sábado, agosto 21, 2010

JOHN PAUL YONG - LOVE IS IN THE AIR
a maravilhosa música dos anos setenta. Ele é o cantor escocês mais conhecido por causa desta música (O Amor está no Ar)


INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA COM

JESUS CRISTO SOBRE O TEMA

DA HOMOSSEXUALIDADE (3)



A HOMOFOBIA NA AMÉRICA LATINA

Luís Mott, doutor em Antropologia e professor na Universidade Federal da Bahia, autor de 15 livros e 200 artigos sobre a história da homossexualidade, faz este resumo histórico:

- Quando se descobriu a América Latina, Portugal e a Espanha viviam o seu período de maior intolerância contra quem praticava o abominável e nefasto pecado da sodomia.

Nessa época, instalaram-se na Península Ibérica Tribunais de Inquisição que converteram a sodomia num crime tão grave como o regicídio e a traição à pátria. Era um dos poucos delitos que as primeiras autoridades do Brasil tinham autoridade para castigar com a pena de morte sem necessidade de consultar previamente o Rei de Portugal.

Um dos Tratados de Teologia da época das Conquistas “rezava” assim:

- “De todos os pecados, a sodomia é o mais torpe, sujo, desonesto e não se encontra outro mais detestado por Deus e pelo mundo. Por este pecado lançou o dilúvio sobre a terra e por este pecado destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra.

Por causa da sodomia foi destruída a Ordem dos Templários. Portanto, mandemos que todo o homem que cometa esse pecado seja queimado e convertido em pó pelo fogo para que do seu corpo e sepultura nunca se tenha memória.”

Ao desembarcarem no Novo Mundo, os europeus encontraram uma grande diversidade de povos e civilizações cujas práticas sexuais diferiam em grande medida da matriz cultural judaica-cristã, sendo algumas diametralmente opostas como: a nudez, virgindade, poligamia, divórcio e, sobretudo, a homossexualidade, travestismo e transsexualidade.

Já em 1514 se divulgava “Na História Geral e Natural das Índias” que o gosto pelo vício nefasto se encontrava presente em todo o Caribe e em alguns territórios na Terra Firme. Há notícia de que os conquistadores se escandalizaram profundamente por isto e lhe atribuíram a falta de conhecimento do “verdadeiro Deus”.

O ano de 1513 pode ser considerado o de abertura à intolerância homofóbica no Novo Mundo.

O conquistador Vasco Balboa ao encontrar um grupo de índios homossexuais no Istmo do Panamá prendeu 40 deles e atirou-os a cães ferozes para que os devorassem, conforme conta Pietro Martire, num retrato dramático gravado na época.

Em 1548, registou-se a primeira perseguição institucional contra europeus homossexuais: na Guatemala foram presos sete, quatro deles clérigos. Salvaram-se de morrer na fogueira por causa de um tumulto que por coincidência ocorreu na altura.

No Brasil, entre 1541 e 1620, 44 homens foram acusados e processados por sodomia.

No fim do século XVIII haviam sido denunciados 283 homens e mulheres por este delito, 29 eram lésbicas, 5 delas receberam penas pecuniárias e espirituais, 3 foram desterradas e 2 condenadas a chicotadas em público. A mais famosa, Filipa de Sousa deu o seu nome ao prémio mais importante dos Direitos Humanos Homossexuais.

O México liderou a perseguição aos homossexuais durante o período colonial: em 1658 foram denunciados 123 sodomitas na cidade do México e arredores, 19 deles foram presos e 14 queimados na fogueira.

Os Tribunais da Inquisição desapareceram em 1820 no peru e no México e em 1821 no Chile e Brasil mas as mentalidades não mudam por decreto e o machismo homofóbico continuou sendo uma característica da cultura latino-americana.

No século XX, o suicídio, a marginalidade, o suicídio, a total clandestinidade, a baixa auto-estima, a marginalidade, os assassinatos passaram a ser o pão nosso década dia para milhões de gays, lésbicas e transsexuais na América-Latina recusados pelas famílias, humilhados nas ruas, impedidos de aceder ao trabalho.

Investigações realizadas no Brasil, que deve albergar mais de 17 milhões de homossexuais, revelam que de todas as minorias sexuais, os gays e as lésbicas são as mais odiadas. No México, até hoje, chamavam-se aos gays “quarenta e um” como recordação dos 41 homossexuais presos numa só noite em 1901 e submetidos a castigos humilhantes, obrigados a varrer as ruas da capital e as latrinas públicas.

Cuba destacou-se na década dos anos sessenta pela violência com que perseguiu, prendeu e obrigou ao exílio centenas de homossexuais, identificando a homossexualidade com a “decadência capitalista”.

Até meados dos anos 90 a homossexualidade continuava a ser considerada um delito no Chile, Equador, Cuba, Nicarágua e Porto Rico.


A Homofóbica Doutrina Oficial da Igreja Católica

Apesar de todos os avanços e desenvolvimento dos Direitos Humanos em sociedades cada vez mais plurais e complexas, as mais recentes posições do Vaticano face à homossexualidade continuam sendo as mesmas: a orientação homossexual é considerada uma desordem grave e, em consequência, a moral oficial exige aos homossexuais uma permanente castidade.


O Que Me Define...
Eu sou iraquiana.




Está sentada numa cadeira, ao lado de dois colegas, numa iniciativa, universidade de verão, em Aveiro, organizada pela Aliança das Civilizações, está no palco, à esquerda dos conferencistas, não sei o que sairá da boca daquela rapariga tão jovem, não sei da sua nacionalidade, não tento adivinhar, fala-se de identidade, ela ouve, ouve, mas mais do que isso: olha.

Tem uma postura recatada, nada tímida, apenas o recato de quem observa, o mundo a derreter-se à entrada dos seus olhos, o microfone pousado sem tremor no colo de uns jeans iguais aos meus, aos dela, aos nossos, os pés cruzados, quase descalços, de onde estou, vejo umas tiras finas, sandálias como as da minha irmã mais nova.

O cabelo e os olhos: eis o que me ocupa antes que se rompa a interrogação com a primeira palavra. Cabelo castanho caramelo, ondulado, caído nos ombros e ali descansado, escovado, a darem uma moldura à verdadeira boca daquela rapariga, os seus olhos: entradas e saídas de mundo, dois olhos de um castanho indizível, abertos, não os vi pestanejar, calmos, serenos, quietos, a ouvirem, a dizerem, a responderem, a darem por dito o que não precisa de explicação.

De repente uma voz fina, baixa, pedindo desculpa pela imperfeição do inglês: mão firme no microfone e os olhos a darem-nos uma chapada com a violência da sua suavidade. Depois de lições sobre identidade ouve-se assim: quando me perguntam o que és eu respondo que sou iraquiana. É isso que me define. Não me interessa se sou xiita, se sou sunita; eu sou iraquiana, pertenço a esse país tão aflito. Também sou muçulmana, sim, e escolho, fui eu que escolhi, não usar nada a tapar a minha cabeça, os meus cabelos, e quando me perguntam na rua por que não tapo a cabeça, se sou realmente crente, eu respondo apenas que isso é comigo e que a minha fé é um assunto a ser tratado entre mim e Deus.
O que me define, assim, de repente, portanto, é isto: eu sou uma jovem iraquiana. Antes deste curso, nunca tinha visto um judeu. Durante estes dias conheci aquele rapaz ali ao fundo, o Adam, de Israel, e tive a oportunidade de conversar muito com ele e de descobrir que somos iguais em tantas coisas e de gostar muito dele. Quando voltar à minha terra, vou falar do meu amigo judeu.

tags: identidade
(Isabel Moreira - www-pegada. blogs.sapo.pt)

É pena que esta jovem não seja representativa do comum da mulher iraquiana e, já agora, das mulheres muçulmanas. Seria pedir muito... mas só ouvi-la a ela é como uma janela de ar puro que se abre e nos refresca a alma fazendo esquecer as imagens de sangue e lágrimas dos atentados pela luta pelo poder entre facções religiosas no Iraque.


