sexta-feira, dezembro 23, 2011

ATENÇÃO


A Tereza vai de férias de Natal e regressa no dia 26. Desejo, sinceramente, que passem estes dias em família e com amor e... muitas prendinhas do velhote de barbas barrigudo.



= BOM NATAL! =

ESPECIAIS BOAS FESTAS PARA OS VISITANTES DO MEMÓRIAS FUTURAS

Divórcio Judeu




Na antevéspera do Ano Novo Judaico, Boris Sylberstein, patriarca judeu e a mulher, Sara, moradores num Kibutz perto de Telavive, visitam um dos seus filhos na capital de Israel:

- Jacobzinho, odeio ter que te estragar o dia, mas o Pai precisa de te dizer que a Mãe e eu nos vamos separar, depois destes 45 anos!

- O Pai enlouqueceu! O que é que está a dizer? - grita Jacob.

- Já não conseguimos sequer olhar um para o outro. Vamos separar-nos e acabou-se! Liga à tua irmã Raquel a contar.

Apavorado, o rapaz liga para a irmã, que vive em Viena e conta-lhe a terrível notícia. Raquel fica em estado de choque, ao telefone:

- Os nossos pais não podem separar-se de maneira nenhuma! Chama já o Pai ao telefone!

O ancião atende e a filha balbucia na maior emoção:

- Não façam nada até nós chegarmos aí amanhã, ouviu?

Vou telefonar também ao Moisés para São Paulo, ao Salomão para Buenos Aires e à Ester para Nova Iorque e amanhã à noite estaremos aí todos. Ouviu bem Pai?

Desliga, sem esperar pela resposta do Pai. O velho pousa o auscultador no descanso, vira-se para a mulher e, sem que Jacob ouça, diz-lhe em voz baixa:

- Pronto, Sara, vêm todos para a Ano Novo. Só que, desta vez, não temos de lhes pagar as passagens...!

Reflexão de vida:

- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas.


Obs - Absolutamento verdadeiro para o comum dos mortais... Como dizia o povo: "aprendemos à custa dos nossos erros" - as más escolhas...


TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 290




Finalmente, a porta é aberta, Peixe Cação atira-se corredor adentro e quem vê em sua frente? A coisa ruim, a arruaceira, a desbocada Tereza Batista. Aliás, naquele instante, Tereza Pé nos Culhas, nos culhas do comandante Cação com toda a força do bico quadrado do sapato de última moda, oferta de seu amigo Mirabeau Sampaio, para quem posara, servindo de modelo para uma Nossa Senhora da Aleitação.

- Ai!

O grito de morte do investigador paralisa as tropas invasoras, Tereza se esgueira entre os polícias, sai porta a fora acompanhada por outras mulheres. Peixe Cação arreia, as mãos a segurarem os bagos, naquele instante não pensa sequer em vingança, tamanha dor. Só minutos após, quando consegue levantar-se com a ajuda de dois secretas, mistura aos uivos as pragas de ódio.

Majestosa, em passo comedido de rainha de carnaval e do puteiro, dona Paulina de Sousa desfila entre quatro tiras, guarda de honra, até um dos carros celulares, onde a deixam em companhia de súbditas detidas antes. Ela as tranquiliza, não temam, Ogum Peixe Marinho disse que tudo terminará a contento, quem não arrisca não petisca.

Cercada pelos soldados da polícia militar, Tereza escapa entre as patas dos cavalos, corre, sobe a escadaria da Igreja do Rosário dos Negros, encosta-se numa das portas. Outras mulheres fazem o mesmo, os cavalos não podem subir os degraus, mas os tiras se aproximam para arrancá-las dali.

Nas costas de Tereza a porta se entreabre e, ao entrar Igreja adentro, ela ainda pôde ver, desaparecendo atrás do altar, imponente velho de barbas e bordão. Quem sabe o sacristão, um sacerdote, um santo? Mesmo as putas têm patrono, Santo Onofre. Teria sido ele ou um dos orixás da corte de Tereza?

Na Longa noite da Batalha do balaio Fechado – título dado pelo poeta Jehová de Carvalho ao largo e ardente poema em que cantou os feitos e as provocações daquela jornada – aconteceram muitas coisas sem explicação, incompreensíveis para a maioria, mas não para os poetas.

Das pensões do Pelourinho saem mulheres em desabalada correria, algumas atiradas nos passeios pelos guardas e detectives. Precipitam-se para a Igreja. Outras chegam do Maciel e do Taboão, em busca de abrigo e segurança. Algumas, postas de joelhos rezam o padre-nosso.

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Depois da moqueca de siri mole acompanhada de cerveja geladinha, Anália e Kalil tomam um ónibus em direcção ao Largo da Sé. Dona Paulina de Sousa dera ordens às inquilinas para regressarem cedo, afim de evitar possíveis conflitos com inconformados fregueses.

Na altura da Praça Castro Alves, porém, Kalil, batendo na testa, convida Anália a descer:

- Ia-me esquecendo de novo.

- O quê, meu bem?

- Do Santo Onofre de dona Paulina.

