sábado, junho 04, 2011

O Analfabeto Político


"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956)

LEOPARDO

O felino mais ameaçado de África. A África Selvagem já não existe, restam apenas pequenas manchas onde podemos observar vida selvagem genuina. A razão é simples e a mesma em todo o mundo: a população cresce e os "habitats" são rapidamente ocupados pelos seres humanos.

Um desses "habitats" ainda incólumes é o delta do Okavango, no Noroeste do Botwana. O leopardo passa muito tempo nas árvores que constituem um refúgio seguro para dormir, descansar e comer. Na altura pode observar melhor as suas potenciais presas. Clik na imagem para admirar melhor este maravilhoso animal.

HISTÒRIAS
DE HODJA

Um dos credores de Hodja aparece numa manhã a exigir o seu dinheiro.

“Não se preocupe” diz Hodja. “Na noite passada, a minha mulher e eu encontrámos uma maneira de lhe devolver o dinheiro. Vamos plantar uma sebe à frente da nossa casa e quando as ovelhas passarem por aqui, parte da sua lã ficará agarrada nela. Depois vamos recolhê-la, a minha mulher vai fiá-la e eu vou vendê-la no mercado. Com o dinheiro da venda vou pagar-te até ao último centavo.”

Ao ouvir isto o credor começa a rir alto. Diz Hodja:

“Tu és muito inteligente. Agora que já vês o teu dinheiro assegurado, até te podes dar ao luxo de rir”.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA





Episodio Nº 118




Cega e muda, faminta e sequiosa, Tereza aprendendo. Donzela mais do que donzela, virgem de mil cabaços, tudo é pela primeira vez; jamais Daniel sentira sensação igual, para ele também é descoberta e novidade. No despertar de Tereza prolonga o próprio prazer, mas não consegue deter a urgente e atrasada companheira, não pode contê-la.

Esvaída, os olhos fechados, desfaz Tereza o laço das pernas, mas Daniel permanece e prossegue devagar; com requinte e sabedoria vai buscá-la, de novo a transporta no voo do pássaro, agora sim, os dois juntos alcançam a graça de Deus.

Acendeu-se na noite de São João a fogueira de Tereza Batista e a tendo acendido nela se queimou Daniel, em fogo recente e vasqueiro mas de lavra rápida, em crepitar de suspiros, de ais afogados; nenhuma outra crescerá tão alta em calor e labaredas.

Depois dessa segunda vez, Daniel trouxe um cigarro do bolso do paletó e, deitando a cabeça no cálido regaço de Tereza, fumou enquanto ela lhe fez cafuné. Vou catar seus piolhos, anunciou, e riram os dois. Outro agrado não conhecia Tereza; aprendido na primeira infância com a mãe ainda viva, antes do desastre da marineti. Daniel apagou o cigarro na sola do sapato, guardando a bagana no bolso para não deixar rastro.

Voltou a deitar a cabeça no ventre da menina, ela sentia os loiros caracóis sobre o tufo negro, misturando-se os pelos numa cócega; no cafuné, Daniel adormeceu.

Tereza velou o sono do anjo, ainda mais belo em pessoa do que nas cores do quadro. Pensou em muitas coisas enquanto ele dormia. Recordou o vira-lata, Ceição, Jacira, os moleques, os brinquedos de cangaço e guerra, a tia com desconhecidos na cama, tio Rosalvo com os olhos de bêbado, a perseguição no terreiro, o tio a entregá-la, tia Filipa de anel no dedo, a viagem no caminhão, o cubículo na casa da roça, as fugas, a palmatória, a taca, o cinto, o ferro de engomar.

De súbito tudo ficou para trás, como se houvesse sido apenas caso de almas penadas, história de assombração contada por dona Brígida, maluquices da velha viúva.

Aquela noite de chuva humedecera a terra gretada e seca, brotaram ternura e alegria sobre a dor antiga e o medo pânico. Por nada do mundo voltaria às penas do capitão.

Agora pode morrer, não morrerá em falta, triste, na solidão e no medo. Melhor morrer que retornar ao leito do capitão, à gosma do capitão. Na roça, Tereza fora ver a moça Isidra pendurada de uma corda no quarto, a língua preta saindo da boca aberta, os olhos de espanto. Enforcara-se ao saber da morte de Juarez, seu homem, numa rixa de bêbados, apunhalado. Não falta corda no armazém; entre a partida do anjo e a volta do capitão terá tempo de sobra para preparar a laçada.


(clik na imagem)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


À ENTRVISTA Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS?”


A Bíblia Não Promove o Diálogo Entre Religiões



Com honestidade e humildade, o teólogo protestante e professor de Bíblia nos Estados Unidos, Jorge Pixley, escreve:

- “É necessário confessar: a Bíblia na sua mensagem central não promove o diálogo e a teologia inter-religiosa. Está dominada apenas pela vitória do "Senhor” na Reforma de Josias. Esta reforma, embora não tenha prevalecido em Judá, conseguiu inspirar os livros que passaram a ser a nossa Bíblia."

O "Não terás outros deuses diante de mim" é interpretado como uma rejeição da verdade de outras religiões e de outros deuses. Nas palavras de Jeremias 10, esses deuses são nada. O verdadeiro e único Deus é o nosso. No entanto, sobrevivem na Bíblia evidências de uma prática generalizada muito mais tolerante. Os israelitas até Josias frequentavam outros santuários e atendiam a outros deuses como Baal e Asherah que asseguravam fertilidade…

A "doutrina bíblica" não está consciente dos elementos importantes para um longo diálogo com outras tradições religiosas havidas em outros tempos. E Jesus parece ter estado disposto a considerar uma atitude mais aberta do que os judeus do seu tempo costumavam ter.

