sábado, abril 23, 2011

SANTARÉM



Os Mouros tentaram duas vezes reconquistar o planalto de Santarém após terem sido derrotados por D. Afonso Henriques. A conquista tinha ocorrido na madrugada de 15 de Março de 1147, sob o comando de D. afonso Henriques, numa estratégia de reconquista cristã rumo ao sul, encetada logo após a criação do Condado Portucalense.



Já com a nova designação de Santa Herene (antes Shantarîn), a povoação medieval e o seu castelo foram alvo de uma nova investida muçulmana em 1171. O ataque fracassou e as forças árabes foram derrotadas pelas tropas de Fernando II de Leão, genro de D. Afonso Henriques que se encontrava em Santarém na altura.



Dez anos mais tarde, em 1181, teve lugar um segundo assalto muçulmano mas os invasores tiveram de recuar perante a contra-ofensiva das tropas do Infante D. Sancho acantonadas na cidade. (clik na imagem e aumente)

VÍDEO


Espectáculo inesperado...


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PETULA CLARK - DOWNTOWN

Inglesa, nascida em 1932, com 11 anos já cantava músicas patriótica para levantar a moral das tropas britânicas na 2ª G.G. e em 1950 era uma superstar em todo o Reino Unido


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA




Episódio Nº 89




O capitão não entendeu de imediato:

- Novilha, em casa? Qual, doutor?

- Falo da mocinha, sua criada. Estou precisando de copeira na usina.

- É uma protegida minha, doutor, órfã de pai e mãe que me entregaram para criar, não posso dispor. Se pudesse era sua; me desculpe não lhe servir.

Doutor Emiliano baixou a mão, com o rebenque de cabo de prata bateu de leve na perna:

- Não se fala mais nisso. Mande-me as vacas. Até mais ver.

Voz de mando antigo, senhor ancestral. Com as esporas de prata tocou na barriga do animal e na rédea o manteve erguido nas patas traseiras, soberbo!, e assim de pé o fez voltear; instintivamente o capitão recuou um passo. O doutor acenou em despedida, os cascos do cavalo tocaram o chão levantando poeira. Paciência! Fosse dele a cria e também não lhe poria preço; percebera-lhe um fulgor nos olhos, fulgor de diamante ainda bruto a ser lapidado por ourives capaz; mimo de tal quilate e rareza, escassa e singular. Ainda a vislumbrou, trouxa de roupa na cabeça, o requebro das ancas a caminho do ribeirão; a bunda começava a demonstrar-se. Bem cuidada, na abastança e no carinho, viria a ser uma perfeição, um capricho de Deus. Mas esse Justiniano, animal de baixo instinto, é incapaz de ver, polir e facetar arestas, de dar o verdadeiro valor ao bem que lhe coube por injustiça da sorte. Fosse do doutor Emiliano Guedes e ele a transformaria em jóia de rei, com perícia, trato, calma e prazer. Ah! a fulguração dos olhos negros, injustiça da sorte!

O capitão Justo, na varanda da casa, observa ao longe a árdega montaria, garanhão de raça e preço; há pouco, levantado sobre as patas traseiras, dera-lhe um susto – nos arreios de prata, o arrogante cavaleiro. Justiniano Duarte da Rosa brinca com o colar das argolas de ouro, cabaços colhidos ainda verdes frutos, o mais trabalhoso foi o de Tereza, na porrada o comeu. Tereza custara-lhe um conto e quinhentos mil reis, mais o vale para o armazém. Tereza novinha em folha, treze anos incompletos, Tereza com cheiro de leite e tampos de menina; se quisesse vendê-la descabaçada e tudo, venderia com lucro, ganhando dinheiro na transacção. Se quisesse vendê-la, doutor Emiliano Guedes, o mais velho dos Guedes, senhor de léguas de terras e de servos sem conta, pagaria bom preço para comer seu sobejo. Não pretendia vendê-la. Pelo menos por ora.

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As chuvas do Inverno humedeceram a terra crestada, as sementes germinaram crescendo em lavouras, frutificaram as plantações. Nas trezenas e novenas dos santos festeiros, as moças entoavam cantigas, tiravam sortes de casamento, faziam promessas; nos caminhos das roças o som das harmónicas nas noites de dança, o espoucar dos foguetes – depois das rezas e rogos ao santo, o arrasta pé, o licor, a cachaça, os namoros, os xodós, corpos derrubados no mato entre protestos e risos.

Era o mês de Junho, o mês do milho, da laranja, da cana caiana, dos tachos de canjica, dos manuês, das pamonhas, dos licores de frutas, do licor de jenipapo, as mesas postas, os altares iluminados, Santo António casamenteiro, São João primo de Deus, São Pedro, devoção dos
viúvos, as escolas em férias. Mês de emprenhar as mulheres. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TÍTULO:



“VIEMOS DOS MACACOS”? (7)


Evolução "Mais do que uma Hipótese"

Após um século de oposição activa e beligerante contra a teoria da evolução, de censuras e anátemas contra os católicos que a defendiam, o Papa Pio XII, em 1950, finalmente publicou a encíclica "Humani Generis".

Nela, tendo em conta o estado da investigação científica da época e as exigências da teologia, a encíclica considera a doutrina do "evolucionismo" como uma hipótese séria, digna de investigação e de reflexão profunda, tal como a hipótese oposta. Pio XII acrescentou duas condições de ordem metodológica: que não se adoptará esta teoria como se fosse doutrina certa e comprovada, não se podendo abstrair completamente a Revelação sobre as questões levantadas esta doutrina.

Assim explicava o conteúdo da encíclica, o Papa João Paulo II, quando finalmente a 23 de Outubro de 1996, anunciou formalmente à Pontifícia Academia de Ciências, que o novo conhecimento, A Teoria da Evolução, é reconhecida como mais do que uma hipótese.

É realmente impressionante que esta Teoria se tenha imposto gradualmente ao espírito dos pesquisadores, devido a uma série de descobertas em várias outras disciplinas do conhecimento. A convergência, que de forma alguma foi provocada ou procurada, resultante de trabalhos realizados de forma independente uns dos outros, só por si, constitui um argumento significativo em favor desta teoria. Nesta ocasião, o Papa declarou que a Criação e Evolução poderiam conviver juntos, sem conflito. Mas, mesmo assim, ainda reservou um espaço de controle: “desde que mantenham a crença de que só Deus criou a alma humana.”

sexta-feira, abril 22, 2011

Para quem gosta de ver dançar...





