quarta-feira, outubro 14, 2015

Será ele o tocador?
Temos o baile armado?





















Temos o baile armado e o tocador irá ser... António Costa?

- Então, não foi o Passos Coelho que ganhou as eleições e celebrou, com Paulo Portas, a vitória na noite das eleições?

- Não foi Passos Coelho que os portugueses escolheram para 1º Ministro, embora lhe tivessem escondido a cara durante a campanha e reprovado a sua política de austeridade?

- E António Costa, não perdeu ele as eleições deixando o Partido socialista numa crise de nervos?

 - E o Partido Comunista, não era o eterno aliado da direita, que “batia” no PS e reclamava para si ser o “rei” nas ruas, de braço dado com a Intersindical, cantando o Povo Unido Jamais será Vencido?

- E o BE, não era apenas o Partido do melhor parlamentar da Assembleia da República, Francisco Louça, líder indiscutível de uma força política de protesto?

- Não foi Passos Coelho que o Presidente Cavaco chamou, na qualidade do líder mais votado, para encetar conversações, pressupunha-se com António Costa, para se entender a nível parlamentar, e formar governo?



Bom, se tudo era assim, como é possível estarmos em vésperas de uma autêntica cambalhota política se o desfecho vier a ser aquele que, neste momento, se desenha?

A resposta é simples e ao mesmo tempo complicada:

 - Simples, porque resulta de uma aritmética que qualquer criança conhece: somam-se os votos do lado da esquerda e eles são mais do que os do lado da direita. O resto, são especulações e leituras políticas e cada um faz as que quer e gosta;

- Complicada, porque não é fácil explicar as mudanças quando elas têm a ver com “coisas” que deixam de ser, ao fim de muitos anos, como sempre o foram.

O rosto cansado e envelhecido de Jerónimo de Sousa, do Partido Comunista, já não suportava mais as acusações dos descontentes do seu partido, de que era ele que iria impedir um governo de esquerda que corresse com o Passos como, insistentemente, lhe pediram na rua, durante a campanha.

Os tempos já não são os mesmos, a experiência da Grécia e de Tsipras, foi reveladora de uma dura realidade que ensinou os políticos dos países vítimas da austeridade imposta pelos alemães, de que a solução, tal como António Costa sempre disse e escreveu, tem que ser conseguida de dentro e não “quebrando cabeças contra paredes”.

Depois, o papão dos comunistas, mesmo que agitado, já não convence muito. Todos já perceberam o mundo em que agora vivemos em que os papões são outros completamente diferentes e palavras como “Marxismo”, “Leninismo”, “Trotskismo” e outros “ismos” da mesma família são, isso mesmo, palavras a que as pessoas hoje já lhe perderam o sentido.

Estamos confrontados com radicalismos altamente perigosos como nunca conhecemos e não podemos perder tempo com estes do passado.

Catarina Martins e Madalena Mortágua do BE são duas líderes inteligentes e muito bem preparadas de um partido de protesto que parece terem percebido e decidido levar à prática, que este e pragmatismo não são inconciliáveis.

Como diz o povo: “o bom não é inimigo do óptimo” e pode-se melhorar sem atingir a perfeição.

Costa vai ter que negociar tudo muito bem e por escrito e certificar-se que estão todos de boa fé. Os condicionalismos de ordem externa são graves e a margem do país é estreita, tanto mais que “o mundo” vai estar contra ele, lá fora e cá dentro, e a direita almeja vir a ter, em próximas eleições, maioria absoluta para ter poder absoluto de que tanto gosta.

Explicar bem e negociar melhor é indispensável mas não esqueçamos que há diferenças que são de raiz, genéticas, vêm do berço, e António Costa é da família da esquerda, todos sabemos isso, e quem sai aos seus não degenera.

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