sábado, julho 03, 2010

CANÇÕES FRANCESAS

ALAIN BARRIERE - A REGARDER LA MER (1970)
o vídeo é fracalhote... feito com telemóvel... mas o importante é a canção e a voz do Alain Barriere

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

MARIAH CAREY - WITHOUT YOU
Não tenho palavras... esta canção paraliza-me...


CANÇÕES ITALIANAS

EROS RAMAZOTI - OTRA COMO TU
Nasceu em Roma, há 47 anos e recebeu das mão do seu pai, também cantor, a sua primeira guitarra aos 8 anos.

CANÇÕES BRASILEIRAS

ANGELA MARIA - BABALU
Esta interpretação é de 1959. Angela Maria nasceu em 1928 no Rio de Janeiro. Era uma soprano sem educação vocal, puro talento natural. Sua voz prodigiosa atingia notas altíssimas com um timbre lindo e como tinha perfeito domínio do fôlego cantava com pouco esforço. Como voz natural estará entre as melhores vozes do mundo.

CANÇÕES PORTUGUESAS

HERMÍNIA SILVA - FADO DA SINA
Não se pode falar do fado sem referir Hermínia Silva e o fado da Sina é a sua imagem de marca. Se fosse viva teria feito 103 anos. Conheci-a pessoalmente quando foi cantar a um restaurante do meu irmão. Intrduziu no fado letras menos tristes fazendo a transição do fado tradicional para o fado musicado.O maestro Jaime Mendes e o compositor Raúl Ferrão foram muito responsáveis por esta mudança.


DONA

FLOR

E SEUS

DOIS

MARIDOS


EPISÓDIO Nº 162


- Hei de me rir, de dizer: “venha dormir comigo…?” Prefiro morrer. Só fui para a cama com o meu marido…

- Meu marido morreu…

- Morreu o primeiro… Nada impede que você tenha outro. Você é moça, Flor, nem chegou aos trinta…

- Vou completar no fim do ano…

- Menina ainda… Para o que você tem, que não é doença nem maluqueira, só existem dois remédios, minha filha, casamento ou descaração. Ou então entrar de freira num convento. Nesse caso tome cuidado com os padeiros, leiteiros e jardineiros, e com os padres, para não cornear deus Nosso Senhor.

- Não brinque, Norminha…

- Não estou brincando, Flor. Se você fosse descarada, podia continuar viúva, vestida de preto: ia dando por aí, a um e a outro, se divertindo, se desesperando. Mas, como você não é nada disso, é séria mesmo, então tem de casar, não tem outra coisa a fazer…

Desejo de viúva Norminha, vai no carrego do defunto, viúva não tem direito nem a memória de cama, a recordar noites de vadiação, quanto mais a ilusões de noivado e casamento, de outro marido. Tudo isso não passa de insulto à memória e à honra do finado.

Desejo de viúva é tão vivo quanto o de donzela ou de casada, se não for mais, sua tola; assim lhe respondia enérgica dona Norma. Novo casamento não é nenhum insulto à honra do defunto; qualquer mulher pode prezar a memória de marido morto, e ser feliz, ao mesmo tempo, em companhia de um segundo esposo. Sobretudo, ela, dona Flor, cujo primeiro casamento fora tão insólito e nem sempre alegre, para não dizer pior.

Conversa longa e benéfica, as duas amigas a sós, numa intimidade de estima verdadeira, duas irmãs não se entenderiam tanto, dona Flor finalmente convencida. Talvez já estivesse antes, no cruel debate consigo mesma, não o confessaria jamais, no entanto, se dona Norma não lhe arrancasse os véus do preconceito, de um falso luto apodrecido no desejo.

- Mas, Norminha, que adianta eu ficar de acordo? Quem vai me querer de noiva? Ninguém quer sobejo de defunto, eu não vou sair me oferecendo… Vou morrer nessa consumação.

- Arranque a tabuleta e eu não dou seis meses…

- Que tabuleta?

- Essa que você leva no rosto: “Sou viúva para sempre, morri para a vida e para o casamento”. Arranque, volte a rir, a ser igual a todo o mundo e aposto que em menos de seis meses…

Essa conversa teve lugar uns poucos dias depois do Carnaval que naquele ano caíra muito tarde, já em Março, mais ou menos um mês após o primeiro aniversário da viuvez de dona flor.

Na manhã daquele fúnebre aniversário, dona Flor dirigiu-se ao cemitério, com lágrimas e com flores, demorando-se junto à campa longo tempo, como se ali encontrasse alívio e calma. Foi um dos seus dias mais tranquilos em todo o confuso tempo de viuvez, sentindo-se ela apenas triste, com saudades do falecido. Uma saudade funda e confortante.

Já os dias de Carnaval lhe foram mais penosos. Nas músicas e nas canções muitas das quais as mesmas do Carnaval anterior, vinham-lhe as lembranças do terrível domingo. Ao debruçar-se na janela para assistir à passagem de um bloco ou de um rancho, de um Zé-pereira, de um zabumba ou de afoxê, recordava o morto no chão do Largo Dois de Julho, entre as serpentinas e confetes, vestido de baiana.

sexta-feira, julho 02, 2010


ENTREVISTAS


FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 37


Tema – A Personalidade de Jesus.


Raquel – A unidade móvel das Emissoras Latinas desloca-se agora para Sul, a Qumran. Envolve-nos uma paisagem desoladora com o Mar Morto nas nossas costas. Percorremos as ruínas do lendário Mosteiro dos Esenios (seita judaica surgida 200 anos A.C. e fundada por sacerdotes do Templo de Jerusalém que eram críticos da corrupção que reinava no Templo), monges contemporâneos de Jesus da Nazareth. O senhor Jesus Cristo, segundo nos contou, não esteve aqui…

Jesus – Não, já te disse que aqui só chegavam os filhos de algumas famílias da Judeia. Para além do mais, confesso-te, não teria gostado deste ambiente.

Raquel – Por causa da solidão, do silêncio?

Jesus – E por estar isolado das pessoas.

