sábado, janeiro 28, 2012

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Ponha o cinto de segurança. Nem sempre elas poderão estar a velar por si...


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DUO OURO NEGRO - KURIKUTELA


Conta a história de um combóio que percorre Angola até à fronteira Leste e o espanto de quem viaja pela 1ª vez. Esta mesma viagem a fiz em 1963 com os meus sodados num vagão J quando saí do norte de Agola para o Leste onde, (ainda) felizmente, havia paz.


JANTAR DE

CONFRATERNIZAÇÃO

Um grupo de amigos de 50 anos discutia para escolher o restaurante onde iriam jantar. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as empregadas eram jeitosas e usavam mini-saia e blusas muito decotadas.

Dez anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos.

Dez anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque tinha uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador....

Dez anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical.

Todos acharam que era uma grande idéia porque nunca tinham ido lá antes...

Vá-se rindo...
que a sua vez há-de chegar... mas é bom sinal porque: a) está vivo; b) continua a ter amigos; c)... e vontade de conviver com eles.

GABRIELA

CRAVO

E

CANELA
Episódio Nº 8


Juntos andaram até à garagem; o coronel, afoito, anunciou:

- Dessa vez vou viajar nessa sua máquina. Me decidi…

O russo riu:

- Com a estrada seca a viagem vai durar pouco mais do que uma hora…

- Que coisa! Quem diria! Trinta e cinco quilómetros em hora e meia… Antigamente a gente levava dois dias, a cavalo… Pois, se Mundinho Falcão chegar hoje no Ita, pode-me reservar passagem para amanhã de manhã…

- Isso é que não, coronel. Amanhã, não.

- E porque não?

- Porque amanhã é o nosso jantar de comemoração e o senhor é meu convidado. Um jantar de primeira, com o coronel Ramiro Bastos, o Prefeito, o daqui e o de Itabuna, o Juiz de Direito e o de Itabuna também, Mundinho Falcão, tudo gente de primeira… o gerente do banco do Brasil… Uma festa de arromba!

- Quem sou, Jacob, para essas lordezas… Vivo no meu canto.

- Faço questão de sua presença. É no Bar Vesúvio, o do Nacib.

- Nesse caso, fico para pra ir depois de amanhã…

- Vou-lhe reservar lugar no primeiro banco.

O fazendeiro despedia-se:

- Não há mesmo perigo desse troço virar? Com uma velocidade assim… Parece impossível.

Dos Notáveis na Banca de Peixe

Silenciaram um instante, ouvindo o apito do navio.

- Está pedindo prático… - disse João Fulgêncio.

- É o Ita que vem do Rio, Mundinho Falcão chega nele – informou o Capitão, sempre a par das novidades.

O doutor retomou a palavra, avançando um dedo categórico a sublinhar a frase:

- É como eu lhe digo: nuns tantos anos, um lustro talvez, Ilhéus será uma verdadeira capital. Maior que Aracaju, Natal, Maceió…Não existe hoje, no norte do país, cidade de progresso mais rápido. Ainda há dias li num jornal do Rio… - deixava cair as palavras lentamente; mesmo conversando, sua voz mantinha certo tom oratório e sua opinião era altamente considerada. Funcionário público aposentado, com fama de cultura e talento, publicando no jornal da Bahia longos e indigestos artigos históricos, Pelópidas de Assunção dÁvila, ilheense dos velhos tempos, era quase uma glória da cidade.

Em redor aprovavam com a cabeça, estavam todos contentes com o fim das chuvas, e o inegável progresso da região cacaueira era para todos eles – fazendeiros, funcionários, negociantes, exportadores – motivo de orgulho. À excepção de Pelópidas, do Capitão e de João Fulgêncio, nenhum dos demais a conversar junto à banca de peixe, naquele dia, nascera em Ilhéus. Tinham vindo atraídos pelo cacau, mas sentiam-se todos grapiúnas, ligados àquela terra para sempre.

O coronel Ribeirinho, a cabeça grisalha recordava:

- Quando eu desembarquei aqui, em 1902, para o mês faz vinte e três anos, isto era um buraco medonho. Um fim de mundo, caindo aos pedaços. Olivença é que era cidade...


(click na imagem dos burros transportando as sementes do cacau das plantações para as eiras onde é espalhado e seco ao sol)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À ENTREVISTA Nº 36 SOB O TEMA:


“ATEÍSMO” (4)

Próximo: Aquele de Quem me Aproximo


Perante tantos "ateísmos" alimentados pelos maus exemplos daqueles que afirmam representar a Deus na sua injustiça e cumplicidade com o poder abusivo, a parábola de Jesus é profundamente revolucionária e provocativa:


- Jesus diz que Deus não está no Templo ou no desempenho da Lei, mas no próximo, na relação que estabelecemos com os outros de quem nos aproximamos e necessita de nós. Próximo, não é só aquele que encontro no meu caminho mas aquele em cujo caminho eu me coloco, assim o formula Gustavo Gutierrez no seu pioneiro livro “Teologia da Libertação. Perspectivas”(1973).


Na parábola provocatória de Jesus, quem “entende” isto e o pratica não é um representante de Deus, mas um samaritano, um ateu.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

VÍDEO


Abra sempre bem a porta...

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APRENDAM A PERDOAR...

Muito bonito

Ninguém vai para frente se não abrir mão do orgulho.

Aprendam com este exemplo:

Ao aproximar-se do balcão da recepção de um hotel, um homem tem a sua atenção atraída por um barulho e, ao virar-se, atinge com o cotovelo o seio de uma linda mulher.


