sábado, dezembro 31, 2011

Por Que Somos Bons?


Por que nos condoemos com o choro de uma criança que sofre?

Por que sentimos compaixão por uma viúva idosa em desespero devido à solidão?

O que nos provoca o impulso para enviarmos uma dádiva anónima para as vítimas de um cataclismo que não conhecemos nem viremos a conhecer e nunca nos retribuirá?

De onde vem o bom samaritano que vive em nós?

Recordemos Einstein:

Estranha é a nossa situação aqui na Terra. Cada um de nós vem para uma curta visita, sem saber porquê, contudo, parecemos adivinhar um objectivo. No entanto, do ponto de vista do quotidiano, há uma coisa que sabemos: que o homem está aqui pelos outros homens – acima de tudo por aqueles de cujos sorrisos e bem-estar depende a nossa própria felicidade.

Será realmente pelos outros homens que nós aqui estamos e terá isso alguma coisa a ver com a religião?

É por causa dela que somos bons?

Muitas pessoas religiosas consideram difícil imaginar como sem religião alguém pode ser bom ou há-de sequer querer ser bom, e esta incapacidade para compreender e aceitar a bondade fora da religião leva algumas pessoas religiosas a paroxismos de ódio contra aqueles que não professam a sua religião.

E assim, a religião, que se proclama como fonte de inspiração para a bondade e o amor transforma-se, ela própria, num imenso reservatório de ódio e maldade.

Brian Fleming, autor e realizador de um documentário sincero e comovente em defesa do ateísmo recebeu uma carta em 21 de Dezembro de 2005 que rezava assim:

Decididamente, vocês têm cá uma lata! Adorava pegar numa faca e esventrá-los a todos, seus idiotas, e gritar de alegria a ver as vossas entranhas a derramarem-se à vossa frente. Vocês andam a ver se arranjam como atear uma guerra santa em que um dia eu e outros como eu, possamos a vir ter o prazer de passar aos actos como o atrás mencionado.

Chegado a este ponto o autor da carta reconhece tardiamente que a sua linguagem não é muito cristã, pois continua, agora num tom mais amistoso:

Contudo Deus ensina-nos a não procurar a vingança mas sim a rezar pelas pessoas como vocês.

Mas a benevolência dura-lhe pouco:

Vai consolar-me saber que o castigo que Deus vos há-de trazer será mil vezes pior do que o que quer que seja que eu possa infligir. O melhor de tudo é que vocês hão-de sofrer para toda a eternidade por estes pecados de que estão completamente ignorantes. A ira de Deus não há-de mostrar misericórdia. Para vosso próprio bem, espero que a verdade vos seja revelada antes que a faca vos toque na carne. Feliz NATAL!!!

P.S: Vocês não fazem mesmo ideia do que vos está reservado…Eu agradeço a Deus por não ser vocês.

Richard Dawkins
(continua)

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Palácio da Regaleira


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PAULO TAPAJÓS - AO LUAR (1959) COMPOSIÇÃO DE CATULO DA PAIXÃO


Entre esses personagens responsáveis por essa nacionalização/integração nordestina destaca-se Catulo da Paixão Cearense, cuja referencia ao valoroso estado nordestino encontra-se apenas no sobrenome, pois, nasceu, na cidade de São Luis do Maranhão em 31 de janeiro de 1863 e em 1880 foi residir no Rio de Janeiro com a familia. Na capital do império freqüentou rodas de estudantes, foi boêmio, estivador, escriturário, mas sobretudo poeta e violonista, atividades que o consagrariam como uma das mais importantes figuras de seu tempo. Acompanhou de perto o crescimento da modinha enquanto gênero de musica urbana largamente executada em serenatas sendo o seu grande impulsionador nos finais do século XIX e nas primeiras décadas do seguinte.


STEPHEN HAWKING - DEUS CRIOU O UNIVERSO? (Parte 2)


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 296

Acorrem jornalistas, fotógrafos, locutores de rádio a metralharem informações nos modernos transmissores, explodem os primeiros flashes. As mulheres, pouco a pouco, ocupam o átrio, no alto da escadaria. À frente, Santo Onofre.

Prostitutas iniciam passeata de protesto! Passeata de Balaio Fechado! – Brada o locutor da Rádio Abaeté. Não querendo ficar atrás do concorrente, Pinto Scott, a voz de ouro da Rádio Grémio da Bahia, lança a notícia sensacional: Rameiras em passeata marcham para o Palácio do Governo!

Colocada sobre um andor descoberto na sacristia, a imagem de Santo Onofre vem aos ombros de quatro raparigas, entre elas a negra Domingas ainda tumefacta, e Maria Petisco sempre traquinas. Dos quatro cantos da velha praça ilustre acodem os tiras, os secretas, os detectives, os guardas, empunhando cassetetes, bastões de borracha, revólveres, raiva, ódio.

