sábado, julho 20, 2013

 O Bom Não é

 Inimigo do Óptimo



Por que foi Cavaco Silva provocar este inútil compasso de espera de uma semana se ele sabia, como todo o país sabia, que este iria ser o desfecho das conversações?

Não creio, sequer, que tenha tido qualquer surpresa quanto ao desfecho das negociações, conhecedor, como ninguém, dos agentes políticos em Portugal, mas será o suficiente para escrever na sua auto-biografia que tudo fez para salvar o país mas os partidos não permitiram.

Agora, já pode empossar o novo governo de Passos Coelho que, quanto a mim, é melhor do que o anterior do ponto de vista orgânico e de personalidades.

Tal como prevíamos na Sexta-Feira passada, fica demonstrado que o “Bom” (entre aspas porque, na realidade, não é Bom) não é inimigo do Óptimo.

O Presidente da República pretendeu o Óptimo e agora fica de mãos vazias a queixar-se dos partidos que não se entenderam e, das duas uma, ou dissolve a Assembleia e convoca eleições (o que parece impossível depois do que disse no seu discurso…) ou, rapidamente, investe o governo remodelado de Passos Coelho que tem maioria no Parlamento e não quer demitir-se.

Não acredito que haja um qualquer outro coelho a tirar da cartola a não ser o de Passos.

Ver Cavaco Silva em passeios ridículos, numa situação como aquela em que estamos a viver, a anilhar passarinhos nas Selvagens, não é deste mundo real… O que terá ele visto neles de semelhante ao sorriso das vacas açorianas?

Para já, perdemos mais dinheiro nos juros do dinheiro que pedimos emprestado mas isso não os aflige a eles. Quem paga somos nós…

O PS e os partidos da coligação não se entendem… prestes a afogarem-se que estivessem e, mesmo assim, iriam para o fundo sem se entenderem… Eles pensam na sua sobrevivência, não na sobrevivência do país.

 Com algum exagero, é como diz Pacheco Pereira: são 2 ou 3 mil empregos no Aparelho do Estado, Autarquias, Empresas Públicas etc… que estão em jogo para o partido que estiver no poder.

Lembremos que Passos Coelho, só no seu Gabinete, tem mais de 50 e a maior parte deles ficará no desemprego se o Chefe se for embora.

 Estes líderes não prestam: não têm maturidade, sensibilidade e honestidade política, craveira intelectual e, acima de tudo, sentido patriótico. Nem para uma situação de "vacas gordas " servem quanto mais para uma crise destas!

Já se viu, por ventura, que uma remodelação de governo não tivesse sido resolvida no recato dos gabinetes em vez de ver ministros a bater com a porta acompanhados de cartas ao país no estilo de “meninos birrentos”como se a nação fosse o recreio de uma escola?

Os portugueses, por seu lado, vão fazendo o que podem:

 - Equilibraram, à força, a balança de pagamentos, mesmo sem petróleo para exportar;

 - Fizeram subir as exportações;

 - Emigraram para baixarem a taxa de desemprego e aumentar as remessas dos emigrantes e...

 - Ainda não começaram por aí a partir vidros de lojas e a deitar fogo aos caixotes de lixo.

A austeridade é uma falsa questão e tem sido utilizada como arma de arremesso para baralhar os cidadãos. O Governo de Passos Coelho em vez de fazer cortes nas Despesas do Estado que estivessem ao serviço de uma Reforma pensada e explicada às pessoas, fez cortes às cegas, apenas para economizar.

 Fez descer a Despesa do Estado, é verdade, mas deu um terrível tombo na economia e no emprego. O corte dos 4,7 mil milhões, ou lá quanto é, será uma estupidez e cretinice se não for feito gradualmente ao longo dos próximos anos e devidamente explicado. O contrário seria matar a economia dando cabo dos consumidores e destruindo animicamente os portugueses.

As nossas vidas têm que ser reajustadas às nossas “posses” mas depois de tantos erros e desmandos é preciso tempo, inteligência e sensibilidade, fazendo-nos acreditar que a esperança é possível.

E, naturalmente, temos que falar com a Europa, com os nossos credores, mas depois destes exemplos de mau comportamento será que nos vão levar a sério?

 - Talvez, eles também não se têm portado muito bem.

Site Meter