sábado, junho 12, 2010

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Delicie-se com este vídeo...

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CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

PAUL McCARTNEY - MULL OF KINTYRE (1977)
maravilhosa declaração de amor a uma localidade...

CANÇÕES ITALIANAS

ALAIN BARRIERE - VORREI
queria dizer-te as coisas que tu sabias escutar... queria, queria, queria...

CANÇÕES FRANCESAS

SILVIE VARTAN - SI JE CHANTE (1964)
... quanta graça, beleza e elegância... que saudades de tudo isso!

CANÇÕES BRASILEIRAS

ALCIONE - MENINO SEM JUIZO
uma das grandes vozes femeninas brasileiras. Esta canção é de 1979... pena se ter deixado engordar tanto ... mas sem prejuizo da qualidade da voz que continua cada vez mais personalizada.

CANÇÕES PORTUGUESAS

ANTÓNIO MOURÃO - Ó PEMPO VOLTA PARA TRÁS
lembram-se dele? uma linda voz... com falsete e tudo... e uma canção que os mais velhos não esquecem. Ele está doente e vive na Casa do Artista


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 144




Com dona Norma foi a sentinelas e a enterros, a aniversários e a baptismos. Na tristeza e na alegria a amiga mantinha a mesma eficácia e animação, assegurando o êxito de qualquer festa ou funeral onde aportasse. Assumia o leme, traçava a rota, comandante dos risos e das lágrimas: consolando, ajudando, conversando, comendo com vontade, bebendo com gosto e com mesura, rindo quase sempre, chorando se preciso. Para reuniões de qualquer tipo, até para a caceteações das conferências, ninguém igual a dona Norma, eclética e disposta. É um colosso, dizia dela dona Enaide; um monumento, segundo Mirandão, seu admirador; uma santa na voz de dona Amélia; a melhor amiga para dona Êmina e muitas outras.

- Um furacão… gemia Zé Sampaio, avesso àquele movimento.

- O senhor casou com a melhor mulher do mundo, seu Sampaio; Norminha é a mãe da rua… - replicava a dona Flor.

- Mas eu não aguento tanto filho, dona Flor, e tantas aporrinhações… - um pessimista, seu Sampaio.

Escoltando dona Gisa, frequentou no Campo Grande, o Templo Presbiteriano – a gringa a cantar hinos em inglês, com a mesma enfática convicção com que lia Freud ou Adler, discutia problemas sócio-económicos e dançava o samba – sendo repreendida por dom Clemente, em afetuoso carão:

- Disseram-me que você virou crente, Flor, será verdade?

Crente? Que absurdo! Apenas acompanhara a amiga duas ou três vezes, por simples curiosidade e para matar o tempo; longo e vazio é o tempo das viúvas, padre-mestre.

Em divertida viagem de trem, excursionou com os Ruas, passando um fim-de-semana em Alagoinhas, de onde procediam os vizinhos. Assistiu a uma aula de yoga com dona Dagmar, ministrada por graciosa mulherzinha, frágil bibelô a contorcer o corpo como se fosse a mulher rã do circo. Devido ao horário coincidente com o da escola de culinária, não pôde dona Flor, como tanto quis e desejou, inscrever-se no curso e aprender os difíceis exercícios que, segundo sedutora propaganda impressa, mantinha “o corpo ágil e elegante e a mente limpa e sã” proporcionando “exacto equilíbrio físico e mental, perfeito acordo entre a matéria e o espírito”. Equilíbrio e acordo sem os quais não passava a vida de “sujo poço de excrementos”, como dizia a literatura do folheto e como vinha ultimamente constatando dona Flor: com o espírito e a matéria em luta, a vida se convertia num”dantesco inferno”.

Com dona Maria do Carmo, acompanhou Marilda, candidata inscrita em segredo no programa de calouros Buscam-se Novos Talentos”, onde, aos Domingos, durante três meses, podiam moças e rapazes concorrerem ao título de Revelação da Rádio Sociedade e a um contrato. A bela normalista cantou com muito sentimento e má pronúncia uma guarânia paraguaia, saindo-se, aliás, bastante bem, num segundo lugar reconfortante e promissor. Ambicionava a estudante fazer carreira como intérprete de música popular, sonhando com um programa seu e retratos nas revistas. O diabo era dona Maria do Carmo de nariz torcido a tais projectos, a estúdios e auditórios radiofónicos. Só a muito rogo e custo consentira naquela apresentação e ainda assim porque conhecia o doutor Cláudio Tuiuti, manda chuva na emissora.

sexta-feira, junho 11, 2010


ENTREVISTAS
FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 27

Tema – O Reino na Terra?


