quarta-feira, maio 11, 2011

ATENÇÃO






De amanhã, 12, a 19 estarei de férias. A Tereza regressará sem falta a 20 ou 21. O que irá entretanto fazer Daniel aproveitando a ausencia do capitão em viagem na Bahia, com todas aquelas mulheres, sinceramente tambem não sei. Descobri-lo-emos, episódio em episódio, pela mão de mestre do melhor contador de histórias em língua portuguesa que é o grande Jorge Amado.


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Prodígio de imitações

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PENSAMENTOS




ISAAC ASIMOV dizia:



- A vida é agradável. A morte pacífica. A transição é que é perturbadora.



WOODY ALEN, que também leu este pensamento, dizia de outra maneira:



- Não é que eu tenha medo de morrer; só não quero é estar presente quando isso acontecer.

CASSIA ELLER E LUÍS MELODIA - JUVENTUDE TRANSVIADA


Cassia (1962-2001) despertou no mundo artístico num espectáculo de Oswaldo Montenegro. Voz grave, de um grande ecletismo musical, era assumidamente uma intérprete e, também, assumidamente, bissexual. Teve um filho do baterista Tavinho Fialho que morreu de acidente meses antes da criança nascer. Ela vivia com uma companheira criando o filho a quem chamava, carinhosamente, de Chicão. Morreu aos 39 anos, no auge da carreira, de enfarte de miocárdio. Ele, Luís Melodia, cantor e compositor, nascido em 1951, cresceu no Morro de São Carlos, filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia



TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA




Episódio Nº 104





- Demora por lá? Quem sabe ainda lhe alcanço.

- Nem eu sei, depende tudo do juiz, tenho uma pendência no fórum. Aproveito para ver os amigos, nas secretarias, gente do Governo, conheço muita gente na Bahia e os assuntos daqui, abaixo dos Guedes, quem resolve sou eu. Vou demorar bem uns quinze dias.

- Ainda assim não lhe alcanço, prometi ao velho passar um mês com ele. Sem falar na vizinha, tenho de tirar a limpo esse assunto, descobrir a verdade, se é virgem ou não. Para mim é ponto de honra. Mas façamos o seguinte: eu lhe dou uma carta para Rosália, o amigo a procura em meu nome no Tabaris.

- No cabaré Tabaris? Conheço, já estive.

- Pois ela canta lá todas as noites.

- Então está certo, me dê a apresentação e vou conhecer esse tal de buchê árabe. Mas avise a ela para me respeitar, é ela em mim e acabou-se, se não quiser apanhar.

- Eu mantenho a aposta, capitão, Rosália vai lhe virar pelo avesso.

- Ainda não nasceu a mulher que mande no capitão Justo, muito menos que faça dele cachorro de francesa. Homem macho não se rebaixa a isso.

- Um conto de reis meus contra cem mil reis seus como o capitão lambe Rosália e pede bis.

- Nem por brincadeira repita isso e sua aposta não aceito. Escreva para essa dona, diga que pago a ela direito, mas que me respeite, não debique em mim. Quando me zango, não queira saber.

Tanta fama de mau, um bobo alegre, concluía Daniel. Que outra coisa pensar de um tipo que pendura no pescoço um colar de argolas de ouro a lembrar cabaços de pobres roceiras? Arrotando macheza enquanto em sua cara Daniel seduzia Tereza.

Seduzia Tereza. Sem querer, sem saber porquê, à revelia de sua vontade. Tereza responde aos olhares – que olhos mais tristes, mais azuis e funestos, a boca vermelha, os anéis do cabelo, anjo caído do Céu.

Quando se foram rua afora, conversa de não acabar, Tereza escondeu no peito a flor trazida por ele. Nas costas do capitão, Daniel lhe mostrara a rosa fanada e tendo-a beijado, no balcão a pousou. Para ela a colhera e beijara; no seboso balcão uma rosa vermelha, um beijo de amor.

