sábado, junho 11, 2011

CAETANO VELOSO - ORAÇÃO AO TEMPO

A mana Maria Betânia também tem a sua versão desta canção mas há quem a prefira ouvir na voz do irmão talvez pelas suas características vocais.


A ISTO EU CHAMO TALENTO


HISTÓRIAS


DE HODJA


Uma vez, o mês de jejum calhou no meio de um verão escaldante. Um homem rico convidou Hodja para almoçar em sua casa. Normalmente a sopa é servida em primeiro lugar, mas por causa do calor, serviram compota gelada.

O anfitrião, que gostava de pregar partidas, colocou uma pequenina colher de chá à frente de cada convidado, enquanto ele tinha uma grande colher na mão. Cada vez que levava a colher à boca exclamava: “”Ooooh… está tão boa que eu poderia morrer!”

Hodja olha para ele, uma vez, depois outra vez, e, finalmente, sem se poder conter mais disse:

- “Senhor, e se nos passasses essa colher para nós também podermos morrer um pouco”.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 24



40

Dias de aflição e de impaciência precederam o embarque do capitão para a Bahia. Apenas uma vez trocou apressado beijo com Daniel, na hora do meio-dia, e ele lhe disse uma palavra de ânimo: a viagem está firme. Na véspera deixara uma flor murcha no balcão, de suas pétalas fanadas viveu Tereza aqueles cinco dias de mortal espera.

Daniel vinha diariamente, quase sempre em companhia de Justiniano, íntimos a conversar e rir, de coração palpitante, Tereza acompanhava cada gesto, cada olhar da aparição celeste, querendo adivinhar mensagem de amor. Não estando presente o capitão, o jovem com um pé entrava com o outro saía, bom dia, até logo, cigarros americanos para os caixeiros, para Tereza o olhar de quebranto, um muxoxo nos lábios significando um beijo, pouco para a fome desperta, exigente.

Em troca, todas as tardes merendava com as irmãs Morais, mesa farta de doces, os melhores do mundo. – de caju, de manga, de mangaba, de jaca, de goiaba, de araça, de groselha, de carambola, quem cita de memória comete fatalmente injustiças, esquece na relação delícias essenciais, o de abacaxi, por exemplo, o de laranja-da-terra, ai meu Deus, o de banana em rodinhas! – todas as variações do milho, das espigas cozidas à pamonha e ao manuê, sem falar na canjica e no xerém obrigatórios em Junho, a umbuzada, a jenipapada, as fatias paridas com leite de coco, o requeijão, os refrescos de cajá e pitanga, os licores de frutas.

Modesta merenda, diziam as irmãs; banquete de fadas, no galanteio guloso de Daniel. No salão, o piano coberto com um xaile espanhol, lembrança de grandezas passadas, gemia nos dedos de Magda as notas de “Prima Carezza” da “Marcha Turca”, de “Le Lac de Come”, reportório selecto e felizmente escasso. No lápis de cor, Berta tentava reproduzir-lhe o perfil – acha parecido? Parecidíssimo, você é uma artista. Palmas para a declamadora Amália; disposto a tudo, Daniel pedira bis quando ela, trémula de emoção, disse “In Extremis”: “A boca que beijava a tua boca ardente”. A pretexto de lhe cuidar das unhas, Teodora tomava-lhe das mãos, os joelhos encostados nos do moço, os seios em permanente exibição e até lhe mordera a ponta de um dedo – as irmãs unânimes reprovavam a falsa manicure, subterfúgio desleal e indecente; Teó, bem do seu, de tesourinha e lixa, vidro de acetona, nunca vira mãos tão macias.

Empoadas, pintadas, na água-de-colónia e nos extractos, as quatro irmãs quase em delírio. Na cidade, as comadres divididas em facções: uma ala anunciando para breve o noivad0 de Daniel e Teodora, preso o pobre rapaz na armadilha montada no chalé pelas terríveis irmãs; outra tendência, frescária, chefiada por dona Ponciana de Azevedo, apostando em Daniel: está a comer a oferecida Teó e de quebra os quitutes e os doces, e só não come as outras três se não quiser. O capitão, testemunha de vista, a quem o estudante, conversador e divertido, era simpático – apesar de certos hábitos indignos, homem inteiro não lambe xibiu de mulher – chamara sua atenção para o perigo de engravidar Teodora. Daniel, em resposta, lhe narrou uma série de impagáveis anedotas sobre o problema de evitar filhos, cada qual mais gozada, o cara-de-pau sabia contar como ninguém uma piada, o capitão só faltava morrer de rir.

No dia de São Pedro pela manhã, Justiniano foi buscar Daniel a casa do juiz para levá-lo a um combate de galos, saíram no caminhão. Almoçaram por lá, só no fim da tarde o capitão regressou. Tereza ainda acalentava a esperança de que ele fosse ao fandango de Raimundo Alicate, ah!, teriam ela e Daniel a noite livre, de festa. O capitão nem trocou de roupa; assim mesmo como estava, a la godaça, saiu para traçar umas cervejas na pensão de Gabi, voltando cedo para dormir. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÔES COMPLEMENTARES



À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS?” (11)


“Queremos partilhar os recursos desta terra, água, vinho, e os seus locais sagrados. Vocês podem compartilhar Jerusalém. Toda a área pode ser compartilhada entre as duas nações independentes e iguais. Israel não deve dominar a vida dos palestinianos. Nenhuma das duas nações, nem Israel nem a Palestina, deve acreditar que é possível alcançar a paz através da violência. Deixem as mulheres encontrar o caminho que os homens não encontraram. Insistimos para que todas as equipes de negociação incluam, pelo menos, 50 por cento de mulheres entre os líderes palestinianos e israelitas nas equipas das Nações Unidas, incluindo representantes dos governos envolvidos na tentativa de resolver o conflito. As mulheres vão falar, não vão disparar.