Raquel – De novo em contacto com os nossos estúdios de E. Latinas. Continuamos aqui, no Monte das Bem- Aventuranças junto do formoso lago da Galileia, entrevistando Jesus Cristo que pronunciou neste lugar um dos discursos mais importantes da humanidade.

Jesus – Não sei se terá sido importante, Raquel porque eu disse o que os outros profetas tinham dito antes.

Raquel – Voltemos às suas palavras. Quando o senhor disse “Bem aventurados os pobres” referia-se a…a…

Jesus – Aos pobres. Não dês mais voltas porque irás enjoar como quando remas lago a dentro.

Raquel – Sim, mas…

Jesus – Raquel, é bem claro. Deus indigna-se quando vê como as coisas vão neste mundo.

Raquel – Pelos muitos pecados da humanidade…

Jesus – E o maior de todos os pecados sabes qual é? Que o rico Epulon coma até fartar e o pobre Lázaro seja deixado na rua com o prato vazio.

Raquel – Recordo uma parábola sua que falava disso.

Jesus – Deus enche-se de cólera vendo tantas injustiças. Crianças sem um pedaço de pão, mortas de fome, meninas sem um trapito para lhes cobrir o corpo, mortas de frio… Esse é o grande pecado do mundo. Não, Deus não tolera esta situação

Raquel – A alguns isso soará a discurso político…

Jesus – E tem que soar. Porque eu proclamei a chegada à terra do reino de Deus que é um reino de justiça onde a ninguém falta o que ao outro sobra. Já declarei que Deus toma partido nesta luta.

Raquel – Que significa exactamente que Deus toma partido?

Jesus – Que Deus se coloca do nosso lado, do lado dos pobres. Não recordas quando me visitaram os discípulos de João Batista? Queriam saber quem eu era, se a minha mensagem era a mensagem de Deus. E eu disse-lhes: vão e digam a João que eu estou a enunciar a “boa notícia aos pobres”.

Raquel – Pois anuncia-a agora aos nossos ouvintes. Qual é essa “boa notícia”?

Jesus – A “boa notícia” de ontem e de hoje é que Deus quer que os pobres deixem de ser pobres… que se libertem da sua pobreza…

Raquel – Alguns dirão que essa mensagem é demasiado materialista…

Jesus – Para quem tem fome nada é mais espiritualista que um pedaço de pão. Não, não são os pobres que subirão ao reino dos céus. O reino dos céus é que tem de descer onde estão os pobres…

Raquel – Tudo o que o senhor está a dizer é diferente daquilo que muitos pregam nas suas Igrejas…

Jesus – Não sei o que pregam agora mas disseram-me que as primeiras comunidades viviam com esse espírito. Repartiam tudo o que tinham, punham tudo em comum.

Raquel – Por que os primeiros entenderam e tantos agora não entendem?

Jesus – Muitos alteraram as minhas palavras… adoçaram-nas e, mais grave ainda, esqueceram a segunda parte do discurso que fiz aqui, neste Monte.

Raquel – Há uma segunda parte?

Jesus – Queres escutá-la?

Raquel – Claro que quero, mas depois de uma pausa comercial. Raquel Perez, Emissoras Latinas.



NOTA

Os grandes profetas de Israel anteriores a Jesus Cristo proclamaram igualmente a “boa notícia” de que a pobreza e a opressão constituem um escândalo que atenta contra a vida e a vontade de Deus.

A famosa parábola de Jesus: a do rico Êpulon (Opulento) e do pobre Lázaro deve ser inscrita nas narrativas de todas as culturas porque expressa a indignação popular perante as injustiças e o desejo que Deus faça justiça a favor dos pobres.

A teóloga feminista coreana Chung Hyun Kung , no seu livro “Struggle to be the Sun Again” resume assim as idéias de uma pobre mulher de uma zona da Índia castigada pelas fomes:

- “Sem comida não há vida. Quando as pessoas que estão morrendo à fome comem experimentam Deus em cada grão. Conhecem e gostam de Deus quando mastigam cada grão. A comida vivifica. O maior amor de Deus para aqueles que estão morrendo de fome é a comida”.

A Teologia da Libertação surge na América Latina nos anos 60 e 70, precisamente a maior região maioritariamente cristã e onde a desigualdade entre pobres e ricos é gritante.

A Teologia da Libertação entende a teologia não como um exercício teórico mas uma reflexão crítica sobre a realidade, não uma afirmação ou uma récita de verdades mas uma postura perante a vida.

A Teologia da Libertação resgata o Jesus histórico e a sua mensagem assume uma dimensão política. Dá-se mais ênfase ao pecado estrutural do que aos pecados individuais. A relação com o próximo, especialmente o próximo “pobre”, passa a ser o centro da fé cristã.

