sábado, fevereiro 12, 2011

O Padre e a Pecadora



- Padre, perdoa-me porque pequei (voz feminina)

- Diga-me filha - quais são os teus pecados?

- Padre, o demónio da tentação se apoderou de mim, pobre pecadora.

- Como é isso filha?

- É que quando falo com um homem, tenho sensações no corpo que não saberia descrever...

- Filha, apesar de padre, eu também sou um homem...

- Sim, padre, por isso vim confessar-me contigo.

- Bem filha, como são essas sensações?

- Não sei bem como explicá-las - neste momento meu corpo se recusa a ficar de joelhos e necessito ficar mais a vontade.

- Sério??

- Sim, desejo relaxar - o melhor seria deitar-me...

- Filha, deitada como?

- De costas para o piso, até que passe a tensão...

- E que mais?

- É como um sofrimento que não encontro palavras.

- Continue minha filha.

- Talvez um pouco de calor me alivie...

- Calor?

- Calor padre, calor humano, que leve alívio ao meu padecer...

- E com que frequência é essa tentação?

- Permanente padre. Por exemplo, neste momento imagino que suas mãos massajando a minha pele me dariam muito alívio...

- Filha?!

- Sim padre, me perdoa, mas sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços e me dê o alívio de que necessito...

- Por exemplo, eu?

- Sim padre, você é a categoria de homem que imagino poder me aliviar.

- Perdoa-me minha filha, mas preciso saber tua idade...

- Setenta e quatro, padre.

- Minha Filha, vai em paz ......... o teu problema é reumatismo...

VÍDEO

A versão mais impressionante deste truque

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RAFAELLA CARRÁ - CALIENTE, CALIENTE
A Rafaella, "rapariga" do meu tempo, aparece hoje aqui a pedido do meu amigo Carlos: dedicado, regular, esforçado e muito competente meu parceiro de ténis. A Rafaella foi uma figura importante dos palcos, da televião e do cinema, dançando e cantando. As suas canções foram sucesso em Espanha na década de 70 tal como o foram os seus programas na televião italiana. Em 2001 aprsentou a 51ª Edição do Festival de Sanremo. Este vídeo é de 1981... bem lembrado, Carlos.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 29


Dias afanosos de Tereza Batista, divididos entre Joana das Folhas, Flori Pachola e o Paris Alegre, e mestre Januário Gereba, Gereba na carícia da brisa, no arrulho dos pombos, no marulho das ondas, no bem-querer de Tereza. A corte de admiradores, o tempo de dentista, a insistência de Veneranda, complementavam a berlinda.

Por volta das dez da manhã, Tereza desembarca no portão da chácara, em parada improvisada especialmente para ela pelo chofer da marinete entupida de povo. A essa hora, Joana já realizara grande parte da lida diária – o rapaz sai na primeira marinete com os cestos de verdura para visitar a freguesia nas ruas residenciais. Caboucando a terra desde antes do sol nascer, cuidando da horta, colhendo, plantando, estrumando, Joana chega do eito, vai lavar as mãos.

Ei-las sentadas à mesa na sala de jantar com os lápis, as canetas, as penas, o tinteiro, o livro, os cadernos, decididas e obstinadas. Aquele trabalho não era de todo desconhecido para Tereza; em Estância, na rua quieta, de raros passantes, começara ensinando as primeiras letras aos filhos de Lula e Nina, juntando-se logo aos dois molecotes da casa os da vizinhança, chegando a somar sete alunos, acocorados em torno dela numa roda de risos e ralhos quase maternos.

Não tinha muito o que ensinar naquele tempo de mansas alegrias durante o qual Tereza Batista sobretudo aprendeu; o que sabe hoje de leituras e escritas deve-os àqueles ano – que, por bons e felizes, lhe pesam tanto nos ombros quanto os de antes e os de depois, por ruins e sofridos.

Sem negar uma referência à escola de dona Mercedes Lima, professora de roça, também ela de pouco saber e muita dedicação. Na aula diária das dez às onze da manhã (excepto quando o doutor, estando na cidade, permanecia em casa), lição e piquenique, Tereza dava às crianças cartilha, tabuada, caligrafia e farta merenda de bolacha, pão e requeijão, doces caseiros, frutas, tabletes de chocolate e gasosa.

Molecotes, quase todos argutos, uns azougues, como o fora ela própria na classe de dona Mercedes. Outros mais rudes, de cabeça dura, nenhum entretanto se comparando à Joana das Folhas. Não que seja pouco inteligente, obtusa; ao contrário, muito esperta.

Quando Lulu Santos lhe expusera o plano de batalha ela o compreendeu de imediato. Tardou um pouco a adoptá-lo; por seu gosto, por ser honrada, preferia pagar ao salafrário os oito contos de réis do empréstimo e os juros escorchantes, porém combinados, mas o rábula não concordou, explicando ser tudo ou nada. Para pagar o débito real teria Joana de reconhecer pelo menos em parte a validez do documento assinado a rogo, denunciando ao mesmo tempo a adulteração das cifras. Como provar tal adulteração? Não havia maneira, infelizmente.