29

No fim da semana incerta e nervosa, Magda, com a autoridade da irmã mais velha, colocou o problema na mesa de jantar:

- Ele precisa de definir-se. Seja qual for a noiva escolhida, estaremos todas de acordo, as outras três se conformam, iremos tratar do enxoval. Das quatro juntas é que não pode ser, ele é um só.

- Bem que ele dava pelo menos para duas… É tão grande! – atreveu-se Amália disposta a qualquer acordo.

- Não diga tolices, não seja ridícula.

- Mais ridícula é mulher velha atrás de rapaz novo. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTRVISTA Nº 104 SOB O TEMA:

“QUE RELIGIÃO FUNDOU

JESUS CRISTO?” (1)



Religião: Unir, Juntar-se.

Religião vem da palavra latina "religare", que significa juntar coisas que são separados, uni-las para que convivam juntas. A religião devia servir apenas para nos juntarmos ao mundo, àquilo que nele existe e vive, para que pudessemos construir um mundo unido e em paz.

A religião devia servir para nos ajudar a superar os conflitos e contradições e compreendermos que não podemos sobreviver como indivíduos isolados. No entanto, as religiões têm, em geral, agido em sentido contrário: elas têm desunido as pessoas, provocado rivalidades e conflitos, criado tensões e divisões, estabelecendo fronteiras inúteis e antagonismos.

As religiões procuram responder às necessidades espirituais dos seres humanos. A espiritualidade é uma realidade humana que é muito mais profunda e vital que a religião. Muitas vezes os dois conceitos, a religião e espiritualidade, estão confusos, sobrepondo-se. No entanto, como a consciência da humanidade evolui, a necessidade de distinguir entre a religião e a espiritualidade torna-se mais clara.

A Teóloga Ivone Gebara lamenta: As Religiões foram transformadas em divisões de tal forma que talvez devêssemos perguntar: "Qual é a sua Divisão em vez de “Qual é a sua Religião?"

E um outro teólogo brasileiro Leonardo Boff, sentencia:: “As Religiões geram guerras, as Espiritualidades promovem a paz.”

terça-feira, maio 10, 2011

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Têm que treinar melhor...



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CAZUZA - O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA

Cantor e compositor brasileiro que ganhou fama como vocalista e principalmente como letrista da Banda Barão Vermelho.


O TRAIDOR


Um amigo apanha outro no WC a urinar sentado na sanita:

- Mas o que é isto, os homens mijam de pé! O que te aconteceu???

- Olha, na 2ª feira passada saí com uma loira, 1,80 m, seios fartos, um corpo inacreditável, e na hora H murchei!

- Na 3ª saí com uma morena, 20 anos, corpo firme, carinha laroca, e na hora H murchei!

- Na 4ª foi com uma ruiva, murchei!

- Na 5ª com uma cota enxuta, tudo em baixo...

O amigo, indignado, pergunta-lhe:

- É pá, tudo bem, murchar faz parte, acontece a qualquer um, mas por quê mijar sentado?

- Então tu achas que depois disto tudo eu ainda vou dar a mão a este traidor?

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE


GUERRA






Episódio Nº 103






_ Só quero saber se é donzela ou não. Aposto que é.

- Deus lhe ouça, capitão.

Ficavam os dois em prosa animada, de conteúdo invariável: a vida dos prostíbulos na Bahia, tema apaixonante para Justiniano Duarte da Rosa. Dan conquistara-lhe a confiança, juntos haviam ido à pensão de Gabi beber cerveja e ver as mulheres. Enquanto, encostado ao balcão do armazém, faz uma análise crítica da alta prostituição local, Daniel, nas barbas do implacável capitão, arrasta a asa a Tereza, na muda linguagem dos olhares e sorrisos carregados de sentido, prepara o terreno.

- Material de terceira, capitão, o da nossa Gabi, francamente medíocre.

- Não me diga que não apreciou aquela garota; não tem nem três meses na vida.

