sábado, maio 01, 2010


ENTREVISTA


FICCIONAL


COM JESUS


DA NAZARÉ


4º Tema – O Nascimento de Jesus.



Raquel – Ei, Maestro… Jesus! Onde vos haveis metido?

Jesus – Shalon, Raquel!

Raquel – Tenho-te procurado toda a manhã…

Jesus – Tenho estado aqui a falar com uns pastores… contaram-me das terras que lhes conquistaram…

Raquel – Pois eu digo-lhe que vários colegas das Emissoras Latinas estão interessadas em combinar entrevistas com o senhor… mas, pelo que vejo, o senhor prefere conversar com os pastores…

Jesus – Não, eu falo com quem chega…

Raquel – Pois então fale comigo… Atenção, Estúdios, Emissoras Latinas, ao vivo e em directo com Jesus da Nazareth com quem temos um tema pendente… Ontem o senhor começou a falar do parto de sua mãe Maria, recorda-se?

Jesus – Sim, recordo. E que queres saber?

Raquel – Pois, é isso, como deu à luz a virgem, bem, a sua mãe… compreendo que são perguntas muito íntimas, mas…

Jesus – Íntimas? Os partos no meu tempo não tinham nenhum segredo. Quando uma mulher chegava a hora de dar à luz toda a vizinhança se inteirava. Corriam a avisar os familiares e a parteira…

Raquel – Por não haver hospitais atendiam a mulher em sua casa.

Jesus – Sim, era o costume.

Raquel – E a deitavam?

Jesus – Como, deitar? No meu tempo paria-se de pé.

Raquel – Ah, claro, de pé… eu vi no Discovery.

Jesus – Sabes como faziam? Penduravam do teto uma corda para que a parturiente se agarrasse com força quando começassem as dores. Outra mulher colocava-se por detrás para amparar.

Raquel – E a parteira?

Jesus – A parteira punha-se diante, sentada entre as pernas da mãe ajudando-a a respirar. Outras mulheres aqueciam água e bálsamos.

Raquel – E entretanto que faziam os homens?

Jesus – Esperavam. Ficavam sentados, cá fora, no chão, em silêncio, esperando. Aos rapazes mandavam-nos buscar “hinojo” para misturar no vinho e dar de beber à pobre que estava agarrada à corda, puxa que puxa… até que aparecia a cabeça e nascia a criatura.

Raquel – E iam-se todos embora para suas casas.

Jesus – Pelo contrário, vinham mais. As mulheres começavam a cantar, a gritar de alegria pelo recém-nascido… os homens a brindar… a parteira a limpar o sangue e a cortar o umbigo… uma festa!

Raquel – E sua mãe, Maria, deu à luz assim?

Jesus – Naturalmente. Como é que haveria de dar à luz senão assim?

Raquel – Bem, é que eu li em alguns catecismos que o senhor veio ao mundo… como um raio de luz que atravessa um cristal sem rompê-lo nem manchá-lo.

Jesus – Não entendo o que queres dizer, Raquel.

Raquel – Bem… que sua mãe deu à luz sem romper… o selo da virgindade.

Jesus – O selo? Que selo?

Raquel – Quero dizer… o hímen… compreende que é um tema difícil para mim…

Jesus – Não, Raquel, isso não tem sentido. A minha mãe deu à luz como todas as mulheres davam à luz. E rompiam as águas, os selos e pariu como todas o fazem.

Raquel – Isso quer dizer que…?

Jesus – Não te enredes, Raquel. A porta da vida se santifica quando se abre, não quando permanece fechada.

Raquel – Pois… mas se tudo foi assim durante o parto… necessitamos de perguntar-te o que aconteceu antes e depois e…

Jesus – A cada dia o seu afã, Raquel e a cada entrevista também.

Raquel – Sim, é melhor despedirmo-nos do programa. De Belém,
cobrindo a surpreendente
segunda visita de Jesus à terra, a repórter Raquel Perez.

VÍDEO

Espírito desportivo...

video

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

AMII STUEWART - CANTA E DANÇA "KNOCK ON WOOD"


CANÇÕES ITALIANAS

BRUNO LAUZI -TI RUBERO
Como é bela esta canção e doce este vídeo!


CANÇÕES FRANCESES

CHRISTOPHE - ALINE
Um Clip de antologia que não podemos esquecer

CANÇÕES BRASILEIRAS

OGUM E YANSÃ - ESTE VÍDEO FOI FEITO EM HOMENAGEM AO ORIXÁ YANSÃ, ATRAVÉS DE SUA FILHA OYA SHEILA DA CIDADE DE SÃO PEDRO


CANÇÕES PORTUGUESAS

KATIA GUERREIRO - HAVEMOS DE IR A VIANA



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 108


Vadinho, sim, espalhava-se à farta, sem controle, por esse mundo afora, em cabarés e gafieiras, em forrobodós e fofocos, no Pálace, no Tabaris, no Flozô, com quengas e bruacas.

Em casa dos vizinhos tinham feito uma verdadeira exibição de sambas e foxes, de rancheiras e marchas. Doutor Ives e dona Êmina quiseram acompanhá-los – pretensão e água benta toda a gente tem – logo desistiram. Arrastavam os pés direitinho, mas para competir com dona Flor e Vadinho eram acanhados demais.

Uma coisa dançar em festinha de aniversário, muito outra sair pelo salão do Pálace nos apuros de um tango arrabalero, e logo aquele! Tudo começara quando, há sete anos atrás, ele a tirou para dançar aquele mesmo tango em casa do Major Pergentino. Saberia ainda dançá-lo tanto tempo depois e, ao demais, nessa noite quase mágica quando vem ao Pálace pela primeira vez? Sem adivinhar que essa primeira vez seria a última, primeira sem segunda, noite sem retorno.

Só agora, na solidão da memória e do desejo, ela se dá conta da importância de cada detalhe, por mais ínfimo, dessa noite de quimera: desde a entrada no salão de dança até ao derradeiro minuto de prazer infinito de desbragada impudicícia no leito de ferro, com ele a lhe cobrar, na raiz do seu corpo, o presente de aniversário: a ida ao Pálace.

Dois gestos de Vadinho, ambos igualmente ternos e imperiosos, marcam para dona Flor o início e o fim daquela noite de sortilégio. O primeiro, na hora do convite para o tango, quando, a sorrir, lhe estendeu a mão e assim a conduziu à pista de dança. O outro foi no leito em desalinho e tempestade: ele a volteou pelos ombros… Mas já o recordará, a esse tremendo gesto, quando a ele chegar em seu devido momento, nessa caminhada com Vadinho através da noite do seu aniversário. Vai devagar, passo a passo, detalhe a detalhe demorando nas escalas; arribará a cada porto de alegria, de medo ou de luxúria.

Na pista de dança o braço de Vadinho a envolve e ela sente seu corpo leve na cadência da música. Busca então dentro de si aquela mocinha em férias no Rio Vermelho, caladona, sem namorado, tímida no quadro do pintor sergipano, a colher flores no jardim de tia Lita e a desabrochar de súbito nas noites de quermesse quando a mão de Vadinho lhe acendeu seios e coxas e sua boca a queimou para sempre.

No salão do Pálace iam os dois a dançar, num tango de doçura e de volúpia, tão de jovens inocentes namorados e tão de lúbricos amantes. Era como se houvessem retornado ao fascínio da casa do Major, ao impacto do primeiro encontro, do primeiro olhar, do riso inicial, do enleio; sendo também os maduros amantes de sete anos depois, um tempo longo de padecer e amar.

