sábado, novembro 09, 2013

CROCODILO

Este crocodilo vivia no Rio Cunene que faz fronteira entre Angola e a Namíbia. Prodígio de tamanho (não serão os 10 metros, como disseram...) mas eles chegam a viver mais de cem anos e nunca param de crescer. Foi apanhado um na Índia, Bengala, que tinha 10 metros de comprimento e uma circunferência de 4 metros.

De certo, quando há 50 anos eu estava lá na guerra. já este se banhava, mais pequeno é certo, nas águas do rio... É uma pena vê-lo morto.
Convém esclarecer que eles não descendem dos dinossauros, tiveram um ascendente comum e foram contemporâneos. Uns sobreviveram, talvez como a maior espécie de sucesso, os outros não. As aves, essas sim, descendem directamente dos dinossauros.


FAGNER

“O Brasil é um país singular onde se misturam vários povos vivendo em harmonia, possui uma das mais miscigenadas populações do planeta, uma língua uniforme pese embora a vastidão de seu território e uma diversidade cultural das mais ricas.

 Durante toda nossa história convivemos com essas diferenças e conseguimos manter uma invejável unidade, por outro lado, é de admirar a maneira pela qual o país assimila a sua diversidade cultural respeitando as suas identidades regionais.


De norte a sul, passando pelo centro oeste percebemos a imensidão de ritmos, géneros musicais, festas, folguedos, enfim todo um cenário que se descortina aos nossos olhos e que nos fazem ficar admirados como podemos assimilar tantas manifestações e incorporá-las ao nosso cotidiano.

Da tradição dos pampas gaúchos, passando pelo caipira do interior do estado de São Paulo, pelas manifestações dos imigrantes incorporadas ao nosso calendário e aculturadas em nosso território, a sonoridade das Minas Gerais, a cultura pantaneira, o samba e o choro carioca, o samba de roda na Bahia, o frevo em Pernambuco, o coco no Rio Grande do Norte e em outros estados nordestinos e desaguando na canção amazónica com suas lendas e tradições embaladas também pelo ritmo do carimbó, temos ai demonstrado em linhas gerais a riqueza da cultura brasileira, infelizmente pouco conhecida e divulgada principalmente em nossas escolas." (Luís Américo Lisboa Junior)


FAGNER - BORBULHAS DE AMOR


                                      









Um casal conversava:

- Posso não ser rico, não ter dinheiro, apartamentos 

de luxo, carros importados ou empresas como o meu 

amigo João Costa , mas amo-te muito, adoro-te, sou 

louco por ti.

Ela olhou-o com lágrimas a cair dos seus olhos, 


abraçou-o como se não existisse o amanhã, e disse 

bem baixinho ao seu ouvido:

- Se me amas de verdade, apresenta-me o João 

Costa. 



Sexo na 

Velhice









Joãozinho, muito curioso, pergunta ao avô:

- Avô, você ainda faz sexo com a avó?

- Sim, mas apenas oral.

E pergunta o Joãozinho:

- O que é sexo oral?

E responde o avô:


- Eu digo "Foda-se" e ela responde : "Vai-te foder 

também."

JUBIABÁ

Episódio Nº 158


Onde é que já se viu uma dama, que vem acompanhada para um baile, dançar com um desconhecido sem falar com o cavalheiro que a trouxe?

Aquilo não está direito. Rosenda está bobeando ele. Ela ficou danada com o negócio do colar e agora quer irritar o negro. Zefa não foi dançar. Vem para a mesa deles, aceita cerveja:

 - Tua mulata tá cutuba, Baldo. Olha como tá rindo para o branco. Seu Carlos é um danado…

Joaquim tira Zefa para dançar. Zefa foi rindo, rindo de António Balduíno. Todos pensam que ele está enrabixado por Rosenda, que ela fez feitiço para prender o negro.

António Balduíno pede cachaça ao garçon, um capenga que anda com uma perna de pau. Na mesa vizinha um homem quer brigar com todo o mundo.