MY WAY - FRANK SINATRA

"A Voz", assim lhe chamavam. Desenvolveu uma incrível capacidade de criar uma longa e fluente linha musical sem pausas para respirar. Parece que treinou esta habilidade mergulhando na piscina e sustendo a respiração... o resultado é admirável com o seu "autodidatismo", à sua maneira, como ele diz na canção.


Menino da Mamã…






Maria, jovem esposa desesperada, vai ao psicanalista:

- Ai, doutor, eu não aguento mais.. Apesar de todos os meus esforços, o meu marido não me liga nenhuma. Desde que nos casamos, ele só fala na mãe, na mãe, na mãe. É como se eu não existisse.


- Já experimentou preparar um jantar especial?
- Já. E não adiantou!
- Tenho uma ideia. Se há um domínio onde a sua sogra não pode rivalizar, é na cama. Esta noite vista lingerie preta. Cuequinha preta. A cor preta é muito sexy e muito excitante, incluindo uma cinta e uma liga negra também... Ele não vai resistir!


Maria seguiu à risca o plano, sem esquecer nenhum detalhe. De facto, nunca estivera tão sexy e voluptuosa..


Chega o Jaquim a casa, arregala os olhos e diz:


- Mariaaaa, estás toda de preto...!!! Aconteceu alguma coisa à minha mãe?

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 88


Chico Meia Sola, homem de confiança, conhecia o estoque de memória, ai de quem pensasse desviar mercadoria! Insubstituível cobrador de contas atrasadas, os dentes e a peixeira à mostra, mal somava dois e dois. Os molecotes, um de nome Pompeu, o outro Papa-Moscas, sabiam roubar no peso e na medida, fracos, porém, na aritmética. Tereza anotava parcelas, somava, recebia o dinheiro, passava o troco, tirava as contas mensais. Durante três dias Justiniano a controlou, deu-se por satisfeito. Os fregueses espiavam-na pelos cantos dos olhos, constatavam o talhe e a formosura, não queriam conversa, mulher do capitão Justo é doença fatal, veneno de cobra, perigo de morte.


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Certa feita, Tereza ainda habitava na roça, o doutor Emiliano Guedes por lá apareceu levado por um ajuste de gado. Justiniano Duarte da Rosa comprava e vendia de um tudo, comprava barato, vendia com lucro, não há outra forma de se ganhar dinheiro.

Adquirira uma boiada, meses atrás, de um tal Agripino Lins, no caminho da feira de Sant Ana. Rebanho estropiado, reses na pele e no osso, um vaqueiro adoecera com tifo, morreram umas cabeças, o boiadeiro vendeu o resto por dez réis de mel coado. Na hora do pagamento Justo ainda descontou do total uma vaca morta ao chegar à propriedade e duas mais para lá do que para cá. O boiadeiro quis protestar, o capitão engrossou, não eleve a voz, não me chame de ladrão, não admito, pegue seu dinheiro, vá embora enquanto é tempo, seu filho da puta! Mandou soltar o gado no pasto, na engorda.

Para examinar esse gado, escolher umas vacas, doutor Emiliano Guedes saltou do cavalo negro, esporas de prata, caçambas de prata, arreios de couro e prata; Justiniano o acolheu com os salamaleques devidos ao chefe da família Guedes, o mais velho dos três irmãos, o verdadeiro senhor daquelas terras. Junto dele o rico e temido capitão Justo era um zé – ninguém, um pobretão, perdia a insolência e a valentia.

Na sala, na mão nervosa, o rebenque com o cabo de prata, o visitante vislumbrou dona Brígida, envelhecida e distante, arrastando chinelas atrás da neta – nem parecia a mesma.

- Desde a morte da minha falecida ficou de juízo mole. Se entregou ao desgosto, não liga para nada. Mantenho por caridade, explicou o capitão.

O mais velho dos Guedes acompanhou com o olhar a viúva a internar-se nos matos:

- Quem diria, uma senhora tão distinta.

Tereza entrou na sala trazendo o café, Emiliano Guedes esqueceu dona Brígida e as voltas que o mundo dá. Cofiou o bigode, medindo a cria. Um entendido, não pode conter o espanto: Deus do Céu!

- Obrigado, minha filha – Mexeu o café, os olhos na menina.

Era um tipão, alto, magro, cabelos grisalhos, bigode basto, nariz adunco, olhos de verruma, mãos tratadas. Tereza, de costas, servia o capitão.

Emiliano pesava valores, ancas e coxas, a bunda apertada no vestido da outra. Uma coisa! Ainda em formação; bem conduzida, com afecto e carinho, poderia vir a ser um esplendor.

Bebido o café, nas montarias foram ver o gado, Emiliano separou as vacas melhores, acertou o preço. Já de volta, nos últimos detalhes da compra, parou o cavalo na porta do capitão, agradeceu e recusou o convite para desmontar:

- Muito obrigado, levo pressa – Suspendeu o rebenque, mas antes de tocar no cavalo e partir, cofiou o bigode e disse:

- Não quer juntar ao lote essa novilha que tem em casa? Se quer, faça preço, seu preço é o meu.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TEMA:



“VIEMOS DOS MACACOS?” (6)




Criacionismo Design Inteligente



À luz do desenvolvimento da ciência, o evolucionismo foi ganhando terreno e o criacionismo tornou-se insustentável. Com o avanço do fundamentalismo bíblico, tanto entre católicos como protestantes o criacionismo na década de 90 decidiu mudar de estratégia e é agora chamado "design inteligente".

Apresentando-se como uma proposta científica, esta nova forma de criacionismo afirma que a origem e a evolução do universo, da vida e dos seres humanos são o resultado de acções racionais tomadas deliberadamente e com objectivos definidos por um agente inteligente.

O movimento do “Design Inteligente” surgiu nos EUA e ali tem sido desenvolvido com maior vigor. A crescente influência das igrejas evangélicas que promovem a leitura literal da Bíblia e o fanatismo religioso espalharam para outros países a proposta do “Design Inteligente”.

