sábado, setembro 25, 2010

EVALDO BRAGA - ESSE ALGUÉM

Era um fenómeno na sua época (1948 - 1973) pela forma como cantava e o sentimento que punha nas suas canções, mas a sua passagem pela vida foi meteórica pois faleceu prematuramente num desastre de automóvel conduzido pelo seu motorista. Sua mãe era uma prostituta da cidade de Campos que o largou num caixote de lixo pelo que foi criado num orfanato. Uma das suas canções que foi êxito tinha exactamente o título "Eu Não Sou Lixo".

ENTREVISTAS FICCIONADAS
COM JESUS CRISTO

Entrevista Nº 64

TEMA – COMPARTILHAR O PÃO


Raquel – Continuamos na Igreja do Cenáculo e pelo telemóvel estamos recebendo muitas mensagens. Umas felicitando-nos, outras indignadas. Também nos chegam muitas perguntas. Há pouco, fora dos microfones, o senhor, Jesus Cristo, fazia-nos um comentário irónico… Podemos repeti-lo?

Jesus – Eu dizia-te, Raquel, que se tivesse suspeitado das polémicas que se iriam armar sobre o que comemos naquela última ceia… o melhor teria sido jejuarmos.

Raquel – Ironias à parte o senhor referiu-se antes a São Paulo e a uma comunidade, creio que me disse de Corinto. Que se passou exactamente aí?

Jesus – Eu não o vi porque já me havia ido mas contaram-me.

Raquel – E que lhe contaram que tanto o impressionou?

Jesus – Pois aconteceu que na cidade de Corinto, que eu não sei nem onde fica, parece que se reuniam para darem graças a Deus. Enquanto uns comiam e se empanturravam, outros ficavam com fome. Paulo repreendeu-os e com toda a razão. Que comunidade pode ser esta onde há ricos e pobres? Que Páscoa vão celebrar juntos? Moisés e o Faraó? Oprimidos e opressor?

Raquel – Pois melhor não acontece em algumas Igrejas Cristãs porque lá se vão encontrar grandes surpresas…

Assentos de 1ª Fila reservados às autoridades, aos militares, e às famílias mais ricas. Os brancos à frente, os negros atrás, os brancos adiante, os índios atrás…

Jesus – Fazem isso?

Raquel – Pior. Dão o pão consagrado a ditadores, assassinos, torturadores e recusam-no às mulheres só por se terem divorciado…

Jesus – Fazem isso?

Raquel – Se o senhor soubesse…

Jesus – Tu, Raquel, falavas anteriormente da substância. A substância que tem de mudar, não a do pão mas sim a do coração. Um coração novo, capaz de amar, de compartilhar.

Raquel – Mas, diga-me uma coisa, senhor Jesus Cristo, se o senhor não instituiu a eucaristia naquela Quinta-Feira Santa… que fazem os sacerdotes em seu nome quando celebram a missa?

Jesus – Eu imagino que proclamam a boa notícia aos pobres. Isso é o que eu penso que fazem em minha memória.

Raquel – E as palavras mágicas, digo, misteriosas, que dizem os sacerdotes para que Deus baixe do céu para aterrar no altar, se oculte numa hóstia e se esconda num sacrário?

Jesus – Tu és uma pessoa inteligente, Raquel. Deus deu-te razão e coração. Aos ouvintes da tua Emissora também. Tu crês que Deus que não cabe no Universo, que não tem princípio nem fim, vai-se prestar a um truque desses? Que pequeno seria esse deus, um deus de abracadabra, como aquele mago que Filipe encontrou em Samaria!

Raquel – Se bem compreendo as suas palavras, o senhor deita abaixo teologias eucarísticas, bibliotecas inteiras, procissões com o Santíssimo Sacramento, custódias, adorações perpétuas, cânticos ao amor dos amores, o Concílio de Trento e a missa dos domingos.

Jesus – Escutas, Raquel?... É o vento… não podes agarrá-lo porque ele sopra de onde quer… Tão pouco podes encerrar Deus num templo ou num pedaço de pão ou num copo de vinho.

Raquel – Tenho mil perguntas e, no entanto, não sei que lhe perguntar.

Jesus – O maior revelou-o Deus no mais simples, Raquel. No pão há pão, no vinho há vinho e, na comunidade onde esse pão e vinho são compartilhados, onde tudo se põe em comum, Deus está presente.

Raquel – Amigos e amigas, não percam a fé, digo, a sintonia e continuem connosco. De Jerusalém, Raquel Perez.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 234



Quem não atenderia àquele apelo, ordem e não convite? Os ruídos foram cessando, cavalheiros e damas ocuparam as cadeiras, muitos homens permanecendo em pé, na esperança de escapulir. Verdadeira parada de elegância, as mulheres exibindo jóias de preço e decotes audazes, os cavalheiros todos a rigor, o maestro envergando sua casaca.

Na primeira fila, próximas a dona Imaculada sentavam-se dona Flor e dona Norma. E o Arcebispo Primaz, às vésperas, segundo diziam todos, do cardinalato.

O maestro Agenor Gomes, emocionado da cabeça aos pés, levantou a batuta.

A primeira parte foi ouvida com atenção e aplausos. A marcha de Schubert, tocada com ênfase e propriedade, e depois o primoroso violino do doutor Venceslau Veiga, na melodia de Drdla, arrancaram palmas e até bravos de certos apreciadores e entendidos como o doutor Itazil Benício, dublé de médico e de artista (Silvinho). Suave feliz o maestro Gomes.

