sábado, fevereiro 08, 2014

IMAGEM

A natureza em todo o seu esplendor...



Em vésperas de Domingo uma canção especial...


Faltam ao mundo Presidentes que escrevam cartas destas aos professores dos nossos filhos.

A Matança do porco
A MATANÇA

 DO 

PORCO





A vida dos povos é como a água dos rios: tanto uma como outra fluem… A água dos rios ao sabor da marcha dos terrenos e a vida ao sabor dos “tempos” e “tempos” é tudo o que determina, influencia e explica as nossas existências num emaranhado de razões a que se convencionou chamar os “tempos”.

E, “tempos” houve, em que alguém, vivendo entre os povos do norte de África percebendo que os porcos, que de porcos só têm o nome e pelo contrário adoram chafurdar no meio das poças de água, decidiu que eles não eram bem-vindos àquelas paragens face à escassez do precioso líquido.

A proibição assumiu mesmo uma tal importância que foi o próprio profeta Maomé que a impôs a todos os seguidores da sua religião, no seguimento do que já acontecia com os judeus e, desta forma, se viu o porco livre daquele destino cruel que é o de nascer e ser criado para acabar com uma faca espetada no coração exactamente por aqueles que dele cuidaram com todo o desvelo desde tenra idade.

Mas como neste estremo da Europa a água era coisa que não faltava deixou de haver argumento que privasse os povos que aqui habitavam de aproveitar para a sua alimentação a carne mais saborosa de quantas a natureza criou, excepção feita aos javalis, que são primos e faziam as delícias do nosso amigo Obelix …

O porco é um dos primeiros animais domésticos e entre nós adquiriu uma importância que ultrapassou em muito a do seu valor alimentar para se constituir num factor de natureza sociológica e cultural.

No norte do país dizia-se que um indivíduo era tão pobre que nem tinha um porco para matar e por alguma razão os mealheiros antigos, de barro, tinham a configuração de um porco já que ele assegurava, ao longo de um ano, preservado em sal, na sua própria gordura ou fumado, as deliciosas proteínas constituindo aquilo que na aldeia dos meus avós, na Beira Baixa, chamavam: «o governo da casa».

Mas antigamente as pessoas eram muito pobres e poucas eram aquelas que conseguiam criar e matar um porco. Eram os ricos que distribuíam por eles alguma carne para lhes adocicar um pouco a boca.

Até à década de sessenta, a matança tradicional era uma simples festa familiar ou uma refeição de trabalho festiva em que se comiam as partes mais perecíveis do animal, que não eram salgadas nem fumadas, como o sangue, o fígado e pulmão para além da carne velha do porco do ano anterior que ainda sobrava na salgadeira.

Esta situação traduzia a escassez que então se vivia e daí o ditado: “ossos de suão, barba untada, barriga em vão”.

Só a partir daquela década, com algum desafogo proveniente da emigração, é que as Festas da Matança do Porco adquiriram uma dimensão que variava em função das posses de cada um podendo agrupar, as mais pequenas, entre 10 a 12 pessoas das quais faziam parte os familiares e vizinhos e as maiores, ao nível do Concelho, de 40 a 100 convivas.

As pequenas e médias Matanças tinham como função contribuir para o estreitamento do pequeno núcleo produtivo no seio da sua esfera habitual de entreajuda, enquanto que as grandes tinham a ver com questões de prestígio e de ostentação de riqueza das “antigas casas grandes”.

As tradicionais Matanças estão a desaparecer e são muito poucos aqueles que levam à risca os rituais desta prática comunitária em que participavam amigos e familiares e que tantas saudades me deixou quando, em rapazinho, participava nelas em casa dos meus avós.

Mais uma vez, são os “tempos” que levam coisas e trazem coisas a tal ponto que os regulamentos da Comunidade Europeia proibiram que as tradicionais Matanças do Porco, mesmo as de âmbito familiar, pudessem acontecer sem a presença de um veterinário para atestar o estado de saúde do animal e as condições sanitárias (?!?...?!?).

Que exagero, que falta de ligação à realidade… Então, não são os próprios donos do animal que o alimentam e acompanham diariamente que logo chamam o veterinário se ele deixa de comer ou apresenta alguma anomalia no seu comportamento?