Há demasiados homens com demasiado ego envolvidos no incêndio deste pedaço de terra. Deixem-nos conversar. Nós podemos trazer a paz. Os homens falam de segurança baseada na força. Sabemos que a segurança significa ser bons vizinhos. Nós não queremos a próxima geração vestida de uniforme para ir à guerra. Queremos que eles conheçam a auto-determinação com dignidade, sem ter que lutar para isso. Deixem as mulheres falarem e actuarem.”

A 14 ª Reunião de Mulheres Vestidas de Negro teve lugar em Valência, Espanha, em Agosto de 2007 com o lema "Expulsar a guerra da história das nossas vidas." Essa reunião envolveu 400 mulheres de 40 países de todos os continentes: Afeganistão, Colômbia, Sahara, Chechénia, Congo, Zimbábue, Marrocos, Filipinas ...

Deus: Uma Palavra Humana

Diz a teóloga brasileira Ivone Gebara: Deus é uma palavra humana, um nome humano. Não deveríamos utilizá-lo mais para falar de um Ser que está acima e além, fora do mundo, mas para falar sobre relações. É nos relacionamentos uns com os outros que fazemos a Deus. Deus não é em si mesmo, é-o em ética, beleza e amor. Jesus também viveu a sua relação com Deus. Porque o divino não está nem fora nem acima da humana, está nas relações humanas e nas relações entre os seres vivos.

Falando com Deus...


Homem: Deus?
Deus: Sim?
Homem: Eu posso lhe perguntar algo?
Deus: Claro, meu filho !
Homem: O que é um milhão de anos para você?
Deus: Um segundo.
Homem: E um milhão de dólares?
Deus: Um centavo.
Homem: Deus, você pode me dar um centavo?
Deus: Espere um segundo.

sexta-feira, junho 10, 2011

MARIA BETÂNIA - JEITO ESTÚPIDO DE AMAR

A presença carismática e a voz possante de Maria Betânia tomaram conta do Coliseu dos Recreios em Lisboa, ante-ontem à noite, num concerto único e esgotadíssimo. "Especial Portugal" fez uma viagem pelos temas maiores da alma lusa: a fé, o mar e, acima de tudo, o amor. Segundo Ana Maria Ribeiro, a única coisa que não agradou foi a curta duração do espectáculo que teve cerca de uma hora e vinte. Provavelmente, se tivesse o dobro, continuaria a ser curto.


Diálogo Entre Quatro
Mães Católicas



Quatro mães católicas, bebendo o seu cafezinho, falam embevecidas do sucesso dos seus filhos.

A primeira diz:

- Meu filho é padre e as pessoas quando se dirigem a ele chamam-no de “Reverendíssimo”.

A segunda conta:

- Meu filho é bispo e as pessoas quando se lhe dirigem tratam-no por “Sua Excelência”.

A terceira declara:

- Meu filho é cardeal e as pessoas dirigem-se a ele dizendo: “Sua Eminência”.

A quarta mãe continua bebendo café e não diz nada.

As outras olham-na interrogativamente.

Então ela sussurra:

- Meu filho é um homem muito bem apessoado, um metro e noventa, ele é um grande striper.

Quando se despe completamente todas gritam:

- “Oh, Meu Deus!"

RAPIDINHAS




Um tipo chega em casa e encontra um amigo com sua esposa na sua própria cama.
Pega o revólver e mata-o imediatamente.
A esposa irritada comenta:
- Se continuares a comportar-te assim, vais acabar sem nenhum amigo!..


Um menino pergunta à mãe:
- Mãe, donde vêm os meninos?
- É a cegonha que os traz!
- E quem come a cegonha?

Garoto à professora:
- Não quero alarmá-la, mas o meu pai diz que se as minhas notas não melhorarem, alguém vai levar uma sova!
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HISTÓRIAS
DE HODJA

Hodja prega na mesquita que é pecado as mulheres usarem maquilhagem. Alguém lembra que a esposa de Hodja usa maquilhagem.

“Mas”, diz Hodja, “a ela fica-lhe bem essa frivolidade”.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA







Episódio Nº 123







- Tereza! – A voz de ameaça.

- Estou indo.

Estende-lhe os pés, ela desamarra os sapatos, tira-lhe as meias, trás a bacia com água. Pés gordos, suados, unhas sujas, aftim penetrante, sola de calos. Os pés de Daniel são asas de voar, de elevar-se no ar, magros, limpos, secos, perfumados.

Fugir com ele, impossível. Filho do juiz, moço de cidade grande, estudante, quase doutor, nem para rapariga nem para criada lhe serviria; na capital tem aos montes, à sua escolha. Mas dizia-lhe meu amor, minha querida, nunca vi outra tão bela, de ti nunca me cansarei, quero-te para a vida toda; porque lhe diria, se não fosse verdade?

Lava os pés do capitão com eficiência e presteza, precisa mantê-lo sem um vislumbre sequer de desconfiança para que não desfaça a viagem à Bahia, não coloque cabras na tocaia, não traga o ferro de marcar rezes, vacas e bois, mulheres traidoras. Tereza ouvira-o dizer na rinha de galos onde a levara para exibi-la:

- Se um dia uma infeliz tivesse a audácia de me enganar, e nenhuma terá, antes de dar fim à desgraçada, marcava ela na cara e no xibiu com o meu ferro de ferrar gado para lhe ensinar o nome do dono. Morria sabendo.

O capitão despe o paletó, retira do cinto o punhal e o revólver. Nessa manhã de São João comera sobejo da usina, a sonsa tinha bom remelexo, empenho e gosto no balancé.

Roxinha sapeca, própria para uma hora de folgança, para variar, pois está na variação a graça da brincadeira. Não para se ter em cama de casal, note e dia, a qualquer momento, anos a fio.