Casta donzela, dona Flor, mocinha cândida; desabrochada mulher e ardente fêmea, dona Flor, nas mãos de Vadinho, seu marido. Tango igual a esse jamais fora dançado, assim transparente de ternura, assim obscuro de sensualidade. Até da sala de jogo veio gente apreciar.

O paulista dos livros, com sua experiência dos cabarés de são Paulo, Rio e Buenos Aires, e Zequito Mirabeau, com todo seu convencimento, deram-se por vencidos e abandonaram a pista toda inteira livre para Dona Flor e Vadinho para sua noite de paixão.

Quem era a dama de Vadinho? – perguntavam-se os habitues. Alguns sabiam, a informação se espalhou célere: “é a esposa dele, é a primeira vez que vem aqui…” A mais graciosa das irmãs Catunda, a do meio, fez um muxoxo de pouco caso, mordida de ciúme.

sexta-feira, abril 30, 2010

A Propósito do Subsídio de Desemprego


Na qualidade de reformado do Estado considero-me um privilegiado. Sempre tive um ordenado certo ao fim do mês e ainda que modesto permitiu-me viver com dignidade, direi mesmo com à vontade, porque sempre fui poupado nos gastos.

Nunca passei pela angústia de esperar por um ordenado que não vinha ou por um emprego em risco de se perder e, pior, por um emprego perdido.

Grande parte da minha vida activa aconteceu em situações muito aceitáveis quanto aos níveis de desemprego, na ordem dos 4 a 5%, valores que hoje corresponderiam a pleno Emprego.

Recordando coisas do meu passado, creio que, ainda na década de 80, fui de excursão a alguns países da Europa, entre eles a Alemanha, região de Munique, onde tivemos como guia uma senhora, instruída, que falava muito razoavelmente o português (não é fácil para um alemão) e que, tal como eu, também trabalhava na área do emprego.

Perguntei-lhe se os trabalhadores alemães desempregados a receberem o subsídio de desemprego tinham dificuldades de vida nessa situação.

Que não, o subsídio que recebiam era suficiente para atender às suas necessidades normais, do dia a dia, mas, num aspecto, eles eram gravemente atingidos: no seu orgulho!

Verem o vizinho, de manhã, sair de casa para o trabalho e ele ficar inactivo a viver à custa dos descontos que iriam recair sobre o ordenado do outro (princípio da solidariedade), representava uma situação humilhante.

Lembrei-me, então, de muitos trabalhadores do meu país que na situação de desempregados procuravam acumular o subsídio de desemprego com os ganhos em outros “biscates” ou, simplesmente, tentar esgotar o subsídio até à última prestação numa atitude calculista e passiva.

Retenho ainda na memória um grupo de mulheres que trabalhavam no campo por conta de outrem, no Ribatejo, mas que ao fim de seis meses de descontos apareciam no Serviço para requererem o subsídio a que passavam a ter direito, nesse próprio dia, sem nunca falharem.

Realidades diferentes: alemães e portugueses. Contextos históricos diferentes deram lugar a povos diferentes.

Os portugueses, para sobreviverem, tiveram muitas vezes ao longo da sua história, de recorrerem ao expediente, às manhas e artimanhas, ao engano, à simulação, ao chamado “desenrascanso”. Saíram do seu país, para o Brasil, para África, para a Índia, para todo o mundo. Para fugir da fome, atiraram-se à aventura, uns foram heróis, outros santos, a maioria anónimos corajosos na sua humildade sujeitos à sorte de destinos incertos.

Já em minha vida, encontrei alguns, no princípio dos anos sessenta, nos confins de Angola, isolados, comprando e vendendo, mais propriamente, trocando produtos com as populações locais, em situações impensáveis para qualquer alemão.

No século XXI, eles continuam ainda ligados às suas raízes, tentando enganar o Estado que no passado os abandonou, nunca tendo querido preocupar-se com eles.

IMAGEM
É assim que elas lutam...

VÍDEO

Nada como o espírito desportivo...

video

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

BERLIN - TAKE MY BREATH AWAY


CANÇÕES BRASILEIRAS

ELIS REGINA - ME DEIXAS LOUCA
( Ela cantava com a alma...
esta foi a sua última interpretação na TV)


CANÇÕES FRANCESAS

ISABELLE BOULAY - JAMAIS ASSEZ LOIN


CANÇÕES ITALIANAS

ALBERTO LUPO e MINA - PAROLE, PAROLE (1972)


CANÇÕES PORTUGUESAS

DEOLINDA - MAL POR MAL
(Os Deolinda foram eleitos o Grupo Revelação pela Revista inglesa "Songlines" graças ao album "Canção ao Lado".)



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 107




Quando dona flor, trémula, ao braço de Vadinho, cruzou a porta do salão do Pálace Hotel, numa singular coincidência a orquestra executava o mesmo antigo e nunca envelhecido tango por eles dançado naquele primeiro encontro em casa do Major Tiririca, ao som do piano de Joãozinho Navarro, durante as festas do Rio Vermelho, na semana da procissão de Yemanjá. Sentindo o coração pulsar mais forte, dona Flor sorriu para o marido:

- Você se lembra?

Diante deles estava a sala numa meia sombra de luzes camufladas, um abajur de papel colorido sobre cada lâmpada, perfeição de mau gosto; dona Flor achando tudo lindo, a semi-obscuridade, as mesas com flores de papel crepon e o abajur, que amor, meu deus! Vadinho olhou em torno sem localizar sem localizar lembrança alguma, tudo lhe era familiar e íntimo, mas nada daquilo se referia a dona Flor.

- De que, meu bem?

- Da música que está tocando. É a mesma que a gente dançou no dia que se conheceu… Na festa do Major, se lembra?

Vadinho sorriu: “é mesmo…” enquanto ocupavam a mesa reservada, mesa de pista bem em frente à passagem a unir os salões, o de dança e o de jogo. Dali, sentadas, Flor e dona Gisa podiam apreciar todo o movimento, evoluções de dançarinos, agitação de jogadores. Ainda de pé, Vadinho examinou a pista ocupada por dois pares de tão eméritos tanguistas a ponto de mais ninguém se atrever a competir com eles. As damas eram duas das irmãs Catunda.

A mais velha e negra tinha de cavalheiro a um tipo alto e romântico, roupa na última moda, jeito de galã sul-americano de cinema, ar de gigolô. Vadinho soube depois ao ser-lhe apresentado, tratar-se de Paulista a passeio na Bahia, Barros Martins de nome, honesto editor de livros e, como é óbvio, em se tratando de um editor, riquíssimo. Um retado no tango, com modos e competência de profissional, traçando letras, como se diz, numa execução impecável de laboriosos passos.

A mais nova e branca, nos braços de Zéquito Mirabeau, o mesmo “belo Mirabeau” das marafonas e da encrenca com Zé Sampaio. De olhos voltados para o alto, mordendo o lábio, levando de quando em vez a mão nervosa à cabeleira esvoaçante, não fazia por menos o baiano, desdobrando seu tango na maior maciota, a chuetar do paulista em floreios e requintes; um tango barroco.

Vadinho observou a cena e, ainda a sorrir, estendeu a mão a dona Flor e lhe propôs, ajudando-a a levantar-se da cadeira:

- Meu bem, vamos dar um quinau nesses coiós? Vamos ensinar a eles como é que se dança o tango?

