sexta-feira, dezembro 09, 2005

África - O Continente do Meu Fascínio

Image Hosted by ImageShack.us<Image Hosted by ImageShack.us Image Hosted by ImageShack.us
Não nasci em África, não cresci nem lá me fiz homem mas, no entanto, mantenho um fascínio por este continente. A minha relação com ele acontece em três momentos perfeitamente distintos da minha vida: uma visita de estudo a Angola em Agosto/Setembro de 1960; uma comissão militar em Angola de Dezembro de 1962 a Março de 1965; e, finalmente, de Setembro de 1972 a Julho de 1975 em Moçambique, na qualidade de funcionário público exercendo funções na cidade da Beira como Delegado da Inspecção de Crédito e Seguros, ao todo, pouco mais que cinco anos, concretamente cinco anos e três meses.

Refiro com pormenor este espaço do tempo porque a medida do tempo, como já se aperceberam, é muito enganadora. Anos e anos em que nada acontece, tudo igual, rotina pura, com grande dificuldade em referenciar o que quer que seja, e depois períodos intensos em que parece que tudo se combina para acontecer, no turbilhão de uma roda do carrossel que nos deixa tontos.

África, acontece na minha vida nesses períodos efervescentes em que os sentidos se excitam pela novidade permanente do dia a dia, emprestando mais cor às paisagens e intensidade aos factos que ganham importância especial, porque aconteceram naquele momento e naquelas circunstâncias.

Tivesse eu nascido e sido criado naquele continente, e o que registaria seria o resultado de um processo de habituação em que tudo me seria familiar. Mas eu não tinha nada nem ninguém que me ligasse a África e, por isso, o meu deslumbramento, choque, surpresa no contacto com uma natureza que nuns sítios é vigorosa, asfixiante mas, ao mesmo tempo, cúmplice e protectora e noutros, extensa, infindável, mística e entre uma e outra - todas as combinações possíveis desde um pôr-do-sol paradisíaco na ilha de St.ª Carolina do arquipélago do Bazaruto, próximo da costa de Moçambique - até à grandiosidade esmagadora dos penhascos da Tundavala no planalto Central de Angola.

Image Hosted by ImageShack.us


E depois, temos as circunstâncias. Milhares de jovens como eu foram “despejados,” de um dia para o outro, nas luxuriantes matas do norte de Angola que, de dia nos enchiam os olhos do verde da vegetação e à noite os ouvidos com as sinfonias de todos os insectos, batráquios e não sei que mais bicharada. Era como se a natureza nos interpelasse através das vozes de cada um daqueles bichinhos: vocês não são daqui, quem são, que estão aqui a fazer?

Meses mais tarde, feitas as respectivas apresentações, esclarecidos os objectivos e garantido que o problema era de homens contra homens, e que não éramos portadores de serras ou mota-serras que destruíssem a floresta, fomos acolhidos em igualdade de condições tendo apenas em nosso desfavor a ignorância que não nos permitia defender tão bem do feijão-macaco como aqueles que, conhecendo-o de ginjeira, conseguiam passar-lhe ao lado sem lhe tocarem.

Mas quanto ao resto, lá estava ela, a floresta, feita mãe protectora, sempre disponível, abrigando-nos, escondendo-nos dos olhares indiscretos porque debaixo do seu manto protector ninguém encontra ninguém a não ser por casualidade e nos caminhos de “pé-posto”; ou então nos imaginários relatórios de uma guerra ficcionada na mente de um alferes que pensa mas não diz que aqueles sítios não são para guerras.

Mas nos primeiros dias foi assustador porque naquele cenário verde, milhões de olhos nos olhavam enquanto aos solavancos, em cima dos Unimogues, progredíamos nas picadas à estonteante velocidade de 10 km/H, perguntando cada um a si próprio qual seria o primeiro a cair trespassado por um daqueles olhares.

