sábado, fevereiro 05, 2011

ALCIONE - MULHER IDEAL
A sua maior emoção foi apresentar-se perante 500.000 pessoas em São Luís do Maranhão quando foi convidada pela Paróquia da Ilha de São Luís para saudar o Sumo Pontífice com músicas de João de Deus feitas especialmente para a visita do papa ao Brasil. Considerada o orgulho do Maranhão, Alcione apresentou-se no México, no Hotel Santa Isabel e no Japão cantou em 13 Teatros. O disco "Fruto e Raiz" foi o maior sucesso da sua carreira com 700.000 cópias. O seu reportório, servido por uma voz poderosa, quente e sensual, é de uma grande feminilidade, tendo se tornado por isso o orgulho de todas as mulheres que por qualquer motivo sofreram ou sofrem por amor.

Vídeos

Homens depois dos 40...

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Coisas de Médicos...



- Dr., quando era solteira tive que abortar várias vezes . Agora que casei não consigo engravidar.

- O seu caso, minha senhora, é muito comum: você não se reproduz em cativeiro.



- Dr., tenho tendências suicidas. O que é que eu faço?

- Em primeiro lugar paga a consulta.



- Dr., sou a mulher do Zé que sofreu um acidente. Como é que ele está?

- Bem, da cintura para baixo ele não teve um arranhão.

- Que alegria! E da cintura para cima?

- Não sei, ainda não trouxeram essa parte.



Após a cirurgia:

- Dr., entendo que esteja vestido de branco. Mas para quê essa luz tão forte?

- Meu filho, eu sou o são Pedro.



No Psiquiatra:

- Dr., tenho o complexo que sou feia.

- Qual complexo, qual quê... tem toda a razão.



- Dr., vim aqui para que o senhor me tire os dentes.

- Mas, minha senhora, não sou dentista,, sou gastroenterologista... e a senhora não tem dentes.

- É claro, engoli-os todos.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:


“A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR” (5)


Uma Questão Delicada e Uma Resposta Radical

Uma das mais frequentes causas das revoltas populares em Israel foram os impostos. Foi justamente a recusa em pagar impostos a Roma, a faísca que acendeu a guerra Judaica em 70 DC quando Jerusalém foi arrasada e destruída e a população judaica começou sua diáspora.
Neste contexto, a pergunta que faziam a Jesus se deviam ou não pagar impostos era particularmente sensível e delicada. Os zelotas se recusavam pagar como forma de resistência activa à Roma. As classes colaboracionistas, saduceus (seita sacerdotal pertencente à classe dominante e diferente dos fariseus) e sacerdotes, recomendavam o pagamento. Os fariseus tinham dúvidas. Teoricamente, eram contra, eram muito nacionalistas, mas, na prática, acabavam pagando.


A frase "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22,15-22, Mc 12,13-17, Lc 20,20-26) é uma das mais repetidas pelos políticos e eclesiásticos de todos os sectores, uma das frases de Jesus mais manipulada e mal interpretada. É apresentada nos evangelhos para separar a fé da política, ou reforçando a ideia de que a religião é independente de qualquer compromisso político e social, limitada a orações e sacrifícios, dando a entender que a política é alheia à crítica ética.


Esta frase é frequentemente interpretada como evidência de que Jesus respeitou a autoridade constituída e comprometeu-se á separação de deveres para com Deus e para com a autoridade terrena, assumindo assim que Jesus era da opinião de Paulo, que diria mais tarde, depois de Jesus, que a autoridade deve sempre ser obedecida, porque toda autoridade vem de Deus (Rm 13,1-4).
Jesus tinha de falar sobre impostos, um tema recorrente no seu país e no seu tempo e que tanto afectou os pobres. Mas achamos que a sua opinião sobre este assunto, condensada nesta frase foi modificada em transcrições posteriores da tradição oral das primeiras comunidades, todas elas efectuadas nos tempos ainda do Império Romano quando o poder dos seus imperadores era muito poderoso e assustador.


É impossível acreditar que Jesus, que repelia a deificação de César e que tão bem conhecia os abusos dos romanos, respeitasse a sua autoridade. Em vez disso, aproveitou a delicada questão que lhe puseram para dar uma resposta radical: "Não dêem a César nada do que ele pede: nem a reverência, nem o imposto." Coloquem-no no seu lugar, o lugar de um homem. O lugar de Deus é só de Deus.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 23




Voltaram a andar e Caetano Gunzá, patrão da barcaça Ventania, lhe contou quanto conseguira apurar. Januário comprara um peixe, azeite-de-dendê, limão, pimenta malagueta e de cheiro, coentro, enfim, os condimentos todos; cozinheiro de mão cheia naquele dia caprichou na moqueca – Caetano sabia por ter comido um pouco, quando, passadas as nove, viu que ela e o compadre não vinham e a fome apertou.

Pouco depois das sete, deixando a panela em brando calor de brasas, Januário foi em busca de Tereza, dizendo que em meia hora estaria de volta, Caetano não o viu mais. De começo não se alarmou, imaginando tivesse ido o casal a algum passeio ou à sala de dança, sendo Januário amigo de um arrasta-pé. Como disse, às nove fez um prato, comeu mas não tanto quanto quisera, pois a essa hora já se sentia apreensivo: abandonando prato e garfo, saiu a procurá-lo, mas só obteve notícias bem adiante, perto de uma sorveteria. Uns rapazes lhe contaram que a polícia prendera um arruaceiro (perigosíssimo segundo revelou um dos tiras) aliás tinha sido necessário juntar para mais de dez agentes e guardas para conseguir sujeitá-lo, o fulano era mesmo perigoso, jogador de capoeira, quebrara uns três ou quatro policiais. Um cara enorme, com jeito de marinheiro. Não podia haver dúvidas sobre a identidade do preso. Os secretas estavam com raiva, desde a noite da briga.

- Já andei de um lado para o outro, fui parar na central da polícia, estive em duas delegacias, ninguém dá conta dele.

Ah! Janu, pensar que desejei te esquecer, cobrir de cinzas a brasa acendida, apagar as labaredas que ardem no meu peito!

