sábado, fevereiro 26, 2011

Deixemo-nos de divórcios...




Marido e mulher estão a jantar num belo restaurante quando entra uma rapariga absolutamente fantástica, que se dirige à mesa deles, dá um beijo apaixonado ao marido, diz:

- Vemo-nos mais tarde... - E vai-se embora.

A mulher, furiosa, fita o marido e pergunta:

- Quem diabo era aquela?

– Oh – responde o marido, – é a minha amante.

- Ah é? Pois esta foi a última gota de água! - Diz a mulher.


- Para mim chega! Quero o divórcio!

– Compreendo – responde o marido, – mas lembra-te, se nos divorciarmos acabam-se as compras em Paris, os Invernos na República Dominicana, os Verões em Itália, os Porsches e os Ferraris na garagem e o Iate. Mas, enfim... a decisão é tua.

Nesse momento entra um amigo comum no restaurante com uma loura estonteante pelo braço.

- Quem é aquela mulher que entrou com o Bernardo? - Pergunta ela.

- É a amante dele! - Responde o marido.

- A nossa é mais bonita! - Responde a mulher...

O GALO VELHO



Um fazendeiro resolve trocar o seu velho galo por outro mais novo que desse melhor conta das inúmeras galinhas.

Ao chegar o novo galo, o mais velho percebendo que iria perder as funções, foi falar com o seu substituto:

- Olha, sei que estou velho e o meu dono te trouxe para me substituíres mas será que não podes, pelo menos, deixares duas galinhas para mim?

- O que é isso, velhote? Vou ficar com todas.

- Mas só duas…

- Não, já disse! São todas minhas!

- Então, vamos fazer o seguinte, propôs o velho:

- Vamos fazer uma corrida à volta do galinheiro. Se eu ganhar fico pelo menos com duas galinhas. Se perder são todas tuas.

O galo jovem mediu o velho de cima abaixo e disse-lhe:

- Tudo bem, velhote, aceito.

- Já que as minhas hipótese de ganhar são poucas dás-me vinte passos de avanço.

- Está bem, aceito.

Iniciada a corrida o galo novo dispara atrás do velho, este tenta manter o avanço mas rapidamente vai perdendo a vantagem.

Então o fazendeiro vai buscar a espingarda e mata o galo novo dizendo para a mulher:

- Não entendo esta merda...! É o quinto galo paneleiro que compro esta semana! Os filhos da puta largam as galinhas e correm atrás do galo velho, vá-se lá entender isto!?

MORAL DA HISTÓRIA:

Nada substitui a experiência
!

NICOLA DI BARI - O ÚLTIMO ROMÂNTICO

Nicola não foi o último romântico mas é verdade que havia então, mais do que hoje, pelo menos uma maneira diferente de viver a relação de amor. Talvez porque a mulher fosse ainda um pouco o fruto proibido, 0s olhares falavam mais, as palavras eram mais discretas e reservadas e os suspiros mais profundos...



TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA

Episódio Nº 41


Tímida para uma estrela, um tanto encabulada, sorriso medroso, ai tão linda!

Todos a crer fosse ela recente conquista do rábula aleijado e mulherengo, apenas o meritíssimo sabia da façanha – façanha ou milagre? – da improvisada professora de primeiras letras alfabetizando Joana das Folhas, idosa lavradora de mãos de raízes. Os olhos de admiração do doutor juiz cresceram de imediato em olhos de devoção e desejo: ah! fosse ele desembargador no tribunal de Justiça do estado e lhe ofereceria lar e carinho, mas com os estipêndios de juiz de direito mal chegando para a família legalmente constituída, para a casa civil, como pensar em amásia, amante, amiga, casa militar?

No mar de aplausos a artista Tereza Batista, iniciando-se em trajectórias de altos e baixos, mas de estreia triunfal. Gélido coração, ostra encerrada em si mesmo. Ah! se pudesse chorar – moleque não chora nem marinheiro tampouco! Águas do mar de ausência, amor de náufragos. Onde andará mestre Januário Gereba, Janu do bem-querer, na rota do cais da Bahia?

Solta Tereza a bunda como ele lhe ensinou, ancas de profundas vagas marinhas, o ventre de vaivém, a semente do umbigo, caule e flor. Frio coração, gelo e distância, ai Januário Gereba, gigante do mar, urubu-rei a voar sobre as ondas na tempestade, quando outra vez te verei, em teu peito a provar gosto de sal e maresia, morrendo em teus braços, afogada em teu peito, ai Januário Gereba, mestre Janu de bem-querer, ai, amor, quando outra vez?


A MENINA QUE SANGROU O CAPITÃO COM A FACA DE CORTAR CARNE SECA

1

O distinto é um porreta, fez e aconteceu, não me cabe duvidar, mas eu lhe pergunto se já viu alguma vez um cristão papocado de bexiga, as carnes comidas, aberto em chagas, ser metido num saco e levado para o lazareto. Me diga se já carregou nas costas, por uma boa légua de caminho, um bexiguento nas vascas da agonia, e o transportou até ao lazareto, a federativa pesteando o ar, o mel do pus escorrendo na aniagem. Coisa de ver, camarada.

Acredite quem quiser, doa a quem doer, abaixo de Deus foram as putas e mais ninguém que acabaram com a bexiga quando ela se soltou negra e podre por essas bandas. Abaixo de Deus é maneira de dizer, modo de falar, pois isso aqui é terra abandonada e safara, fim de mundo, e se não fossem as desinfelizes da Rua do Cancro Mole, não teria ficado rastro de vivente para contar a história.

Deus, cheio de missas e afazeres, com tanto lugar bonito onde pousar os olhos, porque havia de se ocupar dos bexiguentos de Buquim? Quem cuidou e resolveu foi mesmo a citada Tereza Batista, de alcunha Tereza Navalhada, Tereza do Bamboleio, Tereza dos Sete Suspiros, Tereza do Pisar Macio, nomes todos eles merecidos, como merecido foi o de Tereza de Omolu, oferta e confirmação dos macumbeiros de Muricapeba assim a praga terminou e se viu o povo de regresso às suas casas.