Raquel – È verdade que João Baptista esteve aqui?

Jesus – É, sim. Depois deixou os Esenios e foi pregar no deserto. João Baptista era um pregador dos antigos: jejuava, vestia-se com peles de camelo, comia grilos.

Raquel – O senhor também jejuava?

Jesus – Não, eu não. E isso escandalizava muitos. Os meus conterrâneos eram como meninos mal educados, nunca estavam satisfeitos.

Raquel – Por que dizes isso?

Jesus – Porque de João, que não comia nem bebia vinho diziam: “tem um demónio”; de mim, que andava junto das pessoas, diziam: “é comilão e borracho”.

Raquel – O senhor gostava de comer?

Jesus – Comer? Claro que sim. Quem não gosta?

Raquel – Mas havia algumas comidas proibidas…

Jesus – Nenhuma. Eu disse sempre que o que suja não é o que entra na boca mas as palavras que saem dela. Nenhuma comida está proibida por Deus.

Raquel – Nem o porco? Que pensa da comida Kasher? (alimentos que foram preparados de acordo com a lei judaica de origem bíblica)

Jesus – Não conheço essa comida, mas penso que todos os animais são criaturas de Deus. Todos.

Raquel – E o vinho? Também gostava de vinho?

Jesus – Nunca acabei debaixo de uma parra mas o vinho da Galileia é muito saboroso. Ainda não o provaste?

Raquel – De certo foi esse o vinho que correu em abundância nas bodas de Cana…

Jesus – Ah!, essas bodas foram maravilhosas. Quando havia boda as festas duravam sete dias. Aí cantávamos, bebíamos, bailávamos…

Raquel – O senhor também bailava?

Jesus – Claro que sim. Todos os meus irmãos eram bons dançarinos. Minha mãe também.

Raquel – Se eu lhe perguntasse o que mais gostava de fazer o que é que me diria’

Jesus – Conversar. Sempre gostei muito de falar. Por isso, estes silêncios, estas solidões. Desde menino que gosto de contar histórias e também era bom nas advinhas. Qual a semelhança entre o reino de Deus e um grão de mostarda? E anedotas… Sabes aquela do judeu avarento?

Raquel – A do grão de mostarda eu sei mas… fora da emissão. Como é essa do judeu avarento?

Jesus – Estava um judeu rezando a Deus. Senhor, disse-lhe, que são para ti cem mil anos? Cem mil anos? Disse Deus: o mesmo que um minuto. Senhor, voltou a rezar o judeu, que são para ti cem mil moedas de ouro? Disse Deus: o mesmo que um cêntimo. Então, Senhor, te peço, dá-me um cêntimo. E Deus responde-lhe: concedido, espera um minuto.

Raquel – Muito engraçado… exemplar… Continuemos a nossa entrevista. Falámos dos Esenios que habitaram este mosteiro, viviam sós, isolados, jejuando, procurando deus… Na actualidade milhares de seguidores seus, religiosos, monges e monjas, fazem o mesmo mas, ouvindo-o falar pergunto-me se foi o senhor que os aconselhou a fugir do mundo…

Jesus – O meu conselho, agora, é que bebamos qualquer coisa. Fujamos a este calor, está bem? Talvez encontremos um pouco de vinho num daqueles comércios ali à frente. Vem, vamos Raquel… eu sei de outras histórias que te farão rir…

Raquel – Caros ouvintes a resposta à pergunta fica pendente para uma próxima entrevista. De Qumran, neste isolamento da região do Mar Morto, Raquel Perez, Emissoras Latinas.



NOTA

É surpreendente que quem escreveu os Evangelhos não se tenha referido à personalidade de Jesus. Temos que imaginar como era ele sociologicamente, o seu comportamento, o seu falar, a partir de escassos dados.

Como profeta que era, Jesus, devia ser possuidor de uma personalidade apaixonada e sensível perante o sofrimento humano e as injustiças que via na sociedade. Devia ser impaciente, ardente, com grande capacidade para as relações humanas e dotado com a força da palavra poética e, ao mesmo tempo, cheia de convicção.

Frequentemente relaciona-se a religiosidade com a solenidade e a seriedade. O riso não tem entrada na casa de Deus nem da de muitos cristãos. Na catequese de há uns anos atrás sabíamos que Jesus tinha chorado porque constava dos Evangelhos: chorou ao entrar em Jerusalém, no final da sua vida e perante o túmulo do seu amigo Lázaro, em Betânia. Mas ninguém disse que ele tinha rido porque em nenhum relato do Evangelho apareceu assim, rindo.

É uma conclusão insustentável. Toda a pessoa humana ri, o humor é sinal de sabedoria e Jesus foi um ser humano sábio.

Há grupos evangélicos que consideram pecado os bailes, as festas, as bebidas… e Jesus foi a bodas, bebeu vinho, comeu de tudo e não participou em puritanismos e ritualismos dos religiosos do seu tempo.

Ao tempo, sobre os conceitos de “coisas”, “pessoas” e “acções” impuras, contrapunham-se as puras, conceitos herdados das religiões antigas que a religião de Israel assimilou, criando uma multiplicidade de leis para resguardar as pessoas das impurezas.

Por exemplo: a sexualidade, a menstruação, a blenorragia eram formas de impureza. Um cadáver era impuro, tal como os doentes de determinadas enfermidades como a lepra e também alguns alimentos e animais eram impuros: o abutre a coruja, o porco. A maioria dessas leis que resguardavam de todas as impurezas conservam-se escritas no Livro Levítico e havia, no tempo de Jesus, grupos que observavam escrupulosamente tais leis e, daí, as prolongadas e minuciosas lavagens purificadoras com água para agradar a Deus.

Jesus não praticou nenhum desses rituais com água e recusou todas essas crenças. Nas bodas de Cana, Jesus transformou água em vinho que é o símbolo da festa e da alegria e por isso, também, o símbolo da liberdade.

VÍDEO

isto não devia estar no programa... pois não?!

video

CANÇÕES FRANCESAS

MICHEL DELPECH - CHEZ LAURETTE
nas canções desta época havia um cuidado com as palavras para que no conjunto tudo fizesse sentido, como quem conta uma história...