Nunca te esquecerei, mesmo quando a barcaça Ventania cruzar de volta a barra do mar, contigo ao leme ou junto da vela, nunca te esquecerei. Se não tomares de minha mão, tomarei eu da tua tão grande e tão leve a tocar em meu lábio. Senão me beijares, meus lábios buscarão tua ardida boca, o sal do teu peito; ai, mesmo que não me queiras.


8

Por volta das duas da madrugada, finalmente, foi servida a moqueca na popa da barcaça – moqueca de se lamber os beiços; Lulu Santos lambia as espinhas do peixe, preferindo servir-se da cabeça, a parte mais saborosa, a seu ver.

- é por isso que o doutor tem tanto tutano na cachola – considerou mestre Caetano Gunzá, entendido em verdades científicas, - Quem come cabeça de peixe, fica inteligente demais, é coisa sabida e provada.

Naquelas poucas e corridas horas, o patrão da Ventania tornara-se admirador incondicional do rábula. Foram acordá-lo, tirá-lo da cama; Lulu habitava na colina de Santo António, modesta casa ajardinada.

- Sei onde fica a casa do doutor Lulu - gabou-se o chofer; em verdade não tinha por que se gabar, toda a Aracaju sabia o endereço do provisionado.

Voz feminina de cansaço e resignação, respondera à buzinada do automóvel de praça, às palmas de mestre Gunzá; apesar da hora tardia, quando eles disseram tratar-se de assunto urgente, de livrar alguém da cadeia, a voz fez-se cordial:

- Já vai. Não demora.

Realmente, pouco depois, debruçando-se da janela, Lulu quis saber.

- Quem está aí, o que deseja?

- Sou eu doutor Lulu, Tereza Batista – dizia doutor em consideração à esposa, cuja sombra protectora se projectava por trás do vulto do rábula.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

ALCIONE - ALÉM DA CAMA
O pai de Alcione (eram nove irmãos) escolheu-lhe o nome inspirado no da personagem principal de um livro chamado "Renúncia". Ele foi mestre da Banda da Polícia, professoe de música e compositor ensinando-lhe desde muito cedo a tocar diversos instrumentos de sopro e ela, com nove anos de idade, já tocava em festas de amigos mas a mãe, com medo que a filha ficasse tuberculosa tocando instrumentos de sopro, guardava o desejo que ela aprendesse acordeão ou piano. (continua)



TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 22


É bem verdade que ela lhe dizia Janu, tratamento de bem-querer, e em troca ele lhe chamava nomes diversos: Teta, minha santa, muçurumim, iaô, aí terminando quase toda a intimidade. Tereza mantém-se à espera, como compete à mulher de brio: dele deve partir a primeira palavra carregada de subentendido, o primeiro agrado. Parece feliz ao lado de Tereza, alegre, risonho, conversador, mas daí não passa, desses limites platónicos; como se alguma coisa lhe proibisse voz mais cálida, palavra de amor, gesto de carinho, contivesse o desejo evidente de mestre Januário Gereba.

Por último faltara à promessa, não fora ao encontro, deixando-a à espera desde as sete da tarde. Depois aparecera Lulu Santos, convidando-a para o cinema, preferiram ficar conversando, o rábula a contar de Libório das Neves histórias de esbulhos e tristezas, sujeito mais nojento o tal Libório; despedira-se depois das nove, satisfeito da vida por descoberto, com a ajuda de Tereza, milagrosa formula para derrotar o patife na audiência próxima. Tereza deu boa noite à velha Adriana, tentou conciliar o sono, não houve jeito. Tomando da manta negra com rosas vermelhas, último presente do doutor, cobriu a cabeça e os ombros, andou para o porto.

Nem rastro de mestre Gereba, do gigante Janu. Voltar para casa é tudo quanto lhe resta fazer: tratar de esquecer, cobrir de cinza a brasa acesa, apagando-lhe as labaredas enquanto é tempo. Insensato coração! Exactamente quando ela se encontra em paz consigo mesma, tranquila e alheia, disposta a colocar a vida nos eixos, apta para fazê-lo, pois nada a perturba, o indócil coração dispara apaixonado. Gostar é fácil, acontece quando menos se espera, um olhar, uma palavra, um gesto, e o fogo lavra queimando peito e boca; difícil é esquecer, a saudade consome o vivente; amor não é espinho que se arranca, tumor que se rasga, é dor rebelde e pertinaz matando por dentro. Lá vai Tereza, envolta na manta espanhola, no rumo de casa. Difícil as lágrimas, em vez de chorar fica de olhos secos, ardidos.

Alguém marcha em sua direcção, com pressa, Tereza imagina homem à cata de mulher-dama para conduzi-la ao Vaticano pela porta do Rato Alfredo.

- Eh! Dona, espere por mim, quero lhe falar. Por favor, espere.

Primeiro Tereza pensa em apressar o passo, mas o andar gingado e uma nota de aflição na voz do homem fazem-na parar. Devido ao rosto preocupado e àquele aroma perturbador, idêntico ao que sentiu no peito de Januário – odor de maresia, mas Tereza nada sabe do mar além do pouco ouvido nesses dias da boca alegre de Janu – à mesma pele curtida de vento, antes dele falar ela o identifica e sente um aperto no peito: ai, alguma coisa de ruim sucedera.

- Boa noite, siá dona. Eu sou mestre Gunzá, amigo de Januário, ele veio a Aracaju na minha barcaça com o fim de me acudir numa precisão.

- Ele está doente? Marcou comigo e não apareceu, eu vim saber dele.

- Está preso.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:

“A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR” (4)



Os deuses de Roma


Durante a vida de Jesus foram imperadores em Roma César Augusto e depois Tibério César. Augusto reinou desde 30 antes de Jesus a 14 após o nascimento. Ele fundou a dinastia imperial romana da família Cláudia. Tibério, filho da segunda esposa de Augusto, governou de 14-37 DC e sob o seu mandato foi morto Jesus. Depois de Tibério, Roma foi governada por outros Césares: Calígula, Cláudio, Nero...
Tibério converteu Augusto, seu pai adoptivo, num deus. Aos poucos, a ambição de poder determinou que os Césares exigissem dos seus súbditos uma adoração pessoal como se fossem deuses. No tempo de Jesus, a tendência para divinizar o imperador romano estava aumentando. Depois ficou definitivamente estabelecida até a queda do império.