E quanto às condições sanitárias alguém espera encontrar um mini matadouro para além de um armazém varrido e lavado mais a banca de matar o porco e as facas próprias para cada desempenho devidamente afiadas?

Mas, desta vez, os nossos representantes em Bruxelas, bateram-se galhardamente na defesa das nossas tradições que estavam condicionadas desde 2003 e a título excepcional correu até um Edital pelas Juntas de Freguesia a autorizar o abate caseiro do porco sem interferência da autoridade veterinária.

Uf… que alívio, já posso novamente pensar em deliciar-me com o “arroz do osso do peito” e a “semineta”, ementa tradicional que na aldeia da minha avó, a Concavada, era confeccionada pela mão experiente da senhora Maria, daquele porco a quem, o rapazinho que eu era adorava dar de comer e que foi morto pela facada certeira do ti' Margalho, sem corrermos o risco de irmos todos presos.

Mas isto sou eu a pensar ou a sonhar, melhor dizendo, porque já não há avó, não há pocilga, não há porco, a senhora Maria e o ti' Margalho há muitos anos que morreram e a aldeia quase já não tem vida assim como, da mesma maneira, comigo irão morrer as saudades das pessoas e dos sabores, em suma, a saudade daqueles “tempos”…

Viagra



A família estava à mesa a almoçar quando os garotos resolveram gozar com o avô e lhe colocaram um viagra no café.

Passados uns minutos, o avô levanta-se e anuncia que precisa de ir ao WC.

Quando regressou, passados uns minutos, tem as calças todas mijadas...

-Que é que aconteceu, avô?


-Sinceramente não faço ideia... Precisei de fazer xixi, tirei a pila para fora, vi que não era a minha e voltei a pô-la para dentro...


Me enterro como entender...
A MORTE
E A MORTE
DE QUINCAS
BERRO
DÁGUA


Episódio Nº 33 e Último






Mestre Manuel já não os esperava àquela hora. Estava no fim da peixada, comida ali mesmo na rampa, não iria sair barra fora quando apenas marítimos rodeavam o caldeirão de barro. No fundo, ele não chegara em nenhum momento a acreditar na notícia da morte de Quincas e, assim, não se surpreendeu ao vê-lo de braço com Quitéria.

 O velho marinheiro não podia falecer em terra, num leito qualquer.

– Ainda tem arraia pra todo mundo...

Suspenderam as velas do saveiro, puxaram a grande pedra que servia de âncora. A lua fizera do mar um caminho de prata, ao fundo recortava-se na montanha a cidade negra da Bahia. O saveiro foi-se afastando devagar. A voz de Maria Clara elevou-se num canto marinheiro:

No fundo do mar te achei toda vestida de conchas...

Rodeavam o caldeirão fumegante. Os pratos de barro se enchiam. Arraia mais perfumada, moqueca de dendê e pimenta. A garrafa de cachaça circulava. Cabo Martim não perdia jamais a perspectiva e a clara visão das necessidades prementes.

Mesmo comandando a briga, conseguira surrupiar umas garrafas, escondê-las sob os vestidos das mulheres. Apenas Quincas e Quitéria não comiam: na popa do saveiro, deitados, ouviam a canção de Maria Clara, a formosa do Olho Arregalado dizia palavras de amor ao velho marinheiro.

– Por que pregar susto na gente, Berrito desgraçado? Tu bem sabe que tenho o coração fraco, o médico recomendou que eu não me aborrecesse. Cada ideia tu tem, como posso viver sem tu, homem com parte com o tinhoso?

Tou acostumada com tu, com as coisas malucas que tu diz, tua velhice sabida, teu jeito tão sem jeito, teu gosto de bondade. Por que tu me fez isso hoje? – e tomava da cabeça ferida na peleja, beijava-lhe os olhos de malícia.

Quincas não respondia: aspirava o ar marítimo, uma de suas mãos tocava a água, abrindo um risco nas ondas. Tudo foi tranquilidade no início da festa: a voz de Maria Clara, a beleza da peixada, a brisa virando vento, a lua no céu, o murmurar de Quitéria.

