sábado, junho 18, 2016

Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)


Episódio Nº 35




















Coimbra, Julho de 1132


A meio da manhã, Zaida viu Ramiro entrar na Sé e assustara-se. Invadida pelo temor de ser apanhada, fora a casa deixar o punhal de paio soares, voltando a correr à biblioteca, pois estava prestes a fazer uma importante descoberta.

Três anos antes, no dia da morte de Zulmira, a mais nova das princesas aproveitara a tremenda confusão que se instalara no casão agrícola de Men para roubar o punhal com que Afonso Henriques matara o feddayin.

Com um gesto rápido escondera-o no vestido e depois levara-o para casa.

Aquela valiosa arma, cujo proprietário era o falecido Paio Soares, tinha um escrito essência em latim, e no cabo, cujo significado Zaida conhecia: Sellium, o local onde estava escondida a relíquia.

Contudo, dois anos depois da mãe, o bispo Bernardo voltara a autorizar as suas visitas à biblioteca da Sé e só aí a sua secreta demanda começara.

Enquanto lia os Atos dos Apóstolos, ia vasculhando os antigos mapas romanos e acabara por descobrir que Sallium ficava a nordeste de Santarém. Perto da pequena aldeia de Tomar.

A princesa sentiu uma forte comoção, mas enrolou o antigo mapa e preparava-se regressar a casa quando ouviu alguém levantar a voz na ave central da Sé.

Pé ante pé aproximou-se e deixou-se ficar numa antecâmara. Os conselheiros de Afonso Henriques parlamentavam e ela escutou, siderada, a proposta de Ermígio Moniz.

Filha, que diz ele? Não acredito!

Pela primeira vez, na corte de Afonso Henriques admitia a hipótese de as libertar! O Mordomo – Mor sugeria uma troca entre cristãos e mouros. A relíquia pelas princesas de Córdova.

O seu coração acelerou ainda mais, mas logo se desiludiu, pois Afonso Henriques rejeitou a solução e decidiu lançar um fossado na região.

Apesar de desejosa de abandonar a Sé, foi, porém, obrigada a esperar pois, após a partida de Afonso Henriques e seus conselheiros, Ramiro e o bispo Bernardo, regressaram ao interior da igreja.

Nada surpreendida, ela escutou a estranha e longa confissão do templário, embora o seu espírito estivesse já totalmente dominado por uma vertigem excitada: a perspectiva da liberdade!

As netas do último califa de Córdova iam voltar à sua terra!

Poderiam ascender de novo ao trono que por tantos séculos pertencera aos Benu Ummeyia, a família que ali reinava da qual eram as últimas representantes.


Nunca haviam estado tão perto, o caminho para Córdova passava por Sellium e pela relíquia sagrada!

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