sábado, agosto 14, 2010

JACKIE EVANCHO - O MIO BABBINO CARO
Jackie tem 10 anos e foi ao programa America's Talent, da NBC. Já lhe chamam, como era de esperar "a resposta dos E.U.A. à britânica Susan Boyle" mas esta é uma visão injusta e redutora. Jackie com ou sem Programa de Talentos iria, naturalmente, acabar no Scala de Milão, mas agora com mais pressão e expectativas a recairem sobre ela com prejuizo para uma meninice e adolescência comuns a qualquer jovem que não tenha tido a desdita de nascer génio.


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Publicidade com algum jeito...

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UMA CANÇÃO ALEMÃ

BATA ILLIC - MICHAELA
Esta canção, de certo, deixou muitas saudaddes nos jovens alemães do meu tempo, nos avôzinhos de hoje... sem dúvida é uma canção bonita e bem disposta como convém numa manhã de sábado, véspera de domingo...


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 198


“Fulgem as ideias no esplendor das frases cintilantes”, segundo ele, “nesses torneios de subida educação, nesse diálogo de privilegiados intelectos”. Enquanto isso dona Flor, no círculo das esposas, discorria sobre costura e culinária ou comentava os últimos crimes saídos nos jornais.

Para o doutor Teodoro, as visitas ao doutor Luís Henrique eram o supra-sumo, enquanto as preferências de dona Flor iam para as noites no palacete do Garcia, o bangalô de dona Maga Paternostro, a ricaça, figura por excelência da elite, sua ex-aluna. Ali, encontrava-se dona Flor no trato e no requinte de senhoras da mais alta pabulagem, a discutir de modas, de protocolos, de acontecimentos sociais, com agradáveis incursões pela vida alheia, mas não a vida de qualquer vizinha e, sim, os podres da elite, da fidalguia e da lordeza, e era cada história, cada sujeira, nem te digo! Uma podridão de primeira qualidade, toda ela, sem excepção.

Dos hábitos antigos, vindos do primeiro casamento, foi mantido o almoço matinal no Rio Vermelho com os tios, e nenhum outro (também nos tempos do primeiro casamento não tinham quase hábitos, só a barafunda e o imprevisto).

Modificaram-se os costumes, a vida não só adquirindo movimentação como estabilidade, vida plácida e amena. Vida feliz, na opinião geral da vizinhança e no sorrir de dona Flor, concorde.

Às quartas e aos sábados, às dez da noite, minuto mais, minuto menos, doutor Teodoro tomava da esposa em honesto ardor e em prazer constante, sendo certo o bis aos sábados e facultativo às quartas-feiras.

Dona Flor, na desordem de certos anteriores, a princípio estranhou a discrição a envolver e a comandar a porfia de amor no leito de ferro sobre o novo (e espectacular) colchão de molas. Mas logo seu pudor congénito e o recato próprio à sua natureza acomodaram suas necessidades de fêmea, seus anseios de mulher, à maneira conveniente e pontual, podendo-se quase dizer respeitosa e distinta, de cobri-la o doutor, sob o abrigo dos lençóis mas com desejo firme e estrovenga em riste.

Num leito de esposos (na opinião do doutor Teodoro), o desejo não impede o recato, o amor não se opõe à pudicícia, amor e desejo feitos de matérias puras, mesmo em sua secreta intimidade conjugal.

Às quartas e aos sábados, à mesma hora invariavelmente, dona Flor vislumbrava os discretos e repetidos movimentos do esposo, nas sombras do leito. Assim, semi-erguendo-se para se pôr sobre ela, o lençol cobrindo-lhe os braços abertos e os ombros, o doutor lhe parecia um guarda-chuva branco e enorme a resguardar sua vergonha de mulher, a protegê-la mesmo naquele supremo instante de abandono. Um guarda-chuva, visão mais sem graça, imagem inibidora, uma pinóia.

Cerrando os olhos para não ver, então o via dona Flor, a seu Teodoro, como pássaro de asas imensas e potente garra, águia ou condor em voo rasante sobre ela para tomá-la e erguê-la, nos ares possuí-la. Abria-se dona Flor ao pouso da ave de rapina. Ao sentir-se dela penetrada, garra desmedida em suas entranhas sumarentas, presa e liberta, com ela se alçava num céu de bronze em gozo repartido.

Só não de todo casto gozo porque dona Flor, ao desatar-se, desatava também o pensamento e lá se ia.

Eram assim as noites de amor desses bons esposos, com seguro bis aos
sábados, facultativo
às quartas-feiras.

sexta-feira, agosto 13, 2010

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sem comentários...

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CANÇÕES ITALIANAS

CARMELO PAGANO - QUESTO AMORE
cantor famoso dos anos sessenta. Ganhou o Festival da Rosa em 1966. Tudo é belo nestas canções...


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 197


Dona Norma o considerava um pouco sistemático e por demais metódico, exigindo cada coisa em seu lugar e em seu dia exacto, inimigo do improviso e da surpresa, único senão (senão no ver de dona Norma) em homem de tantas qualidades, direito, bom, de fina educação, tratando sua mulherzinha a velas de libra. Antes assim, de rígida sistemática, do que esporreteada como era dona Norma, em eterno atraso, sem ponteiro de relógio, mãe da desordem.

Ria-se dona Flor ouvindo a amiga a elogiar, em sua agitação sem medida nem horário, o equilíbrio e a ordem do doutor: “um marido desses, felizarda, não anda dando vantagem por aí, cai do céu por um descuido”. Mesmo dona Gisa, crua verdade científica a ilustrar o bairro, ao tachá-lo de feudal, reconhecia-lhe as qualidades:

- Para você, Florzinha, que busca antes de tudo segurança, impossível melhor.