Calígula fez-se adorar em vida. Os Césares fizeram-se imagens que deviam ser reverenciados e mandavam ajoelhar na sua presença. Israel resistiu teimosamente a essa prática que considerava uma blasfémia horrível.


Os líderes religiosos judeus, apesar de teoricamente não aceitarem que César era deus, na prática, fecharam os olhos e nada fizeram em cumplicidade com o estabelecido. Por nacionalismo e fé religiosa em Javé, o Deus único, os zelotas opõem-se ardentemente ao pagamento de impostos para o "deus de Roma" e, com isso, Jesus também concordava
com eles.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

CONSULTAS DE SEXOLOGIA
PELO TELEFONE COM A Drª LÚCIA



Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se posso tomar anticoncepcional com diarreia...
Drª Lúcia: - Olha... eu tomo com água, mas a opção é sua!

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Me chamo Jeferson e eu gostaria de saber como faço pra minha esposa gritar por uma hora depois do sexo!
Drª Lúcia: - Limpe o pau na cortina!

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Sou virgem e rolou, pela primeira vez, um lance de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!!!
Drª Lúcia: - Claro que corre o risco de ficar grávida! E a criança vai sair pelo seu ouvido!

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é o Sílvio e eu gostaria de saber porque esses furacões recebem o nome de mulheres?
Drª Lúcia: - Porque quando eles chegam são selvagens e molhados, e quando se vão, levam sua casa e seu carro junto com eles!

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é o Fred! Me tire uma dúvida... o que são aquelas saliências ao redor dos mamilos das mulheres?
Drª Lúcia: - Aquilo é Braile e significa "chupe aqui"...

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Quero saber como enlouquecer meu namorado, só nas preliminares.
Drª Lúcia: - Diga no ouvidinho dele... "minha menstruação está atrasada"!
Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Sou feia e pobre. O que devo fazer para alguém gostar de mim?
Drª Lúcia: - Ficar bonita e rica!

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é a Jaque! É o seguinte... o cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólico. O que eu faço?
Drª Lúcia: - Não deixe ele guiar.

CHICO BUARQUE - "A VALSINHA"
É puro deleite... meus amigos!

LE PLUS GRAND CABARET DU MONDE


TERESA

BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA

Episódio Nº 21



Na véspera, na Ponte do Imperador, ele lhe tocara o lábio com os dedos, constatando não mais restar marca da soqueira – apenas o dente ainda não fora posto. Januário não passara desse leve toque dos dedos, todavia suficiente para abri-la inteira.

Em vez de comprovar a saúde do lábio ferido num exame mais profundo, de beijos, ele retirara a mão como se a houvesse queimado ao contacto com a boca húmida de Tereza. Trouxera uma revista carioca onde, em reportagem a cores sobre a Bahia, numa fotografia de duas páginas, via-se a Rampa do Mercado e nela ancorado, bem de frente, chegando de viagem, o Flor das Águas com a vela azul desatada e de pé ao leme, troco nu, remendado calção, o mestre de saveiro Januário Gereba, para Tereza, Janu: quem me quer bem me chama Janu.

Tereza desce pela Rua da Frente, buscando o vulto do gigante a gingar em seu andar marinheiro, a brasa do cachimbo de barro iluminando o caminho. Atracada à carunchosa ponte de madeira, não longe do Vaticano enxerga a sombra da barcaça Ventania, as luzes apagadas, nenhum movimento a bordo; se alguém lá está, dorme na certa e Tereza não se atreve a chegar perto.

Cadê mestre Gereba, onde se escondeu o gigante do mar, para onde alçou voo o urubu-rei, o grande voador?

No primeiro andar do Vaticano, as lâmpadas de luzes coloridas, vermelhas, verdes, amarelas, roxas, azuis, convidam a juventude doirada de Aracaju e os adventícios para a sala do baile do Paris Alegre. Quem sabe, Januário domina a pista de dança, bela dama nos braços, qualquer vagabunda do porto, dançar era seu fraco, atrás de dança subira as escadas do cabaré na noite do arranca-rabo. Quem dera a Tereza poder transpor a porta, galgar os degraus, varar sala dentro e, imitando Libório das Neves, dirigir-se à pista, postando-se indignada, as mãos na cintura em desafio e escárnio, diante de Janu a apertar contra o peito par constante: então é assim que o senhor me foi buscar em casa como prometeu?

Flori proibira-lhe ir à noite ao cabaré, querendo o empresário guardar inalterada para a estreia a imagem de Tereza quando do cu-de-boi, imagem vista e comentada; se ela começa a aparecer à noite a dançar, a conversar com um e com outro, já nenhum habitue pensará nela erguida em fúria a cuspir na cara de Libório, a desafiar meio mundo, em pé de guerra. Só voltarão a vê-la na grande noite de apresentação da Rainha do Samba, de saiote, bata e turbante. Além do lábio inchado e da falta do dente.

Por falar em dente, Flori se pergunta, safado da vida, quando terminará o doutor Jamil Najar a sua obra-prima, nunca um cirurgião-dentista-e-protético demorou tanto tempo para colocar um dente de ouro. Calisto Grosso mulato tirado a gostosão, um prensa, líder da estiva de Aracaju, tarado por dente de ouro, conta sete na boca, quatro em cima, três em baixo, um bem no alto e no centro, o mais bonito dos sete, quase todos ali postos num piscar de olhos, pelo doutor Najar. Numa só ocasião botou três, três dentes enormes, no entanto não requereu nem metade do tempo já gasto em colocar um único pequeno dente de ouro na boca de Tereza Batista.

Não só por proibida e por banguela, mas sobretudo por não lhe caber direito, nenhum direito, o mais mínimo, de tirar satisfação ao mestre saveiro, estivesse ele dançando, namorando, fretando, bolinando, rolando na cama, embolado com uma quenga qualquer. Até àquele dia nem de namorada podia reclamar-se: apenas fugidios olhares – ele desviava a mirada quando Tereza o
pegava em flagrante, a comê-la com a vista.