Dentro da Igreja Católica também se fazem ouvir algumas afirmações que parecem favorecer esta teoria nada científica.

Para contrapor à Teoria da Evolução (hoje, uma verdade científica e não propriamente uma Teoria) pode consultar-se detalhadamente o “Design Inteligente” na enciclopédia online Wikipedia.


Criacionismo "Design Inteligente"

À luz do desenvolvimento da ciência o evolucionismo foi ganhando terreno e o criacionismo tornou-se insustentável. Com o avanço do fundamentalismo bíblico, tanto entre católicos como protestantes o criacionismo na década de 90 decidiu mudar de estratégia e agora é chamado "design inteligente". Partindo de uma proposta dita "científica", esta nova forma de criacionismo afirma que a origem e a evolução do universo, da vida e dos seres humanos são o resultado de acções racionais tomadas deliberadamente e com objectivos definidos por um agente inteligente.

O movimento do "Design Inteligente" surgiu nos EUA onde tem sido desenvolvido com maior vigor. A crescente influência das igrejas evangélicas que promovem a leitura literal da Bíblia e do fanatismo religioso espalharam a outros países a proposta do Design Inteligente. Dentro da Igreja Católica também tem algumas afirmações que parecem favorecer esta teoria postula científico.

Para conhecer em resumo detalhado a teoria da evolução como atualmente a apresenta o Design Inteligente é procurar a enciclopédia online Wikipedia.


O Risco do Criacionismo

Paralelamente à disseminação da proposta de “projecto científico" do Design Inteligente, o Criacionismo continua a lutar por criar raízes na consciência das gerações futuras, especialmente em os EUA.

Em 2007, apenas 26% dos norte-americanos aceitavam a Teoria da Evolução e 65% defendiam o criacionismo bíblico ensinado nas escolas juntamente com a Evolucionismo. Aceitar o Criacionismo ou o "design inteligente" tem consequências políticas muito graves: apenas um terço dos americanos acreditam que o governo deve tomar medidas para travar a mudança climática. Pensam assim porque para as questões de escala planetária elas estão apenas nas mãos do Deus criador, o designer inteligente ... e este é o grande risco.

quinta-feira, abril 21, 2011

Efeitos Especiais em 3D na fachada de um prédio de Berlim


Ide Fazer Pirogas Para o “Carago” ...






Um grupo de três antropólogos (um inglês, um francês e um português) parte numa arriscada expedição científica para estudar os hábitos de uma tribo tibetana de canibais, famosa pelos seus poderes prodigiosos e por usar a pele humana para fabricar as melhores pirogas do mundo.

Chegados à fronteira do território desta tribo terrível, de onde ninguém regressara vivo, os guias sherpas piraram-se, deixando os três intrépidos cientistas entregues à sua sorte. Preparados para o pior, estranharam a recepção fidalga e hospitaleira dispensada pelos canibais, que os estragaram com mimos de toda a espécie.

Só repararam que tinham estado no período da engorda quando o chefe da tribo lhes comunicou, com uma solene amabilidade, que eles iam ser submetidos a uma prova.

Cada cientista tinha o direito a um pedido - o mais extravagante que a sua imaginação concebesse. Seria devolvido à civilização, se eles não conseguissem satisfazer esse pedido. Caso contrário, entrariam imediatamente no circuito alimentar da tribo e a sua pele seria usada no fabrico de uma piroga.

-"Quero um cognac Cornet Vintage de 1811, servido pela miúda do anúncio da Martini, trazida no Rolls Royce dos Beatles", pediu, bastante seguro de si, o cientista inglês.


Uma onda de agitação percorreu os canibais, que se afadigaram numa lufa-lufa de faxes e telefonemas. Duas horas volvidas, a menina da Martini, saída do célebre Rolls, patinava com a bandeja na mão em direcção ao inglês, que fleumaticamente saboreou o cognac pré-filoxera antes de ser atirado para o fundo da panela.


-"Quero ver aqui, a desfilarem à minha frente, nuas e montadas em camelos albinos, as dez últimas Miss Mundo", exigiu o francês. A seguir à azafama habitual dos indígenas, o desejo foi satisfeito, o segundo cientista chacinado e os seus restos mortais transformados em salsichas e pirogas.


Chegada a sua vez, o português surpreendeu tudo e todos ao pedir um garfo.


- "Um garfo?!? Um garfo de ouro? O garfo cravejado de diamantes do imperador Bokassa?", interrogou atencioso o chefe dos canibais.


- "Não, um garfo qualquer", precisou o português que, após ver o pedido atendido, desatou a furar furiosamente a sua pele, espetando-se com o garfo enquanto gritava repetidamente:


- "Ide fazer pirogas para o carago!!!"




O espírito tuga desta anedota apoderou-se dos nossos compatriotas que esgotaram os seus destinos preferidos - Algarve, Cabo Verde, Brasil e Caraíbas - nestas férias da Páscoa. A troika do FMI e os economistas bem alertam para a necessidade de poupar e avisam que no 1.º trimestre a taxa de aforro caiu 75% face a 2010. "Ide fazer pirogas para o carago!!!", respondem os tugas.


Artigo de Jorge Fiel do Diário de Notícias.

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No Sul da França um homem vive com os seus cavalos...


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ROBERTO CARLOS - AS CANÇÔES QUE VOCÊ FEZ PARA MIM (1968)


TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 87


Desejasse Tereza estabelecer relações amistosas com meeiros e cabras e as poucas mulheres, e não seria fácil. Rapariga do capitão, dormindo na cama de casal, dela todos se afastam no temor da ira fácil de Justiniano Duarte da Rosa. Protegida sua não era para andar de conversa fiada, de dentes abertos. Vários dos moradores testemunharam o acontecido com Jonga, os outros sabiam de ouvir. Jonga escapara com vida, felizardo. Celina pagou a conversa e o riso na bainha do facão, quando aportou na Cuia Dágua dava para olhar. Mulher do capitão é perigo de morte, doença contagiosa, veneno de cobra.