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
AO TEMA DA ENTREVISTA
SOBRE HOMOSSEXUALIDADE (2)


Paulo – Um Fariseu

Ao recordar a Raquel a lista dos excluídos do reino de Deus, entre os quais estavam os homossexuais, que terá sido da responsabilidade de Paulo, Jesus informa-a de que, tanto quanto julga saber, ele tinha sido fariseu.

Há, realmente, uma opinião muito generalizada e consistente de que Paulo não foi fiel à mensagem original de Jesus e do seu Movimento.

Havia grandes diferenças entre estes dois homens:

- Paulo, nasceu de uma família bem instalada na sociedade e recebeu uma esmerada educação grega e rabínica com os doutores da Lei em Jerusalém, onde teria sido aluno do Rabino Gamaliel. A sua mentalidade estava muito próxima da farisaica que era severa, intolerante, fanática, reprovativa e que tinha sido questionada e recusada por Jesus.

- Este, por sua vez, tinha origens humildes, nasceu numa família pobre que não lhe pôde proporcionar instrução tendo, inclusivé, permanecido analfabeto.

Da mentalidade farisaica de Paulo ficaram profundas reminiscências que influenciaram as suas posições interpretativas da mensagem de Jesus e estão na base de divergências.

Paulo nasceu em Tarso, que actualmente pertence à Turquia, de uma família judaica pois, já então, havia judeus espalhados pelo mundo. Adquiriu cidadania Romana e foi educado na fé e tradição judaicas.

Inicialmente, perseguiu os seguidores de Jesus que procuravam difundir uma nova fé entre os judeus de Jerusalém que ameaçava a “tradição dos pais” da qual ele era um defensor intransigente.

Com o objectivo de os combater foi enviado a Damasco mas, já perto da cidade, viu o resplendor de uma luz no céu que o cercou e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, por que me persegues”. A partir desse momento mudou de nome e de barricada: de Saulo passou a Paulo e de perseguidor a divulgador das ideias de Jesus.

Destacava-se de todos os outros apóstolos, na sua maioria simples pescadores, pelos seus conhecimentos adquiridos em duas culturas: a grega, que era a sua língua materna e a judaica, falando, provavelmente, também o aramaico que era a língua de Jesus.

Por muitos cristãos ele é considerado o mais importante dos discípulos de Jesus e o mais responsável pelo desenvolvimento do cristianismo nascente, uma das principais fontes da sua doutrina com as Epístolas que constituem um segmento fundamental do Novo Testamento.

Alguns afirmam mesmo que foi ele com a sua actividade missionária, com três grandes viagens apostólicas à Grécia, Macedónia e Ásia Menor onde fundou diversas comunidades, que transformou aquilo que estaria destinado a ser apenas mais uma seita do judaísmo, a prazo esquecida, numa nova religião.

Paulo foi julgado e condenado à morte por Nero, na sua fúria contra os cristãos, decapitado e não crucificado pelo facto de ser um cidadão romano.

Diversos teólogos, estudiosos e críticos, entre eles o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, acusam Paulo de ter mutilado os ideais cristãos, transformando uma mensagem libertária de transformação individual, numa religião de culpa, cheia de padrões rígidos, o que teria tornado o
cristianismo numa negação das ideias de Jesus da Nazaré.

BANDA SONORA DO FILME DE DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS
SIMONE E CHICO BUARQUE
Dois maridos, dois homens diferentes como a noite do dia. Um, era malandro, desavogonhado, mal comportado mas arrebatou o corpo e a alma de dona Flor. O outro, tinha tudo de bom, deu-lhe paz e segurança mas nada sabia da sensibilidade, do "coração" de dona Flor... História encantadora, humana, enternecedora... "à Jorge Amado". A banda musical é maravilhosa como só o Chico e a Simone seriam capazes de fazer... Segue a história.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 204




- Mudar de casa? Eu? Quem lhe disse?

- Pois sua mãe, dona Rozilda. Me disse que você estava-se queixando, mal-satisfeita com a casa, num desgosto…

Dona Flor fitou o marido na borda da cama, muito sério, uma ponta de tristeza nos olhos. Deu-lhe vontade de rir: “tamanho homem e tão sem malícia”.

- Mamãe? E você pensou que eu tinha mandado? Você ainda não conhece mamãe, Teodoro. O que ela está querendo, eu sei… Para que haveria eu de querer casa maior? Quem quer é ela, com um quarto onde se instalar de vez para sempre, deus me livre e guarde.

- Mas sendo assim, querida, para hospedar sua mãe, a gente talvez possa…

Dona Flor susteve o riso, olhou para o marido bem nos olhos:

- A gente deve usar de franqueza um com o outro, você disse, Teodoro. Me diga, mas me diga de verdade, não minta; você gostaria da velha morando com a gente para sempre?

Não era doutor Teodoro homem de mentiras, tão pouco de ofender os demais, menos ainda a mãe de dona Flor:

- É sua mãe, é minha sogra, se ela quiser e você estiver de acordo…

- Pois fique sabendo, meu querido, que eu não quero nem estou de acordo. É minha mãe, gosto dela, mas aqui, vivendo com a gente, nem por todo o dinheiro do mundo. Não há quem ature a velha, Teodoro, você ainda não conhece ela direito.

Tomou a mão do esposo:

- Nesta casa, meu querido, só eu e você, mais ninguém. Daqui a gente só sai para casa própria. Aliás, o melhor, quando a gente puder, é comprar esta mesma…

Respirou aliviado o farmacêutico. Por dona Flor seria capaz de sacrifícios, até de aguentar dona Rozilda com seus mexericos. Mas, felizmente, tudo se esclarecera. Não mudara dona Flor, modesta nos desejos, parca nos gastos, sensata.

Quanto a dona Rozilda, evoluíra a opinião do doutor Teodoro, a santa velhinha dissolvia-se na peçonha. Não era sem razão que o concunhado, o tal Morais, mantinha-se no Rio, disposto a só voltar à Bahia só quando a sogra emborcasse. Outro cuja única esperança residia na morte, pois, para o caso de dona Rozilda, em sua opinião, não havia alternativa.

O doutor Teodoro, porém, menos experiente da sogra e muito mais gentil, de esmerada educação, disse numa última fineza:

- Coisas de velha, coitada… Na idade dela…

Dona Flor afagou a mão do marido, homem tão bom:

- Não é questão de idade meu querido… Ela sempre foi assim…

É minha mãe, não me cabe falar dela, uma filha não pode… Mas ela sempre teve esse génio, desde mocinha… Nem meu pai suportou e era um santo. Se ela se metesse aqui, Teodoro, a gente ia terminar brigando…

- Nós dois? Nunca, minha querida, jamais…

Olhou-a quase comovido, numa ternura:

- Nunca iremos brigar… Nem esconder nada um do outro, seja o que for. Contaremos tudo, tudo…

Beijou-a nos lábios, levemente.

