sábado, dezembro 21, 2013

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Pipa, local de férias no nordeste brasileiro. O meu sobrinho, há anos, construíu aqui uma estância de férias e convidou-me para o visitar. Esta fotografia tirei-a para registar o pôr do sol mas por pouco já não o apanhava. Ficaram as folhas das árvores recortadas no céu de Pipa, o que também não deixa de ser bonito.


ZECA AFONSO - OS ÍNDIOS DA MEIA PRAIA
(Letra e música de Zeca Afonso)

Na Casa da Música, no Porto, Vitorino irá fazer hoje a apresentação do seu mais recente trabalho "Ergue-te ó sol de Verão", uma homenagem "à obra e personalidade de dois dos maiores renovadores da música popular portuguesa, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira".
Companheiro de palco e canções de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Sérgio Godinho e outros nomes maiores da música portuguesa, Vitorino estreou-se em 1975 com o seu primeiro disco em nome próprio, Semear Salsa Ao Reguinho. O álbum, que incluía a famosa canção Menina Estás à Janela, foi logo considerado um ponto de referência na redefinição de padrões estéticos e caminhos que a música popular viria a trilhar", refere a Casa da Música.

                                 


Para o que vivem as pessoas?


Baseado em uma história real, onde um grupo de 5 idosos chineses se unem e apesar de todos os problemas sociais e de saúde, resolvem conquistar mais um sonho: percorrer Taiwan de motocicleta, em uma viagem de 13 dias e mais de 1139 km. Você é do tamanho dos seus sonhos... Não desista deles!





Esta francesa é de força...
                                               
Um menino chega a casa a chorar depois de sair da escola.
- O que é que você tem? Pergunta a sua bonita mãe francesa.
- Tive zero a geografia.
- Por quê?
- Não sabia onde é Portugal.
- Você não sabe? Que tolo, passe-me aí o mapa de França.
E a mãe procura, procura ...
- Oh! Meu Deus, este mapa não é pormenorizado o suficiente, passe-me o mapa da   região.
E a mãe procura, procura……...
- Nada neste mapa, passe-me o mapa do departamento.
E a mãe procura, procura ...
- Porra ... Portugal não pode estar muito longe. A governanta é portuguesa e vem trabalhar todos os dias de bicicleta.











Ter-se-iam evitado muitos dramas....


Quando a vida

começa a ser Humana



A propósito do aborto...


Quando é que um feto se torna humano?  A resposta é dada pela ciência. O facto de um feto sentir, mover-se ou respirar não faz dele um    humano.  Os animais, mesmo as plantas, também sentem e se movem e respiram.  O que nos torna humanos é não se mover, sentir, ou respirar. O que faz um feto ser humano também não é a "forma" que vai ganhando ao longo do seu desenvolvimento.  Quando vemos uma ecografia o feto parece-nos uma pessoa humana "em miniatura". É simples aparência.  Se víssemos um feto de macaco seria muito parecido ao de um ser humano.

Aquilo que é próprio, específico do ser humano está no nosso cérebro, e mais especificamente ainda na casca cinzenta do cérebro, com suas centenas de biliões de neurónios.  Com biliões e biliões de conexões possíveis entre eles, os neurónios permitem-nos pensar, falar, aprender que nós escolhemos, planear, transformar sonho em realidade, decidir, criar, saber que vamos morrer.  Isto é o que nos torna humanos.

Os padrões regulares específicos do cérebro humano no feto não aparecem até cerca de 30 semanas de gestação, no início do terceiro trimestre.  Um embrião e um feto são vida humana potencial, em processo, em caminho.  É uma semente com a capacidade de se tornar uma árvore, mas não uma árvore.  Será que temos a obrigação de processar toda a semente da árvore?

Michelle Obama


Numa ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu para jantar com sua esposa, Michelle,  e foram a um restaurante não muito luxuoso, porque queriam fazer algo diferente e sair da rotina.

Estando sentados à  mesa no restaurante, o dono pediu aos guarda-costas para se aproximar e cumprimentar a primeira dama,  e ele assim o fez.
Quando o dono do restaurante se afastou, Obama perguntou a Michelle: Qual é o interesse deste homem em te cumprimentar?