Pesaroso, meio envergonhado, ele diz:

- Mil desculpas. Se o seu coração for tão macio como seu o seio, tenho a certeza de que me perdoará.


A mulher lisonjeada responde:

- E se o seu pau for tão duro como o seu cotovelo, o meu apartamento é o 114.

LINDO!!! ISTO É QUE É PERDÃO!!!

GABRIELA
CRAVO
E
CANELA



Episódio Nº 7


Quando os homens, em busca de fortuna, atiraram-se às matas e disputaram, na boca das repetições e das Parabellum, a posse de cada palmo de terra. Quando os Badarós, os Oliveiras, os Brás Damásio, os Teodoros das Baraúnas, outros muitos, atravessavam os caminhos, abriam picadas, à frente dos jagunços e os pés de cacau plantados sobre cadáveres e sangue.

Quando o caxixe reinou, a justiça posta ao serviço dos interesses dos conquistadores de terra, quando grande árvore escondia um atirador na tocaia esperando sua vítima. Era esse passado que ainda estava presente em detalhes da vida da cidade e nos hábitos do povo. Desaparecendo aos poucos, cedendo lugar às inovações, a recentes costumes. Mas não sem resistência, sobretudo no que se referia a hábitos, transformados pelo tempo quase em leis.

Um desses homens apegados ao passado, olhando com desconfiança aquelas novidades de Ilhéus, vivendo quase todo o tempo na roça, vindo à cidade somente em negócios, discutir com os exportadores, era o coronel Manuel das Onças.

Andando pela rua deserta, na madrugada sem chuvas, a primeira após tanto tempo, pensava em partir naquele mesmo dia para a sua fazenda. Aproximava-se a época da colheita, o sol iria agora dourar os frutos de cacau, as roças ficavam uma beleza. Era daquilo que ele gostava, a cidade não conseguia prendê-lo, apesar de tantas seduções: cinemas, bares, cabarés com mulheres formosas, lojas sortidas.

Preferia a fartura da fazenda, as caçadas, o espectáculo das roças de cacau, as conversas com os trabalhadores, as histórias repetidas dos tempos das lutas, os casos de cobras, as caboclinhas humildes nas pobres casas de rameiras, nos povoados. Viera a Ilhéus para conversar com Mundinho Falcão, vender cacau para entrega posterior, retirar dinheiro para novas benfeitorias na fazenda. O exportador andava pelo Rio, ele não quisera discutir com o gerente, preferia esperar, já que Mundinho chegaria pelo próximo Ita.

E, enquanto esperava, na cidade alegre, apesar das chuvas, ia sendo arrastado pelos amigos aos cinemas (em geral dormia a meio do filme, cansava-lhe a vista), aos bares, aos cabarés. Mulheres com tanto perfume, meu Deus!, um despropósito… E cobrando alto, pedindo jóias, querendo anéis…Esse Ilhéus era mesmo uma perdição… No entanto, a visão do céu límpido, a certeza da safra garantida, o cacau a secar nas barcaças, a largar o mel nos cochos, partindo no lombo dos burros, fazia-o tão feliz que ele pensou ser injusto manter a família na fazenda, os meninos crescendo sem instrução, a esposa na cozinha, como uma negra sem diversão.

Os outros coronéis viviam na cidade, construíam boas casas, vestiam-se como gente.

De tudo quanto fazia em Ilhéus, durante suas rápidas estadas, nada agradava mais ao coronel Manuel das Onças quanto a conversa matutina com os amigos, junto da banca de peixe. Naquele dia lhes anunciaria sua decisão de botar casa em Ilhéus, de trazer a família. Nessas coisas ia pensando pela rua deserta quando, ao desembocar no porto encontrou o russo Jacob, a barba ruiva por fazer, despenteado, eufórico.

Mal enxergou o coronel, abriu os braços e bradou qualquer coisa, mas tão excitado estava, o fez em língua estrangeira, o que não impediu o iletrado fazendeiro de entender e responder:

- Pois é… finalmente temos o sol, meu amigo.

O russo esfregava as mãos:

Agora botaremos três viagens diárias: às sete horas, ao meio-dia e às quatro da tarde. E vamos encomendar mais duas marinetes.

(click na imagem que mostra o cacau a ser partido ainda na roça)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


À ENTREVISTA Nº 36 SOBRE O TEMA:


“O ATEÍSMO” (3)



Onde está Deus


A questão do significado da palavra de Deus tornou-se mais urgente e dolorosa quando Deus aparece ligado a estruturas de poder explorador e criminoso. Essa ligação histórica é a raiz de muito "ateísmo", especialmente no continente mais cristão e com maiores desigualdades no mundo, que é a América Latina.

A canção do argentino Atahualpa Yupanqui, “Perguntas Sobre Deus” é mais uma entre muitas, que expressam dramaticamente este problema nos anos de maior presença da Teologia da Libertação, que também foram anos de ditadura militar, injustiças sociais em toda a América Latina.
A canção dizia assim:

Um dia eu perguntei / Avô, onde está Deus? / Meu avô ficou triste / e nada me respondeu/ Meu avô morreu nos campos / sem oração ou confissão / o enterraram os índios /flauta de cana e tambor// Na época eu me perguntava:

/ Pai, o que você sabe Deus? / Meu pai se pôs sério e nada me respondeu/ Meu pai morreu na mina / sem médico ou protecção / cor do mineral de sangue / tem o patrão do ouro. / Meu irmão vive nas montanhas / e não conhece uma flor / O suor, a malária, as cobras / a vida do lenhador. / E que ninguém lhe pergunte / se sabe onde está Deus. / Pela sua casa não passou / tão importante senhor/ Eu canto pelos caminhos / e quando estou na prisão / Eu ouço as vozes do povo / que canta melhor que eu/ Há um assunto na Terra / mais importante do que Deus / que é ninguém cuspir sangue / para outro que viva melhor / Que Deus cuida de pobres? / Talvez sim e talvez não. / Mas é certo o almoço / na mesa do patrão.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

EDITH PIAF- Surprendente desfecho de uma história de amor em que ninguém acreditava... comovente!