Mas inesperadas nuvens vieram do Sul, engoliram a lua cheia. As estrelas começaram a apagar-se e o vento a fazer-se frio e perigoso. Mestre Manuel avisou:


– Vai ser noite de temporal, é melhor voltar.

Pensava ele trazer o saveiro para o cais antes que caísse a tempestade. 

Era, porém, amável a cachaça, gostosa a conversa, havia ainda muita arraia no caldeirão, boiando no amarelo do azeite-de-dendê, e a voz de Maria Clara dava uma dolência, um desejo de demorar nas águas. Ao demais, como interromper o idílio de Quincas e Quitéria naquela noite de festa?

Foi assim que o temporal, o vento uivando, as águas encrespadas, os alcançou em viagem. As luzes da Bahia brilhavam na distância, um raio rasgou a escuridão. A chuva começou a cair. Pitando seu cachimbo, Mestre Manuel ia ao leme.

Ninguém sabe como Quincas se pôs de pé, encostado à vela menor. Quitéria não tirava os olhos apaixonados da figura do velho marinheiro, sorridente para as ondas a lavar o saveiro, para os raios a iluminar o negrume.

Mulheres e homens se seguravam às cordas, agarravam-se às bordas do saveiro, o vento zunia, a pequena embarcação ameaçava soçobrar a cada momento. Silenciara a voz de Maria Clara, ela estava junto do seu homem na barra do leme.

Pedaços de mar lavavam o barco, o vento tentava romper as velas. Só a luz do cachimbo de Mestre Manuel persistia, e a figura de Quincas, de pé, cercado pela tempestade, impassível e majestoso, o velho marinheiro. 

Aproximava-se o saveiro lenta e dificilmente das águas mansas do quebra-mar. Mais um pouco e a festa recomeçaria.

Foi quando cinco raios sucederam-se no céu, a trovoada reboou num barulho de fim do mundo, uma onda sem tamanho levantou o saveiro. 

Gritos escaparam das mulheres e dos homens, a gorda Margô exclamou:

– Valha-me Nossa Senhora!

No meio do ruído, do mar em fúria, do saveiro em perigo, à luz dos raios, viram Quincas atirar-se e ouviram sua frase derradeira.

Penetrava o saveiro nas águas calmas do quebra-mar, mas Quincas ficara na tempestade, envolto num lençol de ondas e espuma, por sua própria vontade.

XII

NÃO houve jeito da agência funerária receber o esquife de volta, nem pela metade do preço. Tiveram de pagar, mas Vanda aproveitou as velas que sobraram.

O caixão está até hoje no armazém de Eduardo, esperançoso ainda de vendê-lo a um morto de segunda mão. Quanto à frase derradeira há versões variadas. Mas quem poderia ouvir direito no meio daquele temporal? Segundo um trovador do Mercado, passou-se assim:

No meio da confusão Ouviu-se Quincas dizer: 

"– Me enterro como entender Na hora que resolver. Podem guardar seu caixão Pra melhor ocasião. Não vou deixar me prender Em cova rasa no chão."

E foi impossível saber o resto de sua oração.

FIM

Rio, abril de 1959

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

50 das mais destacadas pinturas de um pintor genial - Salvador Dali - mestre do surrealismo.


IMAGEM

Disciplina, camaradas, disciplina...



Impagáveis....


Uma campanha publicitária brilhante a favor da ideia da Europa. Portas que se abrem permitindo a quem as abre interagir com quem está do outro lado...


A GUERRA

DOS 

SEXOS

(continuação)




Os gâmetas cada vez maiores ter-se-iam tornado imóveis porque, de qualquer forma, seriam sempre procurados activamente pelos “astutos”, e os gâmetas de tamanho intermédio ficaram condenados.

- A “estratégia astuta” com a aposta em gâmetas cada vez mais pequenos e velozes venceu a batalha e os gâmetas maiores tornaram-se óvulos e os mais pequenos espermatozóides.

Como um macho, teoricamente, pode produzir espermatozóides suficientes para servir um harém de 100 fêmeas poderíamos supor que o número de fêmeas deveria exceder o dos machos nas populações animais na proporção de 100 para 1.

Isto significa reconhecer que para a espécie, o macho é mais “dispensável” e a fêmea mais “valiosa”.

