sábado, abril 09, 2016

Reflectindo....


















Ao viajar pelo Oriente, mantive contactos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.

Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.

Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' - Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comentei:

 -  Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde... - 'Não, retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...''- Que tanta coisa?', perguntei.

 - Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina' e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando:

- Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super  mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! 

Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:

- Como estava o defunto?' - Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!

Mas como fica a questão da subjectividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. 

Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é "entretenimento".

Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização colectiva.

Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: - Se tomar este refrigerante, vestir este  ténis,  usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!'

O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.

 Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental  três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de stresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center.

É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetónicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: - Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:...

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso .


Autor:
Frei Beto  

Miséria moral da política



 Vital Moreira












No Brasil, o PMDB, que era o principal partido da coligação governamental da Presidente Dilma Roussef, decidiu romper a coligação e sair do Governo (onde tem vários ministros), preparando-se obviamente para apoiar a destituição (impeachment) da Presidente.


O que é escandaloso é que o líder do Partido, Michel Temer, que é vice-presidente da República (pela segunda vez desde 2011) com base nessa mesma aliança política que o PMDB agora rompe, e que "articulou" pessoalmente o rompimento, não vai abandonar o cargo, preparando-se para substituir a Presidente depois de lhe "tirar o tapete"!

Dizem eles que Temer é vice-presidente por força da eleição popular, o que é verdade. Mas só foi eleito por causa da aliança do PMDB com o PT nas eleições presidenciais e por ter sido incluído na  "chapa" da Presidente.

Sendo a eleição conjunta, os votos que o elegeram foram os da Presidente, a quem deve obviamente a sua eleição e que ele se prepara para trair politicamente. Sucedendo nestas condições à Presidente destituída, qual poderá ser a sua autoridade e legitimitidade política como Presidente?

Para quem julgava que a vida política brasileira é uma selva sem lei nem ética, este exemplo de miséria moral é uma patente confirmação.



Obs

Os cidadãos brasileiros devem estar atentos a esta situação. Ao fim e ao cabo, são eles, em todo o mundo onde são ouvidos, que devem dar aos políticos os sinais certos para as decisões.

Este oportunismo é algo de reprovável e não é preciso saber de política, basta pensar em comportamentos honestos, o que está ao alcance de qualquer brasileiro.






Ave Maria - Menina holandesa arrasou...



Qual o sentido da vida? - Neil Tyson




Tieta do Agreste
(Jorge Amado)


EPISÓDIO Nº 122
























DA PRIMEIRA CONVERSA ONDE SE DECIDE DO DESTINO DAS ÁGUAS, DAS TERRAS, DOS PEIXES E DOS HOMENS – COM A GENTIL ASSISTÊNCIA PROFISSIONAL DAS COMPETENTES MENINAS DE MADAME ANTOINETTE



O jovem Parlamentar fez um gesto, as meninas levantam-se nuas e obedientes, abandonando os primeiros excitantes toques, sorriem e se afastam.

Esperarão na sala ao lado, sabem guardar as conveniências, uma loira e a outra ruiva. O jovem Parlamentar, ainda não tão rico e poderoso quanto desejaria, confidenciara ao Magnífico Doutor a possibilidade de trocarem as parceiras após a primeira etapa.

Antes de sair, a loira observou a reserva de uísque na garrafa, seria suficiente? Também os dois cavalheiros estão nus, como convém, mas o Magnífico Doutor guarda a negra pasta 007 a seu lado.

Quarentão bem cuidado, o jovem Parlamentar não possui no entanto a classe do magnífico Doutor, que é um galã de novela, se quisesse poderia ganhar a vida exibindo-se no vídeo.

Certa tendência a engordar, um começo de gordura que a sauna não consegue controlar, nos olhos a cobiça e a manha, o jovem Parlamentar possui reputação duvidosa, discutida nos bastidores da Câmara Federal.

Nos bastidores, jamais em público, quem se atreveria a acusá-lo? Passa por bem visto nos altos escalões e sobretudo nos reservados círculos que realmente dispõem do poder. Seu nome começa a repontar no noticiário como candidato a elevados cargos; o mandato parlamentar, ultimamente bastante desacreditado, já não basta para conter-lhe o prestígio em ascensão. Obtivera promessa firme de ser incluído na turma a cursar a escola Superior de Guerra.