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Bairro de Alfama na cidade de Lisboa. Notar o contraste forte do encarnado dos telhados contra o acentuado azul do céu.

(click na imagem)

IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO CORRETA

O vigário de um vilarejo tinha um pinto como mascote, o Valente. Certo dia, o pinto Valente desapareceu, e ele achou que alguém o havia roubado. No dia seguinte, na missa, o vigário perguntou à congregação:


-Algum de vocês aqui tem um pinto? Todos os homens se levantaram.


- Não, não, disse o vigário, não foi isso que eu quis dizer.


- O que eu quero saber é se algum de vocês viu um pinto?


- Todas as mulheres se levantaram.


- Não, não, repetiu o vigário... o que eu quero dizer é se algum devocês viu um pinto que não lhes pertence. Metade das mulheres selevantou.


- Não, não, disse o vigário novamente muito atrapalhado.


- Talvez eu possa formular melhor a pergunta:


- O que eu quero saber é se algum de vocês viu o meu pinto?Todas as freiras se levantaram.


- Deixa pra lá...!!! VAMOS REZAR...

DUO OURO NEGRO - AMANHÃ

São de Angola e começaram por se chamar apenas Ouro Negro. Os seus primeiros dois discos foram gravados em 1959. Terminaram em 1985 com a morte de Milo. As suas músicas, vozes e ritmos encantaram gerações. Amanhã, é uma das suas canções mais lindas.

GABRIELA

CRAVO
E
CANELA





Episódio Nº 6



Havia um ar de prosperidade por toda a parte, um vertiginoso crescimento. Abriam-se ruas para o lado do mar e dos morros, nasciam jardins e praças, construíam-se casas, sobrados, palacetes. Os alugueis subiam, no centro comercial atingiam preços absurdos. Bancos do Sul abriam agências, o Banco do Brasil edificara prédio novo, de quatro andares, uma beleza.

A cidade ia perdendo, a cada dia, aquele ar de acampamento guerreiro que a caracterizava no tempo da conquista da terra: fazendeiros montados a cavalo, de revólver à cinta, amedrontadores jagunços de repetição em punho atravessando ruas sem calçamento, ora de lama permanente, ora de permanente poeira, tiros enchendo de susto as noites intranquilas, mascates exibindo suas malas na calçada.

Tudo isso acabava, a cidade esplendia em vitrinas coloridas e variadas, multiplicavam-se as lojas e os armazéns, os mascates só apareciam nas feiras, andavam pelo interior. Bares, cabarés, cinemas, colégios. Terra de pouca religião, orgulhara-se, no entanto, com a promoção a diocese e recebera, entre festas inesquecíveis, o primeiro bispo.

Fazendeiros, exportadores, banqueiros, comerciantes, todos deram dinheiro para a construção do Colégio das Freiras, destinado às moças ilheenses, e ao Palácio Diocesano, ambos no alto da Conquista. Como deram dinheiro para a instalação do Clube Progresso, iniciativa de comerciantes e doutores, Mundinho Falcão à frente, onde aos domingos havia chás-dançantes e de quando em quando grandes bailes. Surgiam clubes de futebol, prosperava o Grémio Rui Barbosa.

Naqueles anos, Ilhéus começara a ser conhecido país afora, como a “Rainha do Sul”. A cultura do cacau dominava todo o sul dominava todo o Sul do estado da Baía, não havia lavoura mais lucrativa, as fortunas cresciam, crescia Ilhéus, capital do cacau.

No entanto, ainda se misturavam em suas ruas esse impetuoso progresso, esse futuro de grandezas, com os restos de lutas e bandidos. Ainda as tropas de burros, conduzindo cacau para os armazéns dos exportadores, invadiam o centro comercial, misturando-se aos caminhões que começavam a fazer-lhes frente.

Passavam ainda muitos homens calçados de botas, exibindo revólveres, estouravam ainda facilmente arruaças nas ruas de canto, jagunços conhecidos arrotavam valentias nos botequins baratos, de quando em vez um assassinato era cometido em plena rua. Cruzavam essas figuras nas ruas, calçadas e limpas, com exportadores prósperos, vestidos com elegância por alfaiates vindos da Baía, com incontáveis caixeiros viajantes ruidosos e cordiais, sabendo sempre as últimas anedotas, com os médicos, advogados, dentistas, agrónomos, engenheiros chegados a cada navio.

Mesmo muitos fazendeiros andavam sem botas e sem armas, um ar pacífico, construindo boas casa de moradia, vivendo parte do seu tempo na cidade, botando os filhos no Colégio de Enoch ou enviando-os para colégios na Baía, as esposas indo às fazendas apenas pelas férias gastando sedas e sapatos de taco alto, frequentando as festas do Progresso.

