sábado, maio 11, 2013

ANGELA MARIA - A NOITE E A DESPEDIDA
Eram assim, as canções românticas do meu tempo...

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Não tinha necessidade de cair tão baixo...


Em homenagem aos filmes de cowboys que fizeram a delícia da minha juventude no tempo em que as salas de cinema se enchiam, o meu actor favorito era o Gary Cooper e os índios eram os maus...

A VERDADEIRA EVOLUÇÃO SOCIAL

Reflectindo sobre a natureza humana pergunta-se se poderia ter sido de forma muito diferente... mas, se o nosso futuro está no universo, percebe-se que sem a civilização e o progresso da ciência, ficaríamos sempre ligados à terra... talvez mais felizes.


JUBIABÁ

Episódio Nº 13


Um dia um homem chegou de viajem e se aboletou na casa de dona Daria, uma mulata gorda que diziam estar enriquecendo às custas dos clientes de Jubiabá.

O homem vinha consultar o macumbeiro por causa de uma dor antiga e martirizante que tinha na perna direita. Os médicos já haviam desistido há muito. Falavam nomes complicados e davam remédios caros. E o homem indo para trás, a perna cada vez pior, ele sem poder trabalhar de tanta dor.

Então resolveu fazer a viajem só para vir consultar o pai de santo que curava tudo na sua macumba do Morro do Capa Negro.

O homem vinha de Ilhéus, a cidade rica do cacau e quase destrona Zé Camarão e quase destrona Zé Camarão no lugar de honra que ocupava ante António Balduíno.

É que o homem, tendo-se curado radicalmente em duas sessões na casa de Jubiabá, veio no Domingo conversar na porta da velha Luísa.

Todos o tratavam com grande deferência, pois contavam que ele era homem de dinheiro, homem que enriquecera no Sul do Estado e dera um conto de réis a Jubiabá. Vestia boa roupa de caxemira e até uma carta que chegara para sinhá Ricardina levaram para ele ler.

Porém, ele disse:

 - Eu não sei ler, dona…

Era de um irmão dela que estava morrendo de fome no Amazonas. O homem de Ilhéus deu cem mil réis. Assim todos ficaram calados quando ele chegou para o grupo que estava na porta de Luísa.

 - Se sente à vontade seu Jeremias – Luísa oferecia uma cadeira com a palhinha furada.

 - Obrigado dona.

E como o silêncio continuasse:

 - Estavam conversando de quê?

- Pra falar verdade – respondeu Luís Sapateiro – a gente estava a falar na fartura que há na sua zona. No dinheirão que um homem pode ganhar lá…

O homem baixou a cabeça e só então viram que tinha a carapinha quase branca e grandes rugas no rosto.

Não é tanto assim… Se trabalha muito e o ganho é pouco…

 - Mas o senhor mesmo é homem de muitas posses…

 - Nada. Tenho uma rocinha e há trinta anos que estou naquela zona. Já tomei três tiros. Lá ninguém está livre de uma traição.

 - Os homens lá são valentes? – mas ninguém ouviu António Balduíno.

Pois olhe que havia aqui muito homem que queria ir com o senhor.

 - Os homens de lá têm coragem? - António Balduíno insistiu.

O homem passou a mão na carapinha do pretinho e falou para os outros:

 - Lá é uma terra braba… Terra de tiro e de morte…

António Balduíno estava com os olhos fixos no homem, esperando que ele contasse as coisas daquela terra.

 - Lá se mata para fazer aposta… Os homens apostam como é que um viajante vai cair: se do lado direito, se do lado canhoto.

sexta-feira, maio 10, 2013


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Não digam nada... foi só um pequeno desentendimento.


ALCEU VALENÇA - ANUNCIAÇÃO

A música de Alceu e o seu universo temático são universais mas a sua base estética pertence ao nordeste brasileiro. Aos 10 anos foi para o Recife onde mantem contacto com a cultura urbana e ouve a música de Orlando Silva e Dalva de Oliveira que alterna com Little Richard e Ray Charles. Formou-se em Direito no Recife mas logo trocou as carreiras de advogado e jornalista apostando no seu talento e sensibilidade artística.


Curiosidades…




- Há três dias que não falo com a minha mulher… não gosto de interrompê-la.

