terça-feira, maio 08, 2012

GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio nº 92

Se Olga deixasse, bem que seria assim. Mas basta que a pobre tenha cara de gente e vai para o meio da rua com desaforos

 - D. Olga não é de brincadeira. E faz bem, você só mesmo de rédea curta.

Tonico Bastos faz um gesto de falsa modéstia:

 - Também não exagere, homem. Quem lhe visse falar…

Mundinho Falcão chegava com o coronel Ribeirinho, sentavam-se com o Capitão.

 - E o Doutor?

 - Não vem nunca ao cabaré. Nem à força.

 Nhô-Galo aproximou-se de Nacib:

 - Largou a zinha para Ezequiel?

 - Hoje quero é dormir.

 - Pois eu vou a casa de Zilda. Me disseram que tem uma pernanbucana, um pancadão – Estalava a língua – Talvez apareça por aqui

 - Uma de tranças?
 - Isso de bunda grande…

 - Tá no Trianon. Toda a noite tá lá… esclareceu Tonico – É protegida do coronel Melk, ele a trouxe da Bahia. Tá de beiço caído…

 - O coronel foi hoje para a fazenda. Vi quando embarcou – informou Nacib – Tava contratando trabalhadores no “mercado de escravos”.

 - Me toco para o Trianon…

 - Antes da dançarina?

 - Logo depois.

O Bataclan e o Trianon eram os principais cabarés da cidade de Ilhéus, frequentados pelos exportadores, fazendeiros, comerciantes, viajante de grandes firmas. Mas nas ruas do de canto havia outros, onde se misturavam trabalhadores do porto, gente vinda das roças, as mulheres mais baratas. O jogo era franco em todos eles garantindo os lucros.

Uma pequena orquestra animava as danças. Tonico foi tirar uma mulher, Nhô-Galo olhava o relógio, já era hora da dançarina, ele estava impaciente. Queria ir ao Trianon ver a de tranças, a do coronel Melk.

Era quase uma da manhã quando a orquestra cessou e as luzes se apagaram. Ficaram apenas umas pequenas umas pequenas luzes azuis, da sala de jogo veio muita gente, espalhando-se pelas mesas, outros de pé junto às portas.

Anabela surgiu dos fundos, enormes leques de penas nas mãos. Os leques a cobriam e descobriam, mostravam pedaços do corpo.

O Príncipe, de smoking, martelava o piano. Anabela dançava no meio da sala, sorrindo para as mesas. Foi um sucesso. O coronel Ribeirinho pedia bis, aplaudia de pé.

As luzes voltavam a se acender. Anabela agradecia as palmas, vestida com uma malha cor de carne.

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