sábado, agosto 22, 2009


Uma bela lição de vida!
- Vai um cafézinho?





Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio e todos estiveram de acordo em dizer que sim.

O professor tomou então uma caixa de fósforos e a vazou dentro do frasco da maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio e eles voltaram a responder que sim.

Logo, o professor pegou uma caixa de areia e a vazou dentro do frasco e, óbviamente,a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio e os alunos responderam-lhe com um retumbante sim.

De seguida o professor adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia e nessa ocasião os estudantes riram-se. Quando os risos terminaram, o professor comentou:

- Quero que percebam que este frasco é a vida e as bolas de golfe são as coisas importantes: a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos. As coisas que realmente vos apaixonam. São coisas que, de tão importantes, mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida continuaria cheia.

- Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc.

- Finalmente, a areia é tudo o resto: as pequenas coisas.

- Se colocássemos primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem, pois, atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades... o resto é só areia.

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou:

- Então e o que representa o café?
O professor sorriu e disse:

- Ainda bem que perguntas! Isso é só para vos mostrar que por mais ocupada e preenchida que a vossa vida pareça estar haverá sempre tempo e lugar para tomar um cafézinho com um amigo.

CARL SAGAN - 01 - AS MARGENS DO OCEANO CÓSMICO


WANDA JACKSON - PLEASE, LOVE ME FOR EVER


RAÚL SOLNADO - É DA MATERNIDADE?


DEDICADA AOS MEUS AMIGOS BRASILEIROS


A SAGA DE UM VAQUEIRO - LUÍZ GONZAGA



As Férias dos Padres




Dois padres decidiram, num lindo dia de Verão, irem à praia ao Algarve mas sem que nada os identificasse como membros do clero.

Assim, dirigiram-se a uma loja de Surf e compraram o que havia de última moda em calções, sandálias, T-Shirtr, óculos de sol, etc…e na manhã seguinte lá foram para a praia como verdadeiros turistas…

Estavam eles sentados nas suas cadeiras de praia, bebendo o seu refresco, apreciando o calor do sol quando uma loura em top-less, lindíssima, de fazer perder a cabeça se encaminhou para eles e individualmente os cumprimentou com um ligeiro aceno: “ Bom dia Sr. Padre”…e “Bom dia Sr. Padre” e logo seguiu o seu caminho.

Ficaram ambos siderados, como era possível que ela os tivesse reconhecido como padres?

No dia seguinte dirigiram-se novamente à loja de Surf e compraram roupas ainda mais berrantes e de novo se dirigiram para a praia gozar o sol e as vistas.

Eis senão quando, apareceu de novo a mesma loira de fazer perder a cabeça, numa tanguinha ultra reveladora que se aproximou deles e os cumprimentou: “Bom dia Sr. Padre”… “Bom dia Sr. Padre” e dispunha-se a seguir o seu caminho quando o padre mais velho se lhe dirigiu:

-“Um momento menina”…

- “ Sim”…respondeu ela com um sorriso nos lábios bem definidas e sensuais.

- “ Nós, de facto, somos padres e temos muito orgulho em sê-lo mas como conseguiu descobrir isso?

- “ Senhor Padre, sou eu… a Irmã Amélia!

sexta-feira, agosto 21, 2009

ENTERNECEDOR
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MARIA CREUZA - MEDLEY


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O Grande Teste - A Explosão do Vulcão Toba




A sobrevivência da nossa espécie, como de qualquer outra, resulta de um processo permanente de mudança sem destino, sem hora marcada, nem tão pouco com futuro assegurado.

Umas vezes somos nós próprios que introduzimos esses factores de mudança provocando as chamadas revoluções, outras vezes a mudança acontece por força de fenómenos geológicos, repentinos e inesperados, alguns com consequentes alterações climáticas que obrigam a grandes alterações nas nossas vidas na tentativa de sobreviver adaptando-nos a essas alterações.

Desses cataclismos naturais, contemporâneos da nossa espécie, o de mais graves consequências, aconteceu há 75.000 anos com a explosão do vulcão Toba, na Indonésia.

A dimensão e intensidade foram tão grandes que em consequência a temperatura do globo teria baixado até 12 graus originando uma nova era glaciar que se prolongou por mais de mil anos.

O exame do ADN mitocondrial, através da análise das mutações, parece comprovar que todos nós, os mais de 6 mil milhões de pessoas que hoje habitam o nosso planeta, descendem de um pequeno grupo de mil a dois mil sobreviventes desse enorme cataclismo.

Maior que essa revolução que nos colocou no limite mínimo do numero de indivíduos suficientes para assegurar a sobrevivência da espécie nunca terá acontecido.


Um super vulcão destes, situado por baixo do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, estará em vésperas de explodir o que, em termos geológicos, significa a qualquer hora ou daqui a 10.000 anos.


Paradoxalmente, parece que foram essas novas condições resultantes da explosão do vulcão que não tendo exterminado a nossa espécie, acabaram por ser decisivas para a verdadeira eclosão do Homo Sapiens, Sapiens.

Realmente, é difícil explicar tão pouca diversidade de ADN, senão for através desse cataclismo que terá posto fim a todos os restantes ramos do Homo Sapiens que habitavam a terra permitindo apenas a sobrevivência desse pequeno grupo do qual todos nós hoje descendemos.