As negras dançam na sala. O Jazz se acaba de tanto entusiasmo. Rosenda está dançando. Carlos fala no seu ouvido. Isso é proibido. Porque é que seu Juvêncio não reclama? António Balduíno pensa:

 - Será que estou com dor de corno?

Que mulata bonitinha a que ficou sem dançar junto daquela velha gorda. Tem uma cara que é um primor. Uns peitinhos pequenos.

Rosenda passa perto da janela e ri. Porque é que António Balduíno não pode pensar na mulatinha? Pede mais cachaça. Tudo por causa daquele colar.

Mas ele havia de não dar o dinheiro a Vicente para a mulher de Clarimundo? Clarimundo morreu debaixo do guindaste. O colar azul. Ainda se fosse vermelho!

Rosenda passa outra vez se rindo. Ele acaba desfeiteando o chofer. Querem se rir dele? Parece que não conhecem o negro António Balduíno. Sente o contacto da navalha que está no cós da calça.

Fica um lapo bonito na cara de um. Demais o colar azul não ficaria bonito com o vestido verde. Outro copo de cachaça. Se fosse um colar vermelho…

Amanhã a mulher de Clarimundo começará a lavar roupa. Trabalho desgraçado. E ela é magra, acaba ficando tuberculosa.

Rosenda merece uma surra. Nunca nenhuma negra fez aquilo com ele. A sala está cheia. As negras de vestido de baile dançam como as mulheres elegantes.

Poucas mulheres se vestem tão bem como a negra Joana. Mas hoje Rosenda está mais bonita. O chofer está satisfeito, exibindo o par. O dinheiro do colar ele deu a Clarimundo.

O Jazz pára mas as palmas o obrigam a recomeçar. Na mesa vizinha um homem quer brigar seja com quem for, Balduíno se volta.

 - Tou com você, mulato.

 - Obrigado, patrício… Não vê que ninguém se mete comigo…

E reclama contra o garçon, reclama do companheiro da mesa.

 - Eu hoje faço um frege aqui

António Balduíno bem que podia pedir a Jubiabá que fizesse um feitiço para Rosenda ficar caidinha por ele. Um negro canta no Jazz:


«Mulata, tu me desprezaste…

sexta-feira, novembro 08, 2013

IMAGEM

O instantâneo que antecede o drama da cobra que matou o passarinho... 


HERMÍNIA SILVA - ROSA ENJEITADA


Para os da minha geração que ainda a recordam, este é o fado que, quanto a mim, melhor identifica Hermínia Silva como a fadista por excelência, de voz castiça e linda. Só ela, com os seus requebres e entoações melódicas: ... "afinal, desventurada, quem és tu???..." inimitável!.

Tive oportunidade de a conhecer pessoalmente quando, há muitos anos, o meu irmão organizou as Festas de verão na aldeia dos meus avós e a convidou a cantar, o que aceitou como exemplo da sua simplicidade e total ausência de vedetismo.

Era uma pessoa alegre e brincalhona, (ficou célebre a sua "boca" para o guitarrista, antes de iniciar a actuação: "anda Pacheco..."). Apoiou-se em dois grandes mestres: maestro Jaime Mendes e o compositor Raúl Ferrão. Cantou quase até ao fim da sua vida no Solar da Hermínia tendo falecido em 1993, aos 86 anos... uma das maiores vedetas do Fado e do Teatro de Revista português e que sempre se manteve fiel ao seu reportório de fadista.


Momentos

Numa noite normal com o passado largado na memória, um homem reencontra o lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu. Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha surgem com a esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.


Assunto:

Pequenos

detalhes
:



Após um 69 com sua namorada, Arlindo lembra-se que tem uma consulta no dentista naquela tarde.

Terminado o acto, Arlindo teme que o dentista se aperceba do seu bafo de vagina e escova os dentes 57 vezes, passa o fio dental 37 e bebe 2 litros de leite.

Ao chegar ao consultório, chupa 5 rebuçados HALLS, e é atendido pelo Doutor que o orienta a sentar-se na cadeira.