Acontece, que na minha adolescência, este homem foi apaixonado por mim durante muito tempo.
Obama disse então: Ah, quer dizer que se você se tivesse  casado com ele, hoje  seria dona deste restaurante?
Michelle respondeu: Não, meu querido, se eu me tivesse  casado com ele, hoje seria  ELE o Presidente dos Estados Unidos.

Crianças passando fome...
JUBIABÁ

Episódio Nº 195




Ruiz anda de um lado para o outro, agitado:

 - Para que você se mete nisso? Você não entende disso…

 - E você que é tão bom… Parecia…

- Eu sou igual aos outros. Nem melhor nem pior.

Há um silêncio no quarto. Ouvem a respiração forte da filha que vem do quarto vizinho. Ruiz explica:

 - Você sabe o que eles querem?

 - Querem tão pouco…

 - Mas é preciso não dar nada. Se a gente der hoje esse aumento, amanhã quererão outro, depois mais outro, e um dia quererão as padarias…

 - Sei é que tem crianças com fome. E eles ganham mesmo uma miséria. Você nunca me falou que sabia destas coisas. E eu não sabia. Se eu soubesse…

 - Ruiz se irrita:

 - Se soubesse o que fazia? Você lá sabe de nada. Eu estou defendendo o seu automóvel, a sua casa, o colégio de Leninha. Você acha que eu devo trabalhar para esses canalhas?

 - Mas eles querem tão pouco, Ruiz. Não é possível que você goste de ver o sofrimento alheio.

- Eu não gosto de nada. Mas aqui não é uma questão de sentimentalismo. É coisa mais séria. Eu não sou eu, não tenho nada com os meus sentimentos. Eu sou o patrão, tenho que defender meus interesses. Se a gente ceder o pé, amanhã eles quererão a mão…

Você quer ficar sem automóvel, sem casa, sem criada para Leninha? Eu estou defendendo isso tudo, estou defendendo o que é nosso, nosso dinheiro… Defendo o seu conforto!

Anda pelo quarto. Pára diante da esposa:

- Então você pensa, Lena, que sinto prazer em saber que tem gente passando fome? Não sinto não. Mas na guerra como na guerra…

A respiração da filha vem do outro quarto. Crianças passando fome, crianças sem ter o que comer, chorando pelo jantar. E o marido ali achando tudo tão natural. O marido que ela sabe que é bom, incapaz de fazer mal a uma formiga.

Deve haver qualquer mistério nisto tudo, mistério que ela não entende. Mas as crianças estão passando fome. Quer dizer que se Ruiz não houvesse prosperado, seria Leninha que estaria passando fome.

Roga ao marido, entre lágrimas, que conceda o aumento.

 - É impossível minha filha. A única coisa que não posso lhe fazer.

E tenta explicar novamente que ali é uma guerra, que se ele der o pé eles tomarão a mão, um mês depois quererão outro aumento:

 - Hei-de sujeitá-los pela fome…

Vem para junto da esposa e estende a mão para alisar os seus cabelos:

- Não chore, Lena.

Passa os braços em torno dela. Crianças estão esfomeadas nos becos.

 - Não se aproxime de mim… Você é um miserável… Não se aproxime…

E fica soluçando, fica desgraçada, com piedade de si, com piedade do marido e com inveja dos grevistas.

E murmura no seu choro:

 - Crianças com fome… Crianças com fome…

sexta-feira, dezembro 20, 2013

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Este sou eu próprio junto de uma magnífica escultura em madeira na cidade de João Pessoa, no Brasil, a que está mais perto da minha Lisboa, do ponto de vista geográfico.



JOÃO MARIA TUDELA - KANIMAMBO

Também podem ser as minhas memórias... tendo passado uns tempos por Lourenço Marques e três anos na cidade da Beira mas a recordação de maior impacto é a do  continente africano, daquela maravilhosa paisagem, de reencontro com as nossas origens... O resto somos nós que "fabricamos"...


... As nossas utopias...
Quando começa a vida

humana a ter "alma"




A ciência pode dizer que é quando começa a função cerebral, mas do ponto de vista religioso é quando Deus "infunde a alma" no corpo de um ser humano.  Esta pergunta tem respostas diferentes em diferentes religiões e também teve respostas variadas ao longo da história da teologia cristã.