- Será que ainda sei? Faz tanto tempo que não danço, estou com as juntas emperradas…

Dançara pela última vez há mais de seis meses, quando Vadinho, por qualquer milagre, fora com ela a um assustado em casa de dona Êmina, brincadeira de aniversário. Vadinho era exímio pé de valsa, e dona Flor dançava bem e gostava de dançar. Um dos seus motivos de permanente desgosto residia no facto de quase nunca dançarem os dois, devido a muito de raro em raro acompanhá-la Vadinho às festinhas em residências amigas. E, sem o marido, reduzida à animação dos comentários, dos fuxicos, das mesas de doce, não lhe passava sequer pela cabeça a ideia subversiva de dançar com outro cavalheiro, coisa que mulher casada só pode fazer com expresso
consentimento e na presença de seu senhor esposo.

quinta-feira, abril 29, 2010


ENTREVISTA
FICCIONAL
COM JESUS
DA NAZARETH



Tema - Homossexualidade



A repórter Raquel fala com Jesus sobre o tema da homossexualidade, gays e lésbicas e casamentos entre pessoas do mesmo sexo.



Raquel – Jesus, podemos começar?

Jesus – Sim, Raquel, comecem.

Raquel – Por que é que o senhor condena os homossexuais?

Jesus – Eu? Eu nunca os condenei.

Raquel – Bem, não os condenou, mas disse que eles não entrariam no reino dos céus que, se não é o mesmo, é quase igual.

Jesus – Creio que estás equivocada, Raquel. Eu nunca disse isso.

Raquel – Leio aqui no Novo Testamento: “Não os enganeis. Nem os impuros, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os homossexuais, nem os ladrões, nem os bêbados… herdarão o Reino de Deus.

Jesus – Quem escreveu isso?

Raquel – São Paulo. Primeira Carta aos Coríntios, 6.10.

Jesus – Ah!, sim, mas não te esqueças que Paulo, segundo me contaram, havia sido fariseu. Ele partilha de muitas posições de dureza que eram dos fariseus. Eu nunca fiz essa lista de pecadores que ele enunciou, eu nunca falei contra os homossexuais.

Raquel – Mas Deus, sim, falou. Com fogo e enxofre castigou os habitantes de Sodoma que eram homossexuais.

Jesus – Pois… creio que voltaste a equivocar-te.

Raquel – Não eram sodomitas os Sodomitas?

Jesus – O pecado de Sodoma foi-me explicado uma vez por um rabino como tendo consistido numa falta de hospitalidade para com os mensageiros de Deus. Não terá sido um pecado sexual mas social.

Raquel – Então, segundo o senhor, Deus não condena os gays nem as lésbicas?

Jesus – Diz-me uma coisa, Raquel. Que faz uma mãe quando se apercebe que seu filho é diferente dos demais? Fecha-lhe a porta quando ele a chama? Atira-lhe uma pedra quando ele lhe pede a bênção? Deus é uma mãe, não o esqueças.

Raquel – Então o senhor defende-os?

Jesus – Muitos os atacam. Para muitos são os últimos mas para o reino de Deus serão os primeiros.

Raquel – Não sei, ouvindo-o falar…no seu grupo de apóstolos também havia homossexuais?

Jesus – Seguramente.

Raquel – Talvez João, o mais jovem dos apóstolos, o que escreveu um dos evangelhos?

Jesus – A João e a seu irmão Santiago os chamava de “filhos de trovão” porque ambos eram muito violentos…

Raquel – Mas, sem dúvida, sempre pintaram João como efeminado…

Jesus – Porque não o conheceram… e porque não entendiam a amizade entre os homens.

Raquel – Que diria o senhor às Igrejas às Igrejas homofóbicas que continuam a recusar e a condenar gays e lésbicas?

Jesus – Que se estão livres do pecado que atirem a primeira pedra e que, com a vara com que hoje medem, um dia serão medidos.

Raquel – Concluindo, Jesus, admitiria o senhor no seu grupo, ou como dirigente da comunidade, uma pessoa homossexual?

Jesus – Por que não? Eu nunca perguntei isso a quem se juntava ao nosso movimento. O que eu lhes perguntava era se eles queriam “meter a mão no arado” para lutar pela justiça. Só isso.

Raquel – E, já agora, algo um pouco mais delicado… aprovaria o casamento entre dois homens ou entre duas mulheres?

Jesus – Sim, se fosse uma união de amor, por que não? Onde está amor está Deus.

Raquel – Hoje, sim, deixa-me chamar-te Maestro. Obrigado Maestro, pelas tuas palavras. Creio que muitos gays e lésbicas que estão lendo esta nossa entrevista receberam uma boa notícia.

Da Nazareth, a repórter Raquel das Emissoras Latinas.

VÍDEO

Uma espécie de tourada...

video

MÚSICA ANGLO - SAXÓNICA

MICHAEL JONHSON - I'LL ALWAYS LOVE YOU

(Uma linda balada com imagens espectaculares. Amplie-as clicando nas setinhas)

CAMÇÕES BRASILEIRAS

CLARA NUNES - SERENATA DO ADEUS
(Ver e Ouvir a Clara nesta canção é como estremecer a alma num sacudir de emoção...)

CANÇÕES FRANCESAS

LES CHATS SAUVAGES - C'EST PAS SÉRIEUX (1962)
(Tema do filme "A Dream")


CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CELENTANO - STAI LONTANA DA ME (1962)


CANÇÕES PORTUGUESES

FERNANDO TORDO - CAVALO Á SOLTA
(saudosinhos à parte, tudo é lindo: o jovem cantor, a música, o poema do Ary dos Santos, a interpretação e a orquestração. Em 1971, estas "coisas" da Eurovisão levavam-se mesmo a sério... reparem como o Tordo vi vestido.)


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 106


Mas Vadinho nunca se deixara convencer e, quando sem argumentos, fugia numa vaga promessa:

- Não há-de faltar ocasião…

Eis que finalmente surgia essa ocasião tão recusada. Dona Flor nem quis acreditar, quando ele, pegado de surpresa e sem recurso para desdizer-se, concordou ainda que a contragosto:

- Se é isso que você deseja… Um dia tinha de ser…

É, tendo decidido, logo desdobrou o projecto, ampliando o convite aos tios, a dona Norma – e por seu intermédio a Zé Sampaio – a dona Gisa.

Tia Lita agradeceu e recusou: vontade não lhe faltava, mas onde os vestidos de noite, as toaletes à altura do Pálace? Mais morta de vontade ainda dona Norma, uma noitada no Pálace era o supra-sumo, mas seu Sampaio foi inflexível: vizinha excelente, dona Flor, pessoa de sua estima, e o próprio Vadinho lhe era simpático. Agradecia o convite, mas, tivessem paciência não podia aceitar. Nos dias de semana, seu Sampaio, às nove da noite, já estava recolhido, punha-se de pé às seis da manhã para a labuta em sua loja de sapatos. Fosse soiré de sábado ou véspera de Domingo, de acordo e com prazer. Quanto a dona Norma ir ao Pálace sem ser em sua companhia, como aventava dona Flor, desculpassem; hipótese absurda, fora de cogitações.