Não se contentando em favorecer bons negócios e facilitar dinheiro aos devotos, Santo Onofre é o padroeiro oficial das mulheres-da-vida. Nos bordéis e pensões que se prezam, nas salas de jantar, a imagem do santo, cercado de flores e velas votivas, é muitas vezes vizinha de pejis onde estão assentados poderosos orixás. (click na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 32 SOBRE O TEMA:


“PARA QUE SERVE A ORAÇÃO” (1)



Como Jesus Orou



Em várias ocasiões, os Evangelhos referem-se ao costume de Jesus rezar ao ar livre e no silêncio da noite (Lucas 5.16). Falava assim com Deus, independentemente dos ritos conhecidos, para chamar a atenção dos seus contemporâneos. Em Israel não era uma prática comum que uns intercedessem por outros, isso era privilégio de profeta, o homem que sentia a responsabilidade e preocupação pelo seu povo.

Além disso, nas orações das pessoas comuns de Israel, Deus era visto como um rei distante. A oração era uma forma de lhe prestar homenagem. E daí a tendência de rezar com fórmulas fixas, solenes, criada por tradições antigas. Portanto, a oração que Jesus ensinou ao seu grupo, o Padre-Nosso, teve que chamar muito a atenção: nela, Jesus chama Deus de "Abba" (Papai, papai). Ao falar assim, Jesus retirou a oração do ambiente litúrgica e sagrado onde a tradição de Israel a tinha colocado e pô-la no centro dão quotidiano da vida.

Constituía uma grande novidade dirigir-se a Deus com tal espontaneidade e confiança. Com o Padre-Nosso, ao contrário das fórmulas fixas para serem repetidas em oração, Jesus propôs uma nova relação de confiança com Deus.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

VÍDEO


Ele, salva vidas.

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TRISTÃO DA SILVA - AI SE OS MEUS OLHOS FALASSEM

Com esta voz soberba é difíl de acreditar que Tristão da Silva era gago, mesmo muito gago mas a cantar a gaguês desaparecia por completo.


Dois brancos e um negro estão num andaime, a lavar os vidros de um grande edifício.

De repente, o negro dá um gemido, vira-se para um dos brancos e diz:

- Ai, ai, ai! Preciso cagar, vou cagar aqui mesmo!

- 'Tás maluco, pá! Vais sujar toda a gente lá em baixo!

- Mas não aguento mais, meu! Não vai dar tempo para descer!!!

- Então, bate na janela e pede à senhora que te deixe usar a casa de banho, aconselha um dos brancos.

E é o que ele faz.

Assim que a velha permite a entrada, ele voa p'rá sanita.

Está o negro tranquilo e aliviado, quando ouve uma gritaria sem fim.

Quando sai, vê que o andaime se tinha partido e os dois brancos que trabalhavam com ele se tinham espatifado no chão.

No dia seguinte, no velório, estão lá os amigos, as viúvas inconsoláveis e o negro acompanhado da esposa, quando chega o dono da empresa onde trabalhavam.

Imediatamente todos se calam.

O empresário começa o seu discurso, dirigindo-se às viúvas:

- Sei que foi uma perda irreparável, mas vou, pelo menos, tentar aliviar tanto sofrimento. Como sei que as senhoras vivem em casas alugadas, darei uma casa a cada uma. Também sei que as senhoras dependem dos autocarros, por isso, darei um carro a cada uma. Quanto aos estudos dos vossos filhos, não se preocupem mais, pois tudo será por conta da empresa até que terminem a Faculdade. E, para finalizar, as senhoras receberão todos os meses 1000 Euros, para as compras.

E a mulher do negro, já meio arroxeada, não se conteve mais e diz ao ouvido do marido:

- E tu a cagar, né, seu preto de merda???

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA




Episódio Nº 289



No sobrado, a equipa encarregada das vendas, tendo completado a divisão do precioso material, sob competente comando de Cincinato Gato Preto, ficara na indolência, a guardar tanta maconha e proibida de usá-la, uma malvadez.

A maior pare dos móveis trazidos na véspera da Barroquinha no camião da Polícia e ali abandonada tinha sido requisitada por vagabundos e mendigo0s, no correr do dia. Restavam alguns colchões, foram transportados para a sala e neles os rapazes se estenderam para esperar. Longa espera, irresistível visão dos cigarros de maconha.

Em breve debate puseram-se de acordo a respeito de constituir evidente absurdo a restrição ditada pelo detective Dalmo Coca. A quem ofenderiam queimando um ou dois cigarros enquanto aguardam? Que mal há nisso? Nenhum, evidentemente. Cincinato Gato Preto, moço de reconhecida seriedade nos compromissos assumidos, acabou por concordar, também ele sentindo-se necessitado.

Voluptuosamente reclinados nos colchões, fumam e sonham quando Camões Fumaça e o meia-foda invadem a sala. Cincinato Gato Preto ama a tranquilidade na hora da viagem. Levanta a cabeça, fita os recem-chegados e os reconhece. Vieram, com certeza trazer o recado do chefe Coca:

- Está na hora?