Posicionado e com a boca aberta, Arlindo tranquiliza-se e deixa o profissional fazer seu trabalho.

O dentista aproxima-se da boca de Arlindo e afirma categoricamente:

- Sr. Arlindo, então você fez um 69 antes de vir ao dentista?

- Ainda estou com hálito a vagina, Sr. Doutor?

- Não, não é isso… a sua testa cheira é a cú!...


Moral da história:

 - O excesso de preocupação com o óbvio, faz-nos esquecer os pequenos detalhes! 

JUBIABÁ

Episódio Nº 157




Seu Juvêncio deixou as funções de mestre-sala para vir dizer a António Balduíno:

 - Até que enfim deu essa honra ao clube…

Seu Juvêncio está de roupa azul. Balduíno apresenta Rosenda que veio de vestido verde de baile. Ficam na entrada até que a música acaba.

Os pares se soltam na sala e eles entram. As mulatas apontam para Rosenda Rosedá. O vestido verde faz sucesso. Os negros estão todos olhando para ela. Rosenda diz a António Balduíno.

 - Parece que nunca viram gente…

Mas em verdade está satisfeita, toda risonha. Se ela tivesse vindo com o colar é que estaria bonita de facto. António Balduíno ficou vaidoso com a entrada da negra.

Todos estão olhando para eles e cochicham. Rosenda Rosedá balança as nádegas quando anda como se dançasse um samba.

Param no meio da sala, bem debaixo das luzes. Rosenda vai até à camarinha arranjar o cabelo esticado a ferro. Negros vêm falar com António Balduíno. Joaquim já está meio bêbado:

 - A coisa tá boa, seu mano… Já andei bebendo por aí…

 - Eu estava pensando que você ia para a festa de João Francisco…

 - E vou mesmo… Mas primeiro vim dar um pulo aqui, pra ver as coisas. Isso tá bom. A mulata tá cutuba, hein?

 - Rosenda? Quer ela pra você?

 - Não gosto de resto dos outros…

 Os negros riem. Um pergunta a António Balduíno quando arranjou aquele talho no rosto. O negro mente inventando a história de uma briga com seis homens.

Zefa está no baile e espia António Balduíno. Ele se aproxima e ela se queixa dizendo que «parece que não conhece mais os pobres».

Rosenda sai da camarinha e sorri. Os dentes são alvos. Zefa olha com inveja:

 - Lá vem tua patroa…

Rosenda se senta junto Zefa no lugar onde estava António Balduíno que foi beber um trago, lá dentro com Joaquim e seu Juvêncio.

A dança está demorando porque os músicos estão bebendo um copo de cerveja. Mas de repente explode na sala a música de uma marcha carnavalesca.

Da mesa, António Balduíno espia. São muitos os pares. Não vale a pena dançar esta vez. Olha os sapatos vermelhos e novos. Se se metesse na dança pisariam os seus sapatos novos.

Joaquim acha os sapatos muito bonitos. António Balduíno diz que vai buscar Rosenda para beber uma cerveja. Quando se levanta vê a negra dançando com um branco. Vira-se para Joaquim:

 - Quem é aquele cara?

- Qual?

 - Que está dançando com Rosenda.

É Carlos, um chofer. Metido a brigão.

quinta-feira, novembro 07, 2013

IMAGEM

Técnica da cenoura no lançamento de mísseis...



RIOS DA BABILÓNIA

... e matou os meus dois últimos domadores.

O leão do Circo


O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão.

Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, beirando 70 anos, e uma loura espectacular de 25 anos.

O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:

- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?

Diz a loura:

- Vou eu!

Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula. O leão ruge e começa a correr na direcção da loura. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo.

 O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio! Deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés! Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante longos minutos!

O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:

- Eu nunca vi nada assim na minha vida!

Vira-se para o velhinho e pergunta:

- Você consegue fazer a mesma coisa?

E o velhinho responde:

- Claro! É só tirar de lá o leão...