Há pesquisas que indicam que o número de mulheres teria chegado apenas a umas 500 e durante séculos qualquer uma dessas gerações poderia ter sido a última.


Calcula-se que terão sido necessários 20.000 anos para que a curva da recuperação trouxesse a população para os níveis anteriores.

A um passo da extinção não só conseguiram recuperar e também evoluir porque foram capazes de forjar as respostas para os problemas da escassez da vida vegetal e animal subsequente.

A erupção em si terá durado cerca de duas semanas e alguns dos nossos antepassados terão morrido logo como vítimas directas da erupção, mas a crise populacional detectada pelos geneticistas terá resultado da queda da temperatura em todo o planeta que terá atingido entre os 5 e os 12 graus conforme as fontes.

Muitas das plantas não conseguiram mais germinar, os animais morreram aos milhares espalhando pelo solo carcaças putrefactas.


Com a formação das geleiras o nível dos mares desceu deixando à mostra uma paisagem em que o solo podia ser varrido pelo vento.

Traços do cálcio do solo disperso podem ser hoje encontrados nas geleiras da Gronelândia demonstrando que deve ter havido tempestades de areia por dias a fio, matando as plantas e privando humanos e animais das fontes de alimento.
Famintos e desesperados teria sido muito difícil aos sobreviventes gerar filhos e ainda mais criá-los.

Assoladas pela fome as crianças teriam sido as primeiras a morrer seguidas pelas mulheres. Foi um duro golpe, o mais terrível, para a nossa espécie.

As populações que já teriam abandonado as zonas tropicais e subtropicais devem ter sido dizimadas pelo frio e nas latitudes mais altas os Neandertais, embora biologicamente mais adaptados, aparentemente declinaram em número e abandonaram o norte da Europa.

O Homo Sapiens sobreviveu porque existiam então no mundo três áreas tropicais de grande índice pluviométrico cujo solo conseguia sustentar maior número de pessoas e essas áreas estavam todas em África onde existem evidências de expansão humana depois do cataclismo com ferramentas e gravuras de há 70.000 anos que atestam focos de desenvolvimento anteriores a qualquer outro lugar.

Assim, de uma coisa parece podermos estar certos, devemos a nossa existência a essas populações que por sorte e engenho conseguiram sobreviver ao desastre ecológico.

Esse super vulcão está hoje escondido debaixo do lago Toba, a norte de Sumatra e pode ser visto do espaço. Milhares de anos de chuva encheram de água a cratera do vulcão transformando-a num lago.

SENZA LUCE - A WHITER SHADE OF PALE

IMAGENS INSÓLITAS


RAÚL SOLNADO - CASEI COM UMA VELHA



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 212





Fora de São Francisco de Assis, não sei de ninguém, meu filho, capaz de resistir ao poder do dinheiro. Menos ainda ao poder, puro e simples. O desejo de mando vira qualquer um do avesso. Tenho visto muitas e boas. Santos e ateus, para mandar um pouco, são capazes de vender mãe e filho., Deus e o povo. Pai, nem se fala.

- Cada uma… parecia tão direito.

- Talvez fosse. Mas voltemos ao nosso plano de acção. Parto do pressuposto de que, sendo imenso o areal, a Brastânio vai adquirir apenas uma parte, aquela onde irá instalar sua indústria. Correcto? E essa parte, meu caro, é a única a ter valor, um grande valor de revenda. A Brastânio pagará por ela o que o dono pedir. Mas o resto, por mais extenso e belo que seja, não vai valer nem dez réis de mel coado. Terras situadas nas vizinhanças de indústria de dióxido de titânio, não possuem nenhum valor, o mais mínimo. Nem para a instalação de outras indústrias nem como local de veraneio. Dadas de graça ninguém vai querer. O que interessa é o pedaço onde a fábrica vai ser construída. Só esse, mais nenhum.

- Quer dizer, doutor, que essa tal fábrica é mesmo uma desgraça como estão espalhando por aí?

- Tudo o que disserem por pior que seja é pouco. Estudei o assunto, a Brastânio andou pensando em se estabelecer na nossa região.

- Ouvi falar, até assinei um papel contra.

- Um memorial ao Presidente da República. Foi redigido por mim e sem vaidade lhe digo: um documento irrespondível. Está saindo como matéria paga nos jornais do sul e da Bahia – Uma sombra obscurece-lhe o rosto satisfeito: - Tenho pena dessa gente daqui, um lugar tão aprazível. Vão acabar com Mangue Seco, vão borrar a pintura de Deus – Faz com as mãos um gesto de impotência: - Enfim, antes aqui do que lá.

Verdade evidente, dessa vez Josafá balança a cabeça num gesto afirmativo, concordando. O advogado finaliza.

- Estamos de acordo, não é? Recapitulemos – Conta pelos dedos: - Primeiro, documentos e medição do coqueiral; segundo, requerer o mandato de posse e enquanto se espera a decisão do juiz, a conversinha com o nosso amigo da Prefeitura, o sabidório. Deixe ele por minha conta. Assim quando os outros herdeiros acordarem e aparecerem de advogado em punho, nós estaremos montados na lei, com mandato de posse, em óptimas condições para negociar, ouvir propostas, impor condições. Uma única condição, meu caro amigo, o pedacinho do coqueiral onde a Brastânio vai erguer a sua fábrica de podridão. Entendeu?