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

BONEY M - EL LUTE
um grupo de "disco'music" europeu de grande sucesso dos anos 70, criado por Frank Farian (1976). Dez anos mais tarde, 1986, já tinham 18 discos de platina, 15 de ouro e cerca de 150 milhões de discos vendidos em todo o mundo. O seu grande êxito foi "Daddy Cool"

CANÇÕES ITALIANAS

GIGLIOLA CINQUETTI - DIO COME Ti AMO (1966)
Deus, como te amo! Não é possível haver entre os braços tanta felicidade...

CANÇÕES BRASILEIRAS

MARINA LIMA - CUIDA BEM DE MIM
nascida em 1955, filha de pais nordestinos. É compositora, cantora e apresentadora. Teve uma depressão grave com a morte do pai e a separação de uma mulher que ela amava (1995) que lhe afectou as cordas vocais. Em 2010 lança o seu livro "Marina Lima entre as Coisas"

CANÇÔES PORTUGUESAS

FRANCICO JOSÉ - TEUS OLHOS CASTANHOS
Era alentejano, de Évora (1924-88). "Os Olhos Castanhos" lançados em 1951 é uma balada romântica que transmitda pela rádio encantou "todo o mundo", em especial o feminino. Era o "ai Jesus" da minha mãe e das mães de mais de metade dos meninos do meu tempo, pelo menos em Lisboa.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 161



Nem sequer a imagem da freira num palco de teatro divertia dona Flor, dramática e persistente em seu assunto, sem ligar à digressão da amiga:

- Mas, Norminha, eu sou uma viúva…

- E daí? Ou você acha que viúva não é mulher? Viúva, que eu saiba, pensa em homem, sonha com homem, olha pra homem… Ora essa…

- Você bem sabe que não sou dessas que vivem atrás de casamento. Uma vez você até me criticou, me chamando de grosseira…

- Pois foi. Sei que você não é nenhuma sirigaita… Mas, vou lhe falar franco: você é uma viúva metida a sebo, e está ficando intolerável. Já fez um ano de viúva e em vez de melhorar, piorou, como se tivesse enviuvado ontem. Antes você ainda se ria, se a gente falava de noivado e casamento. Depois não quis mais nem ouvir pilhéria, deu de se zangar…

- Você bem sabe por quê … Até vigarista apareceu…

- E só porque o tal de Duque – Duque ou Príncipe? – andou rondando aí, você ficou pior que freira! Se ele deu para seu lado foi porque lhe achou um bom-bocado. Agora, só porque seu Aluísio fez uma investida, coisa-à-toa, você se trancou em casa, quase não sai, não encara homem, como se homem fosse bicho feroz…Afinal seu Aluísio só queria…

- Eu sei o que ele queria…

- Queria dormir com você, querida… Mas, é claro… Muitos hão de querer, estão por aí roendo tampa de penico. Você é uma viúva supimpa, tem muito gabiru de olho aceso…

- Será que tenho cara de sem vergonha para esses atrevidos ousarem…

- E quem disse que eles precisam que a mulher seja descarada para querer dormir com ela? Apesar de sua cara de carrasco…

- Mas Norminha, o que é que eu posso fazer?

- Você precisa apagar esse fogo, mulher… Se você não dorme direito, se não descansa, se não tem sossego, é porque está com um fogo desgraçado lhe queimando o rabo…

- Oxente, Norminha, t’esconjuro…

- Mas não é isso mesmo? Não é verdade?

- E o que é que você quer que eu faça? Que eu me desgrace e vire descarada? Não sou nenhuma sem-vergonha, não nasci para ter amante, essas coisas comigo só com o meu marido… Só porque sonho com essas besteiras tenho vontade de morrer… Será que pareço mulher-da-vida pra você dizer isso…

Não seja tola, o que foi que eu disse que lhe ofendesse?

- Você não disse…

- Disse e repito que você está com um fogo queimando o rabo ou como diria a filha de uma amiga minha para a mãe: “Mamãe minha xoxota virou fogareiro, está pegando fogo”. Você está mais ou menos assim. Mas isso não quer dizer que você não é séria… Ao contrário… Séria você é e muito, senão, com esse fogo todo, já tinha aberto as coxas… É séria e parece ainda mais, parece um
ferrabrás… Nem se dá conta da cara que põe quando um
homem olha para você…


Um momento de boa disposição...



Qual é o problema da sua esposa?
- Surdez. Não ouve nada.
- Então o senhor vai fazer assim: antes de vir com ela, pois só tem consulta daqui a 15 dias, vai fazer um teste para facilitar o diagnóstico do médico. O senhor vai colocar-se a várias distâncias da sua esposa. Fala para ela normalmente e, quando vier, diz ao médico a que distância estava dela, certo?
Nesse dia, à noite, quando a mulher estava a preparar o jantar, o idoso lembrou-se então de fazer o teste. Mediu a distância que estava em relação à mulher. E pensou: 'Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora!'
- Maria... o que é o jantar?
Nada. Silêncio. Aproxima-se 5 metros.
- Maria... o que é o jantar?
Nada. Silêncio. Fica à distância de 3 metros:
- Maria... o que é o jantar?
Silêncio. Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:
- Maria! O que é o jantar?
- É frango, porra!!! É a quarta vez que te respondo!!!...

Por que será que os homens acham que os problemas são sempre das mulheres?...

quinta-feira, julho 01, 2010

CANÇÕES FRANCESAS

JOE D'ASSIN - LES FFLEURS AUX DENTS
mais uma linda canção do reportório do cantor (1971). Faleceria nove anos mais tarde, na força da vida, privando-nos do prazer de o continuar a ouvir em novas canções.

CANÇÕES ITALIANAS

I NOMADI - HO DIFESO IL MIO AMORE
Não, não é italiana, é uma versão italiana do "Nights in White Satin" do Moody Blues"de 1968.
... esta é uma história que acaba assim, sobre uma pedra que a chuva molhou...