A frequência de um ambiente como aquele, de jogo e bebidas, caracterizava-se pela mistura do melhor e do pior, numa promiscuidade onde se introduziam estroinas e libertinos sem noção de respeito às famílias.

Uma das poucas vezes em que lá estivera, arrastado por dona Norma, ansiosa de ouvir um xibungo francês (seu Sampaio nunca vira cara mais adamado e, no entanto, as mulheres suspiravam por ele), sucedera desagradável incidente. Bastou seu Sampaio deixar a mesa por um momento, premido pela urgência de ir ao mictório, e logo um ousado apareceu a querer tirar prosa com dona Norma, convidando-a para a pista de dança, a lhe gabar toalete e olheiras, como se ela fosse uma qualquer. Seu Sampaio só não exemplou o salafrário porque lhe conhecia a família, sua mãe, dona Belinha e as duas irmãs, gente da maior distinção, óptimas freguesas de sua loja, como aliás o próprio biltre, um habitué do jogo e da boémia, Zéquito Mirabeau, também conhecido entre as mulheres-dama como “o belo Mirabeau”.

Reduziram-se assim os acompanhantes à professora Gisa, feliz com o convite: pela oportunidade de ouvir The Honolulu’s Sisters e de poder perscrutar com seu olho sociológico e psicanalista o denegrido mundo da jogatina, estabelecendo-lhe a definitiva metafísica.

Dona Flor passou o resto do dia numa azáfama: a decidir com a ajuda de dona Norma e de dona Gisa, sobre vestido e estola, luvas e chapéu, a escolher sapatos e bolsa. Naquela noite, nos salões do Pálace, tinha de ser a mais bela de todas, a mais elegante, sem que nenhuma outra pudesse com ela se medir e comparar, nem senhora fidalga da Graça, com vestidos do Rio nem rapariga de banqueiro ou fazendeiro de cacau, com enfeites de Paris. Naquela noite ia finalmente
transpor
a vedada porta.

quarta-feira, abril 28, 2010

DIÁLOGO

FICCIONAL

COM JESUS

DA NAZARETH

2º Tema - O ABORTO



RAQUEL - Numa das verdes colinas que rodeiam Nazaré, continuamos com Jesus Cristo, que gentilmente nos vem concedendo declarações exclusivas que captam o interesse de nossos ouvintes e muito especialmente das nossas ouvintes.

JESUS - É que as mulheres sempre têm os ouvidos mais abertos para o Reino de Deus, Raquel.

RAQUEL - Suponho que já esteja sabendo da insistência com que as autoridades das igrejas cristãs, as que seguem o senhor, condenam o aborto e mandam aos infernos as mulheres que interrompem sua gravidez. Gostaria de falar sobre isso hoje para nós?

JESUS - Sim, por que não?

RAQUEL - Preparando-me para esta entrevista, estive folheando a Bíblia a direito e a revés e não encontro o que o senhor disse sobre o aborto. Poderia me indicar em que página está?

JESUS - Em nenhuma. Eu nunca falei sobre o aborto.

RAQUEL - Nunca?

JESUS - Nunca. Neste caso quem procura não encontrará.

RAQUEL - E como se explica que tratando-se de um tema tão transcendente o senhor não tenha dito nada?

JESUS - E o que eu iria dizer sobre a gravidez ou do aborto? Os homens não engravidam. O que sabemos nós sobre essas coisas?

RAQUEL - Isso é verdade, mas…

JESUS - Em Nazaré, eram as parteiras que sabiam. Elas assistiam as mulheres quando lhes chegava a hora. E também sabiam como terminar uma má gestação.

RAQUEL - E o que era uma má gestação naquele tempo?

JESUS - Bom, a de uma mulher doente e sem forças. Ou a de uma mulher pobre e com uma penca de filhos. Também havia jovens que engravidavam de homens abusadores. Nas aldeias do norte, os soldados romanos forçavam as mulheres, até as meninas. Uma boa gravidez era sempre uma bênção de Deus mas diante de uma má gravidez teria que se pensar no que fazer.

RAQUEL - Vocês perguntavam ao sacerdote o que fazer?


JESUS - Não. Nem aos sacerdotes, que viviam em Jerusalém, nem aos rabinos, que estavam mais próximos nas sinagogas. Como eu disse, os homens não se metiam nisso. Como íamos nos meter, se não sabíamos nada? As parteiras decidiam.

RAQUEL - E como faziam?

JESUS - Usavam ervas. Não havia remédios como as que me dizem que há agora. As ervas eram remédios para todas as doenças. As parteiras conheciam a erva-doce, a arruda silvestre, a losna… Conheciam a medida para cada padecimento… Com ervas as mulheres abortavam. Aquelas parteiras eram sábias. Algumas entraram em nosso movimento.

RAQUEL - Confesso que estou desconcertada. Então, o aborto não era pecado?

JESUS - Por que seria pecado, Raquel? As parteiras rezavam a Deus quando assistiam as mulheres nos partos e o louvavam quando a criatura nascia sã. Também rezavam quando ajudavam a terminar uma má gravidez. E agradeciam se tudo saia bem. Elas pediam a Deus que guiara suas mãos... Eram mulheres de muita fé.

RAQUEL - Escuta os telefones, Jesus Cristo? Tudo o que o senhor nos disse é extremamente novo e até escandaloso. Ouça quantas chamadas… continuaremos falando do aborto, Jesus Cristo?

JESUS - Claro que sim, Raquel, seguiremos falando da vida.

VÍDEO

Este homem nasceu para vender...

video

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

THE BEATLES - MICHEL



CANÇÕES BRASILEIRAS

CLARA NUNES/ JOÃO NOGUEIRA - BELA CIGANA
(linda interpretação de duas vozes maravilhosas)


CANÇÕES FRANCESAS

JEAN FRANÇOISE MICHAEL - JE PENSE À TOI


CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CELENTANO - LA STÓRIA DI SERAFINO (1969)


CANÇÕES PORTUGUESAS

SUSANA FÉLIX - CAVALO À SOLTA

Versos do grande poeta ARY dos SANTOS, meu colega no Colégio São Jão de Brito,quando passam este ano 25 anos sobre a sua morte.




DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 105


Caiu o aniversário de dona Flor em semana de tanta pompa e fortuna, Vadinho bem forrado, a ponto de exibir e cumprir louvável intenção de fornecer algum numerário para as despesas da casa, acontecimento fausto e raro.

Dona Laura persistia em saber, ranheta:

- O que é que você vai oferecer à sua mulher?

Vadinho sorriu para a vizinha dando-lhe o troco:

- O que vou dar a Flor? Pois vou dar o que ela me pedir, seja lá o que for… o que ela quiser…

Dona Norma foi em busca da aniversariante: “minha filha, escolha o que quiser”; dona Flor veio da cozinha enxugando as mãos no avental:

- É de verdade, Vadinho, que você me dá o que eu quiser? Você não está mangando comigo?

- Pode dizer…

- Não vai dar para trás? Posso pedir?

- Quando eu prometo, você sabe que cumpro, meu bem…

- Pois o presente que eu quero é ir jantar no Pálace com você.

