segunda-feira, julho 09, 2012


GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 144



Desembarcara recentemente a gringa no porto, como soubera de Gabriela? Mandara comprar salgados e doces no bar, um dia subiu a Ladeira de São Sebastião, bateu palmas à porta de Nacib, demorou-se examinando a risonha empregada:

 - Very well!

Mulher sem compostura, dela diziam horrores: bebia tanto ou mais do que um homem, ia à praia semi-nua, adorava adolescentes quase meninos, corria até que gostava de mulheres.

Propôs a Gabriela levá-la para a Baía, dar-lhe salário impossível em Ilhéus, vesti-la com elegância, folga todos os Domingos. Não fizera cerimónia, fora bater em casa de Nacib. Gringa mais descarada…

E o juiz não dera agora para passear, após as audiências, na Ladeira? Quantos sonhavam botar casa para ela, tê-la de manceba? Outros, mais modestos, suspiravam apenas por uma noite com Gabriela, por detrás dos rochedos na praia por onde iam passear na escuridão casais suspeitos.

Tornavam-se a cada dia mais atrevidos, perdiam a cabeça no bar a segredar-lhe palavras, fizera-se movimentado o passeio a casa de Nacib.

Notícias chegavam ao balcão do árabe, a seus ouvidos. Cada tarde tinha Tonico uma novidade a contar, também Nhô-Galo já lhe falara do perigo aumentando:

 - Toda a mulher, a mais fiel tem um limite…

Dª Arminda, com seus espíritos e suas coincidências já lhe dissera ser Gabriela uma tola ao recusar tantas ofertas tentadoras.

 - Também o senhor não está fazendo caso se ela for embora, não é, seu Nacib?

Não estava fazendo caso… Não pensava noutra coisa, buscava soluções, perdia o sono, não mais dormia a sesta a ruminar temores na espreguiçadeira. Meu Deus, até o apetite começava a perder, emagrecia! Recebendo os parabéns na festa, pancadinhas nas costas, abraços, felicitações, afogava em champanhe seus temores, as perguntas que lhe enchiam o peito.

Que significava Gabriela em sua vida, até onde devia ir para guardá-la? Buscava a companhia melancólica de Josué, o professor naufragava em vermute, reclamando:

 - Por que diabo não tem cachaça na merda desta festa? – Onde estavam suas palavras bonitas, seus versos rimados?

Houve ainda duas sensações no baile. Uma foi quando Mundinho Falcão, rapidamente farto da fácil Iracema (não era homem para ir namorar nos portões ou nas matines do cinema, para beijinhos e esfregações, reparou na moça loira de pele fina de madrepérola, de olhos de cor do azul celeste.

 - Quem é? – perguntara.

A neta do coronel Ramiro, Jerusa, filha do Dr. Alfredo.

Sorriu Mundinho, parecia-lhe divertida a ideia. Ela estava, adolescente formosura, ao lado do tio e de Dª Olga.
(Click na imagem. A avionete ficou desfocada porque nada podia "atrapalhar" a formosura daquele rosto moreno.)

Site Meter