O caminho a seguir, o única válido, era negar a assinatura a rogo, desconhecer o documento, acusar Libório de havê-lo falsificado em todas as letras, julgando-a analfabeta, desamparada de todos, abandonada no sítio. Nunca tomara um tostão emprestado, nada devia a ninguém. Sabia ler, escrever e assinar o nome, estava pronto a prová-lo, sapecando ali na vista do juiz seu jamegão no papel. Ele, Lulu, só queria ver a cara do Libório de merda.

Um dos dois procedimentos, escolhesse: reconhecendo o documento, o sítio seria penhorado, levado à praça, entregue a Libório de mão beijada – não temos como provar a alteração das cifras – restando à Joana das Folhas trabalhar de serva para o próprio Libório na terra da qual fora dona ou sair tirando esmolas nas ruas de Aracaju. Declarando o documento uma falsificação total, livrava o sítio de qualquer ameaça e se livrava ao mesmo tempo de qualquer dívida, o pústula não veria um só tostão, solução ideal.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVITA Nº 81 SOB O TEMA:
"O PROJECTO DE JESUS"



Profeta de Outro Reino, Outro Mundo


Ellis Rivkin estudioso judeu insiste em que temos de reformular apergunta de "Quem matou Jesus?" para a pergunta "O que o matou?".



Ele argumenta que Jesus não foi crucificado por suas crenças e ensinamentos religiosos, mas por causa das potenciais consequências dos seus ensinamentos. Não foi o povo judeu nem o romano que crucificaram Jesus. Foi o sistema de poder que vitimou judeus e romanos. Era um sistema que vitimava todos os homens que não tinham poder e, ainda mais, a todas as mulheres.



O slogan "O Reino de Deus está perto" tinha um conteúdo político-religioso e social. Dizer que o Reino de Deus chegou, proclamar o Reino de Deus, era a mesma coisa que dizer :"Outro mundo é possível".

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 28



Por malê, muçurumim e haussá houve quem a tomasse e lhe dissesse em achegos de frete. Alguns a enxergaram cigana, ledora de mão, ladrona de cavalo e de criança pequena, com brincos de moedas nas orelhas, pulseiras de ouro, dançando. Segundo outros, cabo-verde, pelos rasgos de índia, certa reserva quando menos se espera, os negros cabelos escorridos. Nagô, Angola, gêge, ijexá, cabinda, pela esbeltez congolesa, de onde veio seu sangue de cobre a tantos outros sangues se misturar? Com a nação portuguesa se melou, todos aqui se melaram. Não me vê negro assim? Pois quem primeiro se deitou na cama da minha avó foi um militar português.

Nas brenhas dão de barato um mascate nas amizades de Miquelina, bisavó de Tereza; quando digo mascate espero não ser preciso esclarecer tratar-se de árabe, sírio ou libanês, na voz geral tudo é turco.

No sertão onde Tereza nasceu passa a divisa ficando por isso difícil saber quem é da Bahia, quem de Sergipe, quanto mais se o mascate chamou aos peitos a roceira apetitosa. Até onde a memória alcança, as mulheres da família eram de encher o olho e de levantar cacete de morto e foram se aprimorando até chegar a Tereza, embora eu já tenha ouvido dizer por mais de um fofoqueiro ser ela feia e mal feita, cativando os homens no feitiço, na mandinga, no ebó ou por gostosa e sabida de cama, não por bonita. Veja o preclaro patrício quanta contradição; e depois querem que se acredite em testemunha de vista e nos calhamaços da história.

Não há muito estava eu bem do meu, comendo uns beijus molhados, na minha barraca, quando um presepeiro começou a contar a uns senhores paulistas e a uma paulistinha rosada, quindim para boca de rico, toda em sorrisos, ai se não fosse um homem bem casado… Como ia lhe dizendo, antes que me interrompesse a mimosa flor de São Paulo, o gabola, menino moderno sem traquejo na mentira, querendo fazer média com os visitantes, garantiu que Tereza era loira, brancarrona e gorducha, da verdadeira só lhe deixando a valentia, e assim mesmo com o fim de bancar o machão e acabar com a fama de Tereza á força de gritos – disse que estando Tereza a fazer arruaça, ele a chamou à ordem com um carão e dois berros – e durma-se com um barulho desses.

Aqui, no Mercado Modelo, meu eminente, a gente ouve coisas de estarrecer, mentiras de se pregar na parede com martelo russo e prego caibral.

Se eu fosse o nobre patrício, deixava de parte esse negócio de nação, que vantagem lhe rende saber se nas veias de Tereza lhe corre sangue malê ou Angola, se o árabe teve a ver com o assunto, ou se foram os ciganos acampados na roça? Me contou um moço de lá ter uma certa dona Magda Morais, em depoimento na polícia, apoiada pelas irmãs, classificado Tereza de negrinha de raça ruim, estupor. De loira a negrinha, de formosa sem igual a feiona e mal feita, nesses pátios do Mercado, Tereza anda de boca em boca; em minha barraca, ouço e me calo; quem dela sabe mais do que eu, não me tomou de compadre?