- Sempre que saímos, a minha mulher e eu, caminhamos de mão-dada. Se a solto ela foge para as compras.

- Alguns amigos perguntam-me qual o segredo para um tão longo casamento. Respondo que reservamos tempo duas vezes por semana para ir ao restaurante jantar à luz das velas com música ambiente e baile. Eu vou às quintas e ela às sextas.

- Li recentemente que o amor é uma questão química. Deve ser por isso que a minha mulher me trata como lixo tóxico.

- Depois do casamento, marido e mulher são as duas faces da mesma moeda: continuam juntos mas não se podem ver...



Como, às vezes, é difícil

 o papel de não viúva…



Dois brancos e um negro estão num andaime a lavar os vidros de um grande edifício. De repente, o negro dá um gemido, vira-se para um dos brancos e diz:


- Ai, ai, ai! Preciso cagar, vou cagar aqui mesmo!

- 'Tás maluco, pá! Vais sujar toda a gente lá em baixo!


- Mas não aguento mais, meu! Não vai dar tempo para descer!!!

- Então, bate na janela e pede à senhora que te deixe usar a casa de banho, aconselha um dos brancos.

E é o que ele faz.

Assim que a velha permite a entrada, ele voa p'rá sanita.

Está o negro tranquilo a aliviar-se, quando ouve uma gritaria sem fim.

Quando sai, vê que o andaime se tinha partido e os dois brancos que trabalhavam com ele se tinham espatifado no chão.

No dia seguinte, no velório, estão lá os amigos, as viúvas inconsoláveis e o negro acompanhado da esposa, quando chega o dono da empresa onde trabalhavam.

Imediatamente todos se calam.

O empresário começa o seu discurso, dirigindo-se às viúvas:

- Sei que foi uma perda irreparável, mas vou, pelo menos, tentar aliviar tanto sofrimento. Como sei que as senhoras vivem em casas alugadas, darei uma casa a cada uma.

Também sei que as senhoras dependem dos autocarros, por isso, darei um carro a cada uma. Quanto aos estudos dos vossos filhos, não se preocupem mais, pois tudo será por conta da empresa até que terminem a Faculdade.

 E, para finalizar, as senhoras receberão todos os meses 1000 euros, para as compras.

E a mulher do negro, já meio arroxeada, não se conteve mais e diz ao ouvido do marido:

- E tu a cagar, né, seu preto de merda???


JUBIABÁ

Episódio nº 12


Disse em nagô e quando Jubiabá falava nagô os negros ficavam trémulos:

 - ôju ánum fó ti iká, li ôku.

De súbito o negro se lançou aos pés de Jubiabá e contou:

 - Eu já fechei o olho da piedade, gente… Um dia eu fechei o olho da piedade…

Jubiabá olhou o negro com os olhos apertados. Os outros, homens e mulheres, se afastaram.

- Foi um dia lá no sertão alto. Estava tudo seco… Boi morria, homem morria, tudo morria. A gente fugiu, a gente era um bocado, mas foi tudo ficando pelo caminho.

Depois só era eu e o João Janjão. Um dia ele me carregou com as costas que eu não podia mais com as pernas… Ele tinha o olho da piedade bem aberto e a gente tinha a garganta seca.

O sol era ruim, gente…

Cadê água naquele mundão sem fim? Ninguém sabia não…

Um dia a gente arranjou numa fazenda uma cabaça de água para continuar viagem. João Janjão ia com ela, só dava água se ração. A gente ia morto de sede.

Foi quando a gente encontrou outro homem, um branco que já estava morrendo de sede. João Janjão quis dar água, eu não deixei.

Mas eu juro que só tinha um restinho nem dava para eu e ele… E ele ainda queria dar para o homem branco… Ele tinha o olho da piedade bem aberto… Mas o meu a sede tinha secado. Tinha ficado somente o da ruindade…

Ele quis dar água, eu briguei com ele. E na raiva eu matei ele. Ele tinha – me levado um dia todo nas costas…

E o negro ficou olhando o negrume da noite. No céu brilhavam estrelas inúmeras. Jubiabá estava com os olhos fechados.

Ele tinha me levado nas costas um dia todo… Ele tinha o olho da piedade bem aberto… Eu quero tirar ele da minha frente e não posso… Ele está ali, bem ali, olhando para mim.