Josafá esfrega as mãos: acertara em cheio ao contratar o doutor Marcolino Pitombo. Proventos altos, viagens de avião, táxi de luxo – porcaria de carro, fachada e nada mais. Mas o advogado importado, perito no direito grapiúna, compensa qualquer despesa, mesmo o dinheiro posto fora com o táxi, lucrativa aplicação do capital obtido com a venda das encostas de mandioca, dos calvos outeiros de cabras. Para não entender a excelência do investimento não alegrar-se, é preciso ser um velho tabacudo, sem interesse pela vida, sem ideal, mais para lá do que para cá, como Jarde. O pai, metido num quarto da pensão, longe das cabras, definha a olhos vistos – parece envenenado pelos gases dos efluentes da indústria de dióxido de titânio. Josafá ouviu dizer que, ao aspirá-los, as pessoas vão amarelecendo e ficando tristes, cada vez mais tristes e mais amarelas, ao fim de pouco tempo viram defuntos magros e feios. Uma lástima, mas que
jeito?

quinta-feira, agosto 20, 2009

REXONA

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TIMI YURO - CRY



TIMI YURO - IT'S ONLY MAKE BELIEVE



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HÁ VIDA DEPOIS DA MORTE?




Mark Twain, considerado por William Faulkner, o primeiro escritor verdadeiramente americano, dizia:

«Não tenho medo da morte. Estive morto durante milhões e milhões de anos antes de nascer e não senti o mais pequeno incómodo por isso».

Richard Dawkins disse precisamente o mesmo mas de uma forma mais elaborada que vale a pena reescrever:

«A vida é uma extraordinária oportunidade e eu que vou morrer considero-me bafejado pela sorte porque a maior parte das pessoas nunca vai morrer porque nunca vai chegar a nascer.

…Como poderemos nós, então, os poucos privilegiados, que contra todas as probabilidades, ganhamos a lotaria do nascimento, atrever-mos a queixar-nos do nosso inevitável regresso a esse estado anterior do qual a vasta maioria nunca despertou?».

Há poucas semanas, para me poupar a um desagradável exame, submeti-me a uma anestesia geral e quando, deitado na marquesa, aguardava a injecção da anestesia, pensei que me ia sujeitar a uma simulação da morte.

Quando, depois acordei, pensei que ter estado desligado da vida pouco mais de uma hora ou o resto da eternidade, teria sido precisamente o mesmo: o vazio total e, afinal, sem nenhum custo, dor ou sacrifício, nada…

Contudo, as sondagens vão no sentido de que aproximadamente 95% das pessoas acreditam que vão sobreviver à própria morte.

Quase tenho vontade de dizer, por brincadeira, que os homens vivem durante tantos anos que se habituam a estar vivos e depois não querem
morrer.

Claro que a natureza dotou os animais e naturalmente o homem também, do instinto da sobrevivência, mas para quê estar vivo durante tantos anos?

O arquitecto Niemeyer vai fazer 100 anos e está a trabalhar e o mesmo acontece com o nosso Manuel de Oliveira.

São exemplos relativamente aos quais me apetece dizer que deviam ficar cá para sempre, mas a maioria esmagadora dos nossos velhos limitam-se a aguardar a morte, sentados por aí nos bancos dos jardins.

O meu vizinho do 5º Esq. que lá vai suportando os seus noventa anos com a ajuda da bengala e quase sem ver nada, tendo por companhia a solidão, as dores e os desgostos da vida, desabafou comigo aqui há dias:

- “O dia em que morrer vai ser o mais feliz da minha vida”.

Mas a natureza sabe o que faz e não é por acaso que após a idade da procriação continuamos a poder viver o dobro dos anos. As nossas crianças não só precisam dos pais como, igualmente, precisam dos avós, mais disponíveis para os proteger e ensinar assegurando-lhes uma oportunidade para poderem ser adultos que, sem eles, provavelmente não teriam.

Mas querer estar vivo é uma coisa, continuar a viver depois de morrer é outra…

Bertrand Russel, no seu ensaio de 1925 “What I Believe” escrevia:

- “Acredito que quando morrer vou apodrecer e nada do meu ego irá sobreviver. Não sou jovem e amo a vida mas desdenharia tremer de medo ante a perspectiva da aniquilação.

Apesar de tudo, a felicidade só é verdadeiramente felicidade porque tem que ter um fim, do mesmo modo que o pensamento ou o amor não valem menos por não serem eternos.

Muitos foram aqueles que pisaram o cadafalso com orgulho; esse mesmo orgulho deveria, por certo, ensinar-nos a pensar, verdadeiramente, o lugar que o homem ocupa no mundo”.

Para quem teme a morte, acreditar que tem uma alma imortal pode ser consolador – a menos, evidentemente, que esteja convencido que vai para o inferno ou para o purgatório.