INFORMAÇÕES ADICIONAIOS
À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:
“A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR” (3)


Impostos de Roma: Um Fardo Insuportável


A principal função do governador romano na Judeia – nos tempos de Jesus - Pôncio Pilatos, era o de um agente de finanças supervisionando a cobrança de impostos do império sobre a província de Roma e de todos aqueles que estavam sob seu controle. O governador também devia conter a raiva do povo que periodicamente se insubordinava pela extorsão que representava o sistema tributário romano.
Desde a época do rei Salomão, cerca de mil anos antes de Jesus, o reino de Israel recolhia impostos dos seus cidadãos, mas com uma organização não plenamente desenvolvida.
Os persas e gregos, que ocuparam o país 500 e 150 anos antes de Jesus, também estabeleceram um sistema de impostos. Com o domínio romano da Palestina, que se tornou permanente a partir de 6 anos DC, foi instituído um conjunto rigoroso de impostos para os israelitas. Roma retinha todo o excedente da produção do país, através de uma ampla rede de alfândegas para a cobrança dos vários impostos. Através delas controlava toda a actividade comercial na província.
A província da Judeia tinha que pagar a Roma, anualmente, 600 talentos, o equivalente a seis milhões de dinares. O salário diário de um trabalhador era de um denário. Os impostos que Roma cobrava na Palestina eram de três classes: impostos sobre a propriedade que eram pagos, parte em bens e parte em dinheiro; impostos pessoais, que eram de vários tipos de acordo com a riqueza ou renda que era geral e todos o pagavam excepto as crianças e idosos, o chamado “tributum capitis” (por cabeça), e é referido no evangelho e ainda um terceiro que recaía sobre todos os produtos exportados e importados.
Os sumos sacerdotes - as mais altas autoridades religiosas em Israel - pactuaram com os romanos para manter seu poder e, acima de tudo, a sua privilegiada situação económica.
O governo local da Judeia, que era o Sinédrio, cuja autoridade máxima era o sumo sacerdote, era completamente desprovido de autoridade em matéria de fiscalidade, relações com outros países e defesa. A sua única missão era vigiar para que as leis religiosas se cumprissem escrupulosamente.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Poema aos homens com gripe


Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes - (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

VEJA E ADMIRE - É MAGIA, TANGO, COREOGRAFIA E CRIATIVIDADE...


Homem de Cor



Após ser chamado “homem de cor”, o Crioulo vira-se para o homem branco e diz:

-- Meu caro irmão branco, quando eu nasci, eu era negro, depois eu cresci, e continuei negro; quando eu pego sol, eu sou negro, quando sinto frio, eu permaneço negro, quando eu tenho medo, eu sou negro, quando adoeço, continuo negro, e o dia em que eu morrer, ainda serei
negro.

Enquanto que você, homem branco, quando você nasce, você é rosa; quando você cresce, você fica branco; quando você pega um Sol, você fica vermelho; quando sente frio, fica azul; quando sente medo, fica verde; quando adoece, fica amarelo e quando você morrer, vai ficar cinza.

Então, meu amigo, como é que você ainda tem a cara de pau de me chamar de Homem de Cor?!

A BANDA - CHICO BUARQUE e NARA LEÃO
A esta distância no tempo, 45 anos, aquela alegria contagiante, aquela juventude, até comove... A beleza desta canção, simples, singela, apela aos sentimentos, à parte boa que todos temos dentro de nós e a felicidade sentida é tão grande que o fim chega depressa ou melhor, não devia chegar... a Banda devia estar sempre a passar como um hino permanente à vida.


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 20


Até amanhã, minha boa Adriana do mungunzá divino. Como bem diz o povo: quem rouba ladrão… Só quero ver a cara do pote de bosta na hora, vai ser a maior satisfação da minha vida.

Tereza na varanda esquece Lulu Santos, Joana das Folhas, Libório das Neves. Onde andará o malvado? Prometera vir com o cachimbo de barro, a pele curtida ao vento, o peito de quilha, as grandes mãos que a suspenderam no ar. Não viera, porquê?


7


Na cidade dormida, no porto deserto, sozinha, mortificada, o amor-próprio ferido. Tereza Batista procura Januário Gereba. Quem sabe, não pudera vir, ocupado ou doente. Mas não custava avisar, mandar alguém com um recado.

Prometera buscá-la no começo da noite para comerem uma moqueca de peixe na barcaça, à moda baiana – cozinhar comida de azeite é comigo! – depois iriam ver o mar de ondas e arrebentação, mais além da barra, o mar de verdade, não aquele braço de rio.

Rio bonito, o Cotinguiba, não ia negar, largo, envolvendo a ilha dos Coqueiros, manso, ao lado da cidade, ancoradouro de grandes veleiros e de pequenos navios de carga; mas o mar – você vai ver, é outra coisa, não se compara – ah!, o mar é caminho sem fim, possui uma força indomável, um poder de tempestades, doçura de namorado ao ser espuma na areia. Não viera, porquê? Não tinha direito a tratá-la como uma mulherzinha qualquer, ela não lhe pedira para vir.

Nos dias anteriores, mestre Januário, ocupado na descarga da barcaça e em limpá-la para receber o novo carregamento – sacos de açúcar – ainda assim conseguira tempo para visitar Tereza, sentar-se com ela na Ponte do Imperador, contando-lhe histórias de saveiros e travessias, de temporais e naufrágios, acontecidos de cais, de candomblés, com mestres de saveiros e capoeiristas, mães-de-santo e orixás.