Por duas vezes o capitão a levou na anca da montaria às brigas de galo. Vaidoso de seus galos e da quenga bonita, no prazer de causar inveja aos demais. Maços de dinheiro no bolso para as apostas, os cabras em redor, punhais e revólveres. Na rinha, os galos em sangue, esporões de ferro, peitos despenados, a cabeça borrifada de cachaça. Tereza apertara os olhos para não ver, o capitão deu-lhe ordens de ver – espectáculo mais emocionante não pode existir – dizem que tourada ainda é melhor, duvido!, só vendo para crer. Nas duas vezes os galos do capitão perderam feio, derrotas sem precedentes, inexplicáveis. Devia haver uma explicação, um culpado; culpa de Tereza, é claro, com aqueles olhos de censura e piedade, o grito de agonia quando o galo caiu, estrebuchando, no peito um esguicho de sangue.

Todo galista sabe como é fatal para campeão empenhado em combate a presença entre a assistência de um choramingas, homem ou mulher. Urucubaca sem jeito. Na primeira vez, Justiniano contentou-se com uns xingos e uns tabefes; para ensiná-la a apreciar e incentivar os galos.

Na reprise aplicou-lhe surra das boas, para curar-lhe o azar e descontar o dinheiro perdido nas apostas, a decepção da derrota. Nunca mais a levou na garupa do cavalo e lhe proibiu as rinhas de galo; como pode alguém não gostar de combate de galos, ser assim tão molengas?

Tereza considerou a surra preço barato pela inesperada libertação. Preferia, nas raras horas de folga, catar os piolhos de Guga, matar-lhe as lêndeas.

Assim, em pânico, transcorreram dois anos da vida de Tereza, na casa da roça. Um dia o capitão a surpreendeu rabiscando papel com uma ponta de lápis. Tomou-lhe papel e lápis:

- De quem é essa letra?

No papel Tereza garatujara o próprio nome, Tereza Batista da Anunciação, o da Escola Tobias Barreto e o da professora Mercedes Lima.

- Minha, sim senhora.

Lembrou-se o capitão de ter ouvido Filipa louvar escrita e leitura da menina, na hora da transacção, valorizando o artigo à venda, mas não ligara, interessado somente no cabaço.

- Tu sabe fazer conta?

- Sei, sim senhor.

- As quatro?

- Sim, senhor.

Dias depois, Tereza foi transferida para a casa da cidade, sua trouxa posta no quarto do capitão. Não levou saudades da roça, nem mesmo de Guga com sua chaga aberta e seus piolhos. No armazém substituiu um rapaz que emigrara para o Sul, o único capaz das quatro operações. (clik na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TEMA:



"VIEMOS DOS MACACOS?" (5)


Teologia Evolucionista




Existe uma teologia evolucionista. Nascida do misticismo, que nas suas diferentes expressões em todas as religiões, civilizações e espiritualidades, rejeita dualismos. A Teologia Mística ou Teologia da Evolução tem estas formulações: Deus não é o iniciador da evolução o que significa que a evolução está agindo fora de Deus. A evolução é Deus que se desliga de si próprio.

E como a evolução tem no surgimento da vida um marco crucial, os místicos evolucionistas afirmam que é conveniente dar a Deus o nome de Vida: A vida é um conceito adequado para descrever esta realidade que chamamos de Deus, porque a vida também ultrapassa o nosso entendimento.


Evolucionismo Versus Criacionismo




Desde que Darwin falou, escreveu e revolucionou a ciência, enfrentou todos os tipos de críticas, provocações e insultos. No entanto, desde o início do desenvolvimento a sua teoria tem ganho espaço nas mentes dos cientistas de todo o mundo. Convencia, apaixonava, explicava, revelava.

Em resposta ao "evolucionismo” surgiu o "criacionismo". Baseado na história da criação que aparece no livro de Gênesis, na Bíblia, seus defensores insistem na criação directa de todos os organismos vivos por Deus, e especialmente na criação directa por Deus, dos seres humanos.

A guerra intelectual entre as duas teorias têm sido permanente. Houve, inclusivé, batalhas legais. Uma das mais famosos é chamada de "Monkey Trial" (Monkey Trial), realizada em Dayton, 1925, no EUA. Ele foi protagonizado pelo professor de ciências John Thomas Scopes, acusado de ensinar a Teoria da Evolução, violando uma lei que proibia o ensino nas Escolas Públicas do Estado sulista do Tennessee, de qualquer teoria que negasse a história da criação divina do homem como era ensinada na Bíblia. Em vez dela, ensinava que o homem descendia de uma ordem inferior de animais. Scopes acabou por ganhar e esta história interessante foi reproduzida no filme "A Herança do Vento” de Stanley Kramer (1960).

quarta-feira, abril 20, 2011

Loira no avião...






Um avião está a caminho de Toronto, quando uma loira, da classe económica, levanta-se, caminha para a primeira classe e senta-se ali.

A hospedeira observa o que ela faz, e pede para ver o seu bilhete. Então diz para a loira que ela pagou classe económica e que deve sentar-se no fundo.

A loira responde:
- Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar aqui mesmo.

A hospedeira vai até à cabine e diz ao piloto e co-piloto que tem uma loira sentada na primeira classe que deveria estar na classe económica e que não quer voltar para seu lugar.

O co-piloto dirige-se à loira e tenta explicar que ela pagou somente por classe económica, e que deve sair dali e sentar-se no seu lugar.

A loira responde:


- Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar bem aqui.

O co-piloto diz ao piloto que provavelmente deveriam ter a polícia à espera quando aterrassem para prender a mulher.

Diz o piloto:

- Você disse que ela é loira? Eu vou falar com ela, sou casado com uma loira e falo "loirês".

Ele dirige-se à loira e diz-lhe qualquer coisa ao ouvido.

Diz a loira:


- Oh, peço desculpa. Levanta-se e vai para o seu lugar na classe económica.

A hospedeira e o co-piloto estão boquiabertos, e perguntam ao piloto o que é que ele disse para fazê-la mudar de ideias.

Ele responde:


- Disse-lhe simplesmente: "A primeira classe não vai para Toronto..."

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O Crime perfeito...



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TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA

Episódio Nº 86




Calada e eficiente, Tereza cumpria ordens. Não deixava o capitão de sentir-se satisfeito com tanta submissão: custara-lhe esforço ensinar medo àquela sediciosa, domá-la, quebrar-lhe a vontade. Quebrara, era um perito no assunto. Por isso mesmo, a qualquer pretexto ou sem pretexto algum, punha em função a palmatória ou a taca; para manter vivo a noção do respeito e impedir o renascer da rebeldia. Sem o medo, o que seria do mundo?