Toma posição a tropa montada da polícia militar, pronta para dissolver na pata dos cavalos a passeata, o desfile, a procissão, o diabo que seja.

No comando geral das forças da ordem e da lei, o comissário Labão Oliveira, olhos de serpente, coração envenenado, pisando sobre milhares de envelopes contendo camisas de Vénus, esmagando com a sola dos sapatões pedaços de vidro de centenas de frascos partidos, antes cheios do precioso elixir afrodisíaco “Cacete Rijo”. Pisando, esmagando capital e lucro, tudo aquilo custara cruzeiros, tirados do seu bolso deveria render dólares, as filhas da puta tudo destruíram, planos perfeitos e sonhos ricos.

Um pouco atrás, capengando, sufocando gemidos, o investigador Nicolau Ramada Júnior, atingido nos quimbas, levado à falência e rendido. Tendo o detective Dalmo Coca desaparecido envolto em bosta, o comissário e Peixe Cação nada sabem sobre o destino da maconha, última esperança de evitar o prejuízo total: igual ao dólar a maconha não se desvaloriza.

A voz partida de Vovó – não fosse prostituta na Bahia seria beata na Matriz da Cruz das Almas – eleva-se puxando uma ladainha:

Ave, ave Maria
Ave, ave Maria

Em coro as raparigas respondem e a imagem se movimenta, adiantando-se para os degraus da escadaria; o cansado acento da Vovó prossegue na litania:

Vestida de anjo
Ela apareceu
Trazendo nas asas
As cores do céu


Atrás da imagem as mulheres, logo na primeira fila Tereza Batista. Ao vê-la Peixe Cação esquece até a dor nos bagos, precipita-se. Exactamente no mesmo instante, do Bar Flor de São Miguel sai um grupo barulhento e agitado de fregueses, o futuroso astro do nosso teatro, Tom Lívio, o alemão Hansen a gravar na madeira com goiva e sangue a vida das mulheres da zona, o poeta Telmo Serra, os eternos boémios, aqueles que pela madrugada afora discutem o destino do mundo e salvam a humanidade das catástrofes e do aniquilamento, os guardiães do sonho do homem. Nas mãos poderosas do gravador um cartaz exibe esquálidas fêmeas semi-nuas, todas elas rompendo as cadeias a lhes prender os pulsos, tendo no lugar do xibiu um cadeado. Uma inscrição em grandes letras: TODO O PODER ÀS PUTAS. O comissário grita ordens para os tiras e para os soldados, manda dissolver, prender, espancar, matar, se necessário.
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nº 33 SOBRE O TEMA:

“A BENÇÃO DE DEUS?” (1)


A Teologia da Prosperidade

A Teologia da Prosperidade, actualmente na moda entre igrejas neopentecostais e carismáticos neo-evangélicos, mostra que a prosperidade económica e o sucesso, especialmente nos negócios, é uma evidência exterior da bênção de Deus.

Este ensinamento, comum entre os tele-pregadores, tão abundante nos EUA desde os anos 60, foi transplantado para a América Latina desde os anos 80. No livro "Deus Bankers" (Puma Publishing, Lima 2002), o peruano pastor baptista Martin Ocaña, ensina que essa teologia é uma apologia à prosperidade da sociedade americana, como cânone para medir se uma sociedade é cristã ou não.

Com citações abundantes dos pregadores da prosperidade e extensa bibliografia, o livro explica a hermenêutica neo-pentecostal e conceitos muito presentes na sua "teologia" como o "avivamento", as "missões" e o "bem-estar."

A leitura da Bíblia fora do contexto, feita por "teólogos da prosperidade" apresenta ideias como esta: o pecado de Adão foi fazer perder produtividade à humanidade.

José de Nazaré foi um homem de negócios de madeira. Jesus, seu filho, rodeou-se de amigos e senhoras ricas e dispunha de tanto dinheiro que precisava de um tesoureiro. Os discípulos de Jesus eram empresários da pesca e nunca é da vontade de Deus que um cristão seja pobre…

Igualmente, esses grupos impingiram um slogan aos fiéis de que "quanto mais derem mais receberão”: serão abençoados na medida da entrega dos dízimos aos pastores e esmolas para os templos.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

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A presença acolhedora de uma árvore no meio do campo...

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STEPHEN HAWKING - DEUS CRIOU O UNIVERSO?


O MOTOCICLISTA E O PASSARINHO


Um motociclista a 140 Km/h numa estrada não conseguiu desviar-se e chocou com um passarinho e poof'…

Pelo retrovisor, ainda viu o bichinho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido.

Não contendo o remorso ecológico, ele parou a moto e voltou para socorrer o bichinho. O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto. Foi tal a angústia do motociclista que recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, tratou-a e medicou-a, comprou -lhe uma gaiolinha e levou -a para casa, tendo o cuidado de deixar um pouquinho de pão e água para o acidentado.