Oh, meu Alferes, eu tive tanto medo que nem a cabeça de um alfinete me cabia no cu! E assim ficou, até ao fim da Comissão, “o cu de alfinete”… mas que dias tão pouco gloriosos…mas tão profundamente humanos!


Image Hosted by ImageShack.us

Depois, mais tarde, nas "terras do fim do mundo", lá na fronteira, nas margens do Zambeze, com as suas praias de areias cantantes, sem guerras, convivendo com as populações, os simpáticos Luenas, que durante quinze meses nos acolheram com toda a naturalidade, convidando-nos para os seus batuques de fim-de-semana como nós, de certo, também os teríamos convidado para os bailes nas nossas aldeias.

É impressionante como as pessoas simples do povo são tão parecidas em qualquer parte do mundo, no essencial ficando as diferenças apenas para o que é circunstancial: o acordeonista afina o acordeão de uma maneira, o tocador do tambor com o calor de um molho de capim a arder e a música tem mais ritmo e menos melodia, apela mais aos sentidos e à sensualidade, a outra ao sentimento até porque as mães vigiavam atentamente as raparigas casadoiras.


Image Hosted by ImageShack.us

Nos bailes predomina o ambiente dos desejos contidos, no batuque a liberdade dos desejos. Entre os Luenas o amor não é pecado porque não pode ser pecado o que é da natureza. Nos bailes, a natureza é a mesma, o sangue fervilha da mesma forma, com a mesma intensidade mas no entanto o amor, fora do sagrado sacramento do casamento, era pecado.


Image Hosted by ImageShack.us

Por isso os frequentadores dos bailes são “civilizados”, os dos batuques são “selvagens”:

- Para uns, o entendimento é que a natureza não pode ser deixada entregue a si própria porque ser-se civilizado é obedecer a um estrito código de comportamentos em que imperam as proibições que testam as nossas almas, que orientam as nossas vidas e que, finalmente, nos devem conduzir ao descanso eterno;

-Para os outros a natureza é o que é, vivendo em comunhão com ela, contrariá-la não faz sentido. Se uma pessoa é adulta e livre é senhora dos actos que têm a ver consigo própria, se assumiu compromissos deve respeitá-los e se alguém se serve, ainda que com consentimento, de quem tem um compromisso deve indemnizar o legítimo possuidor do direito e tudo regressa ao normal.

Image Hosted by ImageShack.us Image Hosted by ImageShack.us

As verdadeiras proibições têm a ver com tudo aquilo que pode pôr em risco as vidas como, por exemplo, aproximarem-se das margens de um rio sem acautelarem a presença de um furtivo crocodilo, não que o crocodilo seja mau, apenas que é da sua natureza poderem comer pessoas descuidadas que não respeitam os locais onde vivem os crocodilos.

A natureza é sábia e foi ela que “produziu” o homem depois de muitas tentativas condenadas ao fracasso. Finalmente, lá conseguimos emergir da noite dos tempos depois de milhões de anos sem conseguirmos mais do que uma simples ferramenta de pedra usada até à exaustão em locais próximos e idênticos àquele onde eu me encontrava.

Tão frágeis e indefesos que éramos a nossa sobrevivência tinha a ver com a cooperação do grupo e a vida deveria ser de um sobressalto permanente perante o risco que representavam as feras, especialmente o tigre Dentes de Sabre, nosso predador por excelência.

Tive a percepção de uma situação dessas quando, um dia, em pé, sobre o capô do jeep, com o motor desligado, perscrutava o horizonte.

Era uma planície a perder de vista, polvilhada por árvores esparsas, o cenário por onde os nossos antepassados poderiam ter andado, ninguém falava e o vento por entre o capim que não era muito alto, produzia um som de uma grande suavidade, como um murmúrio.

De repente, senti um medo ancestral que me subiu pela coluna até à base do crânio: estava perdido, não via os meus companheiros, encontrava-me à mercê dos predadores….