Um dia, quando venha a cansar da moleca Tereza, e há-de suceder com certeza mais cedo ou mais tarde, ele a enviará de presente ao doutor Emiliano Guedes, de prócer para prócer – receba e coma, doutor, o sobejo de capitão. Por ora não, junto aos Guedes é um Zé-ninguém e, mesmo assim, cansado, chegando de uma noite de dança contínua e de muita cachaça, a manhã toda em cima de fêmea assanhada, apenas bate os olhos em Tereza Batista acendem-se-lhe os ovos e responde a caceta.

- Prá cama, depressa.

Suspende-lhe o vestido, arranca-lhe a calçola, desabotoa a braguilha e sobe em Tereza. Que se passa com ela? Ficou donzela de novo, nasceu-lhe outro cabaço? Permanecera sempre estreita fenda, virtude peregrina, não há nada no mundo pior que mulher frouxa. Cara feia e corpo imperfeito não importam, por tão pouco não se retira o capitão de um bom combate. Mas não tolera mulher de bocal aberto, porteira de trem de ferro, tacho de canjica. Fresta apertada, trabalhosa passagem, greta de porta, assim se mantivera Tereza. Mas agora de todo fechada, nem fenda, nem fresta, nem greta, cabaçuda de novo.

Perito no trato de donzelas vai em frente o capitão, Tereza vale duas argolas no colar dos
cabaços; não enxerga os lampejos de ódio nos olhos de medo, negros de carvão.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS?” (10)



Mulheres Vestidas de Negro

Como reacção à guerra entre palestinianos e israelitas que também tem raízes religiosas, surgiu em 1988, um pequeno grupo de mulheres judias e árabes vestidas de negro, e que se reuniram em Jerusalém para protestar silenciosamente e de forma pacífica contra a presença militar israelita em Gaza e na Cisjordânia.

Desde então, o movimento continuou a crescer e a lutar por uma paz justa entre Israel e a Palestina, mas estendendo-se também a dezenas de países com conflitos militares. A iniciativa reflecte o papel que as mulheres desempenham na questão da guerra. A sua "filosofia" a expressaram as Mulheres de Negro neste manifesto que lançaram ao mundo:

“Nós, mulheres palestinianas e israelitas, sabemos que nosso povo pode viver nesta terra. Nossas crianças merecem uma vida com paz e dignidade. Nós não as queremos mortas ou que se tornem assassinos. Precisamos de parar a loucura. Temos de pôr fim ao uso da força brutal.

Deixem as mulheres falarem. Deixem as mulheres actuarem. Deixem as mulheres palestinianas e israelitas indicarem o caminho. As mulheres podem encontrar o fim deste ciclo de violência. Os homens nos dizem: "Não tenham medo." Nós dizemos: "Sejam fortes". Nós estamos assustadas e queremos que eles também tenham medo. Nós não queremos ser "fortes". Nós não queremos que eles pensam que são suficientemente fortes para acabarem com a outra nação. Acreditamos que cada indivíduo tem o direito de viver em paz e com dignidade.” (continua)

quinta-feira, junho 09, 2011

Visita do Presidente Lula à mãe de Maria Betânia e Caetano Veloso

MARIA BETHÂNIA - RECONVEXO


É um orgulho para os Bahianos terem na sua terra Jorge Amado, Maria Betânia e Caetano Veloso, (para não referir outros) expoentes máximos da literatura e da canção.


VÍDEO


O Inventor do Anzol...

video

Duas Rapidinhas

A doente pede ao médico:
- Beije-me Dr.
- Não posso, a ética profissional não me permite! Eu nem devia estar aqui a fazer consigo ...


Uma formiga ao passar a linha do comboio entala um pé, depois de um esforço e ao ver o comboio aproximar-se desiste e diz:
- Que se lixe, se descarrilar, descarrilou ...

HISTÓRIAS
DE HODJA


Nasreddin Hodja cozinhou um ganso para levar a Tamerlão mas ao longo do caminho sentiu fome, pegou numa pata do ganso e comeu-a.

À mesa, Tamerlão repara que o ganso tem uma pata a menos e pergunta:

- “Hodja, o que aconteceu a uma das patas do ganso?”

Hodja olha pela janela e vê os gansos à beira da fonte: Todos os gansos têm uma pata levantada e repousam sobre a outra. Assim que repara nisto mostra a Tamerlão:

- “Olha” diz ele, “no nosso país, todos os gansos têm só uma pata”.

Tamerlão está incrédulo. Chama alguém da sua comitiva e sussurra algo ao ouvido. Logo, tambores, clarinetes, tambores e pratos são ouvidos no exterior num enorme ruído e os gansos assustados com o tumulto, correm e voam para salvar a vida.

- “Olha, Hodja”, diz o Tamerlão, “não é verde o que disseste sobre as patas dos gansos. Todos estes têm duas patas.”

Hodja respondeu: “Ora, se te fizessem a ti todo este barulho também ficarias com quatro pernas.”

TEREZA


BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 122



Novinha, verdosa, nos limites do colar do capitão, se for donzela, é claro.

- Reservei para vossa senhoria, capitão, nos cueiros como lhe apetita. Não vou querer-lhe enganar dizendo que é manceba, os três vinténs já lhe comeram, é gente das bandas da usina e por lá, sabe como é, donzela não amadurece cabaço. Mas está fresca e limpa, ainda não andou na vida, não tem doença, para donzela falta pouco.

Filhos-da-puta dos Guedes, sempre um dos três de prontidão na usina, os outros dois folgando na Bahia, no Rio, em São Paulo, quando não na América ou na América do Norte; revezam-se no trabalho e na colheita de virgens.

Dos três, o mais efectivo na direcção dos negócios é o doutor Emiliano, é quem manda de facto; o mais exigente também quanto ao aspecto das molecas, não aceita qualquer, para ele as escolhidas a dedo. Mesmo se estivesse na usina em vez de estar gastando com as gringas em França, não seria ele a chamar aos peitos aquela roxa de nariz chato. Era enganjento de mais.