Passou a mão nos olhos querendo afastar qualquer coisa. Mas não conseguia e olhava fixo.

 - Me levou um dia todo nas costas…

Jubiabá repetiu monotonamente:

  - É ruim vasar o olho da piedade. Traz desgraça…

Então o homem levantou-se e desceu o morro levando a sua história.


António Balduíno ouvia e aprendia. Aquela era a sua aula proveitosa. Única escola que ele e outras crianças do morro possuíam.

Assim se educavam e escolhiam carreira. Carreiras estranhas aquelas dos filhos do morro. E carreiras que não exigiam muita lição: malandragem, desordeiro, ladrão.

Havia também outra carreira: a escravidão das fábricas, do campo, dos ofícios proletários.

António Balduíno ouvia e aprendia.

quinta-feira, maio 09, 2013

Já não há cavalheiros destes...

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Uma "casita" à beira-mar.


Um monólogo "delicioso" em "língua" açoreana.

Reflexão de vida:


- Mestre, como faço para me 

tornar um sábio?

- Boas escolhas.

- Mas como fazer boas 

escolhas?



- Experiência - diz o mestre.



- E como adquirir experiência, 

mestre?



- Más escolhas. 

Obs - Como diz o povo: "Aprendemos à custa dos nossos próprios erros". Geralmente tarde e a más horas... digo eu.


AS MULHERES DE HOJE




Cada um de nós é o produto da época e da sociedade em que nasce e em 1939 a sociedade portuguesa era dominada pelos homens, pelo menos na aparência, porque na intimidade dos lares, muitas vezes, eram as mulheres que decidiam e organizavam tudo ainda que de forma oculta e sub-reptícia para salvaguardar as aparências de uma sociedade machista e patriarcal.

Na família onde nasci o”homem” lá da casa era a minha mãe. Era ela que educava os filhos para além, já se vê, de tratar deles na saúde e na doença. Comandava, igualmente, o "exército" das criadas que chegaram a ser três: a cozinheira, a de “fora” e a dos “meninos” e organizava tudo desde as festas pelo Carnaval, chamadas de  “assaltos” tirando partido das 17 assoalhadas, enquanto que o dono da casa passava discreto por aquele autentico turbilhão de energia que era a minha mãe.

Quando, no pós guerra, o meu pai comprou o Vauxhall ela tirou a carta de condução em pouco mais de 20 lições e sujeitou-se a ouvir toda a espécie de piropos quando conduzia na baixa lisboeta desde o clássico “vai cozer meias” que era, por excelência, a tarefa que os homens reservavam às mulheres para as humilhar e castigar pelo atrevimento e ousadia em desempenharem funções que as promoviam socialmente o que era, ao fim e ao cabo, o grande pecado.

Não seria este o panorama geral dos lares e das mulheres portuguesas na década de 40 e esta é mais uma razão para uma palavra de elogio à minha mãe pela coragem e arrojo necessários para escandalizar a sociedade da sua época com comportamentos que incluíam também o de fumar e que, de há muito, fazem parte do dia a dia de todas as portuguesas.

Mas estamos agora a assistir a um autêntico volte-face desta situação que se prolongou demasiado no nosso país com resultado de uma moral e de uns costumes impostos pelo medo e à força por um regime bolorento que só terminou em 25 de Abril.

E foi pena que assim tivesse acontecido porque a marcha de uma sociedade não deve ser retida artificialmente, barrada no seu percurso natural determinado pelas influências normais que se desencadeiam no seu seio permitindo que a adaptação a novos comportamentos possam ser feitos de uma forma crítica, gradual e sem traumas.

Não foi assim que aconteceu, registaram-se quebras abruptas de princípios e valores arrastados na enxurrada do pós revolução dos cravos comprovando que os malefícios dos regimes de força, ditatoriais, constituem uma chaga social que dura enquanto eles existem e perdura ainda durante muitos anos depois de terminarem.

Mas, esquecendo agora a minha mãe que talvez não sirva de exemplo, sempre me pareceu injusto, face à responsabilidade e ao volume de trabalho que recaíam sobre a mulher, o papel subalterno que o homem lhe reservava.