- Tudo… - repetiu dona Flor num sussurro.

Doutor Teodoro sorriu de todo satisfeito, levantou-se, foi apagar a luz. “Tudo, Teodoro, Tu crês possível? Mesmo os pensamentos mais recônditos, mesmo aqueles que a pessoa esconde de si própria, Teodoro?”

Dona Flor via o torso forte do esposo sob o pijama, as largas omoplatas, o cangote rijo, os músculos do braço. Mordendo os lábios, tratou de desviar o pensamento, pois sendo segunda-feira não era dia dessas coisas. Sistemático, o doutor mantinha nisso e em tudo a mais perfeita ordem. Tão bom e generoso, tão delicado e atento, tão caído por ela a ponto de suportar dona Rozilda… Tamanha devoção compensava sua sistemática, seu rigor de horários, regras, etiquetas.

- “Tudo não, Teodoro, tu não sabes que obscuro poço é o coração da gente.”

sexta-feira, agosto 20, 2010

OTTAWAN - HANDS UP
Dupla musical francesa do final dos anos 70. O nome é inspirado na capital canadense Ottawa.
A canção é um merecido êxito.


CONSIDERAÇÕES
ADICIONAIS
SOBRE O

TEMA DA

HOMOSSEXUALIDADE
(1)


Nem Sempre Foi Assim… - O historiador dos E.U.A, John Boswell, que dirigiu o Departamento de História da Universidade de Yale, escreveu em 1994 o livro “As Bodas dos Semelhantes”. Depois de uma investigação de 12 anos, encontrou documentos da igreja Cristã dos séculos VI a XIII que contêm a liturgia com a qual se celebravam as uniões eróticas entre os homens.

Boswell procurou nas grandes bibliotecas da Europa, incluindo a do Vaticano, e encontrou dezenas de manuscritos originais, com orações, gestos, salmos e cerimonial que se praticavam nas bênçãos do amor homossexual celebradas nas igrejas e oficiadas por sacerdotes.

Só a partir do Concílio de Letrão, 1215, é que se estabeleceu que a relação heterossexual era a única legítima e é a partir do século XIV que na Europa se começa a desenvolver a obsessão homofóbica considerando a homossexualidade o mais degradante dos pecados.

Boswell observou páginas arrancadas ou mutiladas posteriormente com o objectivo de esconder o que até então era visto com naturalidade e se celebrava com apoio religioso.

Acto Contra-Natura – “contra-natura” mas muito presente na natureza. O Museu de História Natural de Oslo abriu em 2006 uma surpreendente Exposição sobre Homossexualidade entre animais. Com fotos e filmes foram mostrados esses comportamentos e o zoólogo Meter Bockman, um dos organizadores da exposição, explicou que os cientistas observaram comportamentos homossexuais em 1.500 espécies de animais entre as quais, girafas, baleias, macacos, cães, gatos, polvos, flamingos, etc… o que permite concluir que a homossexualidade é uma realidade natural e frequente.

Estes comportamentos verificam-se nos animais em liberdade, no seu ambiente, assinalando-se que há casais gays de aves e mamíferos que duram juntas uma vida inteira. Em algumas colónias de pinguins a frequência de casais gays é de um em dez, semelhante ao que se observa entre humanos. No caso dos chimpanzés bonobos toda a espécie é bissexual e entre os peixes encontramos transsexuais e travestis.

Em conclusão, Bockman afirma que a ideia de que o sexo serve apenas para a reprodução não está certa nem sequer entre os animais, para os quais a relação sexual, tal como para os humanos, é mais um assunto de prazer e inter-acção do que de reprodução.

Com esta exposição os seus organizadores pretenderam rebater cientificamente todos os argumentos e juízos homofóbicos que qualificam o comportamento homossexual como uma perversão “contra-natura” contra a Natureza.

ENTREVISTAS
FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO



Entrevista Nº 56


TEMA – HOMOSEXUAIS



Raquel – Homossexuais, gays e lésbicas. Algumas igrejas cristãs negam-lhes os sacramentos e proíbem-nos de chegar ao sacerdócio. Ao longo da história foram perseguidos, ridicularizados, torturados… Homossexuais, outro tema crítico e outra entrevista com Jesus Cristo, desde a Nazaré. Podemos começar?

Jesus – Sim, Raquel. Comecemos.

Raquel – Por que condenou o senhor os homossexuais?

Jesus – Eu? Eu nunca os condenei.

Raquel – Bem, não os condenou, mas disse que não entrariam no Reino dos Céus o que, se não é o mesmo… é praticamente igual.

Jesus – Creio que te equivocas, Raquel. Eu nunca disse isso.

Raquel – Leio aqui, no Novo Testamento: “Não os enganeis. Nem os impuros, nem os adúlteros, nem os bêbados… herdarão o Reino de Deus”

Jesus – Quem escreveu isso?

Raquel – São Paulo, Primeira Carta aos Coríntios, 6,10.

Jesus – Ah, sim, mas não te esqueças que Paulo, segundo me consta, foi fariseu. Vê-se logo que lhe ficaram muitas das características que tinham a ver com os fariseus. Eu não fiz essa lista de pecadores que ele fez, eu nunca falei contra os homossexuais.

Raquel – Mas Deus falou. Com o fogo e o enxofre castigou os habitantes de Sodoma, que eram homossexuais.

Jesus – Pois, mas creio que voltas a equivocar-te.

Raquel – Não eram Sodomitas os Sodomitas?

Jesus – O pecado de Sodoma, esse, me explicou uma vez um rabino, foi a falta de hospitalidade com os mensageiros de Deus. Não foi um pecado sexual mas sim, um pecado social.

Raquel – Mas, senhor Jesus Cristo, a homossexualidade é um pecado contra a natura humana.

Jesus – A guerra, a fome, deixarem sem pão as viúvas e os órfãos… esses são os pecados contra a natureza humana

Raquel – Então, segundo o senhor, Deus não condena os gays e as lésbicas?

Jesus – Diz-me uma coisa, Raquel. Que faz uma mãe quando se apercebe que um seu filho é diferente dos outros? Rejeita-o? Fecha-lhe a porta? Atira-lhe uma pedra quando lhe pede a bênção? Deus é mãe, não te esqueças?

Raquel – Então o senhor os defende?

Jesus – Muitos os atacam. Para muitos são os últimos. Para o reino de Deus serão os primeiros.

Raquel – Não sei… ouvindo-o falar… No seu grupo de apóstolos haveria também alguns homossexuais?

Jesus – Seguramente.

Raquel – Talvez João, o mais jovem dos apóstolos, o que escreveu um dos Evangelhos.

Jesus – A João e a seu irmão Santiago pus-lhes a alcunha de “filhos do trovão” porque eram os dois muito violentos.

Raquel – Pois sim, mas sempre pintaram o João muito efeminado…

Jesus – Porque não o conheceram… e porque não entendiam a amizade entre os homens.

Raquel – Que diria o senhor às igrejas homofóbicas que continuam recusando e condenando gays e lésbicas?

Jesus – Que se estão livres do pecado atirem a primeira pedra e com a vara com que hoje medem, um dia serão medidos.

Raquel – Concluindo, Jesus Cristo, admitiria o senhor no seu grupo, dirigindo a comunidade, uma pessoa homossexual?

Jesus – Por que não? Eu nunca perguntei isso aos que se juntavam ao nosso Movimento. Perguntava-lhes se queriam pôr a mão no arado para lutar pela justiça. Só isso.