No intervalo, os convidados, como bárbaros famintos, há meses sem comer, atiraram-se ao régio bufê, onde, pela primeira vez em suas vidas, dona Flor e dona Norma viram e provaram caviar.

A dona Flor, com seu paladar de mestra de cozinha, o tão falado caviar, - cada grama uma fortuna – soube bem: “é esquisito mas eu gosto”. Não concordou dona Norma e, fazendo uma careta, disse à amiga entre risos (gostava, isso sim, de champanhe e já bebera duas taças):

- Esse negócio tem um ranço, não sei de quê…

Riu também dona Flor e, como doutor Teodoro se afastara para ir em busca de Urbano Pobre Homem e obrigá-lo a servir-se, recordou um dito do finado seu primeiro esposo, ao voltar do Rio. Na viajem, dona Flor não sabe onde, ele andara se fartando do tal de caviar e lhe dissera, quando ela lhe perguntou que gosto lhe encontrara:

- Tem gosto de bocera…É muito bom!

Espocou dona Norma em riso, um pouco tonta do champanhe: fora um maluco, o falecido, um boca suja, um sem remédio, mas tão alegre, inesquecível! “Menina o finado tinha graça e entendia desses gostos…”

Voltava doutor Teodoro trazendo pelo braço o Pobre Homem, dona Flor apressou-se a lhe preparar um prato, sem esquecer uma porção de caviar.

Foi meio difícil juntar os convivas em frente ao anfiteatro para a segunda parte do concerto. Logo os amantes da música ocuparam seus lugares, mas eram minoria naquela massa de gente apenas rica, a comer e a beber. O comendador, porém, deu ordens enérgicas aos empregados e finalmente o maestro e a orquestra atacaram o “Simple Aveu”.

Após a música de Francis Tomé, chegou-se ao momento culminante do concerto: o solo de violoncelo executado pelo comendador Adriano Pires, o “Cavalo Pampa”. Aquele, sim, foi silêncio de verdade, até na copa e na cozinha a criadagem parou o trabalho e os garçons suspenderam o serviço de bebidas até ao fim do número. Dona Imaculada dera ordens no sentido do silêncio mais estrito.

Esquecido de tudo, do mundo e de seus habitantes, o comendador do Papa, o seco milionário, naquela hora ao violoncelo era íntimo da alegria e da bondade, de repente um ser humano.

sexta-feira, setembro 24, 2010

VÍDEO

Aconteceu na diocese...

video

RAPIDINHAS


Provinciano

Um provinciano chega a um prostíbulo e pergunta:

- Quanto custa uma menina?

- Depende do tempo.

- Bom..., suponhamos que chove.


No Departamento de Imigração

- Sexo?

- Três vezes por semana.

- Não... eu quero dizer masculino ou feminino?

- Não importa.


Alfândega

Joaquim chega ao aeroporto todo carregado de malas. Quando já ia a embarcar, viu o seu amigo brasileiro, que era fiscal da alfândega e lhe gritou de longe:

- E aí, Joaquim? Tudo jóia?

- Tudo não! Metade é cocaína.

AGNALDO TIMÓTEO - O MEU GRITO
Cantor e político, nasceu em 1936, em Caratinga. Mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar como motorista de Angela Maria. Continuou a sua carreira mas foi com a gravação desta canção de Roberto Carlos que ficou conhecido em todo o Brasil. Gravou 50 discos com grandes sucessos como "Avé Maria", "Mamãe" e "Os Verdes Campos da Minha Terra". Na política entou para o PDT em 1982 tendo sido o deputado federal eleito com mais votos da história do Rio de Janeiro. Desde 2005 que é Vereador da cidade de S. Paulo.

DONA FLOR
E SEUS DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 233



E claro que dona Norma foi, não sozinha mas com dona Flor e o doutor (como desprezar um convite que era um privilégio? Só mesmo seu marido, casmurro e anti-social, um bicho de mato).

O comendador dissera a dona Imaculada:

- Quero tudo do bom e do melhor…

Foi tudo do bom e do melhor, dona Imaculada podia ser uma provação cruel mas, justiça lhe seja feita, sabia receber. Contrataram (a peso de ouro) os serviços do arquitecto Gilberbet Chaves para a decoração dos jardins onde a orquestra tocaria.

- Não meça despesas, moço, quero uma coisa boa, com palanque e tudo. Gaste o que for necessário… - o comendador avaro com empregados e com despesas miúdas, abria os cordões à bolsa, empunhava o livro de cheques.

Aquelas foram palavras de mel aos ouvidos de mestre Chaves, não medir despesas era com ele. Gastou uma fortuna, mas que beleza! Parecia um jardim de contos de fada e o pequeno anfiteatro era de uma audácia arquitectónica nunca vista na Bahia: “Gilberbet – aprendam o nome certo: é Gilberbet e não Gilberto ou Gilbert, como pronunciam certos rastaqueras – demonstrou seu génio ultramoderno” (Silvinho mais uma vez e não a última, com certeza).

Dona Flor ao entrar, abriu a boca de admiração e pasmo. Dona Norma só pôde articular uma palavra:

- Porreta!

Dona Imaculada e o comendador recebiam os convidados, ela embrulhada em trapos vindos da Europa, a empunhar seu lornhão, ele mal-ajambrado apesar do smoking, da camisa de peito duro, do colarinho de ponta virada. Ao ver doutor Teodoro de fagote em punho, seu rosto pintalgado de panos brancos se abriu num sorriso:

- Caríssimo Teodoro! Vamos dar a nota hoje… - feliz com o concerto e o trocadilho.