Hoje, quando vejo as Universidades, maioritariamente, preenchidas por alunos do sexo feminino, quando entro num Serviço Público e me apercebo que a maioria esmagadora dos funcionários, incluindo as chefias, são mulheres e quando, nos ecrãs da TV, me aparece uma jovem loura a falar na qualidade de responsável máxima da PSP de Lisboa, vem-me à memória o que era a sociedade portuguesa nos tempos idos da minha meninice e compreendo, então, que os privilégios que os homens, ciosamente, reservavam para si, tinha a ver com a percepção sentida de que, em termos de competição pura, seriam facilmente ultrapassados.

Ana Paula Vitorino, engenheira civil, que foi Secretária de Estado dos Transportes em Março de 2005, foi a primeira mulher escolhida para ditar as políticas públicas nos sectores marítimo-portuários, logístico, ferroviário, transportes urbanos e ferroviários, reuniu-se, a propósito do Dia Internacional da Mulher, com as suas 14 líderes de primeira linha e a sua preocupação era a de ainda não existirem mulheres nos Conselhos de Administração da CP, da Refer e do Metro de Lisboa e Porto.

Kjell Nordstrom, Guru do ano 2000 e que há quase uma década teoriza sobre a vantagem competitiva das mulheres explica-nos a razão desta evolução:

“As mulheres adequam-se melhor às características das sociedades modernas, urbanas, democráticas e igualitárias onde as pessoas são reconhecidas pelo mérito do seu desempenho”.
E acrescenta:

- "Mas agora entrámos verdadeiramente noutra fase, em que as aptidões e os perfis procurados são muito mais femininos, privilegiando a maior capacidade de gerir tensões e coligações de forma pacífica e eficaz, sem transformar o mínimo atrito numa competição agressiva”.

-“Um bom exemplo é dado pela Chanceler alemã Ângela Merkl e pelo seu hercúleo trabalho a gerir a coligação política que governa a Alemanha.



Lembram-se do papel pacificador que as mulheres desenvolviam com toda a diplomacia e descrição no seio das grandes famílias patriarcais do século XIX?

Sem esquecermos a nossa 1º Ministro, Maria de Lurdes Pintassilgo que muito honrou a nossa classe política de governantes, o nosso país não pode equiparar-se, neste aspecto, aos nórdicos onde, por exemplo, na Noruega, o governo tem 50% de mulheres.

Tradicionalmente, os homens latinos desempenharam um papel muito apagado na criação dos filhos e esta realidade reduziu-os na sua dimensão humana, na sua capacidade de decisão a todos os níveis e tornou-os menos responsáveis.

Quem hoje é avô depois de ter sido pai há 40 anos atrás compreende melhor este ponto de vista.

São, pois, profundas as alterações que estão a acontecer na estrutura da sociedade contemporânea e o homem se quiser desenvolver características que nas mulheres são natas e que hoje as tornam importantes para liderar a gestão moderna há que começar a treinar, como hoje já fazem muitos jovens pais, na criação e educação dos seus filhos desde o nascimento em paralelo com as mães.

Eu sinto que aprendi na convivência com a minha neta Filipa que não consegui aprender com os meus filhos em pequeninos porque lá estava a mãe a chamar a si essa tarefa. Espero continuar a aprender com a minha nova neta Matilde.
Se não participarmos activamente na convivência e obrigações para com os filhos desde o seu nascimento ficamos amputados no desenvolvimento das nossas capacidades porque é preciso rectificar essa ideia de que são só os filhos que aprendem com os pais, estes também aprendem com os filhos. Essa é a vantagem que as mulheres nos levam na sua maior capacidade para gerir conflitos e tensões de forma pacífica e eficaz. 


JUBIABÁ

Episódio Nº 11


 - Diz também que Balbino morreu foi de feitiço, gente…

 - Foi nada… Aquele morreu foi de ruim que era… Ruim como as cobras.

Um negro, velho, gordo, que raspava a sola do pé com um canivete, contou em voz baixa:

 - Vosmicês, sabem o que ele fez com o velho Ezequiel? Pois foi coisa de arrepiar o cabelo… Vosmicês sabem que o velho era um homem direito… Homem sério até ali. Eu conheci ele muito, trabalhamos junto de pedreiro. Um homem direito… Não havia dois na terra.