Sobre a nação de Tereza, outras referências não lhe posso adiantar, não me consta fosse ela a própria Iansã; mabaça ou prima possa ser, seguindo nas águas do parente de Ogum. Quanto à vossa própria nação, meu graúdo, sem ir longe nem faltar à verdade, posso logo enxergar a mistura principal: escuto sobre a brancura da pele um ronco surdo de atabaques – o lorde é de nação de mulatos claros, também chamada de brancos baianos, nação de primeiríssima lhe digo eu, camafeu de Oxossi, obá de Xangô, estabelecido no Mercado Modelo, com a barraca São Jorge, na cidade da Bahia, umbigo do mundo.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

DICAS PARA FAZER AMOR NA 3ª IDADE:


1. Use óculos. Certifique-se de que sua companhia está realmente na cama.

2. Ajuste o despertador para tocar dentro três minutos, só para caso de adormecer durante a performance.

3. Deixe telemóvel programado para o número da
“EMERGÊNCIA MÉDICA”

4. Escreva na sua mão o nome da pessoa que está consigo na cama, para o caso de não se lembrar.

5. Fixe bem a dentadura para que ela não acabe por cair para debaixo da cama.

6. Tenha DORFLEX à mão. Isto, para o caso de você cumprir a performance!

7. Faça quanto barulho quiser. Os vizinhos também são surdos...

8.Nunca, jamais, pense em repetir a dose.

9. Não se esqueça de levar dois travesseiros para coloca-los sob os joelhos, para não forçar a artrose.

10. Se for usar camisinha, avise antes o piupiu que não se trata de touca para dormir, senão ele pode confundir.

11 . Ah! O mais importante, pode tirar a parte de baixo do pijama, mas fique com a de cima para não apanhar gripe.

(Estas dicas foram escritas em letras grandes para o auxiliarem na sua leitura)

VÍDEO

Filhas que ajudam as mães..

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NICO FIDENCO - L' UOMO CHE NON SAPEAVA AMARE
Uma linda canção num vídeo que conta uma história legendada em português. Nico nunca teve formação musical mas, em 6 anos, só em Itália, vendeu mais de 6 milhões de discos. Estudou Cinema, Medicina, Direito mas desistiu de todos esses cursos embora estivesse sempre ligado às artes. A sua carreira musical teve início em em 1960, quando Fidenco foi "descberto" por Enzo Micocci e lançou o 1º disco, tema do filme Delfini, que vendeu mais de 500.000 cópias nos primeiros meses após o lançamento.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 27


Tu é direito, Januário Gereba, falou como um homem deve falar. Janu, meu Janu de grilhetas, que pena não possa ser de uma vez para sempre, em casa nossa e até à morte. Mas, se não pode ser para sempre, que seja por um dia somente, uma hora, um minuto! Um dia, dois dias, menos de uma semana, para mim, esse dia, esses dois dias, essa curta semana, tem o tamanho da vida multiplicado pelos segundos, pelas horas, pelos dias de amor, mesmo que depois eu me dane de saudade, de desejo, de solidão e sonhe contigo todas as noites na danação do impossível. Mesmo assim, paga a pena – eu te quero agora, agorinha, já, imediatamente, nesse mesmo instante, sem demora, sem mais tardança.

Agora e amanhã e depois de amanhã, no domingo, na segunda e na terça, de madrugada, de tarde e de noite, na hora que for, na cama mais próxima, de barriguda, de terra, de areia, no madeirame do barco, na beira do mar, onde quer que seja e se possa nos braços um do outro desmaiar. Mesmo para depois maldita sofrer, ainda assim te quero e vou ter, Januário Gereba, mestre de saveiro, gigante, urubu-rei, marujo, baiano mais fatal e sem jeito.

Era o mar infinito, ora verde, ora azul, ora claro, ora escuro, de anil e celeste, de óleo e de orvalho e, como senão bastasse com o mar, Januário Gereba encomendara lua de ouro e prata, lanterna fincada no alto dos céus sobre os corpos em bolados na ânsia do amor; eram dois ao chegar, são um só, nas areias da praia encobertos por uma onda mais alta.

Tereza Batista empapada de mar, na boca, nos lisos cabelos, nos peitos erguidos, na estrela do umbigo, na concha da buça, flor de algas, negro pasto de polvos – ai meu amor que eu morro na fímbria do mar, de teu mar de sargaços de teu mar de desencontro e naufrágio, quem sabe um dia morrerei em teu mar da Bahia, na popa de teu saveiro? Tua boca de sal, teu peito de quilha, em teu mastro vela enfunada, na coberta das ondas nasci outra vez, virgem marinha, noiva e viúva de saveirista, grinalda e espumas, ai, meu amor marinheiro.


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Da nação de Tereza Batista, meu egrégio, não posso lhe render contas. Tem uns sabidos por aí, alguns letrados de Faculdade, outros com bolsas de estudo, que lidam com tais assuntos, destrinchando com ciência e ousadia os avós de cada um, obtendo resultados positivos, não sei se exactos, mas de certo favoráveis ao netos; e até conheço um topetudo que se apresenta como descendente de Ogum – imagine que pesquisador mais porreta lhe pesquisou a família, certamente foi ele próprio e com muita galhardia, não se devendo confiar a terceiros fundamento tão melindroso.

Como sabe o nobre patrício, aqui se misturou tudo o que é nação para formar a nação brasileira. Num traço do rosto, num meneio do corpo, na feição de olhar, na maneira de ser, quem tem olho e conhece do assunto encontra um rastro e partindo daí esclarece parentesco remoto ou como a mistura se deu. Vai se ver e o garganteiro é mesmo primo de Ogum,
nem que seja bastardo, pois se conta que tanto Ogum como Oxossi frequentavam, com fins de descaração, umas filhas-de-santo na Barroquinha. Se lhe parece invenção, cobre o dito ao pintor Carybé, é ele quem espalha essas histórias de encantados, pondo na frente Oxossi, como aliás é justo e certo fazer.