A primeira é responder à pergunta o que é a "alma", como defini-la.  Para a teóloga brasileira  católica Ivone Gebara, a alma é a metáfora que tenta expressar o que há de mais profundo em nós. A metáfora que tenta revelar os nossos desejos mais bonitos, nossas esperanças pessoais.  A alma é a forma poética de falar sobre nossos sonhos, nossas utopias, nossas aspirações, nossa privacidade.”

Nós também podemos responder que a "alma" é o que nos torna humanos.  Podemos dizer também que a "alma" reside no cérebro.  Nunca haverá como provar o momento exacto em que o homem "recebe a alma"… porque não existe “esse momento”.
Em várias religiões, e até mesmo no cristianismo, houve muitas opiniões diferentes e muitos debates que ainda estão em aberto havendo, assim,  muitos pontos de vista possíveis, cristãos e religiosos, ao aborto.

Dentro da cultura ocidental cristã pensou-se por muito tempo que a alma entrava no corpo humano aos 40 dias de gestação. Pela importância simbólica que o número 40 tem na Bíblia mas os teólogos mais misóginos apontaram que, sendo mulheres, a alma não entraria até aos 80 dias.

Eram cálculos para além de ideológicos, completamente imprecisos, porque, como o sémen masculino era observável, o papel das mulheres na procriação foi considerado totalmente "passivo", um receptor do esperma masculino.  A existência do ovo só foi cientificamente comprovado em  1827.

Agostinho de Hipona (século IV) e Tomás de Aquino (século XIII), os dois teólogos mais influentes da história da teologia católica, falaram sem conhecimento científico, especulando.  Agostinho disse: “De acordo com a lei cristã, o aborto não se considera crime no início, porque ainda não se pode dizer que tem uma alma viva num corpo que carece de sensação”. Thomas acreditava que a alma não era recebida no início, mas mais tarde. E foi ele que fixou o "infusão da alma" aos 40 dias, se fosse um menino e aos 80 se fosse uma menina.  Para Tomás de Aquino, a mulher era um "homem falido".

Quando no século XVII se começaram a usar microscópios, os teólogos, sempre misóginos, "provaram" que a alma estava no esperma. Os  movimentos dos espermatozóides fazia-os lembrar pessoas pequenas e consideravam que esses “homenzitos” com alma se alimentavam do sangue menstrual da mãe.  Depois, pensaram de alma só entrava no feto quando este já tinha forma humana ou quando a mãe sentia os seus movimentos.  Eles também achavam que Deus infundia a alma no momento exacto do nascimento.

Os avanços da ciência levaram a que muitos teólogos cristãos à ideia de que não há "alma" enquanto o bebé não tiver formado o córtex cinzento de seu cérebro e não tiver a capacidade de ser independente, viável fora do útero sua mãe.  Há teólogos que não se propõem a falar de "alma" até que não haja uma evidência biológica da "vida cerebral", como nós actualmente entendemos a morte como "morte cerebral", que ocorre quando o cérebro pára de funcionar, apesar de permanecer outros órgãos em funcionamento.

Somente há cerca de século e meio, a partir da proclamação do dogma da imaculada concepção de Maria, o Vaticano tem vindo a impor na Igreja Católica a ideia de que a alma existe desde o momento da fecundação ou fusão ovo/espermatozóide, a que se chama de "concepção", um termo que não é usado na ciência nem na ginecologia.  Esta ideia foi adoptada também por várias igrejas evangélicas.  Em igrejas protestantes históricas – que têm como princípio fundamental a liberdade de consciência sobre a interpretação dogmática - são muito mais flexíveis as posições sobre o aborto.



Dois aposentados, que ganhavam um "extra" preparando cadáveres para o enterro receberam um corpo para ser preparado e um deles, referindo-se ao tamanho do pénis do falecido, iniciou o diálogo:

- Você já viu um destes?

- Eu tenho um igual!

- Assim grande?

-  Não, assim morto!


Humorista por excelência faz-nos rir com tudo..
HEMORRÓIDAS 

Sem comentários...



HEMORRÓIDAS... ARDEM !!!

Ptolomeu em 150 D.C. falava que a terra era o centro do universo e que tudo girava em torno dela, foram precisos cerca de 1400 anos para esta teoria ser rebatida por Nicolau Copérnico provando para a humanidade que o Sol sim, era o centro.