As falsas crenças podem ser tão consoladoras como as verdadeiras, até ao momento do desengano. Se um médico mente ao doente dizendo-lhe que ele está curado o consolo é idêntico ao de outro homem a quem seja dito, com verdade, que ele está curado.

A mentira do médico só é eficaz até os sintomas se tornarem inequívocos mas um crente na vida depois da morte nunca poderá, em última análise, ser desenganado.

As pessoas religiosas que dizem acreditar na vida depois da morte se fossem realmente sinceras deveriam reagir como o abade Ampleforth, quando o cardeal Basil Hume lhe disse que estava a morrer:

“Parabéns! Que bela notícia. Quem me dera ir com ir com Vossa Eminência”.

Este abade era um verdadeiro crente mas é exactamente por esta história ser tão rara e inesperada que prende a atenção e quase diverte.

Por que razão todos os cristãos e muçulmanos não dizem a mesma coisa ou algo parecido?

Quando um médico diz a uma mulher devota que não lhe restam senão alguns meses de vida por que razão não sorri ela, emocionada, como se tivesse ganho umas férias nas Seychelles?

Por que razão é que os amigos e familiares, crentes como ela, não a sobrecarregam de mensagens para os que já partiram? : “Dá saudades ao tio Alberto quando o vires…”.

Por que não falam assim as pessoas religiosas na presença dos que estão à beira da morte?

Será que não acreditam em todas as coisas em que era presumível acreditarem?

Ou talvez acreditem mas têm medo do “processo” de morrer que pode ser doloroso e desagradável com a agravante de que, ao contrário de todos os outros animais, não podem ir ao veterinário pedir uma morte indolor.

E, neste caso, por que são as pessoas religiosas as mais ferozes opositores à eutanásia e ao suicídio medicamente assistido?

Não seria de esperar que as pessoas mais religiosas fossem menos inclinadas a agarrarem-se despudoradamente à vida seguindo o exemplo do abade Ampleforth?

A razão oficial é de que provocar a morte é sempre pecado mas por quê considerar isso pecado se se acredita sinceramente que se está, desse modo, a acelerar uma ida para o céu?

Para quem acredita numa vida depois da morte morrer é apenas a transição de uma vida para outra vida e, sendo assim, se ela for dolorosa porquê prescindir da anestesia quando não se prescinde dela para tirar o apêndice?

Daqueles que vêm na morte não uma transição mas sim o fim é que se poderia, francamente, esperar resistência à eutanásia e ao suicídio medicamente assistido, no entanto, são esses que são a favor.

Uma enfermeira com longos anos de trabalho à frente de um lar de idosos pôde verificar que as pessoas religiosas eram as que tinham mais medo da morte.

Se este comportamento for comprovado estatisticamente poder-se-á perguntar, afinal, qual o poder da religião como reconforto na hora da morte?

No caso dos católicos será o medo do purgatório, uma espécie de Ellis Island (um dos principais pontos de entrada dos emigrante para os EUA) divino, uma antecâmara para onde vão as almas se os seus pecados não são suficientemente graves para as lançarem logo no inferno mas, por outro lado, precisam ainda de alguma reciclagem antes de poderem ser admitidas no céu.

Na Idade Média a Igreja dava indulgências a troco de dinheiro o que, na prática, significava menos dias de purgatório antes de entrar no céu.


Nesta história da morte, as Agências Funerárias parecem-me ser as únicas que lucram honestamente...

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TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 211






- Ao que parece, Ascânio sabe. Ascânio Trindade, o secretário da Prefeitura, o tal que está namorando a paulista milionária, falei dele ao senhor, se lembra? Vai ser eleito prefeito mas já é como se fosse, é afilhado do coronel Artur e protegido dele.

- Lembro-me. Pelo que você me disse, ele é o homem da Brastânio aqui, é quem se bate pela instalação da fábrica no município, não é?

- Ascânio quer ver Agreste prosperar. Para isso tem lutado como um herói.

Animam-se de malícia os olhos do velho, tão inocentes na aparência:

- Um herói? Pois esse herói é nosso homem, caro Josafá. Precisamos que ele nos faça saber, a nós e a mais ninguém, onde a fábrica vai-se localizar, o ponto exacto. Esse dado é de fundamental importância. Provavelmente… Provavelmente, não, certamente vamos ter de soltar uma boa grana na mão desse funcionário para ter a informação com exclusividade. Talvez até lhe dar uma comissão no negócio.

- O doutor está dizendo que a gente deve comprar a informação a Ascânio? Pagar para ele não dizer aos outros?

- Acho que falei em português, meu filho.

- Negativo, doutor. Ascânio não é homem disso. A informação, eu penso que a podemos obter sem gastar um centavo, é só perguntar a ele. Mas conseguir que diga somente a nós, sonegar dos outros, por dinheiro, nem pensar. Se a gente propusesse, ele ia se ofender, seria pior.

Os olhos tranquilos e cansados do advogado consideram o constituinte quase com piedade:

- Você nem parece um homem que vive no sul, meu caro Josafá.

- Ascânio é homem de bem, doutor.

- Como é que sabe? Em que se baseia para afirmar com tanta segurança?