Falando de Tereza Batista, por quem o ilustre tanto se interessa, muita coisa se diz e há pleno desacordo, total; opiniões diferentes, discussão prolongada na cachaça e no prazer da conversa
.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 81 SOB O TEMA:


“O PROJECTO DE JESUS” (2)

A Não Violência


Muitas das atitudes de Jesus, muitas das suas mensagens enquadram-se no que é actualmente conhecida como a ideologia da não-violência activa: - uma proposta para enfrentar, sem violência, mas enfrentando-os de verdade, os complexos conflitos do nosso mundo e do nosso meio ambiente para alcançar uma transformação social. Esta ideologia rejeita que a violência seja intrínseca aos seres humanos e aposta na capacidade humana de cooperar dedicando-se a investir esforços para educar as pessoas no desenvolvimento de hábitos de diálogo, negociação, cooperação.
A atitude da não-violência não é a passividade ou resignação, é uma atitude permanente de reflexão que leva à acção para enfrentar os desequilíbrios de poder que geram conflitos com outros métodos, confiando que os resultados sejam mais eficazes e duradouros.

A partir da ideologia da não-violência é construída outra percepção do inimigo. Aprende-se a distinguir entre a pessoa e o personagem que representa essa pessoa no conflito. Amar o inimigo é respeitar a sua dignidade, sem deixar de combater as suas ideias e acções. Amar o inimigo é reconhecer os seus direitos como pessoa, mas transgredir suas regras. Amar o inimigo é não usar os mesmos métodos, mas outros que permitam que ele deixe dês ser um inimigo, mudando, transformando-se.

Entre os métodos não-violentos temos: a desobediência civil, greves de fome, boicotes, manifestações públicas, marchas, denúncias organizadas e as mil e uma maneiras de não cooperação com aqueles que abusam do poder e se fazem inimigos de justiça e da equidade.

Um dos métodos da não-violência é a astúcia de "dar a outra face", esperando o momento certo para agir. Entre os grandes nomes contemporâneos mais emblemáticos da prática e da reflexão sobre a não-violência temos Mahatma Gandhi na Índia e Martin Luther King nos Estados Unidos.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

O QUE PODE OBRIGAR UM HOMEM
A USAR BRINCO? !!!


- No escritório de advocacia, um dos advogados reparou que um seu colega, homem muito conservador, usava um brinco.
- Não sabia que você gostava desse tipo de coisas - comentou.

- Não é nada de especial, é só um brinco.

- Há quanto tempo você o usa?

- Desde que a minha mulher o encontrou, no meu carro, e eu disse que era meu...

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Charles Aznavour compôs 850 canções (francês, inglês, espanhol, alemão e italiano), participou em 60 filmes e vendeu bem mais de 100 milhões de discos. Aqui, aos 87 anos, canta ao lado de duas netas e a sua voz apenas se refinou... Assemelha-se ao nosso Vinho do Porto: "Quanto mais velho melhor"

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Facílimo...

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NICO FIDENCO - O MIO SIGNOR
Nico Fidenco, nome artístico de Domenico Calarossi, nasceu em Roma em 1933, cantor e compositor italiano, um dos nomes mais importantes da canção italiana dos anos sessenta.

TEREZA
BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 26



Abre os braços, gesticula para dar força á letra, larga o volante, o carro se desgoverna, patina, ameaçando derrapar; mas nessa noite nenhum desastre pode suceder, é a noite de mestre Januário Gereba e de Tereza Batista. Casamento assim, marido e mulher tão apaixonados um pelo outro, vale a pena, considera o motorista Tião, percursor da música de protesto, dominando finalmente o velho automóvel. Lá se vão pela estrada estreita: Tereza, dengosa, se aconchega ao peito de Januário na aragem fresca da antemanhã.

De repente, foi o mar.


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Ai, suspirou Tereza. Nas areias rolaram, as ondas molhavam seus pés, a aurora nascia da cor de Januário. Finalmente, Tereza descobrira de onde provinha o aroma a perfumar o peito do gigante, não era senão a fragrância do mar. Tinha cheiro e gosto do mar.

Porque não me queres? Perguntara Tereza quando saíram de mãos dadas, correndo na praia para se afastarem do carro, onde o chofer se rendera num ronco triunfal.

Porque te quero e desejo, desde o instante primeiro em que te vi desatada em fúria, ali mesmo tombei vencido de amor; por isso me afasto e fujo, prendo as minhas mãos, tranco a boca e afogo o coração. Porque te quero para a vida e não por um momento – ah! se pudesse te levar comigo, para casa nossa, no dedo te colocar o anel de aliança, te levar de vez e para sempre! Ah! mas não pode ser.

E porque não pode ser, mestre Januário Gereba? Com aliança ou sem aliança, não me importa; em casa nossa e para todo o sempre, isso sim. De mim sou livre, nada me prende e não desejo outra coisa.