Eu, simplesmente eu, descobri em apenas três dias, após 56 anos, que ambos estavam redondamente enganados: o centro do universo é o cú. Isso mesmo, o cú !

Operei das hemorróidas em carácter de urgência algumas semanas atrás. No domingo à noitinha, o que achava que seria um singelo peidinho, quase me virou do avesso.

É difícil, mas vamos ver se reverte, falou meu médico. Reverteu coisa nenhuma, era mais fácil o Lula aceitar que sabia do mensalão do que aquela terrível bolinha (?) dar o toque de recolher.

Foram quase duas horas de cirurgia e confesso não senti nadica de nada, nem se me enrabaram durante minha letargia! Dois dias de hospital, passei bem embora tenham tentado me afogar com tanto soro que me aplicaram, foram litros e litros; recebi alta e fui repousar em casa.
Passados os efeitos anestésicos e analgésicos, vem a primeira vez..

PUTA QUI PARIU !!!

Parece que esta saindo um croquete de figo da Índia, casca de abacaxi, concha de ostra e arame farpado. É um autoflagelo. Parece que você tá cagando uma briga de cinco gatos, sai arranhando tudo. Defequei de pé, pois sentado achei que o cú ia junto...

Por uns três dias doem tanto que você não imagina uma coisinha tão pequena e com um nome tão reduzido (cú) possa doer tanto. O tamanho da dor não é proporcional ao tamanho do nome, neste caso, cú deveria chamar dobrovosky, tegulcigalpa, Nabucodonosor.


Passam pela cabeça soluções mágicas:


- Usar um ventilador ! Só se for daqueles túneis aerodinâmicos.

- Gelo ! Só se eu fosse escorregar pelado por uma encosta do Monte Everest.

- Esguichinho d'água ! Tem que ser igual a da Praça da Matriz, névoa seguida de jatos intercalados.

Descobri também que somos descendentes directos do bugio, porque você fica andando como macaco e com o cú vermelho; qualquer tosse, movimento inesperado, virada mais brusca, o cú dói, e como!

Para melhorar as idas à privada, recomenda-se dieta na base de fibras, foi o que fiz: comi cinco vassouras piaçaba, um tapete de sisal e sete metros de corda. Agora sei o sentido daquela frase: quem tem medo de cagar não come araçá !...

Tudo valeu, agora já estou bem, evacuando como manda o figurino, não preciso pensar para peidar, o cú ficou afinado em ré menor, uma beleza !


O pior é que usei Modess por 20 dias após a cirurgia e hoje estou sentindo falta dele !


Meu Deus ! 


[Luiz Fernando Veríssimo]

PS - Felizmente, as coisas do ponto de vista do tratamento e operação estão agora muito melhores... 

Comer ou Não Comer
Carne de Porco

O porco foi domesticado pelo homem há 5000 anos e a proibição de comer carne de porco aparece tanto na Bíblia como no Alcorão. Até hoje, o facto de judeus e muçulmanos não comerem carne de porco, foi entendida como uma regra religiosa.
No entanto, o antropólogo Marvin Harris explica os tabus das sociedades humanas como "ajustamentos" ao meio ambiente em que elas se desenvolvem. Sob essa perspectiva, consideramos que, como em Israel a criação de suínos era limitada pelo clima, muito quente e com pouca água, era muito mais rentável criar ovelhas ou cabras e estima que, daqui, tivesse surgido este tabu. 
Para entender essa tradição, uma das hipóteses mais recente e surpreendente é fornecida pelo arqueólogo judeu, israelita, Finkelstein, Director do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv, quando ele explica que o povo de Israel nunca esteve no Egipto, nem conquistou nenhuma “terra prometida”. E isso, porque sempre viveu nesta terra e foi aqui que ao longo do tempo, se foi formando como povo com identidade própria.
De acordo com Finkelstein, esses proto-israelitas eram as únicas pessoas nessa área que não comiam carne de porco, animais que se criavam naquelas terras. A prova de que nunca comeram carne de porco é que em nenhum dos povoados originais foram encontrados ossos de porco.

 Quando perguntam a Finkelstein a razão pela qual eles não comiam a carne deste animal responde:

- “Não sabemos. Talvez os proto-israelitas deixassem de comer carne de porco porque os seus inimigos a comiam em profusão e eles quiseram ser diferentes. A proibição bíblica é posterior, aparece 500 anos depois.