Tereza comeu a bexiga por uma perna, mastigou e cuspiu. Mastigou com aqueles dentes limados e com o dente de ouro, presente de um dentista de Aracajú, uma beleza.


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (5)


Um Antagonismo que teria quebrado o coração do judeu Jesus.
De acordo com a jornalista britânica Lesley Hazleton, judia cristã, se houve uma causa que terá levado à separação definitiva entre Judaísmo e do Cristianismo, foi a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 após a morte de Jesus.
E ela descreve esse momento:


- “A maioria dos sacerdotes saduceus de elite foram massacrados, deixando o caminho aberto para o movimento dos fariseus. Durante os 200 anos seguintes, primeiro na costa do Mediterrâneo e depois na Galileia, os seus descendentes assentaram a base do judaísmo rabínico que conhecemos hoje. Na ausência do Templo material ou qualquer outro que pudesse ser reconstruído num futuro próximo, os primeiros rabinos conceberam em seu lugar uma vasta estrutura filosófica da ética e normas jurídicas: a Mishná e mais tarde o Talmud ".


Os palestinianos que seguiam os ensinamentos de Jesus e viram nele um profeta da renovação judaica dispersaram-se durante o caos que se seguiu devido à destruição do Templo mas então, o brilhante talento de organizador de Paulo, tinha criado um movimento não judeu que cresceu a um ritmo rápido ao longo de todo o resto do Mediterrâneo. Este movimento, que já mostrava uma forte implementação, em breve predominaria.


O profeta palestiniano converter-se-ia em Cristo, um ser divino na sua imagem helenística e o seu judaísmo seria suavizado e mesmo Paulo, apesar de ser um fariseu, os autores dos Evangelhos distorceram seriamente o papel dos fariseus para evitar acusações de Roma e aumentar o antagonismo das autoridades. Em vez dos romanos, os judeus é que eram retratados como adversários ...


A fé do Novo Testamento começou a definir-se em contra posição com o Antigo Testamento. Os judeus foram separados dos cristãos, e os cristãos das suas raízes judaicas. A separação tomou o lugar de renovação e a ruptura tomou o lugar da continuidade. Isto, sem dúvida, teria quebrado o coração de Maria, e ainda mais de seu filho Jesus.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

VIZINHA MARAVILHOSA...


Uma vizinha maravilhosa e brasileira !!! (ler com o sotaque !) bate na porta do vizinho e vai logo falando:

- "Escuta, cheguei agora, estou com uma vontade louca de me divertir, de me embebedar, de fazer sexo a noite toda... você está ocupado esta noite?"

- "NÃO!!!"

-"Então... pode ficar com o meu cachorro?"

VÍDEO
O mais precoce fã de Freddy Mercury...

video

NICOLA DI BARI - ROSA

Para todas as rosas do mundo, as que foram jovens e as que já não o são tanto..


TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 40


Veneranda, em mesa de pista, acompanhada de irrequieta companhia de raparigas, dera a honra de sua presença: recebera procuração oral do graúdo para rasgar o jogo e oferecer quanto necessário pelo assentimento da formosa à proposta de uma tarde de folguedos no recato do castelo.

Depois, se ela lhe caísse no goto, se fosse de cachupeleta, conforme parecia, o grande homem se dispunha a protegê-la: casa, comida, conta em lojas, luxos de amásia, bombons de chocolate, relógios de ouro, anel de brilhante (pequeno), até um gigolô, se indispensável. No dorso do mar, nas alturas de Mangue Seco navega a barcaça Ventania, batida de ondas e vento sul. Ai Janu do bem-querer, tempo de maré, caminho de perdição, noite escura e vazia.

Não quero ofertas nem palmas, dinheiro a rodo não quero, nem coronel protector, tenho ódio de gigolô, os versos do poeta não quero, quero teu peito de quilha, teu aroma de maresia, tua boca de sal e gengibre. Ai Janu de nunca mais.

As luzes então se apagaram, eram onze horas da noite, a bateria do jazz irrompeu e o piston abriu alas para ela passar, a estrela candente do samba. A luz vermelha de um reflector caiu sobre a pista do baile: Tereza Batista, vestida de saiote e bata, torso de baiana, sandálias colares, pulseiras, saldo ainda da Companhia de Variedades Jota Porto & Alma e Castro, beleza muçurumim ou cigana, cabo-verde ou trigueira, mulata nacional de dengue e requebro.

Palmas e assobios, aclamações; Fori trouxe uma braçada de flores, gentilezas da casa; o poeta José Saraiva uma rosa fanada e um punhado de versos.

Por pouco, no entanto, não fracassa, mais uma vez e por idêntico motivo, a badalada estreia. Pois não é que, ao cessar das palmas, pôde-se ouvir numa das mesas da pista, a ríspida discussão entre atrevido cabuletê a ensaiar as primeiras armas na carreira de cafetão e rapariga velhusca e fatigada?

Curvara-se Tereza a agradecer flores, versos e aplausos quando ressoou a voz de ameaça do rufião fazendo a mulher choramingar:

- Lhe parto a cara!

Suspenso o busto, as mãos na cintura, aquele fulgor repentino no olhar, Tereza disse:

- Parta a cara dela, que eu quero ver mocinho… Parta na minha vista, se tem coragem.

Por um instante reinou nervosa expectativa: iria o malandrote reagir, adiando-se mais uma vez a estreia? Uma briga como aquela primeira, inesquecível? Outro dente de ouro trabalhado a capricho pelo cirurgião dentista Najar? Não reagiu o cobarde, entupigaitado, sem saber onde meter as mãos e esconder a cara, a frase de Tereza estabelecera a lei, foi quanto bastou.

Imensa ovação cobriu-lhe as palavras e nesse mar de aplausos partiu a sambar Tereza Batista, estrela do rebolado, mais uma profissão: tantas tivera e ainda teria, ela que tão-somente deseja na vida ser feliz junto a seu homem no mar.