O Magnífico Doutor, habituado ao trato com os grandes, em nenhum momento pronunciou-lhe o nome por desnecessário e imprudente. Tampouco durante a conversa citaram quantia ou falaram em pagamento.

Apenas, em certo instante, abriu-se um sorriso amplo no rosto calculador do jovem Parlamentar: nem sempre aparece nos tempos actuais transacção assim rendosa.

Em termos de legítimo patriotismo, o jovem Parlamentar desenvolve cauteloso trabalho de contactos e acertos, com reconhecida habilidade.

Propina seria palavra escandalosa e indigna para designar a expressiva gratidão daqueles que lhe utilizam os méritos e as relações. Se respeitável bolada lhe advém, trata-se de merecida pecúnia – finalmente a palavra certa! - Pois um passo em falso, um erro de pessoa, pode custar mandato e carreira: os da linha dura são infensos à corrupção e vivem de olho atento, desconfiadíssimos. Tarefa delicada, exige alta recompensa.

É reconfortante vê-los ali, no fim da tarde, estendidos nus e cómodos em amplos divãs em uma das salas à prova de som reservadas por Madame Antoinette para ruidosas surubas, mandando as meninas embora, adiando o deleite, sacrificando o tempo de lazer ao trato de superiores interesses, conscientes ambos dos seus graves deveres.

- Aqui estamos a coberto da curiosidade e indiscrição – freguês recente e vaidoso, o jovem Parlamentar louva as virtudes do Refúgio.

Essas salas reservadas antes de tudo à confraternização sexual, em moda desde os banhos romanos, servem igualmente para importantes conversas de negócios entre magnatas desejosos de sossego e reserva. Como bem diz o jovem Parlamentar, no Refúgio dos Lordes estão acoberto da curiosidade e da indiscrição.

O Magnífico Doutor abre a pasta, retira um estojo de couro, oferece charutos. Conhece hábitos e preferências dos parceiros, estudou, entre divertido e enojado, a biografia do jovem Parlamentar.

- Cubanos… - esclarece a seguir, pois sendo Cuba matéria proibida em qualquer sector da vida nacional, a oferta ganha importância.

O jovem Parlamentar não se contenta com um, empalma três:

- Antes, só fumava cubanos. Agora andam difíceis, culpa da canalha comunista – aspira o odor do charuto – Sublime! 

Precisamos libertar Cuba das garras de Fidel de Castro, varrer do continente essa ameaça vil e constante de subversão. 

– Um pouco retórico, fala como se estivesse na tribuna da Câmara.

- Mais dia, menos dia, os americanos acabarão com ele. – O Magnífico Doutor estende o isqueiro de ouro, acende o charuto do interlocutor. – Mas, quando quiser charutos cubanos, não faça cerimónia, tenho sempre um estoque.

O Jovem Parlamentar não pode esconder o laivo de inveja nos olhos gulosos: esses tipos sabem gozar a vida, nada lhes falta, dão-se a todos os luxos. E este é apenas um testa de ferro, imagine-se os outros, os patrões. Decide fazer o trato mais difícil, aproveitar a oportunidade:

- Obrigado. Mas vamos ao que importa, não devemos deixar as garotas esperando por muito tempo. Devo dizer-lhe que as coisas não se apresentam fáceis, há obstáculos sérios, diria mesmo: quase intransponíveis. O nosso amigo declara que não deseja envolver-se no caso.

- Mas há poucos dias as notícias eram outras.

- Os jornais ainda não haviam falado no assunto. Leu o que andaram escrevendo? 













Uma galinha põe um ovo de meio quilo. Jornais, 
televisão, repórteres... todos atrás da galinha.



- Como conseguiu esta façanha, Srª Galinha?

- Segredo de família...
- E os planos para o futuro?
- Pôr um ovo de um quilo!



Então as atenções voltam-se para o galo...



- Como conseguiram tal façanha, Sr. Galo?
- Segredo de família...
- E os planos para o futuro?
-Partir os cornos ao Peru!!!




 

Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)


Episódio Nº 236



















Entusiasmado, o almocreve despiu o saiote, o que provocou gritinhos de júbilo nas duas e começou a abraçá-las com fervor. Rindo, Zulmira retirou as roupas a Zaida e depois a filha fez-lhe o mesmo.