Realmente, numa ordem de dar gosto, sob o arrimo e direcção de seu bom marido, com todos os detalhes nos devidos eixos, dia certo para tudo, hora precisa, dona Flor impunha-se como exemplo de fiz esposa a toda a vizinhança.

Decorria sua vida tranquila e sem imprevistos, calma e suave, vida amena, seu tempo obedecendo a cuidadosa planificação, a perfeito organograma: cinema uma vez por semana, às terças-feiras na sessão das vinte horas. Se havia mais de um filme a fazer furor na opinião geral e na opinião de A Tarde, iam duas vezes, mas muito raramente e jamais às matinês, não suportando o doutor a ruidosa bagunça das moças e rapazes, barulhenta juventude.

Duas vezes por semana, pelo menos, após a janta, ele ensaiava seu fagote para a tarde dos sábados, sagrada, quando se reunia a orquestra em casa de um ou outro musicista. Eram reuniões das mais alegres e cordiais, em torno a gorda mesa de merenda – a dona da casa excedendo-se para acolher os amadores – com refrigerantes e sucos de frutas para as damas, cerveja farta para os cavalheiros, por vezes uma cachacinha, se o tempo era de frio ou se era tempo de canícula. Sentava-se a assistência, admiradores do maestro ou dos intérpretes, selecta assistência dos amigos a ouvir sonatas e gavotas, valsas e romanzas, na emoção das fugas e dos psicatos, dos graves e agudos, dos estudados solos; excelsa hora de arte.

Nas outras noites livres iam de visita ou as recebiam. Se dona Flor deixara ao abandono suas relações, quando de seu primeiro matrimónio, agora as cultivava com absoluta regularidade.

Duas vezes por mês, em dia certo, por exemplo, eram infalíveis em casa do doutor Luís Henrique, trazendo dona Flor para os meninos um pão-de-ló, um manué de milho, um prato com cocadas brancas ou quindins, uma bobagem, uma gostosura.

Impando de orgulho, incorporava-se doutor Teodoro à roda eminente reunida na sala do ilustre amigo, toda ela da mais alta distinção, como o doutor Jorge Calmon, ex-Secretário de Estado, doutor Jaime Baleeiro, advogado da Associação Comercial, o historiador José Calanzas, da Academia e do Instituto, o doutor Zézé Catarino (o nome já diz tudo), o doutor Rui Santos, político, professor e literato, e outros pró-homens da administração, do Instituto Histórico, da Academia Estadual de Letras.

Para doutor Teodoro, eram noites gradas, de prazer espiritual, quando lhes era dado praticar com “figuras exponenciais” ouvindo-as com respeito e opinando com prudência no erudito cavaco
sobre os profundos temas em debate.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Café Iruna, famoso pela sua arqitectura e imortalizado pela presença de Ernesto Hemingway. Depois, sem ninguém esperar, numa bela tarde, acontece isto...


O Senhor
é Um
Filho
da P…


Um sindicalista argentino propôs que fosse criado o “Dia do Filho da P…” para ser celebrado na data do nascimento do ex-ditador Jorge Rafael Videla, que enfrenta vários processos por crimes contra a humanidade.

Também Carlos Queiroz, que não cometeu crimes nenhuns contra a humanidade, está a contas com a justiça desportiva e parece que não só, por ter chamado filho da p… a um senhor funcionário do Estado que trabalha no Instituto da Droga.

Tudo isto para recordar Ramada Curto, republicano, socialista, eminente político na primeira República e famoso advogado. Nesta qualidade, interveio no Tribunal para defender um cliente acusado de ter chamado filho da p… ao ofendido.

Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de, muitas vezes, se utilizar essa expressão em termos elogiosos (“Aquele filho da p… é o melhor de todos”) ou carinhosos (“Dá cá um abraço, meu grande filho da p…”) e depois concluiu as suas alegações da seguinte forma:

“E até aposto que, neste momento, V.Exª. está a pensar o seguinte: “Olhem lá o que aquele filho da p… se havia de lembrar para safar o cliente!...”

Chegada a hora da sentença o juiz vira-se para o réu e diz: “O senhor vai absolvido mas agradeça ao filho da p… do seu advogado”.

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falta de sentido de oportunidade...

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CANÇÕES PORTUGUESAS

AMÁLIA RODRIGUES - O FADO DA MOURARIA
(de Amadeu do Vale e Frederico Valério)
um fado dos tempos da minha meninice... na voz da rainha da canção portuguesa. É um fado castiço, dos que deixam saudades, que era cantado pelas pessoas anónimas e repetido vezes sem conta nos programas da rádio-telefonia. Nesse tempo, há 50, 60 anos, a Mouraria tinha mais beleza, mais vida, não estava velha e degradada como agora, com muitas das casas velhas, abandonadas... Começou recentemente um trabalho de restauro e conservação que ainda não aparece nas imagens mas as pessoas que ali moram, nas "vielas e ruas estreitinhas" estão a ganhar outro interesse e a Câmara de Lisboa está a ajudar.



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 196



Que fazer com esse dinheiro guardado no banco, pelo amor de Deus? Dona Flor, de repente, sentiu o dinheiro como coisa inútil, pois não o tinha à mão, não podia procurá-lo atrás do rádio para compra, esmola ou pagamento. Mas dona Norma, experiente dessas coisas, riu-se do preconceito bancário da vizinha. Acumulasse seu dinheiro na Caixa e deixasse as despesas por conta do marido. Enquanto possuísse sua caderneta e o talão de cheques não ficava na dependência do doutor para cada alfinete, para a vaidade de um vestido a mais, o desperdício de um chapéu. Não viveria atrás do esposo, de salva em punho a pechinchar tostões para essas pequenas e múltiplas despesas: o dinheiro assim suplicado tinha o sabor de espórtula, humilhante.