Para mandá-la embora, para negociá-la com Gabi ou Veneranda, petisco para capitais – para vendê-la ao doutor Emiliano, esperava o capitão conquistá-la por completo, tê-la amorosa, derramada, súplice, provocante, como tantas outras a começar por Dóris?

Quem podia adivinhar, sendo o capitão de natural reservado, pouco chegado a confidências?

Contentava-se a maioria – inclusivé as comadres, o meritíssimo e o círculo dos letrados – em atribuir tão longo xodó a uma causa única: a crescente formosura de Tereza Batista às vésperas dos quinze anos; pequenos seios rijos, ancas redondas, aquela cor assentada de cobre, pele doirada. Pele de pêssego na poética comparação do juiz e bardo – infelizmente pouquíssimos puderam apreciar a justeza da imagem por desconhecimento da fruta estrangeira.

Marcos Lemos, guarda-livros da usina de açúcar, de tendências nacionalistas, preferiu rimá-la com o mel da cana e a polpa do sapoti. O nome de Marcos Lemos figurava no alto da lista de Gabi.

E para o capitão? Quem sabe, um potro selvagem? Mas o domara e nele cavalga de relho e esporas.

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A menina solta, livre, alegre, subindo pelas árvores em correrias com o vira-latas em marchas e combates de cangaço com os garotos, respeitada na briga, em risos com as colegas de escola, de inteligência e memórias elogiadas pela professora, a menina risonha e dada, amigueira, morrera no colchão do cubículo, na palmatória e na taca. Roída de medo Tereza viveu sozinha, não se apegou a ninguém, em seu canto, trancada por dentro. Sempre em pânico, a tensão se abrandava apenas quando o capitão saía em negócio, nas idas a Aracajú, nas viagens à Bahia, duas, três vezes ao ano.

Riscou da memória os dias de infância, despreocupados no roçado dos tios, no roçado dos tios, na escola de dona Mercedes, com Jacira e Ceição, na guerra heróica dos moleques, na feira aos sábados, festa semanal; para não se lembrar da tia Filipa mandando-a vir com o capitão, o capitão é um homem bom, na casa dele vai ter de um tudo, vai ser uma fidalga. Tio Rosalvo tirara os olhos do chão, saíra da leseira crónica para ajudar no cerco, fora ele quem a prendera e entregara. No dedo da tia o anel a brilhar.

O que foi que eu fiz, tio Rosalvo, que crime cometi, tia Filipa?

Tereza quer esquecer, recordar é ruim, dói por dentro; ao demais vive com sono. Levanta-se ao raiar da manhã, não tem Domingos nem feriados; de noite o capitão. Por vezes até o dia amanhecer.

Quando acontece ele partir em viagem, ou permanecer na cidade, noites santas, abençoadas noites, Tereza dorme, descansa do medo; na cama varre da memória a infância morta, mas o vira-lata a acompanha no sono de pedra. (clik na imagem e aumente)

terça-feira, abril 19, 2011

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TÍTULO:


“ VIEMOS DOS MACACOS?”(4)




Um Escândalo Colossal


Darwin, um homem com profundos sentimentos religiosos e uma formação cristã sólida - até queria ser clérigo - sabia que a sua teoria iria causar confusão entre os fiéis, mas estava convencido de que a origem comum de todos os seres vivos "enobrecia" a todos. Reconheceu o escândalo que causava "A Descendência do Homem":


- “Sinto que a conclusão fundamental a que cheguei neste livro, ou seja, que o homem descende de uma forma de vida organizada inferior, provoca reacções bastante desagradáveis.

É um escândalo lógico. Darwin não só coloca os seres humanos no seu "lugar", como prova a sua origem animal. Deduz também, que no processo de evolução havia um "propósito".
Assim o formulou: “Parece não haver mais propósito na variabilidade dos seres vivos e na selecção natural do que aquela que existe na direcção em que sopra o vento”


Esta ideia do acaso na evolução contradiz a ideia bíblica de um ordenamento linear de toda a criação a partir do aparecimento na Terra de seres humanos, e era contrária à ideia de um plano divino, desmentia o Deus providencial no comando do universo e da história.


Por Que Tanta Revolta e Rejeição?


O astrofísico Carl Sagan localiza bem o escândalo provocado pela Teoria da Evolução de Darwin:

-“A perspectiva transcendentalmente democrática de Darwin que nos liga aos nossos antepassados há muito esquecidos e à multidão de nossos parentes, os milhões de outras espécies com quem partilhamos a Terra. Mas o preço a pagar foi alto, e ainda existem aqueles que se recusam a pagá-lo por razões compreensíveis."

A evolução sugere que, se Deus existe, agradam-lhe as causas secundárias e os processos autónomos. Deus lançou o universo, estabeleceu as leis da natureza, e depois saiu de cena. Não há, aparentemente, um executivo que trabalhe no local: o poder terá sido delegado.(em quem?)


A evolução sugere que estamos sós, Deus não intervirá, quer lhe supliquemos ou não para nos salvar de nós mesmos. Evolução sugere que estamos sozinhos e que, se existe um Deus, deve estar muito longe. Isso basta para explicar muita da ansiedade e da rejeição que a evolução provocou. Nós gostaríamos de imaginar alguém no comando.

TOQUE DO SILÊNCIO, COM ACOMPANHAMENTO DA ORQUESTRA SINFÓNICA DE ANDRÉ RIEU




Talento é talento. Ela tem apenas 14 anos. Ao que se sabe, o piston exige uma força toráxica razoável para ser tocado. Ouçam esta música executada na íntegra, interpretada pelo piston de uma frágil menina, que arrancaria aplausos de Miles Davis e Louis Armstrong. O Toque do Silêncio é universal nas Forças Armadas de quase todo o mundo. No chamado "Toque de Silêncio" ou "Toque do Recolher" porque é tocado todos os dias às 22h00. Também é tocado no funerais de militares mortos no exercício das suas funções.


Executado por esta criança de 14 anos, acompanhada por uma orquestra e depois aplaudida de pé pela platéia e pelos músicos que a acompanharam. É de emocionar qualquer um...BRAVO!!! BRAVO!!!