O sonhp do almocreve estava a realizar-se, iria amá-las, primeiro Z7ulmira e depois, finalmente, Zaida, sendo o primeiro homem do mundo a possui-la.

Estava já sentado na manta, observando-as e beijando-as à vez, quando de repente viu Fátima a aproximar-se, pálida tensa.

Com um choque de terror, Mem reparou que atrás dela estava um desconhecido.

- Quem sois? – gritou.

Zulmira e Zaida levantaram as cabeças ao mesmo tempo e desataram a berrar, enquanto Mem cerrava os punhos, furioso.

O seu arco e flechas estavam junto à entrada, não conseguiria chegar lá sem passar pelo intruso. Reparou que este tinha uma espada apontada às costas de Fátima, mas ficou surpreendido quando ele a baixou.

Reconheceu-o, era o pastor, o preferido de Ramiro! Mem teve uma fugaz sensação de alívio. Não lhes ia fazer mal, era um Templário de Soure. Contudo, o homem começou a ter um comportamento estranho. Retirara o manto branco dos ombros, voltava-o do avesso e agora estava a vesti-lo de novo.

Mem continuava sentado no chão e nu, com as duas mulheres atrás de si também espantadas. Fátima, por sua vez, mantinha-se a tremer.

O que quereis, insistiu o almocreve.

O pastor colocou o capuz na cabeça. Depois, retirou uma corda do braço e enrolou-a à cintura, e Mem reparou que ela estava vermelha e paralisou de pavor.

Em poucos momentos o templário transformara-se no assassin!

O pastor era a Morte com Duas Pernas e vinha finalmente cumprir as ordens do califa! Aterrado, Mem levantou-se de um pulo, mas logo o fedayin lhe apontou a espada:

 - Afastai-vos. Elas é que têm de morrer, são as ordens do Ali Yusuf.

Sem aviso, a corajosa Fátima lançou-se sobre fedayin, tentando surpreendê-lo, mas este era mais rápido e com um encontrão atirou-a ao chão.

Mem sabia que se queria salvá-las tinha de arriscar a vida, pois precisava de passar pelo assassin para chegar ao arco e às flechas.

Deu um pulo para a sua direita e atirou um balde ao fedayin mas este afastou-o com a espada, e com a mão esquerda deu dois violentos murros em Mem, o primeiro na barriga, que o fez dobrar-se de dor e o segundo nos olhos e no nariz que logo espirrou sangue, fazendo o almocreve cair atordoado.

O assassin apontou-lhe a espada num instante e, nesse curto espaço de tempo em que parecia ir atacá-lo, Zulmira correu para o almocreve, aterrada por o ver magoado, e ajoelhou-se junto dele.

Mem querido... – balbuciou.

Foi um erro fatal. Vendo-a a seus pés, à sua mercê, o fedayin levantou a espada e com um gesto duro, brusco e preciso degolou ali mesmo Zulmira, cuja cabeça caiu e rolou 0pela palha.

Ouviu-se o lancinante grito de Fátima, enquanto Zaida desmaiava em cima da manta.

Mem, ainda atordoado, sentiu o coração rasgar-se de dor. O monstro que lhe matara o pai matara-lhe também Zulmira!

Apesar da névoa que lhe toldava a visão. Reparou que Fátima pegara numa enxada e a levantava no ar, tentando atingir o fedayin. Mem arrastou-se, queria chegar às flechas às flechas mas não conseguiu, o estômago soltou-se e desatou a vomitar.

Quando voltou a olhar, a enxada já voara das mãos de Fátima e ela estava no chão, à frente do assassin, que levantava a espada para a degolar também.

Mem procurou uma pedra, uma madeira, algo que lhe pudesse atirar mas não havia nada, e gritou, desesperado.

Pela terceira vez ia ver uma pessoa que amava ser degolada pela Morte com Duas Pernas!

Então, ouviu um barulho, seguido de um zumbido, sentiu uma deslocação de ar e notou que a espada não caiu sobre o pescoço de Fátima.

De súbito, o fedayin agarrou-se à garganta, gorgolejando e Mem viu qualquer coisa cravada no pescoço dele, sangue a espirrar e dirigiu o seu olhar enevoado para a entrada do celeiro.