Muita coisa recordava ainda o velho Ilhéus de antes. Não o do tempo dos engenhos, das pobres plantações de café, dos senhores nobres, dos negros escravos, da casa ilustre dos Ávilas. Desse passado remoto sobravam apenas vagas lembranças, só mesmo o doutor se preocupava com ele.

Eram aspectos de um passado recente, do tempo das grandes lutas pela conquista da terra. Depois que os padres jesuítas haviam trazido as primeiras mudas de cacau.


(Na imagem uma roça de cacau. A casca serve para adubar a própia terra)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nº 36 SOBRE O TEMA: “ATEÍSMO” (2)

Onde tu dizes Deus…

Na década de 70 tornou-se muito popular uma canção espanhola, musicada por Ricardo Cantalapiedra, cuja letra era o poema "mal-entendidos" do bispo Pedro Casaldáliga e dizia assim:

- “Onde tu dizes lei / eu digo Deus / Onde dizes Deus eu digo liberdade, justiça e amor”.

Com estes versos colocava-se uma questão essencial: o que queremos dizer quando dizemos "Deus"? Significa "acreditar em Deus"?

Por uma questão de coerência à pergunta: “acreditas tu em Deus?” não devemos responder rapidamente com um sim ou não. Devemos exigir uma precisão: A que Deus se está a referir? E isto porque talvez não haja no dicionário palavra tão cheia de significados contraditórios como a palavra "Deus".

O conceito ou conceitos expressos na palavra Deus têm uma história muito longa na longa história da humanidade e ao longo do caminho que a consciência humana tem experimentado. E esse processo de ir transformando a ideia de Deus, fazendo-a evoluir, contrastando-a com os avanços da filosofia, política, sociologia, ciência, essas teologias diferentes, resultantes desses contrastes, não foi vivido ao mesmo tempo e no mesmo ritmo nas diferentes culturas, dos diferentes povos, e muito menos em indivíduos diferentes.

E assim, no século XXI, muitas pessoas super-modernas no seu modo de vestir, falar, agir, podem, no entanto, ter uma crença em Deus da época medieval: eles acreditam num Deus que determina todos os acontecimentos históricos, determina todos os desastres naturais, premiando e punindo comunidades e indivíduos para mostrar sua omnipotência ou para testar a fé das sociedades e dos indivíduos. Eles acreditam que Deus governa a sua vida e define o seu destino. Eles são modernos, mas o seu conceito de Deus é pré-moderno.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Um Presidente que se colocou ao ridículo quando declarou publicamente, ainda por cima na actual conjuntura, que não ganhava para as despesas... (click na imagem)

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O agradável sabor de uma paisagem rural...


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A fina arte de descascar uma melancia...


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O "iPOD"!


Os primos da cidade foram passar o Natal com os parentes alentejanos.

Alguns dias após o Natal, estava o primo da cidade a fazer alarde dos presentes que tinha ganho.

- Primo, viste o que eu ganhei de presente? Um 'Ipod' espectacular e ainda por cima da melhor marca do mercado!

O primo alentejano respondeu:

- Bom primo, muito bom!!! Mesmo muito bom...

Aí o da cidade perguntou:

E o que foi que tu ganhaste?

- Ganhei o mesmo que tu.

- Mas, quem te deu?

- A minha prima, tua irmã...

- Foi mesmo?

- Foi. Estávamos no ribeiro nadando nus. Cheguei por trás, encostei-me a ela e perguntei:

- Posso?

Ela virou-se e disse:

- "Aí Pode!".

É bom demais primo! Agora, se tem marca, não sei... nós no Alentejo não somos esquisitos com as marcas...

GABRIELA


CRAVO


E


CANELA



Episódio Nº 5



A viagem por estrada de ferro levava três horas quando não havia atraso, pela estrada de rodagem podia ser feita em hora e meia.

Esse russo Jacob possuía caminhões, transportava cacau de Itabuna para Ilhéus. Moacir Estrela montara uma garagem no centro, também ele labutava em caminhões. Juntaram suas forças, levantaram capital num banco, assinando duplicatas, mandaram buscar as marinetes.

Esfregavam as mãos na expectativa de negócio rendoso. Isto é: o russo esfregava as mãos, Moacir contentava-se em assobiar. O assobio alegre enchia a garagem enquanto, nos postes da cidade, boletins anunciavam o próximo estabelecimento da linha de ónibus, viagens mais rápidas e mais baratas do que pelo trem de ferro.

Só que as marinetes demoraram a chegar, e quando, finalmente desembarcaram de um pequeno cargueiro do Loyd Brasileiro, ante a admiração geral da cidade, as chuvas estavam no auge e a estrada em situação de miséria.

A ponte de madeira sobre o rio Cachoeira, coração mesmo da estrada, estava ameaçada pela cheia do rio, e os sócios resolveram adiar a inauguração das viagens.

As marinetes novinhas ficaram quase dois meses na garagem, enquanto o russo praguejava numa língua desconhecida e Moacir assobiava com raiva. Os títulos venciam no banco, e se Mundinho Falcão não os houvesse socorrido no aperto o negócio teria fracassado antes mesmo de iniciar-se.

Fora o próprio Mundinho que procurara o russo, mandando-o chamar ao seu escritório, oferecendo-lhe sem juros, o dinheiro necessário. Mundinho Falcão acreditava no progresso de Ilhéus e o incentivava.

Com a diminuição das chuvas o rio baixara, e, apesar do tempo continuar ruim, Jacob e Moacir mandaram consertar por conta própria uns pontilhões, botaram pedras nos trechos mais escorregadios e iniciaram o serviço.