Notem que ele não segue a música, brincando aos maestros... Ele antecipa em segundos a mudança de andamento, não erra um compasso... E junto com a espontaneidade infantil a autoridade de um grande regente para quem sabe ver. O domínio e a segurança de alguém que já empunhou muitas batutas... Ele domina a peça, não é levado por ela e vive a música com o corpo inteiro... com 3 anos de idade! Que diria o Beethoven?


Cinco Kg de Favas...






Um peregrino, a caminho de Fátima, pernoita na casa duma viúva.

A meio da noite ela chama-o e mostra-se toda nua!

O peregrino, com medo de pecar, foge rapidamente de casa e logo que a igreja abre vai confessar-se.


O padre diz-lhe então:

- Vai para casa meu filho e para penitência come 5 kg de favas.

- Sr. Padre, mas eu não sou nenhum cavalo.

- Mas és burro!

Primeiro comias a viúva e depois é que te vinhas confessar !!!!!!

DANIEL BOONE - BEAUTIFUL SUNDAY (1972)


Não é Domingo, nem está um bom dia. Parece cansado do festival de trovões que foi uma boa parte da noite mas o papel da música também é alegrar os dias...


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 85




Que sucedeu em relação a Tereza, por que demorou tanto na cama de casal? Por que não pôde o capitão desprender-se, por que não se cansara? Dois anos, um horror de tempo. Punha os olhos em Tereza, o desejo irrompia nos ovos, tomava-lhe o peito. Saía em viagem, mulheres de luxo na capital – não esquecia Tereza. Aconteceu-lhe na roça romper os três vinténs de criatura nova no colchão do cubículo e, em seguida, vir ao leito de casal pôr-se em Tereza ainda melado do sangue da outra.

Por quê? Por ser bonita, de cara e estatura, uma lindeza por todos cobiçada? Certa tarde, ao lhe dar na pensão notícia de caça nova, descoberta por ela – põe esse boto ponho minha mão no fogo, se não for virgenzinha da silva, não carece me pagar – Gabi, percebendo o interesse do capitão, propusera-lhe troca por Tereza, de uma estampa assim andava carente o estabelecimento.

- Já tenho até lista de candidatos na fila.

O capitão não admitia que tirassem prosa com mulher sua: quem não se recorda do caso de Jonga, meeiro de próspera lavoura? Perdeu a lavoura e o uso da mão direita e só escapou da morte por culpa do médico da Santa Casa; tão-somente porque puxou conversa com Celina no caminho do ribeirão. Mal acabara Gabi de falar e engoliu o riso; em fúria Justiniano Duarte da Rosa demolia a sala da pensão:

- Lista? Me mostre que quero saber quais os filhos da puta que se atrevem… Cadê a lista?

Sumiram os pacatos fregueses vespertinos, Gabi teve a maior dificuldade em acalmar o bravo capitão: não havia lista alguma, maneira de falar, de louvar a boniteza da moça.

- Não precisa louvar.

Apesar da proibição, sucediam-se louvores e comentários e a lista de espera recolhia novos nomes, em segredo. Em todo aquele extenso país não existindo nenhuma mais linda e cobiçada, o capitão sentia-se vaidoso em ser dono dessa jóia capaz de encher os olhos até do doutor Emiliano Guedes, exigente na escolha, milionário e fidalgo. Justiniano a exibira em rinhas de galo e quando recebia na roça visita de fazendeiro, de caixeiro-viajante no armazém, chamava a moleca para servir café ou cachaça; gozando o prazer de proprietário invejado, a cobiça dos hóspedes – menos vaidoso dela, no entanto do que do galo Claudinor, capitão invicto, matador feroz.

Não era o capitão especialmente sensível à beleza, a não ser na hora de negociar, de trocar, de vender, quando a cara e o corpo da rapariga, a boniteza, a graça, eram moeda, dinheiro vivo.

Na cama, porém, outros valores pesavam mais na balança de seu agrado. Dóris, feia e doente, durou enquanto viveu. Porque então todo esse tempo Tereza no leito de casal?

Talvez, quem sabe? por não tê-la sentido em momento algum entregue por completo. Submissa, sim, de total obediência, correndo para servi-lo, executando ordens e caprichos sem um pio; assim agindo para não apanhar, para evitar o castigo, a palmatória, o cinto, a taca de couro cru. Ele ordenava, ela cumpria; nunca, porém, tomou a iniciativa, jamais se ofereceu. Deitada abria as pernas, a boca, punha-se de quatro, fazia e acontecia era só o capitão mandar; jamais se propôs. Dóris se desmanchava na cama. Provocante, se propunha e antecipava, “vou mamar o teu cacete e os ovos”; assim nem as gringas de Veneranda
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TEMA:


“VIEMOS DOS MACACOS?” (3)




Uma Ideia Genial e Revolucionária

Apesar da variedade das espécies animais, alguém como Aristóteles, que reflectiu sobre tudo o que viu, nunca viu nessa variedade uma possível relação. Quando foi conhecida a fauna do Novo Mundo muitos se intrigaram.

Como é que esses animais eram tão diferentes dos animais do Velho Mundo? Mas ninguém pensou sobre as razões para essas diferenças. No Renascimento, as descobertas dos primeiros fósseis também causaram preocupações, mas ninguém acreditava na evolução.

Foi o francês Jean Baptiste Lamarck que, cinquenta anos antes de Darwin, teve as primeiras intuições de que semelhanças e diferenças têm uma explicação científica de uma certa evolução das espécies.

Darwin foi capaz de estruturar essas intuições e formular uma teoria rigorosa e coerente. Os cientistas actuais continuam deslumbrados com as suas descobertas. O Seu compatriota Richard Dawkins, um evolucionista convicto e entusiasmado, diz:

- “Os organismos vivos existem na Terra há mais de três mil milhões de anos sem se saber por quê, até que a verdade, afinal, foi descoberta por um deles, chamado Charles Darwin.”