- Grande coisa não era. Quando o capitão aparecer na Bahia vou-lhe servir de cicerone, vou lhe mostrar o que é mulher. Não me diga de novo que conhece a Bahia muito bem; quem não frequentou o castelo de Zeferina nem esteve na casa de Lisete, não conhece a Bahia. E não me venha de polaca de Aracaju porque loura de verdade, platine-blonde de facto e não de cabelo pintado, vou lhe mostrar e que classe! Me diga uma coisa, capitão: já lhe fizeram alguma vez o buché árabe?

- Buchê, milhares, sou apreciador, mulher que deita comigo tem de manejar a língua. Mas esse tal de árabe não sei como seja. Sempre ouvi dizer que buchê é coisa francesa.

- Pois não sabe o que é bom. Essa loira que lhe vou apresentar é especialista, é uma argentina do barulho. Rosália Varela, canta tangos. Prefiro na cama, cantando não é lá essas coisas. Mas, para chupar não tem rival. No buché árabe, então é sensacional.

- Afinal como é esse negócio?

- Não conto porque se contar perde a graça, mas, depois de provar, o capitão não vai querer outra coisa. Só que Rosália exige o vice-versa.

- Que história é essa do vice-versa?

- O nome está dizendo: vice-versa, toma lá, dá cá, ou seja o conhecido sessenta e nove.

- Ah! Isso nunca. Eu, chupar mulher? Uma que me propôs, uma vagabunda que apareceu por aqui lendo sorte nas cartas, quebrei a cara da filha-da-puta para não ousar outra vez. Mulher chupar homem, está certo, é lei natural, mas homem que chupa mulher não é homem, é cachorro de francesa – Aprendera a expressão com Veneranda, repetia com orgulho.

- Capitão, o amigo é um atrasadão, mas quero-lhe ver nas mãos de Rosália fazendo tudo o que ela quiser, lhe digo mais: de joelhos, pedindo para fazer.

- Quem? Eu, Justiniano Duarte da Rosa, o capitão Justo? Nunca.

- Quando vai a Bahia, capitão? Marque a data e eu aposto em Rosália a dez por um. Se ela falhar a festa nada lhe custa, é de graça.

Só que vou a Bahia por esses dias, logo depois das festas. Recebi um convite do Governador para a Festa do Dois de Julho, a recepção no palácio. Foi um amigo meu que é da polícia que arranjou
.(clik na imagem e aumente)

ENTREVISTAS FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO Nº 103 SOB O TEMA:

”QUE RELIGIÃO FUNDOU JESUS CRISTO?”




RAQUEL – Por uma questão de segurança e por desejo expresso do nosso entrevistado, Jesus Cristo, que nos disse que dentro de poucos dias dará por concluída a sua segunda vinda à terra, temos que voltar para a Galileia, apesar de não localizarmos a nossa unidade móvel.

JESUS - Sim, Raquel, está chegando a hora de ir ...

RAQUEL - Foram muitas as questões que abordámos e as suas declarações foram ousadas. No entanto, a audiência de Emissoras Latinas diz que hoje tem mais perguntas do que respostas.

JESUS - Isso seria uma boa colheita, uma colheita abundante. Quando alguém faz perguntas, é preciso procurar.

RAQUEL - Dizem que todas as religiões buscam Deus.

JESUS - As religiões ajudam apenas por um tempo. Depois tem que se ir além da religião.

RAQUEL - O senhor é considerado o fundador de uma religião, a religião cristã, que domina no Ocidente.

JESUS - Eu não fundei nada, Raquel, e muito menos ainda para dominar. Eu queria servir e procurei Deus através da religião dos meus pais, a religião judaica…

RAQUEL - E o que encontrou?

JESUS - O Templo, os sacerdotes, a lei do sábado, o jejum, o rosário de orações, os fariseus, acreditando que são os primeiros, rituais, sacrifícios de sangue ...

RACHEL - Tudo negativo?