Na véspera, á tarde, a pedido e em companhia do rábula, estivera no fórum e numa sala do cível fora apresentada ao juiz Benito Cardoso, a advogados, a promotores, a escrivães e a outros notáveis doutores: Tereza Batista estrela do palco.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (4)


Um Movimento Judaico

Jesus nunca pensou em algo como o cristianismo que hoje conhecemos. Jesus era um judeu que, na sua cultura e religião, liderou um movimento de mudança, transformação, renovação. Após a sua morte, este movimento foi centrado na Galiléia e em Jerusalém, numa comunidade liderada por Tiago, irmão de Jesus, a quem então o Sumo Sacerdote Ananias, mandou assassinar em 62. Poucos anos depois, em 70, o Templo foi destruído, Jerusalém arrasada e teve início a diáspora judaica.


Antes deste desastre ocorrer, já havia cristãos espalhados por quase todo o Império Romano, pela tenacidade organizadora de Paulo. Mas grande parte desses primeiros cristãos eram, na realidade, judeus-cristãos, seguidores do Judeu-Jesus que tanto havia contribuído para renovar o judaísmo, com uma visão diferente de Deus e um convite a uma religião baseada não em leis, hierarquias ou ritos mas na justiça e compaixão nas relações humanas.
Com a morte de Santiago, a destruição de Jerusalém e do reinado do imperador Nero - que viu nos cristãos inimigos e começou a persegui-los - acelerou-se o processo de separação e a crescente animosidade entre o judaísmo e o cristianismo, cada vez mais influenciado pela cultura greco-romana para se tornar a religião oficial do Império.
Apenas um número que expressa essa evolução: os primeiros seguidores de Jesus eram na maioria judeus que falavam aramaico, a língua que Jesus falava. Somente três séculos mais tarde, no Concílio de Nicéia, quando surge oficialmente uma igreja cristã com a sus sede mais importante em Roma, os líderes da igreja já só falavam grego, e qualquer coisa de latim.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

"Nunca Precisámos de Outra Coisa"

Conta-se que este poema foi dirigido ao Ministro da Agricultura do governo de Salazar, como forma de pedir adubos. Por mais estranho que pareça, o senhor que o escreveu não foi preso e Salazar até se fartou de rir (??!!!) quando o leu:

- E X P O S I Ç Ã O -

Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.

Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!

O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e... como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!

A Nação confiou-lhe os seus destinos?...
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n'um traque do Ministro das Finanças?...
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.

Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n'elas.

Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.

Adubos de potassa?... Cal?... Azote?...
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!

Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda...

Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.

Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!

Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.

Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.

Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.

Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos, do Norte, Centro e Sul do Alentejo

Évora, 13 de Fevereiro de 1934

O Presidente

D. Tancredo (O Lavrador)

VÍDEO
Não pode ser só loucura...

video

NICOLA DI BARI - GIRAMONDO
Canção de 1967 de M. Scommengna/G. Reverberi.
...Um vagabundo que nem eu que muda o caminho assim que pode deve encontrar na vida a mulher feita como ele...


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 39



Da ponte, dos braços de Tereza, salta o marinheiro para o convés da barcaça, gigante de pé, com gosto de sal, aroma de maresia, algemas nos pulsos, grilhetas nos pés.

Estátua de pedra, imóvel Tereza, os olhos secos; o sol rolando nas cinzas do céu, crepúsculo de roxas tristezas, noite vazia de estrelas, a lua inútil para sempre e jamais. Nas velas a brisa veloz, o ronco do búzio na boca de mestre Januário Gereba no adeus mais pungente: adeus Tetá muçurumim, geme o som de grave acento; adeus Janu do bem-querer, responde um coração dilacerado na agonia da ausência. Águas de adeus, adeus, mar e rio, adeus; nas praias dos caranguejos, adeus, na rota dos náufragos, para nunca mais adeus.

O gigante de pé, o búzio rasgando o espaço, comandando a viração, lá se vai a barcaça Ventania deixando o cais de Aracaju, de Sergipe del-Rey, ao leme mestre Caetano Gunzá, junto ao mastro, fugitivo, Januário Gereba, pássaro de asas cortadas, preso em gaiola de ferro, grilhetas nos pés. No limite das águas do rio e do mar, riomar, o braço do gigante se alça, a grande mão acena. Adeus.

Estátua de pedra na ponte de velhas tábuas roídas pelo tempo, Tereza Batista ali permanece fincada, um punhal cravado no peito. A noite a envolve e penetra de trevas e vazio, de saudade e ausência, ai meu amor, mar e rio.


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O dente de ouro, o coração de gelo, em gingas de capoeira e samba-de-roda, Tereza Batista, estrela candente do samba, fulgurante imperatriz do rebolado, finalmente estreia na noite do Paris Alegre, no primeiro andar do prédio do Vaticano, na zona de Aracaju, defronte do porto onde esteve ancorada a barcaça Ventania de mestre Caetano Gunzá – ainda ressoa no cais o grave som do búzio soprado na despedida por mestre Januário Gereba, vindo para quebrar um galho e para matar de amor quem estava sossegada, de coração tranquilo a refazer a vida. Aquelas gingas angolas fora ele quem as ensinara, embaixador de afoxé de Carnaval, passista de gafieira.

Em nenhuma outra ocasião, desde a festiva inauguração um ano atrás, se viu tão superlotada a sala do Paris Alegre e tão animada e garrida a juventude doirada de Aracaju.

Ao som estridente do Jaz-Bend da Meia-Noite acotovelam-se os pares na pista de baile. Nas mesas repletas, compensador consumo de cerveja, batidas, conhaque nacional, uísque falsificado, vinho do Rio Grande para os snobes. Íntegra, a corte de apaixonados: o pintor Jenner Augusto de olhos fundos de frete; o poeta José Saraiva com os versos dolentes, a tísica e uma flor colhida no passar; o cirurgião-dentista Jamil Najar, mago da prótese; o vitorioso rábula Lulu Santos e o feliz dono da casa e pretendente ao leito da estrela, Floriano Pereira, Flori Pachola. Na tocaia, candidato a invejável conjuntura de patrão.