Dizia quase a tremer, pois ele jamais a admitira misturada àquele seu mundo, e, de toda a gente do jogo, ela só tinha relações de amizade com Mirandão, seu compadre, único a frequentar-lhe a casa amiúde. Alguns ela conhecia de tê-los visto uma vez ou outra, dos demais apenas ouvira os nomes rebarbativos. Mesmo Anacreon, tão da estima de Vadinho, aparecera no máximo umas cinco ou seis vezes naqueles sete anos e quanto a Arigof viera apenas um domingo filar o almoço. O mundo de dona Flor era o da rua, o do bairro, o de suas alunas e ex-alunas, estendendo-se pelo Rio Vermelho, pela Ladeira do Alvo, por Brotas, relações com gente bem, nada tinha a ver com a vida irregular do marido. Vadinho não admitiu jamais dona Flor nas suspeitas plagas do jogo, naquelas terras da roleta e dos dados, esposa era para o lar, que diabo viria fazer em tais ambientes?

- De malfadado basta e sobra comigo. Tu não é para esse meio.

Não adiantava ela argumentar com o facto notório de ser o Pálace hotel um centro elegante, local de encontro da mais alta sociedade. Cear em seu aparatoso salão, dançando ao ritmo da melhor orquestra do Estado; assistir à exibição de astros da rádio e do teatro, procedentes do rio e de São Paulo, era programa de muito bom tom. Ali as senhoras da Barra e da Graça exibiam os últimos modelos e algumas delas, as mais evoluídas, num requinte de desenvoltura, arriscavam fichas na roleta. A sala de jogo era como uma continuação do salão da dança: larga passagem em arco estabelecia inexistente e ruinosa fronteira.

Por que tão obstinada recusa? Por que, Vadinho? Dona Flor ia do rogo à exigência, das súplicas às broncas:

- Você não me leva para eu não descobrir suas raparigas…

- Não quero lhe ver nesses lugares…

Dona Norma não fora ao Pálace, por mais de uma vez, com seu Sampaio, quando de alguma atracção sensacional? Os argentinos da cerâmica, esses não faltavam um único sábado, apesar de Bernabó ser inimigo de qualquer espécie de jogo. Iam comer, dançar, aplaudir os artistas.

terça-feira, abril 27, 2010


Um elefante vê uma cobra
pela primeira vez:



Muito intrigado pergunta:

- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas! É muito simples - responde a cobra, rastejo, o que me permite avançar.

- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!

- É muito simples - responde a cobra já irritada - não preciso de tomates, ponho ovos.

- Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!

- Não preciso! Abro a boca assim, muito grande, e com esta enorme garganta engulo a minha presa directamente.

- Ah... ok! Ok!

Mas então, resumindo.... rastejas, não tens tomates e só tens garganta...

- És Chefe de quem ?????!!


UM DEUS
ENCERRADO
EM DOGMAS

Um Deus encerrado numa jaula de palavras é sempre menor do que a própria jaula. Se houvesse um mistério, os dogmas degradavam-no.

Esse Deus não é um Deus livre é um Deus pequeno, constituído de ideias de pessoas a partir daquilo que elas são, porque primeiro vem a vida e depois o pensar.

Tudo o que se diz de Deus são metáforas poéticas que não revelam Deus mas apenas o pensamento daquele que fala. Uma linguagem que começou sendo casa e terminou sendo cárcere.

Os dogmas são palavras portadoras de poder, ferramentas que impedem o caminhar. Estacam, paralisam, dividem, não deixam ser, não deixam avançar, conformam-se com o estar.

Ancorados no antigo e em permanente contar e recontar a velha história dos que falaram primeiro. Um polvo de costumes, normas, leis, regras forjadas no medo. Medo de perder, de
perder uma verdade que já ninguém reconhece, medo ao canto e ao amor que tudo transforma.


Maria Casculluela Perez


DIÁLOGO FICCIONAL
COM JESUS
DA NAZAREHT
1º Tema - O CELIBATO DOS PADRES




Entrevista da jornalista Raquel a Jesus de Nazaré sobre o tema do Celibato dos Padres. Ao fim e ao cabo, quem melhor que o próprio Jesus da Nazaré para nos esclarecer sobre esta assunto? Emissoras Latinas em Jerusalém, cidade onde se cruzam culturas e religiões e onde uma vez mais nos cruzamos com Jesus Cristo nestas jornadas históricas de sua segunda vinda à Terra.




RAQUEL - Bom dia, Jesus Cristo.

JESUS - Que seja bom, Raquel.

RAQUEL - Na nossa entrevista anterior falamos dos sacerdotes. Já é hora de abordar um tema especialmente polémico: o celibato, a proibição que eles têm de se casar e formar uma família.

JESUS - Já vejo com o que você vem, Raquel. Vai me fazer também responsável por esta lei?

RAQUEL - E o senhor não tem nada a ver com isso?

JESUS - Nada. Eu não impus esse jugo a ninguém. Como eu ia fazer isso se em nosso movimento todos os homens tinham sua mulher? Felipe, Natanael, Pedro, Mateus… todos.

RAQUEL - Mas a Bíblia proíbe que os sacerdotes se casem.

JESUS - A Bíblia? O que Deus disse é que não é bom que o homem fique só. Inclusive Paulo, que era bastante severo, me dizem que recomendou que os bispos tivessem suas mulheres. Uma só, isso sim. Ele dizia, e com razão, que se não podiam administrar bem a sua casa, muito menos a comunidade.

RAQUEL - Então, quando começou esta lei do celibato?

JESUS Quem pode saber? Consulte os seus amigos.

RAQUEL - Espere um momento… Vou ligar para… Está ouvindo bem?... estamos aqui em Jerusalém, na linha com Iván Vargas, especialista neste tema… Ivan, queremos saber quando se estabeleceu o celibato dos sacerdotes.

IVÁN - O dado é curioso. Foi no Concílio de Nicéia, ano 325, quando se decidiu que os padres não poderiam ser casados.

RAQUEL - Por que você disse que o dado é curioso?

IVÁN - Porque uns anos antes desse Concílio, o Imperador Romano Constantino tinha presenteado os bispos e sacerdotes com muitas terras e muito dinheiro.

RAQUEL - E o que isso tem a ver com os padres se casarem?

IVÁN - Tem muito a ver. Imagine que um bispo tinha cem hectares de terra e um dinheirinho economizado. Se esse bispo é casado, quando morrer, quem ficará com a terra e as economias?

RAQUEL - A esposa e os filhos, naturalmente.

IVÁN - Mas se ele não está casado, é a Igreja quem fica com tudo. A Igreja não se preocupava se os bispos e os padres tivessem mulheres, que tivessem filhos... Contanto que...

RAQUEL - Contanto quê?

IVÁN - Que não os reconhecessem. O proibido era isso, reconhecê-los. Porque as concubinas e os filhos ilegítimos não tinham nenhum direito, não podiam herdar.

RAQUEL - E essa foi a razão da lei do celibato?

IVÁN - Elementar, Raquel. Tinha que se proteger o património proibindo o matrimónio.

RAQUEL - Parece incrível...

IVÁN - Assim foi como a Igreja acumulou e acumulou propriedades…verdadeiros latifúndios. Uns séculos depois, era a maior latifundiária de toda Europa. Os papas, os bispos e os padres continuavam a ter mulheres e filhos mas não os reconheciam, deixavam-nos ilegítimos. Assim não herdavam nada.

JESUS - E me fazem responsável por tudo isso!

IVÁN - O mais engraçado é que o Papa Paulo III, que teve “uns tantos” filhos ilegítimos, foi quem impôs definitivamente o celibato para todos os sacerdotes no Concílio de Trento.