Eu não sou livre, Teta, carrego grilheta nos pés, é minha mulher e dela não me posso separar, padece de doença cruel; eu a tirei de casa do pai, onde tinha de um tudo e um noivo comerciante; sempre direita comigo, passou necessidades sem reclamar, trabalhando e sorrindo, sorrindo mesmo se a gente não tinha nem para comer.

Se pude comprar o saveiro, foi porque ela ganhou para a entrada gastando a saúde na máquina de costura dia e noite, noite e dia. Toda a vida delicada, ficou fraca do peito, queria um filho, não teve – nunca saiu da sua boca uma palavra de queixa. O que ganho no saveiro vai na farmácia e no médico para prolongar a doença, não chega para acabar, não tem dinheiro que chegue. Quando tirei ela de casa não passava de um vagabundo do cais, sem eira nem beira e sem juízo. A que eu amei e quis, a que roubei da família, das patacas do noivo era sadia, alegre e bonita; hoje é doente, triste e feia, mas tudo que ela tem sou eu, nada mais, mais ninguém, não vou largá-la na rua, no alvéu. Não te quero para um dia, para uma noite de cama, para um suspiro de amor – para sempre te quero e não posso.

Não posso tomar compromisso, carrego grilhetas nos pés, algemas nas mãos. Por isso jamais te toquei nem te disse amor de minha vida. Só que não tive coragem de fugir de uma vez, de não voltar, querendo guardar para sempre no fundos olhos tua face muçurumim, tua cor de malê, o peso de tua mão, tua altura de junco, a memória de tuas ancas. Para de tuas lembranças me alimentar na solidão das noites de travessia, para olhar para o mar e nele te ver.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTRVISTA Nº 81 SOB O TEMA:
"O PROJECTO DE JESUS" (1)



Um Projecto com Inimigos



É impossível lutar pela justiça, denunciar a injustiça e procurar a equidade - e tudo isto era essencial para o projecto de Jesus - sem criar inimigos. O projecto de Jesus é um projecto de paz e amor, mas em concreto, se a justiça é o fundamento da paz, a luta pela paz vai causar resistência e rejeição entre aqueles que não vivem dignamente.

A história mostra a complexidade da realização do projecto de Jesus, seus riscos, o alto preço a pagar, por vezes, para o tornar realidade. Devemos levar a sério uma das acusações contra Jesus no processo judicial que precedeu a sua sentença de morte: semear a discórdia entre as famílias e sublevar o povo, da Galileia até Jerusalém (Lucas 25,5).
Ou seja, ele ganhou inimigos, causou ódios, criou conflitos, atacou a ordem estabelecida.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Aterragem no Aeroporto de Los Angels (vista do Cockpit)
(Especialmente dedicado aos visitantes do Memórias Futuras da Califórnia, Mountain View)

Estou Velho...

Estou velho... Mesmo muito velho!

- Imaginem que eu ainda sou do tempo em que fumar era bonito e levar no cu era feio...

VÍDEO

E por que não um porquinho?...

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NICO FIDENCO - A CASA DE IRENE
Nico Fidenco, "a voz de anjo". Que saudades dos cantores italianos do meu tempo: Nicola di Bari, Rita Pavoni, Gigliola Cinquetti e quantos outros... Esta canção é um hino ao drama da emigração, neste caso, a italiana, do sul de Ítália, que nos fins do Século XIX, princípios do século XX, lá foram de barco, para as Américas, de estômagos vazios mas almas cheias de esperança num futuro melhor. Argentina, Brasil e E.U.A. receberam os maiores contingentes. Uruguai, Chile e Venezuela os restantes. As cenas do vídeo são bem reais e elucidativas: a fome e a guerra como factores de emigração.

..."Na casa de Irene se canta e se ri, tem gente que vem, tem gente que vai... Dias sem amanhã e o desejo de ti..."


TEREZA
BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA
Episódio Nº 25


Finalmente, fumando charuto de São Félix oferecido pelo chefe da polícia, que veio trazê-lo à porta, o provisionado aparece rindo muito de alguma pilhéria do íntegro pessedista. Ordena ao chofer:

- Para a Central, Tião.

Januário ia saindo porta fora, quando o carro parou. Tereza se atira, corre para ele, os braços estendidos; pendura-se no pescoço do gigante. Mestre Gereba sorri, fitando-a nos olhos: lá se vai água abaixo a inabalável decisão tomada no peito e na raça; como fazer para não beijá-la quando ela já lhe toma a boca?

Ainda assim, foi beijo apressado, enquanto os outros saltam do carro. Da porta da Central os tiras olham, as ordens do chefe infelizmente não admitiam discussão: soltem o homem agora mesmo e se tocarem nele vão se haver comigo!

Tinham tocado antes, basta ver o olho do saveirista; a batalha travada na rua repetira-se no xilindró. Apesar da desvantagem do local e da torcida, mestre Gereba não se saiu tão mal assim: apanhou mas também bateu. Quando os covardes o deixaram, prometendo voltar mais tarde para nova sessão, para o café da manhã, na pitoresca expressão de um deles, o saveirista ainda estava inteiro, se bem moído; moídos estando igualmente o tira Alcindo e o detective Agnaldo.

Da moqueca participaram todos, inclusivé o chofer, nessa altura já na disposição de não cobrar a despesa da interminável corrida, só recebendo finalmente para não ofender mestre Gunzá, muito melindroso em questões de dinheiro. Lulu Santos revelou outra faceta do motorista: Tião compunha sambas e marchas, campeão de vários carnavais.