Horas depois, Mem contou-me que vira o Rato, mas também outro homem, com o joelho direito pousado no chão e a mão fechada no ar depois de lançar o punhal.

Era o príncipe de Portugal e meu melhor amigo, Afonso Henriques. Nesse momento, Mem ouvira uma voz longínqua na sua cabeça, as palavras da bruxa, em Soure, quando a reencontrara.

«Só pode ser morto pelo Califa ou por outro Rei».


                                                                                              

sexta-feira, abril 08, 2016

IMAGEM

Elucidativo....



                                                                                                                          Do Macroscópio

Joâo Soares, Ex-Ministro da Cultura

Umas salutares bofetadas...






















Nos tempos quentes do pós-25 de Abril, na Madeira, depois de ouvir o já líder do Governo Regional declarar, referindo-se ao Conselho da Revolução, que «os militares efeminaram-se», Carlos Lacerda, Coronel, Comandante do Regimento de Cavalaria do Funchal, vestiu-se a rigor, pediu uma audiência e de imediato deu-lhe um par de bofetadas que lhe devem ter sabido muito bem...

É assim, as bofetadas dão-se, não se prometem. João Soares que prometeu duas bofetadas ao cronista Polido Valente e a Augusto Seabra, comentador político, por se sentir atingido pessoalmente pelas críticas, ficou-se pelas palavras ou seja: por nada!

Ainda por cima, palavras velhas e gastas como a Sé de Braga, que já não despertam nenhum tipo de curiosidade, vindas logo de um político perfeitamente previsível neste género de atitudes, na linha de quem foi “filho da mamã”...

Se é para nos ficarmos por palavras, e parece que sim porque João Soares já avisou que é um homem pacífico, como de resto já sabíamos, então que seja criativo e inovador como Carlos Azeredo, então Coronel, hoje General, que disse a João Jardim:

 - «Eu falo e o senhor abana as orelhas. Fiz-me entender? Caso contrário dou-lhe uns coices para entender»

Também não passou das ameaças mas, pelo menos, teve piada o nosso coronel, que, por coerência, até era da arma de Cavalaria.

João Soares, Ministro da Cultura, pertence a uma família com tradições. O seu avô, João Lopes Soares, foi professor, político, pedagogo, deputado e ministro das Colónias durante a 1ª República, pai de Mário Soares, o mais influente político da democracia, mas está, no entanto, ultrapassado nas reacções.

Ficou na época do Camilo, Ortigão, Antero e Eça de Queiroz, a que pertenceu o seu avô, quando havia apreciadores de um belo duelo que, quando as coisas corriam bem, acabavam por um cavalheiresco aperto de mão.

Agora não, vão para o Facebook, esse “pátio de intrigas e más línguas” e de rato na mão, substituem o click à espada e vão desferindo insultos, calúnias, ameaças... desculpem, quero dizer estocadas.

Quem está na política e ainda por cima com responsabilidades governativas tem de perceber que está sujeito a críticas e apreciações nem sempre agradáveis.

É a vida... como dizia o Guterres e a minha neta Filipa quando tinha 3 anos e partiu um frasco de perfume.

Mas quem conhece a personalidade de João Soares não se admira... o que é de admirar é que António Costa o tenha incluído no seu governo com a pasta da Cultura, aparentemente inofensiva, depois da oposição interna que aquele lhe moveu e até de “bocas” desagradáveis quando, interpelado, aos microfones da TV, mandou Costa “ir chefiar a Câmara de Lisboa” e deixar-se de mais altos voos de liderança do partido.

Agora, o que eles disseram para merecerem as bofetadas:

- «Passados meses não afirmou uma linha de acção política, tão só um estilo de compadrio, prepotência e grosseria... Que um governante se rodei de pessoas de sua confiança é óbvio. Mas no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e de maçons» - Augusto Seabra, crítico de Cultura.

 - «Como o Dr. João Soares muito bem sabe, não tenho por ele qualquer respeito, nem como homem, nem como político» - Vasco Pulido Valente, Colunista.

Depois do “ ralhete” do 1º Ministro, e como era de esperar, João Soares, hoje, demitiu-se...

Ele é cego, tem dez anos e canta Sinatra...