Seja como for, não podemos no século XXI, numa época em que as religiões se encontram, umas com outras, em qualquer recanto do mundo, senão aprender a abrir o diálogo necessário com outras religiões que não a nossa.

sexta-feira, junho 03, 2011

A GARRAFA TÉRMICA

Uma loira entra numa loja e vê uma coisa brilhante.
O que é isso? - pergunta ela.
- Uma garrafa térmica - responde o vendedor.
- E o que ela faz? - pergunta ela.
O vendedor explica:
- Ela mantém frias as coisas frias e quentes as coisas quentes.
A loira compra a garrafa térmica.
No dia seguinte ela a leva para o trabalho. Seu chefe, estranhando esse objeto brilhante, pergunta:
- O que é?
- Uma garrafa térmica - responde ela.
- E o que faz? - pergunta o chefe.
- Mantém quentes as coisas quentes e frias as coisas frias - responde a loira.
O chefe pergunta:
- E o que tem dentro?
A loira, satisfeita, diz:
- Duas xícaras de café e um suco gelado.

VÍDEO
O melhor amigo do homem...

video

NANA MOUSKOURI - JE CHANTE AVEC TOI LIBERTÉ

Nem de propósito, Nana está a cantar em 1982, em Berlim, sete anos antes da queda do Muro em 1989 que foi aplaudida por toda a Europa, no mesmo ano em que se desmembra o URSS. A privação da liberdade era então algo de concreto que custava vidas e humilhações. A Europa não pode esquecer esse passado recente. Tem de acreditar no seu projecto político e levá-lo para a frente. Nada há de mais importante para ela e para o mundo. Os fantasmas não morrem...


HISTÓRIAS


DE HODJA

Um homem dá uma palmada em Hodja com tanta força quanto pode e, em seguida, pediu desculpas: “Desculpe-me, eu cometi um erro. Pensei que você fosse um amigo meu”. Mas Hodja leva o homem à justiça. O juiz conhece o acusado e toma uma decisão muito branda:

- “A multa por uma palmada é uma moeda. Se você tiver uma moeda, dê-a ao Hodja. Se não a tiver vá a casa e trá-la aqui.” Então o homem vai a casa.

Hodja fica à espera algum tempo mas não há nem sinais do homem. Hodja, então, levanta-se dá uma palmada no juiz com toda a força que consegue e diz: “Quando ele trouxer a moeda é sua.”

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 117



Tereza começou sendo uma, terminou sendo outra naquela rápida noite de minutos corridos na ânsia e no desmaio, noite longa de cem anos de revelações e alvíssaras.

Ao recobrar-se da posse da qual despertou num suspiro, gemendo no primeiro gozo, gozo prolongado, violento, de coração e entranhas, gozo da ponta dos pés às pontas dos cabelos, Tereza sentiu Daniel a seu lado, tomando-a pela cintura, trazendo-lhe o corpo agradecido para junto do seu:

- Você é minha mulherzinha querida, uma tolinha que ainda não sabe nada, mas vai aprender como é gostoso, vou lhe ensinar coisa por coisa, você vai ver como é bom – e a beijou de leve.

Tereza nada respondeu, sorriu ainda desfalecente. Se tivesse ânimo lhe diria para principiar de imediato, com urgência, pois restavam-lhe apenas algumas horas, depois nunca mais.

Compromisso irrevogável na agenda dos pagodes do capitão, apenas o do fandango na noite de São João, em casa de Raimundo Alicate. Na noite de São Pedro tanto podia volver ao arrasta-pé em busca de novidade como ficar na pensão de Gabi, bebendo cerveja com as raparigas, sem hora certa de regresso; cedo ou tarde, imprevisível. Depressa, meu anjo, depressa, não há um minuto a perder, diria se não lhe faltassem voz e ânimo.

Apenas nele de novo se encostara, peito contra peito, perna contra perna, coxa contra coxa, e o desejo recém desperto, jovem e exigente, voltou a se acender. Nada disse, mas veio descendo a mão pelo corpo de Daniel, tocando cada polegada; estendeu o braço para alcançar os pés e os acariciou. Dava preferência aos cabelos do peito, neles enfiando as mãos de dedos abertos: pente que te penteia também os caracóis da cabeça. Assim foi aprendendo. Com a boca aflorou os lábios de Daniel. Minha querida ainda não sabe beijar, deixa lhe ensinar. Gigolô de vocação, quase de ofício, Daniel encontrava real prazer no prazer da companheira de cama, rapariga nova e ansiosa ou velha rica e snobe. Vou te fazer gozar, como nunca mulher nenhuma gozou; e cumpria o esforço prometido, por dinheiro ou de graça, por xodó desvairado.

Lábios, dentes e língua, Tereza aprendendo a beijar. As mãos de Daniel multiplicando sensações, nos redutos mais secretos, no poço húmido do ventre e na cacimba oculta dos abismos das ancas. As mãos de Tereza descobrindo outras preferências: os pêlos de baixo, fofo novelo de lã, o pássaro dormindo despertando a seu toque. As bocas de cobiça, a dele sabendo onde buscar a ânsia escondida, a dela, embora estreante no trato do beijo, revelando-se sôfrega e audaz.

Logo o pássaro, nos dedos de Tereza, se alçou impetuoso para a vertigem do voo enquanto os dedos de Daniel revelavam mel e orvalho na madrugada do poço onde a rosa de ouro desabrocha impaciente. Não podendo mais suportar tamanha preparação, a caprichosa aprendiz – esta menina aprende depressa, tem capricho, basta lhe explicar uma vez, dizia a professora Mercedes Lima no tempo morto de antigamente – desprendendo-se do abraço, pôs-se em posição de espera, deitada de barriga para cima, as pernas abertas, exposto ao voo do pássaro o ninho de carvão e ouro.

Caiu na risada Daniel e disse não: para que repetir, minha querida, se variadas e múltiplas são as posições, cada qual com seu nome, cada qual mais supimpa, em todas te educarei.

Voltou a colocá-la de banda, contra seu peito, e suspendendo-lhe a coxa, de lado a teve, os dois enredados um no outro e, sem que ninguém lhe ensinasse, nas pernas de torquês Tereza o prendeu pela cintura e no colchão rolaram. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:

“O NOME DE DEUS?” (4)



Ontem, Como Hoje…

A violência religiosa não é coisa do passado, dos livros de história. Não é algo apenas do Islão. Em tempos recentes tem havido massacres e guerras entre cristãos maronitas e muçulmanos, entre muçulmanos sunitas e xiitas, incluindo sírios, palestinos e drusos israelitas. Também entre os iranianos e iraquianos, indianos e paquistaneses, hindus e sikhs, budistas, entre os tâmeis cingaleses (maioritariamente hinduístas mas também cristãos e muçulmanos)) e hindus. Há diferenças entre os monges budistas e os líderes católicos do Vietname, e entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte.