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

ELVIS PRESLEY - ALWAYS ON MY MIND
a voz, a música, a letra, o próprio vídeo, tudo à altura do melhor cantor... e não só de rock.

CANÇÕES PORTUGUESAS

AMÁLIA RODRIGUES - FADO DO CIÚME
O ciúme, tratado neste fado da Amália, dos mais castiços do seu reportório, com aquela maestria que nasceu com ela e a faz imortal

CANÇÔES BRASILEIRAS

CHICO BUARQUE - MEU CARO AMIGO
esta é uma carta musicada em homenagem a Augusto Boal que na epoca da ditadura no Brasil estava exilado em Lisboa. Foi lançada em 1976 num Album de nome "Meus Caros Amigos"


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 160




Um dia não pôde mais e se abriu com dona Norma: “por fora honesta continência por dentro poço de excrementos”. O desejo nascia dela, de seu peito, do silêncio, do devaneio, da solidão, do sonho. Sem motivo, sem ponto de partida, sem semente nem raiz. Nascendo dela – “de minha ruindade mesmo, Norminha” – de seu corpo em febre, crescendo naquela carne estrumada de ausência, de penúrias, de maldições; ânsia plantada no esterco de sua danação:

- Estou danada, Norminha; nem quero pensar, e penso; não quero ver, e vejo; não quero sonhar, e sonho a noite inteira. Tudo contra minha vontade, contra meu querer. Meu corpo não me obedece, Norminha, o excomungado.

A brochura ioga lida e relida, já lhe explicara tratar-se da “crucial batalha entre a matéria imunda e o puro espírito”, travando-se em seu íntimo, coisa medonha. A maldita matéria de seu corpo partindo em fúria e em danação contra o recato de seu espírito, rompendo a placidez de sua vida, seu equilíbrio. Deixara de existir qualquer acordo entre sua vontade e seus instintos. Tudo confuso: de um lado uma viúva, exemplo de dignidade, do outro uma fêmea jovem e necessitada. Caso grave, exigindo, na receita do folheto, “forte concentração do pensamento e exercícios diários”.

Nada resolveram a mística literatura e os penosos exercícios, ainda mais penosos para dona Flor, gordota de corpo e rechonchuda. Para ver se obtinha o elegíaco equilíbrio prometido, sujeitara-se durante umas duas semanas, às contorções mais absurdas. Dona Dagmar, a seu pedido, repetira-lhe várias aulas e dona Flor submeteu-se com paciência e esperança. Dona Dagmar não regateava elogios aos métodos iogas, formidável, ela já emagrecera quatro quilos. Com dona Flor, total fracasso: nem sequer emagrecera. Em vez de calma e equilíbrio, obteve apenas cansaço, corpo dorido e nem por isso menos ávido e audaz em sua urgente precisão.

Tampouco a satisfizeram as brilhantes análises científicas de dona Gisa, com a boca cheia de nomes ininteligíveis, bolodório para doutor de faculdade: complexos, libido, subconsciente, recalques, tabu:

- Para você, Flor, viúva cheia de recalques e complexos, o sexo é tabu. Tabu ou não tabu, consciente, inconsciente ou subconsciente, por efeito de recalque e de complexo, ou por simples desejo de mulher, era aquele desespero noite adentro, sonhos eróticos a arrastá-la em bacanal, não lhe sendo a conversa da gringa da menor utilidade. Pois, se fosse atrás do seu latim, sairia a rua afora a fornicar com o primeiro macho que encontrasse, destruindo à bruta recalques e complexos, estrangulando numa cama de castelo o mísero tabu para sempre desonradas, ela e a memória do defunto.

Dona Norma era a boa sabedoria popular, a experiência vivida, a compreensão humana. Ia direita ao assunto:

- Isso é falta de homem, minha santa. Você é moça, não sofre de doença, não é capada que eu saiba, que é que está querendo? Mesmo as freiras se casam para suportar a castidade, se casam com Cristo, e ainda assim tem umas que botam chifres em Jesus – e, sorrindo ao recordar: - Você lembra daquela freira do Desterro que emprenhou do padeiro e terminou artista de teatro? Faz tempo, não se lembra? Não se falava noutra coisa…

quarta-feira, junho 30, 2010


ENTREVISTAS


FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 36


TEMA - O Ateísmo?


Raquel – A entrevista a Jesus Cristo é hoje numa curva do caminho que vai de Jerusalém a Jericó. Esta paisagem desolada é, no entanto, o cenário de uma das suas mais importantes e recordadas parábolas. É assim ou estou enganada?

Jesus – Não…não estás enganada. Os Mestres da Lei perguntaram-me um dia qual era o Mandamento principal.

Raquel – E não sabiam eles que eram Mestres?

Jesus – Sabiam-no de sobra. Ama a Deus e ama ao teu próximo, disse-lhes. Mas eles insistiram: e quem é o próximo? Queriam provocar-me.

Raquel – E o senhor?

Jesus – Contei-lhes uma história para os provocar a eles:

- Uma vez, certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores que o roubaram e o abandonaram com ferimentos, meio morto. Por ali descia também um Sacerdote que vendo o homem ferido e caído no chão, passou ao lado. Semelhante ao Sacerdote passou um Levita (tomavam conta dos Santuários) que também passou ao lado. Certo Samaritano, que seguia o seu caminho, passou perto e vendo-o, compadeceu-se. Tratou-lhe as feridas, colocou-o sobre o seu próprio animal e levou-o a uma hospedaria. No outro dia tirou dois dinares entregando-os ao hospedeiro dizendo-lhe: “Cuida bem deste homem e se alguma coisa mais ele precisar no meu regresso te indemnizarei”.

Destas três, Sacerdote, Levita e Samaritano, este último foi o único que amou Deus.

Raquel – E funcionou a sua provocação?

Jesus – Sim, eles ficaram furiosos.

Raquel – E por quê tanta fúria?