As minhas 

irmãs 

árvores


Conta-se a história daquele homem que já muito velhinho, sentindo-se bastante doente, levantou-se da cama, saiu ao quintal e por momentos abraçou cada uma das suas árvores. Depois, regressou a casa, deitou-se novamente e morreu tranquilo.


Era irrelevante que as árvores fossem diferentes: uma figueira, duas laranjeiras e três oliveiras. A todas, ao longo de uma vida, tratara de igual modo: regara-as de acordo com as suas necessidades, tirara-lhes os ramos secos.

Elas, em troca, deram-lhe a sombra à qual se recolhia nas solarengas tardes de verão e os frutos que colhera com carinho. Figos pretos de tamanho médio, doces e saborosos, laranjas grandes e sumarentas e azeitonas que ele retalhava e demolhava para perderem o sabor acre temperando com sal e orégãos para comer com nacos de pão de trigo caseiro. Como me dizia a minha avó, quando eu era garoto e resmungava que não gostava da comida:


  - …“então come pão com azeitonas” que era o menu dos pobres na aldeia.


Naqueles momentos em que percebera que a vida o ia abandonar não conseguiu evitar vê-las mais uma vez, tocar-lhes com afecto, no fundo, despedir-se delas. Tinham sido tantos anos de uma relação sempre presente, de uma amizade em que ambos, homem e árvores, se ajudaram a sobreviver e, mais importante, foram uma companhia fiel.

De certa forma, é uma falácia afirmarmos que somos donos das árvores…elas vivem muito mais tempo que nós, a maioria esmagadora das que nos viram chegar vêm-nos partir, já cá estavam quando nascemos e cá ficam depois de morrermos.


 As suas vidas correspondem à vida de gerações de pessoas, algumas mantém-se vivas durante centenas de anos para não referir já o velho pinheiro de “matusálém”, da espécie Pinus Longaeva, da Califórnia, que sobreviveu 4.800 anos.


Quanto ao seu tamanho, algumas deveriam ser consideradas monumentos, não da Humanidade mas da Natureza:

- As Sequóias “Sempre Verdes” da costa norte-americana do Pacífico batem todos os recordes chegando a atingir, a mais alta, 115,6 metros;

- A Sequóia “Gigante”, a maior árvore do mundo, tem 1.489 m3 de volume o que significa que seria necessária uma frota de quase 40 camiões TIR de 40 toneladas cada para a transportar.

Este conjunto de Sequóias encontram-se hoje resguardado no Parque Nacional das Sequóias, na Califórnia.

Mas o homem, que se tem permitido destruir sem dó nem piedade esta herança fabulosa de vida, continua cego por interesses de “hoje” sacrificando o futuro das gerações que o seguem. No fundo, prevalece o egoísmo da geração presente numa postura que se traduz no tal: “quem vier atrás que feche a porta…”. O materialismo, a ganância pelo dinheiro imediato tornou-o irresponsável, insensível.

Mas nem sempre terá sido assim:

- O homem do paleolítico vivia em comunhão com a natureza numa época em que predominavam as florestas e, no silêncio das noites, nos seus locais de dormida, ele ouvia os sons do vento perpassarem por entre as folhas dos ramos mais altos das árvores que o rodeavam.

Esses sons pareciam uma conversa em privado, umas vezes ligeiramente mais acalorada, outras em frases mais longas e monocórdicas interrompidas por silêncios intermitentes.

O homem do paleolítico ouvia, deitado, e pareceu-lhe a ele, ser primitivo, que eram os deuses que falavam com as árvores.

Humilde, frágil, dependente da natureza, mas muito sagaz e observador, pensou aproveitar aquele relacionamento entre árvores e deuses a seu favor utilizando aquelas como intermediárias entre ele e os deuses.

Assim, discretamente, levantava-se, dirigia-se a uma das árvores mais altas, tocava-lhe com respeito e contava-lhe as suas angústias, os seus medos e receios e pedia-lhe que solicitasse aos deuses, nas suas conversas, a protecção para si, para a sua família e para o seu grupo.