Image Hosted by ImageShack.us
Ainda hoje, passados já mais de 40 anos, guardo essa estranha sensação.

Não sei quanto tempo durou, breves instantes com certeza, saltei para o chão, sentei-me ao volante e pus rapidamente o motor a trabalhar e só então recobrei totalmente daquela viagem relâmpago ao nosso passado mais remoto. Foi muito bom ter voltado a ouvir o som do motor do Jeep Willis.

Não contei esta estranha experiência a ninguém durante muitos anos, exactamente porque ela era muito estranha mas dela ficaram-me alguns sentimentos:

- de admiração e reconhecimento pelos nossos antepassados que em condições tão adversas me permitiram estar ali depois de tantos e tantos anos de uma lenta, dolorosa e periclitante evolução;

- e o ter sentido, como hoje está provado cientificamente, que aquela foi mesmo a nossa terra de origem.

Mas pensar a África hoje é interrogarmo-nos como foi possível um tão grande retrocesso nas condições de vida dos seus habitantes desde que, progressivamente, ao longo dos últimos cinquenta anos, a condução política de todos os seus territórios passou para representantes legítimos das suas populações.

À laia de exemplo:

-De acordo com as Nações Unidas, até há bem pouco tempo 2/3 da população da Zâmbia estava na miséria;

-Angola é um dos 5 países mais corruptos do mundo;

-O Zimbabué, que já foi o celeiro da sub-região em que se insere, está mergulhado na miséria ao ponto do seu Presidente Mugabe ter, recentemente, mandado abater os animais de uma reserva eco-turística como solução imediata para matar a fome à população;

Terá sido esta a herança que os europeus lá deixaram?

Para terminar, falemos de Moçambique pela voz de Mia Couto, que começa por afirmar que “até aqui a independência não passou da liberdade de escolher outras dependências” e dirigindo-se à consciência de todos os moçambicanos, que bem poderiam ser todos os cidadãos da África sub-sariana, fala dos "sete sapatos" que é preciso descalçar:

- a ideia de que os culpados são sempre os outros;
-a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
-a ideia de que quem critica é um inimigo;
-a ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
-a vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
-a passividade perante as injustiças;
-a ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros;

Por aquilo que se vê os 7 sapatos de Mia Couto bem se podem transformar nos 12 trabalhos de Hércules da mitologia greco-romana, com a diferença de que os moçambicanos não são deuses, não se podem socorrer de truques e malabarismos próprios dos deuses e, por isso, o que se lhes pede parecendo mais simples talvez seja mais difícil.

Geograficamente, os moçambicanos estão em cima do Vale do Rift que há milhões de anos atrás foi o berço dos nossos antepassados mais remotos. Um deles transformou-se naquilo que somos hoje, será que os moçambicanos se conseguem transformar, mesmo que não seja completamente, naquilo que o Mia Couto pretende?

- Desejamos sinceramente que sim.

Image Hosted by ImageShack.us

PS:
África - O Continente do Meu Fascínio:
Não mais voltarei ao continente do meu fascínio. Depois de paisagens impressionantes com cidades lindas e alindadas com gente humilhada lá dentro, não arrisco ver fome, miséria e degradação. Conheci Angola e Moçambique, Zâmbia e o Zimbabué, os dois primeiros diferentes dos outros dois.

Recuperada a paz há sinais evidentes de inversão do ciclo negativo em Angola e Moçambique, nos dois restantes não me parece. As próximas duas ou três gerações irão ser decisivas, a história das sociedades mostra que nada é definitivamente mau, mas interrogo-me perante a riqueza da biodiversidade, será que vai ser possível conciliá-la?

Haverá forças e inteligência suficientes para perceber que sem preservar essa riqueza o desenvolvimento será impossível e que o simples crescimento redundará num inevitável empobrecimento a longo prazo para a África e para o mundo?