Dona Norma conhecia esse travo amargo, sendo seu Zé Sampaio resmungão e algo somítico. Por isso mesmo à custa de uma ginástica orçamentária digna de emérito financista – com apertos, pechinchas, cálculos, economias, golpes diversos, erros nas contas, nas somas, nas subtracções, nos totais, vinte mil réis aqui, cinquenta ali, cem acolá – e se preciso, a mão nocturna no bolso do marido, dona Norma possuía, ela também, seu vasqueiro pé de meia a lhe permitir certos requintes de elegância e o atendimento de sua enorme clientela de compadres e afilhados, de velhos, de doentes, de trabalhadores sem emprego, de cachaceiros e malandros, e as dezenas de moleques seus prediletos.

- Por exemplo, minha santa: o doutor completa anos e você não tem cruzado nem vintém. Vai pedir dinheiro a ele para comprar presente? Já pensou: “Teodoro, meu filho, me dá algum para eu comprar uma cueca e te oferecer de aniversário?” Eu, minha linda, não dou essa ousadia a Zé Sampaio.

Com isso concordava dona Flor, é claro; sua restrição era a dinheiro em banco, cifra inscrita numa caderneta, não moeda viva a seu imediato alcance. De súbito seu pé-de-meia desaparecia de suas vistas; como manejá-lo nessa fria caderneta, nessa conta a juros? Tinha seus hábitos, devia mudá-los agora, pois, no dizer da amiga, seus antigos costumes eram de pobre, de mulher de mísero funcionário ainda por cima jogador a lhe dissipar os proventos da escola, vivendo na prática às suas custas, mais gigolô do que marido; eram costumes de viúva sem arrimo a sustentar-se com seu trabalho dele tirando o de comer, o de vestir, o aluguel da casa e demais despesas. Hábitos de cigano, de gentinha, já dissera o doutor; costumes da pobreza, sem dinheiro para banco, para juros e talão de cheques, confirmara dona Norma.

Agora, porém, mudara a posição social de dona Flor e sua fortuna. Se não rica de desperdício, tampouco a pobretana de antes; quando muito e por modéstia, remediada e bem remediada. Subira de uma vez vários degraus, do chão dos pobres para as alturas da vizinhança mais graúda: os argentinos da cerâmica, o doutor Ives com o seu consultório médico e o emprego público, os Sampaios com a sua boa loja de sapatos, os Ruas das invejáveis representações – a par com a aristocracia das redondezas, para gáudio de dona Rozilda, finalmente de genro à sua medida. Segundo seu Vivaldo da funerária, informante respeitável, sempre curioso da situação financeira dos amigos, doutor Teodoro, equilibrado, sério e trabalhador, iria longe:

- Não tarda a abocanhar a farmácia toda…

Assim foi aberta conta por dona Flor na Caixa Económica, a crescer todos os meses, e assim teve começo uma segunda ordenação de princípios em sua vida. Como muito bem dizia o farmacêutico, a desordem, a barafunda, os hábitos desregrados levam os casais à discussão, ao desentendimento, primeiro passo para a desarmonia
conjugal, para os atritos e a distância entre
os esposos.

quarta-feira, agosto 11, 2010


ENTREVISTAS
FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO

Entrevista Nº 52


Tema – ABORTO


Raquel - Numa das verdes colinas que rodeiam a Nazaré, continuamos com Jesus Cristo, que gentilmente nos vem concedendo declarações exclusivas que captam o interesse dos nossos ouvintes e muito especialmente das nossas ouvintes.

Jesus – É que as mulheres sempre têm os ouvidos mais abertos para o Reino de deus, Raquel.

Raquel – Suponho que está inteirado da insistência com que as autoridades das Igrejas Cristãs, as que seguem o senhor, condenam o aborto e mandam para os infernos as mulheres que interrompem a gravidez. Quer falar disso hoje connosco?

Jesus – Por que não?

Raquel – Preparando-me para esta entrevista estive hoje folheando a Bíblia da frente para trás e de trás para a frente e não encontro o que o senhor disse sobre o aborto… poderia indicar-me em que página é que está?

Jesus – Em nenhuma. Eu nunca falei sobre o aborto.

Raquel – Nunca?

Jesus – Nunca. Neste caso quem procura não encontrará.

Raquel – E como se explica que sobre um assunto tão transcendente o senhor… não tenha dito nada?

Jesus – E que iria eu decidir sobre a gravidez ou o aborto? Os homens não engravidam. Que sabemos nós dessas coisas?

Raquel – Isso é verdade mas…

Jesus – Na Nazaré eram as parteiras que sabiam. Elas assistiam as mulheres quando chegava a hora… e também sabiam como terminar com uma má gravidez…

Raquel – E o que era uma má gravidez nesse tempo?

Jesus – Bem, seria o caso de uma mulher doente e sem forças… ou de uma mulher pobre e já com muitos filhos… também havia casos de raparigas que ficavam grávidas de homens abusadores… nas aldeias do norte, os soldados romanos forçavam as mulheres e até meninas… uma boa gravidez tinha sempre a bênção de Deus, mas perante uma má gravidez havia sempre que pensar o que fazer.

Raquel – E perguntavam ao sacerdote o que fazer?

Jesus – Não. Nem aos sacerdotes que viviam em Jerusalém, nem aos rabinos que estavam mais próximos das sinagogas. Como te disse, os homens não se metiam nisso… como nos íamos meter se não sabíamos nada? As parteiras decidiam.

