domingo, junho 19, 2011

HOJE É


DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)


O futuro escapa-se-nos… o nosso destino em pouco ou nada está nas nossas mãos, a não ser para o mal porque para o bem está em Bruxelas, na Europa ou mais concretamente, na Alemanha.

Quem nasceu, como eu, no início da 2ª G.G. Mundial foi contemporâneo do que os alemães fizeram à Europa e ao mundo.

Das atrocidades que praticaram se perguntou se eles eram pessoas ou monstros e a resposta foi de que, afinal, foram simplesmente pessoas que fizeram coisas monstruosas.

Pela segunda vez estão prestes a lançar a Europa no caos e na ruína porque se as suas grandes qualidades como povo são a disciplina e o trabalhado, o seu grande defeito é o excesso de orgulho em ser alemão.

Foram contrariados para este projecto europeu pensado e delineado por pessoas com uma perspectiva de que para haver paz e progresso na Europa as fronteiras não podiam ser mais a dos países que a constituem mas sim a dos seus limites naturais, o que correspondia a uma evolução natural na organização das sociedades com problemas cada vez mais complexos a exigirem para a sua resolução uma escala maior naquele longo percurso iniciado à milhares de anos, do clã e da tribo… até á globalização.

Cada país europeu não pode estar sozinho, isolado, sem dimensão – Portugal é 2% da economia europeia, repito, 2% - para poder resolver os seus problemas e entrar no diálogo com os outros grandes espaços económicos e populacionais como a China, Brasil, Índia, Estados Unidos.

O projecto de uma Europa unida era a solução quase óbvia mas no fundo a Alemanha sempre pensou em si e os restantes países aceitaram segui-la sem força e discernimento para se oporem a um projecto de “serviços mínimos” que estava condenado ao fracasso.

O projecto europeu era de tal forma difícil de pôr em prática que só numa solução integral seria viável. Limitado a pouco mais de que uma moeda única era fácil antever que, mais cedo ou mais tarde, por isto ou por aquilo, a diferente capacidade, dimensão, estado de desenvolvimento económico dos países que a compunham, teria que levar a bloqueios.

A moeda única, só por si, mais agravou a situação porque sendo a moeda o “espelho das economias”( assim me ensinou o meu falecido professor Alfredo de Sousa), com economias diferentes, ainda por cima com taxas de juro baixas e acesso fácil ao crédito, tinha que dar asneira.

Era preciso ter sido ambicioso e ter tido a coragem, como sempre defendeu Mário Soares, de avançar para um governo europeu, um exército europeu, uma única política externa e uma legislação no domínio fiscal e do trabalho que nos aspectos essenciais fosse comum.

O que se fez foi um esboço. Desmantelámos a nossa agricultura e pescas no que seria bom para a europa… Em troca recebemos dinheiro que acabou em grande parte em meia dúzia de bolsos e serviu para alimentar vícios.

Em desabafo, este projecto envergonhado de uma Europa Unida, já reconhecido como tal pelo Presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Junker, um pró-europeu, que adverte para o facto de que “estamos a brincar com o fogo” referindo-se ao presidente do Banco Central Europeu Jean-Claude Trichete que pretende fazer participar os credores privados no salvamento da Grécia.

Diz ele que, ao se enveredar por esse caminho “podemos levar, no pior dos casos, a que as Agências de Notação coloquem Atenas na categoria de “insolvência” com consequências catastróficas para a moeda única”.

A falência da Grécia arrasta Portugal, Irlanda e, em virtude do seu endividamento, a Bélgica e a Itália ainda antes da Espanha.

Será que ainda vão a tempo? A palavra à senhora Merkel e aos alemães. Já não teremos de esperar muito.

Os alemães denunciaram publicamente os pepinos espanhóis como sendo os transmissores da bactéria e. coli, responsável pela morte de 38 alemães e um sueco. Mais tarde, há duas semanas, o Ministério da Saúde da Baixa Saxónia afirmava que a origem do surto eram rebentos de soja e agora detectaram a presença da bactéria numa ribeira nos arredores de Frankfurt que servia para regar alfaces…

Das desculpas públicas aos agricultores e ao povo espanhol ainda estamos todos à espera de as ouvir da boca da senhora Merkel, oriunda da Alemanha de Leste. Continua a prevalecer a desconsideração e a sobranceria pelos latinos do sul da europa.

Estranhos, estes líderes da “família” europeia…

Bom Domingo a todos.

Site Meter