Passaram-se milénios e quase tudo aconteceu de então para cá: fomos compreendendo melhor as forças da natureza, domesticámos plantas e animais, construímos cidades, civilizações e, progressivamente, temos vindo a desenlear o fio do conhecimento científico.


 No entanto, apesar de um tão longo caminho percorrido desde então, eu próprio, que nem sequer sou crente, dou por mim a bater com os nós dos dedos da minha mão fechada na madeira do tampo da mesa – à falta de uma árvore - para afastar os maus presságios, tal como o meu antepassado remoto quando, de noite, se levantava e tocava-lhes respeitosamente formulando pedidos aos deuses por seu intermédio…


…. Por isso, gostava de lhes pedir licença para lhes chamar de “minhas irmãs árvores.”


Eram dezassete camelos...
A Herança dos 

Camelos



Um homem tinha dezassete camelos, três filhos e morreu.

Quando o testamento foi aberto, dizia que metade dos camelos ficaria para o filho mais velho, um terço para o segundo e um nono para o terceiro.

O que fazer?


Eram dezassete camelos. Como dar metade ao mais velho? Para isso um dos animais deveria ser cortado ao meio o que, evidentemente, estava fora de hipótese. E como dar depois um terço ao segundo filho e a nona parte ao terceiro?

Então, os filhos correram em busca do homem mais erudito da cidade, o estudioso, o matemático que raciocinou muito mas não conseguiu encontrar a solução, já que o problema era insolúvel do ponto de vista da matemática.


Então alguém sugeriu:
-  "É melhor procurarem alguém que saiba é de camelos, não de matemática".

Procuraram, assim, o Sheik, homem bastante idoso e inculto, mas com muito saber de experiência feito.

Contaram-lhe o problema e o velho riu e disse: "É muito simples, não se preocupem".


Emprestou um dos seus camelos – passaram a ser agora 18 - e depois fez a divisão:


 - Nove, foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parte - seis camelos - e ao terceiro filho foram dados dois camelos - a nona parte. Sobrou um camelo, o emprestado pelo velho que o levou de volta e disse:

-  Agora podem ir".

NOTA

Esta história foi contada no livro "Palavras de fogo", de Rajneesh e serve para ilustrar a diferença entre sabedoria e erudição. Ele conclui dizendo: "A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição. A cultura é abstracta, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência."

Ora vejamos:

17+1= 18

1º filho - 18/2= 9
2º '' - 18/3= 6
3º '' - 18/9= 2
9+6+2= 17 camelos (está cumprido o testamento)
18-17=1

Sobrou 1 camelo que foi devolvido ao proprietário, o Sheik.

JUBIABÁ

Episódio Nº 156

António Balduíno veste o branco, mas, como vai passar na casa de Clarimundo, não põe a gravata vermelha. Sai aborrecido da vida, Rosenda também.

Vão afastados como se não se conhecessem. Sobem balões para o céu. Acenderam a fogueira na casa de Osvaldo. Estouram traques e busca-pés.

Clarimundo não verá jamais os balões deste São João! Na sua porta, nesta data, nunca deixou de arder uma grande fogueira nem de espoucar foguete.

Os amigos vinham beber vinho de genipapo e cachaça. António Balduíno veio muitas vezes. Soltavam busca-pés que corriam atrás dos transeuntes descuidados.

Certa vez fizeram subir um balão colossal, de seis metros, em forma de zepelin, que tinha três bocas. Fora uma beleza. Um jornal deu o retrato no dia seguinte. A sala ficava cheia.

Hoje também ela está cheia mas a fogueira não arde na porta. Estendido no caixão, Clarimundo tem os olhos fechados. Os balões passam no céu, Clarimundo não os vê.

Não vê a fogueira da casa de Osvaldo. Nos outros anos eles apostavam para ver quem fazia a fogueira maior. Este ano a do Osvaldo foi maior porque na casa de Clarimundo só tem vela que arde ao lado de defunto.