A viagem inaugural, com o próprio Moacir Estrela dirigindo a marinete, deu lugar a discursos e a piadas. Os passageiros eram todos convidados: o Prefeito, Mundinho Falcão, outros exportadores, o coronel Ramiro Bastos, outros fazendeiros, o Capitão, o Doutor, advogados e médicos.

Alguns, receosos da estrada, apresentaram desculpas diversas, os seus lugares foram ocupados por outros, e tantos eram os candidatos que acabou indo gente em pé.

A viagem durou duas horas – a estrada ainda estava muito difícil – mas correu sem incidente de maior monta. Em Itabuna, à chegada, houve foguetório e almoço comemorativo. O russo Jacob anunciara então, para o fim da primeira quinzena de viagens regulares, um grande jantar em Ilhéus, reunindo personalidades dos dois municípios para festejar mais aquele marco do progresso local. O banquete foi encomendado a Nacib.

“Progresso” era a palavra que mais se ouvia em Ilhéus e Itabuna naquele tempo. Estava em todas as bocas insistentemente repetida. Aparecia na coluna dos jornais, no quotidiano e nos semanários, surgia nas discussões na papelaria Modelo, nos bares, nos cabarés. Os Ilheenses repetiam-na a propósito das novas ruas, das praças ajardinadas, dos edifícios no centro comercial e das residências modernas na praia, das oficinas do Diário de Ilhéus, dos caminhões transportando cacau, dos cabarés iluminados, do novo Cine-Teatro Ilhéus, do campo de futebol, do Colégio do Dr. Enoch, dos conferencistas esfomeados vindos da Baía e até do Rio, do Clube Progresso com seus chás-dançantes. “É o progresso!” Diziam-no orgulhosamente, conscientes de concorrerem todos para as mudanças tão profundas na fisionomia da cidade e nos seus hábitos.

(imagem de Gabriela e Nacib protagonistas do romance de amor que, na opinião do autor, constitui o evento mais importante de toda a história)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


À ENTREVISTA Nª36 SOBRE O TEMA:


“O ATEÌSMO” (1)




No caminho de Jerusalém para Jericó


Actualmente, a estrada de Jerusalém a Jericó é, como no tempo de Jesus, impressionante pela sua nudez. É ladeada por montanhas cinzentas e estéreis. Num dos cantos, uma pequena capela, chamada o Bom Samaritano, lembra a parábola de Jesus (Lucas 10:25-37). Jesus usou uma autêntica teologia da "provocação" ao fazer protagonista de uma das suas parábolas mais importantes um samaritano.

"Teologia da Provocação" ou "A Parábola do Bom Samaritano"

Embora os samaritanos fossem descendentes das tribos que formaram o povo de Israel, uma rebelião que ocorreu, alguns milhares de anos antes de Jesus, distanciou os judeus do Sul que estabeleceram o seu centro religioso no Monte Sião, em Jerusalém, enquanto os samaritanos o estabeleceram em Siquém e Monte Gerizim.

Dois séculos mais tarde, os samaritanos foram para o exílio e experimentaram a mestiçagem que os fez ainda mais "diferentes" aos olhos dos outros judeus.

No tempo de Jesus os samaritanos eram muito mal vistos pelos judeus, especialmente pelos professores e doutores da lei que sentiam por essas pessoas um profundo desprezo, uma mistura de nacionalismo e racismo.

Consideraram também que os samaritanos não acreditavam em Deus porque acreditavam em “outro” Deus ", diferente do deles, e realizavam "outros" cultos noutros" templos.

Comentando a "teologia da provocação" de Jesus diz que o teólogo espanhol José María Marín:

- “Ao contar a parábola do Bom Samaritano, Jesus frustrou as expectativas de seu público que, após a falta de solidariedade do sacerdote e do levita, (judeus) em vez de aparecer como herói um israelita justo apareceu um samaritano para ajudar o viajante agredido, ele, samaritano, que é o inimigo natural, o herege, o samaritano!

Jesus frustra as expectativas dos seus ouvintes para mostrar que o reino de Deus está para além de todas as fronteiras entre os seres humanos, todos eles são vizinhos, próximos. Ao desfazer as expectativas excitou as suas emoções para tornar mais forte a sua reacção.

terça-feira, janeiro 24, 2012

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Show de um sorveteiro em Istambul...



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ATAULFO ALVES


O perfil de um dos maiores criadores da musica popular brasileira, Ataulfo Alves, o homem que deu um estilo requintado ao samba, que o vestiu com grifes antes que a Bossa Nova o fizesse, transformando coisas simples em melodias e versos inesquecíveis e de beleza plástica minimamente inigualáveis. Mineiro da cidade de Mirai nascido em 20 de abril de 1909, teve uma infância dura e simples ao mesmo tempo, precoce, desde muito garoto já fazia seus primeiros versos respondendo de improvisos aos criados por seu pai, Severino Alves, violeiro, sanfoneiro e repentista da Zona da Mata que lhe transmitia então o dom da criação artística. Em 1927 vai residir no Rio de Janeiro trabalhando como ajudante de farmácia tornando-se logo um prático na profissão. A atividade porem apesar de lhe render meios de sobrevivência não lhe satisfazia plenamente desse modo passou a freqüentar a noite e as rodas de samba, conhecendo artistas e apresentando suas primeiras composições. Em 1933 Almirante, cantor, compositor e radialista grava sua primeira musica, Sexta feira e logo em seguida em 2 de maio do mesmo ano Carmen Miranda emenda com outra composição do jovem e talentoso sambista, Tempo perdido.


