segunda-feira, janeiro 04, 2016



No que à cabeça diz respeito nascemos todos prematuros
Viemos ao 

mundo 


por fazer...















Anselmo Borges, padre e professor de filosofia, produziu esta afirmação no jornal para onde escreve e que também é o meu.

Diz que nascemos prematuros, e é verdade, mas, se não fosse assim, há muito que tínhamos deixado de nascer... e lá se teria ido a bela humanidade!

O evolucionismo, esse processo desesperado de luta pela sobrevivência de todas as espécies, à custa de adaptações sucessivas, umas vezes bem sucedidas, outras não, no caso concreto do homem, fez tudo isso... mas não chegou.

Todos os primos dos nossos antepassados desapareceram, falharam nessa adaptação. O bipedismo, essencial, para eles não foi suficiente.

Deslocavam-se na vertical mas faltava-lhes velocidade para escapar aos seus predadores e garras para atacar eventuais presas... estavam, pois, condenados ao desaparecimento.

Em seu socorro veio, durante muito tempo, o tutano dos ossos dos cadáveres das vítimas dos carnívoros, que eles aprenderam a partir e a extrair para seu alimento... e que alimento!

Era já, com certeza, a primeira manifestação de inteligência e por certo, à altura, a mais importante, mas que não seria suficiente para o salvar de uma eliminação precoce na luta pela sobrevivência se mais nada de qualitativamente novo acontecesse.

A solução para o nosso futuro, sem garras nem velocidade, estava escrito no nosso cérebro cujo crânio teria de aumentar de tamanho para permitir a criação de um novo “hardware”, o que nunca tinha acontecido em nenhuma outra espécie. Caso contrário, estaríamos condenados.

Mas, como era possível nascer um feto com uma cabeça tão grande que não lhe permitia ser expelido pelo esqueleto da mãe?...

O padre Anselmo responde:

-  “Nascem por fazer, prematuros...”

A sua cabeça, chave da solução para a sobrevivência da nossa espécie, continua de forma acelerada a sua formação após o nascimento.

Um pequeno truque, um expediente: ... se não podes crescer cá dentro por que isso impede-te de sair, então, cresces lá fora...

Em nenhuma outra espécie animal o crescimento da cabeça, nos primeiros tempos de vida, é tão grande como no homem... et voilá! – como dizem os franceses.

Em média, ao nascer, a cabeça mede cerca de 35 cm, aos 6 meses, 44 e ao fim de um ano 47, mais 12 cent., quase 40% do tamanho inicial.

Resolvido este problema, de entre todos crucial, outros viriam pois a capacidade de inteligência não se fez com um estalar de dedos.

Na natureza tudo acontece com lentidão e os nossos antepassados andaram a bater pedra contra pedra durante mais de um milhão de anos, desde que apareceu o “homem habilis” sem que nenhuma centelha de inteligência saltasse daqueles cérebros.

Apenas há cem ou duzentos mil anos a capacidade intelectual tenha chegado perto daquela que é hoje a nossa, e tudo isto aconteceu porque fomos prematuros,  como disse o padre Anselmo.

Mas ele, porque é padre e filósofo, conta outra história, que mete sábios e reis e Jesus a rematá-la, e que por certo é muito mais bonita que esta, mas que só aconteceu porque primeiro, sucedeu a outra, a história que os cientistas procuram na ponta dos seus microscópios, escondida em cavernas, debaixo do solo ou, com um bocadinho de sorte, por aí, espalhada sobre o chão.

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