Para dar um exemplo extremo, entre as populações de leões marinhos, 4% dos machos são responsáveis por 88% das cópulas observadas, o que significa, neste caso e em muitos outros, um excesso evidente de machos solitários que nunca terão oportunidade de copular durante toda a sua vida.

Em tudo o resto estes machos excedentes levam vidas normais e comem os recursos alimentares da população com o mesmo apetite que os outros.

Do ponto de vista do “bem da espécie” regista-se um desperdício terrível e estes machos celibatários bem poderiam ser considerados parasitas sociais.

A teoria de “selecção de grupo” tem dificuldade em explicar porque se chegou a esta situação mas a teoria do “gene egoísta” não tem qualquer dificuldade em explicar a existência de uma percentagem tão grande de machos que não se reproduzem, e essa explicação foi formulada, pela primeira vez, por Ronald Fisher, apontado por Richard Dawkins o maior dos sucessores de Darwin:

- O problema de quantos machos e fêmeas nascem é um caso particular de um problema de “estratégia parental”.

- Será melhor confiar os genes preciosos a filhos ou a filhas?

- Aquilo que Fisher mostrou é que, em circunstâncias normais, a proporção óptima entre os sexos é 50:50 e para vermos porquê é preciso começar primeiro pela mecânica da determinação dos sexos a qual, nos mamíferos, é da seguinte forma:

1º - Todos os óvulos são capazes de se desenvolverem em machos ou fêmeas;

2º- São os espermatozóides que transportam os cromossomas que irão determinar o sexo do indivíduo;

3º- Metade dos espermatozóides produzidos poderá originar mulheres – os espermatozóides X – e a outra metade – espermatozóides Y - .

4º -  X e Y apenas diferem um do outro em relação a um cromossoma.

Um indivíduo não pode, literalmente, escolher o sexo dos seus filhos mas é possível haver genes com tendência para ter filhos de um sexo ou de outro, e se os houver, terão eles probabilidade de se tornarem mais numerosos na pool de genes do que os seus alelos que favorecem uma proporção igual entre os sexos?

Suponhamos, que entre a tal população de leões-marinhos, surge um gene “mutante” que tende para fazer com que os pais tenham principalmente filhas.

Como não há falta de machos na população, as filhas não teriam problemas para encontrarem parceiros sexuais e o gene, o tal que era “mutante”, tem condições para se expandir e, a partir daqui, estava aberto o caminho para que a proporção entre os sexos naquela população começasse a desviar-se na direcção de um maior número de fêmeas.

Do ponto de vista do bem da espécie, isso seria bom, pois, como já vimos, só 4% da população dos machos fornece a totalidade dos espermatozóides necessários e, assim, o gene produtor das filhas continuar-se-ia a espalhar até que a proporção entre os sexos estaria tão desequilibrada que os pouco machos restantes, esgotados completamente, não pudessem já dar conta do recado.

Richard Dawkins

Só com a sua mulher...


— Doutor, depois do by-pass poderei fazer sexo?



— Só com a sua mulher. Não pode excitar-se.



Deu-lhe Quincas uma cabeçada, a imana começou.
A MORTE
E A MORTE
DE QUINCAS
BERRO
DÁGUA

Episódio Nº 32






Enquanto o Cabo Martim, diplomata irresistível, cochichava no balcão com o proprietário estupecfato ao ver Quincas Berro Dágua no melhor de sua forma, os demais sentaram-se para uma abrideira de apetite por conta da casa, em homenagem ao aniversariante.

 O bar estava cheio: uma rapaziada sorumbática, marinheiros alegres, mulheres na última lona, choferes de caminhão de viagem marcada para Feira de Santana naquela noite.

A peleja foi inesperada e bela. Parece realmente verdade ter sido Quincas o responsável. Sentara-se ele com a cabeça reclinada no peito de Quitéria, as pernas estiradas.

Segundo consta, um dos rapazolas, ao passar, tropeçou nas pernas de Quincas, quase caiu, reclamou com maus modos. Negro Pastinha não gostou do jeito do fumador de maconha.

Naquela noite, Quincas tinha todos os direitos, inclusive o de estirar as pernas como bem quisesse e entendesse. E o disse. Não tendo o rapaz reagido, nada aconteceu então.