Raquel – E como faziam?

Jesus – Usavam ervas… as ervas eram o remédio para todas as doenças. As parteiras conheciam o fungo, a arruda silvestre, o absinto… conheciam o remédio para cada padecimento… com ervas faziam abortar as mulheres… aquelas parteiras eram sábias… algumas entraram no nosso Movimento.

Raquel – Confesso que estou desconcertada… então o aborto não era pecado?

Jesus – Por quê pecado, Raquel? As parteiras rezavam a Deus quando assistiam as mulheres no parto e louvavam quando as crianças nasciam sãs. Também rezavam quando punham termo a uma má gravidez e agradeciam quando tudo corria bem. Elas pediam a Deus que guiasse as suas mãos… eram mulheres de muita fé.

Raquel – Escuta os telefones, Jesus Cristo… tudo o que o senhor nos disse constitui uma novidade e até mesmo um escândalo. Ouça quantas chamadas… já está armada a polémica… de agora até à nossa próxima entrevista os telefones não vão parar de tocar… continuaremos a falar sobre o aborto, Jesus Cristo?

Jesus – Claro que sim, Raquel, continuaremos a falar sobre a vida.



Informações Adicionais Sobre o Tema


O Que Diz a Bíblia Sobre o Aborto – Faz apenas uma pequena referência de carácter jurídico-penal quando um homem, durante uma luta, golpeia uma mulher que estava grávida provocando-lhe o aborto, sem qualquer conteúdo de carácter moral. Quanto ao Novo Testamento em nenhum evangelho é feita alguma referência ao aborto.

Que Disse Jesus Cristo – Nada disse, nada ensinou, nem o mencionou, ele que denunciou com tanta firmeza os que atentavam contra a vida humana, desprezando e excluindo os doentes, condenando e marginalizando as mulheres que defendeu as crianças, os leprosos, os deficientes, jamais falou do aborto. No entanto, os radicais da condenação do aborto, usavam textos bíblicos retirados do contexto e a que davam interpretações perversas.

Quando Começa a Vida Humana? – A resposta da ciência diz-nos que o facto do feto se mover, respirar, sentir, não é o que o faz humano. Quando vemos uma ecografia o feto parece-nos uma pessoa em “miniatura” mas é simples aparência. O feto de um macaquinho também será muito parecido com o de um ser humano.

O que é verdadeiramente específico do ser humano está no seu cérebro com os seus cem mil milhões de neurónios e com os biliões e biliões de possíveis conexões que se podem estabelecer entre eles e que nos permitem pensar, falar, conhecer quem somos, eleger, planificar, transformar a realidade, sonhar, decidir, criar, saber que vamos morrer, tudo isto é que faz de nós humanos. Um embrião e um feto são vida humana em potência, em caminho. São uma semente com capacidade para ser uma árvore. Teremos a obrigação de transformar toda a semente em árvore?

Quando Começa a Vida Humana a Ter Alma? – Se a pergunta que se coloca à Ciência é: quando começa a ser humana a vida, a questão que se põe à Religião é: quando é que Deus infunde a alma num ser humano. Esta pergunta tem respostas diversas consoante as religiões e consoante as épocas.

O que é a alma, em que momento o corpo humano a recebe?

- Podemos dizer que a alma é o que nos faz humanos e que ela radica no cérebro mas quanto ao momento exacto em que o ser humano “recebe a alma” nunca haverá como sabê-lo porque… esse momento não existe.

É um tema que continua a ser polémico mesmo que a ciência tenha vindo progressivamente a esclarecer estes assuntos. Ao tempo de São Tomás de Aquino, este, que se considera um dos pilares do pensamento da Igreja, afirmava que a alma era “infundida por Deus” aos 40 dias… se fosse menino e 80… se fosse menina… e que a mulher era um “homem falido”…

Os avanços da ciência fazem com que hoje muitos teólogos cristãos partilhem da ideia de que não há alma enquanto não se tenha formado o córtex cinzento no cérebro, enquanto não tenha alcançado a capacidade de ser viável de forma independente fora do ventre materno.

A Campanha Anti-Aborto – Só há menos de um século, após a proclamação do dogma da Imaculada Concepção de Maria, o Vaticano impôs á Igreja Católica a ideia de que a alma existe desde o momento da fecundação, a que eles chamam “concepção”, termo que nunca recorre à ciência ou à ginecologia. É uma ideia também assumida por várias igrejas evangélicas mas não pelos protestantes históricos que têm como princípio fundamental a liberdade de consciência sobre a interpretação dogmática e têm, portanto, posições muito mais flexíveis sobre o aborto.

Esta Campanha tem o seu momento alto com a proclamação a “santa”, em Maio de 2004, pelo Papa João Paulo II da italiana Gianna Beretta Molla (1922-1962).

Esta senhora tinha marido e três filhos e no 2º mês da gravidez do 4º filho detectou-se um fibroma canceroso junto do útero que ameaçava a sua vida e a do feto. Os médicos disseram-lhe que para salvar a sua vida teria que interromper a gravidez. Para não pecar, não aceitou, levou a gravidez até ao fim, nasceu uma menina e ela, de acordo com as previsões dos médicos, faleceu de cancro ao fim de sete meses depois do parto deixando um viúvo e quatro órfãos.

O Papa João Pulo II canonizou-a e propô-la como modelo exemplar de todas as mulheres e esposas católicas.