Mas um dia teve a má sorte de defrontar com o Balbino. O coisa ruim se meteu de amigo do velho só para levar a filha dele. Vosmicês se lembram da Rosa. Eu bem me lembro… Era a cabrocha mais linda que eu olhei com esses olhos que a terra há-de comer.

Pois Balbino se meteu de namoro com ela, só falava em casar…

A mulher grávida disse:

 - Igualzinho ao que Roque fez comigo…

 - Chegaram a acertar o dia… Mas não vê que o velho Ezequiel foi trabalhar. Nesse tempo ele estava no cais do porto… Tinha um vapor para carregar…

Balbino com parte de noivo entrou pela casa a dentro, levou a Rosa para mostrar o enxoval que estava guardado no quarto do velho. Derrubou ela na cama e ela disse que gritava e não queria.

De formas que ele deu nela até que a deixou rebentada mesmo, cheia de sangue que nem assassinada. E ainda teve a calma para abrir a mala do velho e tirar o dinheiro que tinha lá, a miséria de cinquenta mil reis que era para a festa do casamento.

Quando o velho chegou virou doido. Aí Balbino que não era mesmo homem, só tinha era garganta, ficou com medo do velho. Passou escondido até que um dia reuniu mais dois e pegaram Zequiel no escuro. Deram no velho de matar… Nem foi preso. Diz que tinha protecção de gente alta…

- Diz que mesmo… Um dia um soldado deu nele e prendeu ele. Sabem o que aconteceu? Balbino foi solto, o soldado comeu cadeia…

 - Diz que ele vivia dizendo onde tinha candomblé prá polícia fechar…

Ninguém havia reparado na chegada de Jubiabá. O macumbeiro falou:

 - Mas ele morreu de morte feia…

Os homens baixaram a cabeça, bem sabiam que eles não podiam com Jubiabá que era pai de santo.

 - Morreu de morte feia. Nele o olho da piedade vazou. Ficou só o da ruindade. Quando ele morreu o olho da piedade abriu de novo.

Repetiu:

 - O olho da piedade vazou. Ficou só o olho da ruindade…

Então um negro troncudo chegou para perto de Jubiabá:

 - Como é, pai Jubiabá?

 - Ninguém deve fechar o olho da piedade. É ruim fechar o olho da piedade… Não trás coisa boa.

quarta-feira, maio 08, 2013

IMAGEM
Não acham que estou bem nesta fotografia?....


STEVE WONDER - Telefonei-te para dizer que te amo...



Por favor, não abandonem
os animais. Nem todos são
tão espertos como este...




O dono de um gato queria livrar-se dele. Levou-o até a uma esquina distante e voltou para a casa. Quando regressou, o gato já lá estava.

Levou-o novamente, agora para mais longe.

No regresso, encontrou o gato em casa.

Fez isso mais umas três vezes, sempre cada vez para mais longe mas em todas elas quando chegava a casa o gato já lá estava.

Furioso, pensou: "Vou lixar este gato!"

Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o, meteu-o num saco opaco e colocou-o na mala do carro.

Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradinhas, deu mil voltas... e acabou por soltar o gato no meio do mato.

Passadas umas horas ligou para casa pelo telemóvel...

- Tá, Maria, o gato já chegou?

- Sim, respondeu a mulher.

- Ainda bem, era o que eu pensava... passa-lhe o telemóvel e deixa-me falar com ele porque estou perdido.

O Futuro do Homem

O Futuro do Homem


O futuro do homem no plano genético é muito pouco interessante pois não é provável que venham a acontecer grandes mudanças como as que ocorreram nos últimos 100.000.


A força que muda a nossa biologia é a selecção natural que age através das diferenças entre a mortalidade e a fertilidade entre os indivíduos mas, como a medicina quase que aboliu a mortalidade antes da idade reproductiva, se todas as famílias tiverem dois filhos e nenhuma mortalidade antes da procriação, a selecção natural, pura e simplesmente, desaparecerá por completo.



As forças da evolução foram completamente mudadas pelos desenvolvimentos dos últimos 10.000 anos com a invenção da agricultura e a criação de animais e, como em todas as aplicações, pode haver efeitos colaterais nocivos cabendo ao homem direccioná-los.


Não há dúvidas de que os resultados alcançados pela agricultura e criação de animais permitiram ultrapassar uma crise, mas prepararam outras.