No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência. Ao despertar, vendo-se PRESO, cercado por GRADES, com um pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asas na cabeça e grita:

- Porra... matei o motoqueiro!

LAÇO DA SAUDADE - IRIDIO E IRINEU

No final dos anos 50 o Nordeste era ainda "terra de ninguém" pois o Brasil vivia e respirava os ares da "cidade luz tropical" do Rio de Janeiro embora outros estados, como São Paulo, tivessem também uma acção civilizadora mas era, sem dúvida, a então capital do país que puxava o samba enredo da recém criada Escola de Samba Unidos da República Federativa do Brasil. Mas o sertanejo nordestino foi sempre forte na sua luta pela sobrevivência e na divugação da sua cultura afirmando-se como um elemento integrador da noção plena de brasilidade com as suas características regionais próprias.


TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 295



Contudo, alguma coisa se salva do desastre, Bada, conquista a situá-lo entre os galãs da cidade, os garanhões de mulheres casadas e difíceis. Casada, sim, mas difícil? Furor uterino, conquista barata, quantos amantes não a tiveram nos braços e não a possuíram antes dele? Um regimento, sem dúvida. O cargo, a família, a amante, motivos de tanta inveja, na aparência a glória, em realidade melancolia e frustração. As mulheres, seviciadas, a negra com a cara podre de golpes, os lábios partidos, as equimoses pelo corpo. Os olhos assassinos do comissário. Tudo isso para quê? Para no fim soltar as caftinas, suspender a mudança.

Na ponta da mesa o rádio deixa de transmitir notícias da batalha do balaio para anunciar um grande incêndio na Cidade Baixa a devorar os casarões da Ladeira do Bacalhau.

O delegado tapa a boca com a mão, abandona o gabinete, passa a correr ante o guarda espantado. Mal tem tempo de atingir o sanitário, vomita bílis amarga e verde.

Solene, amável porém superior como convém a um emissário de Sua Excelência, o Senhor Governador penetra no gabinete vazio do delegado de Jogos e Costumes o vereador Reginaldo Pavão.

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Colossal incêndio destrói os casarões da Ladeira do Bacalhau! – informa a Rádio Abaeté, a notícia pegando fogo. Os velhos sobrados designados pela polícia para nova residência das rameiras ontem retiradas da Barroquinha estão sendo rapidamente devoradas pelas chamas. Os carros do Corpo de Bombeiros dirigem-se para o local do sinistro e com ele seguem os nossos microfones. Ainda são desconhecidas as causas do incêndio mas, ontem, grande quantidade de móveis e de outros pertences das marafonas foram conduzidos, ao que consta, em caminhões da polícia para os casarões do Bacalhau e ali abandonados.

Haverá alguma ligação entre a pavorosa fogueira a arder em frente do porto e a situação cada vez mais grave da zona do meretrício, onde as forças de segurança pública revelam-se impotentes para conduzir as prostitutas ao trabalho?

Neste 21 de Setembro, data inaugural da Primavera, a cidade vive horas de inquietação e sobressalto. As barcas conduzindo os marinheiros americanos preparam-se para largar dos navios, rumo ao cais de desembarque. Toda a prudência é pouca, recomendamos às famílias manterem-se em casa trancando portas e janelas ao menor sinal de desordem. Deposite as suas economias no Banco Interestadual da Bahia e Sergipe e durma tranquilo. Mantenha-se na onda da Rádio Abaeté à espera de novas e sensacionais notícias.

Desmaiam senhoras, uma velha é conduzida ao pronto-socorro, o coração disparado. Fechando portas e janelas com tristeza, para obedecer aos ditames da cunhada, suspira Veralice, solteirona aflita: ai quem me dera uma invasão de marinheiros em atraso, frenesi e desacato. Estou às ordens, diria ao jovem ianque, loiro e potente, faça-me a festa, se aproveite, rompa e rasgue!

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Enquanto o delegado Hélio Cotias vomita a alma antes de ordenar a libertação da velha Acácia, Assunta e as demais caftinas da Barroquinha, no Pelourinho as portas da Igreja do Rosário dos Negros se abrem de par em par e as mulheres surgem, dezenas e dezenas de raparigas que se haviam refugiado no interior do templo. Avançam lentamente.

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ENTREVISTA FICCIONADA Nº 33



COM JESUS SOBRE O TEMA:


“A BENÇÂO DE DEUS?”



RAQUEL - Hoje temos a nossa unidade móvel localizada ao lado da antiga sinagoga de Cafarnaum. E como nos dias anteriores, temos a presença de Jesus Cristo e ...

JOVEM - Com sua permissão… poderia interromper?

RAQUEL – Nas Emissoras Latinas ninguém interrompe, todos participam. Esse é o nosso lema!

JOVEM - Você ... você não é a jornalista das Emissoras Latinas?