Falara das festas, por lá é festa o ano inteiro; a do Bom Jesus dos Navegantes, a primeiro de Janeiro, no mar da Boas Viagem, os saveiros acompanhando a galeota na ida e na vinda, e o samba comendo depois, durante dia e noite; a do Bomfim, de domingo a domingo na segunda semana de Janeiro com a procissão da lavagem na quinta feira, as mulas, os jumentos, os cavalos pejados de flores, as baianas com quartinhas e porrões cheios de água equilibrada sobre os torsos, as águas de Oxalá lavando a igreja de Nosso Senhor do Bonfim, um negro africano, o outro branco da Europa, dois santos distintos num só verdadeiro e baiano; a festa da Ribeira, imediatamente depois, prenúncio de Carnaval; a de Yemanjá, no rio Vermelho, a dois de Fevereiro, os presentes para a mãe-d’água sendo trazidos e acumulados nos enormes cestos de palha – perfumes, pentes, sabonetes, balangandãs, anéis e colares, um mundo de flores e cartas de peditório; mar calmo, peixe abundante, saúde, alegria e muito amor – desde pela manhã cedinho até à hora da maré vespertina quando os saveiros partem mar afora na procissão de Janaína, à frente a do mestre Flaviano conduzindo o presente principal, o dos pescadores. No meio do mar a Rainha espera, trajada de transparentes conchas azuis, na mão o abebé: odoia, Iemanjá, odoia!

Falava-lhe da Bahia, de como é a cidade nascida no mar, subindo pela montanha, cortada de ladeiras. E o Mercado? E Água dos Meninos? A Rampa, o cais do porto, a escola de capoeira onde aos domingos brincava com mestre Traíra, com Gato e Arnol, o terreiro de Bogun, onde fora levantado e confirmado ogan de Iansã – em sua abalizada opinião, Tereza deve ser filha de Iansã, sendo as duas iguais na coragem, na disposição: apesar de mulher, Iansã é santo valente, ao lado de seu marido Xangô empunhou as armas de guerra, não teme sequer os eguns, os mortos, é ela quem os espera e saúda com seu grito de guerra: Eparrei!

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:


“A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR” (2)


Jesus: Violento ou Pacífico?

Jesus diferia fundamentalmente dos zelotas por não ter apoiado as suas tácticas violentas. No entanto, é uma simplificação dizer que Jesus era um pacifista, não violento ou que o evangelho condena a violência venha ela de onde vier. As palavras de Jesus quando confrontado com as autoridades, especialmente as autoridades religiosas e, mais especificamente, os sacerdotes, eram violentas.


Jesus usou a violência às vezes, especialmente na cena que protagonizou na esplanada do Templo em Jerusalém, poucos dias antes de ser assassinado. Mas ele não matou embora tenha sido morto. Nunca instigou os seus à violência ou à resistência armada para salvar a sua vida quando o poderia ter feito. E uma das suas mensagens mais originais foi o amor aos inimigos, o que não significa não reconhecê-los como tal mas ser capaz de perdoar, de não responder ao ódio com ódio ou à violência com violência.


Na época de Jesus, e naquela conjuntura histórica particular de Israel, a violência defendida pelos zelotas não tinha saída, estava destinada a falhar e constituiu um pretexto contínuo para os romanos desencadearem o seu poderoso aparato de repressão contra o povo, como aquele que ocorreu em 70 DC, quando Roma destruiu Jerusalém para sufocar a revolta dos zelotas.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

ANÚNCIO PARA ARRUMAR NAMORADA

Matéria publicada em um jornal de circulação diária do Estado do Ceará
(Leia também a resposta da pretendente). Procura...


Homem Descasado

Homem de 40 anos, que só gosta de mulher, após casamento de sete anos, mal sucedido afetivamente, vem através deste anúncio, procurar mulher que só goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta preencha certos requisitos:
O PRETENDIDO exige que a PRENTENDENTE tenha idade entre 28 e 40 anos, não descartando, evidentemente, aquelas de idade abaixo do limite inferior, descartando as acima do limite superior.
Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam, na frente de estranhos: 'menas vezes', 'quando eu si casar', 'pobrema no úter', 'eu já si operei de apênis', 'é de grátis', 'vamo de a pé', 'adoro tar com você' e outras pérolas gramaticais.

Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma e olhem para uma só direção. Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d'água.
Os seios devem ser firmes, do tamanho de um mamão papaia, cujos mamilos olhem sempre para o céu, quando muito para o purgatório, nunca para o inferno. Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos, como massa de pão.

Por motivos óbvios, a boca e os lábios, devem ter consistência macia, não confundir com beiço.
A barriga, se existir, muito pequena e discreta, e não um ponto de referência.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha orgasmos, se múltiplos melhor, mas mesmo que eventuais, quando acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele sinta-se sexualmente interessante.
Independentemente da
experiência sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no rádio relógio, não durma ou cochile.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de análise, o que poderia camuflar, por algum tempo, uma eventual esquizofrenia.

A PRETENDENTE deverá ter um carro que ande, nem que seja uma Brasília, ou que tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do PRETENDIDO, ele não tem mais paciência para levar namorada
de madrugada para casa.

Enviar cartas com foto recente, de corpo inteiro, frente e costas, da PRETENDENTE, para a redação deste jornal, para o codinome:
'CACHORRO
MORDIDO DE COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE'.


Resposta da Pretendente, publicada dias após, no mesmo periódico Cearense :


Prezado HOMEM DESCASADO...


Li seu anúncio no jornal e manifesto meu interesse em manter um compromisso duradouro com o senhor, desde que (é claro) o senhor também preencha outros 'certos' requisitos que considero básicos! Vale lembrar que tais exigências se baseiam em conclusões tiradas acerca do comportamento masculino em diversas relações frustradas, que só não deixaram marcas profundas em minha personalidade, porque 'graças a Deus', fiz anos de terapia, o que infelizmente contraria uma de suas exigências!

Quanto à idade convém ressaltar que espero que o senhor tenha a maturidade dos 40 anos e o vigor dos 28, e que seu grau de escolaridade supere a cultura que porventura tenha adquirido assistindo aos programas do 'Show do Milhão'...!