A cara ficou irreconhecível. A bola de ferro do guindaste amassou a cabeça do estivador, rebentou os ossos, acachapou tudo aquilo.

Hoje soltaram um balão em forma de zepelin também. Todos correm para a janela para verem. Vai cheio de luzes atravessando o céu azul.

Só Clarimundo não vê porque o guindaste o matou no trabalho do cais. Os outros estivadores estão ali. O sindicato vai fazer o enterro. Daqueles que estão ali, muitos vão ao baile do “Liberdade na Baía”.

Jubiabá é que não irá, pois está encomendando o morto. Na mão tem folhas que balançam. O Gordo também não irá, com certeza.

O Gordo vai ficar velando Clarimundo, ajudando Jubiabá na encomendação. Passam balões na noite. Clarimundo, negro Clarimundo, esta noite não tem fogueira em frente de tua casa.

Mas o negro António Balduíno tomará um porre por causa da tua morte. E, de agora em diante olhará os guindastes como inimigos.

A voz da mulher de Clarimundo é resignada e como que liberta de uma opressão:

 - Isso tinha de acontecer. Toda a vez que ele saía eu pensava que ele voltava nos braços, morto pelos guindastes…

A filha mais velha de dez anos chora encostada na mesa. O menor de três anos espia os balões que passam, no céu.

Jubiabá encomenda o morto. António Balduíno tomará um porre esta noite. Vem a música de um samba de uma casa próxima. Invade a casa do defunto.



O “Liberdade na Baía” está com o salão repleto. Gargalhadas vibram no ar. Um cheiro de suor enche a sala, mas ninguém o sente. O “Jazz dos 7 Canários” está delirante. Os pares quase não podem se mexer na sala.

quarta-feira, novembro 06, 2013

IMAGEM

A ânsia do momento para a entrega de uma flor à cuca amada...



Um cão velho...
Um cão velho...




Um cão velho e com olhar cansado andava pela rua e entrou no meu jardim. Eu pude ver, pela coleira e pelo brilho do seu pêlo, que era bem alimentado e bem cuidado.

Ele aproximou-se calmamente de mim e devo ter-lhe dado confiança. Então seguiu-me e entrou em minha casa. Passou pela sala, entrou no corredor, deitou-se num cantinho e dormiu.

Uma hora depois foi para a porta e eu deixei-o sair.

No dia seguinte voltou. Fez-me uma festinha no jardim, entrou em minha casa e novamente dormiu cerca de uma hora no cantinho do corredor. Isso repetiu-se por várias semanas.

Curioso, coloquei um bilhete na sua coleira: "Gostaria de saber quem é o dono deste lindo e amável animal, e perguntar se sabe que ele vem até minha casa todas as tardes para dormir uma soneca."


No dia seguinte ele chegou para a sua habitual soneca, com um outro bilhete na coleira: "Ele mora numa casa com 6 crianças, 2 das quais têm menos de 3 anos - provavelmente ele está tentando descansar um pouco.


Posso ir com ele amanhã???

Conto Curto



Quando Carlinhos era pequeno, queria ser bailarino e seus pais o desencorajaram, porque era coisa de paneleiro.

Logo depois, quis ser cabeleireiro, mas seus pais não deixaram porque era coisa de paneleiro.

Passado algum tempo quis ser estilista, mas seus pais não permitiram porque era coisa de paneleiro.

Entretanto Carlinhos cresceu, é paneleiro e não sabe fazer merda nenhuma.

Carl Sagan
Carl Sagan


O primeiro pecado do 

homem foi a fé; 


A primeira virtude, a dúvida.




A EMOÇÃO FAZ - NOS HUMANOS

O vídeo é um trecho do filme "O Concerto", baseado na história que se passou na Rússia, em 1980, quando o maestro Andrei Filipov e alguns músicos da Orquestra de Bolshoi foram despedidos por motivos políticos.
O maestro, para sobreviver financeiramente, aceitou o cargo de faxineiro do teatro.

