domingo, junho 29, 2014

Largo do Seminário em Santarém
HOJE

É

DOMINGO

(Na minha cidade
 de Santarém em 29/6/2014)









A sociedade portuguesa está em guerra. Há um desnorte nas tropas, os chefes digladiam-se entre eles… dizem que é a democracia mas, para mim, é a deterioração da democracia, os partidos a definharem pelas costuras pelo abandono das pessoas mais válidas da sociedade portuguesa e a transformarem-se, cada vez mais, em locais de emprego para clientelas.

Quanto aos problemas de fundo o país está mais ou menos de acordo: temos de aumentar a produção da riqueza, reduzir certas despesas do Estado e equilibrar o orçamento.

 -  Mas onde cortar, como aumentar?

Já definiram o inimigo mas não sabem como abatê-lo. Voluntariosos, há vários concorrentes para liderarem as tropas mas estas perderam a confiança nos seus chefes,  não sabem quem seguir…

Em tempos, vestiram-me uma farda e mandaram-me para a guerra. Não para defender a minha terra, a minha família ou os meus interesses mas de outros que estavam escondidos por detrás de palavras tão bonitas como Pátria e Honra... E nós, sem outro remédio, lá fomos e alguns mais entusiastas levaram até na sacola os Lusíadas e a Bíblia.

Alguns deixaram lá a vida, outros ficaram feridos, incapacitados e a guerra acabou inconclusiva por desistência de uma das partes.

Do outro lado, recordo Samora Machel, disseram que foi uma vitória. Para alguns, do lado de cá, teria sido um empate ou derrota na Secretaria por desistência... talvez, vi fotografias de soldados nossos abraçados ao inimigo como é próprio dos combates nulos.

Mas essa guerra já foi há muitos anos e não interessa falar dela, ferem-se sensibilidades…

 O inimigo de ontem, hoje dá empregos aos desempregados do nosso país, compra-nos coisas, investe nas nossas empresas, ou seja, ajuda-nos, não por altruísmo mas para ganhar outra guerra, a do dinheiro, essa que é mesmo a sério.

Por que é que governar um país é tão difícil?

- Porque não exige apenas inteligência. Alguém duvida da inteligência de António Guterres, um dos alunos mais brilhantes que já passou pelo Instituto Superior Técnico?

- E não terá ele sido um homem sério como Sócrates o foi, Soares, ou Salazar umas gerações antes?

É que a um político pede-se-lhe, também, para além de inteligência e seriedade, que saiba ler o futuro como se fosse quase um adivinho.

 - "Ah, pois, dizer isso agora é fácil..." É aqui que está o mérito do político. Chegar lá antes dos outros que esperam pelo acontecer das coisas... 

Lembram-se dos ventos da História de que falava Salazar?

Esses ventos empurravam as colónias para a independência e ele, no que julgava ser um golpe de génio político, não fez a vontade aos ventos e não negociou com aqueles a quem chamava de “terroristas”.

E hoje, quais serão os ventos da história?

A maioria de nós não tem dúvidas que vão na direcção da Europa mas o processo que se montou foi capcioso, estava armadilhado por uma moeda demasiado forte que serve os interesses da Alemanha e prejudica os nossos cuja economia não teve tempo nem capacidade para se ajustar a uma tal moeda.

Não esqueçamos que uma moeda forte retira-nos competitividade, dificulta a vida dos nossos exportadores que não têm Mercedes, nem BMW para vender, enquanto que a uma economia forte e altamente competitiva como a alemã, num mundo global, com os seus automóveis de marcas consagradas a venderem-se como papo-secos e muitos outros equipamentos industriais, ajusta-se na íntegra.

Por alguma razão os chineses mantêm o seu “Yen” "baixinho" resistindo a todas as pressões internacionais para que o ajustem ao que é hoje a força da sua economia.

Para nos chatear ainda o bichinho do ouvido vêm aqueles senhores, como o ministro das Finanças alemão, aquele a quem o nosso Gaspar falava na orelha porque anda numa cadeiras de rodas, lembram-se das imagens, que de memória curta sobre a historia recente do seu país, afirmava, do alto da sua soberba, que nós, cá do Sul, ao nos queixarmos deles, o que tínhamos era inveja…

Espero que não tenhamos de mudar de estratégia, sair do euro ou mesmo do projecto europeu, seria uma calamidade mas eu não sou político e apenas registo que o percurso está a ser muito violento, muito mais do que se pensou, por culpa do próprio processo de integração e de um mundo desgovernado pelos homens do dinheiro, sem escrúpulos nem moral, nem ética.

Mas também por alguns erros nossos, alguns de avaliação das situações e outros que foram soprados por Bruxelas que agora assobia para o lado e também, por que não reconhecê-lo, da mistura criminosa entre interesses privados e públicos que prejudicaram o país e fizeram crescer a nossa dívida.

O momento é delicado…Venceremos a guerra? – Vencerá a Europa a guerra contra os seus inimigos e nós, conseguiremos equilibrar o barco? E a que preço?

Os partidos da extrema - direita atacaram em força e estão representados agora no Parlamento Europeu em muito maior número para dar cabo do projecto europeu por dentro.

Felizmente, uma vez lá chegados, não se entenderam e Marine Le Pen registou uma derrota por não ter conseguido constituir um grupo político composto exclusivamente por partidos da extrema-direita o que lhe daria mais força.

Aguardamos agora a eleição do novo Presidente da Comissão e, num futuro próximo, tenho muita pena que um homem como António Costa não possa, como 1º Ministro do nosso país, defender na Europa os interesses de Portugal aliado a outros países do Sul.

O que se passa no Partido Socialista é muito mais do que uma questão partidária, é um assunto nacional. As manobras e o tacticismo de Seguro arrastam o partido para uma cisão.

 Se ele vencer com recurso a todas as manobras em que se especializou, o PS perderá as próximas legislativas e deixará de ser o Partido que sempre tem sido, de referência para os eleitores da esquerda e do centro, excepção feita ao tempo do PRD, do general Ramalho Eanes e do Eng. Hermínio Martinho, que se constituíram então como alternativa de pouca duração.

A maior parte das pessoas do PS ou daquele sector da classe média, democratas, não aceitará Seguro, homem vazio e demagógico que corre para onde lhe convém, para uma alternativa a Passos Coelho que, aliás, corre o risco de sair reforçado nas próximas legislativas com um adversário destes.

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