A Maior Severidade – Por que é que as posições oficiais da Igreja Católica são as mais rígidas, não só sobre o aborto como também se opõe à anti concepção colocando a mulher num beco sem saída mesmo quando se sabe que a planificação familiar com os diversos métodos anti-concepcionais a melhor prevenção contra o aborto porque evita as gravidezes indesejadas.

Apenas aceita o método do “ritmo” que é ineficaz e complicado mas recusando o preservativo e a pílula do dia seguinte.

Não é fácil entender tanta severidade mas são conhecidas algumas explicações:

- A tradicional misoginia consubstanciada numa aversão ou ódio às mulheres e ao feminino e da crença na inferioridade das mulheres;

- Desejo de controlar a sexualidade das mulheres;

- Travar a liberdade de consciência das mulheres.

O teólogo alemão, Eugene Drewermann - psicanalista de profissão, aponta ainda explicações de carácter mais íntimo, escondidas numa experiência de vivência infantil precoce que, chegada à maturidade, se transforma numa evidência contundente de que, se realmente existem, se deve unicamente à heróica vontade de sacrifício da própria mãe. Em consequência, o que se pode esperar de quem chega a esta evidência, é que, como outro Abel, assumem uma predisposição para o sacrifício e quando chegam a sacerdotes de um Deus exigente, poderá ele mesmo exigir a todos, especialmente às mulheres e às mães que actuem da mesma maneira e ofereçam “livremente” o seu sacrifício pessoal.

Outras Opiniões Mais Sensatas:

- A teóloga brasileira Ivone Gebara: “A mulher não está obrigada a abortar ou a não abortar mas deve ter o direito de decidir. A sociedade nega esse direito às mulheres pobres, desde o momento que lhes nega o direito a uma educação sexual”.

- A Escritora Isabel Allende: “O aborto é um problema que afecta quase todos, directa ou indirectamente, pelo menos uma vez na vida. Ninguém está a favor do aborto. É uma solução desesperada que não agrada a ninguém e deixa sempre cicatrizes emocionais e físicas”.

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É preciso ter descaramento...

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CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

ELVIS PRESLEY - HEARTBREAK HOTEL

Aqueles gritinhos são de meninas que hoje têm 70 anos e mais... que multidões arrastaria hoje um espetáculo do Elvis... com aquela voz... aquele estilo... aquela carga de erotismo... uma madeixa da "poupinha" guardou-a num frasco, tipo relíquia de santo, o seu cabeleireiro pessoal e está à venda por 7.000 dólares...

DONA FLOR
E SEU DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 195


Nada de fechar a escola, meu querido, se me quiser é com a Sabor e Arte funcionando; tenha a santa paciência, não lhe satisfaço essa vontade, peça outra coisa, lhe cubro de mil beijos, me atiro nos seus braços, mas a escola não lhe dou de dote, é minha garantia. Você entende, Teodoro?

Nem era trabalho tamanho, de matar ninguém. Ao contrário, um prazer, um entretenimento: ajudara-lhe a suportar o tempo vazio da viuvez e antes, ah!, nos anos do primeiro matrimónio, impedira seu desespero. Nas aulas e alunas encontrou conforto para suportar os dias negros e confusos.

Quantas excelentes amigas não fizera em torno do fogão e do livro de receitas, mais valiosas ainda do que o dinheiro? Não, não abria mão de escola, seu ganha-pão e honesto passa tempo.

Enquanto o doutor estivesse na farmácia (e ele saía antes das oito, vinha para o almoço e a sesta, voltava, lá se demorando até depois das seis da tarde), era a escola agradável e lucrativa ocupação. Sem as aulas de culinária me diga, seu doutor, em que empregar o tempo vago? Em cochichos e mexericos com as comadres, sob as ordens de dona Dinorá, no torpe ofício de palmatória do mundo, de xereta da vida alheia? Ou de bruços na janela, manequim numa vitrine para recreio dos passantes, ouvindo pachouchadas, tirando prosa com uns e outros, logo na boca do mundo com fama de espoleta?

Havia quem gostasse desse exibido ócio, dessa saliência. Mesmo ali na rua, bem na esquina, na moldura da janela transcorria seu tempo dona Magnólia, sarará metida a loira à custa de macela, com seu sorriso fixo de bebé de celulóide, pinta na face esquerda, olhos de cabra morta. Ali posta em chamariz o dia inteiro, toda nos berliques e berloques e no frete manso dos passantes. Vizinha recente, mudara-se há pouco tempo com o marido, um secreta da polícia, galhardo em sua jactância e em seus belos chifres.

Segundo dona Dinorá e outras comadres de faro fino e informação precisa, era o detective amásio e não marido, em herança obtivera a fulva Magnólia de antecessores de posição diversa e qualidade vária, mas todos, sem excepção, igualmente cornos, numa constância e coerência dignas de todos os louvores.

Se dona Flor jamais fora janeleira nem de arengas, como ocupar seu tempo, meu doutor? Ela a queria com as alunas na escola ou a exibir-se pela Rua do Chile, caminho certo, atalho curto para os castelos ali pertinho, nas transversais da Ajuda? Guardasse seus poréns, não repetisse tal proposta, dona Flor tinha orgulho na escola, de sua fama, de seu bom conceito. Custara-lhe esforço e perseverança esse renome, um capital.

Conformou-se o doutor mas deixando desde logo claramente expresso e combinado a ele competir todas as despesas da casa e as pessoais de dona Flor, a ele só, com seu dinheiro. Os lucros da escola eram exclusivamente dela e ele não os admitiria nas despesas do casal.