Minutos depois, porém, um outro, do mesmo grupo de maconheiros, quis também passar. Solicitou a Quincas afastar as pernas. Quincas fez que não ouviu. Empurrou-o então o magricela, violento, dizendo nomes.

Deu-lhe Quincas uma cabeçada, a inana começou. Negro Pastinha segurou o rapaz, como era seu costume, e o atirou em cima de outra mesa. Os companheiros da maconha viraram feras, avançaram.

Daí em diante, impossível contar. Via-se apenas, em cima de uma cadeira, Quitéria, a formosa, de garrafa em punho, rodando o braço. Cabo Martim assumiu o comando.

Quando a refrega terminou com a total vitória dos amigos de Quincas, a quem se aliaram os choferes, Pé-de-Vento estava com um olho negro, uma aba do fraque de Curió fora rasgada, prejuízo importante.

E Quincas encontrava-se estendido no chão, levara uns socos violentos, batera com a cabeça numa laje do passeio. Os maconheiros tinham fugido. Quitéria debruçava-se sobre Quincas, tentando reanimá-lo.

Cazuza considerava filosoficamente o bar de pernas para o ar, mesas viradas, copos quebrados. Estava acostumado, a notícia aumentaria a fama e os fregueses da casa.

Ele próprio não desgostava de apreciar uma briga.

Quincas reanimou-se mesmo foi com um bom trago. Continuava a beber daquela maneira esquisita: cuspindo parte da cachaça, num desperdício. Não fosse dia de seu aniversário e cabo Martim chamar-lhe-ia a atenção delicadamente. Dirigiram-se ao cais.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

IMAGEM

Há certas perguntas que nunca se devem fazer...



Passou-se numa

Rádio do Porto...




Locutor: - Quem ligar agora e fizer uma frase com uma palavra que não exista
no dicionário ganha duas entradas para o cinema.
...

Estooou! Quem fala?
Ouvinte: - Sérgio, de Gaia.
Locutor: - Olá Sérgio... Já conhece a brincadeira? Qual a sua palavra?
Ouvinte: - Ah! A palavra é
 baita!
Locutor: - Baita? Como se escreve?
Ouvinte:
 - B - A - I - T - A.
Locutor: - Espere um pouco... Deixe-me consultar o dicionário... É
,realmente
esta palavra não existe. Agora faça uma frase com essa
palavra, e se a frase fizer sentido e descobrirmos o que significa a
palavra, o Sr. ganha!

Ouvinte: - Ok, lá vai....
 BAITA foder !

E nesse momento desliga a ligação.......

Locutor: - Que é isto?... Vamos colaborar... Afinal existem crianças a
ouvir... Vamos tentar outra ligação.
Estou?! quem fala?
Ouvinte: - Coutinho, de Canidelo!
Locutor: - Olá Coutinho... já conhece a brincadeira? Qual é a sua palavra?
Ouvinte:
 - Eude!
Locutor: - Eude? Como se escreve?
Ouvinte:
 - E - U - D - E.
O Locutor pede ao ouvinte para esperar...
Locutor: - Deixe-me consultar o dicionário... Deixe-me ver...
Deixe-me ver... Eudesma... eudesmol... eudésmia...
eudiapneustia...eudiapnêustico... É! Realmente esta palavra não existe.
Agora faça uma frase com essa palavra e se a frase fizer sentido e
descobrirmos o que significa, ganha o prémio!

Ouvinte: -Ok, lá vai...
 Sou EUDE novo e BAITA foder!


O comprimido azul...

A Guerra

dos Sexos


 Se existem conflitos entre pais e filhos quando ambos dispõem de 50% dos genes, muito mais natural será que esses conflitos aconteçam entre parceiros sexuais.

O que eles têm em comum é um investimento de 50% de acções genéticas dos mesmos filhos e deste ponto de vista estão interessados no bem-estar de metades diferentes dos mesmos filhos razão suficiente para cooperarem na sua criação.

Mas supondo que a um dos pais é permitido investir menos em cada filho do que o quinhão que lhe competia, isso representaria uma vantagem dado que ficaria com mais recursos para investir em mais filhos de outros parceiros sexuais e, assim, propagar mais os seus genes.