JESUS - Não, encontrei profetas que falavam com muita paixão pela justiça. Que deram a cara pelas viúvas e órfãos. E seguindo seu exemplo, começaram a proclamar o Reino de Deus…

RAQUEL – Daí começou o seu movimento?

JESUS - Sim, dizíamos: Deus não quer sacrifícios, mas o amor. Dizíamos: nem neste Templo ou noutro. Dizíamos: os últimos serão os primeiros… As pessoas encontraram um caminho, uma verdade, uma vida.

RAQUEL - Em seguida, fundou uma outra religião, a religião cristã, onde se encontra o caminho, e a verdade.

JESUS - Não, Raquel, repito que não fundei nenhuma religião. Eu aprendi que para encontrar Deus é preciso ir além de qualquer religião.

RAQUEL - E quando chegamos mais "além" da religião ... onde encontraremos Deus?

JESUS – Onde ele sempre tem estado. Na rua, no meio do povo, na vida, na festa, na justiça, em compaixão, no amor ... Até nas flores silvestres e pássaros do céu… Quando nada é sagrado, tudo começa a ser sagrado.

RAQUEL - Senhor Jesus Cristo, vivem hoje no planeta Terra mais de 6 mil milhões de pessoas, e pelo menos mil milhões vêem-no como o mensageiro de Deus. Mais ainda, eles adoram-no como sendo Deus.

JESUS - Quantos disseste? Mil entre seis mil?... Pelo menos não são a maioria!

RAQUEL - O que lhes diz, aos cristãos que puseram sua fé em si e nas suas palavras?

JESUS - Para procurarem o Senhor como eu procurei. Quem procura, acha, e a quem chama se responde. Eu não sou a casa, eu fui apenas como uma porta. Entrem livremente e continuem para além de mim.

RAQUEL - E os milhares de milhões que não são cristãos, que acreditam em outras religiões ou não acreditam em nenhuma, o que lhes diria?

RAQUEL - A casa de Deus está aberta a todos os homens e mulheres sem distinção. E tem muitas portas, e há muito espaço e ar fresco que corre através dele, como aqui na minha terra, nesta Galileia de gentios.

RAQUEL - De um lugar na Galileia, no norte da Palestina, falou Raquel Pérez, das Emissoras Latinas.

segunda-feira, maio 09, 2011

VÍDEO


Massagem Tailandesa - Surprise...


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A

Tempestade





Eles estavam juntos na casa. Apenas os dois.
Era uma noite fria, escura e chuvosa. A tempestade tinha chegado de repente e cada vez que um trovão ecoava, ele observa o seu pulo.

Ela olhou através da sala e admirou sua força aparente...e desejou que ele pudesse pegá-la em seus braços, confortá-la e protegê-la da tempestade.

De repente, com um estouro, a energia se foi... ela gritou...

Ele correu ao sofá onde ela se encolhia de medo.

Ele não hesitou e a colocou em seus braços.

Ele sabia que era uma união proibida e tinha a expectativa de que ela o empurrasse de volta.

Ele ficou surpreso quando ela não resistiu e o agarrou.

A Tempestade passou...

Eles sabiam que estavam errados...

Suas famílias nunca entenderiam... tão consumidos estavam em seu MEDO que não ouviram nenhuma porta se abrindo... apenas o clique seco de uma máquina fotográfica...

A COR DO SOM - SEMENTE DE AMOR

A música da Banda "A Cor do Som" que foi ícone da rapaziada da zona sul carioca no começo dos Anos 80. As imagens deste vídeo são espectaculares!


TEREZA

BATISTA


CANSADA



DE



GUERRA


Episódio nº 102


Não apenas por julgá-lo amante de Teodora como porque, pertencendo Tereza ao capitão, só um louco de hospício se atreveria. A não ser no segredo maior da mão e do cuspo, nas trevas da noite.