Tendo saído de Agreste há muitos anos, como se atreve a garantir pela honestidade de pessoas que mal conhece? Para você, todo mundo em Agreste é incorruptível. O tabelião, esse rapaz…Como você sabe?

- Bem, venho aqui todos os anos ver o velho, ouço o que o povo diz. Nunca escutei a menor alusão à honra de Ascânio.

- Examinemos os factos, são eles que contam. Estamos diante de um indivíduo que está fazendo o jogo da Brastânio, um jogo sujo, meu bom amigo. E que, ainda por cima, pretende dar o golpe do baú numa paulista rica. Para exemplo de honestidade não me parece o melhor.

- Mas… Ele deseja o progresso…

- Vamos acreditar que tenha sido assim, que ele fosse muito honesto como o povo diz e você repete. É até possível. Mas meu filho no momento em que se meteu nesse assunto, mesmo sem querer, ele mandou a honestidade pra cucuia. Mesmo que ele fosse de aço, enferrujava, sendo de carne e sangue, apodrece. Quanto você imagina que a Brastânio está pagando a ele? Se fosse um dinheirinho ele podia recusar. Mas se trata de dinheiro grosso, meu caro, grossíssimo. Apresente-me a esse Ascânio, eu sondo o bicho com jeito e agirei em consequência.

- Ascânio está na Bahia. Foi tratar dessa história da fábrica, os homens mandaram um jipe buscar ele.

- Que homens?

- Um chefão da Brastânio. Me disseram também que foi ver se o Tribunal marca logo as eleições. É o que ouvi falar na rua.

- Ora aí está, tudo claro como água e você a querer me vender o homem como o rei da honestidade! O indivíduo viaja a chamado da Brastânio que com certeza está mexendo os pauzinhos para fazer dele Prefeito e você a dizer que o fulano não come bola. Ora, seu Josafá…

Abalado com a argumentação do advogado, Josafá reflecte e admite:

- Pensando bem, talvez o doutor tenha razão: debaixo da capa de honesto, o cara está se enchendo. Me lembro de ter lido num jornal que
os donos da Brastânio estavam tratando de
apressar a eleição. Vai ver…

quarta-feira, agosto 19, 2009

TIC - TAC MUSIC

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CANÇÕES BRASILEIRAS

CHICO BUARQUE DA HOLANDA - PARATODOS

Nesta canção Chico Buarque faz uma bela analogia entre a sua vida, seus ancestrais e vários artistas brasileiros.


CAVALO RUÇO - NUNO DA CÂMARA PEREIRA



O QUE MILLÔR FERNANDES DISSE DE RAÚL SOLNADO (falecido no dia 8 corrente mês)


“Ri pouco, faz rir muito, fala envolto num crepom de malícia; dentro da sua alma brilham jograis, saltam andarilhos, vivem polichinelos, cantam bufões, se escondem saltimbancos, bobos, truões, entremezistas, patuscos e pelotiqueiros, todos os palhaços do rei, de cuja sabedoria se apropriou para ser o rei dos palhaços”.

E acrescenta:

-“ E aí está o Raul feito e medido. Do Solnado eu nem falo.”

RAÚL SOLNADO E ZELONI NO SHOW do DIA 7 DE JULHO de 1967

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TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 210




- Se não houver outro jeito. Mas quem decide é o senhor, foi para me aconselhar que pedi que o doutor viesse.

- Sei disso mas preciso conhecer sua tendência, seu pensamento, para poder agir de conformidade.

- Doutor, me desfiz de umas plantações e de umas cabras, únicos bens que eu e o pai tínhamos aqui, para botar questão por essas terras e depois vender elas à fábrica e aplicar o lucro em roça de cacau. Se poder ganhar tudo, melhor. A gente deve ir para as cabeceiras, é isso que eu penso. Composição, acordo, só se ao tiver outro jeito.

- Outro jeito sempre há. Se fosse nas nossas baridas, a gente podia arrumar as coisas com facilidade, aqui é mais difícil. Existe apenas um cartório e o tabelião foi logo me dizendo, em tom de pilhéria mas na intenção de me fazer saber, que caxixe com ele não tem vez. Parece que também não se usa por aqui o argumento tiro e queda, de todos o mais seguro – Imita com os dedos o gesto de atirar: - Corta o mal pela raiz.

Josafá dá largas ao riso divertido:

- Nem por lá se usa mais, doutor, foi coisa de outro tempo. Aqui, nunca se usou.

- Que lástima! Como último recurso é de bom conselho – Um brilho de malícia nos olhos azuis, cansados, inocentes: - Um tabelião, metido nessas brenhas, que diabo pode saber sobre caxixe? – Ele mesmo responde: - Nada, três vezes nada. Será incorruptível?

- Doutor Franklin? Penso que sim, doutor. Por ele, sou capaz de botar a mão no fogo.

- E o filho? O barril de chope? Pergunto, se por acaso houver necessidade. É sempre bom saber.

- Do filho, não sei nada. Era menino quando me arranquei.

- Tiraremos a limpo, não faltará ocasião. Agora vou-lhe dar a minha opinião e explicar o meu plano. Mas antes me responda a outra pergunta: tem algum agrimensor por aqui?

- Em Agreste não sei de nenhum. Deve ter em Esplanada.