Image Hosted by ImageShack.usImage Hosted by ImageShack.us Image Hosted by ImageShack.us

segunda-feira, dezembro 05, 2005

"A Costa dos Murmúrios" ou um autêntico soco nas minhas memórias

Image Hosted by ImageShack.us

Acabei há pouco de ver na televisão o filme “A Costa dos Murmúrios” retirado do romance de Lídia Jorge com o mesmo nome e muito bem realizado por Margarida Cardoso.

Não sei se conhecem esta obra mas ela descreve uma situação complexa do ponto de vista humano, social, político e militar que se passou em Moçambique, na cidade da Beira, nos anos que antecedem o fim do antigo regime.

A própria cidade da Beira serve de cenário às filmagens e a interpretação, especialmente da personagem feminina mais importante, Évita, que foi para Moçambique para casar com o Alferes Silva, é tão convincente e real que bem poderia ter sido um simples documentário arrancado à história daquela época e naquele sítio.

Eu vivia lá, naquela cidade, naquela altura. Anos antes tinha feito a guerra de Angola pelo que conhecia, por experiência própria, as contradições de uma guerra que se queria que fosse patriótica e que redundou num tremendo equívoco que abalou as consciências de muitos que nela participaram.

As guerras não se desejam mas se têm que acontecer que sejam por causas nobres, se tem que se lutar e morrer numa guerra, que seja pela liberdade e aqui residiu o grande equívoco da guerra colonial que travámos, pois quem lutava pela liberdade era o nosso inimigo, os que combatíamos… nós estávamos, simplesmente, do lado errado.

Foi a guerra das mentiras para a qual os jovens portugueses foram arrastados durante treze anos, treze anos durante os quais os nossos políticos e os nossos generais nos ocultaram a verdade ou mentiram deliberadamente como o fez esse senhor general Kaúlza de Arriaga que, nos anos 70, concebeu no norte de Moçambique uma pomposa operação militar denominada Nó Górdio - que envolveu milhares de soldados e se saldou pelo mais completo e rotundo fracasso. Pois não tendo conseguido o factor surpresa, limitaram-se a encontrar os velhos, as mulheres e as crianças do costume que constituíam quase sempre os nossos grandes troféus de guerra.

Não obstante, quando chegou a Lisboa, falou aos portugueses pela televisão e com o mapa de Moçambique à frente, para emprestar maior veracidade às mentiras, explicou como tinha conseguido derrotar o inimigo e expulsá-lo para fora das nossas fronteiras os quais, passados dois anos, descendo progressivamente para sul, cercavam a cidade da Beira.

Mas estas mentiras não podiam ser contadas aos militares que faziam a guerra, entre eles o Alferes Silva e o capitão Forza Leal - da história do nosso filme. As suas personalidades perturbadas que procuravam um rumo, uma orientação para as suas vidas que poderiam ter sido resgatadas numa guerra em que se lutasse e morresse por valores e ideais verdadeiramente patrióticos, acabaram por se afundar numa pseudo-guerra de mentiras e vaidades.

O Alferes suicidou-se e o capitão, que se achava a si próprio um “duro” combatente, sai de cena depois de queimar, no quintal da sua casa, receoso e envergonhado, as fotografias e os relatórios das acções militares em que tinha participado e que o poderiam vir a comprometer e a servir de matéria acusatória num eventual Tribunal de Crimes de Guerra.

Évita sofre com a revelação do verdadeiro homem com quem tinha casado. Não era o jovem matemático que até tinha descoberto uma nova fórmula, mas apenas um homem sem carácter que seguia disciplinado e obedientemente o “duro” do seu capitão e escrevia letras pifiosas para o hino da Companhia e dava tiros nos cus das galinhas.

Só num meio completamente estranho, onde quase toda a gente se confrontava com dramas na sua vida, Évita bem poderia ter sido aquela mulher que me telefonava para o Serviço onde eu trabalhava e com quem ia conversando, auscultador entalado entre o ombro e a cabeça, enquanto ia assinando incontáveis papéis.