Nem sempre Tereza estava em frente à pequena mesa a fazer contas. Cabia-lhe ocupar-se com o quarto e as roupas do capitão. A limpeza somaria da casa e do armazém, inclusivé da latrina situada no quintal, faziam-na os caixeiros ao chegar de manhã cedinho. Chico Meia-Sola punha a panela no fogo com feijão, carne seca, abóbora, aipim, inhame, um naco de linguiça – aprendera a cozinhar na cadeia. Na hora de meio-dia, de escasso movimento, Chico e os dois rapazes entravam para almoçar, ficando Tereza sozinha no armazém para o caso de aparecer algum freguês.

Estando o capitão na cidade, Tereza punha a toalha na mesa, os pratos, os talheres, servindo-lhe a cachaça antes do almoço, a cerveja durante. A comida de Justiniano vinha da pensão de Corina, em marmita farta e variada. O capitão comia com vontade, pratos enormes, e podia beber quanto quisesse sem se alterar. Chico Meia-Sola tinha direito a um cálice de cachaça ao almoço, outro ao jantar, um único, engolido de um trago. Em compensação, nas noites de sábado, das vésperas de feriado e de dias santos, bebia até cair como morto na cama de vento ou em quarto de mulher dama barata. Na ausência do patrão, Tereza não colocava toalha na mesa, não usava talheres, comendo de mão a bóia feita por Chico, acocorada a um canto.

Dos usos e costumes do armazém Daniel se informou com rapidez, em perguntas casuais aos caixeiros, enquanto, para gáudio dos rapazolas, exibe-se às irmãs firmes nas janelas do chalé.

Aflitas irmãs, devoradas de impaciência e estranheza: porque essa absurda timidez? Chegado da capital, com fama de audaz conquistador, de terror dos maridos, e até de gigolô – dona Ponciana de Azevedo, sabedora das andanças de Dan no passeio fronteiro, aparecera em visita e detalhara escândalos – o formoso mantinha-se distante, discretíssimo, sem tentar aproximação maior, perdido em preliminares e, o que era ainda mais extraordinário, interessado igualmente nas quatro irmãs, pelas quatro se distribuindo em gentilezas e insinuações – quem sabe provinha a inconcebível timidez exactamente da dificuldade em decidir-se por uma delas?

Teodora, caçula e heroína, dera por descontado ser o único motivo da presença do estudante antes do almoço e no fim da tarde. Preferência contestada pelas irmãs – hoje ele me deu adeus, referia Magda; jogou-me um beijo, anunciava Berta; fez o gesto de me apertar contra o seu peito, declamava Amália. Teodora nada dizia, senhora da verdade.

As quatro empenhadas numa batalha de vestidos, penteados e maquiagem – sedas e rendas com cheiro de naftalina e bolor, abertas as arcas. Antes tão unidas, desentendiam-se agora num clima de desconfiança e pendência, de palavras agres e risos de deboche. Cada uma em sua janela, Daniel na calçada em frente, sorriso na boca. Duas, três voltas, passeio acima, passeio abaixo, sob o sol do meio-dia ou a brisa da tarde, recolhia-se à sombra do armazém.

Suspiros das quatro irmãs nas sacadas; Berta ia correndo fazer pipi, só de vê-lo lhe dava um frio por baixo, tinha de prender-se para não urinar.

Também o capitão queria saber dos progressos de Daniel.

- Então, já provou da fruta.

- Calma, capitão. Quando se der, lhe conto. (clik na imagem para aumentar)

COMENTÁRIOS SOBRE A ENTREVISTA



Nº 93 COM O TEMA: “A LENDA NEGRA”




Os Autores de "Um Certo Jesus"




Os autores destas entrevistas de Jesus Cristo (a Produção é de Maria e José Ignácio Lopez Vigil, natural de Cuba e que durante vários anos dirigiu a programação da Rádio Santa Maria e da Rádio Enriquillo na República Dominicana. Como autor de roteiros, o seu estilo é claro, directo e realista, causando bastante polémica em todos os países da região) dadas em exclusivo a Raquel Perez pretendem trazer ao nosso conhecimento um Jesus histórico para falar de como era no seu tempo e como ele pôs em causa muitos dos dogmas da sua religião no lugar dos frios relatos do Evangelho.