CANÇÕES ANGLO- SAXÓNICAS

ENGELBERT - A MAN WITHOUT LOVE
... esqueçam as patilhas de mau gosto e apreciem esta bela canção romântica nesta extraordinária voz... Londres, 1969

CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CALENTANO - SEI RIMASA SOLO (1962)
... agora restas sózinha, choras e não lembras nada, desce uma lágrima no teu belo rosto, lentamente, lentamente...

CANÇÕES FRANCESAS

SALVATORE ADAMO - MES MAINS SUR TES HANCHES
mais uma linda canção do extenso reportório de Adamo

CANÇÕES BRASILEIRAS

GILBERTO GIL- MENINA BAIANA
em homenagem: à cidade brasileira mais portuguesa; a Jorge Amado... e a dona Flor


CANÇÔES PORTUGUESAS

CARLOS PAIÃO - ADEUS CEGONHA
esta canção retrata uma faceta da personalidade de Carlos Paião: a candura de um menino que nunca deixou de o ser... recordá-lo-ei sempre com ternura.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÒDIO Nº 143


O Príncipe sabia aceitar uma derrota, não era de perder a cabeça e de, cretino, persistir correndo o risco de cadeia ou surra. Urucubaca dos demónios: fora logo meter-se com a comadre de mestre Mirandão, feliz ainda de escafeder-se com a pele inteira, incólume. Era sincero ao afirmar sua ignorância; se fosse sabedor dessa amizade, evitaria até a rua, quanto mais…

Sem sequer erguer os olhos para a casa de dona Flor, mudando a rota, embicou para o mar largo, desceu rápido a Ladeira da Preguiça. Nem chegara à cidade baixa quando divisou ao longe, indo devota para a Conceição da Praia, toda em preto e em véus, uma viúva. Acelerou o passo, no rumo de novo porto à vista, sorriso lânguido, súplice olhar, o Príncipe de Tal em seu ofício trabalhoso.

Na esteira do Príncipe, nunca mais visto por aquelas bandas, foram-se os comentários, os cochichos, as risotas, os candidatos da vidência e do mexerico, a folia e a troça em torno de novas bodas de dona Flor. Se antes ela zombara de tudo aquilo, em alegre burla, recusava-se agora a qualquer conversa sobre o assunto, não escondendo seu desgosto e desprazer ao ouvir a mais ligeira referência a viuvez e casamento, tomando-a por insulto e grosseria.

Como se as amigas e comadres houvessem firmado tácito protocolo, durante certo tempo não se tocou nessa matéria, parecendo todos de acordo com a viúva em seu terminante veto ao noivo e ao matrimónio. Quando alguma velhota mais xereta sentia cócegas na língua, no desejo de debater o grande tema, a lembrança do Príncipe ao pé do poste lhe punha na boca um cadeado: como se o vigarista ali permanecesse a rir da rua inteira. Sem falar na violenta proibição imposta por dona Norma, presidenta vitalícia do bairro, governo em geral liberal e democrata, mas, quando necessário, ditadura sem entranhas.

As semanas seguintes àquele confuso aniversário foram talvez as mais movimentadas da sua existência: dona Flor não teve um segundo de descanso. Sucediam-se os convites, todos querendo encher seu tempo, ser gentil com ela. Enfiou sessões de cinema uma atrás da outra, fez visita a meio mundo, correu o comércio, em compras com as amigas. Findo o horário das aulas vespertinas, ela mesmo buscava compromisso:

- Norminha, minha negra, para onde se toca assim tão chique? Por que vai saindo de mansinho sem dizer nada?

- Um enterrinho inesperado, minha santa. Chegou o aviso agorinha mesmo, com um atraso medonho: seu Lucas de Almeida, um conhecido, vem a ser ainda parente de Sampaio, bateu as botas, faleceu do coração. Sampaio não vai mesmo, você sabe, é uma vergonha. Não lhe chamei porque você não conhecia o falecido. Mas se quiser, vale a pena ir… Vai
ser um enterro e tanto,
dos bons…

quinta-feira, junho 10, 2010



HOJE É FERIADO - DIA DE PORTUGAL - DIA DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES

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Finalmente, alguém nos mostra como se faz o truque...

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DIVÓRCIO JUDEU






Antevéspera do Ano Novo Judaico. Boris Sylberstein, patriarca judeu, e a mulher, Sara, moradores num Kibutz perto de Tel Aviv, visitam um dos seus filhos na capital de Israel:

─ Jacobzinho, odeio ter que te estragar o dia, mas o Pai precisa de te dizer que a Mãe e eu nos vamos separar, depois destes 45 anos!