Ela admirava-se da paciência que eu tinha por ficar conversando com ela, assim, durante tanto tempo; e eu respondia-lhe que era fácil quando se gostava das pessoas. De todas as pessoas (?), perguntava ela admirada e porque não, respondia-lhe, não têm todas, tal como eu, nariz, dois olhos, boca e orelhas?

Um dia telefonou-me, estava no hospital, tinha tentado por termo à vida. Parei o que estava a fazer e fui visitá-la. Vi-a pela primeira vez, estava acamada, era uma jovem, o seu aspecto era revelador dos traumas por que estava passando, e o seu ar era de pessoa pouco vivida. Praticamente não falámos, olhei-a nos olhos, pouco expressivos, acariciei-a na face e passados poucos minutos despedi-me com um beijo na testa e ela chamou-me de anjo, deve ter-me seguido com o olhar enquanto me afastava…nunca mais a vi nem soube quem era.

Mas era com certeza mais uma Évita que num dos seus desabafos dizia que até as putas do Moulin Rouge eram tristes como se as putas do Moulin Rouge, ou de qualquer outro lado, tivessem alguma razão para deixarem de ser tristes.

Um dia, uma delas, dirigiu-se ao meu local de trabalho e disse à funcionária que a atendeu ao balcão que queria falar com o senhor Delegado. A funcionária foi ter comigo ao gabinete e entre sorrisos e olhares cúmplices e conspirativos - disse-me que estava ali uma pessoa que trabalhava no Moulin Rouge e que queria falar comigo.

Não gosto de falsos pudicos e moralistas, a maioria das senhoras que ali trabalhavam já tinha enganado os maridos ou sido por eles enganados, e, por isso, nenhuma estaria em condições de atirar a primeira pedra. Mas na presença de uma mulher que era assumidamente prostituta não queriam perder a oportunidade de parecerem as mulheres mais sérias deste mundo.

As prostitutas “casaram” com todos os homens que lhes pagam para fazerem sexo com elas, não será uma relação abençoada mas não é furtiva, não estão a quebrar nenhum contrato, não estão a ser desonestas nem a enganarem seja quem for.

Pedi-lhe que a acompanhasse até junto de mim, e na presença da funcionária pedi-lhe para se sentar. Era uma mulher quarentona, de formas cheias, muito pintada, cabelo de um louro artificial e com um vestido cingido ao corpo, fazendo por parecer exactamente aquilo que era e que eu fiz totalmente por ignorar. Fosse ela a esposa do mais proeminente empresário da cidade da Beira e eu não a teria tratado de forma mais respeitosa.

Afinal, estava ali na sua qualidade de mãe. Tinha um filho a estudar em Portugal num colégio interno, quem sabe se seria no Colégio Nuno Álvares onde eu, uns quinze anos antes, também tinha estudado, e precisava de uma autorização de transferência para pagar mensalmente as despesas do Colégio.

Passados uns dias, telefonou-me para me agradecer sensibilizada e reconhecida a forma como a tinha tratado e a autorização de transferência que lhe tinha concedido, e a que tinha direito. Depois, ofereceu-se para me pagar da única maneira que sabia, agradeci-lhe, pedi-lhe para deixarmos as coisas assim, e ela respondeu-me que devia ter logo percebido que eu era diferente.

Assim que acabei de ver o filme senti desejos de telefonar à Lídia Jorge e à Margarida Cardoso e agradecer a ambas “A COSTA DOS MURMÚRIOS” - que representou um autêntico soco nas minhas memórias. Adormeci tarde, com um comprimido a ajudar, e nunca senti tanto, sob o impacto daquele filme, como a minha vida já era passado.


BEM HAJA LÍDIA JORGE E MARGARIDA CARDOSO

  • Por Joaquim Luís Paula de Matos
Image Hosted by ImageShack.usImage Hosted by ImageShack.usImage Hosted by ImageShack.us
Image Hosted by ImageShack.us

Site Meter