- Quem lhe fez o serviço?

- Seu Marcos…

- Marcos Lemos? Filho-da-puta!

Quando não é um dos donos, são os empregados. Até do guarda-livros vai comer sobejo o capitão, sobejo de usina, açúcar mascavo, melaço impuro. Em casa, porém, na cidade, possui moleca de luxo, cara e corpo para ninguém botar defeito, a moça mais bonita do lugar, não há na cidade, nas roças, na usina, rica, pobre, remediada, donzela, furada, rapariga, outra assim.

Não que ao capitão faça mossa, bonitona ou feiosa, sendo nova lhe fala ao apetite, porém lhe agrada saber que o doutor Emiliano Guedes, o mais velho dos irmãos, o chefe da tribo, o dono da terra, arrogante em seu cavalo negro com arreios de prata, está disposto a gastar para tê-la, não faz questão de dinheiro.

A fadiga das maneiras e a insolvência da voz – não quer vender essa cria? – não conseguem encobrir o interesse, a cobiça: seu preço é o meu. A quem pertence essa tão bonita e desejada, com lista de espera na pensão de Gabi e desfile de fregueses no armazém? A Justiniano Duarte da Rosa, dito capitão Justo por ser proprietário de glebas, de cabeças de gado, de sortido armazém e de galos de briga. Um dia, no crescer das léguas de terra, do crédito nos bancos, das casa de aluguel, do prestígio político será o coronel justiniano, um prócer verdadeiro, tão rico e influente quanto os Guedes.

Um dia falará com eles de igual para igual e então poderá discutir de crias e de cabaços, e até efectuar trocas de raparigas sem que sinta na boca o sabor amargo do sobejo. Um dia, por ora não.

- Tereza, vem cá.

O ferro suspenso na mão ela ouve o chamado. Meu Deus terá coragem de suportar? O medo ainda a envolve como um lençol, envolta num lençol fugira a primeira vez. Porque não fugir com Daniel para longe dali, da cama de casal, da voz e da presença do capitão, para longe da palmatória, da taca, do ferro de engomar? Do ferro de ferrar gado para ferrar aquela que um dia ousasse enganá-lo, mas qual se atreveria? Nenhuma tão louca. Atreveu-se Tereza louca da silva.

Descansa o ferro, dobra a peça de roupa, faz das tripas coração
.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:



“O NOME DE DEUS?” (9)




O Que os Une é Mais do Que Aquilo Que os Divide

Na Conferência Mundial das Religiões pela Paz, realizada em 1970 em Kyoto (Japão) reuniram-se cristãos, judeus, budistas, confucionistas, hindus, islâmicos, Xintoístas, shiksa, zoroastrianos e representantes de outras religiões minoritárias. Foi um primeiro encontro para reflectir e entender que é muito mais o que une todas as religiões do que aquilo que as separa. O acordo entre todos deu-se em torno destas questões:

- A convicção na unidade da família humana e da dignidade de todos os seres humanos:

- A convicção de que poder não equivale a direito. É na fé em que o amor, a compaixão e o altruísmo são mais fortes que a inimizade, o ódio e egoísmo e o sentimento de que é um dever estar ao lado dos oprimidos contra os opressores.

quarta-feira, junho 08, 2011

MARIA BETÂNIA - NEGUE

Ontem, dia 7, foi galardoada com a Medalha de Mérito (Grau Ouro) da cidade de Lisboa e hoje dá um Concerto no Coliseu dos Recreios que bem podia integrar esta sua belíssima canção.


VÍDEO


O Fanhoso...

video

HISTÓRIAS
DE



HODJA

Um dos dois filhos de Hodja trabalhava no jardim e o outro fazia potes de cerâmica e jarros de barro. Hodja perguntou ao primeiro filho o que ele estava a fazer, e o filho respondeu:

- “Este ano estou por tudo, plantei todos os tipos de vegetais possíveis. Se houver chuva suficiente, muito bem. Mas, se não houver, a mãe vai chorar.”

Hodja foi ver o outro filho e perguntou o que como ele estava, e o segundo filho respondeu:

- “Eu este ano misturei muita terra e água. Se não houver chuva tudo vai correr bem. Mas, se chover, a mãe irá chorar por causa de mim.”

Quando ele voltou para casa, a sua mulher perguntou-lhe como estavam os meninos e ele respondeu:

- “Não sei como as crianças estão mas, chova ou não, tu vais chorar muito.”

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA




Episódio Nº 121







Palavras, gestos, sons, carícias, um mundo de lembranças; no quarto do capitão ainda escuro, deitada na cama de casal, Tereza recordou cada instante. Meu Deus, como pode ser tão bom o que fora penosa agonia? Quando Daniel a penetrou, após lhe despertar os sentidos e lhe acender o desejo, quando a teve e a ela se deu, e juntos gemeram – só então Tereza soube porque, enquanto o tio Rosalvo bebia cachaça na venda de Manuel Andorinha, batendo pedra de dominó, a tia Filipa sem necessidade nem obrigação, gratuita e contente, trancava-se no quarto homens conhecidos da feira e dos roçados vizinhos, ou simples passantes.

Ameaçava Tereza: se contar a seu tio lhe dou uma surra de criar bicho, lhe deixo em jejum; fique na porta olhando a estrada, se ele aparecer, corra me avisar. Tereza subia na mangueira, divisava os longes do caminho.