Teoricamente, aquilo que um “indivíduo” gostaria de fazer seria copular com o maior número de membros do sexo oposto deixando o parceiro, em cada caso, criar os filhos sozinho.

Em certas espécies há machos que o conseguem fazer mas noutras são obrigados a partilhar o fardo de criar os filhos.

Mas, afinal, qual é a essência da masculinidade? O que é que define uma fêmea?

Nos mamíferos vemos os sexos claramente definidos: a existência de um pénis, a gestação dos filhos, a amamentação, certas características cromossomáticas, etc., mas para muitos outros animais e plantas estas diferenças valem tanto como o uso das calças para distinguir os homens das mulheres.

Nas rãs, por exemplo, nenhum dos sexos tem um pénis.

Aquilo que em toda a natureza é comum na distinção entre o sexo masculino e feminino são os “gâmetas” (células sexuais que na reprodução se fundem no momento da fecundação) e que nos machos são muito mais pequenos e numerosos do que nas fêmeas.

Mesmo nos seres humanos, em que o óvulo é microscópico, ele é muito maior que o espermatozóide e como estes são muito pequenos um macho pode permitir-se produzir muitos milhões deles por dia.

Isto significa, que o macho é capaz de produzir uma grande quantidade de filhos num período muito curto de tempo utilizando fêmeas diferentes.

Ela fica “envolvida” com cada embrião concedendo-lhe a parte adequada de alimento e, portanto, a sua possibilidade de ter filhos fica muito limitada enquanto que o macho, potencialmente, poderá ter um número de filhos quase ilimitado e aqui começa a “exploração” das fêmeas.

No princípio, a reprodução seria isogâmica, quando os gâmetas eram morfologicamente iguais, mas a selecção natural foi, progressivamente, favorecendo os indivíduos que produziam gâmetas mais pequenos e rápidos capazes de procurarem activamente os maiores para se fundirem com eles e terem, potencialmente, mais filhos.

E, desta forma, em termos de evolução, abriram-se duas estratégias sexuais diferentes:

- A “estratégia honesta” que consistia num grande investimento em gâmetas cada vez maiores para corresponderem ao interesse dos mais pequenos e velozes, “a estratégia astuta”.

(continua)
Richard Dawkins


Fofoquices....
Fofoquices...





Como um Presidente dos EUA engata uma gaja (neste caso artista de cinema):

 - «Tá? - Elizabeth, aqui fala o seu comandante supremo. Oiça Elizabeth, sou o Presidente e não tenho tempo para estas merdas. Estou constantemente a salvar o mundo da guerra nuclear. Vou enviar agora um avião para a ir buscar.»

Tão romântico, não é?...

Tá num porre mãe,  esclareceu  Pé de Vento
A MORTE
E A MORTE
DE QUINCAS
BERRO
DÁGUA

Episódio Nº 31





Enquanto atravessavam a ladeira de São Miguel, a caminho do castelo, iam sendo alvo de manifestações variadas. No Flor de São Miguel, o alemão Hansen lhes ofereceu uma rodada de pinga.

Mais adiante, o francês Verger distribuiu amuletos africanos às mulheres. Não podia ficar com eles porque tinha ainda uma obrigação de santo a cumprir naquela noite. As portas dos castelos voltavam a abrir-se, as mulheres surgiam nas janelas e nas calçadas.

 Por onde passavam, ouviam-se gritos chamando Quincas, vivando-lhe o nome. Ele agradecia com a cabeça, como um rei de volta a seu reino. Em casa de Quitéria, tudo era luto e tristeza.

Em seu quarto de dormir, sobre a cómoda, ao lado de uma estampa de Senhor do Bonfim e da figura em barro do Caboclo Aroeira, seu guia, resplandecia um retrato de Quincas recortado de um jornal – de uma série de reportagens de Giovanni Guimarães sobre os "subterrâneos da vida baiana" – entre duas velas acesas, com uma rosa vermelha em baixo.

Já Doralice, companheira de casa, abrira uma garrafa e servia em cálices azuis. Quitéria apagou as velas, Quincas reclinou-se na cama, os demais saíram para a sala de jantar. Não tardou e Quitéria estava com eles:

– O desgraçado dormiu...

– Tá num porre mãe... – esclareceu Pé-de-Vento.