Camões explica o fracasso do negócio montado pelo detective. A zona virou um inferno, pancada, correrias, tiros, nem um maluco fugido do hospício pensaria em vender erva com a cavalaria e a polícia concentradas no local, a cana comendo.

Ouviram na rádio do carro. Céptico, Cincinato não acredita numa palavra da lengalenga de Camões que termina por anunciar:

- Não nos pagaram nem um tostão, vamos levar nossa mercadoria.

- Levar uma porra! Gato Preto faz um esforço, senta-se no colchão, repete. – Levar uma porra!

Camões Fumaça, sob o efeito da maconha, é o pai da valentia:

- Porra você vai engolir agora mesmo, seu escroto.

Alguns maconheiros põem-se de pé, o rolo começa. O pigmeu puxa de uma navalha, investe. Um cigarro aceso rola no colchão furado, cai na palha seca. A fumaça se estende, logo as labaredas

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No Pelourinho, onde entraram em ofensiva os exércitos da moral e da lei sob o comando do detective de primeira classe Nicolau Ramada Júnior, o quadro se assemelha ao do Maciel: mulheres batidas, arrancadas das casas, trazidas para a praça, encurraladas, perseguidas pela cavalaria.

Ali é mais difícil esconder-se, escapar, as saídas das ruas para o Terreiro de Jesus e a Baixa dos Sapateiros estão tomadas pelos carros da polícia. O pau canta com vontade, as ordens são de bater até que as criminosas se decidam a fazer a vida, a abrir os balaios. Está em plena execução o Retorno Alegre ao Trabalho.

A invasão da casa principal de dona Paulina de Sousa, dirigida pessoalmente por Peixe Cação, acrescentou aos detalhes da batalha, a novidade das barricadas. Não confiando na resistência das fechaduras, as renegadas encostaram pesados móveis na porta, fazendo ainda mais difícil aos policiais o cumprimento do dever, levando o irritado Nicolau ao cúmulo da raiva. ( click na imagem)

ENTREVISTA FICCIONADA



COM JESUS Nº 32 SOBRE O TEMA:


“PARA QUE SERVE A ORAÇÃO?”



RAQUEL - Depois de desfrutar o delicioso peixe do lago da Galiléia, estamos novamente com Jesus Cristo, que já não ia a esses lugares há dois mil anos. Com ele temos várias questões pendentes. Está pronto, Jesus Cristo?

JESUS - Pronto. Depois de comer, pensa-se melhor.

RAQUEL - Podemos voltar aos milagres e às orações a pedir milagres?

JESUS - Claro, Raquel.

RAQUEL - Diga-nos, Jesus Cristo. Se Deus faz milagres, como nos disse, para que serve rezar e andar a pedir saúde, um emprego ou ficar bem num exame? Serve de alguma coisa rezar?

JESUS - Serve de muito e serve de nada. Lembro-me de um dia, aqui em Cafarnaum, a mãe de Pedro ficou muito doente. Não havia como aliviá-la, estavam orando por ela… eu cheguei, peguei-lhe na mão, conversamos, contei umas graças… é preciso rir, e ela melhorou. De tal forma que se levantou foi fazer-nos uma ceia, alguns peixes que foi a nossa refeição.

RAQUEL - Mas ... ficou curada?

JESUS - Ficou aliviada por alguns dias. Ela era muito velha e morreu pouco depois. Era a sua vez.

RAQUEL - Mas se a sua família rezava e o senhor não fazia a cura milagrosa, por que me conta essa história?

JESUS – Para que entendas que a oração não é para pedir milagres, mas para pedir forças. Deus não muda as leis da natureza para operar milagres. Não vai mudá-las por tua causa, por causa das tuas orações. Deus é justo, teria que mudá-las por todos os seus filhos e filhas, rezassem ou não.

RAQUEL - E se o senhor não consegue o milagre par que peço eu forças?

JESUS - Para levantares a cabeça e deixares de choramingar. Para alargares o teu coração, compreenderes que a vida continua e tudo isso vai-te te dar novo incentivo, talvez até mesmo curar-te.

RAQUEL - E se não me curo?

JESUS - Se não te curares não te vais sentir sozinho. Sabes que Deus está contigo, que te dá a mão na hora difícil. Naquela tarde, para a mãe de Pedro, a minha mão era a mão de Deus. Eu dei-lhe a força para ela se levantar e depois, quando ela morreu, também lhe dei a mão até ao fim. É isso que a oração faz sentirmo-nos juntos, não importa o que aconteça.

RAQUEL - Muitas pessoas procuram o poder em amuletos, pedras, estampas, velas, relíquias, escapulários ... O que o senhor acha disso?

JESUS - Se isso ajuda ... Eu tenho visto crianças que só são capazes de dormir agarrados a um boneco.



RAQUEL - Então, não peço nada de Deus? ...O senhor lhe pedia o pão de cada dia.

JESUS - Eu pedia e depois saía a procurar porque não basta rezar. A minha mãe ensinou-me que "Deus ajuda quem se ajuda a si próprio". E meu pai sempre repetia: - "Deus ajuda aqueles que dão o martelo".

RAQUEL - Uma última pergunta. Dizem que o senhor orava nas montanhas. Alguma invocação misteriosa?