- Foi o que eu pensei. Ouça, então. Vamos, de hoje para amanhã, reunir toda a documentação que prova seus direitos. Já encomendei ao tabelião um traslado da escritura antiga e a autenticação dos documentos de seu pai e seus.

Vou voltar ao cartório para prometer ao gorducho um dinheirinho por fora. Assim o traslado anda depressa e a gente fica sabendo se o nosso jovem é ou não sensível a um agrado. Na idade dele e gordo como é, uma ajuda de custo sempre é bem vinda, para gastar com as raparigas. Tendo os documentos nos tocamos para Esplanada, você contrata o agrimensor, volta com ele para fazer a medição do coqueiral. Eu fico por lá assuntando o ambiente, conversando com os colegas, estudando as reacções do juiz, do promotor, sabe como é, formando minha opinião, vendo como o carro marcha. Quando você chegar com a medição, entro com o mandato de posse para a totalidade da área, já com os homens amaciados, trabalhados por mim.

- Para a totalidade? Porreta. Assim, quando esses Antunes de meia-pataca acordarem para a coisa, nós já estaremos de dono. Imagine, doutor, que eles nem constituíram advogados. Nem a velhota, nem o folgado que só pensa no campeonato de bilhar.

Doutor Marcolino contempla com os olhos azuis e sensatos o ardoroso litigante, contendo-lhe o entusiasmo:

- Se ainda não constituíram, vão constituir, não se iluda. Meta na cabeça que eles têm tanto direito quanto você, se são realmente descendentes de Manuel Bezerra Antunes. Vou requerer a posse de toda a área mas não acredito que a obtenhamos, se eles questionarem, e eles vão questionar. Mesmo que a gente obtenha uma primeira decisão favorável, como espero, devemos estar preparados para o caso mais que provável de ter de dividir a terra escriturada em nome de seu tetravô. O importante é saber exactamente com que parte devemos ficar.

-Não percebo.

- Vai perceber, mas antes me responda a outra pergunta: alguém por aqui sabe em que trecho do coqueiral a fábrica deve ser instalada?

terça-feira, agosto 18, 2009

A INVASÃO DOS CARANGUEJOS

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CANÇÕES BRASILEIRAS

ALCIONE - SE NÃO É AMOR
Composição: Luciana Browne e Carlos Colla


CANGACEIROS




FRANÇOIS DEGUELT - LE CIEL; LE SOLEIL ET LA MER



O SEGREDO DA VIDA NA TERRA /4/4


IMAGENS INSÓLITAS



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 209





CAPÍTULO NO QUAL AGRESTE IMPORTA MÉTODOS JURÌDICOS DE REGIÕES PROGRESSISTAS E ONDE SE TEORIZA SOBRE DINHEIRO E PODER


Dos três causídicos o primeiro a chegar e o único a permanecer durante algum tempo na cidade, hóspede da pensão de dona Amorzinho – os demais iam e vinham, transitando entre Agreste e Esplanada – travando conhecimento com os habitantes, foi o doutor Marcolino Pitombo, velhinho simpático, bem apessoado e bem vestido, terno branco de linho, chapéu panamá legítimo, charuto Suerdieck, bengala de castão de ouro, vindo da legendária, rica e progressista região cacaueira.

Josafá Antunes o recebera no aeroporto de Aracajú e alugara um carro para transportá-lo da capital sergipana ao sertão de Agreste, apreciável delicadeza condenada a parcial fracasso pois o automóvel, moderno e de bela aparência – entre os táxis que faziam ponto diante do hotel, Josafá escolhera o mais aparatoso e refulgente – ficou a menos de metade do caminho de esplanada a Agreste com o motor fundido. Dando lugar a posterior e execrável de Aminthas: fundido e fudido, perpetrou ele, estaria o egrégio jurisconsulto, não ocorresse a providencial passagem da marinete de Jairo, ultimamente apelidada da Samaritana das Estradas pelo orgulhoso proprietário, na qual o advogado e o seu constituinte terminaram a viagem em marcha vagarosa porém segura.

Temeu Josafá se tomasse de cólera o ancião, arrepiando carreira, abandonando a causa. Doutor Marcolino, porém, demonstrando senso de humor, interessou-se vivamente pelo veículo de Jairo, pedindo sobre ele variadas informações, atento ao som do rádio russo, elogiando a personalidade do aparelho. Quando, finalmente, atingiram a entrada da cidade, aquele recente e curto porém magnífico trecho de asfalto, aplaudiu e comentou.

- Bravo, meu amigo! Os motores de hoje não valem nada – apertou a mão de Jairo: - Nem o motor das máquinas nem o carácter dos homens.

Alojado na pensão de dona Amorzinho, no melhor quarto, com direito ao urinol de louça da proprietária, concessão extrema, logo se tornou figura bem vista, devido à idade, aos modos polidos e ao donaire. Admiravam-lhe a procedência grapiúna, a fama, a cordialidade e a bengala, em cujo castão de ouro via-se esculpida a cabeça de uma serpente, símbolo provável da venenosa argúcia do eminente causídico, habilíssimo caixeiro, conforme consta. Ao vê-lo desfilar na rua da Frente a caminho do cartório, os cidadãos de agreste sentem uma ponta de orgulho; não há dúvida, a cidade moderniza-se e prospera, evidência constatada e comprovada pela presença do preclaro bacharel.