Acompanharam o peixe com cachaça, o rábula bebendo como sempre em goles mesurados, estalando a língua a cada um deles, Januário e Caetano a emborcar os cálices, seguidos pelo chofer.

Ao lado do saveirista, Tereza come com a mão – há quantos anos não come assim, amassando a comida nos dedos, um bolo de peixe, arroz e farinha, ensopando-o no molho? Ao chegar fizera curativo no rosto de Januário, abaixo do olho direito, apesar da oposição do gigante.

Esgotada a primeira com rapidez, abriram a segunda garrafa de cachaça. Lulu começara a dar sinais de fadiga, comera três pratos. O motorista Tião, ao cabo de tanta moqueca e tanta cachaça, convida toda a companhia para uma feijoada domingo em sua casa, no fim da rua Simão Dias, quando, acompanhando-se ao violão, cantará para os amigos as suas últimas composições.

Casa de pobre, sem luxos nem vaidades – disse em sua peroração – mas onde não faltará nem feijão nem amizade. Tendo aceite o convite, Lulu ali mesmo no convés se acomodou e dormiu.

Eram as quatro da manhã, filtrava-se a luz da noite ainda poderosa quando, sentados ao lado do chofer alegríssimo, mestre Januário Gereba e Tereza rumaram para a Atalaia, o carro em ziguezagues, muita pinga bebera Tião.

Mesmo sem acompanhamento – sem acompanhamento perde muito, explicou – canta o samba por ele composto quando do julgamento do bandido Mãozinha, homenagem à sensacional defesa de Lulu Santos:

Ai, seu doutor
Quem matou foi o senhor…
Não foi ele, que só fez atirar
Quem matou foi você
Foi o juiz e o promotor
Quem matou foi a fome,
A injustiça dos homens…

ENTREVISTA FICCIONADA
COM JESUS CRISTO Nº 81 SOB O TEMA:
“QUAL O PROJECTO DE JESUS”



RAQUEL - Continuamos a analisar a situação política no tempo de Jesus Cristo com o próprio Jesus Cristo. Não são poucos os ouvintes que nos ligaram muito preocupados, mesmo indignados.

JESUS – Indignados desta vez, porquê, Raquel?

RAQUEL – Porque nas últimas entrevistas o senhor tem falado de política e eles dizem que devia concentrar-se nas coisas de Deus, especialmente nestes dias de Páscoa.

JESUS - E quais são as coisas de Deus?

RACHEL - Bem, eu acho que são as coisas que se relacionam com a oração, os sacramentos, a adoração ... numa palavra, o sagrado.

JESUS - Eu acho que o mais sagrado é a vida, Raquel. Deus não pode tapar os olhos para não ver os seus filhos famintos. Eu não podia ficar tranquilo vendo as atrocidades que se cometiam no meu país.

RAQUEL - Isso é intrometer-se na política e por isso terá ganho bastante inimigos.

JESUS - Muitos. Os grandes odiavam-me mas os oprimidos e as mulheres compreendiam.

RAQUEL – Compreendiam, o quê?

JESUS - Que o Reino de Deus havia chegado. Assim, foram-se juntando todos os dias ao nosso movimento.

RAQUEL - Voltemos aos inimigos. Um homem de paz como você com tantos inimigos?

JESUS - Raquel, quem luta pela justiça terá sempre inimigos. Quem não os tem é porque não faz nada por ela.

RACHEL - Mas o senhor disse: amai os vossos inimigos.

JESUS - Sim, eu disse que os amássemos, não disse que não que os tínhamos.

Raquel – Essa sua famosa frase de amar os inimigos é real ou também foi “amaciada”?

JESUS - Não, eu disse-a e não é uma palavra suave.

RACHEL - O que quis dizer com ela?

JESUS - Amar os vossos inimigos é não cair na armadilha do ódio, não os imitar na violência. Quem luta contra Leviatã pode acabar parecendo-se com o monstro.

RACHEL – O senhor, recomendou ainda “dar a outra face”. Fraqueza ou covardia?

JESUS – Astúcia. Deve-ser ser uma pomba e uma serpente. Há um tempo para tudo, para atirar pedras e recolhê-las. Para os mercadores do Templo, eu não dei a outra face, levei-os para fora com chicote.

RAQUEL - Insisto: Como é que o senhor, numa situação tão crítica como aquela que vivia no país, e com essas ideias, não acabou por optar pela via armada?

JESUS - Os zelotas tentaram convencer-me, queriam apressar a vinda do Reino de Deus com as armas, mas a violência gera violência .... Cada revolta dos zelotas terminava num banho de sangue.

RAQUEL - A história provou que o senhor estava certo. Foi o que aconteceu logo após a sua morte em 70 DC, quando os Zelotas se revoltaram contra o imperador Tito e este mandou destruir Jerusalém.

JESUS - Eu pensei sempre que o Reino de Deus tinha que ir noutra direcção. Como eu disse, Raquel, a primeira coisa era abrir os olhos das pessoas. No nosso Movimento queríamos reunir os pobres, sentir que podíamos dar-lhes força.

RAQUEL – Organizá-los. Organização "popular”?