Mixórdia de Temáticas - Cinquenta Sombras de Gray



Madame Antoinete, perdão, Tieta.
Tieta do Agreste
(Jorge Amado)



EPISÓDIO Nº 121


























ONDE O AUTOR PROCURA E NÃO ENCONTRA TERMO JUSTO PARA DESIGNAR O REFÚGIO DOS LORDES



Não, não deverei usar nenhuma das palavras clássicas: prostíbulo, lupanar, bordel, serralho, alcoice, conventilho, pensão de mulheres, casa de putas, nem mesmo randevu, para classificar o Refúgio dos Lordes, na capital do glorioso Estado de São Paulo, abrigo luxuoso, discreto, fechadíssima

Maison de repôs, talvez, não fosse o termo servir também sanatório destinado a malucos endinheirados e enrustidos. 

Enrustidos, os seleccionados fregueses do Refúgio, mas dificilmente fracos da cabeça, quase sempre cérebros privilegiados, de elevadíssimo QI, sagazes financeiros quando não prudentes e esclarecidos pais-da-pátria.

Funcionasse na Bahia, seria castelo, a designação soa bem, recorda nobreza e fausto. Em São Paulo, o Refúgio dos Lordes participa da medicina e da bolsa de valores, não se reduzindo a satisfazer necessidades dos ricos e poderosos – dos mais ricos e dos mais poderosos – pois atende e trata com terapêutica própria melindrosos complexos, atende a graciosas taras, indo da massagem sueca ou nipónica ao divã de irresistíveis psicanalistas com escola completa, faculdades nacionais e por vezes estrangeiras, ditas BBC: boca, boceta e cu.

Serve também, quando necessário, como local de encontro o mais conveniente pela discrição, para o trato e conclusão de assuntos reservados, referentes à economia, às finanças e à política. Ali discutem-se superiores interesses, fundam-se bancos, erguem-se indústrias, escolhem-se candidatos a governador.

Ao abandonar a simplicidade de Agreste, onde a casa de Zuleika Cinderela é apenas puteiro e nada mais, para envolver-me com os grandes do sul, com a intelectualidade dos tecnocratas, empresários, homens de Estado, altas patentes, os dirigentes dos destinos pátrios, sinto-me acanhado, faltam-me conhecimento e inspiração à altura do nobre tema.

Como designar o pequeno império dirigido em francês com competência, dedicação e toute la delicatesse por Madame Antoinette?

Perdoem-me senão encontro a palavra justa, sinto-me embaraçado, tento cometer imperdoável erro, rude narrador habituado a chão árido e a vidas modestas, de dinheiro parco e duro trabalho.

Aliás, para que classificar este aprazível local de relax, onde os grandes do mundo distendem os nervos e recuperam as forças? Nesse bendito recanto, segundo consta, figurões já de todo impotentes se reerguem pururucas e obtêm satisfação nas mãos sábias e belas das meninas, quando não nos lábios de carmim.

Ah!, quanto custa ser pobre e inédito. Digo inédito porque sei que as portas do Refúgio dos Lordes excepcionalmente se abrem para aqueles escribas de fama e glória, uns poucos privilegiados.

Um dia lá chegarei, quem sabe, se a sorte ajudar. Poderei então encontrar a designação exacta. Por ora, não. 

No Parlamento
















Jerónimo de Sousa do PCP interpela o Chefe do governo:


- Senhor Primeiro-ministro, isto está de tal maneira que até as raparigas licenciadas têm que se prostituir para sobreviverem.



O Primeiro-ministro com o seu sorriso responde:

- Lá está o Senhor Deputado a inverter tudo...    o que se passa, é que hoje o nosso sistema de ensino está tão bom, que até as prostitutas já são licenciadas.


Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)


Episódio Nº 235





















Antes de mais, a disciplina não falta entre estes. Não têm desprezo pela obediência. Sob a ordem do chefe, vão, vêm; veste-se o hábito que ele dá e não se espera e não se espera de outrem nem a roupa, nem a alimentação.

Tanto na vida como nas vestimentas evita-se o supérfluo; reserva-se a atenção para o necessário. É a vida em comum levada na alegria e na mesura sem mulher nem filhos. E para que a perfeição angélica seja realizada todos habitam na mesma casa sem nada possuírem em particular.

Entre eles, não há referências de pessoas, julga-se segundo o mérito e não de acordo com a nobreza. Nunca uma palavra insolente, uma tarefa inútil, uma gargalhada excessiva, um murmúrio, por mais fraco que seja, ficam impunes.