Por isso, quando os judeus de hoje observam esta proibição, não fazem mais que perpetuar a cultura mais antiga praticada pelo seu povo e hoje comprovada pela arqueologia.”

Concorda com esse crime?...
JUBIABÁ

Episódio Nº 194

Quando a mulher sai, curva como uma escrava, Dona Helena lhe diz:

 - Vá descansada, Xará. Agora mesmo vou falar com Ruiz. Ele ignora estas coisas. Mas eu vou contar e ele aumenta logo os homens. Você vai ver. Ele é tão bom.

António Ruiz, o proprietário das Panificações Reunidas veste a camisa de seda quando a mulher entra no quarto. Olha espantado para o rosto dela:

 - O que é que você tem, minha filha?

Se aproxima e beija novamente a esposa.

 - Está triste? Por que não vai ao cinema hoje?

Ri:

 - A greve não deixa amorzinho ter cinema…

 - É sobre a greve mesmo que eu quero falar com você, Ruiz.

 - Está metida em política, filhinha?

No outro quarto dorme a filha do casal entre bonecas num berço de fadas.

Dona Helena se recorda das crianças que passam fome nos becos:

 - Você precisa concordar com os homens e dar aumento…

O marido se volta de um salto.

- Hein? – a sua voz tem uma brutalidade que Dona Helena não conhece.

Mas ele se arrepende e diz com voz doce.

 - Você não sabe nada destas coisas, meu amor.

 - Quem foi que lhe disse que eu não sei. Sei mais do que você… (Dona Helena tem diante dos olhos o quadro das crianças esfomeadas). Sei de coisas que você não sabe…

E narra ao marido, com emoção, o que lhe contou a sua lavadeira Helena. Por fim sorri vitoriosa:

- Eu não lhe disse que sabia coisas que você não sabia?

Sua mulherzinha anda informada…

- Mas quem foi que lhe disse que não sei disso?

 - Você sabe… sabe… e…

Bateram muito em Dona Helena. Deram-lhe marteladas na cabeça, deram-lhe tanto que ela perdeu a voz. O marido se aproxima:

 - O que é isso, Lena? Eu sei, sim.

 - E não faz nada? Não aumenta estes homens? Concorda com esse crime?

 - Que crime, Lena? – o espanto de Ruiz não é fingido.

 - Que crime? – Dona Helena vai de espanto em espanto. – Então você acha que não é crime deixar esses homens, essas mulheres, essas crianças, essas crianças, Ruiz, crianças, passarem fome…

- Mas, minha filha eu não digo nada. Desde o princípio do mundo que é assim… Sempre houve pobres e ricos…

 - Mas Ruiz, são criancinhas passando fome… Você já pensou em Leninha passando fome? É horrível, meu Deus…

quinta-feira, dezembro 19, 2013

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Ruela mal iluminada, de luzes e sombras, de intimismo...



TONICHA - TU ÉS O É QUE FUMAS

Tonicha, ribatejana, não há quem a não conheça e ao seu reportório de canções populares e bem dispostas.


O alentejano e a vagina...



Um alentejano senta-se no comboio, em frente a uma ruiva, vestida com uma mini saia.
Nisto, dá conta que ela não tinha roupa interior. Então a ruiva diz-lhe:
- Está a olhar para a minha vagina ...
- Sim, desculpe!... - responde o alentejano.
- Não há problema! - responde a mulher, como és simpático vou fazer com que a minha vagina te mande um beijo.
Incrivelmente, a vagina manda-lhe um beijo!
O alentejano, fica totalmente doido! Nisto, pergunta:
- Que outras coisas sabe fazer?
- Posso também fazer com que te dê uma piscadela...
O homem observa uma vez mais assombrado, como a vagina lhe dá piscadelas.
A mulher, já muito excitada, diz ao alentejano:
- Queres enfiar-me dois dedinhos?...
Paralisado, o alentejano benze-se e responde:
- F***-se! Não me digas que também assobia?

A VIDA SEXUAL DOS PAPAS




Durante séculos os Papas determinaram a vida sexual de quase um quarto da população mundial. Mas enquanto pregavam a castidade, muitos levavam uma vida inteiramente devassa.