Embora haja sempre interesses económicos ou políticos misturados em todos estes conflitos há, e sempre houve, uma violência que tem raízes puramente religiosas e isso significa a existência de uma lógica de que cada um desses grupos julga que o “verdadeiro” Deus está “connosco” com a nossa religião, com a nossa nação, e isso permite tudo contra os “outros ".

quinta-feira, junho 02, 2011

Árvore Genealógica

Crónica do Luiz Fernando Verissimo, filho do Erico Verissimo, que publica semanalmente na folha de S. Paulo, a não perder:

- Mãe, vou casar!

- Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?

- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

- Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.

- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

- Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.

- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...


- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?

- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

- Tá ! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?

- Por quê ?

- Por nada. Só pra eu poder avisar seu pai com antecedência.

- Você acha que o Papai não vai aceitar ?

- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metades com bigode.

- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.

- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.

- A Bel já tá namorando.

- A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?

- Uma tal de Veruska.

- Como ?

- Veruska...

- Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

- Mãe !!!...

- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

- Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

- Quando ele era hétero... A Veruska.

- Que Veruska ?

- Namorada da Bel...

- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem ?

- Da Bel.

- Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...

- Isso.

- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

- Em termos...

- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito.E dois pais: a Veruska e a Bel.

- Por aí...

- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.

- Exato!

- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

- Entendeu o quê?

- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

- Que swing, mãe?!!....

- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

- Mas..

- Mas..........Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...

- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...

- Nós ajudamos.

- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...

- Que.. ?

- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser lixado...

(Luiz Fernando Veríssimo)

CURIOSIDADES

O que estão a ver são os sanitários dos Banhos Públicos reservados às pessoas ricas e importantes da cidade de Éfaso, na Turquia, há dois mil anos. Cidade antiga, que tive a sorte de já ter visitado por três vezes, fundada há mais de cinco mil anos, ainda na idade do bronze. Depois de ser dos Persas, Alexandre O Grande, em 344 A.C. tomou-a até que, em 133 A.C., o Rei Attolos deixou-a em herança aos Romanos e começou então uma época brilhante para Éfaso que viria a ser a cidade mais importante da Ásia Menor com cerca de 200.000 habitantes. Isto, a propósito dos sanitários destes Banhos Públicos reservados aos ricos, totalmente feitos em mármore, como, de resto, toda a cidade de Éfaso. No piso inferior a estes sanitários existia uma piscina de água aquecida e músicos para retemperar dos maus cheiros que por ali existiam...

Como é sabido, a pedra mármore absorve com facilidade o calor ou o frio e de Inverno, os senhores faziam-se acompanhar dos escravos para se sentarem primeiro e aquecerem a pedra. Coisas de ricos... ontem como hoje...




VÍDEO


Paciência de gato...

video

NANA MOUSKOURI - JE CHANTE AVEC TOI LIBERTÉ


A europa precisa de ser agitada, emocionada, levada às suas raízes, aos seus princípios, aos seus alicerces, aos seus valores e para isso ninguém melhor que Nana Mouskouri: europeia, grega, mulher da cultura, amante da liberdade.

HISTÓRIAS
DE HODJA

Un dia Hodja entra num jardim e sobe a um damasqueiro. Enquanto está ocupado a colher damascos, o proprietário corre até ele: “O que é que você está a fazer?”.

“Eu sou um rouxinol”, explica Hodja. “Eu estou a cantar”.

O homem desafia: “Muito bem, vamos ouvir a sua música”.

Tentando cantar como um rouxinol, Hodja emite sons terríveis.

O dono do pomar fica horrorizado: “Que tipo de rouxinol é esse?”.

O Hodja diz: “Os rouxinóis novatos cantam assim”.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 116






Com Tereza, porém, é diferente. Nem esposa nem mãe de filhos, sequer amásia ou xodó de rendez-vous, simples moleca, que respeito podia dedicar-lhe o capitão? No entanto, ali está parada, em silêncio à espera. Não sabe sequer beijar, boca hesitante, incerta. Não chora, não exibe remorso, não se nega, não se lastima, parada à espera. Garota de quinze anos, o corpo ainda em formação, a crescer em beleza, ao mesmo tempo madura, sem idade precisa, quem sabe contar os anos no calendário do padecimento? Não será Daniel, com certeza, inconsequente moço da capital, leviano e petulante nos amores fáceis; para o belo Dan das velhotas, a menina Tereza é obscuro, indecifrável mistério.

Mas constata a formosura do corpo e da face e nela se compraz; Tereza é toda ela de cobre e carvão, carvão nos olhos e nos cabelos corridos. Os seios, dois seixos do rio molhados de água, a longitude das pernas e coxas, o ventre terso, as coxas roliças, a bunda ainda adolescente numa ostentação de opulência.

Sobre o traço florado da calçola apenas a rosa plantada no vale de cobre, não quis Daniel desvendá-la por ora. Depois tomará da rosa escondida no tempo justo. E o resto, Daniel?
Calada, Tereza à espera.

Uma vez na vida, Daniel não sabe as palavras.

Despe a camisa e as calças. Os olhos de Tereza se enternecem ante a visão do corpo do anjo, os cabelos do peito, a barriga lisa, os músculos das pernas; quando Daniel tirou os sapatos e as meias, ela viu-lhe os pés magros, de unhas tratadas, seria um prazer lavá-los, cobri-los de beijos.

Estão diante um do outro, Daniel sorri, ainda sem palavras para Tereza. Palavras conhece muitas, todas bonitas, inflamadas de paixão, frases de amor, até versos escaldantes do meritíssimo. Palavras todas elas gastas de tanto dizê-las a velhas senhoras, a casadas fogosas, a românticas raparigas dos cabarés e pensões, nenhuma delas para a menina posta em sua frente. Sorri e Tereza responde ao sorriso; ele vem e a abraça, corpo a corpo.

