terça-feira, julho 22, 2014

OS VELHOS
OS VELHOS














No meu país as pessoas reformadas, aposentadas, pensionistas, não podem trabalhar, gratuitamente que seja, voluntariamente ou a pedido, colocando ao serviço da comunidade o saber da sua experiência.

Se a Lei Nº 11/2014 de 6 de Março, diz aquilo que diz, de tão irracional que é duvidar é o que resta, então alguma coisa de grave se passa ao nível da nossa classe política, porque esta Lei veio da Assembleia da República, passou por todos os trâmites até à publicação no Diário da República.

Vou aqui abrir uma hipótese de explicação: - Houve um cretino que a escreveu e por distracção, comodismo, falta de tempo, etc... ninguém mais a leu até aparecer, vitoriosa, à luz do dia.

E aí está, um cretino, bastou um, para negar aquilo que foi um dos factores de sucesso, quase sempre precário, da humanidade: o saber dos velhos, repositórios de experiências, fontes de ensinamento, e não digo isto por já ser velho digo-o porque sempre, especialmente na juventude, me senti seduzido pelos velhos.

Os cabelos brancos inspiravam-me respeito, as rugas falavam de histórias de uma vida e o ar pensativo de palavras parcas significavam sabedoria.

Eu já pertenço a outra geração, aquela que felizmente teve acesso à educação e à cultura, - nem todos nessa época – mas o que eu estudava nos livros era um saber diferente, faltava-lhe a profundidade e a convicção do que os velhos me diziam, que já lhes tinha sido dito por outros velhos e outros... e outros.

Hoje os velhos são um peso, um encargo, uma inutilidade. Não fossem eles e o nosso Sistema de Saúde respirava boa vida... sobraria dinheiro para pagar aos nossos credores.


Por isso, só resta, - prescindir dos velhos mais válidos é um luxo e um desperdício estúpidos mas não os mais graves - deixá-los morrer, sozinhos, esquecidos, já sem família, como lixo deixado à porta das casas até que alguém o leve por já não se lhes suportar o cheiro.

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