RAQUEL – Sou eu mesma. E tu?

JOVEM - Eu sou um ouvinte fiel do seu programa e para além disso…

RAQUEL – E para além disso…?

JOVEM – Pertencemos à Igreja Apostólica de Jesus Cristo.

RAQUEL - Sério?... Têm agora a vossa oportunidade de falar com Jesus Cristo que está aí vindo.

JOVEM - É que, como está a entrevistá-lo… onde está ele?

JESUS - Aqui estou, meu amigo… Não me vês?

JOVEM – O senhor é ... Jesus Cristo, que vem falando na Rádio estes dias?

JESUS – Chama-me de Jesus. Cristo foi-me acrescentado mais tarde.

JOVEM - Na verdade ... eu imaginava-o de outra forma…


JESUS - Com uma coroa na cabeça ... raios saindo pelos dedos das mãos ... algo assim?

JOVEM - Bem, não ... sim ... não se parece muito, mas... aleluia, glória a Deus! Eu não sou um jornalista, mestre, mas tenho uma pergunta para lhe fazer, algo pessoal...

RAQUEL - Não se importa que eu o tire do ar?

JOVEM - Não, como quiser…

JESUS - E o que é, amigo?

JOVEM - O pastor da minha igreja repete sempre que Deus abençoa aqueles que fazem o bem. Isso é verdade?

JESUS - Diz-me primeiro o que significa para ti ser "abençoado por Deus”.

JOVEM – Significa prosperidade, ser bem sucedido nos negócios... pode até ganhar na lotaria e deixar de ter provações para o resto da vida.

JESUS - Pois então Deus não me abençoou ... porque eu nunca tive sequer onde reclinar a cabeça.

RAQUEL - Se o nosso público bem entende o que você quer saber é se a riqueza material é o teste de bênção espiritual. Por outras palavras: quanto mais rico, mais abençoado. É isso?

JOVEM – Exactamente, o que diz, Jesus Cristo?

JESUS - Assim pensavam no meu tempo. Assim pensava Job aquele homem tão honesto… Uma vez li a sua história na sinagoga. Trabalhou, teve filhos, gado, riqueza, prosperidade… e, durante a noite, perdeu tudo. Job não entendia por que Deus o havia punido se ele sempre se tinha comportado bem.

JOVEM – O mesmo pergunto eu. Cumpro para com a minha família, no meu trabalho, não faço mal a ninguém, tive uma experiência como empresário ... um fracasso. Tudo o que fiz deu errado… por que Deus não me abençoa?

JESUS - Diz-me o teu nome?

JOVEM - Torcuato

JESUS – Torcuato?

JOVEM – Até mesmo o nome que me deram é feio. Sou um miserável.

JESUS - Não digas isso, amigo. E não acredites no que te dizem. Se as riquezas e os sucessos fossem a prova da bênção de Deus, minha mãe Maria, meu pai José e eu, seríamos amaldiçoados por Deus porque nunca tivemos um centavo!

JOVEM - Então?

JESUS – A bênção de Deus não é a riqueza que você tem, mas o amor que dá. Amar os outros, lutar pelos outros. Acredite em mim, Torcuato, é mais feliz quem dá do que quem recebe.

JOVEM - E ... e eu?

JESUS - Deus o abençoou. Tem como seguro que ele também te convidou para a sua festa.

JOVEM - Jesus Cristo, deu-me muita alegria conhecê-lo, ouvir o que disse... como posso agradecer-lhe? Aceitaria vir a minha casa, o senhor também foi um perdedor. Eu só posso oferecer-lhes chá e pão ...

JESUS - Chá e pão ... quase uma festa! ... vamos a tua casa, Torcuato!... De seguida, continuaremos com as tuas perguntas, Raquel.

RAQUEL – Está bem, mas ... deixe-me despedir dos ouvintes do programa. De Cafarnaum, Emissoras Latinas, Raquel Perez e… Torcuato.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

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Janela velhinha no bairro de alfama.


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Confundir a porta de acesso à cozinha com a da sauna não lembra ao diabo...


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Uma velhinha morre e ao chegar ao Céu pergunta ao guardião dos portões:
- Porque é que existem duas portas, uma azul e outra vermelha...?
São Pedro então, responde:
- A azul leva ao Céu, a vermelha desce ao Inferno, pode escolher...!
Nisto, ouve-se uma gritaria e o barulho de um berbequim atrás da porta azul.
- Mas o que é isto...? - pergunta a velhinha.
- Nada, é uma alma que acabou de chegar e estão a furar-lhe as costas para pôr as asas...
A velhinha fica indecisa quando, de repente, ouve-se nova gritaria atrás da porta azul.
- E esta gritaria o que é...???
- Nada, é que estão a furar a cabeça da alma para pôr a auréola...
- Que horror...! Eu não quero ir para o Céu, vou para o Inferno...!
- Mas lá o Diabo costuma violar todas as mulheres...
- Quero lá saber... pelo menos os buracos já estão feitos...!