Jesus – Por causa do Samaritano. Quando eu era jovem ouvia dizer: “Samaritano: pagano e marrano”. (samaritano é o mesmo que pagão e porco). Desprezavam-nos. Não eram judeus puros mas o que ainda era pior é que não acreditavam nos Sacerdotes, nem nos Templos, nem no Deus dos judeus.

Raquel – Eram ateus?

Jesus – Essa palavra não a usávamos no meu tempo, mas sim. Os samaritanos não acreditavam no nosso Deus. Eram… eram isso: ateus dos nossos dias.

Raquel – Como é essa coisa? Pode-se ser ateu de um deus e de outro não?

Jesus – Há deuses falsos que são ídolos. Há que derrubá-los, deixar de acreditar neles.

Raquel – Refere-se à actual crise de fé?

Jesus – No meu tempo, foram os Sacerdotes com os seus privilégios e os Levitas com as suas leis e mais leis que provocaram a crise da fé.


Raquel – Pois, neste tempo passa-se algo parecido. Ter-se-á já dado conta, muita gente afirma-se ateu por causa dos maus exemplos dos sacerdotes, dos pastores…

Jesus – Bem aventurados esses ateus, eles encontrarão deus.

Raquel – Uma nova Bem-aventurança?

Jesus – Olha, Raquel, os sacerdotes de Jerusalém adoravam um ídolo que exigia sacrifícios de sangue, impunha cargas insuportáveis, recusava as mulheres, os doentes… e eu revoltei-me contra esse deus e disse aos meus conterrâneos que não acreditassem nele. Eu também fui ateu, ateu desse deus.

Raquel – Então o senhor não condena o ateísmo?

Jesus – Como vou condená-lo? Pode ser um atalho para chegar ao Deus verdadeiro. É necessário deixar de acreditar em deuses falsos para procurar e encontrar Deus.

Raquel – Como explica esta afirmação tão… desconcertante?

Jesus – Expliquei-a neste caminho… escuta, Raquel, quando se encontra o verdadeiro Deus não se olha de cima, mas sim dos lados. O Sacerdote e o Levita acreditavam num deus falso, um deus das nuvens. Foi o samaritano aquele que, realmente, acreditava em Deus porque viu o homem ferido, aproximou-se dele e fez dele seu “próximo”.

Só acredita em Deus quem ama seu “próximo”.

Raquel – Desde o caminho do Bom Samaritano e, desde hoje, bom ateu, no deserto da Judeia, Raquel Perez, Emissoras Latinas.



NOTA

Desta parábola, a grande lição é a de que o Amor é o Dom Supremo. O samaritano, considerado ateu naquele tempo, pelo seu comportamento foi o único que praticou a filosofia cristã. Ele não julgou, não investigou, limitou-se a ser bom, amigo do “próximo”.

Ateísmo – Não é fácil negar a existência de Deus, por razões morais, espirituais e não só. Richard Dawkins, cientista e Prémio Nobel britânico, ateu militante, fã de Jesus por considerá-lo um dos homens mais adiantados em termos de ética e coerência considerando a época em que viveu, autor do best seller “A Desilusão de Deus”, ensina-nos, num outro livro de que é autor, “O Gene Egoísta”, sobre a existência de outros genes, diferentes nas suas estruturas bioquímicas, que se replicam e se transmitem biologicamente e que constituem a informação que configura os nossos corpos.

A essas outras estruturas de genes ele denominou de “Memes”. E o que são os “memes”? – São unidades de pensamento – ideias, valores, conceitos – que elaboram os cérebros e através da cultura e passando de cérebro para cérebro replicam-se, transmitem-se e herdam-se. Eles seleccionam-se, aparecem e desaparecem (lembrem-se das modas no vestuário) e uns prevalecem sobre outros.

O Dicionário de Oxford tem a seguinte definição para “Meme”: - Elemento de cultura que é auto-replicador e se transmite através da imitação.

Segundo Richard Dawkins, no património “Mémico” da humanidade nenhum “meme” é tão universal como o “meme” Deus.

No seu livro a “Desilusão de Deus” Richard Dawkins, ensina-nos que tudo terá começado nos primórdios da humanidade quando os filhos dos nossos antepassados remotos, em criança, eram uns, mais do que outros, obedientes aos pais e às pessoas mais velhas do grupo. Os que obedeciam, ou seja, os que acreditavam, tinham mais probabilidades de sobreviver e se reproduzirem transmitindo aos filhos as suas características de crença até que a sociedade humana evoluiu para comunidades crentes.

A religião terá sido um sub-produto, um “dano colateral”, como se diz agora relativamente às guerras modernas a propósito da morte de civis.

Começou-se por acreditar que era perigoso ir para o rio onde o crocodilo nos podia comer – crença boa – continuou-se acreditando que cortando o pescoço à cabra a caçada iria ser boa – crença ruim - . Este é o problema das crenças: distinguir as que são úteis das inúteis e perigosas.

VÍDEO

a curiosidade não matou mas molhou...

video

CANÇÕES ITALIANAS

LOREDANA BERTE - E LA LUNA BUSSO (1981)
bonita de ver e de ouvir...

CANÇÕES FRANCESAS

FREDERIC FRANÇOIS - UN QUEQUE MOTS

CANÇÕES ANGLO-SAXóNICAS

SWEET - BLOCKBUSTER
Um sucesso da música "pop" do ano de 1973, É favor recordar...


CANÇÕES BRASILEIRAS

DANIELA MERCURY - O MAIS BELO DOS BELOS
Rio de Janeiro, 1996. Nenhuma artista brasileira consegue, ao mesmo tempo, cantar e dançar tão bem como a Daniela... é um poço de energia e de expressividade corporal.


CANÇÕES PORTUGUESAS

RUI VELOSO - NÃO HÁ ESTRELAS NO CÈU
os dramas da juventude... quem não tem saudades deles?


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 159



Descasquem o pão dormido e descascado o ponham nesse leite ralo para amolecer. Na máquina de moer carne, bem lavada, moam o pão assim bem amolecido em coco, e moam amendoins, camarões secos, castanhas de caju, gengibre, sem esquecer a pimenta malagueta ao gosto do freguês (uns gostam de vatapá ardendo na pimenta, outros querem uma pitada apenas, uma sombra de picante).