Erecta, dona Imaculada estendia a ponta dos dedos para o beijo dos homens, a curvatura das mulheres como se uns e outros viessem lhe pedir a bênção.

- Que estrepe – disse dona Norma apenas se viu longe do lornhão da comendadora.

- Muito caridosa, porém… É Presidente da Sociedade de Assistência aos Gentios da África e da Ásia… Até já me escreveu sobre esse assunto – doutor Teodoro recebera há tempos uma circular pedindo ajuda para as missões católicas naqueles continentes, assinada pela comendadora.

Logo viram Urbano Pobre Homem, reluzindo em seu smoking recém-saído do alfaiate (pago pelo comendador ao saber que o violinista não podia comparecer ao concerto por falta de traje adequado), a caixa do violino na mão. Saíra de casa sob as vaias da esposa e ali buscava esconder-se entre as árvores, passar despercebido. Doutor Teodoro arrastou-o ao anfiteatro, lá deixaram os instrumentos.

Marcado para as oito e trinta, já passava das nove quando o maestro Agenor Gomes conseguiu reunir os seus músicos e dar início ao concerto.

Os convivas, bebericando pelas salas e jardins, não revelavam pressa e fora preciso o comendador tomar, ele próprio, do microfone e berrar com raiva, a voz ríspida:

- O concerto vai começar, tomem logo seus lugares, vamos, vamos…

quinta-feira, setembro 23, 2010

VÍDEO

Punhamos as "coisas" na posição correcta...

video


INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 63 SOB
O TEMA:
"O CORPO E O SANGUE DE JESUS CRISTO"




A Última Ceia nas Festas da Páscoa

A Festa da Páscoa era a mais solene das festas do povo de Israel. Foi durante essas festas que Jesus Cristo foi preso e assassinado. Celebrava-se o primeiro mês do Ano Judeu que marca o início da primavera no hemisfério norte e que corresponde a uma data entre meados de Março e meados de Abril.

A Festa durava sete dias mas considerava-se Dia de Páscoa o 14/15 quando se comia a ceia pascal. Aquele ano, foi para Jesus, o da sua “última ceia”.

Era habitual em todas as refeições que quem presidisse à mesa, geralmente o pai de família, partisse o pão e desse um bocado a cada comensal e o mesmo se fazendo com o vinho: benzia-se um jarro comum e passava-se de mão em mão e de onde todos bebiam. Estes gestos não eram especiais nem misteriosos, eram costumes quotidianos. Todos os que cearam com Jesus nessa noite de Páscoa conheciam esses costumes desde a infância. Para além de serem gestos familiares a todos, entendia-se que, ao comer o pão e beber o vinho todos participavam na bênção pronunciada antes de eles serem distribuídos.

Israel e outros povos orientais acreditavam que comer juntos unia os comensais numa comunidade. Comer juntos vinculava a uns e a outros, era sinal de fraternidade que permanecia para além da refeição.



A Transustanciação é uma Doutrina e um Dogma

É uma doutrina católica que surgiu como “arma” defensiva ideológica contra os grupos espirituais nascidos no século XII e cruelmente perseguidos por Roma (cátaros ou albigenses) que atacavam a hierarquia eclesiástica, os poderes do sacerdote e a presença real de Cristo na Eucaristia.

No Concílio de Trento (1545 – 1564) foi fixada como dogma quando a autoridade da Igreja Católica proclamou:

“Se alguém disser que na Missa não se oferece um sacrifício real e verdadeiro seja excomungado. Se alguém disser que pelas palavras: “Faz isto em memória minha”, Cristo não instituiu os apóstolos como sacerdotes, nem ordenou que os apóstolos e outros sacerdotes oferecem o seu próprio corpo e o seu próprio sangue, seja excomungado. Se alguém disser que o sacrifício da Missa é só de louvor e acção de graças, o que é meramente uma comemoração do sacrifício consumado na cruz mas não é propiciatório, seja excomungado”.


A Transustanciação, no dizer do Concílio, consiste “na conversão maravilhosa e singular de toda a substância do pão em corpo de Cristo e do vinho no seu sangue”.

Esta transformação que se chama “consagração” só os padres a podem realizar através de palavras previamente estabelecidas e fixadas durante a celebração da eucaristia percebendo-se, perfeitamente, a intenção de lutar com esta doutrina e dogma contra os grupos que desafiavam a autoridade da hierarquia da Igreja de Roma confiando aos padres poderes especiais que só eles tinham excomungando todos os que não aceitassem esta doutrina.


Uma Devoção Escandalosa

Esta ideia de fazer sacrifícios para ganhar as benevolências de Deus foi desancada por Jesus que ensinou que são as relações de justiça e de misericórdia aquelas que agradam a Deus. Por isso, é escandaloso que a Igreja católica venha interpretar de há séculos até aos dias de hoje, o “mistério” de um ponto de vista tão materialista e mágico considerando que a partilha do pão entre irmãos é um “sacrifício” que agrada a Deus. O texto e o ritual da Missa estão cheios de imagens sacrificiais que surpreenderiam e repugnariam a Jesus em cuja memória se celebra este ritual.