JESUS - Não, nenhum mistério. Já te disse, falava com Deus. Não falas com o teu pai e a tua mãe sobre o que se passa? Não falas com os amigos? Se estás triste e falas a tua tristeza é reduzida para metade. Se estás feliz e falas, a tua alegria multiplica-se. A oração também serve para isso.

RAQUEL - E vocês, amigos ouvintes, o que acham? Com que amuleto vão para vida? Ou com que oração?

Lembrem-se que as Emissoras Latinas estão sempre disponíveis e Jesus também ... mas não esperes nenhum milagre.

DeCafarnaum, RaquelPerez.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

VÍDEO


Senhora sem preconceitos...

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Espigueiros - Construções de pedra, normalmente de granito, cuja função é guardar o milho dos roedores e permitir que ele seque pela passagem do ar pelas frestas. Usa-se no norte de Portugal, especialmente no Minho mas também na Galiza e em outras regiões de norte de Espanha. Com semelhanças, aparecem também nos países da Escandinávia.


(click na imagem)

Dois trabalhadores do Departamento de Urbanismo de uma Câmara situada aí algures, para não ferir susceptibilidades, cavavam buracos: um abria o buraco e o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco.

Trabalharam num lado e depois no outro lado da rua.

No fim, passaram à rua seguinte, sem nunca descansar.

Um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez.

Um espectador, divertido com a situação, mas não entendendo porque eles faziam isto, foi perguntar a um deles:

- Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo porque é que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.

O cavador, limpando a testa, suspira:

- Bom, isto pode parecer estranho porque, normalmente, somos três homens na equipa; mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente ...

FRANCISCO JOSÉ - NEM ÀS PAREDES CONFESSO

Dezenas de artistas em Portugal e no Brasil cantaram esta canção, um enorme êxito de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa. Infelizmente não consegui localizar a interpretação do Tristão da Silva mas que dizer da voz de Francico José o nosso alentejano de Évora que fez carreira no Brasil?...


VÍDEO


O mais incrível truque de cartas que eu já vi...

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TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 288



A voz troante do astuto caça votos ressoa no interior de milhares de residências. Nem da Tribuna do Conselho Municipal. Em toda a cidade os aparelhos de rádio estão ligados, a população atenta às notícias dos acontecimentos, ao destino do balaio fechado.

“De coração sangrando”, Reginaldo Pavão dirige-se aos “ouvintes da rádio Abaeté, ao povo da Bahia, à população soteropolitana”, relata o “dantesco espectáculo, a desenrolar-se ante seus olhos “obliterados pela emoção” comparando-o àqueles ocorridos “na Roma dos Césares de que nos fala a sublime história universal”. As palavras vibram no ar: “Tenho a voz embargada pelas lágrimas.”

Lança comovente apelo às prostitutas: “Confio no patriotismo das gentis patrícias que os temporais da existência atiraram ao lupanar. Não irão cometer a indelicadeza de deixar os heróis da Atlântico Sul, os invencíveis filhos da gloriosa nação americana, na…” Como dizer? Diga “a ver navios”, vereador, use a expressão do comissário Labão Oliveira já popularizada pelos locutores escondidos nos vãos das portas do Maciel e do Pelourinho. “…não deixarão a ver navios aqueles bravos que arriscam a vida para que todos nós – inclusive vós, gentis patrícias, galantes madalenas – gozemos das venturas e dos benesses da civilização. Vossa inconveniente abstinência ameaça criar um problema diplomático, atentai na gravidade do facto, minhas caras irmãs prostibulares”.

Indescritível sucesso alcança o patético discurso junto aos ouvintes da Rádio Abaeté. Pena não haja chegado apelo tão comovente às rameiras, ocupadas em apanhar e a fugir, espalhadas nas ruas, salvando-se das patas dos cavalos.

Em seguida, Reginaldo Pavão dirigiu-se a Sua Excelência, o Governador do Estado, “com o respeito devido à alcandorada figura do grande homem colocado à testa dos gloriosos destinos da Bahia”, invocando-lhe os sentimentos cristãos e a comprovada capacidade de estadista”. Os marinheiros rumam para terra, as mulheres resistem às ordens da polícia, a situação no baixo meretrício é melindrosa, o conflito em curso poderá estender-se e ameaçar a tranquilidade das famílias baianas. O nobre vereador recorre ao nobilíssimo Governador: “Ordene, Excelência, a libertação das donas-de-pensão ainda presas e lhes permita a reabertura das casa ontem fechadas pela polícia disposta a mudá-las da Barroquinha para a Ladeira do Bacalhau”. Trata-se de uma emergência, governador, suspenda a ordem de mudança, impeça que o conflito “ainda restrito nos limites da zona, assuma proporções de catástrofe nacional, quiçá internacional”!

Na cidade em pânico, famílias trancam as portas das residências, os telefones do Palácio do governo e da Chefia da Polícia não param de tocar, reclamando providências.

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No interior do Buick escondido no matagal, Camões e o companheiro escutam o apelo do vereador Reginaldo Pavão. Haviam ligado a rádio para obter agradável fundo musical à puxada de fumaça, Camões presta atenção:

- O negócio pifou. Vamos buscar o que é nosso enquanto é tempo.