No cartório, assessorado pelo próprio tabelião, estudou livros, analisou os velhos documentos, usando inclusive uma lente, em busca de inexistentes rasuras. Fez questão de ir pessoalmente ver as terras em demanda, aproveitando o passeio de lancha para conhecer a praia de Mangue Seco de cuja beleza ouvira falar, menino em Aracajú. Ficou boquiaberto:

- é ainda mais fascinante do que me disseram. Nenhum pintor seria capaz de criar uma paisagem tão bela, só mesmo Deus.

Tendo concluído os estudos preliminares, manteve reservada conferência com Josafá, trancados no quarto da pensão:

- Quem são os outros pretendentes, os outros Antunes?

- Até agora, sei de dois. Uma professora, directora da Escola Ruy Barbosa.

- Casada? Viúva?

- Vitalina. Deve ter uns cinquenta anos ou mais. O outro é um rapaz novo, funcionário da Coletoria Estadual.

Um rapaz moço? E os pais?

- Mortos, os dois. O pai no Rio, a mãe aqui, deixaram ele pequeno. Foi criado por uma tia, irmã do pai. É Antunes pelo lado da mãe.

- É verdade o tabelião me falou. Você pensa entrar em composição com
eles?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Um Caso de Evidente Precocidade

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RAÚL SOLNADO - A HISTÓRIA DO MEU SUICÍDIO

THE WALKER BROTHERS - STAND BY ME



Diálogo Entre Quatro Mães Católicas


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Quatro mães católicas, bebendo o seu cafezinho, falam embevecidas do sucesso dos seus filhos.

A primeira diz:

- Meu filho é padre e as pessoas quando se dirigem a ele chamam-no de “Reverendíssimo”.

A segunda conta:

- Meu filho é bispo e as pessoas quando se lhe dirigem tratam-no por “Sua Excelência”.

A terceira declara:

- Meu filho é cardeal e as pessoas dirigem-se a ele dizendo: “Sua Eminência”.

A quarta mãe continua bebendo café e não diz nada.

As outras olham-na interrogativamente.

Então ela sussurra:

- Meu filho é um homem muito bem apessoado, um metro e noventa, ele é um grande striper.

Quando se despe completamente todas gritam:

- “Oh, Meu Deus!"

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BEN E. KING - DON'T PLAY THAT SONG


IMAGENS INSÓLITAS




TIETA DO AGRESTE
EPISÒDIO Nº 208



Como sempre sucede em se tratando de símbolos místicos, sobre esse reverenciado e temido totem, nada sabiam, nem sequer seu aspecto: se gasoso, líquido ou sólido. Certamente, sendo uma divindade, participa dos três estados. Gasoso, empesta o ar; líquido, envenena as águas; sólido, sua presença se impõe concreta sobre a população dominando-a. Tem razão Osnar: o dióxido de titânio fede e ferve na cidade. Que não o faça na rodinha diária do bar, na mesa de cerveja e na verde cobertura do bilhar! Sorri para Seixas, agradecido. Para Osnar a amizade é bem precioso, faz-se necessário preservá-la da poluição. Estendendo a mão comprida e magra toca o joelho do parceiro, num gesto de afecto:

- Eu lhe disse que o sargento vai completar treze anos, Seixas. Ou você não sabe que aos treze anos o cidadão brasileiro adquire a maioridade sexual? Terá sido você um retardado? Porque, além dos normais, existem os retardados e os precoces. Exemplo de precocidade, o porreta aqui presente: antes de completar os doze dei a primeira pitocada, iniciando a vitoriosa carreira de campeão de que vocês são testemunhas.

Num riso geral distende-se a atmosfera, a cordialidade reassume o comando da conversa. Fidélio reencontra a voz sossegada:

- A primeira, com quem foi? Com ela?

Seixas, superando por completo a altercação, esquece a zanga:

- E com que outra havia de ser, Fidélio? Lembras de nós os dois? Foi no mesmo dia, você primeiro, seu velhaco; me tomou a frente na surdina.

Fidélio repõe a verdade histórica:

- Conte a coisa como aconteceu. Você pediu para eu ir primeiro, estava tremendo.

Sorriem recordando. Seixas se enternece:

- É verdade eu estava me borrando de medo. Quando você saiu e me disse que era batuta, nem assim me controlei. Mas, no quarto, ela logo me pôs à vontade e tudo correu na perfeição.

Aminthas divaga:

- Quantos ela já terá iniciado? Não há nenhuma que se compare com ela para tirar o cabaço de um menino. Nos modos, na delicadeza das maneiras. Conheço alguns caras que se estrearam com umas vagabundas, saíram com péssima impressão, decepcionados. Levaram meses para se refazer e começar a usufruir. Há quem não se refaça nunca. Com ela, é logo de primeira.

- Proponho um trago em homenagem – diz Seixas novamente alegre.