Além dos quatro nominalmente citados, pelo menos mais duas dezenas de corações palpitantes e umas três de arretadas estrovengas, pulsavam na intenção da Divina Pastora de Samba (como se lia nas tabuletas coloridas). Sem citar aqueles que, por conveniência e discrição, não puderam comparecer em pessoa ao cabaré para aplaudir a estreia de Miss Samba (igualmente nas tabuletas de Flori).

Um, pelo menos, se fez representar: o senador e industrial, na opinião de economistas e da velha Adriana, o homem mais rico de Sergipe
.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (3)


As Origens do Preconceito


A crença de que não foram as autoridades romanas e os líderes religiosos judeus que mataram Jesus, mas sim o povo judeu, é um preconceito antigo e profundamente enraizado.

No início da era cristã, a população judaica foi estimada em oito milhões de pessoas, distribuídas pela Judeia e Galileia, entre Alexandria, Cirenaica (norte da África), a Babilónia, Antioquia, Êfeso e Roma.

Esta dispersão, aliada à influência da cultura helenística, provocou atitudes anti-semitas em alguns períodos por razões de concorrência comercial, diferenças religiosas e atitudes políticas dos judeus que vieram a ocupar altos cargos públicos em algumas dessas cidades.

De anti-semitismo já se tinham registado vestígios desde Paulo que, apesar de judeu, teve uma forte influência helenística e viveu com o objectivo de tornar extensivo o cristianismo a populações não-judaicas.
Nos textos dos evangelhos também há base para sustentar o anti-semitismo.

De acordo com o historiador judeu Daniel Goldhagen, existem 40 passagens anti-semitas no Evangelho de Marcos, 80 em Mateus, 130 no de João e 140 nos Atos dos Apóstolos.

Há que ter em conta que apenas 40 anos após a morte de Jesus - e os evangelhos foram escritos mais tarde - Jerusalém e o Templo foram destruídos pelas tropas romanas, dando-se início à diáspora judaica.
Desde então, o povo judeu agarrou-se às Escrituras como um símbolo de identidade nacional. Nesta situação de desenraizamento, os judeus viram nas comunidades cristãs nascentes uma dissidência que poderia dividi-los e dispersá-los ainda mais. Gerou-se, então, um preconceito anti-cristão entre o povo judeu. A lamentável separação entre judeus e cristãos estava aumentando.
Anti-semitismo e preconceito religioso, social, cultural e político, não deixaram de enraizar-se a partir daí até porque o cristianismo tornou-se religião oficial do império e começou um "anti-semitismo da Igreja Cristã", para além de anti-judaísmo que existia anteriormente por parte do mundo.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

IGOR ZENIN - RECRIE - SE COM A BELEZA DA FOTOGRAFIA

VÍDEO

Directamente do produtor ao consumidor...

video

Rivalidades entre Agricultores...



Dois agricultores, um português e um espanhol, conversam:

- Qual é o tamanho da sua herdade? - pergunta o espanhol.

Responde o português:

- Para os padrões portugueses, o meu monte tem um tamanho razoável. Trezentos hectares, e a sua?

Responde o espanhol:

- Olha, eu saio de casa de manhã, ligo o meu jipe e ao meio-dia ainda nem percorri metade da minha propriedade

- Eu sei o que isso é! - diz o português, alentejano chapado, sem se descoser.

Eu também já tive um jeep espanhol, são uma merda, só dão chatices...

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTRVEVISTA Nº 83 SOBRE O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (2)


Barrabás: Um Zelota, um Revolucionário


A par das autoridades romanas, responsáveis máximas pela morte de Jesus, estiveram igualmente as autoridades religiosas de Jerusalém.

Durante a condenação à morte de Jesus não foi o povo quem sugeriu ou exigiu a libertação de Barrabás, líder zelota que provocou as autoridades pelo seu envolvimento na revolta popular contra os soldados romanos que foram mortos e feridos nesses confrontos

É bastante claro, através dos Evangelhos, que quem pediu a libertação de Barrabás, foram os sacerdotes e a sua camarilha (Marcos 15,11, João 19,6).

TEREZA
BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 38


Valera a pena a trabalheira, a conversa com dona Carmelita, a nota de emoção posta na voz; a breve viagem a Laranjeiras; as ameaças feitas a Mão de Gato, a passagem de segunda classe no trem de Leste e a minguada propina – escolha entre cair fora ou apodrecer no xilindró.

Valera a pena. Tudo isso e ainda por cima o jamegão cinco vezes traçado diante do juiz em imaculado papel, sem um só borrão, sem vacilações, por Joana das Folhas, a assinatura clara, insofismável, de Joana França, letra quase bonita, meritíssimo.

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Sem um gesto, estátua de pedra talhada sobre a ponte carunchosa, Tereza Batista segue os preparativos de partida da barcaça Ventania: as velas enfunadas, batidas de brisa, a âncora suspensa, os mestres Gunzá e Gereba na popa e na proa, no velame e no leme. Há pouco, Januário trepou mastro acima, artista de circo, urubu-rei, o grande voador, pássaro-gigante-do-mar.

Ai, Janu, meu homem, meu marido, meu amor, minha vida, minha morte: o coração de Tereza se aperta, estremece o corpo esbelto, estátua de dolorida matéria.

Na véspera, sentados no Café e Bar Egipto, à espera do resultado da audiência na acção executiva impetrada (requerida) por Libório Neves contra Joana das Folhas, Januário lhe dissera: amanhã, com a primeira maré. Prendendo a mão de Tereza na sua grande mão, acrescentou: um dia voltarei.