Por exemplo, a pastagem indiscriminada de cabras, ovelhas e até de bovinos em ambientes secos e de solos frágeis determinou rapidamente uma transformação irreversível e o deserto do Sara foi e continua a ser uma consequência destes erros.

A Mesopotâmia foi em tempos de uma fertilidade lendária mas os terrenos foram vítimas da salinização devido a irrigações para fins agrícolas e o resultado foi, mais uma vez, a desertificação parcial.

Da mesma forma, o uso militar do cavalo não podia ter tido outro efeito que não fosse a propagação da guerra numa revolução comparável à da invenção das armas de fogo.

Mas, no plano genético, a grande mudança que está para acontecer na espécie humana tem a ver com as migrações que conduzem a uma mestiçagem contínua e complexa.

No final deste processo, se ele continuar, como tudo leva a crer, ter-se-á uma humanidade que, num determinado aspecto, apresentará menos diferenças entre os grupos à custa de uma maior diferença entre os indivíduos no seio de cada grupo.

Haverá, por isso, menos razões para o racismo o que será, em si mesmo, uma vantagem, mas resulta da simples observação que as taxas de reprodução são muito diferentes entre os vários grupos étnicos,

Os europeus estão demograficamente estacionários ou em perda, enquanto que a população de muitos dos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento está a aumentar a um ritmo que nunca se viu.

De acordo com os dados da ONU, no nosso planeta vivem 6,5 milhares de milhões de pessoas, e 75% delas em países subdesenvolvidos com menos de 2 dólares por dia.

Considerando a década de 1995 a 2005 a variação da população registada nos diferentes continentes foi a seguinte:

- Europa………………………………………… - O,36%
- América do Norte (Canadá e EUA)… + 9,8%
-América Latina…………………………… + 13,8%
- África…………………………………………. + 20,4%
- Ásia……………………………………………. +12,1%

Parece, pois, que os tipos louros e de pele clara estão a diminuir a frequência relativa num mundo que deve aprender a não se multiplicar e, por outro lado, parece indesmentível que a capacidade de controle da natalidade varia na razão inversa dos níveis de desenvolvimento, bem estar e educação dos povos.

Mas o futuro cultural do homem está em pleno desenvolvimento e de certo irá acentuar-se nos tempos vindouros em consequência de uma verdadeira explosão tecnológica no sector das comunicações.

Uma parte importante deste desenvolvimento vem dos computadores que funcionam como uma extensão do nosso cérebro que ajuda a memória e a nossa capacidade de efectuar cálculos numéricos.

Em todo o caso, a comunicação entre os indivíduos está limitada, como no tempo do paleolítico, pelas barreiras linguísticas muito tenazes entre as sociedades humanas.

A tendência geral é para a diminuição do número de línguas faladas, muitas em extinção, e para o aumento de pessoas capazes de falarem correntemente, para além da língua materna, pelo menos uma das línguas mais comuns.

A língua mais falada no mundo é o Chinês, mais de mil milhões de pessoas, e a seguir o inglês com a particularidade de que mais de um terço das pessoas que o falam fazem-no como segunda língua ou língua estrangeira aprendida.

Seguem-se as línguas espanhola, o Hindi, falada por 70% dos indianos, e em igual posição, o Árabe, o Bengali e o Russo.

Talvez o computador venha a tornar mais fácil no futuro a tradução mas, por enquanto, ainda estamos longe.

Contudo, as dificuldades de comunicação não constituem o problema mais grave do mundo, outros existem, de natureza social, bem piores, como sejam:

- O número de pessoas vivendo abaixo do nível de pobreza, a ignorância, o crescimento demasiado rápido das populações, o racismo, o abuso das drogas e mais recentemente o terrorismo.

Muitos destes problemas correlacionam-se e interagem agravando os resultados e dificultando as soluções.

O fortíssimo aumento demográfico nos países mais pobres é uma consequência de descobertas médicas que reduziram drasticamente a mortalidade infantil sem que tenha havido uma diminuição dos nascimentos que compensasse.

Os programas sociais foram desadequados e estão na origem de profundos desequilíbrios e sofrimentos.

A única esperança reside na educação e aqui os modernos meios de comunicação abrem grandes possibilidades mas ainda estamos longe de os saber utilizar de modo eficaz e com objectivo educativo.