─ O Pai enlouqueceu! O que é que está a dizer? ─ grita Jacob.

─ Já não conseguimos sequer olhar um para o outro. Vamos separar-nos e acabou-se! Liga à tua irmã Raquel a contar.

Apavorado, o rapaz liga para a irmã, que vive em Viena e conta-lhe a terrível notícia. Raquel fica em estado de choque, ao telefone:

─ Os nossos pais não podem separar-se de maneira nenhuma! Chama já o Pai ao telefone!

O ancião atende e a filha balbucia na maior emoção:

─ Não façam nada até nós chegarmos aí amanhã, ouviu? Vou telefonar também ao Moisés para São Paulo, ao Salomão para Buenos Aires, e à Ester para Nova Iorque, e amanhã à noite estaremos aí todos. Ouviu bem Pai?

Desliga, sem esperar pela resposta do Pai. O velho pousa o auscultador
no descanso, vira-se para a mulher, e, sem que Jacob ouça, diz-lhe em voz baixa:

─ Pronto, Sara, vêem todos para a Ano Novo. Só que desta vez não temos de pagar as passagens!

quarta-feira, junho 09, 2010

ENTREVISTAS
FICCIONADAS

DE JESUS CRISTO


Entrevista Nº 26


Tema – Pobres de Espírito?

Raquel – A nossa unidade móvel encontra-se hoje no monte das Bem-Aventuranças, a poucos quilómetros de Cafarnaum. Connosco Jesus Cristo que nos concede uma nova entrevista. Como se sente o senhor aqui onde pronunciou um dos seus discursos mais inolvidáveis?

Jesus – Muito emocionado, na verdade.

Raquel – Segundo investiguei, neste monte, o senhor falou da lei e dos profetas, de nos colocarmos nas mãos da providência, da eficácia da oração, da regra de oro…

Jesus – Não sei se falei de tantas coisas… mas recordo que transmiti a mensagem mais importante do reino de Deus.

Raquel – Referia-se, sem dúvida, às bem-aventuranças, porque este monte, precisamente, chama-se assim: “Monte das Bem-Aventuranças".

Jesus – Tinha chovido muito na noite anterior, recordo-me… caiu granizo. Os agricultores perderam a colheita, perderam tudo. Os latifundiários não queriam abrir os seus celeiros, os usurários afiavam os dentes.

Raquel – E nessa difícil conjuntura o senhor reuniu as pessoas e lhes falou.

Jesus – Sim, éramos muitíssimos, o povo estava desesperado, as crianças sem comer, as viúvas pedindo esmola.

Raquel – E foi então quando o senhor lhes prometeu o reino dos céus.

Jesus – Como o reino dos céus?

Raquel – Quero dizer, o senhor disse-lhes que depois deste “vale de lágrimas” entravam no “reino dos céus”, não foi assim?

Jesus – Não, eu não disse isso.

Raquel – O senhor disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito porque…

Jesus – Não, não, não. Eu disse os pobres. Ponto final. Os pobres-pobres.

Raquel - Mas num dos Evangelhos, creio que de Mateus, o senhor refere-se aos “pobres de espírito”…

Jesus – Pois me interpretou mal o meu amigo Mateus. Tê-lo-á feito com boa intenção mas interpretou erradamente.

Raquel – O senhor não se referia às pessoas que têm um coração humilde.

Jesus – Eu referia-me aos pobres, aos esfomeados, aos que choram de frio, aos sem teto, sem terra, sem trabalho. Aos que não têm pão para levar à boca.

Raquel – Não tínhamos?... o senhor também se incluía entre esses pobres?

Jesus – Sim, eu era um de tantos outros. Eu também passei fome. Por isso me diziam: “médico, cura-te a ti mesmo”. Porque eu era um pobre diabo sem uma moeda no bolso… e falava da libertação dos pobres!

Raquel – A libertação no reino dos céus é mais além.

Jesus – Não, Raquel. Falo da libertação na terra, não lá mas cá.

Raquel – Podes explicar melhor.

Jesus – Eu falei no reino de Deus e, pelo que vejo, alguns entenderam reino dos céus.

Raquel – E qual é a diferença? Não a vislumbro.

Jesus – É que os céus estão muito para cima, muito longe. O reino dos céus é uma promessa para muito tarde. Um consolo para depois da morte.

Raquel – E não foi isso que o senhor tanto pregou?

Jesus – Tudo ao contrário, Raquel. O reino de Deus é para agora, para hoje. Não é para a outra vida mas para esta.

Raquel – Que mais disse Jesus neste monte? Que significas o reino de Deus?