Certo dia, ele intercepta um fax do famoso Teatro Chatelet de Paris que convidava a orquestra para tocar, sem saber que a mesma estava, provisòriamente, suspensa. O maestro teve a brilhante ideia de reunir os músicos despedidos e apresentar-se em Paris como se fosse a Orquestra de Bolshoi.

Antes da apresentação, um grupo de amigos, sem que o maestro soubesse, substitui seu solista por uma desconhecida violinista que era sua própria filha que, em razão da perseguição que sofreram do regime ditatorial russo, sua esposa e seus amigos entregaram, com apenas seis meses, a uma violoncelista francesa que a levou, para Paris, dentro do estojo do seu violoncelo.

Vejam a cena final desta obra cinematográfica.

A música da cena é "Concerto para Violino" de Tchaikovsk


...o dia do reencontro... 



A EMOÇÃO NOS FAZ HUMANOS...

Concerto para Violino de Tchaikovsk

JUBIABÁ

Episódio Nº 156

António Balduíno veste o branco, mas, como vai passar na casa de Clarimundo, não põe a gravata vermelha. Sai aborrecido da vida, Rosenda também.

Vão afastados como se não se conhecessem. Sobem balões para o céu. Acenderam a fogueira na casa de Osvaldo. Estouram traques e busca-pés.

Clarimundo não verá jamais os balões deste São João! Na sua porta, nesta data, nunca deixou de arder uma grande fogueira nem de espoucar foguete.

Os amigos vinham beber vinho de genipapo e cachaça. António Balduíno veio muitas vezes. Soltavam busca-pés que corriam atrás dos transeuntes descuidados.

Certa vez fizeram subir um balão colossal, de seis metros, em forma de zepelin, que tinha três bocas. Fora uma beleza. Um jornal deu o retrato no dia seguinte. A sala ficava cheia.

Hoje também ela está cheia mas a fogueira não arde na porta. Estendido no caixão, Clarimundo tem os olhos fechados. Os balões passam no céu, Clarimundo não os vê.

Não vê a fogueira da casa de Osvaldo. Nos outros anos eles apostavam para ver quem fazia a fogueira maior. Este ano a do Osvaldo foi maior porque na casa de Clarimundo só tem vela que arde ao lado de defunto.

A cara ficou irreconhecível. A bola de ferro do guindaste amassou a cabeça do estivador, rebentou os ossos, acachapou tudo aquilo.

Hoje soltaram um balão em forma de zepelin também. Todos correm para a janela para verem. Vai cheio de luzes atravessando o céu azul.

Só Clarimundo não vê porque o guindaste o matou no trabalho do cais. Os outros estivadores estão ali. O sindicato vai fazer o enterro. Daqueles que estão ali, muitos vão ao baile do “Liberdade na Baía”.

Jubiabá é que não irá, pois está encomendando o morto. Na mão tem folhas que balançam. O Gordo também não irá, com certeza.

O Gordo vai ficar velando Clarimundo, ajudando Jubiabá na encomendação. Passam balões na noite. Clarimundo, negro Clarimundo, esta noite não tem fogueira em frente de tua casa.

Mas o negro António Balduíno tomará um porre por causa da tua morte. E, de agora em diante olhará os guindastes como inimigos.

A voz da mulher de Clarimundo é resignada e como que liberta de uma opressão:

 - Isso tinha de acontecer. Toda a vez que ele saía eu pensava que ele voltava nos braços, morto pelos guindastes…

A filha mais velha de dez anos chora encostada na mesa. O menor de três anos espia os balões que passam, no céu.

Jubiabá encomenda o morto. António Balduíno tomará um porre esta noite. Vem a música de um samba de uma casa próxima. Invade a casa do defunto.



O “Liberdade na Baía” está com o salão repleto. Gargalhadas vibram no ar. Um cheiro de suor enche a sala, mas ninguém o sente. O “Jazz dos 7 Canários” está delirante. Os pares quase não podem se mexer na sala.

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