Aliás, quanto a esse dinheiro, tomou doutor outras providências. Um absurdo, um convite aos ladrões tê-lo em casa, junto às válvulas do rádio ou metido numa velha caixa de sapatos ou por detrás do espelho da penteadeira ou sob o colchão, hábito de cigano, costume de gentinha. Sobretudo agora, quando esse dinheiro incólume avolumava-se mensalmente em maquia respeitável. Doutor Teodoro foi com dona Flor à Caixa Económica e ali abriu uma caderneta em nome pessoal da esposa, onde ela passou a depositar suas economias.

- Assim lhe rende juros, minha querida, três por cento, sempre é alguma
coisa. E, na Caixa, seu
dinheiro está garantido, sem o perigo dos ladrões.

terça-feira, agosto 10, 2010

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Como despertar a sogra....

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CANÇÕES BRASILEIRAS

ROBERTO CARLOS - AMANTE À MODA ANTIGA

Esta canção é de 1984 mas o R. Carlos é da minha idade, da minha geração e de muitos que visitam este blog. Somos, ou fomos amantes à "moda antiga"... sinceramente já não sei como é agora... talvez seja parecido... mas uma mensagem via telemóvel nunca poderá ter o romantismo de uma carta de amor...


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 194




- Milagre nenhum, minha querida, só um pouco de método que faltava. Acontece que, com minha mãe entrevada, tive que tomar conta da casa e me acostumei à ordem. Em nossa casa ainda é mais necessário ser metódico por se tratar de residência de família e escola ao mesmo tempo… Já que você faz questão de manter a escola. Por mim, como já lhe disse, acabaria com essa trabalheira… você não tem necessidade, ganho bastante para…

- Já discutimos sobre isso, Teodoro, e já resolvemos não falar no assunto. Por que voltar a essa discussão?

- Você tem razão, flor, e desculpe se insisti… Não voltarei a debater essa matéria a não ser a seu pedido. Fique descansada, minha querida, e me perdoe, não quis lhe abusar…

Era “meu querido” para cá e “minha querida” para lá, com afecto e urbanidade, sendo doutor Teodoro de opinião que o trato gentil e a cortesia são complementos do amor, imprescindíveis. Jamais se dirigiu à esposa sem atenção afectuosa, esperando dela a mesma afável polidez de tratamento. Veio e lhe beijou a face, desculpando-se por ter trazido à baila o desagradável tema.

Ainda noivo, ele propusera a dona Flor, como antes se contou de passo, fechar a escola, arquivando aulas e alunas, diplomas e receitas, o turno da manhã e o vespertino. Em detalhado cômputo de seus haveres e de sua situação na firma de drogas e mezinhas, doutor Teodoro lhe demonstrou por a mais b a inutilidade de manter a escola pois dona Flor já não tinha precisão de dinheiro para despesas e caprichos; estava ele, felizmente, em condições de garantir-lhe o indispensável e o supérfluo, mesmo certo luxo honesto, sem larguezas de perdulário, mas sem aperturas de forreta. Ela não mais precisava de trabalhar: o boticário, ao pedir-lhe a mão, se dispunha a sustentá-la, a cobrir-lhe os gastos, todos. O que era, aliás, bem fácil, não sendo ela de esbanjamentos e dissipações.

Dona Flor não aceitou. Bateu o pé, manteve a escola, suspendendo as aulas apenas durante os dias de lua-de-mel em São Tomé. Aproveite-se a deixa para dizer como, na volta do casal, as alunas sapequíssimas puseram a professora na berlinda, numa pagodeira de risos e pilhérias maliciosas, por vezes chulas e, no que tange a Maria Antónia, desagradáveis, pois a desassuntada quis saber qual entre os dois esposos “o de melhor chupiça, o de estrovenga mais forçuda e doce”.

Voltando, porém, à conversa com o doutor quando do noivado, dona Flor fechou a questão: preferia continuar viúva a terminar com a escola. Desde menina no hábito do trabalho, cedo se habituara a ter o seu dinheiro. Se não fosse isso, como teria se arranjado quando da celebração do primeiro casamento e por ocasião da viuvez?

Quando fugira de casa tinha um dinheirinho junto e foi com ele que pagou móveis e papéis do casamento, contrato de aluguel e as despesas dos primeiros dias. E se não fosse a escola, com fazer quando de repente enviuvou?

O finado nada deixara de seu a não ser dívidas: não havia sucursal de banco em salvador onde não se encontrasse um papagaio com sua garbosa assinatura, nem amigo ou conhecido a quem o picareta não tivesse esfaqueado. Desencarnara, ao demais, em pleno Carnaval, época de despesas gordas e fatais.

Não fosse a escola, e dona Flor ter-se-ia visto em completo alvéu, sem vintém para enterro e o mais. Por tudo isso dava tanta importância a seu
trabalho, a suas economias, seus cobres em
secreto esconderijo.

segunda-feira, agosto 09, 2010


ENTREVISTAS
FICCIONADAS COM
JESUS CRISTO


Entrevista Nº 51

TEMA – As Prostitutas
Primeiro


Raquel – Cai a tarde na Nazaré. Os microfones das E.L. estão instalados às portas da cidade onde nasceu Jesus Cristo. Nada disto existia no seu tempo, verdade?

Jesus – Não, tudo isto era mato…

Raquel – Agora é um populoso bairro árabe com bastante movimento… Está proibido o álcool, mas vende-se… Estão proibidas as drogas… mas elas circulam… esta é aquela a que chamaríamos, uma zona rosa, senhor Jesus Cristo…

Jesus – Por que lhe chamam assim?

Raquel – Digamos, uma zona de tolerância… Vês aquelas jovens… se o senhor estivesse caminhando só, sem a minha companhia, já se teriam acercado.

Jesus – Prostitutas?

Raquel – Sim, a prostituição, uma chaga social, que não acaba nunca.