Detestam o xadrez, os jogos de azar, têm horror à caça com galgos e a cavalo e nem sequer se divertem com a caça de altanaria com quem tantos se deleitam.

Os mimos, os que lêem a sina, os jograis, as canções jocosas, as peças de teatro são, a seus olhos, tão cheias de vaidade e de loucura que se afastam delas e as abominam.

Têm os cabelos curtos porque sabem que, segundo as palavras do apóstolo é vergonhoso para um homem cuidar da cabeleira. Nunca se penteiam e raramente tomam banho!

É assim que são vistos, descuidados, hirsutos, negros de poeira, com a pele queimada pelo sol e tão bronzeada como a sua armadura!»


As reacções àquelas palavras foram divertidas. Afonso Henriques, por exemplo, torceu o nariz quando Ramiro disse que os Templários tinham horror à caça. O meu melhor amigo não podia aprovar tal restrição! Já Fátima fez uma careta repugnada quando ouviu dizer que os Templários raramente tomam banho.

Os costumes muçulmanos incentivavam os banhos diários e higiénicos, e ela não entendia aquela apologia da sujidade que era, aliás, contraditória com a apresentação do momento, pois as cotas de malha dos monges guerreiros resplandeciam ao sol e os seus mantos brancos apresentavam-se diáfanos e puros.

De qualquer forma, isso não foi o mais importante. Mal Ramiro terminou, gerou-se uma certa confusão. Os monges teriam de ser benzidos pelo bispo, um a um, e distraímo-nos quando o processo começou.

 O pastor foi o primeiro a avançar, e os olhos estavam postos nele. Todos esquecemos Mem e as três mouras que, aproveitando a agitação gerada pela bênção dos Templários, desapareceram.

Os quatro correram pela rua aliviados, e o almocreve sugeriu que fossem para o seu celeiro onde ninguém os iria procurar.

Zaida deu um gritinho feliz e desceram para a Almedina. Quando entraram a correr no barracão de Mem, este fechou a porta. No entanto, e como sempre, Fátima, não quis brincadeiras  e o almocreve sugeriu-lhe que se sentasse à entrada a apreciar uns tecidos que trouxera de Lisboa.

Já em cima da palha, ao fundo do celeiro Mem estendeu uma grande manta e logo Zaida e sua mãe se deitaram nela.

quinta-feira, abril 07, 2016

Vital Moreira

Ir à raiz

 Vital Moreira













1. Depois de Paris, os mortíferos atentados de hoje em Bruxelas indicam que a vaga terrorista não vai ficar por aqui e que a Europa vai precisar não somente de muito investimento em segurança e defesa contra a barbárie do terrorismo islâmico mas também de muita resistência política e moral para não ceder ao medo nem às tentações populistas para abdicar das garantias e dos procedimentos do Estado de direito.


2. Não se pode pensar em livrar a Europa do terrorismo islâmico enquanto o seu mandante, organizador e financiador, o "Estado Islâmico", continuar a existir no território do Iraque e da Síria, cortesia das ilusões "neocon", primeiro dos Estados Unidos e depois da França e da Grã-Bretanha, de "mudança de regime" pela intervenção armada externa no Médio Oriente.

Como aqui se advertiu bem cedo, a destruição do Daesh e a reposição da autoridade do Estado naqueles dois países deve ser a prioridade principal.


O "Estado Islâmico" declarou uma guerra sanguinária à Europa, que só pode terminar coma aniquilação e a erradicação do terrorismo islâmico na sua origem. Quanto antes!



Obs.

Em tempos, Mário Soares, sugeriu que fosse pago um imposto por todos os cidadãos europeus para a criação de um exército para defesa dos seus cidadãos.

A ideia do pacifista Mário Soares não pegou mas, quem melhor do que esse exército para, agora, "meter as mãos na massa" e ir, como recomenda Vital Moreira, lá, à Raiz do problema?...

Sempre, dada a gravidade do problema, me pareceu uma medida óbvia mas, para europeu tomar, é quase impraticável...

Os europeus, acima de tudo, não querem pagar impostos e, depois, com um bocadinho se sorte, talvez não lhes calhe a ele ainda da próxima vez...



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