A mão de Daniel desce até à calçola, mas antes de retirar o trapo florido, sente na ponta dos dedos a cicatriz. Curva-se para ver: marca de antiga ferida e no centro uma perfuração como se a houvessem furado com um prego. O que foi isso querida? Porque tanto quer saber, porque perturbar com perguntas e respostas o tempo único desta curta noite que talvez nunca mais se repita? Foi a ponta da fivela do cinto, numa das surras. Ele lhe batia muito? Com a taca de couro cru? Ainda bate, mas porque deseja saber, porque se afasta, deixa de tocar-lhe o corpo e a fita com um ar de anjo perplexo? De que se espanta? Quem sabe, não acredita, mas o anjo do quadro no outro cubículo, na casa da roça, esse a tudo assistiu, a taca e o ferro de engomar.

Sim, ainda bate; por qualquer bobagem, o castigo, um nada, um erro nas contas, e a palmatória entra em cena; mas que lhe adianta saber, se não tem jeito a dar? Não pergunte mais nada, a noite é curta; daqui a pouco, extintas as fogueiras, silenciarão as harmónicas pondo fim a danças e fandangos – na barra da manhã o capitão de regresso ocupará a cama de casal e a escrava.

Mais além do egoísmo, da trêfega desfaçatez juvenil, do sentimental superficial, da inconsequente aventura, o moço Daniel comovido – se vê cada coisa no mundo! – pondo-se de joelhos, beija a cicatriz no ventre de Tereza. Ai, meu amor! Dizendo a palavra amor pela primeira vez.

Noite curta, longa de cem anos. (clik na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:

“O NOME DE DEUS?” (3)



A "Guerra Santa"

Houve violência e ainda a há no Islão, dentro islamismo, entre outras razões, porque o seu profeta, Maomé (Muhammad), para além de ser creditado, perante os seus seguidores, como tendo recebido a revelação divina do Corão, foi um guerreiro coroado por sucessos militares.

Depois das conquistas militares de Maomé, a fé muçulmana difundiu-se, principalmente por canais pacíficos: comércio e pregação dos missionários. A partir do século VIII, as conquistas militares do Islão como as da Península Ibérica, levaram a uma dominação política debaixo da qual as três religiões monoteístas coexistiram pacificamente: o islamismo, o cristianismo e o judaísmo. No entanto, o Islão está marcado pelo conflito.

De acordo com Dominique Urvoy, Professor de Islamologia, na Universidade de Toulouse-Le Mirail, França, desde a sua fundação, o islamismo estava marcado pela divisão. De acordo com Urvoy, “O Islão se construiu sobre uma oposição tripla. A oposição do profeta Maomé aos outros profetas contemporâneos. Depois a oposição entre os que acreditavam e os que não acreditavam e, finalmente, a oposição entre os herdeiros do Profeta e os "usurpadores" que culminou na divisão entre xiitas e sunitas”. Esta oposição trouxe também inúmeras guerras entre facções muçulmanas.

Até hoje, continua a citar o Corão como um texto que exorta os muçulmanos à jihad, palavra que não está correctamente traduzida como "guerra santa" mas sim como apenas "o esforço no caminho até Deus."

E isso significa um esforço moral contra as próprias imperfeições feitas em nome de Deus. Na opinião dos verdadeiros muçulmanos, somente um caso extremo requer o esforço de guerra para lutar militarmente contra os inimigos da fé.

quarta-feira, junho 01, 2011

ELVIS PRESLEY & MARTINA McBRIDE - BLUE CRISTMAS

É um encontro apenas digital que em tempos já trouxe aqui ao Memórias Futuras. Elvis está a cantar em 1968 e morreu em 1977. Ela, Martina, "entra" neste dueto 40 anos depois, em 2008. É um vídeo excelente, difícil de acreditar para os não especialistas que se trata de uma montagem. Prodígios da tecnologia e sempre um prazer para os ouvidos.

Histórias de Hodja

Os filhos do vizinho recolhem um punhado de nozes e pedem a Hodja que as reparta entre eles. Hodja pergunta se eles querem uma partilha divina ou preferem ou uma divisão humana. Os meninos dizem que preferem uma partilha divina.

Então ele dá cinco nozes a alguns, a outros dez e a um deles apenas uma. Os meninos não estão satisfeitos: “Hodja, que tipo de partilha divina é essa?”

- “Esta é a forma” disse Hodja, “como Deus reparte: muito para alguns, pouco para outros e nada para os outros…”

Em seguida, os meninos decidiram mudar para partilha humana. Hodja, aborda assim um por um para que cada criança receba o mesmo montante.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 115




- Tem um aqui, outro na roça. É onde ele…

- Já ouvi falar, vãos até lá, este aqui é danado.

Naquele colchão muitas deitaram, ali violadas ou apenas possuídas, garotas novas a maior parte; tantas ali apanharam, gemeram, espernearam, comidas no grito, na bofetada, no soco, na taca (taca larga, de um couro só, diferente da outra, a da roça), sangue sobre o descolorido pano, argolas no colar do capitão.

O lençol ainda guarda o suor da última menina a estender-se no colchão, uns vinte dias antes, uma pobre demente que se pusera a rezar em voz alta, a invocar de joelhos a virgem e os santos ante a visão de Justiniano Duarte da Rosa nu e de cacete armado. É São Sebastião, proclamou em êxtase, provocando-lhe incontrolável frouxo de riso, um daqueles. O capitão a comeu na ladainha; as rezas, a invocação do nome da Virgem, os gritos, as gargalhadas, o choro da criança. São Sebastião ou o Demónio do Inferno?

Tereza, no outro lado da casa, sozinha na cama, não pudera dormir sua noite de folga. Não durou mais de quatro dias, não aguentando o capitão com tanta reza e leseira e, não havendo, e, não havendo vaga para maluca na pensão de Gabi, ele a devolveu aos pais com uma cédula de dez mil-reis e pequena metalotagem.

35

Ali pelo menos não estocam fardos de toucinho, carne seca, peixe salgado. Num dos pregos da parede, Daniel pendura a capa, paletó e gravata. Assobia de admiração ao ver a taca; estremece ao pensar na dor da pancada do pedaço de couro cru.