JESUS - Hipócritas. Colocam cargas pesadas sobre os ombros dos outros, mas eles não querem movê-las nem com um dedo.

RAQUEL - Obrigado, Iván. Depois de tudo o que escutamos, Jesus… o senhor seria a favor do celibato opcional, aprova que os sacerdotes se casem?

JESUS - Com certeza. Que cada um decida. Que cada um eleja seu caminho. O Reino de Deus é luta e requer esforço. Mas também é festa. E a carga tem que ser ligeira e o jugo suave.

RAQUEL - Lei do celibato. Celibato obrigatório. O que as igrejas acham de tudo isto? E, sobretudo, o que opinam as mulheres e os filhos não reconhecidos?

Nos veremos em um próximo programa e recebam os cumprimentos de Raquel Pérez, enviada especial das Emissoras Latinas em Jerusalém.

VÍDEO

Para ver e apreciar...

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CANÇÕES ANGLO SAXÓNICAS

ANITA WARD - RING MY BELL


CANÇÕES BRASILEIRAS

ROBERTO CARLOS / IVETE SALGADO- SE EU NÃO TE AMASSE TANTO ASSIM


CANÇÕES FRANCESAS

DENISE AIMMER - ALOUETTE
(linda e sensível esta canção...)


CANÇÕES ITALIANAS

GIANI MORANDI - NON SON DIGNO DI TE
(Do filme "Degno Di Te" de 1964)


CANÇÕES PORTUGUESAS

DULCE PONTES - POVO QUE LAVAS NO RIO
VERSOS DE PEDRO HOMEM DE MELO



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 104




Atirou o dinheiro na cara do alfaiate, deu-lhe as costas enquanto o outro, apalermado, recolhia as notas pelo chão, por entre a vaia das mulheres.

Era um fidalgo, esse Arigof, de roupas e de maneiras, e como bom fidalgo outra coisa não fizera na vida senão jogar; pobre como Jó, negro retinto, mestre capoeirista, de entrada proibida no Pálace Hotel, onde certa feita dera alteração das maiores, quando um gracioso filhinho-de-papai de uísque racista, ao ver o negro Arigof impecável, todo de branco, riu para a sua roda e disse: “olha o macaco que fugiu do circo”. Ficou o salão em pandarecos e o sacana farrombeiro exibe até hoje uma flor aberta na face a traço de navalha.

O sucesso dos dois amigos foi motivo de ceia comemorativa, sobre a presidência ilustre de Chimbo. Compuseram a mesa Mirandão, Robato Anacreon, Pé de Jegue, o arquitecto Lev Língua de Prata, os jornalistas Curvelo e João Batista, o bacharel Tibúrcio Barreiros, além dos anfitriões e de um distinto ramalhete de mundanas e, digamos, de artistas, satisfazendo assim a vontade das irmãs Catunda, ciosas de sua arte e escol da brilhante sociedade reunida no castelo da gorda Carla. Essas irmãs Catunda, “artistas de talento polimorfo”, segundo escreveu em O Imparcial o foliculário Batista, eram três espoletas, filhas da mesma mãe Jacinta Apanha-o-Bago e de pais diferentes. A mais velha, quase negra, a mais nova quase branca, a do meio um amor de mulatinha, de comum só possuíam a progenitora e a desafinação. Fracas no gorjeio mas óptimas na cama, onde realmente polimorfas, segundo depoimento do mesmo João Batista cujo salário no jornal e uns cobres cavados aqui e ali eram gastos com as empreendedoras irmãs; conhecendo o trio, uma a uma, ainda não decidira o redactor qual a mais perita e politécnica. A do meio, Zilda, tinha um fraco por Vadinho.

Lev Língua de Prata e o advogado haviam querido levar The Honolulu’s Sisters para abrilhantar ainda mais a ceia. Sem resultado. Essas Sisters não eram irmãs sequer de mãe, não vinham tão pouco de Honolulu; duas negras norte-americanas, foscas na cor mas de plástica perfeita; frágil corça a meiga Jô destra pantera a musculosa Mô. De comum, além dos corpos sem jaca, tinham a voz agradável e o estranho comportamento: não aceitavam convites para passeios, jantares, serenatas, banhos de mar em Itapoâ, luar na Lagoa de Abaeté, nem para sentar e beber em mesa de freguês algum. Nem o banqueiro Fernando Góes, alto, bonito, elegante, solteirão, farto de dinheiro, as mulheres rojando-se a seus pés, nem ele as obteve; no entanto fora ao Pálace só para vê-las e estourara champanhe francês. Jô e Mô cantavam spirituals e música de jazz até à hora de entrar em cena, dançavam com seios e bundas à mostra mas permaneciam juntas e sozinhas até à hora de entrar em cena, semi-escondidas numa discreta mesa de canto, de mãos-dadas, sorvendo drinques no mesmo cálice. Depois do número subiam para o quarto, não queriam conversa com ninguém.

Foi grandiosa a ceia, com vinhos e champanhe, as Irmãs Catunda no máximo dos seus dotes artísticos, uma euforia geral, à excepção do jovem bacharel Barreiros ainda aporrinhado com a recusa das americanas, “machonas mais escrotas”, bebendo com raiva, indiferente aos gorjeios da gorda Carla a lhe propor consolo e poesia. Na hora da conta, Arigof quase briga com Vadinho ao negar-lhe o direito a contribuir, mesmo com parcela meramente simbólica para o pagamento da despesa. O negro, ainda com o demónio no corpo, declarou considerar grave insulto à sua honra qualquer proposta de cooperação financeira.

segunda-feira, abril 26, 2010

SALGUEIRO MAIA


Com a devida vénia, permito-me transcrever um texto que o autor do Blog "O Jumento" publicou sobre Salgueiro Maia e endereçar-lhe os meus sinceros parabéns pela justiça sem tibiezas e rodriguinhos, como é seu tom, que presta a este nosso compatriota de excepção. Temos já aqui, perto de nós, a Ponte Salgueiro Maia, sobre o Tejo, linda, por sinal, mas, como dizia o saudoso Vasco Santana: " pontes há muitas".

A qualidade do cidadão Salgueiro Maia justifica inteiramente a colocação dos seus restos mortais no Panteão Nacional e se chegar a haver ou quando houver um novo Aeroporto, não de Lisboa mas de Portugal, que se lhe ponha o nome de Salgueiro Maia porque os melhores heróis de uma país são aqueles que o sendo de verdade, não o quiseram ser... e este era daqueles que tinha "asas para voar".


"Salgueiro Maia foi um dos melhores interpretes do 25 de Abril enquanto abrir a porta de Portugal à democracia, teve coragem quando foi necessário tê-la, restaurada à democracia voltou ao seu quartel, deu tudo quanto tinha e nada pediu em troca. Não fez discursos, não pretendeu tutelar a vontade do povo, não assinou artigos como capitão de Abril, fez o que tinha de fazer, foi o que tinha de ser.

Por ser quem foi ficou esquecido, representava a coragem que uma direita apeada do poder absoluto nunca perdoou, chegando ao ponto de um Presidente da República dessa direita o ter desprezado ao mesmo tempo que pagava os serviços prestados de um “pide”, foi mesmos promovido do que outros “revolucionários” mais vistosos e que os oficiais da direita depois de retomada a normalide. Foi esquecido por uns e perseguido por outros. Hoje todos os amamos mas quantos não o esqueceram?