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA









Episódio Nº 294


Ouve explicações embrulhadas, pouco claras, o chefe da polícia perde-se em argumentos vagos. Enganar homem político com a experiência e a manha do governador não é fácil.

Trata-se de assunto de simples rotina? Porque então a polícia se mantém inflexível e violenta, dando lugar a uma onda inquietante de boatos? Pensativo ao telefone, bruscamente corta a confusa lengalenga do chefe da polícia. O importante no momento é liquidar o pânico nascente pondo fim às desordens no meretrício evitando uma decepção aos marinheiros (como disse com certa graça inesperada o energúmeno Pavão). Transmite ordens taxativas.

Amanhã, com tempo e calma, esclarecerá todo aquele assunto colocando-o em pratos limpos, algo suspeito e escuso se esconde por detrás dessa apressada mudança de zona. Quem sabe as rameiras lhe fornecerão o bom pretexto, ansiosamente esperado, para substituir o chefe da polícia, forçando-o a pedir a demissão?

Sua Excelência gosta de andar por estreitos caminhos tortuosos, se assim não fosse como tolerar a actividade política, os pequenos homens, a tolice dos sabidórios? Ama pegá-los pelo pé, com a mão na combuca.

Volta à sala, onde o vereador calcula as vantagens a tirar da situação. Sorri: Reginaldo é apenas um pequeno rato de esgoto, seus pensamentos mais secretos reflectem-se na face velhaca. Emissário ideal para levar às putas a mensagem de paz, pensa o Excelentíssimo.

Caro Pavão, mandei soltar as mulheres presas ontem e suspender toda e qualquer ordem de mudança. Vá e enuncie a boa nova. Se quiser, passe na Especializada e transmita pessoalmente as minhas ordens ao delegado – pequena manobra para desprestigiar o chefe da polícia – Acompanhe as pobres até às suas casas na Barroquinha e ponha esses votinhos no bolso do colete, são um presente para o amigo.

Eleitor meu é eleitor de Vossa Excelência! Incondicional!

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Ainda digerindo pito governamental, vendo as coisas negras para o seu lado – se não manobrar com inteligência, sobrarei na primeira actividade – o chefe da polícia liga o telefone para o delegado de Jogos e Costumes, transmite-lhe a ordem de libertar as caftinas da Barroquinha e lhes permitir o regresso às casas, suspendendo a mudança.

Do outro lado do fio, o subordinado certamente argumenta, o chefe coça o queixo lamentando:

- Nem sempre se pode servir os amigos como se deseja. O assunto não marchou, aliás, marchou muito mal, infelizmente.

Solte as mulheres, dê garantias, mande nossos homens abandonar a zona, deixe apenas o policiamento normal.

Já impaciente, interrompe as queixas do delegado.

São ordens do governador, não posso fazer nada. Quanto ao velho, não se aflija, ele fica por minha conta, eu mesmo falo com ele. Não esqueça de me dar notícias, tenho de manter o governador informado.

O bacharel Hélio Cotias larga o telefone. O velho fica por minha conta; e Cármen, ficará por conta de quem? Esposa e tio vão-lhe infernar a vida. Tem vontade de largar tudo, mandar o cargo às favas, solicitar demissão, ir para casa, trancar-se a dormir, está exausto.
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quarta-feira, dezembro 28, 2011

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O "amarelo" da Carris mudou de cor. Com o esforço da subida até ficou encarnado...



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CRISTAL - O lado positivo das coisas...


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A MAIS LINDA VERSÃO DO "CIELITO LINDO"


A MINHA PRÓXIMA VIDA
Woody Allen




Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente.

Começar morto para despachar logo esse assunto.

Depois, acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.

Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.

Divertir-me, embebedar-me e ser, de uma forma geral, promíscuo e depois estar pronto para o liceu.

Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se.

Não temos responsabilidades e ficamos um bebé até nascermos.

Por fim, passados nove meses a flutuar num “spa” de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois…

Voila! Acaba com um orgasmo!

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 293



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Na Praça Castro Alves, sentado no automóvel, Edgard, velho chofer de táxi, cochila. O movimento é fraquíssimo àquela hora, quando todo o mundo está em casa, comendo, conversando, ouvindo rádio, preparando-se para descansar ou sair. Com a retirada das mulheres da Barroquinha, o fechamento das pensões na véspera, a afluência de clientes diminuiu nas redondezas. Ainda é muito cedo para o cabaré Tabaris abrir as portas e a animação recomeçar.

Edgar encontra-se sozinho no ponto, os demais choferes foram jantar, ainda não regressaram. No meio da madorna, na preocupação de não perder freguês, abre os olhos, constata a ausência de qualquer interessado. Antes de retornar ao sono, dá uma espiada na Praça. No ponto de ónibus, Jacira Fruta-pão vende mingau de puba, milho e tapioca. Quase ninguém, hora morta.