Quando a porta se abria e o homem retomava seu rumo, a tia Filipa toda gentil e risonha, mandava-a brincar e até queimados de açúcar lhe dera por mais de uma vez. Durante os anos em casa do capitão, ao recordar a vida na casa dos tios – fazia por esquecer, mas nas noites a sós, nas noites de dormir e descansar, vinham em farrancho figuras e factos roubar-lhe o sono – Tereza se perguntava a razão do estranho costume da tia – que o fizesse com Rosalvo, vá lá, eram casados e o marido tem direitos, a mulher obrigações. Mas com outros em tão penosa ocupação, porquê? Ninguém a obrigava na pancada, na taca de couro. Porquê, então? Agora finalmente percebe o motivo: tanto pode ser ruim como bom demais, depende com quem a pessoa se deita.

O capitão só regressou pela tarde e ao desembarcar frente ao armazém – as portas fechadas por ser dia de são João – ouviu risos em casa das irmãs Morais. Olhou pela janela; a grande sala de visitas estava aberta e lá dentro, cercado pelas quatro, o jovem Daniel, um cálice na mão, muito fino e agradável a contar da capital, fuxicos da sociedade.

Justiniano acenou, saudando a alegre companhia. Precisa dizer ao rapaz para tomar certos cuidados e não fazer filhos em Teó caso se decida a lhe tirar os tampos. Se a comer discretamente, sendo ela maior, não causará embaraços. Mas de menino no buxo vai querer casar, bota a boca no mundo, faz um escândalo daqueles; tanto mais em se tratando do filho do juiz de direito.

As irmãs Morais pertencem à família tradicional e Magda é carne de pescoço, que o diga o malabarista, fazendo fascina na delegacia, ameaçado de relho. Deu de ombros, o estudante não era de se arriscar por um cabaço: coxas e pregas, dedo e língua lhe bastavam, chuparino de cabaço, lulu de donzela.

Na sala de jantar Tereza engoma roupa, no armazém Chico Meia-Sola curte a cachaça da véspera – quando o patrão não está jamais ele fica em casa, a sós com Tereza. Caboclo forte, com algumas horas de sono se refaz da bebedeira semanal, infalível aos sábados e nas vésperas de feriados e dias santos.

Ainda assim está longe de se comparar com Justiniano Duarte da Rosa, capaz de beber quatro dias e quatro noites, sem pregar olho, derrubando fêmeas, e depois sair de viagem, a cavalo, resistência de ferro. No armazém, Chico escornado, a roncar; o capitão bem do seu, ninguém diria que bebera e dançara a noite inteira e pela manhã alta partira para a roça dirigindo o caminhão – Terto Cachorro rolara bêbado para baixo do banco onde se sentavam os tocadores – na boleia, a seu lado, uma roxinha bem moderna com cara de sonsa, feiosa. Raimundo Alicate quando o vira chegar ao fandango, viera correndo cumprimentá-lo, trazendo de reboque a frangota fingida, de olhos no chão.

- Levanta a cabeça para o capitão olhar teu focinho, perdida. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:


“O NOME DE DEUS?” (8)



A Liberdade Religiosa: Uma Vitória Da Humanidade

Depois de tanto derramamento de sangue em nome de Deus e por rivalidades entre os vários nomes de Deus, a consciência da humanidade tem sido orientada no sentido da tolerância, do respeito e da liberdade religiosa, de consciência e a liberdade de praticar ou não uma religião. Esta liberdade é uma importante conquista da modernidade.

O estudante de religiões do mundo, o teólogo católico Hans Küng, lembra que na grande obra do Iluminismo "Nathan, o Sábio" (1779), do grande poeta alemão Gotthold Ephraim Lessing, mostrou, pela primeira vez, que a tolerância entre as diferentes confissões cristãs e entre as diferentes religiões, era indispensável para a paz entre as nações. No entanto, naqueles anos, o Papa Pio VI rejeitou a liberdade de religião, liberdade de consciência e liberdade de imprensa e o conteúdo do que chamou abominável filosofia dos direitos humanos.

De facto, a Igreja Católica foi a principal opositora aos princípios da igualdade, liberdade e fraternidade, auge da Revolução Francesa. Segundo Küng, no século XIX, marcado pela ideologia da Revolução Francesa, o Estado Papal foi o mais atrasado da Europa. O Papa rejeitou os Caminhos de Ferro, a iluminação a gás, as pontes suspensas… e também as vacinas, que foram proibidas no Vaticano em 1815, com base nestas palavras do Papa Leão XII:

- “Qualquer um que use a vacina não é mais um filho de Deus... A varíola é um julgamento de Deus e a vacina é um desafio ao céu.”

Com estas ideias como poderiam aceitar a liberdade religiosa?

terça-feira, junho 07, 2011



FERNANDO TORDO - TOURADA




Em 1973 estávamos ainda sob o regime da ditadura com a PIDE (Polícia do Estado). A revolução com a liberdade só viria em Abril de 1974. Dizem... que quando a censura percebeu que a letra desta canção era de condenação ao regime político já ela estava cá fora. Ora, todas as pessoas ligadas a esta música eram do "contra" (Ary dos Santos, o poeta, autor da letra, era do Partido Comunista, então na clandestinidade) e eu não acredito que polícias e agentes da censura informadas do cadastro político dos cidadãos, profissionais treinados para desconfiar não percebessem a marosca. Simplesmente, em 1973, com Marcelo Caetano, já havia um certo "aliviar" para além do cansaço e desgaste que as próprias ditaduras provocam. De qualquer maneira, Ary dos Santos, (meu colega no Colégio São João de Brito em 1953), era um mestre da palavra, a subtileza da mensagem revela uma grande inteligência e um conhecimento profundo dos pôdres da sociedade portuguesa de então. O preto e branco do filme, a "carinha" de menino de côro do Fernando, de cabelos compridos com o ar de gozo mal disfarçado e o operador de câmara a passar várias vezes à frente do cantor... tudo tão deliciosamente artesanal... um primor! É uma canção que fica para a história deste país.