- É isso, concorda o outro, atarracado, quase um anão, criatura de poucas palavras.

Assume o volante, leva o Buick para o destruído passeio da Ladeira do Bacalhau. Os dois sócios sentem-se em forma, dispostos a reaver a mercadoria e transportá-la de volta. Desde o começo esse assunto marchou mal, cheio de embaraços.
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


À ENTREVISTA Nº 31 SOBRE O TEMA:



“DEUS FAZ MILAGRES?” (2 e últ.)



Torres mal Construídas


No Evangelho de Lucas (13.4) Jesus refere-se a uma torre de Siloé, que matou dezoito galileus quando se desmoronou. Muitos desastres poderiam ser evitados se os construtores dessas "torres” fossem responsáveis no seu trabalho, se todos os trabalhadores e profissionais fossem competentes. Há muito sofrimento desnecessário no mundo, muito sofrimento que causamos a nós mesmos e que causamos aos outros. Por isso, é muito sensata e útil a oração que se tornou popular em várias versões e em diferentes ambientes:

- “Deus me dê força para mudar o que é possível mudar, dá-me paciência para aceitar o que não pode ser alterado e dá-me sabedoria para distinguir uma coisa das outras. "

terça-feira, dezembro 20, 2011

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Nos prédios altos dos bairros antigos os moradores vão ficando velhos, sós e doentes e as poucas coisas que podem comprar sobem por este "elevador" com a cumplicidade amiga do rapaz da mercearia...


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Natal Digital

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A Júlia Pinheiro foi fazer uma reportagem a um lar de dia de idosos e enfia logo o microfone nas trombas duma velhinha que por acaso era surda como uma porta.
E começou a entrevista:


- Ó D. Engrácia, tem televisão?

- Se tenho tesão? Já tive, minha filha... Ohhh, se já tive!!!!

Engasgada, a Querida Júlia tenta dar a voltar à situação e faz-lhe nova pergunta:

- E telefonia, D. Engrácia? Tem?

- Ah!!! Se fodia!!! Fodia muito, minha filha!...

Já quase a perder as estribeiras, a Querida Júlia ainda arriscou perguntar-lhe se pagava taxa.

A D. Engrácia respondeu logo:

- Pois claro que era na paxaxa... No meu tempo não tínhamos cá essas modernices de levar no cu...

A Júlia Pinheiro desmaiou e acordou no hospital!

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA






Episódio Nº 287




De revólver em punho, o comissário Labão Oliveira dirigiu pessoalmente o assalto ao bordel de Vavá. Galgou a escada à frente de alguns tiras de confiança, mandou pôr a porta abaixo, transpôs os batentes de entrada. Não havia vivalma nos dois andares do enorme sobradão. Cubículos desertos, silêncio absoluto. Onde se meteu o cafetão? Ah! Se o comissário o encontrasse, sabia como obrigá-lo a ditar contra-ordem, a decretar a abertura dos balaios. Contava fazê-lo, obtendo assim rápida vitória pois quem manda e desmanda na zona é Vavá, sua palavra é lei. Onde se escondeu o filho-da-puta do aleijado?

A um sinal de Labão, a porta do quarto é arrombada, os tiras invadem os aposentos do paralítico, nem sombras de Vavá. Raivosos, arrancam os lençóis da cama, rebentam objectos de uso e estimação, forçam a fechadura da escrivaninha, espalham e rasgam papéis, tentam abrir o cofre embutido na parede, não conseguem.

Recordando-se dos áureos tempos da repressão aos candomblés, quando ainda simples secreta contratado em promissor começo de brilhante carreira, o comissário Labão, a quem nada nos Céus e na Terra amedronta, dirige-se ao peji e começa a destrui-lo. Nenhum tira se atreve a ajudá-lo, cadé coragem? Alírio, secreta dos mais desassombrados, assassino frio, se apavora e grita:

- Comissário, não faça isso, não seja doido, não toque em Exu!

- Seus merdas! Cambada de pusilânimes! Estou cagando para Exu!

Voam tridente, lança e Ogô, os ferros sagrados de Exu, desfaz-se o monte de terra, seu assento, espalham-se pelo quarto comida e bebida: o xinxim de bode e as cabeças dos doze galos negros. Os tiras olham sem participar, o comissário reduz o peji a pandarecos Cospe com raiva e nojo:

- Que fazem aí parados? Vão botar as putas no trabalho, bando de covardes. Ou estão com medo das mulheres?

Olha o relógio. Dentro em pouco os marinheiros desembarcarão, o tempo urge.

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Arrastadas para a rua, as mulheres correm, escapam, metem-se pelos becos, desaparecem. Os soldados de cavalaria tentam mantê-las encurraladas, não é fácil. A perseguição se estende pela zona.

Os fregueses dos bares, tendo à frente o alemão Hansen, atiram garrafas vazias sob as patas dos cavalos, protestando contra a violência da Polícia. O poeta Telmo Serra ocupa o microfone da Rádio Grémio da Bahia, pronuncia a palavra vandalismo.