As religiões, infelizmente, também se esquecem muitas vezes da sua missão de paz social, transformando-se em adeptas de extremismos preocupantes.

É muito provável que a causa mais importante do actual mal estar seja precisamente o crescimento demográfico excessivo em muitas partes do mundo mas poucas são as religiões que se preocupam com isso, também porque consideram que dar apoio a campanhas de controle dos nascimentos poderia constituir um perigo contra os seus próprios interesses.

Em certo sentido, várias religiões e outras entidades que têm papel fundamental na sociedade humana, mostram uma confiança excessiva numa forma de “darwinismo social” que o próprio Darwin nunca aceitou.

Pensar que as relações sociais podem ser entendidas como uma forma de selecção natural numa luta de vida ou de morte é uma visão apocalíptica que poderá ter a ver com a luta pela sobrevivência entre presa e predador mas não para uma competição entre indivíduos da mesma espécie em que a selecção natural gera facilmente comportamentos corporativos e altruístas.

Mas, atenção, esse risco de competição não será importante se a densidade populacional não for excessiva e, neste aspecto, o comportamento reprodutivo na Europa está francamente em descida mas o resto do mundo tem de seguir rapidamente o exemplo.

É tarefa de toda a humanidade prevenir os desenvolvimentos perigosos que possam derivar das suas potencialidades económicas, tecnológicas e do conhecimento porque só aprendendo a prever é que é possível gerar medidas de controlo que as possam evitar.

Estamos a chegar a um ponto em que nos apetece pedir à humanidade que pare um pouco para pensar… porque nos sentimos apreensivos, porque já andámos muito nesta longa caminhada de tantos milhares de anos, porque já alcançamos tantas coisas e obtivemos tantas vitórias no que se refere ao respeito que nos é devido por nós próprios e, no entanto, olhamos para os jornais e muitas coisas que lá vemos reconduzem-nos ao ponto zero e outras fazem-nos recuar centenas de anos.

Ao longo do processo evolutivo desenvolvemos características que nos permitiram uma vitória improvável na luta pela sobrevivência.


Não nos esqueçamos de como tudo começou e de como éramos tão frágeis à partida:

Relembremos:

 - Há 10 milhões de anos o planeta estava coberto de florestas e nesses imensos dosséis que pegavam uns nos outros, várias espécies de macacos viviam com todo o à vontade, passando de árvore para árvore sem sequer terem necessidade de descer ao solo.

Mas um acidente geológico ao longo do continente africano, na parte leste, que deu lugar ao Vale do Rift, levou a que as condições climáticas se alterassem e abrissem clareiras afastando as árvores umas das outras obrigando os macacos a descerem para se poderem movimentar. Entretanto, nessas clareiras, começou a nascer erva, constituindo-se um novo ambiente.

Entre os macacos obrigados a descer das árvores e a caminhar no terreno coberto de ervas estavam os nossos antepassados pois há provas de que há 4,2 milhões de anos alguns deles adoptaram uma posição bípede e esta foi a primeira condição para se chegar à humanidade muito mais tarde.

Estávamos à beira do lago Turkana, o maior lago africano,  do tamanho da Líbia, actual  Quénia, e onde se localiza o maior depósito de fósseis humanos, procurados e estudados por várias gerações de cientistas aproveitando os recentes avanços tecnológicos no campo da genética e de muitos ramos da ciência moderna com conclusões extraordinárias:

 - Todos somos africanos e todos saímos daquele local, à cerca de 70.000 anos, atravessando o Mar Vermelho, com um nível de águas então muito mais baixo.Uns foram para Norte e chegaram à Europa. Os restantes dirigiram-se para Leste na direcção do continente Asiático.

Depois da posição bípede quais foram as restantes características que tendo surgido permitiram este processo de evolução?

 a) - A linguagem ou a emissão de sons que permitiram a comunicação entre os membros do grupo:

 b) - Um tipo de inteligência que permitiu idealizar, conceber no abstracto para a construção de utensílios. Foi possível reconstruir a partir de setenta bocados,  encontrados onde foi trabalhada,uma pedra, à qual foi retirada pelo artesão um pedaço extremamente cortante e manipulável que permitia retirar a carne e raspar as peles dos animais que caçavam para se alimentarem;

c) - Finalmente, uma última característica foi necessária: sentimentos de solidariedade, amor e carinho -  O "rapaz de Turkana", com mais de um milhão de anos, que tinha um grave defeito no esqueleto que o incapacitava de caçar e alimentar, só sobreviveu porque os seus companheiros de grupo trataram dele.