Tira o vestido, querida, senão você vai se resfriar. Mas foi ele quem o retirou, e com o vestido veio o porta seio, restando sobre o corpo de Tereza apenas a calçola de chitão florado. Flores de um vermelho esmaecido, Tereza novamente em silêncio à espera. Os seios erguidos, à mostra, não tenta escondê-los. Meu Deus, pensa Daniel, será que ela não sabe nada? Comporta-se como se nunca estivesse estado num quarto a só com um homem para com ele deitar-se e fazer amor. No entanto deve saber, tem de saber, certamente; vive com o capitão Justo há mais de dois anos, com ele na cama; ou então que espécie de animal é esse Justino Duarte da Rosa com a taca de couro?

Daniel das velhotas, Daniel das madames, gigolô de raparigas, por vezes lhe acontecera pegar mulheres casadas (algumas com muitos anos de matrimónio) mães de filhos, e não obstante virgens de qualquer sensação de prazer, apenas possuídas e engravidadas. Em casa com a esposa, o dever, o respeito, o pudor, cama de fazer filhos; na rua, com amásia ou rapariga, o prazer, o requinte, cama de luxúria, libertina – essa a divisa, o comportamento de muitos maridos de alta moralidade familiar. Famintas mulheres, no primeiro encontro de amante, desfaziam-se em vergonha e remorso, em choro de pecado: “Ai, meu pobre marido, sou uma louca, uma miserável, desgraçada, o que vou fazer? Ai, minha honra de casada!”. Dan era o oficial competente do ofício, consolador de primeira, próprio para enxugar lágrimas.

Competia-lhe ensinar a essas vítimas da rígida moral dos virtuosos consortes as escalas todas do prazer. Rapidamente aprendiam deslumbradas, gratas, insaciáveis e absolvidas de qualquer culpa, limpas de pecado, isentas de remorso, com sobradas razões para o adultério. Como tratar marido que, por preconceito masculino ou por sumo respeito, considera a esposa um vaso, uma coisa, um corpo inerte, pedaço de carne? Aplicando-se na testa excelsa um par de chifres, dos bem lustrosos, florados no prazer da rua. (clik na imagem para aumentar)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTRVISAT Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS” (2)



Monoteísmo e Violência

Os monoteístas defendem uma verdade absoluta revelada pelo próprio Deus através das pessoas e de escritos sagrados. Os politeístas não são tão pretensiosos: os deuses comportam-se como seres humanos e, como seres humanos, podem ser tolerantes ou não. Isso explica que gregos e os romanos estivessem dispostos a incluir o deus dos judeus em seu panteão e os judeus nunca tenham aceite no seu Templo os deuses "pagãos", dos "gentios".

É por isso que as religiões que acreditam que o "único" e o “verdadeiro” deus é o seu, comportam-se como ninhos de intolerância e violência. A história mostra que há uma especial violência nas religiões voltadas para fora, proselitistas, missionárias, militantes, que procuram expandir-se, convencer e vencer. Assim é, e assim têm agido o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Os Sikhs também protagonizaram a guerra contra os hindus e muçulmanos.

Houve violência e "guerras santas" no Judaísmo: Yahvéh é um deus tribal, guerreiro e invejoso, é o "Deus dos exércitos." Houve violência, abundante e cruel, no Cristianismo, as Cruzadas e a conquista da América em particular. Houve-a durante séculos entre diferentes grupos dentro do Cristianismo: guerras do Papado de Roma contra todos os tipos de "hereges", guerras de católicos contra protestantes e de protestantes contra católicos, de calvinistas contra os católicos, de luteranos contra os anabaptistas, de católicos contra os huguenotes… guerras incontáveis pelos apelidados “cristãos”.

terça-feira, maio 31, 2011

Como seria noticiada hoje em Portugal a história do Capuchinho Vermelho...


Na TV Portuguesa:

TELEJORNAL - RTP1



- Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de
ontem... mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia" .


JORNAL DA NOITE - SIC

- Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó!
Esta é uma história aterradora mas com um final feliz... o Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"

JORNAL NACIONAL - TVI

- ... Onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona?
Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores?
Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma lambada na cara da actual governação portuguesa.
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para: 707696901 se acha que a culpa é do lobo;
707696902 se acha que a culpa é do capuchinho; 707696903 se acha que a culpa é do governo.

Na Imprensa Portuguesa:

CORREIO DA MANHÃ
Governo envolvido no escândalo do Lobo.

JORNAL DE NOTICIAS
Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

Revista MARIA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

A BOLA
Lobo será reforço de inverno na Luz.

JOGO
Mourinho quer Caçador no Real.

LUX
Na cama com o lobo e a avó.

EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".
Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

PÚBLICO
Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS.

O PRIMEIRO DE JANEIRO
Sangue e tragédia na casa da avozinha.

CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:
Na banheira de hidromassagem, Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."

MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:
Veja o que só o lobo viu.

SOL
Gravações revelam que lobo foi assessor político de Sócrates

TOM JONS - UNCHAINED MELODY

Nasceu em 1940, cantor de música Pop do País de Gales embora resida nos E.U. visita frequente da sua terra natal. Casou cedo, aos 16 anos, e foi pai muito antes de ser estrela Pop. As suas muitas e divulgadas relações extra-conjugais, uma delas com a ex-Miss Mundo de 1973 não impediram, contudo, que permanecesse casado e seja um homem de família.

Histórias de Hodja




Hodja vai aos banhos muito mal vestido. Os assistentes também o tratam mal e dão-lhe uma toalha toda rasgada. Após o banho, Hodja dá aos assistentes 10 moedas como gorjeta e eles ficam surpreendidos pela gorjeta tão abundante.

Algum tempo depois, Hodja vai aos mesmos banhos. Desta vez os assistentes dão-lhe tratamento real. Após o banho, dá uma moeda como gorjeta e diz à plateia atónita: “Na última vez dei-vos a gorjeta de hoje, hoje dei-vos a gorjeta da última vez”.

TEREZA


BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 114







Então Dan a tomou e suspendeu nos braços e, mantendo Tereza deitada contra o seu peito, sob a chuva a carregou do portão do quintal até à entrada da sala; nas velhas revistas de Pompeu e Papa-Moscas os noivos do cinema assim transportam as noivas nas noites de núpcias.