Seus olhos podem ser de qualquer cor desde que vejam algo além de jogos de futebol e revistas de mulher pelada. E seus dentes devem sorrir mesmo quando lhe for solicitado que lave a louça ou arrume a cama. Não é necessário que seus músculos tenham sido esculpidos pelo halterofilismo, mas que seus braços sejam fortes o suficiente para carregar as compras.
Quanto à boca, por motivos também óbvios, além de cumprir com eficiência as funções a que se destinam, as bocas no relacionamento de um casal devem servir, inclusive, para pronunciar palavras doces e gentis e não somente: 'PEGA MAIS UMA CERVEJA AÍ, MULHER!'. A barriga, que é quase certo que o senhor a tenha, é tolerável, desde que não atrapalhe para abaixar ao pegar as cuecas e meias que jamais deverão ficar no chão.
Quanto ao desempenho sexual espera-se que corresponda ao menos polidamente à 'performance' daquilo que o senhor 'diz que faz' aos seus amigos! E que durante o ato sexual, não precise levar para a cama livros do tipo: 'Manual do corpo humano' ou 'Mulher, esse ser estranho'!

No que diz respeito ao ítem alimentação, cumpre estar atualizado com a lista dos melhores restaurantes, ser um bom conhecedor de vinhos e toda espécie de iguarias, além de bancar as contas, evidentemente.
Em relação ao carro, tornam-se desnecessários os trajetos durante a madrugada, uma vez que, havendo correspondência nas exigências que por ora faço, pretendo mudar-me de mala e cuia para a sua casa ... meu amor!!!

ass: A COBRA

O Cristo Redentor "fechou" os braços num abraço simbólico ao Rio de Janeiro. O efeito - uma ilusão de óptica provocada pela projecção de luzes e imagens - faz parte de uma Campanha "Caminho de Verdade" de combate à violência e exploração sexual de crianças. Ao som de Bachianas Brasileiras nº 7 de Villa Lobos e com animação em 3D, a estátua parece fechar os braços. O cineasta Fernando Salis operou o "milagre" técnico.


Veja Como Tudo Aconteceu...


ROQUE GAMEIRO

Aguarela ilustrativa do romance de Júlio Dinis "As Pupilas do Sr. Reitor"

CHICO BUARQUE E NARA LEÂO - JOÃO E MARIA
Esta canção é um clássico da Música Popular Brasileira apresentada de uma forma muito bonita. Nara faleceu na manhã de 7 de Junho de 1989 vítima de um tumor cerebral localizado num sítio onde não podia ser operado. Tinha 47 anos e há 10 que ela sabia e sofria com esse problema. Em 2002 os seus discos foram relançados em dois grupos - um correspondente ao período de 1964/75 e outro de 1977/89. Mesmo depois de ter morrido há anos as suas músicas continuam a ser sucessos.


TEREZA

BATISTA


CANSADA


DE
GUERRA


Episódio Nº 19


Vou-me bater, vou gritar, clamar por justiça, de que adianta? Se fosse o júri popular, era outra coisa. Mas é um juiz da vara do cível, aliás um sujeito óptimo, que sabe quem é o Libório, tem a certeza que ele adulterou o documento, se pudesse daria ganho de causa à viúva e sapecaria um processo no crápula por adulteração de documentos com fins de roubo, mas como fazê-lo se lá está o papel, as assinaturas das testemunhas, se ninguém pode provar que o zero foi colocado depois?

Toma fôlego, a indignação inflama-lhe o rosto, fazendo-o quase bonito:

- Todo o mundo sabe que se trata de mais uma miséria de Libório, mas nada pode ser feito, ele vai engolir o sítio de Manuel França, a negra Joana vai viver de esmola e eu espero que o miserável do filho, um filho-da-puta, que é o que ele é, meta mesmo uma bala no peito, não merece outra coisa.

Cai o silêncio como uma pedra, por alguns segundos ninguém fala. Os olhos de Tereza se perdem na distância, mas ela não pensa em mestre Januário Gereba, dito Janu por bem-querer, nem nas areias do mar. Pensa na negra Joana das Folhas, dona Joana França, curvada sobre a terra ao lado do marido português, depois sozinha, plantando, colhendo, vivendo de suas mãos, o filho no Rio, na pagodeira, a exigir dinheiro, ameaçando matar-se. Se lhe tomarem o sítio, se Libório ganhar a questão, o que será de Joana das Folhas, onde vai arranjar o necessário para comer, economias para o filho dissipar?

A velha Adriana recolhe os pratos vazios, sai para a cozinha.

- Me diga uma coisa, Lulu… - Tereza está voltando de longe.

- O quê?

- Se dona Joana soubesse ler e escrever o nome, ainda assim esse documento teria valor?

- Se ela soubesse ler, assinar o nome, como assim? Ela não sabe, acabou-se; nunca esteve na escola, analfabeta de pai e mãe.

- Mas se soubesse, o tal documento teria valor?

- É claro que se ela soubesse assinar o nome, o documento teria sido forjado. Infelizmente não é esse o caso.

- Você tem certeza? Acha que não pode ter sido forjado?

Porque você acha isso? Onde é que dona Joana deve provar se sabe ou não assinar o nome? É no juiz?

- Que história é essa de provar se sabe assinar o nome.

- Ficou pensando, de repente deu-se conta: - Documento forjado? Assinar o nome? Estarei entendendo?

- Dona Joana sabe ler e assinar o nome, chega no juiz e diz: esse papel é falso, sei assinar o meu nome. Quer dizer, quem diz isso é você, não é mesmo? Ela só faz assinar.

- E quem diabo vai ensinar Joana das Folhas a assinar o nome em pouco mais de uma semana? Para isso é preciso pessoa capaz e de toda a confiança.

- A pessoa está na frente de seus olhos, é essa sua criada. Que dia é mesmo a audiência?

Então Lulu Santos começou a rir, a rir feito doido; a velha Adriana veio correndo assustada:

- O que é que você tem, Lulu?

Finalmente o rábula se conteve:

- Só quero ver a cara de Libório das Neves, na hora. Tereza, doutora Tereza, honoris causa eu te consagro, suma sabedoria!

Vou para casa matutar nesse assunto, acho que você deu no sete.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 80 SOB O TEMA:


“A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR” (1)



- Um patriota e Não um fanático

Jesus não era um fanático. Os zelotas eram ultra-nacionalistas, queriam a libertação de Israel do jugo romano mas não para além das fronteiras do seu país. Jesus era um patriota, mas o seu projecto rompeu as fronteiras e não discriminou raças ou religiões.



