quarta-feira, maio 20, 2015

Bruno de Carvalho
Um Trauma













O que a gente aprende viajando em transportes públicos. Hoje mesmo, no comboio regional de Santarém – Lisboa, dizia uma senhora sentada ao meu lado para a amiga.

 - “O que ele tem é um trauma e à noite a mulher não deixa. Levanta-se zangado e ralha com toda a gente, jogadores, dirigentes de outros clubes e treinador.”

Tal como eu, ela era sportinguista e referia-se ao Presidente Bruno de Carvalho a quem eu me limito a chamar  de “Diabo das Tasmânia” porque logo ao nascer briga com os irmãos e não fazem outra coisa durante a vida que não seja brigar.

Mas as mulheres têm uma capacidade especial para intuir a origem dos comportamentos quando se trata de homens. Esta mulher, que já era avó, acumulava uma experiência que só uma vida de relações dá e permite descobrir razões que aos outros homens escapam completamente.

Em Bruno de Carvalho o que eu via e vejo é um desejo de protagonismo, uma sede de poder com que ele sempre sonhou e que finalmente se concretizou quando o Sporting estava à beira da falência.

Saltou da bancada da Juvé - Leo para o banco do treinador, equipa técnica e jogadores suplentes na qualidade de Presidente do Clube. No fim dos jogos entra nas quatro linhas e vai agradecer à massa associativa para que não corra o risco de passar despercebido.

Vibra com os resultados como qualquer sócio apaixonado e reage com o coração ao pé da boca destabilizando o Clube como aconteceu este ano quando o Sporting foi perder a Guimarães.

A minha companheira de viagem inclina-se para um trauma não satisfeito na origem daquele comportamento sempre mal disposto e implicativo como se a rivalidade desportiva tivesse que viver necessariamente de acusações e suspeitas permanentes relativamente aos outros agentes desportivos.

Talvez num Clube da 3ª Divisão ou dos Regionais em que no fim dos jogos Presidente, restante Direcção e sócios vão todos comer um pastelinho de bacalhau e beber uma cervejinha, o Bruno de Carvalho tivesse o comportamento adequado e em conformidade, mas no meu Sporting não.

Mais de 100 anos de existência, com 14 anos de hegemonia no futebol nacional, desde sempre considerado um dos 3 Grandes, merecia um Presidente com outro perfil. Já tínhamos tido a nossa dose com o “bigodes” e as “garras do leão”  que depois fugiu para Angola...

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