E gosta de dizer de uma forma divertida:


- “Num planeta e, possivelmente, apenas num planeta de todo o Universo, as moléculas que normalmente não geram nada mais complicado do que um pedaço de pedra, reuniram-se em pedaços de matéria do tamanho de pedras, com formas incrivelmente complexas que são capazes de correr, pular, nadar, voar, ver, ouvir, capturar e comer outros elementos de animação de complexidade semelhante, em alguns casos, capazes de pensar, sentir e amar outros pedaços de matéria complexa. Compreendemos, agora, no essencial, como o truque foi feito, mas apenas desde 1859. Antes dessa data parecia, de facto, algo muito, muito estranho. Agora, graças a Darwin, é só muito estranho”.

segunda-feira, abril 18, 2011

OS FINLANDESES QUE VÃO À MERDA



Os finlandeses que entraram na UE uns anos depois de Portugal e que durante décadas viram a sua segurança assegurada pelos países que integravam a NATO, entre os quais estava Portugal dá agora mostras de uma arrogância desmedida.


Recorde-se que quando foi necessário ajudar a Irlanda e a Grécia o nosso país aprticipou, mesmo atravessando as dificuldades que todos conhecem. Além disso os juros praticados, acima dos 5%, estão longe daquilo que pode ser considerado uma ajuda, dificilmente as poupanças dos finlandeses conseguem tal rentabilidade no mercado.


Há limites para a arrogância e o que os finlandeses estão a pedir é um boicote aos seus produtos, começando pela NOKIA; talvez assim percebam que as comunidades assentam no princípio da solidariedade, não havendo espaço para declarações ofensivas da dignidade dos estados.


Já agora, o engraçadinho que usou as palavras de um extremista finlandês para denegrir ainda mais a imagem do país e assim obter ganhos políticos também devia ir à merda.


O Jumento


Perdulários… Perdulários…



Um bêbado, muito bêbedo, desce a Alameda D. Afonso Henriques pelo passeio do Cinema Império: três passos em frente, um atrás e pára para reequilibrar… quando chega em frente de um candeeiro de iluminação vira-se para ele, abre os braços e em voz avinhatada grita:


- Perdulários… perdulários… a gastarem tanta luz!


E continua a descer o passeio repetindo o mesmo discurso junto dos postes de iluminação. Atravessa a rua, começa a subir do outro lado em direcção á Fonte Luminosa quando, volta a parar, abre os braços, olha para a Fonte e repete o discurso:


- Perdulários, perdulários… tanta água estragada!
Continua subir, entra no vão de uma escada, deita-se e ali fica com a cabeça ao pé de um caixote de lixo.
Um casal que entretanto tinha saído da sessão nocturna do Império, sobe também a Alameda quando a esposa diz para o marido:
- Levo tanta vontade de fazer xi-xi…
Diz o marido: - Entra aí nessa porta e faz.
A mulher não se faz rogada que o aperto era grande, entrou às escuras, procurou o canto, levantou as saias, baixou as cuequinhas e aliviou-se…
O bêbado com o barulho acordou, olhou para cima e começou a gritar:
- Perdulários… perdulários… um cuzinho tão bom no caixote do lixo!

CLIFF RICHARD - ALL MY LOVE

Mais do que uma geração de jovens cresceu e amou ao som das lindas canções do C. Ritchard. Nascido em 1940, é o único artista, juntamente com Elvis Presley (The King), a estar na lista dos mais vendidos durante toda a sua carreira. Dos anos 50 até hoje vendeu mais de 250 milhões de discos.


TEREZA

BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 84


Por lembrar-se de Dóris ou apenas por malvadez, às vezes o capitão empurrava-lhe o pé, derrubando-a no chão; porque não beija, não faz um agrado peste? Outras melhores fizeram. Mandava-lhe o pé na cara: orgulhosa de merda! Empurrões e pontapés, desnecessários, de pura ruindade; bastava o capitão mandar, Tereza engolia orgulho e repugnância, lambia-lhe os pés e o resto. Jamais sentiu Tereza o mínimo prazer, o mínimo desejo ou interesse; todo e qualquer contacto físico com Justiniano Duarte Rosa foi moléstia e asco e só por medo concedeu e fez – fêmea à disposição, cordata e pronta.
Nesse período da sua vida, os assuntos da cama e sexo significaram para Tereza apenas dor, sangue, sujeira, amargura, servidão. Nem sequer imaginava pudessem tais coisas conter alegria, reciprocidade no prazer ou simplesmente prazer – sendo Tereza apenas vaso onde descarregar o capitão, nela vertendo seu desejo como vertia urina no penico. Que pudesse ser de outra maneira, com carinho, carícias, gozo, nem lhe passava pela cabeça.
Porque sua tia Filipa se trancava com homens, não entendia. Desejo, ânsia, ternura, alegria não existiam para Tereza Batista. Jamais lhe pediu fosse o que fosse, orgulhosa de merda, inconsciente porém do seu orgulho. Justiniano lhe deu vestidos do enxoval de Dóris, o par de sapatos vindo da loja Enock, um ou outro penduricalho barato em dias de grande satisfação quando um galo de sua propriedade deixava o adversário morto na rinha, rasgado pelos esporões de ferro. Nem essas raras lembranças alteraram o único sentimento poderoso de Tereza, o medo.
Ao adivinhar a ira na voz ou nos gestos do capitão, imediatamente volta-lhe a sensação da morte na sola dos pés e sente o mesmo frio de terror que a atravessara ao vê-lo de ferro de engomar na mão, as chispas voando. Basta ouvi-lo alterar a voz, descontente, gritar um nome feio, rir o riso curto, e o frio de morte aperta o coração de Tereza Batista, queima-lhe a sola dos pés com ferro em brasa.
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E o capitão Justo, sabia ele serem as mulheres, tanto quanto os homens, capazes do prazer? Talvez o soubesse mas o assunto pouco lhe interessava; nunca se preocupou em compartir desejo e gozo com parceira de cama. Posse mútua, sensações recíprocas, gozo em comum, conversa fiada de uns mofinos de muita pabulagem e pouca resolução.
Fêmea é para ser possuída, e acabou-se. Para o capitão boa de cama é aquela que, por verde donzela, por inexperiente e medrosa menina ou por capaz e sabida marafona, lhe excite o desejo. Como era de público conhecimento, ele as preferia novinhas, a ponto de coleccionar num colar as menores de quinze anos cujos tampos colhera. Nunca pretendeu retirar da mulheres senão prazer para si próprio, exclusivo.
Dava-se conta, é claro, de como algumas eram mais ardentes e sôfregas, mais participantes. Assim fora Dóris, consumida em febre; nem no castelo de Veneranda entre as gringas, sentia-se o capitão satisfeito ao constatar ânsia e veemência, atribuindo o facto às suas qualidades viris, garanhão capaz de passar a noite inteira desfolhando um cabaço, de atravessar madrugada com mulher-dama habilidosa. As fontes de sua exaltação não estavam no prazer e no apego das parceiras. Inclusive irritava-se fácil quando uma mais dengosa, por se dar apaixonada, requeria reciprocidade, atenção e carinho; onde se viu? Macho deveras não adula mulher. (clik na imagem para aumentar)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 90 SOB O TEMA:


