DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS
Ep. 287
Evitando fazer barulho, vestiu-se rápido. Ainda bem que a esposa não acordara, não tendo ele tempo para explicações, com tamanha pressa de sair a ponto de esquecer chaves, documentos, carteira com dinheiro. Na esquina ia passando um táxi, ele o tomou e só quando foi pagar a corrida, na porta do Palace, deu-se conta da falta da carteira.
Esqueci a carteira…
- Não tem nada, seu doutor… Depois vou cobrar no jornal… - Giovanni reconheceu o chofer, Cigano, sempre a postos pela madrugada.
Reconheceu o chofer mas não a si próprio, Giovanni Guimarães. Que diabo estava fazendo ali, em frente à porta do Palace, à uma hora da manhã? Um telefonema o acordara, era Vadinho a lhe recomendar o dezassete. Ora, Vadinho morrera há uns quantos anos, antes dele, Giovanni, se casar. Um sonho, com certeza, uma espécie de alucinação.
Mas, sonho ou pesadelo, como já viera até ali e o mal já estava feito – sira de casa à noite e às escondidas: ai, impossível evitar as consequências – só restava-lhe aproveitar-se do palpite. O ar da noite e da liberdade o envolvia e Giovanni quase se sentiu um herói ao subir as escadas para o jogo.
Apesar da hora tardia, era grande o movimento no salão, sobretudo junto à mesa da roleta. Giovanni foi saudado com real entusiasmo:
- Bons olhos o vejam…
- Que milagre foi esse?
Aproximando-se de Pelancchi, o jornalista consultou:
- Posso fazer um vale? Saí tão apressado que esqueci a carteira e o talão de cheques…
- Quanto quiser… A caixa é sua…
- Apenas o necessário para testar um palpite… Sonhei com o 17…
- O 17?
No rosto de Máximo Sales alargou-se um sorriso, mas Pelancchi sentiu um baque, um pressentimento. Giovanni preencheu o vale e, tomando das fichas, pôs duas sobre o 17.
- Hoje não deu uma só vez - comentou alguém.
- Jogo feito… - a voz de Lourenço Mão-de-Vaca.
A bolinha rolou na bacia empenada da roleta, impossível dar o 17. A face de Máximo Sales bem aventurada como a de um santo, tensa a de Pelancchi Moulas.
- Preto. Dezassete – anunciou Lourenço Mão-de-Vaca.
Esqueci a carteira…
- Não tem nada, seu doutor… Depois vou cobrar no jornal… - Giovanni reconheceu o chofer, Cigano, sempre a postos pela madrugada.
Reconheceu o chofer mas não a si próprio, Giovanni Guimarães. Que diabo estava fazendo ali, em frente à porta do Palace, à uma hora da manhã? Um telefonema o acordara, era Vadinho a lhe recomendar o dezassete. Ora, Vadinho morrera há uns quantos anos, antes dele, Giovanni, se casar. Um sonho, com certeza, uma espécie de alucinação.
Mas, sonho ou pesadelo, como já viera até ali e o mal já estava feito – sira de casa à noite e às escondidas: ai, impossível evitar as consequências – só restava-lhe aproveitar-se do palpite. O ar da noite e da liberdade o envolvia e Giovanni quase se sentiu um herói ao subir as escadas para o jogo.
Apesar da hora tardia, era grande o movimento no salão, sobretudo junto à mesa da roleta. Giovanni foi saudado com real entusiasmo:
- Bons olhos o vejam…
- Que milagre foi esse?
Aproximando-se de Pelancchi, o jornalista consultou:
- Posso fazer um vale? Saí tão apressado que esqueci a carteira e o talão de cheques…
- Quanto quiser… A caixa é sua…
- Apenas o necessário para testar um palpite… Sonhei com o 17…
- O 17?
No rosto de Máximo Sales alargou-se um sorriso, mas Pelancchi sentiu um baque, um pressentimento. Giovanni preencheu o vale e, tomando das fichas, pôs duas sobre o 17.
- Hoje não deu uma só vez - comentou alguém.
- Jogo feito… - a voz de Lourenço Mão-de-Vaca.
A bolinha rolou na bacia empenada da roleta, impossível dar o 17. A face de Máximo Sales bem aventurada como a de um santo, tensa a de Pelancchi Moulas.
- Preto. Dezassete – anunciou Lourenço Mão-de-Vaca.
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