Raquel – E agora, algo um pouco mais delicado… aprovaria o senhor o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Jesus – Sim, se nessa união houver amor, por que não? Onde está o amor, está Deus.

Raquel – Hoje, sim, hoje deixa-me chamar-te Mestre. Obrigado, Mestre, pelas tuas palavras. Creio que muitos gays e lésbicas que estejam ouvindo este programa receberam uma boa notícia.

Da Nazaré, a repórter Raquel Perez, Emissoras Latinas.

NAT KING COLE - FASCINATION
Talvez não saiba mas esta valsa, autêntico deleite para os nossos ouvidos, é da autoria de Maurice Féraudy (1859 -1932) e Dante Pilade Marchetti (1876-1940). Juntámos-lhe a voz de Nat Kin Cole, imagens a condizer, e aqui tem uma receita para as noites de verão.

DONA FLOR
E SEUS DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 203


Por que então essas repentinas mudanças? Por que sair para o desperdício de um casarão trabalhoso e caro? Para que esses luxos além de suas posses? Só para fazer figura?

Dona Rozilda, em sua confusa alocução, falara em prestígio, em “fazer boa figura”. Era doutor Teodoro sensível ao argumento, cioso de prestígio e consideração, temendo a crítica da sociedade. Já dona Flor não ligava para tais coisas e lhe dissera – quando discutiram sobre a escola – não se medir o valor de um homem pela figuração, por suas aparências e, sim, pelo que ele é e vale.

Sendo assim, como mostrar-se contrariada, com queixas e reivindicações?

Doutor Teodoro escutou atento o relambório da sogra mas não quis debater o assunto:

- Não sabia, minha cara sogra, dessa disposição de minha querida esposa e não desejo discuti-la. Mas posso adiantar-lhe que tudo será resolvido a contento de Flor.

Deixando dona Rozilda envolta em optimismo, retirou-se macambúzio para a drogaria. Se a mudança de opinião de dona Flor surpreendera doutor Teodoro, sua atitude o desgostara. Por que não viera ela própria lhe falar, com lealdade e franqueza? Por que enviara dona Rozilda de porta-voz?

Não desejava o farmacêutico nenhuma dúvida, nenhum desentendimento por mais íntimo entre ele e a esposa. Dispunha a lhe dar quanto pudesse, a satisfazer seus desejos, mesmo quando lhe parecessem caprichos, dentro dos limites das suas posses e até com algum sacrifício. Mas exigia sinceridade, lisura, confiança. Por que terceiros. Por que intermediários entre eles, se eram marido e mulher? Doutor Teodoro, no fundo da farmácia, manuseando a espátula, a triturar substâncias, a pesar quantidades ínfimas na balança de precisão, sentia-se magoado e triste. Por que essa falta de confiança? Marido e mulher não devem ter segredos um para o outro, nem intermediários nas suas relações. Subnitrato de bismuto, aspirina, azul-de-metileno, noz-moscada, as quantidades precisas, nem um grão a mais ou a menos. Assim o casamento. Dispôs-se a por o assunto em pratos limpos quanto antes.

No quarto, à noite, a sós com a esposa, enquanto mudava a roupa resguardado pela cabeceira do leito de ferro, lhe disse:

- Minha querida desejava lhe pedir uma coisa…

Já se enfiara dona Flor sob os lençóis, esperando apenas o ósculo do marido para fechar os olhos e dormir:

- O que, Teodoro?

- Queria que você quando desejasse conversar alguma coisa comigo, me falasse você mesma, não mandasse ninguém em seu lugar… - a voz do doutor não revelava zanga, seu acento era mais sobre a melancolia.

Dona Flor ergueu o busto, surpresa. Apoiando-se no cotovelo, voltou-se para o marido a enfiar as calças do pijama:

- Que história é essa, quando eu já mandei…?

- Eu acho que marido e mulher devem ser francos um com o outro, não precisam de leva-e-traz…

- Teodoro, meu querido, por favor explique isso depressa, não estou entendendo nada…

Vestido em seu pijama de listas, ele veio para junto da cama, sentou-se:

- Se você quer mudar de casa por que não me falou pessoalmente?

quinta-feira, agosto 19, 2010

VÍDEO

Tenham atenção com a altura dos atrelados...

video

DULCE PONTES & MORRICONE - AMOR A PORTUGAL
Agosto, mês de férias, mês por excelência de turismo, oportunidade de mostrarmos as "coisas" lindas que temos e a voz maravilhosa da Dulce Pontes... vejam e ouçam.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 202


Educação finíssima: doutor Teodoro, cordial e respeitoso, só a tratava de “minha cara sogra” querendo saber a todo o momento se ela de nada necessitava. Trazia-lhe pastilhas para a tosse, xarope para o catarro crónico e lhe oferecera um guarda-chuva novo, ao vê-la queixar-se de ter perdido o seu – antigo do tempo de seu Gil – na confusão de desembarque, no porto.

Chegara dona Rozilda na intenção de assistir ao casamento, visita de poucos dias. Mas, ao reconhecer as qualidades do genro, deu-se conta das perspectivas de vida em companhia do casal, decidindo arranjar-se ali em definitivo, abandonando Nazareth das Farinhas, as obras pias do reverendo Walfrido Moraes, o clube, a igreja, a presidência do saboroso e cruel disse-que-disse municipal.

Sentia-se na pequena cidade, como já se constatou. Era alguém, influente personagem, xeretando à larga, impondo seus caprichos e maus humores à nora já no extremo da paciência e já sem esperanças em milagres de santo: Nossa Senhora da Aflição ficara cega e surda a seus rogos e promessas para libertar-se, restava-lhe apenas esperar a morte. A morte da sogra, entenda-se. Por vezes a boa Celeste punha-se a pensar no jubiloso acontecimento. Ah!, velório impacientemente aguardado! Seria a sentinela mais festiva da Nazareth, falar-se-ia da guarda e da encomendação do corpo da velha senhora em todo o Recôncavo, os ecos chegariam à capital. Dispunha-se Celeste a não olhar a despesas nem trabalho.

Dava-se bem em Nazareth, mas, com esse novo genro, preferia Salvador, e para ali ficar armou dona Rozilda seu plano de campanha. Fez-se adulona e insinuante, prestativa e bondosa, devota do farmacêutico. Doutor Teodoro, a princípio sensibilizou-se. Em conversa com seu amigo Rosalvo Medeiros, o representante de laboratórios, disse-lhe ter ganho com o casamento, não apenas a mais perfeita esposa, como também uma segunda mãe, sua sogra, aquela santa velhinha.

- Quem? – o próprio Rosalvo não acreditava em seus ouvidos – Quem é a santa velhinha? Dona Rozilda? – pôs-se a rir como dona Amélia no dia de noivado: ouvia-se cada uma… Dona Rozilda, uma santa criatura, só mesmo Teodoro com sua ingenuidade…

Mas, nem mesmo Teodoro se enganou por longo tempo: a ranhetice, o dom da intriga, a permanente irritação de dona Rozilda logo se impuseram, sobre seus melosos sorrisos e suas palavras cativante, começando o genro a perceber o porquê do riso incontido e gaiato de dona Amélia e de Rosalvo. Foi quando dona Rozilda veio lhe falar, muito maneira, dos inconvenientes da casa pequena, com tão poucos cómodos. Por que não alugar residência mais condigna com suas posses e relações? Mais ampla, com maior número de quartos?