Os zelotas eram profundamente religiosos mas o seu Deus era um Deus exclusivo de Israel, "o povo escolhido". Segundo eles, para criar o seu reino, Deus tomaria vingança sobre as nações pagãs. Jesus nunca falou de um Deus vingativo ou discriminatório.


Os zelotas eram ardentes defensores do estrito cumprimento da lei, a ponto de Jesus ter-se diferenciado deles pela sua liberdade face às autoridades e às leis, mesmo as tradicionais leis judaicas. No entanto, Jesus foi associado aos fanáticos e alguns de seus discípulos, provavelmente, foram apoiantes ou membros do movimento zelota.


Muitas das reivindicações sociais dos zelotas eram partilhadas por Jesus e em comum havia o desejo ardente de alcançarem um reino de justiça e por isso ambos os movimentos utilizavam expressões semelhantes.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

VÍDEO

Expedientes...

video

Consultas de Sexologia
pela Rádio com a Drª Lúcia




Ouvinte: - Bom dia Dra Lúcia! Eu sou a Rosa e queria um conselho! Como faço para seduzir o rapaz que amo?
Drª Lúcia: - Tire a roupa! Se ele não te agarrar, saia fora porque ele é gay!


Ouvinte: - Bom dia Dra Lúcia! Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e eu agora estou com outro. Mas, ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
Drª Lúcia: - Quem é mesmo a galinha nesta história?

Ouvinte: - Bom dia Dra Lúcia! Aqui é a Rose e queria saber porque é que os homens se masturbam, mesmo quando são casados?
Drª Lúcia: - Minha amiga... jogo é jogo... treino é treino!


Ouvinte: - Bom dia Dra Lúcia! Quero saber se a primeira vez dói. Tenho 24 anos e ainda não transei, porque tenho medo de doer e de não aguentar...
Drª Lúcia: - Dói tanto, que você vai ficar em coma e nunca mais vai levantar!... Deixa de ser fresca e dê nele de uma vez... ó Cinderela!

ROQUE GAMEIRO

Dentro do Moinho
(clique 2 vezes sobre a imagem para aumentar)

ROQUE GAMEIRO
Casas na Vila do Avô, Concelho de Oliveira do Hospital (1936)
(clique 2 vezes sobre a imagem para aumentar)

NARA LEÃO - OPINIÃO
Considerada a "Musa da Bossa Nova". Cantora brasileira (1942-1989), mulher de coragem. Esta canção, cantada em plena ditadura, num show ao vivo, música de protesto da cultura do morro, por ter sido considerada demasiado subversiva levou a cantora à prisão.


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA
Episódio Nº 18


Nos pratos fundos o mungunzá de colher, a mistura do milho e do coco, da canela e do cravo. O rábula esquece por um instante a brilhante peça de acusação contra Libório das Neves. Ah! se fosse num Tribunal de Júri!

- Divino, simplesmente divino, esse mungunzá, Adriana. Se fosse no júri…

Senhores jurados, há uns seis meses passados, a inconsolável viúva, além de viúva órfã de filho perdido no Sul, desse último recebeu uma carta e logo depois um telegrama; do marido sabia encontrar-se em paz num círculo superior do Paraíso, notícias concretas e consoladoras, trazidas pelo doutor Miguelinho, entidade do além a frequentar o Círculo Espírita Paz e Harmonia, onde se realizava curas espantosas; por esse lado tudo ia bem.

Quem ia mal era o rapaz: andara dando cabeçadas no Rio, se encalacrara com dívidas e ameaça de cadeia se não pagasse em prazo curto de dias vários contos de reis; apelava para a mãe fazendo-o da maneira mais cruel – se ela não enviasse o dinheiro, ele acabaria com a vida, um tiro no peito.

É claro que não se daria tiro nenhum, vulgar chantagista, mas a pobre mãe, analfabeta, sofrida, com esse único e adorado filho, ficou feita doida, onde iria buscar os oito contos que o rapaz lhe pedia?

O vizinho de sítio a quem solicitara o favor de ler a carta e o telegrama ouvira falar de Libório, conseguiu o endereço; a viúva caiu nas unhas do agiota, que lhe emprestou oito mil cruzeiros para receber quinze seis meses depois – façam atenção aos juros, escorchantes, nunca vistos, Senhores do Conselho de Sentença!

O próprio Libório preparou o documento: se Joana não pagasse na data fixada perderia direito ao sítio, cujo valor é pelo menos cem contos, daí para mais senhores jurados!

A viúva assinou a rogo – assinando por ela Joel Reis, serviçal de Libório – por não saber ler nem escrever, incapaz de rabiscar o próprio nome. Dois prepostos do pústula serviram de testemunhas. Joana tomou o empréstimo, tranquila: o compadre devia pagar-lhe dez contos daí a quatro meses. Os cinco restantes ela os economizaria no correr dos seis meses, pois mantinha íntegra a freguesia do tempo do marido.

Sucedeu quase tudo como ela previra: o compadre pagara na data marcada, as economias ultrapassaram os cinco mil cruzeiros, ela procurou Libório para resgatar a dívida. Sabe você o que lhe disse? Adivinhe, se é capaz, Tereza, adivinhem os honrados senhores do Conselho de Jurados!

- O que foi?

- Que ela lhe devia oitenta mil cruzeiros, oitenta contos, em vez de oito.

- Mas como?

Fora ele próprio a redigir o documento e muito a propósito só escreveu a quantia de débito em números: Cr$ 8.000. Apenas ela saíra, o sórdido acrescentara um zero na cifra. Com a mesma caneta, a mesma tinta, quase na mesma hora. Onde a pobre infeliz vai arranjar oitenta mil cruzeiros, me diga? Onde Senhores Jurados? Libório requereu à Justiça que o sítio vá à praça para ser vendido em hasta pública, certamente ele o arrebatará por quatro vinténs.

Já pensou, Tereza o que vai ser dessa mulher que trabalhou a vida toda naquela chácara e de repente é jogada fora do seu pedaço de terra e fica reduzida a pedir esmola? Já pensou?