Apresentar Jesus como um homem de verdade, apaixonado pela justiça, defensor da dignidade humana, alegre, ousado em suas ideias religiosas, visionário, com um contra-projecto.

"Queríamos uma narrativa, com cores, cheiros, sabores, provérbios, risos e lágrimas, perfis psicológicos, drama e tragédia, lembrando o que nos ensina o grande teólogo protestante Joachim Jeremias, de que não há teologia melhor que a própria narração. Queremos preencher de imagens a Teologia da Libertação, libertar Jesus de séculos de solenidade que apenas o afastaram daqueles e daquelas com quem ele sempre esteve.

Os autores dos textos destas entrevistas escreveram-nas em 1977, gravaram-nas em 1979 e desde finais de 1980 começaram a ser ouvidas na América Latina. Quantas pessoas já as ouviram ou leram é difícil de calcular. Em 1982, a série de rádio tornou-se um livro e desde 2004 estão colocadas na rede da Internet e todos os dias atraem novos navegadores.

Quase 30 anos depois de terem sido escritas novas gerações continuam a procurar o Moreno de Nazaré, que ri, que duvida e não queria morrer, o tal Jesus histórico, que é o caminho para chegar a outro Deus.

Com "Um Certo Jesus" os autores foram acusados de heresia e de vulgares e até mesmo de odiarem Deus e de promoverem pornografia. Também alguns lhes disseram, como o ouvinte da última entrevista, que não era "construtivo" o que fizeram. Quase todas as conferências de bispos latino-americanos proibiram os programas de rádio embora nenhum deles se tenha dignado a ouvir um único episódio da série e muito menos a conversar com os autores. A hierarquia espanhola condenou a primeira edição mas como não eram funcionários da igreja não puderam proibir o ensino ou censurar o que escreveram.

Enquanto em 1981 as proibições de “Um Certo Jesus” vinham e iam, pouco a pouco, da mesma forma que crescem as sementes da mostarda, as cassetes primeiro e depois os livros distribuíram-se, foram copiados, passaram de mão em mão, na rádio e discutidos nas comunidades cristãs.

Agora, chamaram o "moreno" de Nazaré, pediram-lhe para voltar ao nosso mundo e entrevistaram-no através dos microfones da experiente jornalista Raquel Perez, enviada especial das Emissoras Latinas para que seja o próprio Jesus da história a falar-nos sobre o "Cristo da fé". Para que seja ele quem desmascare aqueles que há quase dois mil anos afirmam que o representam e não têm feito mais nada do que esconder a sua mensagem de justiça e equidade.

E para dar esperança a muitas avós como aquela que o interpelou durante a entrevista do programa e a muitos órfãos e viúvas, muitas mulheres, muitas pessoas pobres e de muitos jovens que lutam e procurando um outro mundo e outra face de Deus.

PS - A imagem que agora acompanha o texto é a que melhor corresponde ao Jesus real, histórico que, evidentemente, não poderia ser louro dolicocéfalo, mas sim "o moreno da Nazaré" e que, por uma questão de verdade e rigor, passará a figurar nestas entrevistas.



Na minha qualidade de Não Crente faço questão de colocar O Memórias Futuras ao serviço destas Entrevistas e Informações complementares em homenagem a uma figura histórica das maiores que a humanidade teve pela qualidade da sua mensagem e coerência da sua vida e a todos aqueles que, do fundo de si próprios, sentem necessidade de acreditar em Deus.


domingo, maio 08, 2011

HOJE É


DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)







Se me fosse possível ler “estados de espírito” no rosto dos meus companheiros de Café, nesta manhã de Domingo, na minha cidade de Santarém, eu diria que há um certo “ar” de alívio, de descompressão, parecido àquelas borrascas que depois de carregarem o horizonte de negras nuvens aterrorizando-nos com a ameaça de raios e coriscos acabam por se dispersar no horizonte levando para outras bandas os temores com que nos amedrontaram.