Moídos e misturados, esses temperos juntem ao apurado molho da garoupa, somando tempero com tempero, o gengibre com o coco, o sal com a pimenta, o alho com a castanha, e levem tudo ao fogo só para engrossar o caldo.

Se o vatapá, forte de gengibre, pimenta, amendoim, não age sobre a gente dando calor aos sonhos, devassos condimentos? Que sei eu de tais necessidades? Jamais necessitei de gengibre e amendoim; eram a mão, a língua, a palavra, o lábio, seu perfil, sua graça, era ele quem me despia do lençol e do pudor para a louca astronomia do seu beijo, para me acender em estrelas, em seu mel nocturna. Quem me despe hoje dos véus da pudicícia em meus sonhos de viúva no leito solitária? De onde vem esse desejo a me queimar o peito e o ventre, se nem a mão nem o lábio, nem o perfil de lua, nem o riso agreste, se ele não está? Por que este desejo nascendo de mim mesma? Por que tanta pergunta, por que esse interesse de saber o que se passa no íntimo da viúva? Por que não me deixam os negros véus do luto sobre o rosto, véus do preconceito, cobrindo minha face dividida, em recato e em anseio dividida. Sou uma viúva, nem falar em tais coisas fica bem ao meu estado. Viúva no fogão a cozinhar o vatapá, pesando o gengibre, o amendoim, a malagueta, e tão-somente.

A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dendê, duas xícaras bem medidas: flor de dendê, da cor de ouro velho, a cor do vatapá. Deixem cozinhar por um longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau não parem de mexer, sempre para o mesmo lado: não parem de mexer senão embola o vatapá. Mexam, remexam, vamos, sem parar; até chegar ao ponto justo e exactamente.

Em fogo lento meus sonhos se consomem, não me cabe culpa, sou apenas uma viúva dividida ao meio, de um lado viúva honesta e recatada, de outro viúva debochada, quase histérica desfeita em chilique e calundu. Esse manto de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatapá doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel.

Chegou o vatapá ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo basta apenas derramar um pouco de azeite de dendê por cima, azeite cru. Acompanhado de acaçá o sirvam e noivos e maridos lamberão os beiços.

E por falar em noivo, avisem a todos para que todos saibam: existe uma viúva jovem, com certa graça mansa e formosura, cor de mate, feita de ouro e cobre, cozinheira de mão cheia, tão trabalhadora, honesta e bem-falada como igual não há na cidade inteira e no Recôncavo, uma viúva de primeira com um leito de ferro, um pudor de virgem e um fogo a lhe queimar o ventre.

Se souberem de alguém com interesse, enviem-no correndo, a qualquer hora, de manhã, de tarde, à meia-noite, pela madrugada, com sol, com chuva, mandem logo, mandem com o juiz e o padre, com papéis de matrimónio, mandem com urgência, com a maior urgência.

Lanço este apelo aos quatro ventos, ao sabor das correntes submarinas, das fases da lua e da maré, no rastro de qualquer navegação ou cabotagem, pois sou porto de difícil descoberta, recôndito golfo, ancoradouro de naufrágios.

Quando souber de solteiro em busca de viúva e casamento, diga-lhe que aqui se encontra dona
Flor à beira do fogão, junto ao vatapá de peixe, consumida em fogo e maldição.

terça-feira, junho 29, 2010

VÍDEO

Exame para motociclistas policiais

video

CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CALENTANO - VIOLA (1970)
...sózinhos no campo com o vento que te despenteia um pouco, deitada sobre o feno enquanto o sol desce, uma estrela no prado és tu...

CANÇÕES FRANCESAS

CELINE DION - JÁTENDAIS
uma belíssima canção. Foi tema musical da novela brasileira Esperança.


CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

THE SWEET - WIG WAM BAM
Gravado em 1990 pela banda THE SWEET Children que mais tarde mudaria para Green Day. 20 anos depois recorda-se com muito agrado

CANÇÕES BRASILEIRAS

MARIA MATARAZZO - OUÇA (1958)
recordando a grande Maria Matarazzo numa canção de sua autoria. Era, por esta altura, a cantora mais bem paga do Brasil. Dotada de um "charme" especial teve uma vida amorosa intensa e complicada acabando por morrer em 1977 num violento acidente de automóvel quando conduzia a grande velocidade na Ponte do Rio-Niterói. Foi um dos maiores nomes da música popular brasileira.

CANÇÕES PORTUGUESAS

MAFALDA ARNAUTH - O MAR FALA DE TI
Vamos apresentar a candidatura à UNESCO do Fado como Património Cultural da Humanidade. Ele faz parte da nossa vida, uma expressão do Sentir e Ser Português, tal como já tinha acontecido com o Tango. APOIADO!


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 158




APELO DE DONA FLOR EM AULA E EM DEVANEIO


Me deixem em paz com meu luto e minha solidão. Não me falem dessas coisas, respeitem o meu estado de viúva. Vamos ao fogão: prato de capricho e esmero é o vatapá de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinária da Bahia. Não me digam que sou jovem, sou viúva: morta estou para essas coisas. Vatapá para servir a dez pessoas (e para sobrar como é devido).

Tragam duas cabeças de garoupa fresca – pode ser de outro peixe mas não é tão bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e suco de limão.

Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve português como espanhol; ouvi dizer que o grego ainda é melhor, não sei. Jamais usei por não encontrá-lo à venda.

Se encontrar um noivo, que farei? Alguém que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocês, meninas, da intimidade das viúvas? Desejo de viúva é desejo de deboche e de pecado, viúva séria não fala dessas coisas, não pensa nessas coisas, não conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogão.

Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponham a cozinhar num bocadinho d’água, um bocadinho só, um quase nada. Depois é só coar o molho, deixá-lo à parte e vamos adiante.