A zona está pegando fogo! – a frase de um dos locutores faz crescer o pânico na cidade, pois muitos ouvintes a entendem no sentido literal e não figurado, notícias de incêndio começam a circular. A luz dos flashes dos fotógrafos ilumina figuras de raparigas, algumas apavoradas, outras raivosas. Coberto de merda e mijo, fedor medonho, O detective Dalmo (Coca) Garcia abandona a liça.

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Para um apelo fadado a grande repercussão em toda a cidade, ocupa os microfones da Rádio Abaeté, “instalados no coração da batalha”, o vereador Reginaldo Pavão, “essa figura popular das lides políticas que aqui se encontra, enfrentando ao nosso lado considerável perigo, na benemérita tentativa de encontrar saída para a situação, cuja gravidade cresce a cada instante”.



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INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 31 SOBRE O TEMA :

"DEZ FAZ MILAGRES?" (1)


Director de um Casino


O problema do mal no mundo sempre foi, para qualquer consciência sensível, o Maior Problema enfrentado pela fé em Deus. Essa dificuldade vem de uma certa imagem de Deus: se Deus é o criador de tudo, se é todo-poderoso e infinitamente bom, por que é que Ele permite o sofrimento, os desastres, a morte? Não poderia evitar isso? Não poderia agir para impedir o mal, não poderia fazer milagres para livrar-nos de tanta dor?


Às vezes, são as metáforas, as comparações, que nos ajudam, não a dar a resposta, mas a perguntar noutra direcção. É isso que faz o teólogo alemão Eugen Drewermann quando reflete:

- “Um Deus não é concebível como o homem que planeia o horário dos trens. Se me permitem uma imagem, utilizaria a de um director de um casino que não coloca todos os jogadores a ganhar pela curiosidade em saber o que iria acontecer. Eu imagino um Deus que se adianta à realidade do mundo tal como ele é. Se existe, renunciou a saber qual será o destino deste mundo. Para as ciências naturais, que são movidas pela relação entre o acaso e a necessidade, é uma imagem apropriada que nos permite entender por que tantas maravilhas coabitam a nossa terra em simultâneo com tanto sofrimento. As duas coisas estão relacionadas de uma maneira inseparável e há que assumi-lo e até ao fim.


Os seres humanos têm que aprender a aceitar um mundo aberto e não determinado, porque é isso que nos torna totalmente responsáveis pelas nossas acções.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

VÍDEO

A Ferrari utilizou vários dos seus carros de corrida armazenados em várias partes do mundo para os pôr a "voar" em cidades como: Roma, Rio de Janeiro, N. York, Hon-Kong, Honolulu e Mónaco. O melhor é o som, baixo-profundo do início da era dos motores dianteiros terminando com o "lamento" do F.1 moderno. As cenas envolvem modelos cada vez mais recentes. É uma sensação incrível...


Marisa Monte & Cesária Évora - É Doce Morrer no Mar

Cesária Évora faleceu mas a sua voz grave e as suas mornas ficarão para sempre connosco.

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Uma casita à beira-mar...


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VÍDEO


Pesca de homem...
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Curiosidades…

- Há três dias que não falo com a minha mulher… não gosto de interrompê-la.

- Sempre que saímos, a minha mulher e eu, caminhamos de mão-dada. Se a solto ela foge para as compras.

- Alguns amigos perguntam-me qual o segredo para um tão longo casamento. Respondo que reservamos tempo duas vezes por semana para ir ao restaurante jantar à luz das velas com música ambiente e baile. Eu vou às quintas e ela às sextas.

- Li recentemente que o amor é uma questão química. Deve ser por isso que a minha mulher me trata como lixo tóxico.

- Depois do casamento, marido e mulher são as duas faces da mesma moeda: continuam juntos mas não se podem ver...

A POLÍTICA DA MERKEL E A HISTÓRIA

O historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.

A Guerra Fria cancela a dívida alemã.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.

No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.

À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.

Tiram-nos tudo - "até a camisa" .
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.

E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.

Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".

Albrecht Ritschl Professor of Economic History London School of Economics

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 286


A maioria dos curiosos prefere manter-se no Terreiro de Jesus à espera dos acontecimentos. Na área cercada apenas uns quantos renitentes fregueses, discutindo nas mesas dos bares, traçando cervejolas.

Não se enxerga uma única mulher a fazer a vida. As que não estão passeando permanecem no interior das pensões, a descansar. Enviados pelo comissário Labão, os tiras apresentaram um ultimato às sediciosas: têm meia-hora para abrir as casas, assumindo os postos habituais nas portas, nas janelas, nas salas de espera, no trotuar, ou bem paradas nas esquinas. Nem resposta.

Apenas os bares estão funcionando. Castelos, bordéis, pensões, fechados às escuras. Nada lembra a animação costumeira, não se ouvem palavrões, nem risos de deboche, nem o cicio dos convites, as ofertas chulas, tentadoras, o passar dos homens, a exibição das mulheres seminuas, apenas o eco das patas dos cavalos nas pedras negras do calçamento.