Uma breve pausa para os comerciais e continuaremos em directo do Monte das Bem-Aventuranças. Raquel Perez… adiante estúdios.


NOTA

O Monte das Bem-Aventuranças é uma colina a poucos quilómetros de Cafarnaum. No cimo, está uma Igreja de forma octogonal, uma recordação das oito bem-aventuranças mencionadas no Evangelho de Mateus, ao reconhecer uma das mensagens mais conhecidas e famosas de Jesus da Nazaret, uma das que melhor condensa o essencial da sua teologia.

Às vezes interpretam-se as bem-aventuranças como uma lista de normas de conduta: “se deve…ser pobre”; “se deve… ser misericordioso”; etc…

Esta interpretação moralista falseia o conteúdo desta “boa notícia” destinada aos pobres, aos perdedores, aos sem poder. As bem-aventuranças não são normas morais e muito menos uma fórmula de consolo para todos a quem as coisas correm mal neste mundo dizendo-lhes que, pelo contrário, no outro tudo irá correr bem.

Jesus chamou felizes aos pobres porque lhes anunciava que Deus estava do seu lado, era seu aliado, Deus não era neutral perante as suas misérias e que eles se uniriam aos outros pobres e deixariam de ser pobres.

Jesus não chamou felizes aos pobres por eles se portarem bem, por aguentarem sem protestar as suas misérias mas apenas porque eram pobres. Deus, como justo que é, quer que haja justiça e que os pobres deixem de ser pobres.

A que pobres se dirigia Jesus nas suas bem-aventuranças? Aos “pobres de espírito” de acordo com Mateus, ou aos “pobres” na tradição de Lucas?

A versão de Lucas é a mais antiga. Os pobres a que Jesus se refere são aqueles que não têm nada, os que têm fome. O “espírito”, a que mais tarde se referiu Mateus recolhe fórmulas empregues no Antigo Testamento que falavam do espírito humilde “anawim”(pobres, desgraçados, indefesos, desamparados, que sabem que estão nas mãos
de Deus porque foram abandonados pelos poderosos, vivendo à margem tanto da religião do Templo como do sistema político do Império.

CANÇÔES ANGLO SAXÓNICAS/ SUL AFRICANAS

THE TOKENS - THE LION SLEEPS TONIHT
agradeço ao Borges, meu estimado parceiro de ténis, ter-me recordado o título desta canção para poder partilhar convosco o prazer de a ouvir...

CANÇÕES ITALIANAS

CLÁUDIO VILLA - AMORE, AMORE, AMOR (1959)
Cláudio é o cantor do amor...Dezassete títulos de canções suas têm a palavra "amore"!

CANÇÕES BRASILEIRAS

DANIELA MERCURY - PÉROLA NEGRA
hoje mesmo, por esta hora, Daniela Mercury, está actuando bem perto de mim, aqui em Santarém, num show concorridíssimo (as estradas vinham cheias de automóveis) na Feira Nacional da Agricultura. Peço-lhe desculpa por não estar lá mas ela está aqui, no meu blog

CANÇÕES FRANCESAS

JONNY HALLIDAY - NOIR C'EST NOIR
mais uma canção da década de sessenta que ficou bem nos ouvidos dos jovens de então e que hoje recordamos com prazer...

CANÇÕES PORTUGUESAS

CAMANÉ - TRISTE SORTE
o fado é isto: um lamento, uma expressão triste e fatalista da vida. Camané é, de todos os fadistas, o que melhor representa esse sentimento.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
AMORES


EPISÓDIO Nº 142


Só no começo da tarde o Príncipe veio colher os frutos da extensa sementeira da festa – intervenção de dona Gisa, declarações no escuro do cinema. Num esplendor de roupas, de paixão incontida e de impaciente esperança, jamais tão semelhante ao Senhor dos Passos em seu martírio. Naquela noite disse a Lu, xodó recente em cuja companhia tola e graciosa despendera os últimos níqueis da viúva anterior, dona Ambrosina Arruda, mastodonte histérico:

- Mimosa, hoje eu invado a fortaleza, entro na sala, não demoro a estar na cama com a viúva.

Ajeitou-se Lu no peito tísico do Senhor dos Passos:

- Ela é tão feia como a outra?... Ou é bonita?