Se meu leito é triste cama de dormir, apenas, sem outra serventia, que importa? Tudo no mundo tem compensações. Nada melhor que viver tranquila, sem sonhos, sem desejos, sem se consumir em labaredas, com o ventre aceso em fogo. Vida melhor não pode haver que a de viúva séria e recatada, vida pacata, liberta da ambição e do desejo. Mas, e se não for meu leito cama de dormir e, sim, deserto a atravessar, escaldante areia do desejo sem porta de saída? Que sabem vocês da intimidade das viúvas, de seu leito solitário, de seu carrego de defunto? Aqui vieram para aprenderem a cozinhar e não para saberem o preço da renúncia, o preço que se paga em ânsia e solidão para ser viúva honesta e recatada. Continuemos a lição.

Tomem do ralo e de dois cocos escolhidos – e ralem. Ralem com vontade, vamos, ralem; nunca fez mal a ninguém um pouco de exercício (dizem que o exercício evita os pensamentos maus: não creio). Juntem a branca massa bem ralada e a aqueçam antes de espremê-la: assim sairá mais fácil o leite grosso, o puro leite de coco sem mistura. À parte o deixem.

Tirado esse primeiro leite, o grosso, não joguem a massa fora, não sejam esperdiçadas, que os tempos não estão de desperdício. Peguem a mesma massa e a escaldem na fervura de um litro de água. Depois a espremam para obterem o leite ralo. O que sobrar da massa joguem fora, pois agora é só bagaço.

Viúva é só bagaço, limitação e hipocrisia. Em que nação enterram a viúva na cova do marido? Em que país tocam fogo no seu corpo junto com o corpo do defunto? Antes assim, de uma vez queimada e em cinza em lugar de consumir-se em fogo lento e proibido, de queimar-se por dentro em ânsia e em desejo; por fora hipocrisia, um recato de fazendas negras,
os véus cobrindo
uma aflita geografia de medo e de pecado. Viúva é só bagaço e aflição.

segunda-feira, junho 28, 2010


ENTREVISTAS

FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 35

Tema – Sua Santidade, Sua Reverência?


Raquel – De novo com a nossa fiel e entusiástica audiência. Alguns de vós contactaram-nos para expressarem o desacordo pela forma como estamos fazendo a cobertura especial de segunda vinda de Jesus Cristo. Criticam-nos, concretamente, pelo tratamento que damos ao senhor, faltando ao respeito devido à sua pessoa.

Jesus – E por que dizem isso, Raquel?

Raquel – Eu mesma, tendo em conta a sua dignidade, comecei chamando-lhe Mestre, mas o senhor corrigiu-me e pediu-me para lhe chamar simplesmente, Jesus.

Jesus – Porque eu penso que ninguém é mestre. Somente Deus.

Raquel – Abrimos hoje uma tribuna aos nossos ouvintes para que sejam eles a darem a sua opinião sobre o título que deveremos usar para tratar Jesus Cristo. O nosso nº de tef. É o 144000. Esperamos as vossas chamadas… Alô?... a primeira é de Santiago do Chile.

Chileno – Se ao chefe da Igreja Católica lhe chamam de Sua Santidade, ao Chefe deveriam chamar-lhe três vezes Santo. Essa é a minha opinião.

Raquel – E qual é a sua, Jesus Cristo?

Jesus – O que é isso de chamarem a um homem “Sua Santidade” é um insulto contra Deus, porque somente deus é santo. A ninguém sobre a terra se lhe pode chamar assim.

Raquel – Outra chamada… da Argentina… estamos à escuta…

Argentina – Respeito puxa respeito. Se perante uma autoridade religiosa nos inclinamos com uma genuflexão, perante Jesus Cristo a menina deveria fazê-lo com os dois joelhos no chão, digo eu.

Raquel – Parece-lhe bem, Jesus Cristo?

Jesus – Parece-me mal, muito mal. Contaram-me que uma vez o meu amigo Pedro entrou numa cidade e um Centurião o viu e se lhe atirou aos pés e Pedro, como todo o fanfarrão que o era, disse-lhe: “levanta-te, eu sou homem igual a ti. Como te atreves a ajoelhar-te perante mim?”

Raquel – Então o senhor não aprova o beija-mão, nem nada disso.

Jesus – Essa pompa o exigiam no meu tempo os imperadores.

Raquel – Outra chamada… de Havana… Cuba? Faça favor, amigo…

Cubano – Eu penso que o sucessor de Cristo se chama Papa… assim o melhor para tratar Jesus Cristo é Superpapa.

Raquel – Superpapa?... Que pensa Jesus Cristo?

Jesus – Eu chamava papá a Deus, pela confiança mas ninguém se pode atribuir esse nome porque Pai só há um e está nos céus. Eu disse isso claramente.

Raquel – Não sei se o senhor sabe que chamam aos sacerdotes, padres e às freiras madres.

Jesus – Padres e Madres? …Pais e Mães? Mas não dizem que não têm filhos?

Raquel – Outra chamada…

Mulher – E Monsenhor? Poderia chamar-lhe Monsenhor?

Raquel – Monsenhor é francês, significa “meu senhor”. Assim gostam os Bispos e os Cardeais que lhes chamem.

Jesus – E serás tu escrava de alguém para chamares de senhor teu?

Raquel – Por mensagens escritas chegam-nos outras opiniões: Sua Excelência, Sua Eminência Reverendíssima… que lhe parece?

Jesus – Parece-me que Deus tomará todos esses títulos como de palha e os queimará com o fogo que não se apaga.

Raquel – E com que título nos ficamos?

Jesus – Com nenhum, Raquel. Irmãos e Irmãs, isso nós somos.

Raquel – E para tratá-lo ao senhor?

Jesus – Jesus. Esse sou.

Raquel – Desta forma tão… tão drástica pomos fim à nossa tribuna aberta ainda que os nossos telefones não parem de tocar. Emissoras Latinas, Raquel Perez.