Encontradas estas características quis o acaso e a vontade dos nossos antepassados que tivéssemos chegado até aqui... hoje mais sós, mais entregues a nós próprios, perdido o espírito da tribo que nos dava segurança e que era, também ele, a nossa própria razão de ser sem a qual a nossa vida não só era impensável como impossível.

À medida que caminhámos para a aldeia global os desafios adquiriram cada vez uma maior dimensão. Temos a nosso favor conhecimentos científicos que eram impensáveis há umas dúzias de anos atrás e, no entanto, repetimos, no plano social e político, erros crassos de criança permanentemente desatenta.

A tribo já não existe tendo sido substituída por uma sociedade de tal forma complexa que em muitos aspectos deixámos de a compreender. Impõe-se uma tomada de consciência colectiva sobre tudo aquilo que já conseguimos e é consensual no mundo, servido por uma determinação assente em organizações de âmbito mundial com força e prestígio indiscutíveis.


O mundo tem que ser regulado e posto ao serviço dos valores da cidadania e sobre esses valores já ninguém tem dúvidas, o que existe são fragilidades intrínsecas ao próprio homem na sua implantação.



Por vezes julgamos que estamos próximos…quase que lá chegámos…pelo menos estamos no bom caminho… mas é mais a nossa boa vontade… porque não conseguimos deixar de sentir que o desalinho na nossa caminhada para o futuro traduz-se num grau de incerteza e de ansiedade.


Será que é possível reencontrar o “espírito” da tribo no mundo global?



Zé Camarão cantando com a voz mais triste...
JUBIABÁ

Episódio Nº 10





Terminava debaixo de aplausos:



Zombei de moços e velhos
Zombei também de meninos
Hoje chegou o meu dia
Vou cumprir o meu destino

Vinha mais um samba. Bem saudoso, cantado com a voz mais triste de Zé Camarão:

Vou-me embora desta terra
Que só tem mulher malvada
Vou-me embora desta terra
Levando uma saudade…

As mulheres gritavam.

 - É tão bonito…

- Triste de fazer dó…

Uma mulher de barrigão, grávida de muitos meses, contava a outra a sua história, sobriamente:

 - Enquanto eu era bonita ele gostava de mim. Não havia presente que não me desse. Disse até que ia casar no padre e no juiz…

 - No padre e no juiz?

 - Sim, minha filha… Homem quando quer enganar é pior que o Sujo…

Prometeu um mundão de coisas… Eu feito besta acreditei nele… Levámos por aí uma vida ordinária… Me encheu deste jeito… Tive que trabalhar e amarelei, perdi a cor, ele foi embora com uma cabrocha vagabunda que vivia abrindo os dentes para ele…

Por que você não faz feitiço para ele voltar?

 - Pra quê? Estou cumprindo o meu destino… O destino é Deus quem dá…

 - Pois olhe: eu se fosse você fazia feitiço pelo menos para doença na bicha que levou seu homem… Então, vê lá… Uma mulher leva meu homem e fica assim… Igual a nada? Fica não, meu amor… Botava feitiço, dava lepra nela e ele voltava direitinho… E com pai Jubiabá que bota tão bem, feitiço tão forte…

- Pra quê? Destino é coisa feita lá em cima – apontava para o céu. – A gente já vem com o seu para o mundo, tem de cumprir… Esse que está aqui dentro – mostrava a barriga enorme – já tem o dele prontinho…

A velha Luísa apoiava:

 - Tem razão, minha filha. É isso mesmo…

A conversa generalizava:

 - Pois olhe: você conhece Gracinda, uma morena que mora no Guindaste dos Padres?

Uma mulherzinha conhecia:

- Não é uma sem dentes, feia como um jaracuçu?

 - Essa mesmo… Pois olhe, com aquela cara toda tomou o homem da Ricardina que é um mulherão… Feitiço forte que Jubiabá fez…

O feitiço ela fez foi na cama – riu o mulato.

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