Deu a entender, com habilidade, não estar dona Flor satisfeita com aquela casa de pouco conforto, cheia de lembranças ruins. Apenas, não querendo importunar o marido, silenciava seu desgosto.

Doutor Teodoro estranhou a sugestão perdulária da sogra e, mais ainda, o pretenso enfado da esposa. Não fora por acaso dona Flor a primeira a salientar as conveniências e vantagens de ali permanecerem: o aluguel barato, o mesmo de há oito anos, e a situação da casa, a dois passos da drogaria, além de ser endereço conhecido da Escola de Culinária Sabor e Arte, tendo sua cozinha adaptada às aulas, com fogão e gás e fogão a lenha? Para que casa maior se eram apenas dois? Para que buscar trabalho e despesa, se ali podiam caber alegres, ela, o marido e seu desejo
de felicidade? Assim argumentara dona Flor ainda noiva, modesta e sensata.

quarta-feira, agosto 18, 2010


CONSIDERAÇÔES
ADICIONAIS AO

TEMA:
JESUS CRISTO
FEMINISTA?


Uma Sociedade Machista – Jesus Cristo foi filho de uma cultura extremamente machista, nascida de uma religião, o judaísmo, totalmente marcado por tradições patriarcais.

É verdade, que Jesus Cristo rompeu em palavras e atitudes com o machismo da sua religião e do seu ambiente de vidas mas a tradição cristã não foi fiel a Jesus e desde o início, e de forma crescente, a partir do século III, acomodou-se plenamente aos moldes da cultura patriarcal a que pertence a hierarquia masculina, a que estabelece a norma moral, as leis e as formas de relacionamento com deus.


As Mulheres Sempre Descriminadas – Nas leis civis e religiosas e nos costumes de Israel, a mulher era considerada inferior ao homem. As leis civis assemelhavam-nas aos escravos e a uma criança de menor idade e, tal como eles, deveriam ter um varão como dono. O seu testemunho não era válido em juízo, pois consideravam-na mentirosa. No plano religioso também era marginalizada. Não podia ler as Escrituras na sinagoga e nuca benzia a mesa. A exclusão das mulheres na vida social era muito maior nas classes altas e nos centros urbanos do que nos meios rurais. A escassa importância que se dava a uma mulher tinha a ver com a sua habilidade para os trabalhos domésticos. Era apreciada, fundamentalmente, pela sua fecundidade. Uma mulher incapaz de ter filhos não valia nada.


Não Há Testemunhas, Só Testículos – Um exemplo retirado da Bíblia sobre as tradições patriarcais machistas:

- “Põe a mão nos testículos e jura por Yahvéh (Jehovah), Deus do Céu e da terra…”

Os juramentos eram válidos colocando a mão nos testículos. Agarrando os testículos dos outros o compromisso ficava selado. Também durante o Império Romano os varões tinham por costume levar a mão direita aos genitais, símbolo da virilidade, da masculinidade e valor, quando faziam uma promessa ou estabeleciam um contrato. Os órgãos produtores de sémen conferiam seriedade à palavra dada. Claro que, como as mulheres não tinham testículos não podiam testemunhar nem dar testemunho e herdar em testamento. Na sociedade de Jesus, a mulher não contava para nada perante os tribunais.

Da cultura judaica ao idioma espanhol, todas estas palavras: “testigo” (testemunha), “testimonio” (testemunho, depoimento), “testamento” (testamento), Têm todas a mesma raiz: “testículos”, e provêm da mesma cultura patriarcal.

Durante séculos, em todos os países, as mulheres não tiveram direito à propriedade nem a herança, não assinavam, não decidiam, não elegiam, não votavam.

Tudo isto tem vindo mudar, mas com esforços, lutas, sofrimento e sangue.


O Sangue Impuro da Menstruação – No Séc. XIII os teólogos cristãos advertiam que era pecado mortal ter relações com uma mulher menstruada porque dessa relação nasceriam filhos doentes e endomoniados.

Durante toda a Idade Média foi tema de discussão teológica se as mulheres menstruadas poderiam receber a comunhão. O sangue do parto, esse, era ainda considerado mais perigoso de tal forma que as mulheres que morriam durante o parto não podiam ser enterradas em cemitério cristão porque não lhes tinha sido possível reconciliarem-se, em vida, com a igreja.


Feminismo – Uma Ética

O feminismo é um conjunto de teorias culturais e sociais, de práticas políticas e propostas éticas, motivadas pela recusa das iniquidades e injustiças derivadas da cultura patrimonial em que a humanidade viveu e, em parte, ainda vive, desde há milhares de anos durante os quais o masculino sempre foi privilegiado.

Nem todas as mulheres são feministas, nem todas as feministas são mulheres. O feminismo não é um tema, questão ou assunto de mulheres para mulheres. O feminismo é uma proposta de mudança radical para que a sociedade se desenvolva num sentido mais correcto, para que haja mais democracia, para que os direitos humanos sejam deveras respeitados.

Jesus Cristo e o seu Movimento, com a participação, lado a lado de homens e mulheres, constitui a primeira e mais importante fonte de inspiração.

RODRIGO - CAIS DO SODRÉ
Começou há cerca de 40 anos como amador nas noites fadistas do Estoril e de Cascais. Dotado de grande brio profissional e simpatia obteve grande aceitação. Percorre as comunidades de emigrantes no mundo com assinalável êxito. Este fado está acompanhado de imagens da zona de Lisboa do Cais Sodré de há 100 anos atrás.



DONA

FLOR

E SEUS

DOIS

MARIDOS



Episódio Nº 201




Quando do primeiro casamento da filha (se aquilo se podia chamar de casamento), tivera de suportar a cachaça e a pachouchada daqueles valdevinos, uma canalha, faces de depravação e de deboche: Jenner Augusto, Carlinhos Mascarenhas, Dorival Caymmi. Vez por outra um homem formado e de família se metia com tal caterva e logo era o pior de todos, como aquele doutor Walter da Silveira cujo rosto nédio dona Rozilda recorda com ódio. Ouvira em Nazareth elogios aos conhecimentos jurídicos do tal Silveira: sumidade nas leis e impoluto. Acreditasse quem quisesse, não ela, dona Rozilda, que o vira a soprar na gaita o passo do siri-boceta, o infame!

Tão antimusical se fizera, devido a essa corja, que reagira violenta à primeira notícia dos dotes do genro: “sujeito sem compostura, tocador de berimbau”.

Mais uma vez, certamente, a idiota da filha, sem tino e sem vergonha, ia se amarrar a algum malandro para sustentá-lo, carregá-lo às costas, financiando-lhe os vícios e as amantes com o suado dinheirinho da escola. Tanta raiva guardara de serenatas e canções, que nem o título de doutor, em torno do qual dona Norma, conhecedora de suas debilidades e preferências, fizera estardalhaço na carta onde lhe comunicara o noivado da viúva, nem mesmo aquele anel de grau a comoveu. Doutor e de proclamado saber, escrevera a vizinha, mas dona Rozilda não se entusiasmou:

- Mais um desses bêbados… De noite pelas ruas na farra e na descaração com o dinheiro da bestalhona… Vai-se ver, é também jogador. Quer é viver à tripa forra, ela no trabalho, ele na perdição.