- Salta quatro puras, almirante para a gente selar um trato entre nós e fazer um brinde a quem nos deu à luz pela segunda vez – ordena Osnar: o trato da amizade, o brinde da gratidão. Enquanto esperam, ele volta à iniciação de Peto: - Devemos fazer uma festa do barulho, como o sargento merece. Já tem tempo que a gente não arma um bom pagode e olhe que estamos precisando. Em Agreste agora só se fala de coisas ruins e feias: poluição e dinheiro.

Seu Manuel serve a cachaça, quer saber que mãe é essa que pariu tantos filhos e por que pela segunda vez.

- Foi a luz do entendimento que ela nos deu, Almirante – Para o bravo luso, misteriosas palavras que logo se esclarecem pois Osnar levanta o copo barato e grosso, aspira o odor da límpida cachaça, completa: - À saúde de Zuleika Cinderela e à sua estreita porta onde entramos meninos e saímos homens. E à nossa amizade que nenhum titânio há-de apodrecer.

Também Osnar tem seus lampejos, podendo, na mesma ocasião, por coincidência ou necessidade, retirar do predestinado Barbozinha os privilégios da violência e da poesia.

domingo, agosto 16, 2009

RAÚL SOLNADO - A MINHA IDA AO MÉDICO

Apanhados na manifestação...

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HELEN HOBSON - MEMORY


CANÇÕES BRASILEIRAS

ALMIR GUINETO - CONSELHO (1986)
Música s Letra de Adilson Bispo e Zé Roberto



IMAGENS INSÓLITAS



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 207







Seixas ainda resmunga, Fidélio mantém silêncio, Osnar continua:

- Vocês sabem que o sargento Peto vai completar treze anos por esses dias? Estou acertando com Zuleika uma grande festa para sábado que vem, para comemorar a data.

- Com Zuleika? Por que com ela? – espanta-se Seixas, um resto de magoa na voz: - Aniversário de garoto se festeja em casa dos pais com guaraná, coca-cola, mesa de doces, umas festinhas que são o fim da picada. Mas se dona Perpétua comemorar, tenho de ir para levar Zelita, minha prima mais moça, de onze anos. Ela adora.

Osnar sorri para Seixas, agradecido. A conversa toma rumo a seu gosto. Está cansado de ouvir bate-boca sobre fábrica e poluição, actualmente não se fala de outro assunto em Agreste. Nem o rápido avanço dos postes da Hidrelétrica, consegue agora desviar as atenções do problema a dividir a cidade desde que as máquinas da CBEP, a mando da Brastânio, asfaltaram num piscar de olho o antigo caminho da lama, futura rua Antonieta Esteves Cantarelli.

Segredo mal guardado, a programada homenagem anda na boca do mundo, diversas pessoas viram a placa na mão de Ascânio. Somente Tieta, veraneando em Mangue Seco, ignora a próxima consagração oficial de seu nome, dos projectos actuais da Municipalidade, o único a reunir aplausos. No mais, reina a discórdia, a cidade dividida.

Nas ruas antes tão pacatas, travam-se polémicas, trocam-se desaforos. Argumenta-se a favor ou contra a instalação da fábrica. Deve-se ou não permitir, saudar com entusiasmo ou repelir com indignação, significa vida ou morte? Uma parte da população mantém-se indecisa, sem saber em qual dos murais acreditar. No da Prefeitura, onde se afirma a completa inocuidade da indústria de dióxido de titânio e são prometidas mirabolantes maravilhas ao município e ao povo? Ou no da agência dos Correios, a proclamar a extrema periculosidade da Brastânio e o perigo que correm o céu, a terra, o mar e a atmosfera de toda a região, desgraças mil devidas à indústria de dióxido de titânio? Dióxido de titânio, nome sugestivo, apaixonante, ameaçador, misterioso.

Existem alguns ecléticos que misturam alegações dos dois murais ou seja: acreditam haver muita verdade nas afirmativas sobre a terrível porcentagem de poluição causada pela discutida indústria mas acham que nem por isso se deve impedir a sua instalação no coqueiral de Mangue Seco ou em outro ponto qualquer de Sant’Ana do Agreste. Segundo eles não existe progresso sem poluição e citam o exemplo dos Estados Unidos, do Japão, da Alemanha, de são Paulo, quatro colossos.

Debate altamente intelectual a ganhar a rua, extra limitando das fronteiras do Aerópago, do Bar dos Açores, da pensão da Zuleika, da Matriz, centros culturais de Sant’Ana do Agreste, sendo o último especializado em questões de liturgia, nas quais as beatas são peritas dando, por vezes, quinaus no próprio padre Mariano.

Passou-se a discutir nas lojas, nos armazéns, na feira, nas casas e nas esquinas. Até no Beco da Amargura, no boteco de Caloca. Com ardor, por vezes apaixonadamente. Aqui e ali aconteceram as primeiras desavenças sérias. Bacurau e Carioca (devia o apelido a ter vivido no Rio durante uns anos e ser metido a letrado), ambos empregados no curtume, foram às vias de facto quando Bacurau tratou Carioca de pestilento e este, em troca, o ofendeu acusando-o de medieval, xingo grave pois desconhecido para Bacurau, homem de poucas luzes. Dióxido de titânio tornou-se
expressão popular, signo ao mesmo tempo do bem e do mal.

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