Suspende a vista e lhe cai o queixo. Cadê a estátua do poeta Castro Alves? Não está no alto pedestal a declamar de mão estendida para o mar imenso, reclamando justiça para o povo.

Para onde e porque a levaram? Certamente para limpá-la, mas sempre a limparam ali mesmo, sem necessidade de retirá-la. Alguma coisa sucedeu, que teria sido? Amanhã, com certeza, o jornal explicará o momento exacto.

Edgard retorna ao cochilo interrompido. Antes de adormecer, dá-se conta de que, sem a estátua do poeta, a praça fica diferente, menor, diminuída.

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Informado da gravidade da situação, o Senhor Governador acede em retirar-se da sala, onde o uísque é servido antes do banquete em homenagem ao almirante e aos altos oficiais norte-americanos, para trocar uma palavra com o vereador Reginaldo Pavão.

Activo correligionário, não há dúvida, mas picareta sem controle nem censura, o fogoso caça-votos-e-prestígio é mantido a prudente distância pelo chefe-de-estado, político de inteligência e astúcia celebradas, nascido pobre nas barrancas de São Francisco, subido na carreira a golpes de audácia e sabedoria.

Reginaldo é óptimo para ser utilizado em certas circunstâncias, mas sempre cuidadosamente; além de analfabeto, é audacioso. Mas o oficial de gabinete sussurrara horrores ao ouvido governamental, Sua Excelência pediu licença em seu melhor inglês, levantou-se.

Em sala próxima escuta relato e apelo. Patético, a voz encharcada em lágrimas, Reginaldo Pavão fala em tragédia grega. Porquê grega? O vereador leu Aristófanes – desejou perguntar o Excelentíssimo, mas a hora não é própria para gozação. Contenta-se em mandá-lo esperar enquanto tomará as devidas providências: aguarde aqui, caro Pavão, e terá boas notícias a transmitir às nossas…

- Como foi mesmo que você disse? Aquela expressão tão bonita? Ah! Sim: às nossas irmãs do meretrício.

- Prostitutas porém eleitoras, Excelência.

Do gabinete, o governador comunica-se com o chefe da polícia:

- Que história é essa de mudar à força as raparigas? Greve de rameiras, onde já se viu? Só mesmo na Bahia e em meu governo. E os marinheiros, meu caro? (click na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 32 SOBRE O TEMA:
“PARA QUE SERVE A ORAÇÃO
(4ª e últ.)




Deus Ajuda a Quem ...



A sabedoria convencional tem-se apoiado tradicionalmente em ditos e provérbios que expressam a necessidade de "fazer a nossa parte" e não rezar esperando tudo de Deus. Deus ajuda quem se ajuda é o “dito” mais popular a este respeito. Ele também diz: “Reza, mas continua a remar” . E cantavam o Guaraguao: “oração não é suficiente / é preciso muito para alcançar a paz” . E Inácio de Loyola disse: “Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus” . E o teólogo Dietrich Bonhoeffer disse, apelando para a responsabilidade pessoal permanente: “para ser cristão é viver como se Deus não existisse “.

terça-feira, dezembro 27, 2011

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Até em dias de nevoeiro a velha Lisboa é bonita...



Num banquete estava um padre católico sentado ao lado de um rabi judeu.

O padre, querendo gozar o rabi, enche o prato com pedaços de um suculento leitão e depois oferece ao "colega".
O rabi recusa, dizendo:


- Muito obrigado, mas...não sabe que a minha religião não permite a carne de porco?

- Liiiiivra!!! Que religião esquisita! Comer leitão é uma delííícia!
Comenta o padre com ironia.

À hora da despedida, o rabi chega e diz ao padre:

- As minhas recomendações à sua esposa!

E diz o padre, horrorizado:

- Minha esposa? Não sabe que a minha religião não permite casamento de sacerdotes?

- Liiiiivra!!! Que religião esquisita! Comer mulher é uma delííícia!!!....mas se você prefere leitão....!!!

PAULINHO TAPAJÓS - ANDANÇA

A imagem do nordeste brasileiro esteve durante muito tempo estereotipado no sul, considerada gente profundamente religiosa, mística, e ainda o é, mas também exótica nos seus costumes, fazendo parte de um Brasil impenetrável e desconhecido principalmente nos fins do século XIX e início do seculo XX. Paulo Tapajós, homem da Rádio, cantor e compositor foi um dos intérpretes da obra de Catulo da Paixão. Com ele, o Nordeste deixou de ser uma "terra de ninguém" e ajudou a fazer mais felizes as noites do luar brasileiro.


TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio nº 292



Exactamente no momento em que, sob o comando supremo do comissário, as forças da polícia preparavam-se para encurralar as mulheres e obrigá-las a trabalhar, camelos e moleques entram mercando em inglês, numa algazarra infernal.

No desconhecimento da combinação, os soldados da polícia militar atiram os cavalos contra a inesperada praga de infractores das posturas municipais, tentando limpar as ruas da presença ilegal e numerosa a aumentar a confusão reinante.

Os vendedores esperavam encontrar ávida e gentil freguesia de marinheiros mascando chicletes, distribuindo cigarros, comprando preservativos e medicamento, pagando em dólares, tudo sob as vistas grossas da polícia de costumes, toda ela conivente.

Em vez de marinheiros e raparigas, a cavalaria a atropelar, expulsando-os.

A molecada se espalha, refugia-se nas casas. Nas ruas rolam cestos, espalhando-se no calçamento milhares de camisas-de-vénus. Os frascos se rompem, derrama-se nas sarjetas o milagroso preparado do ilustre químico e farmacêutico Heron Madruga.

As mulheres usam os vidros do “Cacete Rijo” como armas contra os guardas e tiras. De revólver em puno o comissário Labão tenta impedir a falência da empresa, o desmoronamento completo da organização. Ouve-se o silvo do carro dos bombeiros.

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A partir da praça da Sé, Anália e Kalil dão se conta de algo grave a suceder na zona. No Terreiro de Jesus, muita gente a comentar, alguns poucos se atrevem a passar ao lado das viaturas de polícia e a penetrar na área do conflito.

A moça e o rapaz ladeiam a Faculdade de Medicina, descendo para o Largo do Pelourinho. Anália toma a imagem das mãos de Kalil:

- Hoje, você não pode ir lá a casa. Balaio fechado. Dão mais alguns passos juntos, encontram-se em meio à confusão, cercados pelos polícias. Um guarda avança para Anália, Kalil interfere, a rapariga corre, não sabe para onde ir, tonta. Vinda do alto, ouve uma voz masculina a lhe sussurrar ao ouvido:

- Para a Igreja, depressa, bela filha de Piauitinga.

Chega a brisa da noite, voz de melodia, condoreira, ao mesmo tempo doce e imperativa. Correndo, Anália dirige-se à Igreja, mas os tiras ocuparam a escadaria para impedir a passagem das mulheres. Como atravessar? Como, nem ela própria sabe, mas atravessou.

Sentiu-se tomada nos braços de um moço bonito, seu conhecido de vista, mas de onde o conhece, quem é ele? De súbito, estavam do lado de lá, ela e a imagem de Santo Onofre, na porta semi-aberta da Igreja, sãs e salvas. Dali espiou e viu Kalil sendo levado por dois guardas para um carro de presos, debatendo-se.

Quer correr para junto do amante, mas as outras mulheres não permitem, arrastam-na para dentro do templo, recebem a imagem em triunfo. Chorando, Anália abriga-se nos braços de Tereza Batista.

Não chore, pequena, tudo está bem – Tereza consola:

- Ele não vai ficar preso muito tempo. Dona Paulina também está presa, muita gente. Mas ninguém abriu o balaio. (click na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 33 SOBRE O TEMA:

“PARA QUE SERVE A ORAÇÃO” (3)


Medalhas, Escapulários…


É uma longa tradição a de usar cruzes, escapulários, medalhas em volta do pescoço como uma expressão da religião. O mais popular escapulário é o de Nossa Senhora de Carmen, que segundo a tradição, o teria entregue a Simão Stock em 1251, em Londres, prometendo que quem morresse com esse pedaço de pano sobre o corpo não iria para o inferno.

Em qualquer uma das muitas páginas da Internet sobre estas devoções é evidente o seu carácter supersticioso. Afirmam, que usando ao pescoço medalhas ou escapulários, incluindo uma cruz, isso significa "protecção" de duas maneiras: impede o portador de "ir a sítios maus" e asseguram um resguardo divino já que esses objectos são sinais visíveis da divindade de quem somos fiéis.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

IMAGEM


(click na imagem)


O TEMPO


O nosso cineasta centenário Manoel de Oliveira, produziu uma frase tão simples e óbvia como tocante de humildade e de verdade:

- “ Em casa falta-me espaço e na vida falta-me Tempo” e eu adiantaria que, se calhar, Deus é o Tempo.

Stephen Hauking, inglês, considerado o maior físico da actualidade diz que antes de haver universo não havia tempo, não havia nada, tão pouco Deus. Caso pudesse haver um relógio, da melhor qualidade que ele fosse, não trabalharia pela simples razão que não havia tempo para medir.

O cientista escreveu um livro intitulado “História do Tempo” que despertou tanto interesse que durante quatro anos se manteve como o livro mais vendido da lista do London Sunday Times.

Quem melhor que ele para satisfazer a nossa curiosidade sobre estas questões numa impressionante entrevista que é, simultaneamente uma enorme prova de esforço e coragem?