Ciumenta, sem entender o rígido código, a ética do Príncipe, não se encontrava à altura de conviver com profissional tão competente e estrito em seus princípios:

- Feia ou bonita, já te disse, ó besta, é a mesma coisa. Tu não vê que é um negócio, uma operação financeira e nada mais? O que interessa não é o rabo da viúva, minha burra, é que ela tenha um dinheiro e alguns berloques…

Foi dona Êmina quem primeiro o viu ao poste. Correu a avisar espocando em riso:

- Já chegou…

Tanto ruído, tanta excitação e correria das mulheres perturbaram Mirandão em feliz madorna após o almoço farto, com frigideira e galinha-de-parida. Despertando dirigiu-se também ele às janelas, onde as vizinhas se sucediam num corre-corre. Enxergou, no outro lado da rua, ao pé do poste, no passeio do sobrado de seu Bernabó, em lânguida postura, o velhaco Eduardo de Tal, o Príncipe, a limpar as unhas com um palito de fósforo e a sorrir galante.

- O que é que o Senhor dos Passos está fazendo por aqui?

- Quem é o Senhor dos Passos? – dona Norma curiosa.

- Quero dizer o Príncipe, velho vigarista, gatuno e meio…

Ia acrescentar: “o rei das viúvas”, mas fitando as amigas e as comadres em silêncio pesado, compreendeu tudo. Como se nada houvesse percebido, no entanto, com aquela sua delicadeza de baiano, prosseguiu risonho:

- Esse tratante é um passador do conto do vigário, vive de enganar os bobos com essa história de bilhete premiado, de dinheiro para entregar a um hospital, esses golpes que saem sempre nas folhas…

- Esse sujeito nunca me enganou… Bastou eu ver a cara dele… - disse dona Norma.

- Deve estar querendo roubar alguém por aqui, pode ser o argentino ou outro qualquer – concluiu Mirandão.

- O argentino, com certeza, já vi os dois conversando… - dona Norma mentia calorosa, tão baiana ela também, com a maior finura de compreensão e sentimentos.

Deixando-os a remoer as desilusões da vida, dona Flor posta em silêncio, uma lágrima oculta, uma única, não valendo mais aquela humilhação e porcaria. Mirandão, como quem não quer nada, atravessou a rua em direcção ao vigarista. Pelas frestas das janelas fechadas com violência, as comadres viram-no a conversar com o calhorda. Em nenhum momento deixou o Príncipe de sorrir, mesmo quando perdido em explicações confusa. Mirandão fez-lhe um gesto enérgico apontando-lhe a ladeira a descer para a Cidade Baixa. Rápida cena de cinema mudo para as comadres nas brechas das janelas.

terça-feira, junho 08, 2010


ENTREVISTAS


FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 25



Tema – A Discípula Amada?


Raquel – A nossa unidade móvel estaciona hoje naquela que foi Magdala, a cidade natal de Maria Madalena – e daqui o nome dessa famosa mulher – da qual hoje nada resta. Connosco está Jesus na sua 2ª vinda à Terra e na 1ª visita a este lugar.

Jesus – Eu passei por aqui quando esta cidade tinha muita vida… Os de Cafarnaum traziam até aqui o pescado, aqui o salgavam e vendiam para todo o país. Uma cidade de muito ricos e de muitos pobres.

Raquel – Foi aqui que conheceu Maria Madalena?

Jesus – Sim, foi aqui. Ela era muito pobre.

Raquel – Podemos saber em que circunstâncias?

Jesus – Bem, ela era uma mulher só, as que ficavam viúvas ou eram repudiadas pelos maridos, tinham uma vida difícil.

Raquel – E sobre o seu “trabalho” segundo a tradição, ela era prostituta.

Jesus – Boatos. As mulheres sós suportavam o jugo da má reputação. Eu recordo-me daquele dia… depois de caminhar à volta do lago, chegámos aqui a Magdala com João e André. Então, conheci a Maria. Ela abriu seus ouvidos para escutar a mensagem de Deus…

Raquel – Isso foi depois de lhe ter tirado os demónios?

Jesus – Que demónios!.. Más línguas. Dela se dizia que tinha não um mas sete demónios no corpo… Como Maria era forte e não tinha papas na língua, inventaram histórias.

Raquel – Imagino que saiba tudo quanto se escreveu sobre a sua relação com Maria Madalena… Também são invenções?

Jesus – Pois não sei o que terão escrito mas… que queres que te diga? Ela participou no nosso Movimento, acompanhou-nos por todo o lado e se apaixonou pelo Reino de Deus. Encontrar Maria foi como encontrar uma pérola de grande valor. A lâmpada do seu corpo eram os seus olhos… era muito alegre… com ela, o Reino era um banquete, uma festa.

Raquel – Recorda-la com muita emoção…

Jesus – Eu tinha um grande prazer em falar com ela. Confidenciei-lhe muitas coisas… André, João, Santiago e sobre tudo Pedro, ficaram com ciúmes…

Raquel – Olha, Jesus Cristo, vou dizer-te algumas coisas que talvez… bem, nem sei se as digo… mas estas não as encontrei em nenhuma novela ou no Código de Da Vinci.