As histórias dos amores, paixões e vinganças de Papas famosos são apresentadas. A decadente corte papal de Avignon, as noitadas promovidas pelos Bórgia em Roma, a luxúria nos tempos de Leão X, Alexandre VI e muitos outros.

São mais de 300 páginas com centenas de histórias pouco santas sobre a vida sexual dos Papas da Igreja Católica. O livro do jornalista peruano Eric Frattini, recém-chegado às livrarias portuguesas e editado pela Bertrand, percorre, ao longo dos séculos, a intimidade secreta de papas e antipapas, mas não pretende causar "escândalo". Apenas "promover uma reflexão sobre a necessária reforma da Igreja ao longo dos tempos".

O escritor admite, aliás, que alguns dos relatos possam ter sido inventados, nas diferentes épocas, por inimigos políticos dos sumos pontífices. Lendas ou verdades consumadas, no livro "Os Papas e o Sexo" há de tudo. Desde Papas violadores e zoófílos a Papas homossexuais e fetichistas, além de Santos Padres incestuosos, pedófilos ou sádicos, passando por Papas filhos de Papas e Papas filhos de padres.

Alguns morreram assassinados pelos maridos das amantes em pleno acto sexual. Outros foram depostos do cargo, julgados pelas suas bizarrias sexuais e banidos da história da Igreja. Outros morreram com sífilis, como o Papa Júlio II, eleito em 1503, que ficou na história por ter inventado o primeiro bordel gay de que há memória.

Bonifácio IX deixou 34 filhos, a que chamava, carinhosamente, de "adoráveis sobrinhos". Martinho V encomendava contos eróticos, que gostava de ler no recolhimento do seu quarto.

Martinho V encomendava contos eróticos, que gostava de ler no recolhimento do seu quarto.

Paulo II era homossexual e Listo IV, que cometeu incesto com os sobrinhos, bissexual. Inocêncio VIII reconheceu todos os filhos que fez e levou-os para a Santa Sé. Um deles tornou-se violador. João XI (931-936) cometeu incesto com a própria mãe, violava fiéis e organizava orgias com rapazes.

Sérgio III teve o infortúnio de se apaixonar por mãe e filha e não esteve com meias medidas: rendeu-se à prática da ménage à trois. Bento V só esteve no Governo da Igreja 29 dias, por ter desonrado uma rapariga de 14 anos durante a confissão. Depois de ser considerado culpado, fugiu e levou boa parte do tesouro papal consigo.

João XIII era servido por um batalhão de virgens, desonrou a concubina do pai e uma sobrinha e comia em pratos de ouro enquanto assistia a danças de bailarinas orientais. Os bailes acabaram quando foi assassinado pelo marido de uma amante em pleno acto sexual. Silvestre II fez um pacto com o diabo. Era ateu convicto e praticava magia. Acabou envenenado.

Dâmaso I, que a Igreja canonizou, promovia homens no ciclo eclesiástico, sendo a moeda de troca poder dormir com as respectivas mulheres. Já o Papa Anastácio, que tinha escravas, teve um filho com uma nobre romana, que se viria a tornar no Papa Inocêncio I (famoso pelo seu séquito de raparigas jovens). Pai e filho acabaram canonizados.

Leão I era convidado para as orgias do Imperador, mas sempre se defendeu, dizendo que ficava só a assistir. Mesmo assim, engravidou uma rapariga de 14 anos, que mandou encerrar num convento para o resto da vida. Bento VIII morreu com sífilis e Bento IX era zoófilo. Urbano II criou uma lei que permitia aos padres terem amantes, desde que pagassem um imposto.

Alexandre III fazia sexo com as fiéis a troco de perdões e deixou 62 filhos. Foi expulso, mas a Igreja teve de lhe conceder uma pensão vitalícia, para poder sustentar a criançada.

Gregório I gostava de punir as mulheres pecadoras, despindo-as e dando-lhes açoites. Bonifácio VI rezava missas privadas só para mulheres e João XI violou, durante quatro dias, uma mãe e duas filhas. Ao mesmo tempo... João XI foi o Papa  nº 125, 931 a 935 por influência das intrigas da mãe que governava Roma. Ela acabou presa e ele refugiou-se entre os monges de Cluny. 