Na entrada da casa a depôs, sem saber onde ir. Tomando-o pela mão, Tereza atravessou a sala e o corredor, até ao fim, onde abriu a porta de um pequeno quarto entulhado de sacos de feijão, espigas de milho, latas, fardos de jabá e toucinho – e um catre de varas. No escuro, Daniel tropeçou nas espigas:

- Vamos ficar aqui, é?

Fez que sim com a cabeça, Daniel a sente trémula, medo com certeza.

- Tem luz?

Tereza acende uma luz pendurada do teto. Na luz fraca e triste, Daniel percebe o sorriso de desculpas, é uma menina apenas.

- Quantos anos você tem minha linda?

- Fiz quinze anteontem.

- Há quantos anos vive com o capitão?

- Vai para mais de dois anos.

Porque tantas perguntas? A água da chuva escorre da capa de Daniel, do vestido de Tereza grudado na pele, faz poças no chão de tijolos. Tereza não deseja falar no capitão, relembrar coisas passadas, ruins. Tinha sido tão bom em silêncio e no escuro, no portão do quintal, apenas lábios e mãos a tocá-la. Que interessa ao saber se o Justiniano foi o primeiro e o único, por que indaga ali parado, pingando chuva e frio? Primeiro e único, não houve outro, o anjo do quadro a tudo assistiu e sabe. Deixa de fazer atenção às perguntas para ouvir apenas a música da voz, ainda mais de quebranto do que o olhar, voz nocturna de preguiça e de cama (ouço tua voz, quero cama com urgência, definia Madame Salgueiro, da alta sociedade baiana, ressoando em Tereza.

Não responde às perguntas: como veio parar em casa do capitão, onde estão seus parentes, seus pais e irmãos? Sem mesmo dar-se conta, no embalo da voz, repete o gesto de Daniel no primeiro encontro a sós, no armazém: emoldura-lhe a face com as mãos, beija-lhe a boca. Dan recolhe nos lábios experiente o primeiro beijo dado pela inábil boca de Tereza e o sustenta e prolonga ao infinito.

Adivinhei seu aniversário e lhe trouxe um presente – entrega-lhe a figa encastoada em ouro.

- Como ia saber? Só quem sabe sou eu – sorri mansa e feliz a olhar o pequeno balangandã - É linda, só que não posso aceitar, não tenho onde guardar.

Esconda em qualquer parte, um dia poderá usar. – Um cheiro húmido de carnes e toucinho sobe do chão. – Me diga, não tem outro lugar?

-Tenho o quarto dele, mas tenho medo.

- De quê se ele não vai vir tão cedo? Antes dele chegar, já saí.

Tenho medo que ele adivinhe se alguém entrar em seu quarto.

- Não tem outro?

- Tem outro mas é igual a esse, cheio de mercadorias, é onde Chico dorme, tem a cama e as coisas dele. Ah! tem o do colchão.

- Do colchão?

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS” (1)


Um Nome Impronunciável


Para os judeus, o Judaísmo, a religião onde Jesus cresceu, o nome de Deus é impronunciável. Esse nome é o tetragrama (quatro letras) YHVH. Os judeus não pronunciam esse nome.

Composto por quatro consoantes é inefável. Para o pronunciar tem que se inserir as vogais e isso, para os judeus iria encerrar esse nome e daria ao ser humano o poder do divino, limitaria o poder de Deus. “Não se pronuncia esse nome, apenas se contempla”, dizem os judeus piedosos. No Tetragrammaton revela-se também a cultura judaica, apegada ao texto, à leitura, às Escrituras. O alfabeto hebraico tem apenas consoantes. Ao ler, o leitor deverá inserir as vogais e leitura, torna-se assim, uma criação, uma interpretação.

As Religiões Monoteístas

Na história das religiões, o "inventor" do monoteísmo (Deus é o único) foi Moisés. Mas, durante séculos, o monoteísmo dos judeus que seguiram a "invenção" de Moisés não consistia em afirmar que não havia outros deuses, mas para afirmar e impor a supremacia do Deus de Israel, o Senhor, sobre os deuses de povos vizinhos.

Os pilares sobre os quais se construíram as religiões patriarcais da antiguidade foram dois: o politeísmo (muitos deuses, cada um responsável por uma parte da realidade: água, terra, inteligência, amor, etc…) e o antropomorfismo (deuses com características humanas).

Moisés promulgou a supremacia absoluta do Senhor Yahvéh (Deus) acima de todas os outros. E estabeleceu a proibição de fazer imagens de Deus. Isto constituiu uma novidade muito importante contra o politeísmo e antropomorfismo. A outra novidade religiosa trazida por Moisés foi colocar a moralidade, entendida como a obediência à lei, mais do que os cultos e rituais, como caminho para agradar a Deus.

São religiões monoteístas o Judaísmo, o Cristianismo, apesar do aspecto confuso do dogma da Santíssima Trindade, o islamismo e na Índia, o Sikhismo, religião fundada pelo Guru Nanak e desenvolvida do início do século XVI, no contexto do conflito entre o hinduísmo e o islamismo. Os Sikhs, 23 milhões de pessoas, na Índia 19, são, pelo número de fiéis, a quinta religião do mundo a acreditar em um só deus tal como as outras três religiões monoteístas e baseiam a sua fé num livro sagrado, o Gurú Granth Sahib.

segunda-feira, maio 30, 2011

Vantagens de ser advogada




Uma advogada vai a entrar num motel com o seu amante, quando vê, de repente, que o seu marido vem a sair com outra.

Então ela grita:

- Aháááááá!!! - Maaaaaldiiiiiiiito!! Pulha!!!!!!!!!!!Cachooooorrooooo!!!!!!!
- Bem me avisaram!!!!!

- Apanhei-te seu bandido!!!!!! Não podes negar que eu até trouxe uma testemunha!!!!!

VÍdeo



Os automobilistas que vinham à esquerda, em sentido contrário, seriam as potenciais vítimas deste condutor caso não houvesse um objecto na estrada...

video

ÁUREA - Busy (for me)

Este nosso talento alentejano está de parabéns: A SIC atribui-lhe ontem um troféu pela reconhecida qualidade da sua voz e esplêndida capacidade interpretativa... merecido, é uma delícia ouvi-la.