HISTÓRIAS


DE HODJA




Hodja é convidado para um banquete. Vem vestido casualmente e ninguém nota a sua presença. Fica surpreendido, volta a casa, veste o seu casaco de peles luxuosas e volta para o banquete.

Dessa vez é recebido na entrada e levado para um lugar de honra. Quando é servida a sopa Hodja introduz as mangas no prato da sopa dizendo: “Come meu casaco come”.

Espantadas algumas pessoas perguntaram por que ele fazia aquilo. Hodja respondeu:

- “Tendo em conta que o banquete é para o casaco de peles, é o casaco de peles que deve comer”.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 120






Ademais, quem sabe não aparece antes da viagem do capitão outra oportunidade de se encontrarem? Na noite de São Pedro, por exemplo? Não fale em matar-se, não seja louca, menina, o mundo é nosso e se por acaso um dia o bestalhão nos surpreender, não tenho medo – Daniel lhe dará severa lição para ele aprender a carregar os chifres com a devida cortesia e jubilosa modéstia.

De tudo quanto ouviu só uma coisa pareceu a Tereza realmente importante: o capitão ia viajar, viajem demorada à capital, dez a quinze dias, dez, quinze noites de amor. Toma das mãos de Daniel e as beija de agradecida. Para Daniel, o mais sério detalhe a resolver era Chico Meia-Sola. Como agir? Comprando-o com boas gorjetas? Gorjeta, não, anjo do Céu. Nenhuma gorjeta pagará a fidelidade de Chico a Justiniano, mas não considerasse o cabra um problema: dormia no armazém durante as viagens do capitão, o resto da casa entregue aos cuidados de Tereza. Entretanto Daniel pelo portão do quintal, usando os amantes o quarto do casal, o mais distante do armazém, Chico de nada se dará conta. Está vendo? Tudo a nosso favor, basta não deixar nascer no espírito de Justiniano a menor suspeita. A menor, entende, Tereza? Entendia, não lhe dará razão de desconfiança, nem que para isso tenha que fazer das tripas coração.

Do meio para o fim da conversa, as mãos de Daniel voltam a percorrê-la, pousando em cada saliência ou reentrância, em lenta, demorada, contínua carícia, ânsia subterrânea. Ainda perturbada pelos pensamentos e pelas palavras, Tereza se fecha e se abre no medo, no ódio, no desespero, na esperança, no amor.

Tendo dito o necessário, Daniel trás a boca para o seio de Tereza e o contorna com a língua; avança pelo colo, pelo pescoço, pela nuca, para alcançar a orelha, depois os lábios. Tudo começa de novo; mil vezes recomeçaremos, querida, de ti nunca me cansarei; outras noites virão. Que bom, meu amor!, disse Tereza.

Daniel a quis montada por cima. Assim Tereza não fizera antes, não tendo a capitão mandado – mulher a cavalgá-lo jamais, macho que se preza não é matungo de fêmea. Montada em ginete fogoso, partiu Tereza Batista da forca para a liberdade. Por cima do anjo via-lhe o rosto a sorrir, os anelados cabelos, os olhos de quebranto, a face incandescente. Galopou nos campos da noite, no rumo da aurora. Quando rolou desfeita ainda pôde sentir o inebriante perfume no suor da montaria – cavalo, anjo, homem, seu homem.

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No romper da madrugada, Daniel se despediu no portão, num beijo de línguas, dentes e suspiros. De volta a casa, sozinha, Tereza foi bombear água para a caixa do banheiro, tinha o corpo perfumado com o suor de Daniel, lavou-se com sabão de coco. Quem lhe dera poder guardar na pele aquele doce aroma, mas o capitão tinha faro de caçador e ela devia enganá-lo para outra vez merecer a visita do anjo. Despia-se do perfume mas conservava o gosto do rapaz na boca, no seio, no lóbulo da orelha, no ventre, no tufo negro, no fundo do corpo. Antes mesmo do banho, Tereza varrera o estreito cubículo, trocara o lençol, deixando a porta aberta para o vento da manhã espalhar o odor de tabaco e os ecos da alegria da noite – sobre o sórdido colchão de triste memória acendera-se o arco-íris. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:

“O NOME DE DEUS” (7)




"Factor Deus"

Após o ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001, o debate sobre a "guerra santa" sobre a violência entre os homens em nome de Deus foi tema de discussão universal.

Entre aqueles que então reflectiram sobre esse tema destacamos o texto "Factor Deus", Prémio Nobel de Literatura, o português José Saramago.

Estes são fragmentos do que ele escreveu:

- “Já se disse que as religiões, todas, sem excepção, nunca serviram para aproximar e congregar os homens e que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos indescritíveis da maior violência física e espiritual que constituem um dos mais negros capítulos da miserável história humana…

Pelo menos em sinal de respeito pela vida, devíamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade clara e demonstrável. Mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como também de erguem com raiva e intolerância contra aqueles para quem Deus não é apenas um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe colocámos um dia e que viria a dificultar o nosso caminho para uma humanização real. Em troca, prometeu-nos paraísos e ameaçou-nos com infernos, tão falsos uns como os outros, insultos descarados ao nosso senso comum e inteligência tão duramente conquistados...

Dizia Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existe, e eu respondo que, precisamente, que é por causa e em de Deus que tudo tem sido permitido e justificado, principalmente o pior, especialmente hediondo e cruel como, durante séculos, a Inquisição e hoje os talibãs, organização terrorista dedicada a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito daqueles que dizem acreditar neles, num monstruoso conluio entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e o mais humano direitos: o direito de dizer não, o direito à heresia, o direito de escolher outra coisa, e é só isto só o que a palavra heresia significa. E, no entanto, Deus é inocente...