HENRI SALVADOR - PETIT FLEUR

Nasceu na Guiana Francesa em 1917 e faleceu com 90 anos, de um aneurisma, em 2008. Foi cantor, compositor e guitarrista francês de jazz. Viveu algum tempo no Hotel Copacabana Palace, na praia de Copacabana, encantando os frequentadores do Casino da Urca. É considerado por muitos um percursor da "bossa nova" por ter influênciado, em 57, Tom Jobim nessa nova sonoridade com a sua canção "Dans Mon Ile". Caetano Veloso cantava: "quem não sentiu o sangue de Henri...". A sua voz e estilo nesta canção "ternurenta", Petit Fleur, que já vai ficando no esquecimento...



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 232



Não resistira durante a sessão inteira, nem mesmo quando o doutor Teodoro apresentara a sua controvertida tese sobre os barbitúricos; no entanto, aquela fora noite apaixonante, de violentos debates, estando em jogo a reputação científica do doutor. Também haviam entrado pela madrugada a discutir, e quando o esposo, fremente e feliz, lhe oferecera o braço, ela, que acordara com os aplausos, quase lhe pede desculpas por ter dormido a sono solto, como se houvesse ingerido doses cavalares de infusos e barbitúricos. Ainda disse:

- Meu querido…

Mas ele, de tão eufórico, nem reparava em seus olhos vermelhos, em sua face estremunhada.

- Obrigado, minha querida. Que grande vitória!

Arrasara, de uma vez para sempre, com os barbitúricos, cumprindo seu dever de cidadão e de farmacêutico. Na drogaria ele os vendia, a esses perigosos tóxicos, obtendo com eles, ao balcão, pingues lucros pois estavam no furor da moda.

Erudito e estudioso farmacêutico e, ao mesmo tempo proprietário de farmácia capaz e próspero, não se sentia o doutor incómodo ou dúplice com a contradição por acaso existente em sua conduta, pois observava com a mesma inflexível consciência a nobre moral de cientista e a não menos digna moral de traficante.

Acontecimento mesmo, a repercutir nas colunas dos jornais, a ser comentado em altas rodas, movimentando costureiras, lojas de modas, alfaiates cujo registro se torna aqui obrigatório, foi o concerto da Orquestra de Amadores Filhos do Orfeu no palacete em festa do comendador do Papa, virtuose de violoncelo.

Descrever aquela noite de arte em seu esplendor completo, parece-nos impossível tarefa, acima de nossas forças e deste pobre estilo. Se alguém quiser saber, por exemplo, dos trajes das senhoras, de sua beleza e de seu chique incomparáveis, nós o remetemos à colecção do jornal do poeta Tavares, onde pode ler a cobertura feita pelo sempre brilhante Silvinho Lamenha, árbitro nessa matéria delicada. Quanto ao concerto propriamente dito, os interessados têm as opiniões expressas na gazetas pelos críticos Finerkaes e José Pedreira além da crónica de Hélio Bastos, homem de sete instrumentos, pois além de pianista dava-se às letras e às belas-artes. Dona Rozilda coleccionou em Nazareth os recortes, quase todos eles referindo-se com louvores ao doutor Teodoro e “à sua primorosa execução no difícil solo de fagote na romanza de Agenor Gomes, um dos pontos altos do concerto”.

Naquela noite viu-se dona Flor nas culminâncias, no mais alto degrau da escala social, ascendera e fora notada: “gracioso ornamento, qual o costureiro parisiense a assinar o seu vestido de moiré fauve de decote drapeado, botando no chinelo muita gente boa?”, como redigiu Silvinho, o deus-menino da sociedade. Estava presente toda a nata social, a gente mais importante da Bahia, os personagens da política, do dinheiro, da intelectualidade, do Arcebispo Primaz ao Chefe da Polícia, e entre eles, esnobes e enfastiados, aqueles vigaristas que haviam aplicado com êxito o golpe do baú, a começar pelos genros do comendador.

Das imediações do Largo Dois de Julho, além do doutor Teodoro, apenas seu Zé Sampaio, colega de Cavalo Pampa no Clube dos Lojistas e seu antigo companheiro de colégio, recebera convite. Recusou-se a ir.

- Não! Pelo amor de Deus… Deixem-me em paz, ando ruim do baço, preciso de repouso… Vá você sozinha, Norma, se quiser…

quarta-feira, setembro 22, 2010

A LOIRA NO ZOOLÓGICO!!!



Ao chegar perto da jaula do leão, ela viu uma placa: CUIDADO COM O LEÃO!

Mais à frente, outra jaula, outra placa: CUIDADO COM O TIGRE!

Mais à frente: CUIDADO COM O URSO!

Depois chega a uma jaula que está vazia e leu: CUIDADO, TINTA FRESCA!

Desesperada, a loira corre aos gritos:


- GENTEEEEEE! O TINTA FRESCA FUGIU!
O TINTA FRESCA FUGIU!!!!

POMBO - MISSÃO IMPOSSÍVEL



VÍDEO

Os últimos a rirem...

video

AGNALDO RAYOL - A PRAIA
Nasceu em 1938 e aos 5 anos já cantava na Rádio Nacional
do Rio de Janeiro. Nos anos 50 impôe-se com a sua voz potente que se evidenciou na interpretação da Avé-Maria que ele cantava em festas de casamento e com que emocionou muitas noivas de várias gerações.

DONA FLOR

E SEUS DOIS

MARIDOS


Episódio Nº 231




No dia da estreia como é natural e compreensível, dona Maria do Carmo teve um faniquito ao ver a filha em frente ao microfone e o espíquer a anunciar-lhe as qualidades, “voz canora de pássaro tropical”. Também dona Flor limpou umas lágrimas: tinha por Marilda ternura de mãe, lutara para vê-la ali e certa feita até se indispusera com doutor Teodoro por sua causa. Se a vitória de Marilda pertencia a toda a vizinhança, era principalmente de dona Flor. Para comemorá-la, trouxera os doces para a mesa oferecida em casa da moça, onde naquela noite abriram até uma garrafa de champanhe (oferta de Oswaldinho).