HISTÓRIAS DE HODJA


Hodja tem um casamento “arranjado”. De acordo com os costumes da época, ele vê o rosto da noiva pela primeira vez, na noite de núpcias. E ela é muito feia.

No dia seguinte, quando eles saem juntos, ela pergunta ao Hodja: “Diga-me a quem devo mostrar a minha cara e a quem não”.

Hodja responde: “Podes mostrar o teu rosto a todos, desde que não o mostres a mim”.

TEREZA

BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA



Episódio Nº 113





Milagre mais faceiro seu moço perguntador e muito apreciado, como trovou o cego Simão das Laranjeiras nos caminhos de Sergipe:

Foi um milagre maneiro
Singelo e verdadeiro
Com Tereza sucedido
De noite descabaçada
De dia virgem tampada.
Que me dera sucedesse
com minha velha um desses.

Há quem despreze milagres, não serei eu.

34

Aquela noite, longa de cem anos de duração, começou ali, no quintal, sob a chuva. Tereza em seus braços, Daniel beija-lhe o rosto os olhos, nas faces, na fronte, na boca. Como pode, em momentos de uma hora, transformar-se uma coisa de ruim em boa, de desgraça em alegria? Na cama, com o capitão, retesa, um nó na garganta, um bolo no estômago, asco e repulsa no corpo inteiro, por fora e por dentro. Ao sair do quarto para ir buscar a bacia com água, quando, por fim, ele a soltou, Tereza cuspira uma golfada azeda de vómito.

O vestido de chita colado ao corpo, aconchegada ao peito de Daniel – mão arisca toca-lhe o seio, lábios de chuva percorrem-lhe o rosto – Tereza é tomada por sentimentos e sensações para ela desconhecidos: moleza a descer pelas pernas, nasce-lhe um frio no ventre, um calor lhe queima as faces, súbita tristeza, vontade de chorar, vontade de rir, alegria igual só teve ao tocar a boneca na roça – solta a boneca, peste – ânsia e bem-estar tudo misturado, ah! Como é bom.

Mal ouvira o caminhão arrancar, o ruído da máquina perder-se na distância, correra a lavar-se com a água trazida na bacia para o capitão e que ele não usara na pressa de sair para a festa. Saíra com atraso, ainda estava se vestindo quando o sino da igreja badalou as nove horas; nove horas em ponto dissera o anjo, Tereza não tinha tempo de bombear água do poço para um banho completo. Na bacia de rosto – bacia dos pés de Justiniano na hora de dormir – limpou-se do capitão quanto pôde, de seu suor, de sua gosma, de seu cuspo, da gala ainda a correr-lhe nas coxas. Mas a sentia por dentro a sujar-lhe as entranhas. Ali, junto ao portão, a chuva a lava e limpa.

O coração de Tereza pulsa de encontro ao peito de Dan e ela fita a face do anjo Gabriel descido dos céus, os lábios dele são donos de sua boca, onde a ponta da língua tenta penetrar. Tereza não reage, deixa-o fazer mas ainda não participa, ainda fechada no medo e no asco.

Ali, no quintal, no começo da noite desmedida, quando Daniel lhe abriu os lábios e com a língua e dentes invadiu a sua boca, renasceu em Tereza o ódio antigo, o sentimento que a sustentou por dois meses enfrentando o capitão, antes do medo pânico fazê-la escrava. O medo persiste mas Tereza recupera o ódio, a primeira conquista na noite de retorno. Por um instante o ódio a domina, cobrindo a tristeza e a alegria, fazendo-a de tal maneira tensa que Daniel deu-se conta de algo estranho e suspendeu a carícia. A chuva o impediu de ver o clarão do relâmpago nos olhos da menina; se o tivesse visto seria capaz de entender?

Sem o suspeitar, Daniel atravessa por entre o medo e o ódio – beija-lhe os olhos, os lábios, a face, suga-lhe a língua, os lóbulos das orelhas: Tereza se entrega, não pensa mais no capitão, um desafogo por dentro. Quando. Por um instante, ele a deixa respirar, ela, sem jeito, sorri e diz:

- Ele não volta antes de o dia clarear. Se quiser, a gente pode ir lá dentro.


(clike na imagem e aumente)

ENTREVISTA FICCIONADA

COM JESUS Nº 97 SOB O TEMA:

“O NOME DE DEUS?”



RAQUEL – Atenção, cabine, não passem mais chamadas… nem mais uma, entendes?

JESUS - O que está acontecendo, Raquel?

RAQUEL - Ainda problemas ... Existem pessoas muito aborrecidas com as suas últimas entrevistas e apelaram para as Telecomunicações para retirarem do ar as Emissoras Latinas... mas não se preocupe o nosso público. Se cortarem continuaremos a transmitir na Internet.

JESUS - O que aborreceu tanto essas pessoas?

RAQUEL - Tudo. Agora acontece que o senhor não fundou a igreja, nem fundou nenhuma religião, nem é o Cristo, e eles já não entendem nada…

JESUS – A procura de Deus é um longo caminho e ainda não terminou. Já irão entender…

RAQUEL - Agora, só falta o senhor mudar também o Deus em que acreditamos e ao qual temos rezado ...

JESUS – E como se chama esse Deus, Raquel?

RAQUEL - Bem, o senhor sabe que os judeus lhe chamam de Iahavéh mas para alguns cristãos é Jeová. E no Islão os muçulmanos conhecem-no como Alá. Qual é o verdadeiro nome de Deus?

JESUS - Iahavéh, Jeová, Alá... são todos nomes bonitos.

RAQUEL – E por todos se fizeram guerras invocando um Deus contra outro Deus. Mataram-se nas cruzadas, conquistas, guerras de religião ...

JESUS - Sempre Caim derramando o sangue de seu irmão ...

RAQUEL - E sempre em nome de Deus… ou pelos apelidos. Quando estudamos história na escola, aparecem os cristãos cátaros contra os cristãos romanos, os cristãos ortodoxos contra os romanos, os romanos contra os luteranos, já nem recordo que mais…

JESUS – Utilizaram o nome de Deus em vão. A Raquel não acha que não há maior insulto a Deus do que fazer a guerra em seu nome, para matar em seu nome?

