terça-feira, junho 04, 2013

Emigração dos jovens: um drama para os que saem ou para o país?...
Uma lição do 1ºMinistro 

Italiano ao 1º Ministro Português









«No sábado, um leitor do italiano La Stampa, Antonio Cascia, publicou uma carta de despedida a um jovem amigo, que emigrava por não ter trabalho. Ontem, no mesmo jornal, o primeiro-ministro Enrico Letta pedia desculpa ao "amigo do Antonio".

 Claro, caímos na tentação de comparar o incómodo do líder italiano com as declarações infelizes de Passos sobre o mesmo assunto. Este, logo depois de ser eleito, disse aos jovens portugueses para saírem da sua "zona de conforto", convidando-os a emigrar, como um gerente de restaurante diz: "estamos cheios" a clientes supérfluos. Se emigrar pode ser uma solução, pode, mas não deve ser incentivada por um líder político.

Como ontem o italiano Letta disse, o papel do político é outro: "(...) o nosso primeiro, irrenunciável, objectivo será simbolicamente pôr o amigo de António nas condições de escolher ir embora ou ficar." De conselhos sobre soluções naturais, como emigrar ou respirar, os portugueses não precisam, está-lhes no ADN. "Ide embora" pode ser desculpa de restaurador, mas em político é sacudir o capote. E, já agora, há que dizer que as vítimas principais desta história são capazes de não ser aqueles que partem. Os peritos em emigração são unânimes em reconhecer que os que partem são os melhores. Mas desta vez não são os mais fortes da aldeia, é mesmo a elite do País que emigra, os jovens mais sábios e preparados. Por cá vai ficando uma zona de desconforto que nos vai ser insuportável.»

Ferreira Fernandes   [DN]



Nota: Há uma dimensão política nas pessoas que se tem ou não. Passos Coelho, 1º Ministro de Portugal, não tem essa dimensão. Talvez executor de um plano qualquer, gestor de empresa, político, como Enrico Leta, de Itália, não.

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