Ao leitor crente, que conseguiu suportar a repugnância que estas palavras lhe inspiraram, não lhe peço que passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe peço que compreenda com o sentimento senão puder ser com a razão, que, se há Deus, há um só Deus, e que no seu relacionamento com ele, o menos importante é o nome que lhe ensinaram a dar.

segunda-feira, junho 06, 2011

Day After


Prontos, como dizia Raul Solnado imitando certos “puristas" da língua portuguesa, está feita a clarificação política que alguma vez tinha que acontecer no nosso país: “uma maioria, um governo, um presidente”, tudo de direita.

Sócrates, “o malvado”, foi-se embora com um discurso de despedida que devia ter feito corar muita gente…

O enorme desafio está lançado a um homem que vem da escola do partido criado por Sá Carneiro. Percebe-se a sua vontade de mandar, há muitos anos que manifestou e lutou para concretizar essa ambição e o país e as circunstâncias fizeram-lhe a vontade.

Como aliado, tem o muito experiente e sabido Paulo Portas cujas expectativas foram travadas pelo voto útil num resultado eleitoral em que, pelo menos uma vez, as sondagens o trataram demasiado bem para que não mais se volte a queixar delas.

Têm tudo a seu favor: uma ampla maioria e um Presidente de feição e, quem sabe, um futuro líder do PS que lhe dê uma ajudinha para mais altos voos ao nível da Constituição.

Só uma coisa não tem a seu favor: a situação do país atravessado nos compromissos assumidos com o FMI e as instituições europeias.

Amo o meu país pelo qual lutei estupidamente há 50 anos nas matas de Angola. Éramos umas “crianças” e não percebíamos que estávamos a servir uma política de expedientes em vez de criarmos cá dentro das nossas fronteiras as condições para um desenvolvimento com base no trabalho, no estudo, na disciplina e no rigor.

Preferimos a aventura, como sempre a aventura… desta vez com maus resultados: setecentos mil portugueses recambiados, traumatizados, ofendidos, como agora, também sem querem acreditar no que lhes acontecia.

A verdadeira guerra estava cá dentro, sempre esteve cá dentro e agora o “comandante” é Passos Coelho” e o seu lugar-tenente Paulo Portas.

O país aguarda, apreensivo, como os soldados na trincheira ou atrás de uma árvore nas florestas do norte de Angola. Desta vez o inimigo é a sério, de peso, encostou-nos às cordas e aquilo que se nos pede é um cerrar de dentes, o maior desafio, o verdadeiro desafio.

Retiraram-nos a confiança, erros nossos, maldades do mundo, tudo se juntou, estamos sós com os nossos diabos e os nossos anjos. Não me interessa quem me comanda, só me interessa vencer
.

MAIZA - O MEDO


Um original de Amália Rodrigues cantado ao vivo num concerto de Lisboa por Mariza, voz dos poetas de Portugal, voz do meu país que canta.

Histórias de Hodja
Perguntaram um dia a Hodja: “Num cortejo fúnebre, deve-se andar à frente do caixão, atrás, à esquerda ou à direita?”

Hodja responde: “Podes ir em qualquer lado, desde que não estejas lá dentro”.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA

Episódio Nº 119

38

Naquela noite inumerável, sem princípio nem fim, de encontro e despedida, de sucessivas auroras, Tereza, condenada à morte, escapou da forca galopando em cavalo de fogo.

Ele dormia, ela velava-lhe o sono, anjo do céu; mas quisera estar em seus braços mais uma vez, senti-lo ainda contra o seu peito antes do adeus final. Toca-lhe a face, a medo. Os anjos baixam à terra para cumprir missão assinalada, em seguida retornam para renderem contas a Deus, segundo dona Brígida, que entende de anjos e demónios. Tereza quisera morrer em seus braços celestes; morrerá sozinha, na forca, pendurada na porta, a língua de fora.

Ao tenteio inseguro da mão da menina, Daniel acorda e a vê triste: porque triste, querida, não foi bom, não gostou? Triste?

Não, não está triste, está alegre da vida, alegre da morte, noite sem igual de ventura infinita, primeira sem segunda, sem seguinte, sem outra, sem próxima, e antes morrer do que voltar à servidão da palmatória, da bacia com água, da cama de casal, do bafo de Justiniano Duarte da Rosa. Não falta corda no armazém, laço sabe fazer.

Tolona, não diga tolices, porque não haverá outras noites iguais ou ainda melhores? Certamente que sim. Senta-se Daniel, agora é Tereza quem repousa a cabeça em seu colo, tendo contra a nuca o pássaro tépido e o novelo de cócegas. Descansa e escuta, querida: as mãos do anjo cobrem-lhe os seios, oprimindo-os docemente, a voz divina apaga a tristeza, rasga horizontes, salva da forca a condenada Tereza. Não tem ela conhecimento da anunciada viagem do capitão à Bahia, de data prevista? Viagem de negócios e de prazer, convite do governador para a festa do Dois de Julho – o idiota não sabe que a festa é pública, as portas do palácio abertas ao povo na hora da recepção, sendo o convite impresso pura formalidade, útil apenas para o tal sujeito da polícia fazer média junto ao tabacudo de Cajazeiras do Norte, metido a bamba e a sabido, um bobo alegre – audiências no Fórum, visitas a secretários de Estado e aos fornecedores do armazém, carta de apresentação para Rosália Varela, cantora de tangos no Tabaris, especialista em boquilha, mestre do buché árabe: um dia querida, lhe ensino, gostosura sem par, quando o capitão estiver na Bahia e as noites forem todas de festa.

O importante é ter paciência, suportar por mais uns dias as exigências, a grosseria do capitão, fazendo-se dócil como antes, nada demonstrando. Mas concerteza ele vai tomá-la na cama, e isso não, nunca mais! Porquê? Não tem importância nenhuma desde que Tereza não participe, se mantenha ausente como sempre o fez, não compartilhe, não se associe, não goze nos braços dele. Nos braços do capitão Tereza se afoga em nojo, acredite. Então? É sujeitar-se como antes; agora será muito mais fácil, pois suportará o brutamontes para se vingar de tudo quanto ele a fez sofrer: vamos lhe pôr os cornos mais frondosos da comarca, vamos ornar o capitão com chifres de general.