Jesus – No meu tempo também havia.

Raquel – Bem, dizem que é a profissão mais velha do mundo.

Jovem – É barbudo… Deixa essa magricela e vem comigo!

Raquel – Vês o que te digo?... Actualmente, são consideradas por alguns como trabalhadoras sexuais… uma opção profissional como qualquer outra, que a mulher elege livremente…

Jesus – As que conheci não eram livres… eram mulheres pobres, abandonadas que necessitavam de dar de comer aos filhos… a outras as tinham como escravas sem terem fuga possível… A prostituição é uma das piores ignomínias que se cometem contra as filhas de Deus.

Raquel – Num programa anterior, o senhor esclareceu-nos que a prostituta mais conhecida da história não havia sido prostituta…

Jesus – Referes-te a Maria?

Raquel – Sim, a Maria Madalena. Nos quadros, nas imagens, aparece sempre chorando aos seus pés, uma grande pecadora…

Jesus – Falam assim dela porque não a conheceram…

Raquel – Imagine que até numa novela de rádio progressista, intitulada “Um tal Jesus”, os autores que falaram muito bem do senhor, apresentaram Maria Madalena trabalhando num bordel na Rua dos Jasmins…

Jesus – Pois quem escreveu isso enganou-se.

Raquel – Agora estão arrependidos… Dizem que não sabiam… enfim, voltando ao tema… no seu grupo entraram prostitutas?

Jesus – Naturalmente. Elas eram as últimas das últimas e por isso foi-lhes fácil entender a mensagem e juntarem-se ao nosso movimento.

Raquel – O senhor defendeu-as?

Jesus – Eu disse que elas entrariam primeiro do que os sacerdotes no reino de Deus.

Raquel – Palavras fortes, imagino as reacções…

Jesus – É que os sacerdotes humilhavam-nas demasiado… cuspiam aos seus pés e nem a sua sombra queriam pisar… mas os que lhe chamavam impuras de dia, iam de noite buscá-las…hipócritas!

Raquel – temos uma chamada… sim, alô?

Mona – Fala Mona Sahlin, estou falando do Ministério da Igualdade da Suécia.

Raquel – Uma chamada da Suécia, Jesus Cristo… Sim, diga senhora ministra…

Mona – Diga a senhora a Jesus Cristo que o meu governo criou leis sobre a prostituição em que os perseguidos e os castigados não são as prostitutas mas os clientes.

Raquel – Bem feito. E mantêm-nos presos?

Mona – Sim, porque é um delito, uma violência contra as mulheres.

Raquel – E a elas?

Mona – Oferecemos-lhes oportunidades de trabalho e de reabilitação, se ela quiser. Não tem sido fácil entender este caminho mas é por aqui que vamos…

Raquel – Muito obrigado à ministra da Igualdade da Suécia. Escutou, Jesus Cristo? Algumas coisas vão melhorando neste mundo, não lhe parece?

Jesus – Parece-me e alegra-me, Raquel. Será um caminho longo e estreito mas é o que respeita a vida…

Raquel – E vós, amigos e amigas das Emissoras Latinas, que pensam? Mulheres de vida fácil, trabalhadoras sexuais ou vítimas de género?

De Nazaré, a reportagem de Raquel Perez.


Informações Complementares



Maria Madalena – Não foi prostituta. Com essa fama ela tem realmente passado pela história do Cristianismo mas hoje sabemos, com toda a probabilidade, que os autores dos Evangelhos, todos homens, “fizeram-na” prostituta para reduzir e desvalorizar o papel fundamental que lhe foi dado por Jesus no seu Movimento e o protagonismo que teve na primeira comunidade cristã.


As Primeiras no Reino de Deus – As palavras de Jesus e a sua atitude positiva face às prostitutas causaram grande escândalo nas pessoas religiosas do seu tempo. Pela “impureza” religiosa do seu “ofício” e pela sua condição social, as prostitutas eram mulheres marginais e desprezadas por todos. Não por Jesus, que falou delas pondo-as por modelo de abertura á mensagem libertadora, tendo mesmo afirmado que eram as primeiras destinatárias do Reino de Deus antes dos sacerdotes (Mateus 21, 31).

Não é Escravatura? – A jornalista cubana Rosa Miriam Elizalde, investigou a prostituição em Cuba e no seu brilhante texto “Crime ou Castigo” de Julho de 2007, aponta reflexões importantes sobre a realidade da prostituição feminina em qualquer parte do mundo.

Escrevia uma jovem prostituta de 24 anos a Elizalde dizendo que “meu corpo não sou eu” separando o “ser” da sua “alma” para se defender, em primeiro lugar, da sua consciência crítica. Esta jovem submete a sua existência a uma dualidade, uma esquizofrenia, que na prática divide o corpo em dois. Ninguém como a escrava sexual vive com maior violência o drama do despojo do seu “eu” mais íntimo. É possível – dizia-me um amigo – vender a alma e manter o corpo intocado mas é impossível vender o corpo sem magoar a alma.


A Profissão mais Antiga? – Diz Elizalde: “Quase todos os mitos partem de erro difundido em épocas recentes. Um deles é a de que a profissão feminina mais antiga do mundo é o comércio sexual”. Esta frase sugere que a prostituição é um atributo inato da mulher e, portanto, inevitável. No entanto, em muitas sociedades ditas “primitivas” não se conhece esta prática o que é confirmado pela antropologia e mitologia popular, nas quais a mulher só aparece com profissões nobres: oleiras, artesãs, condutoras de cavalos, mestras, recoletoras, transportadoras… mas isto foi ignorado pelos historiadores durante séculos de reinado patriarcal e hoje e hoje continua sendo uma presunção que se reproduz com ligeireza mesmo em tratados de educação sexual.

