terça-feira, setembro 11, 2012


As Religiões – 11 de Setembro de 2001

11 de Setembro de 2001. Onze anos passaram sobre o horror que senti ao presenciar em directo, pela televisão, o embate do segundo avião contra as torres gémeas em Nova York. Inacreditável, quando, anos mais tarde numa entrevista clandestina a Bin Laden, escondido no seu refúgio, ele confessava, com disfarçada vaidade, e sem o menor vislumbre de emoção, que os resultados dos ataques tinham ultrapassado as suas próprias expectativas. Esta declaração, fria e serena, deu-me a ideia da dimensão do ódio que ultrapassa o próprio ódio: é simplesmente um desígnio, o desígnio da morte, da eliminação.

  A investigadora Maria João Tomás escreveu um texto no Diário de Notícais que transcrevemos pela oportunidade e importância que revela: «A Ascensão dos Salafitas, 11 anos após o 11 de Setembro» É um documento factual que mostra o perigo que representa para a humanidade as facções fundamentalistas de certas religiões.

 “A Ascensão dos Salafitas, 11 anos após o 11 de Setembro”

«Em vésperas de mais um aniversário do 11 de Setembro, numa altura em que os Salafitas na Tunísia atacaram o último bar do hotel que ainda servia bebidas alcoólicas na cidade berço da revolução de Jasmin, Sid Bouzid, e depois de terem conseguido fechar todos os outros bares semelhantes, e de terem atacado galerias de arte, e ameaçado as mulheres que usam biquíni e fato de banho na praia, tudo feito sob a impassibilidade do governo do Ennahda que nada faz para os impedir, vale a pena olhar com mais atenção para os partidos políticos baseados na ortodoxia islâmica, nomeadamente os salafitas.

Denominam-se “salafi” às primeiras gerações de muçulmanos, os companheiros de Maomé, dos seus seguidores, e os seguidores dos seguidores. Os salafitas fazem uma interpretação estrita do Islão sunita, geralmente muito independente.

Têm o desejo de se comportar como as primeiras gerações de muçulmanos e acreditam que esse modelo de sociedade é o ideal e o mais perfeito. O conceito “salafi” começou no século XIX, como reacção à crescente influência dos valores da cultura ocidental e numa tentativa de recuperar a pureza do Islão. Jamal al-Afghani Edin ou Muhammad Abdu foram dois dos maiores estudiosos desta época, mas somente na década de 70 o salafismo começou a ter intenções políticas.

Um dos principais movimentos apareceu no Egipto, na cidade de Alexandria, como reacção ao aumento de popularidade que a Irmandade Muçulmana estava a ter. Começaram com um movimento académico de estudantes de medicina, que eram conhecidos como “salafitas de Alexandria” e tinham como líder Mohamed Ismael al-Mokaddem.

Na década de oitenta, criaram um Instituto de Estudos Islâmicos e formaram um grupo de assistência social para ajudar os pobres, as viúvas e os órfãos, abrindo centros de saúde, substituindo o estado na ajuda aos mais necessitados.

Apesar de não estarem autorizados pelo governo, e de serem constantemente perseguidos e presos, conseguiram expandir as suas operações e espalharam-se por todo o Egipto. Muitos optaram, no entanto, por emigrar para a Europa e E.U.A. onde, ao abrigo da liberdade religiosa e de expressão, puderam espalhar os seus ideais e a sua interpretação conservadora e reaccionária.

Durante as revoltas da “Primavera Árabe” tiveram uma atitude muito discreta, misturando-se com a multidão, evitando serem acusados de principais instigadores da contestação.

A liberdade trazida com as revoluções permitiu às populações expressar e demonstrar a sua religiosidade e o salafismo acabou por ser uma opção política muito popular.

Começaram a aparecer os partidos de inspiração salafita, que ideologicamente são considerados os precursores do pan-islamismo, defendendo a pureza do Islão que deve regular todos os aspectos da vida humana, da sociedade ao direito, à política e à economia. Na generalidade, querem um Estado moderno com base numa ética ortodoxa islâmica, acreditam na aplicação e viabilidade da sharia, defendendo um modo de vida “halal”, ou lícito, proibindo a bidda ou as inovações.

Os seus seguidores acreditam que desta forma conseguem resolver todos os problemas, desde a corrupção à injustiça social. Têm líderes carismáticos e muito mediáticos, alguns com programas televisivos com muita audiência.

Suspeita-se que muitos partidos salafitas recebam apoios da Arábia Saudita o que, juntamente com a violência que usam para defenderem os seus ideais, faz que sejam muito criticados, mesmo dentro da comunidade islâmica mundial.

Onze anos depois dos ataques do 11 de Setembro, e através de eleições democráticas, a ortodoxia islâmica tem vindo a ganhar importância e visibilidade no universo político, não só nos países do Médio Oriente e norte de África, mas um pouco por todo o mundo.

No Afeganistão, numa altura em que os talibãs controlam uma boa parte do Sudeste do país, e quando as tropas americanas preparam a retirada em 2014, o actual Presidente Hamid Karzai, convidou-os a formar um partido político, arriscando-se a que tenham um resultado surpreendente nas próximas eleições.

Bem Laden estava muito longe de pensar que, algum dia, tal fosse possível… e Bush também não.»


Nota A agressividade, inteligência, desprezo pela vida e fanatismo desta gente levá-los-á a imporem-se, progressivamente, a toda a comunidade islâmica após o que estarão livres para disputarem aos outros povos, portadores de outras religiões, o poder universal numa cruzada que só parará numa confrontação total. Pelo menos, estes são os seus objectivos.

Como aprendemos com Richard Dawkins, o sub-produto da religião que, inicialmente, teve origem numa predisposição do cérebro para acreditar naquilo que os pais e os mais velhos diziam às crianças com firmeza e voz grossa, factor importante para a sobrevivência da nossa espécie, poderá, no futuro, conduzir-nos ao holocausto da mesma forma que as traças se precipitam para o “suicídio” na chama de uma vela.

O Ocidente tem que estar atento, todos nós temos que estar atentos. Preservar, defender e transmitir aos nossos filhos uma sociedade que respeita o quadro de valores de Direitos e Liberdades em que vivemos deve ser a nossa principal preocupação. Nesta defesa, precisamos de perceber que não lutamos com armas iguais e isso fragiliza-nos. Pelo menos não nos sacrificamos em vida para matar os nossos inimigos, quando muito morremos em combate.

Toda a atenção que as autoridades dos nossos países conseguirem dedicar a este problema é pouca e muita dela foi descurada no 11 de Setembro de 2001…

Defendemos a convivência entre todos os povos, de todos os credos mas esse relacionamento tem de ser responsável para que possa ser preservado.

A nossa maneira de viver é o que temos de mais importante, de tal forma importante que nem nos apercebemos. Actualmente, fazemos um uso discreto da nossa religião predominante mas há quem a use a religião como arma, a pior e mais potente de todas, e aqui incluo também os fundamentalistas da Igreja (dita) de Cristo.

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