RAQUEL - Sim, é um escândalo. E não é preciso ir para os livros de história. Hoje mesmo, enquanto transmitimos esta entrevista os judeus insistem que esta é a terra prometida por Deus e querem expulsar os palestinos daqui. O Ocidente cristão está em guerra contra os muçulmanos e os muçulmanos falam de "guerra santa" contra os países cristãos… O que acha?

JESUS – Parece-me uma arrogância acreditar que alguém tenha para si um Deus verdadeiro e o queira impor aos outros.

RAQUEL - Em todo o caso, Deus irá apoiar alguma religião específica? Poderíamos dizer que Deus é católico?

JESUS - Deus?

RAQUEL - Bem, pelo menos, Cristão ...

JESUS - Deus?... A Raquel é cristã e muitos dos seus ouvintes sê-lo-ão, mas Deus ...

RAQUEL - Deus, o quê?

JESUS - Deus não é cristão, judeu ou de qualquer religião. Deus é grande demais para ser limitada à religião.

RAQUEL – Então, não proselitismo, não missionários para salvar almas e converter infiéis? Nada de pregadores?

JESUS - São exactamente os pregadores que têm de se converter sim, com a humildade de perceberem que não sabem nada de Deus. Não haverá paz neste mundo até que eles entendam que todas as religiões são verdadeiras mas que em nenhuma cabe toda a verdade de Deus, sua Beleza e seu Amor.

RAQUEL - Em suma, "Deus não tem nome?

JESUS - Tem todos os nomes. Olha, eu tinha vários irmãos e minha mãe deu nome a cada um deles e nós pusemos nomes a ela. Eu sempre lhe chamei mamã, mas minha irmã mais velha deu-lhe para lhe chamar Palomita. Simão dizia o seu nome em aramaico, Maryam, e o mais novo sempre lhe chamou Mimia... Ela ria-se e a todos acolhia. Deus, é como uma mãe que escuta todos os nomes com que lhe chamamos.

RAQUEL – É uma bonita história mas eu não acredito que com ela convença Papas, talibãs, inquisidores e a todos os que continuam a matar por religião. E quando não matam, excomungam e condenam em nome de Deus.

JESUS - Terão que entender que o Deus dos Exércitos é um ídolo. Deus se chama paz. Shalom, na língua do meu povo. Salam, em nossos irmãos árabes. Paz para ti, Raquel!

RAQUEL - Com a saudação da paz de Jesus Cristo, quer dizer, Jesus sem Cristo... e de um local secreto na Galileia, Raquel Perez das Emissoras Latinas.

domingo, maio 29, 2011

HOJE É

DOMINGO



(Da minha cidade de Santarém)

A meio da campanha eleitoral deixei de ouvir os noticiários televisivos. Tenho alguma dificuldade em ver aqueles senhores que amanhã nos vão governar naquele estilo de vendedores de feira a apregoarem os seus “produtos”. Para além do mais, aquele ar festivaleiro não se coaduna com a situação que nos espera, mais do que aquela em que estamos.

É verdade que não temos alternativa ao sistema democrático e essa é mais uma razão para o aperfeiçoar-mos e, sendo certo que as regras do seu funcionamento interno são mais importantes, não é menos verdade que estes comícios com os políticos a saltarem de cidade para cidade, pulando de palanque para palanque, acompanhados de muita gente claramente arregimentada para fazerem número, gritando palavras que se repetem sem nada dizerem, finalizados com pequenos discursos para os repórteres da Televisão que os esperam e seguem de microfone em punho, eram bem eliminados, senão na totalidade, pelo menos em grande parte. É que, sinceramente, parecem-me “coisa” do passado, do antigamente, de quando tínhamos descoberto a democracia…

Por outro lado, neste momento, na situação urgente em que estamos, com os prazos apertados que assumimos no Acordo com a “Troyka”, é um desperdício de tempo, mais do que de dinheiro, para além de extremar relações entre pessoas que amanhã vão ter que se entender para não afundarem o país numa situação inimaginável.

Não sou daqueles que culpam Sócrates como o único responsável da situação a que chegámos mas há três aspectos que não posso deixar de lhe apontar:

- Não ter aprofundado as reformas estruturais que começou a fazer na Administração Pública, no Ensino e na Saúde para não falar na Justiça, enfrentando com coragem os interesses das corporações instalados, especialmente quando tinha uma maioria absoluta na Assembleia;

- Ter continuado na senda de uma despesa pública que não tinha correspondência na riqueza produzida levando, desta maneira, a dívida do país para valores arrepiantes;

- Ter consentido uma apropriação em larguíssima escala do aparelho do Estado por pessoas do partido, familiares e amigos na linha do que já vinha de trás mas com mais intensidade e a disseminação de empresas públicas, governamentais e autárquicas, muitas delas autênticos sorvedores de dinheiro de forma escandalosa.

A alternativa parece-me fraca e Passos Coelho uma pessoa vulgar, demasiado vulgar, mas como diz o Prof. Adelino Maltez, temos que nos habituar a ser governados por pessoas vulgares.

De hoje a uma semana, no próximo Domingo, teremos eleições e eu prevejo uma pequena punição do Partido Socialista com uma maioria absoluta à direita resultado que, a verificar-se, estará dentro da lógica das “coisas” e lá teremos novamente um governo de direita para tentar executar o que já está escrito e assinado.

Apenas lhes reconheço uma vantagem à partida: Mais facilidade em desmontar o “aparelho” socialista que se apoderou do estado mas, por outro lado, um maior risco na acção executiva fruto da completa inexperiência de um homem que chega à chefia do governo sedento de poder, como é perceptível.

Este meu receio pode ser partilhado por muita gente invertendo à última hora as fracas tendências das sondagens a favor do PSD.

Até lá, Bom Domingo a todos.




Obs - Na imagem, o Convento de Santa Clara, um dos monumentos mais emblemáticos do "Gótico Mendicante" que fica próximo do Convento de São Francisco aqui reproduzido no último Domingo. A igreja é a parte remanescente do Convento das Clarissas que ali se estabeleceu em 1264.



Não é histórico, mas dentro dos espaços deste Convento fiz eu exame, prova escrita, do meu 5º Ano do Liceu, actualmente 9º Ano, em 1956...

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