Além da estreia da jovem cantora, saudada com simpatia pela crítica da rádio e do público, houve ainda a viagem de dona Gisa aos Estados Unidos, de improviso dando lugar a fartos comentários. Nem sequer dona Dinorá com seu faro para adivinhar os particulares de toda a gente, nem ela imaginou jamais aquela notícia: falecera em New York um certo mister Shelby e deixara seus bens em herança a dona Gisa. Quem era esse Mister e por que legara suas riquezas à professora de inglês há tantos anos radicada no Brasil? A dona Gisa não podiam perguntar, ela embarcara da noite para o dia, sem aviso prévio e sem o protocolo das despedidas.

Surgiram os boatos mais estapafúrdios. Disseram-no marido, divorciado ou não, paixão antiga, caso de amor; múltiplas versões, honestas ou indecentes. Numa coisa acordes: dona Gisa abocanhava uma fortuna colossal, herança de milionário mas milionário americano, rico em dólares e não em mil-réis.

Ruiu toda a boataria quando o correio trouxe uma carta aérea para dona Norma, que, antes de abri-la, examinou longamente aqueles selos da estranja e a letra tão familiar de dona Gisa, forte e difícil, parecendo caligrafia de doutor.

De New York ela escrevia para anunciar a volta próxima: levara flores para o túmulo do primo (Primo, acredite quem quiser… Era marido, se não fosse outra coisa, futricavam nas esquinas e nos bares as comadres e os boas-vidas) e pusera em ordem seus assuntos. Realmente herdara – sua única parenta – mas a herança resumia-se a um automóvel usado, objectos de uso pessoal e de casa, umas poucas acções de companhias petrolíferas do Oriente Médio (convulso, as acções em perigo).

Vendera tudo e o apurado mal dava para pagar os gastos da viagem. Herança mesmo o duvidoso primo só lhe deixara Monseigneur, um basset de linhagem pura, em breve nas ruas da Bahia, pois dona Gisa já estava tratando dos papéis para trazê-lo.

E eis quanto sucedera naqueles meses, capaz de ser assunto desta crónica de dona Flor e seus dois maridos. Fora disso, eram os ensaios, as sessões da Sociedade de Farmácia, as aulas da escola, visitas a parentes e amigos, idas ao cinema, o amor às quartas e aos sábados.

Aos ensaios já não comparecia dona Flor com a mesma assiduidade do começo, sem os considerar no entanto uma seca, uma estopada como algumas das esposas de membros da orquestra cuja opinião era pública e notória. Por mais amiga do marido e solidária com suas obrigações e seus gostos, de quando em vez amolecia o corpo e gazeava o ensaio. Porque realmente só mesmo eles, apaixonados pela música, tinham condições para recolher naquela monótona repetição de melodias a paz interior e infinito prazer.

Tão pouco de presença pontual nas doutas reuniões da Sociedade de farmácia, com suas teses e debates. Para que forçar e ir? Para lutar a noite inteira contra o sono velhaco e fatal, buscando
manter-se atenta, sendo
por fim vencida na vergonha dos cochilos?


A Viúva do Rabino 



Um rabino, ainda jovem, falece tragicamente num acidente. Como ele vivia em uma comunidade pequena todos se conheciam e, depois de algum tempo, aconselharam a viúva a que voltasse a casar... Na comunidade (kibutz) havia somente um candidato disponível e era um mecânico, simpático, mas com pouca instrução.


Embora relutante no início, pois estava habituada a viver com uma pessoa erudita, a viúva finalmente aceita. Após o casamento, na sexta-feira, véspera de Shabat, após o banho ritual no mikve, o mecânico diz à sua nova esposa:


- Minha mãe sempre falou que era uma boa ação praticar sexo antes de ir para a sinagoga. Foi dito e feito. Voltando da igreja, ele informa:


- Segundo meu pai, é uma santa obrigação fazer sexo antes de acender as velas de Shabat. Foi dito e feito, de novo.


Pouco antes de irem dormir, o mecânico volta ao assunto:
- Meu avô sempre disse que é costume fazer sexo no Shabat. Resultado: foi dito e feito, mais uma vez. Amanhecendo o dia seguinte, ele diz:


- Minha tia Sarah, muito religiosa, me disse certa vez que um bom judeu não começa a manhã de Shabat sem ter sexo (adivinhe o que aconteceu...)
A viúva, já no domingo, sai para fazer compras. No mercado encontra com várias amigas, que perguntam:


- E aí? Que tal é o novo marido? -
Bom - responde ela - não é tão instruído como o anterior, mas vem de uma família maaaaaraaaaaaaaviiiilhooooooooosaaaaa....

terça-feira, setembro 21, 2010


QUE DESPERDÍCIO DE ANOS...


Aquele casal de 85 anos estava casado já há sessenta e dois. Apesar de não serem ricos viviam bastante bem porque eram muito poupados. Apesar da idade estavam ambos em muito boas condições físicas principalmente pela insistência dela na alimentação saudável e na manutenção em ginásio, em especial, durante a última década. Mesmo com tão boa forma, um dia, numa das raras saídas para férias, o avião onde seguiam despenhou-se e mandou-os para o Céu.