Ainda hoje há quem assine artigos de jornal como “capitão de Abril”, quem decida quais os nomes dos oficiais de Abril que devem constar nas estátuas, quem cobre ao país o favor de lhe ter ajudado a conquistar a liberdade. Salgueiro Maia nunca o fez, não foi comandante de nenhuma região, não foi brigadeiro nem general, não assinou artigos de jornais, não andou nas comendas presidenciais, foi igual ao seu povo.

Não impôs ideais ao país, não deu raspanetes à democracia nem pretendeu decidir que democracia que havia de dar, mas deu um exemplo superior ao que qualquer outro deu, serviu o seu país sem pedir nada em troca porque dar a liberdade a um país é um dever e não um favor, servir o povo é dar sem esperar nada em troca.

Um exemplo que muitos dos seus companheiros de armas e uma boa parte da classe política não conseguiram ou quiseram ver. Salgueiro Maia foi melhor do que todos eles e do que todos nós. Por isso merece o reconhecimento unânime de todos, incluindo dos seus adversários, até do” presidentezinho” que temos que em tempos deu ao “pide” a pensão que recusou a Salgueiro Maia.

Este país deve muito a Salgueiro Maia, muito mais do que alguma vez lhe poderia ter dado em vida, deve-lhe a eternidade que só os heróis merecem. Por isso acho que há muito que os seus restos mortais deviam estar no Panteão Nacional e o novo aeroporto de Lisboa devia ostentar o seu nome, para que todos os que neste país abrem asas o façam porque um dia houve um Salgueiro Maia. "

Publicada por Jumento

QUANDO SALGUEIRO MAIA SAÍU À RUA
Uma oportunidade para ficarem a conhecer um pouco a minha cidade de Santarem de onde Salgueiro Maia saíu na madrugada de 25 de Abril, do Quartel de Cavalaria 7, hoje na posse da Câmara Municipal que ali instalou a Fundação da Liberdade. (amplie a imagem)


JESUS DA NAZARETH




Jesus da Nazareth é uma figura incontornável na história da humanidade:

- Para os crentes, cristãos, é venerado como filho de Deus;

- Para os não crentes, ateus, é um personagem de excepção, dotado de uma superioridade moral relativamente aos homens do seu tempo que lhe permitiu antecipar-se em 2.000 anos a Gandhi e a Martin Luther King com o seu Sermão da Montanha e o “dar a outra face”.

Tendo-se afastado explicitamente das Escrituras em que foi educado ele confirmou a tese de que não é delas que vem a moral.

Relativamente ao Deus do Antigo Testamento, um verdadeiro ogre, Jesus avançou um passo de gigante podendo considerar-se como o maior inovador da ética que a história conheceu.


Richard Dawkins, um dos espíritos mais brilhantes da actualidade, ateu militante, é um seu admirador confesso tendo escrito um artigo intitulado “Ateus por Jesus” que lhe mereceu, posteriormente, ter sido presenteado com uma T-shirt ostentando essa frase.

É deste Jesus, “aproveitando uma sua recente visita à Terra, aos locais onde viveu”, que iremos nos próximos dias transcrever algumas entrevistas, nomeadamente, sob o celibato dos padres, o aborto e a homossexualidade.

A repórter Raquel, das Emissoras Latinas, deslocou-se às terras da Nazareth e teve a honra e a satisfação de conversar com Jesus.


VÍDEO

A habilidade está na escolha...

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CANÇÕES BRASILEIRAS
CLARA NUNES - TRIBUTO AOS ORIXÁS


CANÇÕES FRANCESAS

DALIDA - HELWA YA BALADI


CANÇÕES ITALIANAS

EQUIPA 84 - CASA MIA



CANÇÕES PORTUGUESES

PEDRO BARROSO - VIVA QUEM CANTA



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 103



O negro surgiu no fim da noite, já perto do crupiê anunciar a bola derradeira. Vinha espelunca de Três Duques, de rabo entre as pernas, a ronda engolira-lhe as últimas moedas. Passara no Abaixadinho e na ratoeira de Cardoso Pereba, findando ali, no Tabaris, último porto daquela aflita navegação.

O Tabaris era uma espécie de esquina do mundo, meio casino, meio cabaré, explorado pelos mesmos concessionários do Palace Hotel. Exibiam-se ali os bons artistas contratados para o Palace e uma segunda classe onde dava de um tudo, desde velhas ruínas no término da carreira, até meninotas apenas púberes, protegidas umas e outras de seu Tito, administrador com carta branca. Das primeiras tinha pena, nada mais melancólico e trágico do que uma velha actriz sem contrato. As outras ele as ensaiava e experimentava em seu sujo escritório; se não servissem para o tablado, trabalhariam somente como rameiras, sem acumular. No correr da noite o Tabaris ia recolhendo os frequentadores do Pálace, gente em geral de posição e dinheiro, e a ralé das diversas tascas do Abaixadinho, baiuca com pretensões a casino, até o antro o antro esconso de Paranaguá Ventura. Ali vinham todos terminar a noite, na última tentativa, na derradeira esperança.

Entrou Arigof e deparou com Vadinho em glória, cercado de uma roda de curiosos a apreciar sua soberba classe ao bacará, Mirandão a seu lado esquerdo, afanando-lhe de quando em quando uma ficha, várias damas ao lado direito e, entre elas, as Irmãs Catunda. “Depressa, passe uma ficha, meu irmãozinho, rápido que já vai fechar” pediu Arigof num sussurro patético. Preso às cartas, Vadinho, meteu a mão no bolso, retirou uma ficha, não viu sequer o valor. Era das pequenas, de cinco mil-réis, não exigia mais o negro. Correu para a roleta, depositou a dádiva no vinte e seis, onde a bolinha morreu; e duas vezes repetiu o número. Dez minutos depois o jogo terminava, Arigof remia noventa e seis contos, Vadinho doze, sem falar no conto e trezentos no bolso solidário de Mirandão.

Foi nessa noite magnificiente que o negro Arigof, com sua elegância britânica e seus modos de grão-duque, encomendou e pagou adiantado o tecido e o feitio do melhor linho branco inglês. Devia ele de longa data sessenta mil réis a Aristides Pitanga, alfaiate doido pelas mesas de roleta e temeroso de jogar. A sovinice não lhe permitia mais de uma ou duas paradas por noite, modestas, rondava as mesas vibrando com as apostas dos outros, sugerindo palpites. Peruando em comentários sobre sorte e azar.

Há muito rezara o alfaiate pela alma daquele resto de conta, mas, ante a performance espectacular do freguês exigente e caloteiro, perdeu a serenidade e ética, desenterrou o débito da coluna de perdas e lucros, fez a cobrança ali mesmo, na vista dos parceiros e das mulheres damas, uma desfeita. Não se alterou o negro:

- Sessenta mil-réis? Daquela roupa…? E, me diga, Pitanga, quanto está você cobrando hoje por um traje de linho branco?

- Linho comum?

- Inglês, S 120, casca de ovo… do melhor que houver na praça.

- Por aí… por volta de uns trezentos mil réis…

Meteu Arigof a mão ao bolso, extraindo pelegas de quinhentos:

- Pois aí estão dois contos… Faça seis ternos novos para mim. Subtraia seus sessenta mil réis e fique com o resto de gorjeta pelo trabalho de vir cobrar conta de freguês em mesa de jogo…

domingo, abril 25, 2010

VÍDEO

A prestação perfeita... veja-se a expressão de confiança e determinação no rosto da jovem quando se apresta para iniciar a prova.