JESUS - É verdade, a comunidade é como uma árvore, cresce a partir de baixo. Um povo sem mestres ou senhores. Um novo mundo. Outro mundo.

RAQUEL - Tinha em mente um projecto de longo prazo?

JESUS - Eu estava com pressa. Eu queria o reino de Deus, já... e ele não chegou.

RAQUEL Muitos morreram, como o senhor, lutando por algo que nunca veio. Considera-se um fracassado?

JESUS – Não, as pessoas que morreram lutando por justiça, Deus as levantará de entre os mortos. No Livro da Vida estão escritos todos os seus nomes e o meu também.

RAQUEL - De Jerusalém, Emissoras Latinas, Raquel Perez.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Mas que grande número...

Apresenta-se no palco um homem com um crocodilo. Depois de agradecer os aplausos, o homem pega num pau, dá uma cacetada na cabeça do crocodilo e este abre a boca.

O homem desaperta a braguilha, ajoelha-se e coloca o pénis na boca do crocodilo. Começam a rufar os tambores e o público faz silêncio total.

O homem pega novamente no pau e dá segunda cacetada na cabeça do crocodilo.

Este começa a fechar a boca lentamente.

- Uaaahhh !!! - Ouve-se a platéia.

O crocodilo, quando está quase a fechar a boca totalmente, pára !!!

Na platéia o silêncio é geral. Apenas se ouvem o rufar dos tambores.

O homem dá uma terceira cacetada na cabeça do crocodilo e este abre totalmente a boca.

O público explode em aplausos e a orquestra começa a tocar.

O homem põe-se de pé, aperta a braguilha e num tom desafiador pergunta à platéia:

- Alguém é capaz de fazer isto?

Responde uma LOIRA lá da platéia:

- Eu faço!!!... - Só não gosto é que me batam na cabeça!!!

ROBERTO CARLOS - COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ
Actual, o amor está sempre presente. Alguém, neste momento, está amando ou já amou, por isso os cantores românticos - e Roberto Carlos é "O Rei" - são sempre bem-vindos. Escolher uma mulher, ou um homem, como se não houvesse mais ninguém no mundo... só nós, "complicados mortais".

TEREZA

BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA
Episódio Nº 24



- Desculpe lhe incomodar, mas estou aqui com o mestre da barcaça Ventania; o companheiro dele – como lhe explicar tratar-se do gigante de tão decisiva actuação na briga do cabaré? – creio que o senhor conhece…

- Não é aquele que bateu nos guardas e no secreta no Paris Alegre na outra noite? – Tereza cheia de dedos e Lulu bem do seu, falando do cabaré.

- É, sim senhor.

- Esperem aí, que já vou.

Minutos depois junta-se a eles na rua; percebia-se atrás do jardim o vulto da mulher fechando a porta, a voz conformada recomendando: “Faça atenção ao sereno, Lulu”. Entra no carro, diz ao chofer: toque em frente, Tião. Tereza explica toda a história. Caetano é de pouco falar.

- Eu disse a Januário: compadre, bote sentido, secreta é pior do que cobra, só se vinga na traição. Não fez caso, ele é assim mesmo, enfrenta tudo de peito aberto.

Lulu boceja, ainda sonolento.

- Não adianta fazer a ronda das delegacias. O melhor é ir logo por cima, ao doutor Manuel Ribeiro, chefe da polícia; é meu amigo, um homem de bem.

Traça-lhe perfil de elogios: mestre de Direito, homem dos livros, de vasta cultura e valente pra burro, com ele ninguém tira prosa, mas não tolera injustiças, perseguições sem motivo, a não ser, evidentemente, a adversários políticos – não havendo nesses casos, porém, nada de pessoal; se persegue os oposicionistas, ele o faz no exercício da sua função de responsável pela ordem pública, cumprindo obrigação administrativa, imperativo do cargo. Sem falar no filho que escreve, aquele talento em flor.

Apesar do adiantado da hora, na sala de visitas da residência do chefe, as luzes estão acesas e há movimento. Um soldado da Polícia Militar, com saudades do tempo em que era cangaceiro, guarda a entrada da casa, encostado à parede, a la vonté. Mas quando o automóvel estanca em brusca freada, num abrir e fechar de olhos se perfila, a mão no revólver. Reconhecendo Lulu santos, abandona a prontidão, volta à postura anterior, relaxado e risonho;

- É vosmicê doutor Lulu? Quer falar com o homem? Pode entrar.

Tereza e mestre Caetano aguardam no carro; o chofer, solidário, tranquiliza:

- Fique descansada, dona, que doutor Lulu solta seu marido. Tereza riu baixinho sem contestar. O chofer prossegue a contar feitos de Lulu. Homem bom está aí, larga tudo para atender um necessitado, sem falar na inteligência. Ah! as defesas no júri, não havia promotor que pudesse com ele, nem em Sergipe nem nos Estados vizinhos, pois já fora defender réus em Alagoas e na Bahia, e não só no interior, também na capital.
Freguês de júri, o motorista descreve com emocionantes detalhes o julgamento do cangaceiro Mãozinha, um dos últimos a cruzar o sertão, de rifle e cartucheira, vindo de Alagoas com não sei quantas mortes e tendo ali em Sergipe praticado outras tantas, sendo Lulu Santos designado pelo juiz para defendê-lo ex-ofício, ou seja, de graça, por não possuir o jagunço um centavo de seu. Ah! quem não presenciou esse júri de cabo a rabo – quarenta e sete horas de réplicas e tréplicas – não sabe o que é um advogado de miolo no crânio.
Ouçam como ele começou a sustentação da defesa: foi batuta. Começou apontando o juiz com o dedo, depois o promotor, os jurados um a um, e no fim pôs o dedo no peito apontando para ele mesmo, enquanto isso dizendo com outras palavras lá dele, cada qual mais trancham: quem cometeu essas mortes que o promotor atribui a Mãozinha foi o senhor doutor juiz, foi o senhor, seu promotor, foram os dignos membros do Conselho de Justiça, fui eu, fomos nós todos, a sociedade constituída. Nunca vi coisa mais linda em minha vida, ainda fico arrepiado quando conto, imagine na hora.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:

“A CÉSAR O QUE É DE
CÉSAR”
(último)


Pouco Tempo Depois …


É chocante e escandaloso o que aconteceu depois. Jesus, que se opôs ao imposto porque estava ligado ao culto do imperador de Roma que se julgava um deus e... três séculos mais tarde, o Papa de Roma, que foi apresentado como representante de Jesus, adoptou todas as expressões e rituais desse culto: as vestes cerimoniais, incenso, o trono, a coroa, o ceptro ... e também cobrou impostos aos súbditos: os dízimos medievais.
Toda a pompa do Vaticano reflecte a adoração com que os Césares romanos eram deificados. E a colecta de dízimos, que enriqueceu a Igreja Romana durante séculos, também representou um fardo insuportável sobre os pobres. O que diria Jesus? "Não dêem ao Papa nada do que ele pede: nem obediência nem o dízimo. Ponham-no no lugar."

domingo, fevereiro 06, 2011

Hoje é Domingo

Nos tempos da minha juventude, tempos pacatos, a televisão ainda nos seus primórdios era fraca concorrente ao cinema, especialmente às matinés de Domingo em que os filmes de cow-boys faziam as minhas delícias de rapaz.

Por isso, hoje que é Domingo, proponho uma espreitadela a umas imagens de um grande filme, que decerto muitos dos meus amigos também viram, África Minha. Isto porque faleceu há dias John Barry, autor das músicas de filmes célebres entre os quais se encontra este. Mas há outros motivos: o enredo, os actores, os cenários e finalmente o Continente Africano.

Realizado por Sydney Pollack, ganhou 7 Óscares e conta a história de uma mulher de grande coragem que dirige uma plantação de café com o marido, um incorrigível mulherengo, no Kénia, no início do Sec. XX. Ela (Meryl Streep) apercebe-se que aos poucos se está apaixonando pela terra, pelas gentes e por um enigmático caçador branco (Redford).

Não sou saudosista, mas porque também tive a oportunidade de estabelecer uma relação de intimidade com África e as suas gentes compreendo muito bem o que sentia a personagem feminina deste belo filme.

África para o europeu foi a amante que ele nunca encontrou na sua própria casa e não apenas porque tenha sido o fruto proibido mas porque ela tem o encanto, a sedução, o cheiro, a beleza e a magia que ele não pode encontrar noutro lado.

Se eu fosse religioso diria que ela nos aproxima de Deus mas como nos reconduz às nossas origens vem a ser exactamente a mesma coisa.

Lá, partilhamos o meio ambiente, sentimo-nos parte de um todo que se chama natureza. Em 1973, em cima de um Unimog gigante, (com rodas de 1,8m capaz até de atravessar rios) numa planície inundada, a norte da cidade da Beira, em Moçambique, avancei na direcção de uma linha preta no horizonte. A marcha era, dadas as condições do terreno, bastante lenta o suficiente para que essa linha preta constituída por muitas dezenas de milhar de búfalos negros se fosse calmamente abrindo num V invertido, como que fazendo alas para que pudéssemos passar. Eles não estavam num Parque ou numa Reserva, simplesmente ali era o seu habitat: a maior concentração de búfalos de todo o mundo, nos tandus de Marromeu. Como ela, apenas as manadas de bisontes das pradarias da América do Norte, há mais de um século, com a diferença que em África temos, ou tínhamos, a diversidade: um pedaço do mundo tal como ele existia no tempo dos nossos antepassados agora com as suas pessoas afáveis e hospitaleiras.

Para mim é-me muito fácil entender Karen, a personagem representada magistralmente por Maryl Streep, porque aquele continente foi um dia o nosso berço, a nossa casa original.

Deêm uma espreitadela a algumas imagens deste belo filme.

ÁFRICA MINHA - Algumas imagens do filme realizado por Sidney Pollack com Maryk Streep e Robert Redford, baseado num livro autobiográfico de Isak Dinesen (pseudónimo de Karen Blixen, dinamarquesa), publicado em Londres em 1937. É o drama de Karen (Maryl Streep) que vive infeliz devido a um casamento de conveniência com o barão Fleck, um alcólico mulherengo. Durante uma caçada conhece o inglês Days Hatton (R. Redford) por quem se apaixona perdidamente. Hatton é um apreciador da vida e da natureza que prefere não ficar preso a uma relação o que vai entristecendo progressivamente Karen.


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