ENTREVISTA FICIONADA

COM JESUS CRISTO Nº 80 SOB O TEMA:


- “A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR”


RAQUEL - A Palestina 2.000 anos atrás era um país ocupado. A violência quotidiana, o terror das tropas romanas e a resistência armada da população. Uma situação semelhante à que existe hoje em várias partes do mundo. Connosco, mais uma vez, Jesus Cristo.

JESUS - Obrigado, Raquel, por me dares a oportunidade de falar mais uma vez com tanta gente que não vejo mas que nos escuta.

RAQUEL - Disse-nos que no seu tempo, na Galileia, havia guerrilha rural e em Jerusalém guerrilha urbana e que o seu grupo acolheu mais de um guerrilheiro zelota. Foi assim?

JESUS - Sim, mais de um ou dois ...

RAQUEL - Mas o senhor não optou pela luta armada. Por quê?

JESUS - A prioridade foi a de abrir os olhos e ouvidos do povo. A águia tem duas garras e com as duas agarra. A minha cidade foi uma presa para as tropas estrangeiras, mas não foram só os romanos. Os sacerdotes do Templo também tinham as pessoas agarradas pelo medo. Soldados e sacerdotes: duas garras.

RAQUEL - Conte-nos mais...

JESUS - Os romanos sangraram-nos com impostos e aterrorizaram-nos com as suas armas. Os sacerdotes anestesiaram-nos com o Deus que pregavam. Construíram o reino do diabo, nós anunciamos o Reino de Deus.

RAQUEL - Tanto poder assim tinham os sacerdotes?

JESUS - O Templo, era um grande negócio: a venda de animais para os sacrifícios, o câmbio das moedas, o comércio das coisas de Deus. A própria Lei da igreja tinha um jugo pesado: o jejum, a esmola, o dízimo ... e tinham medo, Raquel, pregavam um Deus que ignorava os doentes, as mulheres e os pobres.

RAQUEL - E as pessoas resignavam-se?

JESUS – As pessoas estavam cegas, surdas, paralizadas…

RAQUEL – O senhor enfrentou esse poder. Era um revolucionário?

JESUS - Eu dizia: ninguém é superior, todos somos irmãos e irmãs e Deus é o único Senhor.

RAQUEL – E por dizer essas coisas o poder religioso perseguiu-o. Considera-se um rebelde, um herege?

JESUS – Sim, quiseram-me apedrejar por heresia várias vezes. Fui expulso da sinagoga e o Sumo Sacerdote condenou-me à morte por blasfémia.

RAQUEL – O senhor foi tolerante com o poder político. O senhor concordou em pagar impostos para o imperador de Roma.

JESUS - O que é que disseste?

RAQUEL - Refiro-me à sua famosa frase, mencionando todos os políticos do mundo: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Por outras palavras: a César os impostos e a glória a Deus.

JESUS - Não, eu não disse isso, Raquel. Eu disse:
- “Não dai a César aquilo que não é de César”. Foi isto que eu disse!

RAQUEL – Perfeitamente ao contrário, então?

JESUS – Completamente. Esse homem, César, julgava-se Deus: arrogante e orgulhoso. Gravou o seu rosto nas moedas.


Eu disse: Não dêem o que eles pedem. Coloquem-no no lugar, ele é apenas um homem. E a Deus o que é de Deus. Deus está acima de tudo.

RAQUEL - Então o senhor não aprova o pagamento de impostos?

JESUS - Como podia eu aprovar que as pessoas pagassem impostos para um império estrangeiro de ocupação da minha terra e do meu povo? Como prestar homenagens a um homem que achava que era Deus?

RAQUEL - E por que é que as suas palavras levaram uma volta tão grande nos Evangelhos?

JESUS - Eu não te disse que vivíamos aterrorizados pelos romanos? Parece que quem escreveu mais tarde sobre o Reino de Deus continuava com os joelhos a tremer perante o poder de Roma.

RAQUEL - Nesse mundo violento, tão semelhante ao nosso, qual foi o projecto político de Jesus Cristo?


Não perca a nossa próxima entrevista. Raquel Perez, Jerusalém.

domingo, janeiro 30, 2011

HOJE É
DOMINGO





Nesta minha cidade de Santarém, capital de Distrito, os Domingos são “mornos”, pacatos, indolentes, mais ou menos um pouco como em todas as cidades da província por este Portugal afora que não é grande mas é acolhedor e hospitaleiro, agora para o tristonho.

A manhã está solarenga mas fria, de acordo com a época, e as pessoas não arriscam mais do que uma ida aos cafés para satisfazerem o vício da “bica” e mergulharem na leitura dos jornais.

Há efervescência em países do Norte de África, rezam as notícias. A calma e a paz impostas durante muitos anos parecem ter chegado ao fim. Uns chamam-lhe a revolta do jasmim, outros de veludo dada a confraternização do povo com os militares, o que me faz lembrar a nossa Revolução dos Cravos, em 1974, já lá vão quase 37 anos.

Ao Egipto só fui através da história: aqueles faraós todos, a Cleópatra, as pirâmides, um passado impressionante e agora… a confusão, as cenas de confronto nas ruas dos cidadãos com a polícia e amanhã com o exército. Sempre a teimosia de homens que pretendem eternizarem-se no poder à custa do desrespeito pela liberdade e os interesses da população.

Tunes, visitei-a, em viagem relâmpago de um dia, há poucos anos, e recordo o branco e o azul das casas como se estivesse numa cidade do meu Alentejo onde estas cores também predominam e se renovam, ou renovavam, caiadas pelas mulheres no princípio do Verão de quase todos os anos.

Os países do Norte de África são autênticos barris de pólvora sociais com toda aquela juventude informada, herdeira de uma cultura milenar riquíssima, com acesso fácil e rápido entre eles e com o mundo através dos novos meios de comunicação, mas sem perspectivas de futuro.

Despoletou-se um rastilho, qual será a dimensão da explosão…?

Continuo a ler o jornal desfrutando a paz e o conforto no ambiente aquecido do meu Café nesta manhã de Domingo na minha cidade de Santarém.

Um bom dia para todos!

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