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CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

OLÍVIA NEWTON JOHN - XANADU


CANÇÕES BRASILEIRAS

ELIS REGINA - DOIS PARA LÁ, DOIS PARA CÁ



CANÇÕES FRANCESAS

ART SULIVAN - PETITE DEMOISELLE


CANÇÕES ITALIANAS

BOBY SOLO - AMORE MI MANCHI


CANÇÕES PORTUGUESAS

ZECA AFONSO - GRÂNDOLA VILA MORENA
(em homenagem ao 25 de Abril, símbolo da liberdade)






A IGREJA E A
SEXUALIDADE



As paróquias da Baixa e do Chiado, na cidade de Lisboa, estão a distribuir um panfleto de preparação para a confissão cujo título, na capa, é: “Sacramento de penitência e da reconciliação”.

Neste panfleto pode ler-se que um dos pecados graves de que os crentes se devem penitenciar diz respeito à sua vida sexual colocando ao leitor as seguintes questões:

- Guardais castidade?
- Consentis em maus pensamentos?
- Participeis em conversas indecentes?
- Praticais alguma acção grave contra a castidade (masturbação, relações sexuais fora do casamento, leitura, audição ou visionamento de material pornográfico, práticas homossexuais)?

Estas são as primeiras questões que as pessoas devem colocar a si próprias para “obterem a reconciliação com Deus e com a Igreja”.

A seguir vêm outras questões tendo em vista igualmente a tal “reconciliação com Deus e a Igreja” como sendo:

- Praticaste alguma falta contra os direitos sagrados da vida tais como: homicídio, aborto, eutanásia, violência contra os outros, suicídio tentado ou planeado, uso de drogas, abuso de álcool, condução imprudente e sistemática, riscos desnecessários e excessos tomados por aventureirismo ou bravata, ou qualquer acção que represente violação do 5º mandamento da lei de Deus”.

… podiam, mais simplesmente, ter resumido perguntando às pessoas se cumpriram as Leis e Regulamentos incluindo o Código das Estradas.

O destaque que é conferido à sexualidade e às práticas homossexuais colocando-as em paridade com crimes gravíssimos como o homicídio, despertou reacções indignadas quando, a própria lei, já autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A Igreja continua ainda a revelar, em certos sectores, que tem pelas coisas do sexo uma aversão, espécie de paranóia que vem de longe e teima em se manter, mesmo num momento muito delicado dada a revelação pública de inúmeros casos de pedofilia por todo o mundo católico com encobrimento por parte de Bispos, seus mais altos responsáveis.

Não esqueçamos que Jesus, segundo a doutrina, não teve direito a um pai para que pudesse ter sido concebido “sem pecado”, por sua mãe, “virgem” Maria.

Ou seja, o acto da procriação é um pecado (esta, sim, verdadeira heresia…) e para que a humanidade não se extinguisse os senhores da Igreja permitiram que as relações sexuais fossem aceites, sabe-se lá com que relutância, dentro do casamento, presume-se que o canónico.

Por quê esta aversão, este ódio/atracção, pelo sexo? Esta relação com o seu quê de patológica foi agravada pela insensata decisão da obrigatoriedade ao celibato dos padres, decisão esta tomada no Concílio de Nicéia em 326. Voltaremos a este Concílio num próximo texto porque ele também ajuda a explicar aspectos importantes de uma decisão tão contra-natura.

- O poder do sexo desafia o poder da fé. São duas forças tremendas, podendo ser destruidoras dentro de nós: pelo amor e pela fé se mata e se morre.

Para garantir a reprodução, os processos de selecção da natureza “criaram” o amor que torna irresistível a aproximação e a união entre as pessoas de sexos diferentes (e não só) com vínculos mais fortes, demasiado fortes por vezes, nos primeiros anos, para assegurarem a concepção e o apoio aos filhos nos primeiros tempos de vida. Leia-se, a respeito desta matéria, o que a antropóloga e investigadora americana Helen Fisher tem para nos ensinar.

Para garantir a sobrevivência os processos de selecção desenvolveram, também, o mecanismo do acreditar, já aqui explicado pelo autorizado Prémio Nobel, Richard Dawkins, de que as religiões, mais tarde, se aproveitaram (“danos colaterais”) e a que chamaram fé.

O Amor e o Acreditar são dois espaços dentro do nosso cérebro, duas forças potencialmente explosivas que podem servir projectos de felicidade ou de destruição.

Desde muito cedo que alguns homens perceberam o poder e a força da necessidade de acreditar e daí à criação, primeiro de simples Crenças e depois das Religiões, foi um passo. À necessidade de acreditar chamaram-lhe fé e colocaram-na ao serviço dos seus objectivos: controlar as mentes, dominar os seus semelhantes, colocá-los na sua esfera de obediência.

O sexo não é bem visto pela Igreja. Ela trata-o mal, tem-lhe aversão, condena-o porque ele é uma fonte de prazer e de felicidade, de todas a mais forte, e pode conduzir o homem à sua realização: “Se eu sou feliz pelo amor com outra pessoa não preciso de mais nada”… e isto não agrada à Igreja.

A Igreja também fala de amor e felicidade porque são aliciantes demasiado sedutores para que não constituam argumentos de atracção mas, no fundo, as Igrejas não estão interessadas na felicidade dos homens, apenas no seu controle e domínio.

Esta maneira de sentir que permite a uma pessoa desfalecer de prazer e felicidade nos braços de outra pessoa amada, levanta invejas à Igreja. Ela também quer as pessoas felizes… mas ajoelhadas, em contemplação, se possível em êxtase, prontas e dóceis aos pés de uma imagem, à mercê dos senhores da Igreja.

Conseguem até, tal a força da necessidade de amar, levar os seus súbitos a paixões de uma vida inteira pela imagem de um homem ou de uma mulher que eles fizeram santos e que por amor se lhes dedicam em recolhimento e clausura.

Mas, para que a confusão seja maior no espírito dos crentes misturam, de forma envergonhada, sexo e doutrina:

- “As núpcias cristãs supõem sempre uma intimidade e uma cumplicidade com Jesus Cristo que só é plena se for do casal” ...consorciado aos pés do altar, acrescento eu, fazendo-me lembrar a velha estratégia de que: se não podes vencer o inimigo alia-te a ele.

O óptimo, para a Igreja, seria que todos casássemos com Deus. Repare-se, que os três primeiros mandamentos, que não são primeiros por acaso mas porque a doutrina os considera prioritários, são:

1º Amar a Deus sobre todas as coisas;

2º Não tomar seu Santo Nome em vão;

3º Guardar Domingos e Festas de guarda;

A "tradução" desta prioridade é que nós “nascemos para amar e servir Deus” e eu concluo que, na prática, isto significa que as pessoas, na óptica da doutrina, nascem para servir e obedecer aos homens da Igreja… e isto porque Deus nunca se nos apresentou e muito menos nos disse o que pretendia de nós.

Resta-nos, e não é pouco, as armas da razão, da inteligência, e do bom senso para controlarmos as nossas vidas com as nossas saudáveis emoções. Apesar de tudo, com elas, conseguimos ultrapassar até hoje todos os obstáculos e vicissitudes… como será no futuro?

- Ganharemos nós ou as “Al-Qaedas” de todo o mundo?

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