Jesus – No Código…?

Raquel – Para esta entrevista estive a ler um dos Evangelhos que não constam na Bíblia, os apócrifos. E num deles diz que Maria Madalena foi sua companheira e que o senhor a beijava na boca. Li também que esse discípulo amado de que tanto se fala no Evangelho de João, era, na realidade “a discípula amada” que o senhor mais queria…

Jesus – Na verdade, tudo isso se escreveu em memória dela.

Raquel – Mas o senhor amava-a?

Jesus – Sim, queria-lhe muito.

Raquel – Queria-lhe como mulher?

Jesus – Que queres saber, Raquel? Se tive relações com ela?

Raquel – O senhor desculpe a pergunta, compreendo que é um pouco indiscreto mas em torno da sua relação com Maria Madalena há muito mistério.

Jesus – O amor é sempre um mistério. Por isso, Deus, o maior amor, é o maior dos mistérios…

Raquel – Então, o senhor e ela… entre os dois…?

Jesus – Na minha terra diz-se que “entre os três não há segredo”. Não perguntes mais, Raquel, não faz falta.

Raquel – Das ruínas da cidade onde, pela primeira vez, se encontraram Jesus e Maria de Magdala, Raquel Perez.




NOTA

O Cristianismo Oriental presta honras a Maria Madalena pela sua proximidade a Jesus considerando-a “igual aos apóstolos”. No Ocidente desenvolveu-se a ideia de que, antes de conhecer Jesus, Maria Madalena tinha-se dedicado à prostituição, identificando-a com outras mulheres “pecadoras” que aparecem nos Evangelhos (Lucas 7. 36)

A imagem de Maria Madalena arrependida e penitente, domina a arte e a literatura ocidental. Em 1969, a Igreja Católica que reconhece Maria Madalena como Santa, retirou do calendário litúrgico o adjectivo “penitente” que tradicionalmente lhe atribuía e deixou de usar nas missas esse texto de Lucas. Contudo, apesar destas mudanças, a ideia da prostituta arrependida continua predominando
.

CANÇÕES ITALIANAS

GIANNI MORANDI - SI FA SERA
...mas quando anoitecer estamos ainda aqui nós dois...

CANÇÕES FRANCESAS

IVES MONTANT - À PARIS
um dos maiores expoentes da canção francesa... voz...interpretação...

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

NEIL DIAMOND - LADY HO
a melhor versão desta canção: uma obra mestra de sensibilidade, frescura e sentimento numa das melhores vozes de sempre...

CANÇÕES BRASILEIRAS/PORTUGUESAS

SIMONE E DULCE PONTES - CANTA BRASIL
é uma perfomance excepcional de duas das melhores intérpretes de cada um dos países numa comunhão de culturas


DONA FLOR
E SEUS DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 141



A noite inteira a pensar: pesos e medidas, solidão e risos, o sumo do desejo uma lágrima ao nascer do dia. Muito cedo ainda, com a aurora rompendo os contrafortes da dúvida, sentou-se dona Flor ante o espelho para se vestir e pentear. Foi em busca de perfumes, trouxe os brincos da tia Lita e os colocou, experimentando enfeires, blusas e saias, novamente faceira como nos tempos da Ladeira do Alvo quando saía nuns trinques de ricaça. Tão de manhãzinha e já na estica, a melindrosa: acontecera por mais de uma vez o pálido rapaz aparecer antes do almoço. Ao demais era domingo, dia de missa com sermão de dom Clemente.

Quem apareceu antes do almoço e ficou para almoçar foi Mirandão, visita rara. Viera com a esposa e com os filhos, um dos quais, o afilhado de dona Flor, lhe ofertava sapotis e cajás, além de uma gola de croché, trabalho fino da comadre. Por que aquilo, por que tanto presente? Ora comadre se assunte, não vá dizer que não se lembra, não estamos a 19 de Dezembro, dia do seu aniversário? Pois, compadres, quanta bondade e gentileza, ela esquecera a data, já não tinha gostos por aniversários. A esposa de Mirandão não queria querer:

- Não se lembrou? Mas, porque então a comadre está tão chique, vestida de festa desde manhã…

Mirandão recordava num toque de saudade:

- Lembra, comadre? Faz um ano daquela noite no Pálace, nuca mais hei-de esquecer seu aniversário…

Fazia um ano, um ano justo. Ali estava dona Flor toda elegante, penteada, laço de fita nos cabelos, brincos de diamantes nas orelhas e um perfume com odor picante sobre o seio, sem sequer poder atribuir tanto capricho ao aniversário, pois dele se esquecera. Mas os tios não esqueceram, nem dona Norma, dona Gisa, dona Amélia, dona Emina, dona Jacy, dona Maria do Carmo; foram chegando com presentes, caixas de sabonete, vidros de água-de-colónia, sandálias, um corte de fazenda.