Chegaram às portas rebrilhantes do Céu e São Pedro veio recebê-los à porta. Levou-os até uma fantástica mansão, com móveis dourados e cortinas de finas sedas, com uma cozinha completamente fornecida e uma cascata na sala de banho. Ao fundo podia ver-se uma criada a arrumar as roupas favoritas de ambos nos imensos roupeiros. Eles olhavam para tudo atónitos quando São Pedro disse:

- Bem vindos ao Céu. A partir de agora esta será a vossa nova casa.

O idoso senhor perguntou a São Pedro quanto é que aquilo iria custar.

- Claro que vai custar NADA. Isto é a tua recompensa no Céu. O homem então olhou pela janela e viu um campo de golf que não tinha comparação com nada, do melhor, feito na Terra...

- Qual é o preço da utilização? - gemeu o idoso homem.


- Isto é o Céu - replicou São Pedro. - Tu podes jogar de graça, sempre que quiseres.


No dia seguinte foram almoçar ao salão e depararam-se com um almoço estonteante, com todas as inimagináveis especialidades gastronómicas, desde mariscos até às melhores carnes e sobremesas, tudo acompanhado dos melhores vinhos e bebidas.


- Nem me perguntes nada - disse o São Pedro ao homem. - Isto é o Céu. É tudo de graça. O idoso senhor olhou em volta nevosamente e fixou o olhar na esposa.


- Bem, onde é que estão as comidas de baixo teor de gordura e colesterol e o chá descafeínado? - perguntou ele.

- É a melhor parte - atalhou São Pedro. - Vocês podem comer e beber o que quer que seja que gostem sem se preocuparem em ficarem gordos ou doentes. Eu já disse: isto é o Céu!

O idoso ainda perguntou:

- Nem é preciso ginásio?

- A menos que vocês queiram - foi a resposta de São Pedro.

- Nem testes de açúcar, nem medições de tensão, nem...

- Nunca mais. Vocês estão aqui para se divertirem e gozarem.

O idoso olhou bem de frente para a sua esposa e disse:

- Tu e a merda dos Corn Flakes... Já podíamos estar aqui há dez anos!

VÍDEO

Uma "preciosidade" de um grande artista completo, dos maiores que houve, que foi Charlie Chaplin

video

ENTREVISTAS FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 63


Tema: “O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”



Raquel – Os microfones de Emissoras Latinas regressam a Jerusalém e estão instalados hoje no Cenáculo, cenário dos feitos maravilhosos daquela Quinta-Feira Santa. Connosco, Jesus Cristo, protagonista daquela noite memorável.

Neste lugar, o senhor celebrou a Última Ceia e a Primeira Missa.

Jesus – Bem, aqui comemos na Páscoa. Todos os anos, com a lua da primavera, fazíamos o mesmo. É a grande festa do meu povo, um memorial do êxodo, quando Moisés nos libertou de escravos do Faraó.

Raquel – Sim, mas aquela Páscoa foi especial. Reconstruamos os factos: estavam todos reunidos a cear. O senhor tomou o pão e disse: “comam, este é o meu corpo”. Depois, o copo de vinho: “bebam, este é o meu sangue”. Talvez as palavras mais sagradas da história da humanidade. Foi assim?

Jesus – Sobre o pão e o vinho eu disse uma bênção. Não recordo as palavras exactas mas… não sei aonde queres chegar.

Raquel – À transubstanciação. Quando o senhor pronunciou essas palavras mágicas, quero dizer, misteriosas, naquele pão estava a presença de Deus. Sim ou não?

Jesus – Sim, naquele pão estava Deus.

Raquel – Alegra-me escutá-lo. Cheguei a pensar que o senhor derrubaria outro dogma.

Jesus – De que te assombras, Raquel? Em Deus vivemos, nos movemos e somos. Não o sabias já? Levanto uma pedra, aí está Deus. Parte um tronco de uma árvore, aí o encontrarás.

Raquel – Um momento, não vá já para os troncos, quero dizer, para as generalidades. Os nossos ouvintes sabem que o senhor consagrou aquela noite ao pão e ao vinho.

Jesus – Como o pão podia deixar de ser pão e o vinho deixar de ser vinho?

Raquel – Ficaram as aparências mas mudou a substância. Naquele pão estava o corpo, naquele vinho o seu sangue. O senhor mesmo, Jesus Cristo, transubstanciado.

Jesus – Que loucura estás dizendo, Raquel… se eu estava sentado no meio de todos… como iria, ao mesmo tempo, estar metido num bocado de pão e num copo de vinho? Que truque seria esse?... nunca fui mago!

Raquel – O que havia naquele copo que o senhor deu a beber aos seus discípulos? Não era o seu sangue?

Jesus – No meu povo não se bebia sangue de animal nenhum e muito menos de uma pessoa. Estás-me falando de uma coisa horrível.

Raquel – Então que fez o senhor naquela Quinta-Feira Santa?

Jesus – Falei de união, da comunidade, logo, partilhámos o pão. Eu brindei com o vinho e, segundo a tradição, todos bebemos.

Raquel – O senhor disse que fizeram isso em sua memória.

Jesus – Sim, tinha medo que me prendessem. Então, disse-lhes: façamos uma aliança, aconteça o que acontecer prossigamos unidos, como os grãos de trigo numa espiga, como as uvas num cacho. Se eu faltar, reúnam-se para recordar o compromisso no Reino de Deus.

Raquel – Vejamos se eu o entendo. O senhor não instituiu naquela noite o sacramento da eucaristia?

Jesus – Não.