Meninos passando fome...
JUBIABÁ

Episódio Nº 193




A lavadeira ia a casa da patroa (fazia dois anos que não a via, desde que Clóvis se empregara) pensando nisso tudo. Será que Dª Helena se recorda da xará?

Dona Helena está na sala fazendo um bordado. O marido toma banho lá em cima, pois chegou da rua suado, depois de passar o dia todo em conferências, providenciando homens para trabalhar nas panificações.



Mal sabe que a lavadeira está ali e lhe quer falar, Dona Helena manda que ela entre. Larga o bordado que fazia à luz do candeeiro (o marido já reclamara: você estraga a vista Helena…) e sorri para a mulher que tem os olhos no chão.

- Então, xará, nunca mais veio nos ver?

 - Ocupada dona Helena. Os meninos não dão tempo para nada…

 - Sabe que nunca mais tive uma lavadeira como você, xará?

Helena sorri meia encabulada. Dona Helena se recorda que ela veio falar.

 - O que é que você quer?

Helena não sabe como começar. Agita as mãos, se atrapalha.

Dona Helena pergunta:

 - O que é que você tem? Aconteceu alguma coisa com os meninos? Ou com o seu marido?

- Acontecer não aconteceu Dona Helena… É a greve…

- Ah! a greve… Ruiz também anda aborrecido com esta greve…


 - Mas é só ele querer…

Dona Helena não sabe de nada. A lavadeira conta a vida do beco, os homens ganhando uma miséria na padaria, sustentando as famílias com este salário de fome, os filhos doentes.

Com esta greve, greve justa para pedir uns tostões a mais, as famílias estavam sem ter o que comer. Os seus filhos só tinham comido naquele dia porque a vizinha se compadecera. Mas tinha meninos passando fome…

Dona Helena se agita num assombro. Sua voz é dolorosa:

- Meninos passando fome? Não é possível, meu Deus…

Passando fome, sim. E uma pretinha morrera num tiroteio esta tarde. Ainda fora feliz. As outras em casa pediam comida e choravam.

 - Se isso demorar a gente tem que pedir esmolas… E os homens querem tão pouco.

Dona Helena se levanta emocionada. Com certeza Ruiz não sabe disso. Se ele soubesse já tinha aumentado o salário dos seus operários.

Ele é tão bom… Dona Helena leva a lavadeira à cozinha. Faz um farnel para ela No do que há de melhor. E ainda lhe dá vinte mil réis em dinheiro.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

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Hoje fui a Lisboa e como de costume, quando lá vou, ando a pé e passo por baixo do Arco da Rua Augusta como uma rota obrigatória. Desculpem, mas não existe em cidade europeia um mais lindo enquadramento urbano. Ao fundo, a estátua do Rei D. José e mais para lá o estuário do Tejo que não se vê por ser de noite.



Quarteto 1111 - A Lenda de Don Sebastião

Para mim, a melhor criação de José Cid. Estávamos em finais dos anos sessenta. A história do Quarteto 1111 começa no Estoril, em 1967, quando Michel Pereira (cujo número de telefone termina em 1111) se junta a José Cid, António Moniz Pereira e Jorge Moniz Pereira.
Estreiam-se com o single " A lenda de El-Rei D. Sebastião", que consegue ser o primeiro disco português a tocar no programa de rádio "Em Órbita", até aí só acessível à música anglo-saxónica.



A  POUCO


RECOMENDÁVEL 



IDADE MÉDIA…




Durante mil anos, do Século V ao XV, decorreu um período a que chamámos de Idade Média porque ocupa um grande "vazio" entre a saudosa Antiguidade Greco-Romana e os tempos modernos. A mim, sempre me pareceu uma época tenebrosa na qual não gostaria de ter vivido:

 - Por um lado, a Inquisição da Igreja Católica, por outro, o despotismo e prepotência dos nobres que pulverizavam entre si o poder e finalmente, a completa ausência de direitos do povo.

Foi um período anárquico e confuso da sociedade europeia e ainda mais da nossa península ibérica por causa dos mouros a Sul e a Oeste onde nasceu o nosso Portugal, no Século XII.

E foi exactamente num belo dia desse Século XII, que o fundador do nosso país e seu primeiro rei, D. Afonso Henriques, andava em passeio pelas terras sob seu domínio, no Douro, quando resolveu visitar um dos seus fiéis barões, D. Gonçalo de Sousa que vivia na sua quinta em Unhão.