Nem uma palavra mais, apenas os lábios de Tereza de repente descorados e frios, gélida a brisa morna da tarde, um sol de cinzas, um presságio de morte, as mãos apertadas, olhos de distância, a certeza da ausência. Da rua surgem a negra e o rábula, esfuziante na alegria da vitória: vamos comemorar!

Mundo contraditório, alegria e tristeza, tudo misturado. Na casa de Joana, a mesa posta, as garrafas abertas, Lulu faz um brinde à Tereza, deseja-lhe saúde e felicidade. Ai, felicidade! Ai, desgraça de vida! Nas areias finais, ela se acolhe ao peito do homem para quem nasceu e tarde encontrou: posse com gosto amargo de separação, violenta e irada; ela o morde e arranha, ele a aperta contra o peito como se quisesse entranhar-se em sua pele. Nas areias finais da noite de amor, os soluços estrangulados, é proibido chorar: veio uma onda e os cobriu, veio o mar e o levou. Adeus marinheiro.

Salta da barcaça Januário, está na ponte junto a Tereza e a toma nos braços. O último beijo reacende os lábios frios; o amor dos marujos dura o tempo da maré, na maré a Ventania veleja no rumo do sul, em busca do cais da Bahia. Tanto quisera Tereza perguntar como é a vida por lá; perguntar para quê? Velas enfunadas, âncora suspensa, afasta-se a barcaça da ponte, ao leme mestre Caetano Gunzá. Línguas sedentas, dentes famintos, bocas em desespero, nelas a distância se queima em beijo de fogo, fundem-se a vida e a morte – Tereza marca o lábio de Januário com o dente de ouro.

Desfaz-se o beijo de fogo, no lábio de Januário, uma gota de sangue, a lembrança de Tereza Batista no canto da boca, tatuada a dente de ouro: rio e mar, mar e rio, um dia voltarei, nem que chova canivetes e o mar se transforme em deserto, virei nas patas dos caranguejos andando para trás, virei em meio ao temporal, náufrago em busca de tempo perdido, de teu seio de tenra pedra, teu ventre de moringa, tua concha de nácar, as algas de cobre, a ostra de bronze, a estrela de ouro, rio e mar, mar e rio, águas de adeus, ondas de nunca mais.

(clique 2x sobre as fotografias que vão junto aos textos)

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O enigma do orgasmo feminino



O orgasmo feminino é uma coisa da qual as mulheres percebem muito pouco, e os homens ainda menos. Pelo facto de ser uma reacção endócrina, que se dá sem expelir nada, não se apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu, ou de que foi simulado. Diante deste mistério, investigações continuam, pesquisas são feitas, centenas de livros são escritos, tudo para tentar esclarecer este assunto.

A acompanhar este tema, deu no outro dia uma entrevista na TV com uma conhecida sexóloga, que apresentou uma pesquisa feita nos Estados
Unidos na qual se mediu a descarga eléctrica emitida pela periquita no instante do orgasmo. Os resultados mostram que, na hora H, a pardaleca dispara uma carga de 250.000 micro volts. Ou seja, 5 passarinhas juntas, ligadas em série na hora do "ai meu Deus", são suficientes para acender uma lâmpada. E uma dúzia é capaz de provocar a ignição no motor de um Carocha com a bateria em baixo. Já há até mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que é só ter o orgasmo e, tchan... carregar.

Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma rata: é uma torradeira eléctrica!!! E se der curto-circuito na hora de "virar os olhos"? Além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a salsicha assada. Preservativo agora é pouco: tem de se mandar encamisar na Michelin. E, no momento da descarga, é recomendado usar sapatos de borracha, não os descalçar e não pisar o chão molhado.

É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito, se pergunte à parceira se ela é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar a alheira.

NICOLA DI BARI - ZINGARO


VÍDEO

O tempo de duração deste filme é de 1 minuto e 12 segundos que representam as 24 horas de um dia inteiro de viagens de avião internas e entre os continentes. Um segundo do filme são 20 minutos reais e cada pontinho amarelo é um vôo com pelo menos 250 passageiros. Os vôos do EUA para a Europa partem pricipalmente de noite e regressam de dia. Percebe-se, pela imagem que o sol imprime no globo, que é Verão no Hemisféro Norte. Nos polos não se observa variação solar.

video


TEREZA
BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 37



Forjou os documentos junto aos autos, base da demanda, atribuindo à pobre senhora dívida no valor não da quantia relativamente modesta que ela pretendera de empréstimo, mas de importância dez vezes superior, de olho no sítio transformado pela força de trabalho do casal França em chácara e pomar invejáveis. Mas, na meticulosa armação do plano criminoso, algo escapara ao falsário, detalhe importantíssimo. Logo após o casamento, ou seja, há mais de quinze anos, Manuel França, envergonhado com o facto de sua legítima mulher ser analfabeta, contratara para lhe ensinar a ler e a escrever, a professora dona Carmelita Mendonça, nome a dispensar objectivos, mestra de gerações de sergipanos eminentes, ilustres figuras da vida pública, entre as quais o meritíssimo juiz. Em meses de árduo trabalho, aplicando seus conhecimentos na matéria, dona Carmelita Mendonça, competentíssima, glória da pedagogia sergipana, recuperara a boa dona Joana das trevas do analfabetismo, iluminando-a com a leitura e a escrita. Fazem disso exactamente quinze anos e quatro meses, senhor juiz.

Hábil demónio esse Lulu Santos, reflecte o juiz, ouvindo o arrazoado; obtivera que dona Carmelita ensinasse a Joana das Folhas a rabiscar as letras do nome e ali viesse proclamá-la alfabetizada há quinze anos – golpe monumental!

Mas apenas a glória da pedagogia sergipana, a mãe espiritual de tantos nós (na frase emocionada do rábula), simpática octogenária, penetrou na sala, o magistrado percebeu que ela jamais em toda a longa vida pusera os olhos na negra robusta e silenciosa sentada ao lado de Lulu Santos – só o juiz e Libório das Neves se deram conta da quase imperceptível vacilação da anciã. Quem ensinara leitura e escrita à demandada?