Raquel – E quando um sacerdote repete as palavras que dizem que o senhor disse naquela noite, que se passa com o pão e o vinho?

Jesus – Nada… porque já passou.

Raquel – Como é que já passou? Não ocorreu nenhum milagre?

Jesus – O milagre não está no pão nem no vinho, Raquel. O milagre está na comunidade. Quando um grupo de homens e mulheres que se querem, que lutam pela justiça se reúnem e dão graças a Deus e recordam as minhas palavras… aí está Deus no meio deles.

Raquel – E aqui estamos nós, no meio da nossa audiência e com demasiadas perguntas
pendentes. Uma pausa e regressamos. Raquel Perez, Emissoras Latinas, Jerusalém.


ADITAMENTO
AO EPITÁFIO


Como podemos nós, os poucos privilegiados que, contra todas as probabilidades, ganhámos a lotaria do nascimento atrever-nos a queixar do nosso inevitável regresso a esse estado anterior do qual a esmagadora maioria nunca despertou?

É evidente que existem excepções, mas eu desconfio, que para muitas pessoas, a principal razão pela qual se mantêm agarrados à religião não é o facto de esta dar consolo, mas de lhes ter faltado o apoio do sistema educativo e de ensino e de não ter sequer a consciência de que a não-crença é uma opção.

Isto é seguramente verdade para a maior parte das pessoas que se julgam Criacionistas. O que aconteceu, pura e simplesmente, foi que não lhes ensinaram de maneira adequada a espantosa alternativa proposta por Darwin. Provavelmente, o mesmo será verdade no que se refere a esse mito desmerecedor que diz que as pessoas “necessitam” da religião.

Num recente colóquio realizado em 2006, um antropólogo citou Golda Meir quando lhe perguntaram se acreditava em Deus. “Acredito no povo judeu, e o povo judeu acredita em Deus”. O nosso antropólogo ofereceu a sua versão da frase: “Acredito nas pessoas e as pessoas acreditam em Deus”.

Quanto a mim prefiro dizer, simplesmente, acredito nas pessoas e sucede que as pessoas, quando devidamente incentivadas a pensar, pela sua cabeça, em toda a informação actualmente disponível, muitas vezes não acreditam em Deus e levam vidas realizadas, felizes e efectivamente
libertas.

PEPINNO DI CAPRI - ROBERTA
Esta canção de Pepinno foi um êxito no Brasil em 1964



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS

MARIDOS

Episódio Nº 230



Ameaça só, minha comadre, qual é o homem que não tem suas desordens de mulher, que não põe chifres na esposa? Mas sentira muito, até emagrecera, e só agora começava a melhorar, pois o marido não só terminara com a sujeita como nem mais dormia em Juazeiro.

Dona Flor a consolou: quem não sofre essas contrariedades. Ela, dona Flor, ainda não há muito tivera o desprazer de uma descoberta a feri-la e a magoá-la.

- Também doutor andou prevaricando? Até ele? Bem eu disse a vosmicê que nenhum escapa de tropeço de mulher…

- Quem, Teodoro? Não, meu aborrecimento foi de outra coisa, diferente. Comadre Dionísia, Teodoro é a excepção que confirma a regra… É homem sério, por ele ponho a mão no fogo…

Dava-se conta de repente dona Flor, e quase o confessara a Dionísia, que, das duas histórias de mulher acontecidas com doutor Teodoro, a única concreta, com princípio e fim, e a única a feri-la e a magoá-la fundo, sucedera não com o segundo mas com o primeiro esposo.: aquela antiga história, só agora revelada, entre Inês Vasques dos Santos e o falecido.

Quando dona Flor se lembrava de Magnólia ou de Mirtes, logo a magra e sonsa Inês se erguia em sua frente, cadela hipócrita, marafona!


Duraram os ensaios da romanza cerca de seis meses até considerá-la em perfeitas condições de execução o exigente maestro, mais exigente ainda naquele caso: obra de sua autoria e dedicada à graça e à bondade de dona Flor, “Os Arrulhos de Florípedes” eram o seu ai-jesus.

Todos os sábados à tarde, com sol ou chuva, lá se reuniam eles a repetir acordes para o próximo concerto já com data e local.: daí a uma semana na residência de Taveira Pires.

Haviam transcorridos aqueles meses na paz do Senhor, sem incidentes de monta, dignos de especial registro, à excepção talvez da estreia de Marilda aos “microfones do povo, as da Rádio Amarelina, a Estação da Menina, a mais jovem e mais ouvida”, a movimentar a vizinhança, a comover a redondeza. Era como se todas aquelas ruas e becos estreassem pela voz da moça nos ares da cidade, tal a agitação e o nervosismo.

Dona Norma, capitã, comandava a turma da torcida, delegação ruidosa, presente à emissora na data festiva. Um rateio entre vizinhos recolhera apreciável maquia para uma lembrança: na mão de seu Samuel das Jóias – vendia jóias e quanta coisa houvesse nesse mundo: casimiras, tropicais, linhos, móveis, perfumes, tudo de contrabando e tudo de graça – obteve um amor de relógio de pulso, moderno e original, com seis meses de garantia. “Suíço, dezassete rubis, uma barateza” afirmava seu Samuel dando a impressão de vendê-lo apenas para fazer um favor à sua boa freguesa dona Norma.