Será que a culpa ainda é do corneteiro?...vale para Portugal como para outros países de língua portuguesa.


"... E não queiram enviar a culpa de tudo para cima do corneteiro do D. Afonso Henriques..." (frase dita durante um bebate na Assembleia da República)

Para quem não conhece a história do Corneteiro aqui vai ela:

- Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade - tempo do nosso rei D. Afonso Henriques - no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.

(Saque - s. m. : Acto de saquear. Roubo público legitimado...).

Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar "início ao saque" a que as suas tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para "fim ao saque".

Mas, ... fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se
antes de conseguir tocar o "fim ao saque" e, até hoje... ninguém voltou a tocar "fim ao saque"...

Afinal, a culpa é mesmo do Corneteiro....!!!

NÃO HAVERÁ POR AÍ NINGUÉM QUE CONHEÇA O TOQUE , FIM AO SAQUE???

GABRIELA

CRAVO

E

CANELA


Episódio Nº 4


A continuação das chuvas, pesadas e persistentes poderia apodrecê-los antes da colheita. Com os mesmos olhos de temor agoniado, os coronéis fitavam o céu plúmbeo, a chuva descendo, buscavam o sol escondido.

Velas eram acesas nos altares de são Jorge, de são Sebastião, de Maria Madalena, até de nossa Senhora da Vitória, na capela do cemitério. Mais uma semana, mais dez dias de chuva e a safra estaria por inteiro em perigo, era uma trágica expectativa.

Eis porque quando, naquela manhã em que tudo começou, um velho fazendeiro, o coronel Manuel das Onças (assim chamado porque suas roças ficavam num tal fim do mundo onde, segundo diziam e ele confirmava, até onças rugiam, saíu de casa ainda quase noite, às quatro da manhã e viu o céu despejado, num azul fantasmagórico de aurora desabrochando, o sol a anunciar-se num clarão alegre sobre o mar, elevou os braços, gritou num alívio imenso:

- Enfim… a safra está salva.

O coronel Manuel das Onças apressou o passo em direcção à banca de peixe, nas imediações do porto, onde pela manhãzinha, quotidianamente, reunia-se um grupo de velhos conhecidos em torno das latas de mingau das “baianas”.

Não iria encontrar ainda ninguém, era ele sempre o primeiro a chegar, mas andava de pressa como se todos o esperassem para ouvir a notícia. A alvíssareira notícia do fim da estação das chuvas.

O rosto do fazendeiro abria-se num sorriso feliz. Estava garantida a safra, aquela que seria a maior safra, a excepcional, de preços em constante alta, naquele ano de tantos acontecimentos sociais e políticos. Quando tanta coisa mudaria em Ilhéus, ano por muitos considerado como decisivo na vida da região.

Para uns foi o ano do caso da barra, para outros o da luta política entre Mundinho Falcão, exportador de cacau e o coronel Ramiro Bastos, o velho cacique local.

Terceiros lembravam-no como a ano do sensacional julgamento do coronel Jesuíno Mendonça, alguns com o da chegada do primeiro navio sueco dando início à exportação directa do cacau.

Ninguém, no entanto, fala desse ano, da safra de 1925 à de 1926, como o ano do amor de Nacib e Gabriela e, mesmo quando se referem às peripécias do romance, não se dão conta de como, mais que qualquer outro acontecimento, foi a história dessa doida paixão o centro de toda a vida da cidade naquele tempo, quando o impetuoso progresso e as novidades da civilização, transformavam a fisionomia de Ilhéus.

Do Passado e do Futuro Misturados nas Ruas de Ilhéus

As chuvas prolongadas haviam transformado as estradas e ruas em lamaçais, diariamente revolvidas pelas patas das tropas de burros e dos cavalos de montaria.

A própria estrada de rodagem, recentemente inaugurada, ligando Ilhéus a Itabuna, onde trafegavam caminhões e marinetes, ficara um certo momento, quase intransitável, pontilhões arrastados pelas águas, trechos com tanta lama ante os quais os choferes recuavam.

O russo Jacob e seu sócio, o jovem Moacir Estrela, dono de uma garagem, haviam raspado um susto. Antes da chegada das chuvas organizaram uma empresa de transportes para explorar a ligação rodoviária entre as duas principais cidades do cacau, encomendaram quatro pequenos ónibus no Sul.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

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JOÃO GILBERTO - CHEGA DE SAUDADE

Música de António Carlos Jobin e letra de Vinícius de Morais. Dizia Tom Jobin: "Em pouquíssimo tempo, João Gilberto, baiano Bossa- Nova, influenciou toda uma geração de músicos, instrumentistas e cantores. Quando ele se acompanha com o violão é ele, quando a orquestra o acompanha também é ele."


ENTREVISTA FICCIONADA

COM JESUS CRISTO Nº 36 SOBRE O TEMA:
“O ATEÍSMO”



RAQUEL - Entrevistamos hoje Jesus Cristo numa curva da estrada de Jerusalém a Jericó. Esta paisagem desolada foi o cenário para uma de suas parábolas mais importantes e memoráveis. É isto mesmo ou estou errada?


JESUS - Não, não estás errada. Os mestres da lei perguntaram-me um dia qual era o principal mandamento.


RAQUEL - E não sabiam eles que eram professores?


JESUS – Claro que sabiam muito bem. Amar a Deus e amar o próximo, disse eu. Mas eles insistiram: Quem é o meu próximo? Eles queriam me provocar.