Sim, a Joana França, a quem, há quinze anos passados, ensinara as primeiras letras e os rudimentos de caligrafia, alfabetizando-a, era a mesma ali presente, apenas agora mais idosa e usando luto. Quem iria discutir afirmação da professora Carmelita Mendonça? Um demónio, esse Lulu Santos.

Também António Salema, ou Minhoto, por ter nascido na Póvoa do Lanhoso, em Portugal, recitou na perfeição a aula ensaiada pelo rábula – para conversar e treinar o lusitano, Lulu se transportara a Laranjeiras, acompanhado por Joana.

Confirmou o relato do provisionado: adiantara os oito contos à comadre, conforme ela lhe pedira, e, respondendo à pergunta do bacharel Silo Melo, se a demandada era analfabeta ou até quando o fora, disse ter conhecido a comadre sempre certeira nas contas, ai de quem a quisesse enganar!

O golpe de misericórdia foi dado pelo não comparecimento da terceira testemunha invocada por Lulu Santos: Joel Reis, conhecido por Joel Mão de Gato nas rodas mais baixas da malandragem e nas cadeias do Estado, descuidista emérito, mestre em tão difícil arte. Intimado pelo juiz, tendo recebido e assinado a notificação, desertara de Aracaju para não vir explicar à justiça porque assinara o documento de falsa dívida como se o fizesse a rogo da senhora Joana França, sem nunca por ela ter sido rogado, pois jamais a vira pessoalmente, mas o tendo feito a mando de Libório das Neves, seu protector e patrão.

Quem retirou Mão de Gato da cadeia de Aracaju, usando para isso de relações e influências em certos meios policiais, aqueles onde criminalidade e polícia se confundem, senão o demandante?

Para quem executa Joel Reis sórdidos serviços, cobrança de alugueis de quartos a prostitutas, preparação minuciosa de baralhos marcados? Ora senhor juiz, para quem havia de ser? Para o honrado, o ilibado, o impoluto Libório das Neves, que gatuno, meretíssimo!(clique sobre a fotografia)

INFORMAÇÃO ADICIONAL
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS CRISTO?”

O Imperialismo Romano, Sanguinário e Cruel (1)


Pôncio Pilatos foi o maior responsável pela morte de Jesus. Sem sua aprovação, a decisão do Sinédrio não teria sido válida. Assim consta da história e ficou registado na fórmula do Credo: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos. Assim foi cantado no Credo da Missa Campesina Nicaraguense: O imperialismo romano, sangrento e cruel, quer lavar as mãos para apagar o erro ...
Pilatos foi governador romano da Judéia de 26 dC a 36. Os Governadores romanos enviados mandavam nas províncias do império. Podiam ocupar o cargo de governador os senadores delegados ou não senadores com o título de Perfeitos. Foi este o caso de Pilatos. Dentro da sua província, o governador podia prender, torturar e executar de acordo com a lei romana, mas nunca romanos.
Não corresponde à realidade histórica que às vezes a imagem que às vezes passa de um Pilatos, homem intelectual, de uma certa craveira humana, ainda que covarde.

Todos os dados dos historiadores da época - Filón, Flávio Josefo e Tácito, judeus e romanos, confirmam a crueldade deste homem, odiado pelos israelitas pelas suas provocações contínuas e colocado neste alto cargo apenas pela sua estreita amizade com Sejano militar favorito do imperador Tibério e uma das pessoas mais influentes em Roma durante aqueles anos.
Sabendo da aversão religiosa que os judeus tinham pelas imagens, Pilatos fez desfilar pelas ruas de Jerusalém, imagens de César Tibério e colocou-as no antigo palácio de Herodes, o Grande. A pressão do povo fez com que ele as retirasse.

Pilatos também profanou o santuário em várias ocasiões, e roubou dinheiro do tesouro do Templo para as suas construções. Por ser a Galileia o foco principal das pressões antiromanas no país, Pilatos perseguiu com especial fúria o povo da Galileia, sempre desconfiado da existência de zelotas.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Lapsos de memória...


Numa cidade do interior dois padres costumavam cruzar-se de bicicleta na estrada todos os domingos quando iam rezar a missa nas respectivas paróquias.

Certo dia, um deles estava apeado. Surpreso, o outro padre parou e perguntou:

- Onde está a sua bicicleta, Padre Josias?

- Foi roubada! - responde o outro padre - creio que no pátio da igreja.

- Mas que absurdo! - exclamou o ainda ciclista - eu tenho uma ideia para saber quem foi: na hora do sermão, cite os 10 mandamentos. Quando chegar ao «Não roubarás» faça uma pausa e percorra os fiéis com o olhar. O culpado com certeza que se vai denunciar!

No domingo seguinte, os padres cruzam-se de bicicleta. O padre que deu a ideia diz:

- Parece que o sermão deu certo, não é, Padre Josias?

- Mais ou menos - responde ele - na verdade, quando cheguei ao «Não desejarás a mulher do próximo» acabei por me lembrar onde é que tinha deixado a bicicleta!

VÍDEO

Já tinha visto um porco a andar de bicicleta mas um cão a jogar bilhar...

video

NICOLI DI BARI - VAGABONDO
Depois de ter participado em 1970 no Festival de Sanremo sem o ganhar, ficou em 2º lugar, Nicola não desistiu e de seguida gravou esta canção cujos autores são Dercole Morina/Tomassini e que foi um dos maiores sucessos da sua carreira:
...quando as pessoas dormem desço a rua, pulôver nos ombros, na noite azul...
... no coração uma guitarra, na mente coisas estranhas e no meu rosto um pouco de ingenuidade...


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 36



Comédia de enganos, segundo o meritíssimo, revestira-se a audiência de um ar de farsa onde cada um representou seu papel a contento, à excepção do autor da acção executiva, Libório das Neves, que passara de macilento a lívido, perdendo a contenção em hora imprópria. O rábula, na euforia da vitória, extravasara em retórica: ali, na sala do fórum, a inocência fora proclamada, o culpado punido, fizera-se justiça.