A Semana Santa caindo na segunda quinzena de Setembro, louco calendário.

Até o cego Belarmino com mais de vinte anos de ponto fixo em frente ao movimentado bordel de Vavá de onde só se afasta em dias de grandes cerimónias religiosas se retirara, cansado de esperar pelos caridosos fregueses, indo esmolar na escadaria da catedral. Para cada sítio o reportório certo:

Salve o menino Jesus
Em seu berço de luz
E o senhor São José
Protector de nossa fé
E a santa Virgem Maria
Com bondade e cortesia.

No Maciel, empunhando o revólver, o comissário Labão Oliveira dá ordens de marcha às tropas dos bons costumes e da moral. No Pelourinho, com um minuto de atraso devido à porcaria do relógio apreendido a um contrabandista, Peixe Cação avança, seguido pelos tiras e guardas.

A batalha começou! – proclama o locutor da Rádio Abaeté, onde está a notícia está a Abaeté, na água e no fogo, na paz e na guerra. A zona virou um pandemónio! – vibra ao microfone a voz de Pinto Scott, a garganta de ouro da rádio grémio da Bahia.

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As portas das pensões e dos castelos são abertos na violência aos pontapés, na força dos ombros dos policiais. Guardas e tiras invadem as casas, agridem as mulheres, obrigando-as a sair à rua. Entram em cena os cassetetes, os bastões de borracha, alguns secretas preferem soqueiras de ferro, chove pancada, gritos e palavrões, mulheres fogem portas afora, outras resistem, são arrastadas. É o início da operação Retorno Alegre ao Trabalho.

Para as tropas da legalidade, um divertimento.

Em alguns casos, todavia, a tarefa dos agentes complica-se, torna-se desagradável. Na pensão de Ceres Grelo Grande as instalações sanitárias estavam sem funcionar há mais de vinte e quatro horas, obrigando as pensionistas ao uso incómodo dos urinóis: acumulados nos fundos da casa revelaram-se excelentes armas de guerra. Empunhando penicos cheios, as raparigas enfrentaram e puseram em fuga os invasores. Comandante do batalhão, o detective Dalmo recebeu nas fuças e no terno cinzento-claro o conteúdo de um dos vasos, no qual se aliviara repetidas vezes a novata Zabé, vítima de feroz disenteria. Ficou o elegante coberto de mijo, merda e ódio. Ordenou muita porrada e deu o exemplo.


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ENTREVISTA FICCIONADA

COM JESUS Nº 31 SOBRE O TEMA:

“DEUS FEZ MILAGRES?”


RAQUEL – Amigas e amigos das Emissoras Latinas continuamos a Cafarnaum. Ao nosso lado, Jesus Cristo, com quem temos de esclarecer muitas coisas. Desculpe insistir, mas temos de voltar ao tema dos milagres.

JESUS – Pois voltemos, Raquel.

RAQUEL – Na recente e acidentada conferência de imprensa recente, o senhor disse que o milagre é compartilhar. Partilha de alimentos, de bens para mudar a nossa vida. Mas, em vez disso, as pessoas olham para outros prodígios. Em Lourdes, Fátima e em outros santuários, peregrinos doentes procuram a cura. E quantos milagres e curas não se celebram!

JESUS - Tal como no meu tempo. Iam à piscina de Betesda e do Templo de Jerusalém ... e oravam a pedir que Deus os curasse…

RAQUEL – E…

JESUS – E nada.

RAQUEL - O nosso público perguntará: Se Deus é bom... o que lhe custaria curar uma velha que acende velas e lhe reza para que a cure?

JESUS - Tu disseste que Deus é bom e assim, poderia curar àquela velha senhora e a todos os idosos que lhe rezam. Tu não achas que Deus seria muito injusto se cura uma e noventa e nove não?

RAQUEL - Talvez porque essa senhora merecesse mais do que outros, orasse mais, tivesse mais fé.



JESUS - Não, Raquel, a fé não é uma moeda para comprar milagres. "Senhor, eu dou-te tanta fé e em troca dás-me um par de milagres".

RAQUEL - Então, cura a todos ...

JESUS – E como ninguém quer ficar doente, como também ninguém quer morrer, Deus teria de se tornar um médico, suspender a morte e percorrer o mundo a curar toda a gente.

RAQUEL - Mas o senhor poderia fazer algumas excepções, não sei… algum tratamento especial para algumas pessoas ...

JESUS - Deus não tem preferências por ninguém. Eu lembro-me quando uma torre em Siloé caiu e matou 18 galileus. Aqueles que foram salvos, disseram: Graças a Deus salvamo-nos… e aqueles que morreram? Eram piores do que aqueles que sobreviveram? Também não mereciam viver? Não, Deus não tem preferências.

RAQUEL - Então, por que morreram os 18 galileus?

JESUS - Porque a torre caíu. Porque os construtores fizeram mal a torre, ou um vento muito forte a derrubou.

RAQUEL - Em ambos os casos, desastres naturais ou erros humanos, Deus poderia ter evitado que a torre caísse.