RAQUEL – E o senhor?


JESUS – Contei-lhes uma história para provocá-los a eles. Uma vez um homem foi ferido por bandidos nesta mesma estradada. Passou um sacerdote e não o viu. Passou um levita e também não o viu. Então passou um samaritano, e ajudou-o. Então eu disse aos mestres da lei: o teu próximo é o que está no caminho, o teu próximo é aquele que precisa de ti. Disse-lhes, então, que dos três o Samaritano era o único que amava a Deus.


RAQUEL - E funcionou a sua provocação?


JESUS - Sim, eles se afastaram zangados.


RAQUEL – Porquê zangados?


JESUS – Por causa do samaritano. Quando eu era menino, ouvia dizer: "Samaritano pagano e marrano” (Pagão e porco). Não eram judeus puros, não se misturavam com ninguém. O pior é que os samaritanos não acreditavam em sacerdotes, no Templo ou no Deus dos judeus.


RAQUEL - Eram ateus?


JESUS – Essa palavra não era usada no meu tempo. Mas sim, os samaritanos não acreditavam no nosso Deus. Eles foram… ateus relativamente ao nosso Deus.


RAQUEL - Como é que pode ser isso? Ser ateu de um Deus e não ser de outro?


JESUS - Existem falsos deuses, são ídolos. Você tem que derrubá-los, parar de acreditar neles.


RAQUEL - Refere-se à actual crise de fé?



JESUS - No meu tempo, foram os sacerdotes, com os seus privilégios, e os levitas, com suas leis e mais leis, que causaram a crise da fé.


RAQUEL - Bem, desta vez algo semelhante acontece. O senhor deve ter notado. Muitas pessoas proclamam-se ateus pelos maus exemplos dos padres, dos pastores...


JESUS - Bem-aventurados os ateus, eles encontrarão Deus.


RAQUEL – De novo a bem-aventurança?


JESUS - Olha, Raquel, os sacerdotes de Jerusalém adoravam um ídolo que exigia sacrifícios de sangue, encargos insuportáveis, recusava as mulheres, os doentes… Eu revoltei-me contra esse Deus, e disse aos meus compatriotas que não acreditava nesse Deus ... que eu também era um ateu, ateu desse Deus.


RAQUEL – Então o senhor não condena o ateísmo?


JESUS - Como posso condená-lo? Pode ser um atalho para o verdadeiro Deus.É preciso parar de acreditar em falsos deuses para buscar e encontrar Deus.


RAQUEL - Como explica o senhor essa afirmação ... tão intrigante?


JESUS – Eu expliquei-o neste mesmo caminho ... Ouve, Raquel, quando se encontra o verdadeiro Deus já não se olha para cima, mas nas laterais. O sacerdote e o levita acreditavam num deus falso, um deus nas nuvens. Foi o samaritano que realmente acreditava em Deus porque ele viu o homem ferido, aproximou-se dele e tornou-se o seu próximo. Só acredita em Deus,

quem ama seu próximo.


RAQUEL – Do caminho do Bom Samaritano e, a partir de hoje, o ateu bom, no deserto da Judéia, Raquel Perez, Emissoras Latinas.

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Namorar na piscina

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Lição do Rato

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa!!

A galinha:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e:
- Há ratoeira na casa, ratoeira !
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca e:
- Há ratoeira na casa!
- O que? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.

Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima... A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.
Ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.


Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.

O problema de um é problema de todos!

"Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a conviver solidáriamente, como irmãos."




GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 3



Mas lhe recomendara pôr sob a protecção do santo vencedor dos dragões aquele feudo que o rei seu senhor houvera por bem lhe regalar.

Não iria ele a essa distante terra primitiva, mas lhe daria seu nome consagrando-a a seu xará São Jorge. Do seu cavalo na Lua seguia assim o santo o destino movimentado desse São Jorge dos Ilhéus desde cerca de quatrocentos anos.

Vira os índios trucidarem os primeiros colonizadores e serem, por sua vez trucidados e escravizados, vira erguerem-se os engenhos de açúcar, as plantações de café, pequenos uns, medíocres as outras.

Vira essa terra vegetar, sem maior futuro, durante séculos. Assistira depois ás primeiras mudas de cacau e ordenara aos macacos juparás que se encarregassem de multiplicar os cacaueiros. Talvez sem objectivo preciso, apenas para mudar um pouco a paisagem, da qual já devia estar cansado após tantos anos. Não imaginando que, com o cacau, chegava a riqueza, um tempo novo para a terra sob a sua protecção.

Viu então coisas terríveis: os homens matando-se traiçoeira e cruelmente pela posse de vales e colinas, de rios e serras, queimando as matas, plantando febrilmente roças e roças de cacau. Vira a região de súbito crescer, nasceram vilas e povoados, vira o progresso chegar a Ilhéus trazendo um bispo com ele, novos municípios serem instalados – Itabuna, Itapira – elevar-se o Colégio de Freiras, vira os navios desembarcando gente, tanta coisa vira que pensara nada poder mais impressioná-lo.

Ainda assim impressionou-se com aquela inesperada e profunda devoção dos coronéis, homens rudes, pouco afeitos a leis e rezas, com aquela louca promessa do padre Basílio Cerqueira, de natural incontinente e fogoso, tão fogoso e incontinente, que o santo duvidava pudesse ele cumpri-la até ao fim.