Valera a pena a trabalheira. A visita à venerável professora Carmelita Mendonça e a lábia gasta para convencê-la:

- Querida mestra, aqui vim lhe pedir para comparecer perante o juiz como testemunha e depor em falso…

- Depor em falso, Lulu, você está doido? Sempre com suas maluquices… Nunca menti em minha vida, não é agora que vou começar. E logo na justiça…

- Mentir para salvar a verdade e desmascarar um criminoso, para livrar da miséria uma pobre mulher viúva e trabalhadora a quem querem roubar o pouco que possui. Para evitar a miséria, essa mulher, que anda pelos seus cinquenta anos, aprendeu a ler e a escrever em dez dias… Nunca vi nada igual.

Dramático, Lulu contou a história em todos os detalhes, do princípio ao fim. A professora Carmelita, ao aposentar-se do serviço público, dedicara-se com inusitado entusiasmo ao problema da alfabetização de adultos, fazendo-se em pouco tempo autoridade citada, autora de teses e estudos sobre o assunto. Ouviu a narrativa num crescente interesse e a visão da negra curvada sobre o papel tentando obter o domínio da pena e da tinta, a ganhou para a causa de Joana das Folhas:

- Você não pode estar inventando essa história, Lulu, tem de ser verdade. Conte comigo, no dia venha me buscar, digo o que você quiser.

O juiz sabia estar Lulu contra-atacando com as mesmas armas usadas por Libório, a mentira e o falso testemunho, ao negar qualquer espécie de validez ao documento apresentado como base da demanda, declarando-o forjado da primeira à última letra, jamais sua constituinte tomara dinheiro tomara dinheiro emprestado ao demandante, nada lhe devia, podendo prová-lo de forma limpa e irrefutável, pois sabendo ler e escrever, não tinha porque assinar a rogo. Uma verdadeira monstruosidade aquele documento, falso como Judas, senhor juiz.

Apresentara nova versão dos acontecimentos. Realmente a senhora Joana França necessitara de oito mil cruzeiros para atender a apuro do filho único, residente no Rio e, não dispondo do dinheiro, procurara o agiota Libório das Neves para lhe pedir emprestada a referida importância. O usurário prontificou-se a lhe fazer o empréstimo desde que ela lhe pagasse ao fim de seis meses, quinze mil cruzeiros pelos oito tomados, ou seja - pasme, meritíssimo! – juros de mais de cento e cinquenta por cento ao ano, ou doze por cento ao mês. Ante tais juros monstruosos, desistiu a senhora Joana da transacção e, sendo credora de certa quantia fornecida por seu marido quando vivo ao compadre e patrício António Salema, ou António Minhoto, dívida a vencer-se daí a meses, a ele recorreu, solicitando lhe adiantasse os oito mil cruzeiros de que carecia com urgência, sendo imediatamente atendida pelo compadre. A par do aperto da viúva e informado, como e por quem não se sabe, do facto de ter ela, quando do casamento com Manuel França, assinado a rogo os papéis necessários por não saber ler e escrever na ocasião, Libório Sabidório planejou o furto, com vistas a apoderar-se do sítio da demandada, como tem se apoderado, por meios igualmente ilícitos, de propriedades de outras infelizes vítimas de suas trapaças
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ENTREVISTAS FICCIONADAS
COM JESUS CRISTO Nº 83 SOB O TEMA:
"OS JUDEUS MATARAM CRISTO?"




RAQUEL - Emissoras Latinas novamente convosco. Neste momento, completamos uma visita ao impressionante museu do Holocausto em Jerusalém e Jesus acompanha-nos como nosso entrevistado especial.

JESUS - Muito sofrimento, quanta morte, Raquel ... eu não entendo muito bem o que temos aí ...

Raquel - É uma longa história ... que começa com o senhor.

JESUS – Comigo?

RAQUEL – Digamos, Jesus Cristo, que os seus companheiros judeus foram perseguidos e mortos, porque o mataram primeiro para si...

JESUS - Eu ainda não entendo, Raquel...

RAQUEL – O senhor já nos disse que Deus não queria a sua morte mas a verdade é que o mataram, não é verdade?

JESUS - Não, Raquel, os responsáveis pela minha morte foram os romanos. Pôncio Pilatos apenas assinou a sentença.

RAQUEL - Mas estimulado pelos judeus ...

JESUS - Pilatos tinha a sua próprio espora. Era um homem cruel ...

RAQUEL - Mas dizem que ele hesitou, não querendo assinar a sentença e que os judeus o pressionaram ... até que ele lavou as mãos ...

JESUS - Caifás, o sumo sacerdote e Anás, o seu sogro, queriam eliminar-me, sim, mas o responsável foi Pôncio Pilatos.

RAQUEL - Não, eu estou a referir-me ao povo…às pessoas ... aos mesmos que o aplaudiram no Domingo de Ramos e o traíram na Sexta-Feira Santa. Na hora da verdade deixaram-no só. O seu povo, o povo judeu, foi quem pediu a sua morte. "Crucifiquem-no, caia o seu sangue sobre nossas cabeças."

JESUS - Onde aprendeste isso, Raquel?

RAQUEL - Na sua biografia, nos Evangelhos.

JESUS - Não, não foi assim... Quando as pessoas souberam que eu tinha sido preso, muitos saíram às ruas exigindo a minha libertação. Eu vi, eu escutei.

RAQUEL - Esqueceu-se de Barrabás?

JESUS - Como poderia esquecer? Era um líder zelota famoso ...

RAQUEL – E não foi o povo judeu, que escolheu salvar Barrabás e gritou para eles o crucificarem a si?

JESUS – Acreditas que Caifás recrutou e pagou a pessoas para gritarem por Barrabás?

RAQUEL - Não entendo, então. Desde crianças nos disseram que os judeus mataram Cristo. Temos um ouvinte ... Alô?

