segunda-feira, março 09, 2015

José Mujica saindo do seu "carocha" de 1987.
José Mujica















Despediu-se do cargo de Presidente do Uruguai o velho guerrilheiro que chegou a Presidente, o mais popular do mundo, comprovando, também ele, que as questões de carácter são as mais importantes para definir o responsável político de um país.

Na política portuguesa onde estes exemplos hoje não existem, o último foi o General Ramalho Eanes, condenam-se até estes julgamentos morais como não sendo próprios para avaliar políticos.

Mujica foi um velho guerrilheiro e quando chegou a Presidente abdicou dos luxos da residência oficial e continuou a viver na sua simples casa com tecto de zinco.

Nós tivemos também Teófilo de Braga que igualmente recusou honras e ostentações deslocando-se, de manhã para a presidência de eléctrico com o guarda-chuva no braço e a bengala já sem ponteira.

Como é que Muchica, sendo o que foi, conseguiu chegar a Presidente e manter-se como recordista de popularidade não só no seu país mas no mundo?

- Mérito dos cidadãos do Uruguai que o elegeram porque não podemos condenar os eleitores quando põem no poder facínoras e doentes mentais como Hitler ou sonsos, hipócritas e provincianos, como Cavaco Silva e não elogiar quando fazem escolhas certeiras e arrojadas.

Da América Latina vêm os piores exemplos de demagogos e tiranetes mas também vem Mujica que nos surpreende e faz sorrir pela grande qualidade da sua personalidade que se reafirma com o poder em vez de se ofuscar como tantas vezes acontece.

...”São tão bons até irem para lá e depois com o poder estragam-se...” diz o povo.

São poucos na história do mundo os homens que se impuseram pela qualidade do seu ser quando chegaram ao poder.

 - Tivemos Gandi, na Índia, que quase se deixou morrer para que o seu povo se respeitasse a si próprio face ao domínio inglês e não se entregasse a uma luta fratricida por motivos religiosos;

 - Mandela, na África do Sul, que conseguiu, apenas pelo seu exemplo, o que parecia impossível unindo um povo de brancos e negros separados até ao fundo da sua alma pela política do apartheid;

 - E na América do Sul, José Mujica que quando chegou ao poder levava 15 anos de prisão por pertencer ao Movimento de Libertação Nacional Tapamaro, 6 feridas de bala e 2 fugas e 4 dias depois de sair daquele inferno fez um discurso sem vestígios de ressentimentos.

No entanto, tinha sofrido toda a espécie de torturas, desde eléctricas às psicológicas, passando pela fome, espancamentos, suportando frio extremo e calor abrasador. Falou com ratos e rãs e disputou o resto da comida dos cães.

Detido em 1972, voltaria a ver a luz do dia em 1985 quando o país recuperou a democracia. Entrou aos 37 anos, saiu aos 50, perdeu a juventude mas não os ideais.

Doa 87% do seu salário de 12000 US$ de Presidente o que correspondeu, em 5 anos, a 600.000 dólares que lhe teriam dado para comprar uma casa nova e trocar o seu velho carocha de 1987.

- Que inveja quando nos lembramos dos nossos políticos de pacotilha...

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