– Deixa ele dormir um pouquinho – aconselhou Negro Pastinha. – Hoje ele tá impossível. Também, tem direito...

Mas já estavam atrasados para a peixada de Mestre Manuel e o jeito, daí a pouco, foi despertar Quincas. Quitéria, a negra Carmela e a gorda Margarida iriam com eles.

Doralice não aceitou o convite, acabara de receber um recado do doutor Carmino, viria naquela noite. E o doutor Carmino, eles compreendiam, pagava por mês, era uma garantia. Não podia ofendê-lo.

Desceram a ladeira, agora iam apressados, Quincas quase corria, tropeçava nas pedras, arrastando Quitéria e Negro Pastinha, com os quais se abraçara. Esperavam chegar ainda a tempo de encontrar o saveiro na rampa.

Pararam, no entanto, no meio do caminho, no bar de Cazuza, um velho amigo. Bar mal frequentado aquele, não havia noite em que não saísse alteração.

Uma turma de fumadores de maconha ancorava ali todos os dias. Cazuza, porém, era gentil, fiava uns tragos, por vezes mesmo uma garrafa. E, como eles não podiam chegar ao saveiro com as mãos abanando, resolveram passar a conversa em Cazuza, obter uns três litros de cana.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Pergunta o Passos: “Não percebo o que se passa. Quem é esse tal Miró?!”. O secretário de estado da cultura descansou o 1º ministro, garantindo-lhe que ia investigar.


Joan-Miró

IMAGEM

A ver-o-mar. Porque será esta imagem tão poderosa e ao mesmo tempo tão repousante? - Porque nos sentamos a olhar para ele?... Um dia, numa forma muito diferente, saímos de lá... um laço com as origens?...


O tema "Intervalo", com a participação muito especial de Rui Veloso, é o primeiro single do disco de estreia deste novo projecto de alguns ex-membros dos grandes Ornatos Violeta e dos Blunder.

Comadres...
- Sabe, comadre, ontem A noite estive a ver um programa sobre sexo, mas houve algumas expressões que eu não entendi...

- Então diga lá¡ quais foram as suas dúvidas, pode ser que eu a possa ajudar.

- Olhe, não sei o que é... sexo oral !?!

- Isso tá¡-se mesmo a ver o que é: Sexo de hora a hora...

- Então e sexo anal ?

- Isso é sexo de ano a ano.

- E homossexual ?

- Oh comadre !!! Vossemecê não percebe mesmo nada disto. Tá¡-se mesmo a ver que é um detergente para lavar os tomates!!!

Todos já ouvimos falar dos truques cinematográficos. Aqui, eles são mostrados no pormenor.


O heróico grupo de jogadores que preferiu morrer...
A Selecção de 

Futebol

que preferiu 

morrer...


O Dínamo de 

Kiev. 

Há algum ucraniano que não conheça esta história? – Não acredito, mas eu conto-a porque ela não é só dos ucranianos. É de todos os homens corajosos deste mundo que põem acima da própria vida os valores da honra e da dignidade. A nossa homenagem para eles.


Na Ucrânia, os jogadores do FC Start (nome clandestino do Dínamo de Kiev), hoje, são heróis da pátria e o seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. Os possuidores de entradas daquela fatídica partida têm direito a assento gratuito no estádio do Dínamo de Kiev.

A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comoventes, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dínamo de Kiev nos anos 40. 

Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, pelo seu dramatismo, outro caso similar no mundo. 


Para compreender a sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e porque um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial das suas vidas.

Tudo começou em 19 de Setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazi, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram tudo. 


A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazis, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagueavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido guarda-redes do Dinamo. 

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente pela sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Um dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou para um mendigo e de imediato se deu conta de que era o seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazis e contratou o guarda redes para que trabalhasse na sua padaria. A sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo jogador, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um tecto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela da sua equipa. 


Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma ideia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto dos seus colegas. Não só continuaria pagando-lhe, como juntos podiam salvar os outros jogadores. 

Percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, os seus amigos do Dinamo.


Kordik deu trabalho a todos, esforçando-se para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre os seus empregados uma equipa completa. 

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados pelo seu protector, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido as suas famílias nas mãos do exército de Hitler e o futebol era a última sombra mantida das suas vidas anteriores.


Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipa. Assim nasceu o FC Start, que através de contactos alemães começou a desafiar equipas de soldados inimigos e selecções formadas no III Reich. 

Em 7 de Junho de 1942, jogaram a sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. O seu rival seguinte foi a equipa de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 golos a uma equipa romena. 

A coisa ficou séria quando em 17 de Julho enfrentaram uma equipa do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazis começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipa melhor para ganhar a eles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na desforra. 

Em 6 de Agosto, convencidos da sua superioridade, os alemães prepararam uma equipa com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande equipa, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. 


Os nazis tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de desportivismo dos alemães, o Start venceu por 5 a 1. 

Depois desta escandalosa queda da equipa de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazis locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã. 

A superioridade da raça ariana, em particular no desporto, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar a equipa num jogo. 

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de Agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo: -"Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista. 

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: -"Heil Hitler !", gritaram - "Fizculthura !", uma expressão soviética que proclamava a cultura física.


Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro golo, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1. 
Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas: 

-"Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram nas suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu-lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o golo, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois desta última partida, a Gestapo visitou a padaria. 

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start.


Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em Novembro de 1943. O resto da equipa foi torturado até a morte. 

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se actualmente um monumento que saúda e recorda aqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942. 

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores. Abaixo a única foto que se conserva da heróica equipa do Dinamo e o nome dos seus jogadores. Goncharenko e Sviridovsky, os únicos sobreviventes, junto ao monumento que recorda os seus colegas.


PS Sempre gostei de futebol, Agora ainda gosto mais… Aqui, em Portugal, o Dínamo de Kiev ganhou mais um adepto. Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e o seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. 

No estádio Zenit uma placa diz: -  "Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazi".


Os dois únicos sobreviventes junto do monumento aos seus camaradas assassinados.

Bandido, cachorro, desgraçado...
A MORTE
E A
MORTE DE
QUINCAS
BERRO
DÁGUA

Episódio Nº 30


Não iriam eles cair numa cilada? Cabo Martim assumiu o comando das operações, Curió foi dar uma espiada.

– Vai de batedor – esclareceu o Cabo.

Sentaram-se nos degraus da igreja do Largo, enquanto esperavam. Havia uma garrafa por acabar. Quincas deitou-se, olhava o céu, sorria sob o luar.

Curió voltou acompanhado por um grupo ruidoso, a dar vivas e hurras. Reconhecia-se facilmente, à frente do grupo, a figura majestosa de Quitéria do Olho Arregalado, toda de negro, mantilha na cabeça, inconsolável viúva, sustentada por duas mulheres.

 - Cadê ele? Cadê ele? – gritava, exaltada.

Curió apressou-se, trepou nos degraus da escadaria, parecia um orador de comício com seu fraque roçado, explicando:

– Tinha corrido a notícia de que Berro Dágua bateu as botas, tava tudo de luto.

Quincas e os amigos riram.

– Ele tá aqui, minha gente, é dia do aniversário dele, tamos festejando, vai ter peixada no saveiro de Mestre Manuel.

Quitéria do Olho Arregalado libertou-se dos braços solidários de Doralice e da gorda Margô, tentava precipitar-se em direção a Quincas, agora sentado junto ao Negro Pastinha num degrau da igreja.

Mas, devido, sem dúvida, à emoção daquele momento supremo, Quitéria desequilibrou-se e caiu de bunda nas pedras. Logo a levantaram e ajudaram-na a aproximar-se:

– Bandido! Cachorro! Desgraçado! Que é que tu fez pra espalhar que tava morto, dando susto na gente?

Sentava-se ao lado de Quincas sorridente, tomava-lhe a mão, colocando-a sobre o seio pujante para que ele sentisse o palpitar do seu coração aflito:

– Quase morri com a notícia e tu na farra, desgraçado. Quem pode com tu, Berrito, diabo de homem cheio de invenção? Tu não tem jeito, Berrito, tu ia me matando...

O grupo comentava entre risos; nos botequins a barulheira recomeçava, a vida voltara à ladeira de São Miguel. Foram andando para a casa de Quitéria. Ela estava formosa, assim de negro vestida, jamais tanto a haviam desejado.

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