NOTA

Do conjunto de títulos de que a hierarquia da Igreja Católica se atribuiu: Sua Santidade, Santo Padre, Papa, Sua Excelência, Sua Eminência Reverendíssima, Monsenhor… o que ressalta é a arrogância e a vaidade com que eles se fizeram tratar traindo, assim, uma ordem expressa de Jesus (Mateus 23, 4-11)

Para agravar a situação a Igreja obsequiou também os seus amigos com títulos de preeminência. Segundo o historiador alemão Horst Hermann, o Vaticano vende títulos nobiliários de origem eclesiástica para quem os queira exibir, por troca a 150.000 euros. Há casos extremos: um dos quase 500 “santos” canonizados pelo Papa João Paulo II foi o sacerdote espanhol José Maria Escrivã de Balaguer, fundador da Opus Dei, uma organização católica que conta com enormes recursos financeiros e com uns 80.000 homens e mulheres dispostas a promover um catolicismo elitista, opulento e sectário a exemplo do seu fundador.

Em vida, Escrivá, um homem de origem rural e humilde comprou para se exibir, por pura vaidade, o título de Marquês de Peralta.

Em Roma, os devotos deste novo “santo”, juntam-se num bunker, na Rua Bruno Buozzi, descem umas escadas que conduzem a uma luxuosa cripta onde repousam os restos de Escrivã ante um altar-mor. Depois da sua morte, em 1975, foram os próprios membros da Opus Dei que deram a conhecer que tinha sido o seu fundador que antes de morrer tinha deixado tudo previsto para que, após a sua morte, se iniciasse o seu culto: almofada de veludo para a exibição do seu cadáver, nome de quem deveria fazer a máscara do seu cadáver e de quem o deveria embalsamar, uma mecha do seu cabelo que deveria ser cortado para exposição aos seus devotos e uma lápide de mármore para a tumba apenas com esta inscrição: “El PADRE”.

Difícil encontrar tanta arrogância e vaidade anti-evangélica num “santo”...

Ao nível de toda a Igreja abunda a falta de simplicidade e espontaneidade. Menos cerimonial seria importante para suscitar sentimentos de igualdade. Todo o formalismo e o fausto que o rodeia constituem uma forma
da hierarquia se afirmar e, portanto, deixar bem claro quem tem o poder e a quem obedecer
.

CANÇÕES ITALIANAS

GIANNI MORANDI - BELLA BELINDA
anos 70... não esteja triste, cante com o Gianni... ainda faltava muito para chegar o 2010...

CANÇÕES FRANCESAS

GILBER BÉCAUD - NATHALIE
outro clássico... este da música francesa, 1964. Nasceu em 1927 e faleceu em 2001. Tinha como alcunha "Monsieur 100.000 volts" tal a energia que punha nos seus espectáculos.

CANÇÕES BRASILEIRAS

NELSON NED - TUDO PASSARÁ
um clássico da música romântica brasileira dos anos sessenta pela voz de um dos campeões desse romantismo, um anão no físico mas um gigante na canção. Foi o 1º artista da América Latina a vender 1 milhão de discos no EUA. O grande sucesso da sua carreira foi... TUDO PASSARÁ (1969)

CANÇÔES ANGLO-SAXÓNICAS

NEIL DIAMOND- SWEET CAROLINE
se eu tivesse que escolher uma voz e uma canção... não me canso de a ouvir... espero que gostem quase tanto com eu.

CANÇÕES PORTUGUESAS

CARLOS DO CARMO - AQUELA PRAIA IGNORADA
a letra deste fado é do poeta, já falecido, Pedro Homem de Melo e a música de Frederico de Brito. O Carlos gravou-o em estúdio e foi apresentado no programa da RTP do fim do ano de 1986. Tudo nele é da melhor qualidade: a voz, a letra e a música


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 157





- Novidades? Quais? – as amigas excitadas.

- Na linha do amor… Vejo um novo amor… Um caso, uma paixão…

- Com licença… – disse dona Flor, querendo libertar a mão.

Mas seu Aluísio a retinha entre as suas:

- Espere… não acabei… ouça o resto… Um senhor do interior…

Abrupta, dona Flor se ergueu, arrancando sua mão entre as do rábula numa violência.

- Não lhe dei ousadia para tanto…

Saiu da sala numa rabanada, deixando as amigas em espanto, e dona Enaide na maior das ofensas:

- Que manteiga derretida… Me digam: Aluísio fez alguma coisa demais? Foi grosseiro? Uma pilhéria para rir… Não tolero gente assim, metida a besta… Afinal ela pensa que é o quê? Alguma princesa?

Só o notário persistia calmo, a desculpar dona Flor:

- Coitada… Conheço isso, esse nervosismo… É o mal de toda a viúva moça que não encontra novo casamento. O caminho da histeria… As cidades pequenas estão cheias de casos assim… Solteironas e viúvas, por tudo se ofendem, choram, a vida delas é chilique e calundu. Na velhice dão em doidas mansas…

- Olhe que eu também sou viúva, doutor, e termino me ofendendo… - o rábula a considerou com olhar entendido: mulata ainda boa de cascos, bem-feita, corpo rijo, aguentava uns trancos. Doutor Aluísio não era homem de perder tempo; deixando dona Flor para trás, disse:

- Mostre-me sua mão esquerda, por favor: quero tirar uma coisa a limpo…

Tomou a mão de dona Maria do Carmo entre as suas, olhou-a nos olhos com aquele seu olhar de frete grosso:

- Posso dizer a verdade ou devo mentir?

Dona Flor saíra porta fora; Marilda e dona Norma foram encontrá-la em casa lavada em lágrimas, num tal estado de nervosismo, que dona Norma lhe disse, repetindo mestre Aluísio de Pilão Arcado:

- Que é isso, Flor, está ficando histérica?

domingo, junho 27, 2010

BOM DOMINGO PARA TODOS

DANIEL SANTACRUZ ENSEMBLE - SOLEADO


VÍDEO

a força de uma mulher...

video

CANÇÕES ITALIANAS

EDOARDO VIANELLO - O MIO SIGNORE
uma das mais lindas canções italianas dos anos sessenta (1963)... Ó meu senhor, obrigado por tudo o que Tu fizeste por mim... Edoardo Vianello, a ti, nós agradecemos- te esta canção...

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