Quanto ao título de doutor opunha-lhe reservas:

- Farmacêutico… Doutor de pé-quebrado…

Distinguia entre os diversos canudos de formatura, nem todos possuindo, a seu ver, a mesma classe e categoria:

- Doutor de verdade, de primeira é médico, é advogado, é engenheiro civil. Dentista e farmacêutico, agrónomo, veterinário, tudo isso é doutor de segunda, de meia tigela, é doutorzinho… Gente que não teve cabeça nem competência para estudar até ao fim…

Toda essa má vontade para com o futuro genro, ainda desconhecido pessoalmente e já tão criticado, vinha de sabê-lo músico amador. Só depois, na Bahia, ao constatar a boa situação financeira do farmacêutico, sócio de estabelecimento sólido como a Científica, na esquina da Rua Carlos Gomes com o Cabeça (só o ponto valia uma fortuna), sua respeitabilidade, as maneiras e as atitudes, o soberbo e vasto círculo de relações, apagou-se a falsa opinião inicial, deixando a sogra de confundir-lhe o erudito fagote com popular berimbau de capoeira e a orquestra de amadores com as serenatas ao clarão da lua.

Muito rápido subiu o genro em seu conceito. Não era o perfeito príncipe encantado um dia antevisto em Pedro Borges, o estudante paraense, com seus rios, ilhas e seringais, riqueza das mil e uma noites. Que mais pode desejar, porém, uma viúva pobre, aos trinta anos de idade? Dona Rozilda, satisfeita mais além de toda a expectativa, confessara a dona Norma:

- Com esse até eu casava… Um cidadão que se preza, e que modos! Dessa
vez, ela acertou.
Também já era tempo… Senhor de muita educação!

terça-feira, agosto 17, 2010

ELVIS PRESLEY - IF I CAN DREAM


ELVIS PRESLEY - MY WAY
(Trinta e Três anos após a sua morte)
No dia em que passam 33 anos sobre a sua morte, esta é a homenagem do "Memórias Futuras" a um dos melhores cantores do Sec. XX, "The King". Elvis perdeu a guerra da vida tendo-a terminado muito novo como um destroço humano, destruido pelas drogas. A fama, o êxito, a adulação e vassalagem de milhares e milhares de fãs, foram determinantes para o seu fim precoce, moral e físico. A humanidade perdeu com isso: a sua voz era uma dádiva da natureza que ele se "encarregou" de explorar sem respeito pela sua condição humana... que soçobrou. A data da sua morte é pretexto para que os seus admiradores, vindos de vários pontos do globo, desfilem em frente à campa do cantor numa vigília que se repete todos os anos, na mansão Graceland, nos EUA. A quinta de Elvis foi o cenário desta procissão, que se realiza em Memphis, no estado de Tennessee. Enquanto aguardam solenemente a abertura dos portões de acesso à propriedade, os fãs entoam baladas do artista tais como "If i can dream" "Fools Rush In".



ENTREVISTAS
FICCIONADAS
COM JESUS CRISTO
Entrevista Nº 54


Tema – Jesus Feminista?



Raquel – Emissoras Latinas com seus microfones na Nazaré, entrevistando Jesus Cristo que regressou à terra para ver, como ele mesmo diz, o que temos feito em seu nome e na sua ausência. Bons dias Jesus Cristo.

Jesus – Sejam bons, Raquel. Shalom!

Raquel – Suas mensagens em programas anteriores, tão favoráveis aos direitos das mulheres, resultaram muito controversos. Precisamente um grupo de mulheres quer falar com o senhor e fazer-lhe algumas perguntas.

Jesus – Mas se elas não estão aqui… como escuto as suas perguntas?

Raquel – Espere, que eu ponho-lhe estes auscultadores… vamos a ver… adiante com a chamada dos estúdios.

Feminista – A nossa Associação cumprimenta o senhor, um homem que tanta influência teve na história. E queremos fazer-lhe a primeira pergunta que para nós é decisiva. O senhor, Jesus Cristo, considera-se feminista?

Jesus – Bem… explica-me tu, Raquel, o que me estão perguntando…

Raquel – Ela quer saber se…

Feminista – Digamos melhor… qual foi para si, o gesto mais atrevido, inovador, a favor das mulheres do seu tempo?

Jesus – Um gesto mais… não sei…deixe-me pensar… talvez quando aquela mulher que sofria de perdas de sangue… hemorragias, diziam-lhe da sua doença, para a ofenderem ainda mais, as senhoras que desculpem, acusavam-na de mijar sangue.

Raquel – Poderia contar esse caso para a nossa audiência?

Jesus – Sim, por que não? As leis religiosas do meu país declaravam impuras todas as mulheres nos dias da sua menstruação.

Feminista – Ah, sim? Todos os meses?

Jesus – Cada mês, a cada volta de lua, toda a mulher se tornava impura. E isso significava que não podia rezar na sinagoga e muito menos entrar no templo. Ninguém lhe podia tocar, nem seu marido, nem ninguém… manchava… contaminava…

Feminista – E como sabiam que uma mulher estava com o período?

Jesus – Era humilhante. Tinham que retirar-se e passarem pela vergonha de se declararem menstruadas… tinham que reconhecerem-se a elas próprias impuras… senão perguntavam-lhes…

Feminista – Se hoje um homem tiver a impertinência de fazer essa pergunta a uma mulher leva uma bofetada.

Jesus – E bem merecida…

Raquel – Prossigamos com a mulher da sua história…

Jesus – Recordo que se chamava Melania e tinha uma doença estranha: estava sempre menstruando.

Feminista – Menorragia, se chama essa enfermidade.

Jesus – Estou certo que hoje a curariam mas nessa época nada se sabia. E tinham muitas ideias erradas sobre as mulheres. No sangue das mulheres o meu povo via pecado. Nas fontes da vida via sujidade.

Feminista – Dizem que ao sujo tudo se associa.

Jesus – Liam a lei com os olhos dos homens, escreveram a lei com o egoísmo dos homens e viram o mal na nossa mãe Eva.

Feminista – Pois dir-lhe-ei, Jesus Cristo, que isso continua hoje a passar-se.

Jesus – Aquela mulher vivia sempre impura. E pior, aquele padecimento fazia-a estéril. Estava morta em vida: uma mulher que não tinha filhos não valia nada… era a última das últimas.

Raquel – E por isso o senhor curou-a…

Jesus – Não, não sabia curar isso. Encontrei-a um dia e quando ela se aproximou de mim, chamei-a pelo seu nome, Melania e a toquei e deixei que ela me tocasse. Algo que estava proibidíssimo pela lei, algo que ninguém se atreveria a fazer.

Feminista – Então, o senhor comportou-se como um feminista…

Jesus – Raquel, explica-me essa palavra que ela usa…

Raquel – Feminista é tomar o partido das mulheres, lutar pelos seus direitos, respeitá-las… tudo isso. Tudo isso e muito mais.

Feminista – Então, Jesus Cristo, foi o senhor um feminista?

Jesus – Pois sim, creio que fui… e continuo sendo.

Feminista – E podemos chamar-lhe feminista nos nossos documentos?

Jesus – E por que não. Chame-me assim, feminista.

Raquel Junto a Jesus, feminista e polémico, da Nazaré, com Jesus Cristo em sua segunda vinda à terra, Raquel Perez, Emissoras Latinas

CANÇÕES ANGLO - SAXÒNICAS

NEIL DIAMOND - LONGFELLOW SERENATE
Uma das mais lindas canções do reportório de Neil Diamond que tinha "escapado" a este Blog, no qual, este cantor, é "rei". Como todas as outras, é uma delícia de canção numa voz que é perfeitamente única.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 200


Aliás, devera-se a essa história de mudança de endereço o súbito regresso de dona Rozilda para Nazareth. Dona Flor, certa manhã, a interpelou:

- Mãe, que ideia é essa de dizer a Teodoro que eu quero me mudar? Fique sabendo, de uma vez por todas, que estamos, eu e ele, muito satisfeitos com nossa casa e não vamos nos mudar.