Claro que, D. Gonçalo, em quem Afonso Henriques se tinha apoiado na sua luta contra o reino de Leão e Castela, recebeu o seu senhor o melhor que pôde e deixou-o na sala a conversar com a Condessa, sua esposa, enquanto foi para a cozinha dar instruções à criadagem para a preparação do jantar… real.

Nesses tempos, o jantar, como era de hábito de então, era comido a meio da tarde, algumas horas depois do almoço que era servido por volta das 10 ou 11 horas da manhã.

Não havia uma grande variedade de comida: a alimentação constava sobretudo de carne assada de animais caçados na coutada do conde, acompanhada de pão, couves e talvez puré de castanhas, tudo regado com vinho que D. Gonçalo guardava em grandes barris na sua adega.

Não havia então na Europa e na Península conhecimento da existência de batatas, feijões, milho, alimentos que só muito mais tarde haveriam de ser conhecidos com a descoberta da América.

A carne de veado ou cervo era muito apreciada pela nobreza, mas o mais corrente era comer-se coelho, lebre, galinhola ou com alguma sorte, faisão.

Também havia ursos na coutada e nas serranias fora dela, assustando os raros viajantes que transitavam a pé ou de mula pelos carreiros ou pelos troços que sobreviveram das antigas estradas romanas, mas os caçadores só os afrontavam, tal como aos lobos, quando isso era necessário à sua própria sobrevivência.

Caçar era o grande passatempo desta nobreza turbulenta, quando não andava metida em guerras entre si, desafiando reinos vizinhos ou contra os mouros do Sul. Um plebeu que fosse apanhado a pôr armadilhas para coelhos ou a atirar fisgadas a perdizes, o mais provável era não escapar com vida.


Amor Sobre a Pele de Urso


D. Gonçalo, vestindo quase de certeza uma túnica pouco limpa e bastante remendada cingida na cintura por um largo cinto de cabedal, lá andava pela cozinha a dar ordens aos servos (alguns dos quais, percebia-se pela pele bronzeada e barba preta, serem escravos mouros) entre as panelas e os tachos de barro e de cobre inevitavelmente sobrevoados por esquadrilhas de moscas e varejeiras, enquanto a condessa num banco dos que se fecham em tesoura, conversava com o rei.

Aproveitando-se da ausência do marido tombou a mulher dele, Dª Sancha Álvares sobre uma pele de urso e tratou de satisfazer a sua lascívia.

Entretanto, chegou D. Gonçalo da cozinha que surpreendendo o seu rei em tal despautério disse com a garganta entaboada:

 - Levantai-vos, senhor, que a comida está na mesa...

Enquanto el-rei D. Afonso Henriques se banqueteava, foi-se o marido ultrajado à mulher e, tosquiando-lhe os cabelos e pondo-lhe às costas uma pele de cabra, colocou-a em cima de um burro, aparelhado de cilha e albarda, sentada ao contrário e dando com ela uma volta por onde estava el-rei com os seus cavaleiros mandou-a de volta para casa do pai.

Quem não gostou desta cena foi D. Afonso Henriques que ficou enfurecido jurando-lhe pela vida.

Por um lado, doía-lhe ter abusado da confiança de um nobre servidor mas por outro, não gostara do repique que muito o confundia e envergonhara aos olhos dos seus.

Hesitante , porém entre enviá-lo de presente ao diabo ou passar adiante, chamou-o à sua presença e disse-lhe:

- Por muito menos, cegou um adiantado de meu pai a sete condes...

- Cegou-os à traição, senhor, mas disso morreu.

- E se eu te mandar cortar a cabeça...?

 - Senhor, mais vale. Homem borrado, morto é.

D. Afonso Henriques ficou a meditar naquela palavra. Teria, pois, de comer bem e beber melhor filosofando como Herádio que  "se havia de correr a atalhar a ira como a um incêndio", e montando a cavalo, despediu da Quinta de Unhão, vencido o instinto sanguinário.

Era esta a pouco recomendável Idade Média dos reis e senhores, cavaleiros e fidalgos e do povo que não podia comer um coelho apanhado nos terrenos do amo sob pena de ser castigado com a morte.



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