quinta-feira, abril 14, 2016

Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)




Episódio Nº 240

















Sempre rebelde, Gonçalo logo exclamou:

 - Nunca vos vi com tais preocupações com Paio Soares!

Disse-o sem se lembrar que estava a falar do pai de Ramiro e por isso logo se arrependeu, olhando para o templário.

 - Desculpai-me...

Este encolheu os ombros:

- Nunca me tratou como filho.

Depois de um curto silêncio, Afonso Henriques declarou que Coimbra não podia estar tão exposta, e disse a paio Soares que era imperioso construírem mais castelos para sul, abaixo de Soure, para impedir os infiéis de chegarem ao Mondego. Por fim exclamou:

- Hoje foi a última vez que Abu Zakaria pôs os pés nesta cidade!

Peres Cativo afastou-se, de certo já a planear aquela nova missão, enquanto Afonso Henriques colocava a mão no ombro de Ramiro e o olhava nos olhos.

- Lamento ter ferido vosso pai – disse

O outro aceitou aquele arrependimento póstumo sem palavras e o príncipe prosseguiu:

- Espero contar convosco como meu pai contou com o vosso.

Ramiro prometeu-lhe lealdade. Depois, relembrou que Paio soares e o conde Henrique, muitos anos antes, haviam saído de Coimbra para esconder uma relíquia, ninguém sabe onde e que Gondomar morrera infeliz por não a encontrar.

Meu pai recusou-se a revelar-me onde a escondeu – acrescentou – mas sei que a relíquia deve ser entregue a vós, disse-me Gondomar.

O príncipe ficou calado durante algum tempo. Depois afirmou:

 - Nossos pais vieram juntos esconder uma relíquia sagrada. Agora temos de procurá-la os dois.

Ramiro informou-o que só a bruxa sabia quem era o terceiro homem que acompanhara o conde Henrique e Paio Soares e o príncipe ordenou ao templário que encontrasse a mulher de negro.

 - Será a vossa missão.

Ao ouvi-lo Gonçalo comentou, olhando para a cripta:

 - já que falamos em mulheres... está na hora de conversar com as outras!

Começaram a dirigir-se à capela mortuária mas, antes de entrarem, Ramiro chamou o príncipe à parte e pediu-lhe em voz baixa que devolvesse o punhal com que matara o fedayin e que pertencia a seu pai, Paio Soares.

Em segundo lugar, porque o príncipe não podia devolver o que não tinha, pois não ficara com o belo punhal.

Tirara-o das mãos do Rato e depois matara o assassin, mas não o recolhera da garganta do morto!

- Deve ter sido o vosso companheiro! – exclamou Afonso Henriques.

Assim tinha sido. O Rato retirara o punhal da garganta do assassin, mas depois colocara-o num balde com água para o lavar do sangue. Porém, no final daquela confusão e quando o fora buscar, o punhal já não estava lá.

Nos dias seguintes Ramiro investigou o estranho roubo. Falou com os soldados e os curandeiros que tinham estado no barracão, com Fátima e com Zaida, com Mem e com o rato, com o Peida Gordo e com o Velho, mas ninguém vira o punhal de Paio Soares.

Misteriosamente, desaparecera.

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