Disse-lhe com devia se comportar, tinha experiência e lábia. Ele próprio, por mais que lhe custasse, no dia seguinte iria a casa das irmãs Morais, comer canjica, beber licor, gastar gentilezas, uma chatice, necessária porém.

O capitão convencera-se de que Daniel rondava uma das irmãs, a mais moça. Devido a esse pequeno embuste, pudera estar constante no armazém, vendo Tereza sem causar suspeitas
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 97 SOB O TEMA:

“O NOME DE
DEUS?” (6)


A História Criminosa da Igreja


O historiador, teólogo e filósofo alemão Karlheinz Deschner, considerado "o maior crítico da Igreja no século XX", publicou em nove volumes, a partir de 1970, a "História Criminosa do Cristianismo", com base em investigações que ele documenta com grande informação e erudição.

A história das crenças cristãs e dogmas tem sido marcada por violência e abuso de poder. Este trabalho enciclopédico é publicado em espanhol pela Editorial Martínez Roca. Outros excelentes trabalhos, sempre sobre o mesmo assunto, também estão em espanhol. De acordo com Deschner, quem não escrever sobre os crimes da história Universal torna-se cúmplice deles.


Por quê, Por quê?

De que modo a Igreja tem dominado as nossas vidas, tanto pública como privado? Como se puderam tornar os pacifistas das catacumbas em entusiastas sacerdotes dos campos de batalha? Por que se foi afirmando a intolerância ao extremo de negar qualquer indício de progresso científico e cultural no mundo? Como sucumbiu a filosofia à ditadura da teologia? Como é que a fé se tornou o maior negócio de todos os tempos? O que pode ter justificado guerras intermináveis "em nome de Cristo", realizada pelos Estado cristãos?

Estas são as perguntas a que tenta responder o historiador alemão Horst Hermann no seu livro "2000 anos de Tortura em nome de Deus" (Wind Flower, 1996).

domingo, junho 05, 2011

HOJE É



DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)



Hoje é dia de votar para escolher entre dois homens aquele que assumirá a responsabilidade de executar o programa, melhor dizendo, as medidas a que nos comprometemos nas negociações com a troyka e os portugueses vão fazê-lo sob o signo do medo em vez da esperança que deveria servir de pano de fundo nestes momentos.

As sondagens confirmam as previsões que aqui fiz no Domingo passado. Se assim vier a ser, teremos aquilo que se chama de alternância democrática.

Com toda a sinceridade, dos dois potenciais vencedores, num, perdi a confiança, no outro, não a tenho. As dificuldades do momento que estamos vivendo estendem-se ao voto como nunca me tinha acontecido em eleições anteriores.

Por isso, só tenho a transmitir-vos angústias e alguma vergonha como português por termos chegado à situação a que chegámos.

È verdade que houve sinais, senti-os como cidadão. Aquele aumento que me deram aqui há anos em vésperas de eleições foi tão suspeito que resolvi guardá-lo para quando mo viessem tirar…

Vivi e cresci num Portugal de pessoas pobres e custou-me acreditar em tanto e generalizado desafogo financeiro sem que me apercebesse onde estava a fonte produtora de tanta riqueza… mesmo considerando os apoios comunitários.

Ganha em democracia quem melhor consegue gerir as expectativas da população votante mas isto pode constituir um terrível ardil porque, quem não gosta de ser embalado em sonhos?

De há muito que as pessoas deixaram de tentar compreender os negócios da governação porque ela é apresentada de diferentes e até opostas maneiras por pessoas todas elas respeitáveis e responsáveis.

As pessoas interrogam-se, querem o melhor para si próprias, é natural, o interesse do país é coisa vaga que só agora estamos a sentir que realmente existe.

Pessoas, com graus de responsabilidade diferentes, não o souberam defender, eles próprios se deixaram embalar nos seus sonhos, nas suas expectativas optimistas quando, diz o ditado, se alguma coisa pode correr mal, corre mesmo mal.

As pessoas são madrastas umas para as outras, o mundo é madrasto entre si próprio e governar um país é, acima de tudo, protegê-lo como se ele fosse a sua casa, a sua família.

Quando alguém, estranho, entra na nossa casa e nos diz o que temos de fazer no seio da nossa própria família e nos avisa que quinzenalmente ou todos os meses virão novamente para ver se estamos a fazer tudo como eles mandaram… ou deixarão de nos entregar o dinheiro que paga as nossas pensões, os ordenados dos professores que ensinam os nossos filhos, os médicos que tratam os nossos doentes, etc… perguntamo-nos: como foi possível isto acontecer?

E se não formos capazes de fazer como eles mandaram e nós aceitámos fazer?

- Será que o FMI e as instâncias europeias querem que cumpramos o acordo, é esse o seu desejo?

Sobre isso não tenho dúvidas que sim. Em caso contrário assistiremos a um retorno do efeito de contágio com um enorme impacto negativo sobre a credibilidade do euro.

Neste nosso mundo de dúvidas, incertezas, receios e temores, peço três coisas a todos os que vierem a mandar neste país: seriedade, rigor e competência que nunca, como agora, foram sinónimos de patriotismo.

Desejo-vos um Bom Domingo.

Ouçamos, para espairecer, a Orquestra de Billy Vaughn em La Golondrina.







PS - Torre das Cabaças - Torre de Relógio Quinhentista de seccão quadrangular, tem oito janelas e é rematada por uma estrutura metálica com oito púcaros de barro em forma de cabaça e que servem de caixa de ressonância ao sino do relógio. Remonta ao reinado de D. Manuel

BILLY VAUGHN - LA GOLONDRINA

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