À noite, seu Sampaio, a quem a compra excepcional fora exibida, constatou ter sido a esposa mais uma vez ludibriada pelo velho mascate, o que se dava há vinte anos e se daria até um dos dois bater as botas:

- E se for ela a morrer primeiro, é capaz na hora da agonia o velho Samuel lhe vender uma extrema-unção, de contrabando…

Nem suíço nem tão farto de rubis, fabricado em São Paulo mas nem por isso mau relógio, “é preciso acabar com essa mania de falar mal da indústria brasileira, tão boa como outra qualquer", concluía, nacionalista seu Zé
Sampaio.

segunda-feira, setembro 20, 2010

O Médico e o Mecânico



Um mecânico está desmontando a cabeça de um motor quando vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido.

Ele está olhando para o mecânico a trabalhar.

Então o mecânico pára e pergunta:

- Ei, doutor, posso lhe fazer uma pergunta?

O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até ao motor no qual o mecânico está trabalhando.

O mecânico se levanta e começa:

- Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e quando termino ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando nosso trabalho é praticamente o mesmo?

Então o cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala bem baixinho para o mecânico:

- Tente fazer isso, com o motor funcionando!

EPITÁFIO



Vamos morrer e por isso somos nós os bafejados pela sorte. A maior das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai chegar a nascer. As pessoas potenciais que poderiam ter estado aqui no meu lugar mas que na verdade nunca verão a luz do dia, excedem em número os grãos de areia de deserto do Sara.

Seguramente, nesses fantasmas que não vão chegar a nascer incluem-se poetas maiores que Camões e cientistas maiores que Newton. Sabemos isto porque o conjunto de pessoas potenciais permitidas pelo nosso ADN é esmagadoramente superior ao conjunto de pessoas com existência efectiva.

Não obstante esta ínfima probabilidade, sou eu, somos nós, que na nossa vulgaridade, aqui estamos… e vamos morrer.

Richard Dawkins

VÍDEO

Que figuras...!!!!

video

PUPO - TORNERÓ
Pupo, ou melhor, Enzo Ghinazzi, nasceu em 1955. Escreve, compôe e interpreta as suas próprias canções sendo um dos maiores cantores italianos. Vendeu mais de 25 milhões de discos, recebeu 11 Discos de Ouro e a Gôndola de Ouro (1981) pelo Album "Più Di Prima". As suas canções foram traduzidas para o inglês, francês, espanhol e alemão. "Torneró", uma melodia de encantar, foi um sucesso de 1975.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 229



- Maluca… Com que direito ela pensou que eu ia profanar o meu laboratório, abusar de uma cliente?

- No caso não era abuso, meu querido, ela mesmo é quem estava se oferecendo…

Ele baixou a voz, nunca perdera de todo a timidez ante a esposa em assuntos como aquele:

- Como poderia eu olhar para outra mulher, tendo você, minha querida?

Homem mais leal e correcto não havia, dona Flor lhe estendeu os lábios, ele a beijou de leve.

- Obrigado, Teodoro, eu penso o mesmo a seu respeito.

Na rua, nas esquinas, ao aperitivo no bar de Mendez, os homens comentavam a surra, seus motivos e efeitos. Dona Magnólia fora recolhida em casa de parentes, estava em banho de água e sal, o secreta enchera a cara de cachaça.

Seu Vivaldo da funerária levantava a questão: era ou não impotente o doutor Teodoro? Não só o afirmava a rapariga em alta voz (aliás, aos gritos), como também - vamos convir – só um cunuco seria capaz de recusa por ele imposta à tentação de Magnólia, às suas opulências. Dava para duvidar de sua macheza, isso dava. Moysés Alves, o fazendeiro de cacau, se exaltava, a defender o boticário:

- Broxa, mentira dessa sem vergonha. Homem sério, com responsabilidade, você queria que ele se atracasse com a pecadora por cima dos remédios?

Seu Vivaldo, ainda assim, permanecia crítico:

- Chuetar de um pedaço desses… Na farmácia ou onde fosse… Se ela aparecesse lá, no Paraíso em Flor, com vontade de me dar, ia mesmo ali, num ataúde…

Punha-se de acordo num detalhe. Fosse por impotente ou por austero, doutor Teodoro comportara-se mal ao expulsá-la sem lhe marcar um encontro:

- Deus dá nozes a quem não tem dentes…

Ecos dessas discussões, soltas nas esquinas e nos bares, acesas na cerveja e na cachaça, chegaram aos ouvidos de dona Flor e também os elogios gerais das vizinhas e amigas:

- Se todo marido fosse assim, valia a pena…

Indignara-se com o aleive contra o esposo e dissera a Maria Antónia, ex-aluna espalhafatosa e alcoviteira, que veio visitá-la só para futricar:

- Se alguém quiser saber se ele é homem de verdade, que venha aqui eu mando ele mostrar…

- Manda mesmo? – riu Maria Antónia em pândega e pagode.

Riu também dona Flor. Mesmo irritada com o cochicheio, não podia conter o riso ante o grotesco da situação.

Certa manhã, tempos depois, quem apareceu foi Dionísia de Oxóssi trazendo seu menino gordo para tomar a bênção à madrinha. Vinha pouco, ultimamente, de raro em raro. Contou o desgosto que tivera ao descobrir um arranjo de mulher na vida do marido. Cortando estrada com caminhão, fazendo pouco aqui e ali, se metera ele com uma tipa em Juazeiro. Dionísia fora no rastro de uma carta da perversa, fez um escarcéu, ameaçou mandar o traidor embora.

domingo, setembro 19, 2010

BOM DOMINGO A TODOS
PEPPINO GAGLIARDI - T'AMO e T' AMERO

O primeiro grande sucesso do cantor em 1963


Site Meter