Dona Rozilda, esquecida de suas conveniências de grande dama, cuspiu para o lado num gesto reles:

- Que me importa? Cada porco em seu chiqueiro…

Dona Flor fez um esforço para conter-se:

- Ouça, mãe. Eu sei por que essa história da casa maior. A senhora quer é meter-se aqui para sempre, mas pode tirar isso da cabeça, eu não estou de acordo. Pode vir nos visitar quando quiser, passar uns dias. Mas morar com a gente, isso não. Lhe falo com franqueza: vosmicê, minha mãe, nasceu para morar sozinha… Vou lhe dizer…

Dona Rozilda saiu num repelão, sem querer ouvir o resto, aliás a parte agradável do discurso, pois dona Flor para compensar a mãe daquela rude franqueza, decidira estabelecer-lhe pequena mesada. “Dinheiro para seus alfinetes, minha mãe, para suas obras de caridade”, como pôde finalmente lhe comunicar, ao acompanhá-la ao cais da Bahiana, dias depois.

Falhara mais uma vez o plano de dona Rozilda de estabelecer-se com a filha, não a quisera antes, a viúva, não a queria agora, a recém-casada. Se na primeira tentativa, dona Rozilda demonstrara-se ofendida, rompendo praticamente suas relações com dona Flor, agora engolira a afronta, a tentação de nova vida da filha, com seu brilho de relações e saraus, era demasiado poderosa. Voltou para Nazareth, é bem verdade, mas amiudara suas visitas à capital. Hospedando-se naquele “cu-do-mundo”do Rio Vermelho, vinha logo cedo, antes do almoço, para a casa da filha, a futricar nas imediações, na chefia do bando das xeretas. Demorava-se oito, dez dias, o tempo de fazer-se insuportável, de brigar com a irmã, e lá se ia de novo infernar o filho e a nora no Recôncavo.

Em Nazareth, às suas diversas ocupações, somara a descrição do fausto social de dona Flor (vive em almoços e festas, íntima de dona Imaculada Taveira Pires) em loas ao genro doutor e a tudo quanto lhe correspondia, dos dotes de inteligência ao invejável estado de suas finanças, da presença digna ao inusitado fagote. Narrando com detalhes os ensaios semanais da orquestra de amadores, derretia-se em sorrisos, babada em comentários:

- Aquilo, sim, que é música…

Dizia-o para louvar as árias, as romanzas, os concertos de fino reportório, onde Haendel. Lehar e Strauss coexistiam com Othelo Araújo e com o maestro Agenor Gomes, compositores locais menos conhecidos mundo afora, mas não menos inspirados. Dizia-o também numa demonstração de desprezo pela outra música, a dos sambas e canções, das modinhas e do “Zé- povinho” – uma cusparada de desprezo – e pela gentalha dos violões e cavaquinhos, das gaitas e tamborins, caterva de vagabundos. Ao dizê-lo, estabelecia uma distância, marcava diferença entre a orquestra de amadores – à qual pertenciam doutor Venceslau Pires da Veiga, cirurgião eminente, doutor Pinho Pedreira, juiz da capital, e o milionário e comendador do Papa Adriano Pires – o Cavalo Pampa – dono da firma atacadista, com palacete na Graça, automóvel com chofer, marido da nobre Imaculada, “a que está antes da primeira, a primeiríssima, a opalina cúspide (na expressão feliz de Silvinho Lamenha, locutor de rádio e relator dos Sociais no jornal do temido vate Odorico Tavares), de dona Imaculada Taveira Pires, com sua cara de cavalo velho, seu lornhão e sua governanta Suiça – e os vagabundos em serenatas e desordens, bêbados de má vida.

segunda-feira, agosto 16, 2010

VÍDEOS

Tem de treinar mais... e perder o medo da água...

video


CONSIDERAÇÔES
ADICIONAIS
AO TEMA DA
ENTREVISTA:
“O ABORTO”





Um Dilema entre a Vida e a Vida


Face ao aborto, há quem pretenda dividir as pessoas entre os “Pró-Vida” e os “Pró-Aborto”, afirmando que todo a aborto é um crime e que abortar é matar. E pretendem fazer crer que há grupos de mulheres, as “feministas”, que pertencem à “cultura da morte” e por isso promovem a prática massiva e até festiva do aborto.

O objectivo desse falso dilema: vida ou morte, é tentar culpabilizar e atemorizar as mulheres ao bom estilo das práticas da Igreja Católica do Vaticano. Mas, qualquer mulher, perante uma gravidez não desejada, de risco ou de resultado incerto, estará sempre perante um outro dilema: Vida e Vida.

- Que vida espera a quem está por nascer com uma enfermidade congénita?

- E se os pais têm já muitos filhos e não têm recursos para dar sequer o mais básico?

- Que riscos corre uma mulher grávida por força de uma doença crónica, de problemas seus de saúde?

- E que riscos emocionais coloca a uma mulher uma gravidez não prevista, não desejada, que significa um risco emocional para o resto da sua vida?

- Que oportunidades de vida – estudos, trabalho, relações – se fecham a essa adolescente que engravida?

- Que origem violenta e abusiva tem a vida que se inicia no ventre dessa rapariga, dessa jovem?

- Deve morrer para “não matar” uma mulher que sofre de doença grave e que se salvaria com uma operação em que se perderia o feto?

- Deve deixar órfãos os outros filhos?

- Será “matar” não dar vida a um feto que tem uma doença incurável com a qual terá de conviver dolorosamente toda a vida?

- Deverá vir ao mundo para sofrer e fazer sofrer os que dele cuidam?

- Será “matar” não dar vida a um feto com uma doença incurável se os seus pais não tiverem consciência que essa enfermidade condicionará para sempre as suas vidas?


Na Entrevista anterior, Jesus afirmou que Deus concedeu ao homem dois tesouros: A Vida e a Liberdade e, quanto a nós, é aqui que se joga a questão do aborto. É um problema moral, de consciência e liberdade individuais, de forma alguma um problema religioso. Jesus não fala dele, a Bíblia, praticamente, também não.

É a mulher, só, ou em diálogo com o pai da criança ou outras pessoas da sua confiança que deverá decidir.

A apropriação por parte da Igreja Católica, radical e fundamentalista, desta questão, constitui uma intromissão abusiva, desonesta e prepotente, reveladora, como em tantas outras situações, da sua falta de compreensão, respeito e amor pela pessoa humana.

Os pontos de interrogação atrás registados poderiam multiplicar-se. As respostas terão de ficar à consciência e liberdade de cada uma das mulheres que se debatam com o problema de uma gravidez indesejada, sem intimidações, ameaças, penalizações da lei ou condenação de certos padres. Às mulheres, nestas situações, já lhes basta o seu próprio drama.

CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CALENTANO - FUMO NEGLI OCCHI
lembram-se desta bonita canção? O título original é"Smoke Gets in your eyes" de 1933.
... Não, eu não choro, sabes é somente que fumas e o fumo vai dentro dos meus olhos até ao fundo do meu coração...


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 199



Ao regressar da Nazareth das Farinhas, após larga permanência na Bahia, dona Rozilda, testemunha atenta dos primeiros tempos da nova vida matrimonial de dona Flor, confidenciava a dona Norma suas preocupações e incertezas.

