sexta-feira, maio 29, 2015

Afinal, ela corta ou não corta?
Afinal, cortam

ou

não cortam?






Com tantos pensionistas e reformados a poderem usar o direito de voto nas próximas eleições legislativas de Outubro, começar a falar no corte das pensões constitui um crime “lesa majestade” em termos eleitorais.

Eu ouvi a ministra das Finanças, Maria Luís, dizer aquilo que disse no encontro com os jovens da JSD e o que ela afirmou não foi que ia cortar nas pensões actuais.

O que ela disse foi: "É honesto dizer aos portugueses que será preciso fazer alguma coisa sobre as pensões para garantir a sustentabilidade da Segurança Social. E isso pode passar por alguma redução mesmo nos actuais pensionistas." o que bate certo com a economia de 600 milhões nesta área que consta do Orçamento para este ano e até já foi enviado para Bruxelas.

Por outras palavras: “vamos cortar nas pensões" e ponto final.

De resto, esta é a solução fácil e intuitiva não, necessariamente a certa, com a vantagem de não exigir rasgos de imaginação para problemas e situações deste género.

Quando Salazar chegou ao poder e encontrou as finanças desequilibradas a medida que tomou foi cortar nas despesas, aumentar os impostos e logo a seguir cortar também nas liberdades com a criação da Polícia de Estado para dar uns “abanões e puxões de orelhas” a quem contestasse essas medidas.

A Coligação tem exactamente o mesmo programa o qual, de resto, vem sendo aplicado desde que subiu ao poder com grande entusiasmo e apoio dos mercados e instâncias internacionais financeiras e sobre as quais não pretende enganar ninguém. Por isso, Maria Luís disse o que disse.

Tirar rendimentos às pessoas, e são muitas, que pela sua idade já não podem voltar ao mercado de trabalho e muito menos emigrar, é condená-las a uma vida progressivamente de maiores dificuldades para elas e para os  filhos e netos de quem são, muitas vezes, amparo com a agravante que não se ouve uma palavra de esperança nos rostos austeros de Passos Coelho e Maria Luís e do agoirento e descorçoante número dois do PSD, Marco António.

Fazer diferente daquilo que fez Salazar e do que Passos Coelho está a fazer, é a aposta na outra via, de uma margem que é estreita, e na qual António Costa, do Partido Socialista, acredita.

Procurar o desenvolvimento da economia, fazer crescer o emprego para aumentar o poder de compra dos consumidores com impacto favorável nas pequenas e médias empresas que foram tão atingidas fazendo crescer, desta maneira, os descontos para a Segurança Social, é a grande proposta do PS.

António Costa sempre disse que o futuro do país está mais na Europa e na política da Comunidade Europeia do que, propriamente, a nível interno que dificilmente melhorará se o externo não melhorar.

Por isso, insiste que em colaboração com outros países europeus que nos estão mais próximos, devemos tentar influenciar essas políticas para que as nossas condições de progresso sejam mais favoráveis e não impliquem tantos sacrifícios.

Costa é um homem inteligente que faz uma leitura correcta da situação internacional, com uma extensa formação política e embora não tenha “ventoinhas na cabeça” como António Vitorino, tem uma experiência de vários anos de governar a Câmara Municipal de Lisboa com o agrado da generalidade dos lisboetas tendo dado provas, ao longo desses anos, de ser um político paciente que sabe ouvir e dialogar.

Temos agora aí à porta a saída ou não saída da Grécia da zona Euro. Percebe-se pela leitura dos jornais que as tensões estão a ser puxadas ao máximo e a minha esperança e a de muitos portugueses e europeus, é que Tsipras compreenda que em política o que interessa é “a vitória do possível” e que os gregos lhe ficarão agradecidos por qualquer vantagem que ele consiga no resultado final das negociações.

Se a Grécia sai da Zona Euro é mau para Portugal, para a Europa no seu conjunto mas péssimo para a Grécia por muito que lhe possa agradar a “defesa da honra”.

O caminho que a Europa tem que percorrer e as lutas que os países do Sul têm que travar serão mais longas e difíceis do que desejaríamos. Para essas batalhas da justiça, igualdade e solidariedade entre todos os países da Comunidade Europeia, precisamos da Grécia, que é um dos nossos.

Se ela sair do “ringue” é uma capitulação, uma vitória dos países do Norte, uma derrota dos países do Sul a quem as normas têm sido impostas.

Tenhamos esperança na “vitória grega do possível”.                                               

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