ISRAEL - Fala Israel Finkelsteine. Sou arqueólogo e historiador. Sou judeu e estou a ouvir o Jesus judaico, afirmando uma verdade indispensável: não foram os judeus que mataram Jesus, mas sim os seus líderes religiosos. Depois foram as autoridades romanas que espalharam pelo mundo a calúnia de que os judeus tinham morto Cristo. Desde então, os imperadores romanos que se haviam "convertido" ao cristianismo, lavaram as mãos daquele crime tal como Pilatos fizera.

RAQUEL - E como é que essa mentira conseguiu durar até hoje?

ISRAEL - As autoridades da Igreja cristã, ajudados pelo império romano com grandes riquezas, regaram essa semente. Por mais de mil anos pregaram e ensinaram semeando o ódio aos judeus. O seu povo, Jesus Cristo, sofreu todos os tipos de abusos cometidos por esta calúnia: sempre errantes, reduzidos a guetos, perseguidos e como o senhor viu no museu, mortos aos milhões em câmaras de gás... mortos por serem judeus.

RAQUEL - Certamente há outras razões por trás desses horrores ...

ISRAEL - A ideologia tem sempre razões económicas e políticas.

JESUS - Mas diga-me uma coisa, amigo. Aqui no meu país, hoje em dia, eu vi o meu povo a devolver olho por olho. Sofrido antes e agora faz sofrer.

ISRAEL – É bom ouvir o Jesus judaico dizendo isso. Sim, Jesus Cristo, os nossos compatriotas humilham os palestinianos. O povo judeu despreza os povos árabes... não o mataram a si mas mataram e continuam matando muitos, pela arrogância de acreditarem serem pessoas superiores…

JESUS - A mesma arrogância que eu vi no meu tempo ...

RAQUEL - Obrigado arqueólogo Finkelstein ...

JESUS - Vamos, Raquel, entremos de novo.

RAQUEL - Quer voltar para o museu?

JESUS - Sim, eu já entendi e diante dos meus compatriotas mortos, quero rezar para que meu povo aprenda que não há povos eleitos, que todas as pessoas são iguais perante Deus.

RAQUEL - A partir do Museu do Holocausto em Jerusalém, Raquel Pérez, Emissoras Latinas.

domingo, fevereiro 20, 2011

HOJE É DOMINGO


A semana foi de chuva, especialmente de ventania e assim parece ir continuar. Em certos locais da costa portuguesa as ondas atingiram mais de dez metros de altura e alguns mirones atraídos pela “curiosidade dos abismos” desrespeitaram avisos, alertas, o mais elementar dos bons sensos e foram espreitá-las de perto. As ondas, quando estão zangadas, não gostam de ver perto pessoas indiscretas, curiosas, intrometidas e arrebatam-nas, levam-nas… curiosidades que saem caras, custam a vida.

Felizmente, na minha cidade Santarém não há ondas, de tão velhinha que é já teria sido levada concerteza… D. Afonso Henriques aproveitou-se de uma noite de grande acalmia, subiu a encosta, trepou às muralhas e de surpresa conquistou-a aos mouros.

Isto foi em 1147 mas, muito antes, em 138 AC, os romanos aportaram nela, puseram-lhe o nome de Scalabis e tornaram-na no principal entreposto comercial do Médio Tejo e um dos principais centros administrativos da província da Lusitânia.

Mas os primeiros vestígios documentados da presença humana remontam ao Sec. VIII AC, vejam lá ao tempo que isso foi… quem poderia adivinhar que vinte e nove séculos depois eu estaria aqui, na minha cidade de Santarém, num Domingo igual aos anteriores, no meu Café do costume, mergulhado na leitura do jornal, como é hábito?

Pois, os jornais…começa a ser doloroso lê-los:

… as economias que nos obrigam a fazer e se traduzem em sacrifícios estão condenadas a ser absorvidas por estas taxas de juro “esquisitas” que nos cobram pelo dinheiro que pedimos emprestado para o dia-a-dia do nosso país… castigo por termos vivido muito acima das nossas possibilidades.

… os nossos quatro maiores bancos privados tiveram em 2010 um lucro semelhante ao de 2009 mas uma tributação fiscal inferior em 54,9%...

… o Presidente da República veta um decreto sobre medicamentos genéricos que se traduziria numa economia de muitos milhões de euros.

…. O líder do Bloco de Esquerda, autor da planeada e inútil moção de Censura, diz agora que ela se destina a censurar o governo PS (esquerda) mas também o PSD (direita) que é oposição. Enfim, um delírio político.

Lá por fora, nos países do Norte de África, começou a entrar na berlinda a Líbia, do coronel Kadhafi, há 42 anos no poder que conquistou aos 27 de idade num golpe de estado, mas os Comités Revolucionários, milícias que apoiam o líder, espécie de guardas-pretorianos, já fizeram saber: “Contestar Kadhafi é brincar com o fogo e equivale a suicídio”. Esses "suicídios" parece já ter custado oitenta e quatro vidas.

A Tunísia já só é notícia devido a uma vaga de emigração para a ilha italiana de Lampedusa a 117 Km de distância. Mais perto de Tunes do que da Sicília. No passado sábado, o mar Mediterrâneo estava semeado de barcos. Parecia um “êxodo bíblico” disse o ministro do Interior italiano Roberto Maroni. Só em cinco dias chegaram 4.500 pessoas sem documentos, 5.500 desde o início de Janeiro.

Há por todo o mundo uma nova dinâmica resultante da Globalização. As novas tecnologias de comunicação que estão à disposição das pessoas romperam fronteiras, ultrapassaram polícias e “secretas”, e acima de tudo contribuíram para despertar o inconformismo e a insatisfação dos jovens que estudaram, se tornaram críticos e reivindicativos podendo agora instantaneamente, no sigilo das mensagens electrónicas, concertarem procedimentos, encontros, reuniões…

Sem dúvida, a história acelerou…

Apetece-me dizer que já não se pode ler o jornal descansado…

Bom Domingo para todos.

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