JESUS - Se Deus fosse corrigir o mau trabalho de todos os construtores do mundo, se Deus se dedicasse a mudar a direcção dos ventos e evitar tudo o que fazemos de errado, ele teria que ser médico, pedreiro e mestre, e ocupar-se da chuva e das colheitas, e ser juiz para resolver disputas ... e nós não seríamos homens nem mulheres, mas bonecos de barro nas suas mãos. Bonecos sem alma, sem liberdade.

RAQUEL - Em suma, estás a dizer-nos que Deus não age. Que não cura ninguém, porque teria que curar todos. É assim?

JESUS – Assim é.

RAQUEL - Para mim e, certamente, para muitos de nossos ouvintes, assalta-nos uma dúvida. Para que servem, então, as orações a pedir saúde, trabalho, pedindo… pedindo…?

JESUS - Eu posso pedir-te uma coisa? Eu sei que aqui em Cafarnaum se vendia antigamente um peixe saboroso. Quero ver como eles o fazem agora. Vens comigo? Convidas-me e entretanto vamos conversando…

RAQUEL - Está convidado… eu faço o milagre da partilha. Raquel Perez, em Cafarnaum.

domingo, dezembro 18, 2011

HOJE É DOMINGO




Era o dia 18 de Abril de 1951, a manhã estava soalheira e a velha camioneta do Colégio de S. João de Brito, à data o espaço com maior densidade de meninos ricos por metro quadrado da cidade de Lisboa (ele, era o gordo Xara Brasil que à tarde voltava para casa num "bruto espada” com chôfer, os irmãos Simãos de Almeida e Salazar de Sousa, o Barahona Vanzeller, Sousa Uva, etc… ) regressava ao ponto de partida depois de ter recolhido os alunos para mais um dia de aulas, muitas rezas e pontapés na bola durante os recreios.

O ensino no Colégio de Jesuítas dava a estas famílias a garantia de qualidade e, principalmente, oferecia um ambiente que assegurava a transmissão dos valores morais e religiosos tão queridos às classes ricas e de linhagem tradicional.

Compreensível, de resto, pois foi ao abrigo desses princípios morais e religiosos que elas se constituíram, que os seus patrimónios se acumularam e os privilégios se foram impondo ao longo de gerações depois de há muitos séculos atrás os líderes da Igreja de Roma, aliada e cúmplice do poder e da riqueza, terem apagado a mensagem de justiça e igualdade de Jesus da Nazaré.

Eu era dos primeiros a embarcar juntamente com outro colega, o Jorge Manuel Barahona Vanzeller (há nomes assim, colam-se a nós e por cem anos que vivamos temo-los sempre na ponta da língua), menino-família, como o nome faz pressupor, brasonada, que era acompanhado até à porta do solar onde residia por uma jovem criada impecavelmente fardada.

Lembro-me bem dele porque durante a viagem, desde os Caminhos-de-Ferro, ali a Sta. Apolónia, até ao Colégio, ao fundo da Alameda das Linhas de Torres, íamos para os bancos do fundo da camioneta e ali ficávamos a falar dos nossos heróis das histórias de aventuras de que éramos apaixonados.

A viagem decorria sempre de forma pachorrenta como tudo, aliás, era pachorrento nessa altura no país. Na Europa grassava a guerra, a morte, o sofrimento, as tropas de Hitler esmagavam populações, velhos e crianças, mas a nossa camioneta velhinha de formas arredondadas, transportava os meninos mais felizes do mundo.

Finalmente, ao fim de uma prolongada viagem parando aqui e acolá, recolhendo menino por menino numa Lisboa sem trânsito, abrandava, virava à direita, parava junto a um portão de ferro e o motorista tocava o “clakson”, como então se dizia, até que um trabalhador da quinta o vinha abrir.

À nossa frente uma alameda e ao fundo dela, correndo aos saltos e agitando os braços na direcção da camioneta, um menino de calções, gordo e desajeitado, gritava:

-Morreu o Carmona! Morreu o Carmona! … Vamos para casa!

O Carmona era o Presidente da República e o menino de calções, gordo e desajeitado era o Ary dos Santos, inconfundível, exuberante, esfusiante, meio louco, que por morar ali perto chegava primeiro que todos e soube logo da notícia porque as sobrinhas do Presidente tinham ido à capela do Colégio, ainda de madrugada, encomendar a Deus a alma do tio.

O Ary era uma explosão de energia, de irreverência que escandalizava e surpreendia quando saltava para as costas do padre, professor de português, e o obrigava a correr fazendo ele de cavaleiro. Era uma força da natureza e se alguém poderia vir a escrever os versos com que termino o Hoje é Domingo esse alguém, pela sua genialidade, só poderia ser o José Carlos Ary dos Santos.

Nunca a poesia explodiu na boca de um poeta como na do Ary. As palavras eram balas certeiras contra as injustiças e misérias deste mundo e só ouvindo-o se pode ter a noção da sua força arrebatadora.




Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por
inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
serei tudo o que disserem:
poeta castrado não.

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
-é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
-a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
-Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
Por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
Falso médico ladrão
Prostituta proxeneta
Espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem
Poeta castrado não!




José Carlos Ary dos Santos


POETA CASTRADO NÃO

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