Genro óptimo sobre todos os aspectos, doutor Teodoro. Sobre isso nenhuma dúvida. Mas estaria dona Flor à altura de consorte de tantas qualidades? Por que não? – picara-se dona Norma, leal à amiga, não lhe admitindo a menor crítica. Dona Flor, em sua opinião, era digna do marido mais perfeito, do mais belo e rico.

Em dona Rozilda, porém, não se erguia a flama do mesmo ardente entusiasmo. Apesar de mãe e por isso inclinada a desculpar e a favorecer a filha, não lhe encontrava o elã necessário para a escalada por fim possível, não a sentia ávida de influência social, capaz de aproveitar-se da posição do marido, de seu crédito, de sua respeitabilidade, de suas relações. Tivesse ela saído a dona Rozilda, e agora, apoiada ao braço do doutor, galgaria facilmente as salas, ou jardins, a intimidade dos palacetes da Graça e da Barra, conviva da melhor gente da Bahia, da elite, sonho da velha senhora. Não fora já dona Flor apresentada aos Taveiras Pires, não lhe beijara a mão o milionário Adriano, vulgo Cavalo Pampa, não a distinguira com asqueroso e complacente sorriso dona Imaculada, a primeiríssima dama da sociedade, ditadora da elegância?

Que fazia, no entanto, dona Flor para corresponder a essas oportunidades devidas ao título de doutor, à drogaria florescente, ao fagote mavioso?

Nada, três vezes nada. Ao contrário, continuava a dar aulas de culinária como uma pobretona necessitada, apesar dessa actividade repercutir negativamente sobre o prestígio social do marido (marido cuja mulher trabalha ou está mal da vida ou é sórdido avarento, assim rezava a cartilha de dona Rozilda); continuava naquela casa pequena quando podiam ter endereço bem mais cómodo e em rua distinta.

Desculpasse dona Norma pois não o dizia dona Rozilda com intenção de humilhar ninguém, mas aquelas ruas por ali, se tinham sido elegantes e mesmo nobres noutros tempos, nos dias de hoje eram artérias de gentinha, com algumas poucas excepções. Naqueles becos, senhoras de sociedade e representação, constatava venenosa a xereta, podiam ser apontadas a dedo. A mulher do argentino, dona Nancy, realmente de classe e boa raça, e quem mais? – inquiria, olhando provocativa a amiga de dona Flor:

- O resto… uma cambada…

Pior endereço só mesmo o Rio Vermelho, com sua lonjura e seus capadócios, onde a irmã e o cunhado teimavam em residir, um fim-de-mundo, quase subúrbio e ordinário, onde os homens aos domingos exibiam-se pelas ruas em pijamas e chinelos, um horror. Dona Laurita, a esposa do doutor Luís Henrique, indo visitar dona Lita, escandalizara-se com aquele indecente footing matinal, indecoroso desfile de pijamas de um mau gosto obsceno. Dona Laurita externou sua indignação com palavras de asco:

- Não sei como se pode morar num lugar assim, onde até os ricos ficam parecendo pobres, tudo uma ralé…

Mas, voltando à vaca fria, qual a situação do novo casal? Doutor Teodoro, doido por mudar de casa, e ela, dona Flor, a toleirona, obstinada ali naquele buraco. Dona Rozilda sacudia a cabeça:

- Que nasce para dez-réis não chega a vintém…

domingo, agosto 15, 2010


ENTREVISTAS
FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO
Entrevista Nº 53


TEMA – ABORTO MASCULINO?



Raquel – Aqui, na Nazaré, reiniciamos nossa entrevista com Jesus Cristo sobre o delicado assunto do aborto. Vamos a perguntas directas, precisas. Comecemos definindo a sua posição: o senhor, Jesus Cristo, está a favor do aborto?

Jesus – Eu estou a favor da vida.

Raquel – Quero dizer, se o senhor aceitaria em alguns casos…

Jesus – Raquel, Deus ofereceu-nos dois tesouros: a vida e a liberdade. Somos livres para decidirmos as nossas vidas.

Raquel – Mas respeitando as leis de Deus que dizem não matar.

Jesus – Quererá alguma mulher eliminar o fruto das suas entranhas? Penso que se uma mulher decidir abortar será por uma razão muito grave.

Raquel – Tão grave o suficiente para eliminar uma vida?

Jesus – Escuta, Raquel. Deus quer que tenhamos vida, uma vida em abundância.

Raquel – Poderia explicar-se melhor?

Jesus – É que viver não é só vir ao mundo e respirar o ar. Viver é poder crescer numa família que te quer, alimentares-te bem, estares são, poderes estudar…

Raquel – Essa vida em abundância de que o senhor fala é aquilo a que nós chamamos “qualidade de vida”.

Jesus – Isso, Raquel, mas diz-me tu, que espécie de vida pode esperar uma criança que vai nascer indesejada? E os filhos que ficarão órfãos se a sua mãe morrer de parto? E uma menina que foi violada é justo que traga ao mundo o fruto dessa violência? Quando o Rei David abusou de Betsabé, Deus não permitiu que nascesse um filho daquele crime.

Raquel – Pois alguns sacerdotes ensinam que uma mulher tem que trazer ao mundo todos os filhos que Deus lhe mande.

Jesus – Mas esses filhos vêm de Deus ou do capricho de um homem Ruim?

Raquel – Venham de onde vierem, esses sacerdotes insistem que uma mulher tem obrigação de dá-los à luz.

Jesus – Claro, como não são eles que engravidam falam sem compaixão. Falam do que não sabem.

Raquel – Então uma mulher que por razões graves decida abortar não está condenada e excomungada?

Jesus – Acredita-me, Raquel, Deus não a julgará. E sabes por quê? Porque Deus é mãe e conheces tu alguma mãe que não entenda outra mãe numa situação tão difícil?

Raquel – Insisto. Dizendo isso não está desconhecendo o 5º Mandamento que manda não matar?

Jesus – Não é a mesma coisa cortar uma árvore ou deixar de regar uma semente. Deus não nos manda converter em árvore todas as sementes.

Raquel – Todavia, em alguns países, as mulheres que abortam são penalizadas, vão para a prisão acusadas de assassínio.

Jesus – Hipócritas. São eles que matam quando fazem a guerra, quando oprimem os pobres… Se defendem tanto a vida por que não castigam os homens quando abortam?

Raquel – Refere-se aos médicos que fazem abortos?

Jesus - Refiro-me aos homens que não cuidam da vida. No meu tempo, e em todos os tempos, foram muitíssimos, como os grãos de areia do mar, as situações em que as mulheres foram obrigadas a criar seus filhos sós, sem o apoio de nenhum homem. Onde estavam os pais dessas crianças? Fizeram filhos e não lhes deram nome nem pão.

Raquel – A irresponsabilidade paterna…

Jesus – Em verdade te digo que o homem que engravida uma mulher e a abandona está cometendo um aborto. Os homens obrigam as mulheres a abortar, os que se desinteressam de seus filhos… esses são os ofendem a Deus, esses são os que verdadeiramente abortam. Disso não falei no meu tempo. Disso falo agora, já que me dás a oportunidade.

Raquel – Aborto masculino. A outra face da moeda neste polémico tema. Quantas mulheres decidem interromper a gravidez por culpa dos homens? Aborto Masculino: um conceito novo, um desafio ético.

Para as Emissoras Latinas, Raquel Perez, Nazaré.


BOM DOMINGO A TODOS


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