenchem os mais variados cargos na estrutura do partido e os candidatos directos aos lugares do poder se o “chefe” vier a ser eleito 1º Ministro.

Muitos deles “saltarão” para Ministros e Secretários de Estado e outros lugares importantes da estrutura do Estado e das Empresas Públicas.

Digamos que foi sempre assim e não fazia sentido ser de outra maneira e Seguro tem, neste aspecto, uma enorme vantagem porque é uma pessoa simpática, afável e atenciosa e tem feito desta característica ao longo dos anos no partido um instrumento de captação entre os camaradas.

Fosse o Partido Socialista um Clube de Amigos e a sua presidência era assunto arrumado e não se discutia mais.

António José Seguro está instalado no partido rodeado de amigos que cultivou ao longo dos anos com a sua simpatia, sorriso e afabilidade e isto num país em que as pessoas são mais sensíveis a aspectos emocionais e sentimentais do que a racionais e críticos.

Sem dúvida que António José Seguro, que vem da escola de Guterres, bate largamente António Costa, que vem da escola de Jorge Sampaio, o primeiro católico fervoroso e o segundo distante das religiões, no que se refere a apoios na estrutura do partido.

Basta, de resto, olhar para as Federações Distritais que são decisivas neste tipo de contendas. Seguro tem consigo 12 líderes federativos enquanto Costa tem 3 e os restantes 6 não se definiram.

 Sendo assim, António Costa, levando para a frente a sua decisão de disputar o lugar de Secretário – Geral a Seguro poderá estar a “incomodar-se” para nada... mas eu acho que ele faz bem.

A vida política não deve ser feita de acomodação e ele é, sem dúvida, a alternativa mais credível a António José Seguro o que lhe confere especiais responsabilidades.

A sua iniciativa, neste momento, se fragiliza o partido, por um lado, por outro, constitui um factor de esperança para as próximas eleições legislativas.

De momento, o que resta é o povo socialista em que eu me incluo, completamente à margem dos interesses e que ficou decepcionado com a vitória “pífia” das últimas eleições e, pior ainda, com as sondagens para as próximas legislativas que dão um empate técnico que nem sequer chega a vitória “pífia”.

Nas legislativas de 2015 ver-se-á qual o resultado do PS de Seguro, e se as coisas não correrem bem, se ele continuar a demonstrar esta dificuldade em captar os votantes da área democrática do centro político do país (galinha que não voa no dizer de Mário Soares), manter-se-á a disponibilidade de António Costa ou perder-se-á mais um político brilhante para a governação do país como se perderam Jaime Gama ou António Vitorino na voragem dos aparelhos partidários?

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