Quando a procissão desembocou na Praça de São Sebastião, parando ante a pequena igreja branca, quando Glória persignou-se sorridente em sua janela amaldiçoada, quando o árabe Nacib avançou do seu bar deserto para melhor apreciar o espectáculo, então aconteceu o falado milagre.

Não, não se encheu de nuvens negras o céu azul, não começou a cair chuva. Sem dúvida para não estragar a procissão. Mas uma esmaecida lua diurna surgiu no céu, perfeitamente visível apesar da claridade ofuscante do sol.

O negrinho Tuísca foi o primeiro a enxergá-la e chamou a atenção das irmãs Dos Reis, suas patroas, no grupo todo em negro de solteironas. Um clamor de milagre sucedeu, partindo das solteironas excitadas, propagando-se pela multidão, logo espalhando-se pela cidade toda.

Durante dois dias não se falara noutra coisa. São Jorge viera para ouvir as preces, as chuvas não tardariam.

Realmente, alguns dias após a procissão, nuvens de chuva se acumularam no céu e as águas começaram a cair ao entardecer. Só que São Jorge, naturalmente impressionado pelo volume de orações e promessas, pelos pés descalços das senhoras e pelo espantoso voto de castidade do padre Basílio, fez milagre demais, e agora as chuvas não queriam parar, a estação das águas se prolongava já por mais de duas semanas além do tempo habitual.

Aqueles brotos apenas nascidos dos cocos de cacau, cujo desenvolvimento o sol ameaçara, haviam crescido magníficos com as chuvas em número nunca visto, agora começavam novamente a necessitar de sol para se porem de vez.

(Na imagem o fruto do cacau motivo de tantas preocuopações, rezas e procissões)

domingo, janeiro 22, 2012

Maçonaria - Mistério e Poder


Uma história muito antiga e curiosa...


HOJE É



DOMINGO

Admito que tenha vindo a desligar-me cada vez mais dos noticiários, especialmente os especializados em matéria económica e financeira, por uma questão de defesa pessoal. Em jovem, sofri por causa das dívidas do meu pai, quase em velho, sofro pelas dívidas do meu país e sempre sem nada poder fazer.

Não é que a situação actual tenha sido, para mim, uma surpresa completa. A simples intuição fazia-me advinhar este desfecho. Era visível que não havia receitas ou, por outras palavras, não se produzia riqueza que permitisse tanto desvario de dinheiros e eu senti que estava sentado numa espécie de bomba-relógio. Ficaram por fazer um novo Aeroporto, um TGV, não sei quantas barragens e uma ou outra auto-estrada, não porque a fúria investidora tivesse desaparecido, os credores é que já não estavam a gostar da brincadeira…

Como medida de precaução restava-me apenas, para acautelar o vendaval que aí viria, viver o mais possível abaixo do meu ordenado e depois da minha pensão. Mais cedo ou mais tarde iríamos estar sujeitos a restrições e quanto mais cedo me habituásse melhor.

Fui sempre funcionário público, sempre contei com um rendimento certo e esperado ao fim do mês e o aumento considerável desse rendimento nos últimos anos pareceu-me demagógico, irrealista, fartura a mais como diziam os antigos.

Pior ainda, foram os insaciáveis, os sem escrúpulos, aqueles para quem só o céu é o limite em termos de riqueza pessoal. Viver bem não lhes chegava, era preciso viver sumptuosamente, deslumbrar. Estribados num presidente da República que os protegia e abençoava arranjaram bancos que funcionaram como instrumentos de saque da sociedade e isto à vista de todos, Banco de Portugal, entidades supervisoras, fiscalizadoras, reguladoras, sugaram, aspiraram, não milhares, centenas de milhares ou milhões mas... milhares de milhões que todos vamos pagar (por causa do problema sistémico, lembram-se...) e só um foi preso!

As minas de ouro entretanto estavam fechadas, as de ferro, esquecidas, o petróleo e o gás à espera de melhores dias, de concreto, concreto, apenas tinha havido os milhões dos Apoios Comunitários concedidos para melhorarmos as nossas condições competitivas ao nível das infra-estruturas, da educação e da formação profissional.

A globalização, com a abertura ao comércio mundial, especialmente à China e o alargamento da Comunidade Europeia a Leste condenaram as nossas empresas de mão-de-obra intensiva. A crise, que começou por ser financeira e posteriormente económica, agravada por mensagens contraditórias de Bruxelas, desnortearam os nossos líderes políticos que guiaram o país com o mesmo grau de risco, imprevidência e irresponsabilidade com que o comandante Schettino conduziu o Costa Concórdia, até o atirar contra a Ilha de Giglio, na costa de Itália.

Creio que as dificuldades actuais constituem o maior desafio que jamais se colocou ao nosso país e embora já tenha tido oportunidade de manifestar aqui sinceras esperanças naquele sector esclarecido, ambicioso, e tecnicamente preparado de um certo sector da nossa juventude na sua ligação do mundo académico ao mundo do trabalho, irá ser, mais uma vez, a já ancestral capacidade de sofrimento e de resistência às dificuldades do povo português, aliada à nossa imaginação e poder criativo, que nos ajudará a sair desta situação sem quebra da paz social…pelo menos eu espero. O prazo é impossível de prever porque depende mais dos outros, leia-se Europa, do que de nós próprios.

Entretanto, que não nos vá faltando a paciência para suportar as provocações de um presidente da República (político sonso) que se queixa publicamente que as suas reformas não lhe dão para as despesas…



(click na imagem. À esquerda, a Igreja da Piedade e a entrada para o centro da cidade de Santaém)

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