“VIEMOS DOS MACACOS?” (2)


A Selecção Natural


Escutemos a explicação do próprio Darwin sobre a selecção natural, a chave para a teoria da evolução, no estilo cuidadoso e delicado que informou todas as suas descobertas revolucionárias:
“ Tal como o homem pode conseguir grandes resultados nas suas plantas e animais domésticos cruzando, numa determinada direcção diferenças individuais, da mesma forma a selecção natural pode fazê-lo, mas com muito mais facilidade, pois tem um tempo incomparavelmente maior para fazer o seu trabalho... Como o homem pode conseguir, e certamente conseguiu um óptimo resultado com os seus meios de selecção metódica e inconsciente, o que não conseguiria a selecção natural?...
Quão passageiros são os desejos e os esforços do homem, como é curto o seu tempo e, consequentemente, quão pobres serão os seus resultados comparados com os da natureza durante todo o acumular dos períodos
geológicos!...
Pode-se dizer, metaforicamente, que a selecção natural está fazendo diariamente e até hora a hora, em todo o mundo o escrutínio das mais pequenas variações, rejeitando aquelas que são ruins e preservando e recolhendo as que são boas, trabalhando silenciosamente,
insensível, onde e quando se apresenta uma oportunidade para melhorar cada ser orgânico em relação às condições orgânicas e inorgânicas de vida. Não vemos nestas pequenas mudanças em curso a mão do tempo que criou o selo das idades e ainda mais imperfeita é a nossa visão para alcançar as idades geológicas remotas.Tudo o que vemos é que agora existem formas de vida que um dia não existiram.”
E o próprio Darwin fecha seu livro "A Origem das Espécies", que mudou para sempre o pensamento científico:
- “Há grandiosidade nesta concepção da vida, com seus vários poderes, ter sido originalmente insuflada pelo Criador em algumas poucas formas ou apenas numa só, enquanto este planeta andava rolando de acordo com leis fixas da gravidade. De um tão simples princípio se desprenderam e desenvolveram infinitas e maravilhosas formas de vida.”

domingo, abril 17, 2011

ENSAIO DAS CERIMÓNIAS DO CASAMENTO DO PRÍNCIPE DE INLATERRA


HOJE É

DOMINGO

(Da minha cidade de Santarém)





Considero-me, e às pessoas da minha geração, protagonistas das maiores transformações da sociedade humana exceptuando, talvez, aquela fase de transição da vida livre do nosso antepassado do paleolítico que vivia em contacto com a natureza, percorrendo os espaços na liberdade condicionada por aquilo que ela tinha para lhe oferecer, para a outra, para a escravidão monótona do trabalho da terra. Mas mesmo aí, tudo se terá passado de maneira tão lenta e gradual que os traumas terão sido muito atenuados.


Ao contrário, hoje tudo acontece de forma meteórica… Ainda ontem, e eu nasci com o início da 2ª G.G., convivíamos com os morgados, que exportámos para o Brasil na pessoa dos coronéis, e já estamos agora no mundo global, liderado não sabemos bem por quem, possuído por meia dúzia de senhores cujas fotografias aparecem por vezes nos jornais e por outros que preferem o descrição (eles lá sabem por quê), na mão de “lobis” e de empresas de “rating”, que desconhecemos o que sejam, como apareceram e ganharam tanto poder.
Sem que déssemos bem por isso, integrámo-nos na europa, perdemos o velho escudo por troca com o euro, passámos a viajar e a fazer compras nas lojas dos países europeus como se estivéssemos nas lojas de Lisboa ou de Viseu, a pagar com a “nossa nova moeda”, como se fôssemos ricos… orgulhosos dessa nova condição de europeus, com a sensação deliciosa de que o paraíso (não confundir com os “fiscais”) tinha descido à nossa terra.


Período houve em que todos os dias nos enviaram milhões de euros de “apoios comunitários”, tantos que nem tínhamos capacidade para os aplicar criteriosamente mas, se os tínhamos negociado, não ficava bem devolvê-los só por uma questão de seriedade… Muitas pessoas perderam a cabeça, a fartura era tanta e a tentação ainda maior… foram anos de delírio. Portugal não era o mesmo, as cidades do interior estavam diferentes, acrescentadas e renovadas...afinal, ser da Europa era muito bom… que vícios então se adquiriram!...


Agora, com a presença dos representantes dos nossos credores em Lisboa, vamos conhecer a outra face da europa sem fronteiras, de um mundo Global em que ricos e pobres, Norte e Sul, parecem estar na fase do ajuste de contas…


Das “bocas” que nos lançam por essa europa fora sinto-me envergonhado e humilhado. Que me podiam fazer de pior os meus governantes?


Raphael Minder, correspondente do New York Times e do International Tribune para Portugal e Espanha, chegado agora a Lisboa, perante as manifestações de desafogo financeiro observadas em certos locais da nossa capital diz:


- “Das três uma: ou os portugueses ainda não se aperceberam da gravidade da crise; ou perceberam e querem festejar até ao cair do pano; ou o país está dividido em dois, o que sofre, cada vez mais pobre, e outro que esgota as mesas dos restaurantes.”


Eu percebi, estou triste e muito apreensivo mas mantenho a esperança porque ela é indispensável para a sobrevivência do meu estado de espírito.


A contrastar com o resto, o estado do tempo em Santarém e no país continua espectacular: quem tem este sol, este céu e este mar só pode manter a confiança.


Bom Domingo a todos.

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