Chamar, ainda por cima, às prostitutas “mulheres de vida fácil” é uma das mentiras mais escandalosas que se podem dizer neste planeta. É evidente que se trata de afirmações dos clientes: pertencem ao âmbito dos compradores que se libertam das culpas quando pagam. As pessoas que põem à venda o seu corpo, que especulam com a sua dignidade, ficam marcadas por uma experiência devastadora e pela tortura permanente da culpa.

Suécia – Uma Experiência que tem sido um Êxito – Nos primeiros 5 anos de aplicação da nova legislação, a quantidade de prostitutas nas ruas de Estocolmo diminuiu em dois terços e os clientes 80%. Em outras cidades o comércio sexual nas ruas quase desapareceu e os bordéis e salas de massagens que os encobriam foram diminuindo.

O número de mulheres e jovens que chegaram à Suécia para a prostituição, nos últimos anos foram de 200 a 400, muito poucas comparadas com as 15 a 17.000 que chegaram à Finlândia. De acordo com sondagens de opinião da população Sueca 80% apoia a lei e a Finlândia e a Noruega pretendem seguir o exemplo.

Penalizar a prostituição, regulá-la ou legalizá-la não dá resultado. De acordo com estudos da Universidade de Londres, o efeito é um aumento da prostituição infantil, de todas as facetas relacionadas com a indústria do sexo, incluindo o tráfego de meninas e de mulheres e do aumento da violência contra elas.

VÍDEO

A Mafalda em ponto grande...

video

CANÇÔES PORTUGUESAS

MANUEL FREIRE - PEDRA FILOSOFAL

Ficou conhecido e popularizado quando, em 1969, cantou esta canção no prorama de TV ZIP-ZIP, interpretação que lhe valeu o Prémio da Imprensa desse ano. O Poema é um hino à humanidade, uma verdadeira obra de arte, da autoria de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906-1997), pofessor de Físico-Química e um eminente pedagogo. O país ficou-lhe reconhecido por toda a sua obra e exemplo de vida e adoptou o dia do seu nascimento como o Dia Nacional da Cultura Científica.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 193




Não consultara dona Flor, por não querer incomodá-la com tal no nada, quando ela se consumia aflita junto da enferma, e, ao demais, por dever expulsar incontinenti a mal agradecida, não se dispondo a ouvir abuso ou desaforo de doméstica. Quando lhe dera ordens de varrer a casa, a presepeira saíra pelo corredor a debicar, a apelidá-lo de Doutor Purgante.

Sentiu-se dona Flor desconcertada; jamais lhe passara pela cabeça a ideia de mandar Sofia embora apesar dos desmazelos e dos modos bruscos.

Coitadinha…

Tinha-lhe dó e como despedi-la, sem uma explicação a dona Jacy, de quem a recebera? Ao mesmo tempo, como desconhecer carradas de razão ao doutor Teodoro? Não era possível ao marido, homem de respeito e posição, aturar certos calundus de ama, que ela, dona Flor, mulher e paciente, relevava.

- Coitadinha? – estranhou doutor Teodoro – Uma atrevida, indigna de sua bondade, meu amor… Às vezes, Flor, a pessoa querendo ser bondosa, acaba sendo tola…

Dona Jacy? Se alguém devia desculpas a alguém era dona Jacy a dona Flor, pela desfaçatez de pedir por um traste como aquele. Não contente de abusar da bondade da patroa, quis a dita pôr em ridículo o patrão.

Compreendeu dona Flor não ter o doutor enunciado o tema na intenção de discuti-lo; informava apenas como resolvera o assunto: havia um homem em casa, dono e senhor, pensou ela. Sorriu: “meu marido, meu senhor”. Fizera bem, tampouco admitiria qualquer falta de respeito a seu marido. “Doutor Purgante” onde já se viu tal desaforo?

Ao demais, sobre um ponto não havia discussão possível: a nova ama era um portento no serviço. Doutor Teodoro não a contratara a rogo de vizinha; exigira atestados com boas referências, e pelo telefone os controlou. Isso, sim, era ordem e eficácia.

Não apenas a exemplar limpeza, obra da empregada nova, também cada coisa em seu lugar, mas realmente em seu lugar definitivo, não hoje aqui amanhã acolá, não se sabendo nunca onde encontrar os objectos de uso mais imediato, dona flor numa atrapalhação durante as aulas.:

- Marilda, minha filha, você viu o livro de receitas? Sofia não sabe onde botou, deu fim.

- Com as mãos de molho, reclamando:

- Sofia, onde é que você pôs a batedeira? Meu Deus, nesta casa some tudo…

O doutor escolheu, com rara competência e gosto, para cada coisa seu local e deu ordens precisas à criada: no fim das aulas, após a limpeza da cozinha, queria cada peça em seu rincão marcado por ele com uma papeleta escrita a capricho em letra de imprensa: “faca de pão, cortador de ovos, pedra de ralar, pilão” e etc, e tal; não só os objectos da escola como os da casa: “rádio, vaso de flores, garrafas de licor, gaveta das camisas do doutor Teodoro, gaveta da roupa íntima da senhora.”

Meu Deus! – disse dona Flor ante tanta eficiência – E eu que pensava ter a casa em ordem… Era
mesmo uma bagunça, uma desarrumação. Teodoro, meu querido, você fez um milagre…

domingo, agosto 08, 2010

BOM DIA - HOJE É DOMINGO
LEO SAYER - WHEN I NEED YOU
Uma das mais belas baladas de sempre

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