Foi isto mesmo que José Sócrates veio dizer-nos na noite do dia em que as negociações foram fechadas:

- Pronto, podem dormir descansados porque os piores receios já passaram…

Os jornais, a comunicação social de uma forma geral – há quem insinue “por assopragem” de fontes próximas do governo, outros da oposição - tinham-nos preparado para um desfecho muito pior: subsídio de férias, de Natal, cortes nas pensões a partir dos 600 euros… afinal, nada disso, descansou-nos o chefe do governo… foi um bom acordo, disse ele a pensar nas próximas eleições.

Enfim, as cartas estão na mesa, as regras meticulosamente estabelecidas, tornando o jogo que nos foi imposto, a nosso pedido, difícil e rigoroso. As próximas eleições dirão quem o vai jogar, sendo certo que as dificuldades são tantas que, desta vez, a aliança e o entendimento entre os jogadores vai ser mesmo indispensável ou não se cumpre o acordado e o dinheirinho deixa de vir.

Como dificuldades acrescidas temos o substrato mental de grande parte da estrutura político/ partidária que caracteriza ainda a nossa sociedade, ou uma parte dela: provinciana, saloia, hipócrita, paroquial, reaccionária: … na Páscoa, o líder da oposição e a esposa, sentados no sofá da sala, não me recordo se de mãos dadas, desejavam uma Boa Páscoa aos portugueses… mas, se vier a ser governo, todo o aparelho Administrativo do Estado e Autarquias será invadido de acólitos seus substituindo os acólitos do partido do actual governo em cumprimento de uma concepção atrasada e primária do poder político em que tudo o que são interesses do partido vencedor têm que ser contemplados para que a vitória seja mesmo vitória… para bem deles e mal do país.

Quando nos referimos às “malfadadas” reformas estruturais que parecem ser o “calcanhar de Aquiles” da política governativa, penso como é difícil ultrapassar vícios muito antigos, maneiras de estar em sociedade… afinal a política, como se vê pelos momentos que estamos a viver, não é um jogo, pelo contrário, é o que há de mais sério para o nosso futuro e quando se fala em mudança, não é de governo, nem de partidos, muito menos de ministros… é de mentalidade que permita pôr os superiores interesses do país acima de todos os outros fazendo-o com inteligência, rigor e competência.

Mas esta semana outro facto importante aconteceu no mundo: finalmente mataram Bin Laden:

- Vivo, ele era um consolo moral, um estímulo, uma inspiração, um trunfo para todos os terroristas deste mundo;

- Morto, um alívio para a humanidade.

Ninguém deve continuar a viver depois de ter sido o mentor do espectáculo horrível a que o mundo assistiu a 11 de Setembro de 2001.

Desde esse momento, a presença entre os vivos de Osama Bin Laden era um escândalo, uma ofensa, motivo de luto e nojo para todos nós.

Poderá até haver um recrudescimento momentâneo de terrorismo em sinal de desespero e vingança, mas a reacção do mundo livre, independentemente de todas as diferenças religiosas, sociais e políticas, só pode ser a de lamentar e interrogar-se como foi possível aquele criminoso viver há anos naquela espécie de palácio, bem instalado, rodeado de família e de pessoas da sua confiança, nos subúrbios de uma cidade e não escondido como um bicho em grutas de montanhas inacessíveis.

O facto de Obama ter sido o responsável, líder e comandante da operação que conduziu a este desfecho, pessoalmente, foi duplamente consolador.

Por isto, a semana terminou melhor do que a anterior… e isso foi bom.

Bom Domingo para todos.


(Na imagem, ao fundo, o edifício que foi o Quartel de Cavalaria 7 de onde Salgueiro Maia, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, partiu para Lisboa a comandar as tropas que deram um contributo decisivo na vitória da Revolução dos Cravos.)

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