Stephen Hawking

Que admirar mais: se o brilhantismo do seu espírito científico ou a coragem e o esforço para conseguir comunicar. Este homem é o orgulho da raça humana e do poder de um cérebro sobre um corpo que a doença degradou até um último estado.

(continuação)


TEREZA

BATISTA

CANDADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 291


De há muito procura dona Paulina imagem de bom tamanho do santo protector para entronizá-la no oratório, onde já se encontram Nosso Senhor dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição. Sabedora do comércio de imagens e velharias do pai de Kalil, pediu ao rapaz para reservar-lhe uma de Santo Onofre, grande, pouco estragada, e que lhe saísse em conta. Nas lojas do ramo não se encontra nenhuma, velha ou nova.

Em geral, no negócio do velho Chamas, os santos valem fortunas, apesar do mau estado de conservação, de lhes faltarem braços, cabeças, pernas – peças para museus e colecções. Por vezes, no entanto, em meio a uma batelada de imagens descobertas no interior, vêm algumas recentes, sem cabimento em casa de antiguidades. Logo delas se desfazem, vendendo-as por qualquer dinheiro. Se alguma assim aparecer, de Santo Onofre, dona Paulina pode contar com ela e nada lhe custará, oferta de quem abusa da sua hospitalidade. Aparecera na antevéspera, grande, quase nova, de gesso, mas Kalil esquecera-se de levá-la.

Deixa Anália na esquina, vai em busca do santo, volta com ele embrulhado numa folha de jornal. Seguem a pé subindo a Ajuda.

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Soube-se, depois, que algumas donas-de-pensão, tanto no Maciel, quanto no Pelourinho, por um lado amedrontadas com a violência policial, por outro a calcular o prejuízo resultante do facto das raparigas não exercerem em noite de marinheiros americanos pagando em dólares, pensaram em romper o acordo e recomendar às inquilinas a abertura dos balaios.

Dessa ameaça de traição Vavá teve imediato conhecimento no lugar onde se encontrava (esconderijo até hoje desconhecido da polícia e da quase totalidade da população da zona). Enviou recado urgente às frouxas. Ai daquela que romper o compromisso e desobedecer às ordens de Exu! Não durará na zona nem na cidade da Bahia, terá de mudar-se incontinente, se antes não morrer de morte feia. Aqui na mesma hora ou em outro mangue no prazo de um mês, a sentença de morte quem ditou foi Tiriri, ai daquela! Explicada fica a união mantida até ao fim, a unanimidade dos balaios fechados.

Unanimidade ainda assim rompida. Ou não?

De repente, no meio da balbúrdia, uma quenga magra e alta apareceu de bolsa em punho, cabeleira loura, saltos altíssimos, vestida de organdi azul. A fazer o trotuar, a rodar a bolsa, clássica marafona em busca de freguês. Vibraram os tiras, apressados os tiras em garantir-lhe o exercício da profissão. Finalmente aparecia uma mulher-dama disposta a cooperar no Retorno Alegre ao Trabalho.

Ao aproximarem-se, porém, constataram – cruel decepção! – tratar-se de Greta Garbo, garçom de bordel de Vavá, em crise de consciência desde a véspera. Devia também fechar o balaio ou a ordem não o (a) atingia? Vacilou longo tempo, prevalecendo afinal o desejo de aproveitar a oportunidade rara: a cidade cheia de marinheiros, vazia de mulheres, ah!

Tomaram-no preso, meteram-no num carro celular, e as raparigas ali metidas bateram no chibungo, vítima da ambição desmedida porém louvável de satisfazer sozinho à marinha de guerra norte-americana.

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Obedientes às instruções do comissário Labão Oliveira, sócio maior da empresa turística montada para acolher os marinheiros, por volta das vinte horas todo o meretrício é invadido por dezenas de camelos e capitães da areia, cada qual sobraçando um balaio repleto de camisas-de-vénus e vidros de “Cacete Rijo – one dose five fucks”.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 32 SOBRE O TEMA:

“PARA QUE SERVE A ORAÇÃO” (2)


Uma Atitude Interior


As orações não têm como objectivo serem ouvidas no céu por Deus, Jesus, Maria, os santos ou os anjos e atendidas graciosamente em favor daqueles que as rezam. Essa é uma visão arcaica que aparece em todas as religiões do mundo, mas não é uma visão cristã não é o que Jesus ensinou. As orações podem causar efeito - conforto, encorajamento, paz, até mesmo curar qualquer doença, mas não porque tenham "convencido" Deus a actuar mas sim pela atitude interior em que se coloca a pessoa que reza - reconhecendo a sua vulnerabilidade, aceitando com humildade as suas limitações, fragilidades, medos, confessando os seus erros, disposto a perdoar, a mudar suas vidas, decidindo viver ...

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