- Você está uma beleza, Flor, que elegância! – comentou dona Amélia.

- No ano passado é que estava linda… - disse dona Norma, recordando, ela também, a ida ao Pálace. – Ganhou um presente e tanto…

- Este ano também está ganhando um bom presente… – a voz bisbilhoteira de dona Maia do Carmo.

- Que presente quis saber a esposa de Mirandão.

Entre risos, dona Emina e dona Amélia lhe cochicharam o segredo.

- Não diga…

- Um homem direito – sentenciou dona Gisa – Homem de bem.

Mirandão fora até ao bar do Cabeça onde se reunia uma roda dominical de ilheenses ricos a beber uísque, sob o comando do fazendeiro Moysés Alves. Na sala, as amigas rindo a comentar, enquanto que, com a ajuda de Marilda, dona Flor na cozinha, de avental sobre a elegância,
reforçava o
almoço.

segunda-feira, junho 07, 2010




ENTREVISTAS

FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 24

Tema – Mulheres Apóstolas?



Raquel – Os microfones das Emissoras Latinas instalados hoje no que foi antigamente o porto de Cafarnaum. Acompanha-nos J. Cristo em mais um dia da sua segunda vinda à Terra.

Cafarnaum, junto ao lago da Galileia, foi conhecida como a sua cidade. Por que motivo?

J. Cristo – É que eu saí da Nazaré e vim viver para aqui.

Raquel – E por que lhe ocorreu fixar-se num porto de pescadores?

J. Cristo – Bem, aqui viviam Pedro, André, Santiago… tinham barcos e umas redes.

Raquel – Eles eram pescadores, mas o senhor não.

J.Cristo – Não, eu via-os pescar a eles. Quando regressei do Jordão pensei: há que fazer qualquer coisa para que as coisas mudem neste país. E vim buscá-los a Cafarnaum.

Raquel – Pertenciam a alguma organização religiosa?

J. Cristo – Quem?

Raquel – Pedro, André, Santiago…

J. Cristo – Não, eles estavam organizados na resistência contra os Romanos…

Raquel – Então, o senhor os chamou e formou com eles o grupo dos 12 Apóstolos.

J.Cristo – Doze? Éramos muitos mais que 12!

Raquel – Na sua biografia fala-se de 12 Apóstolos.

J. Cristo – Não pode ser porque… vamos ver contando-os: Santiago e João, que eram filhos de Zebedeu. Salomé, a mãe deles que também se juntou ao movimento. Pedro e André, que eram irmãos. Juana a mulher de Cusa. Tomás, o gémeo e Maria a de Madalena, Filipe, Suzana, Natanael, Marta e sua irmã Maria, as de Betânia, Judas, o de Kariot, que fez o que fez…

Raquel – Um momento, o senhor está confundindo os nossos ouvintes.

J. Cristo – Onde está a confusão, Raquel?

Raquel – O senhor está misturando homens com mulheres, apóstolos com…

J. Cristo – Com apostolas. Pode-se dizer assim, não é verdade?

Raquel – Bem, não sei como se dirá… mas sempre pensei que o senhor elegeu só os varões para firmar a sua igreja.

J. Cristo – E quem te ensinou a dizeres isso? No nosso grupo havia de tudo: homens, mulheres, da Judeia, da Galileia, até uma Samaritana se juntou a nós…

Raquel – Aclaremos as coisas. Essas mulheres que o senhor menciona iriam no seu grupo… como apoio logístico.
J. Cristo – Apoio quê?

Raquel – Quero dizer, para vos fazer a comida, lavar a roupa… talvez… até para repouso dos pregadores.

J. Cristo – Mas, que dizes tu, Raquel?... Se as mulheres eram as melhores para falarem e entusiasmarem as pessoas!... as melhores também para organizarem. Elas eram iguais aos homens.

Raquel – Mas, então… temos uma chamada em linha… alô?

Renato – Está falando com Renato Sousa de Almeida da pastoral juvenil de São Paulo, Brasil.

Raquel – Pois fale devagar para o entendermos bem…

Renato – Jesus tem razão. Se não, leiam-se as epístolas de São Paulo onde ele narra como trabalhou com Junia, Lídia, a que vendia púrpura, com Evódia, com Febe, Apia, com um montão de mulheres nas primeiras comunidades cristãs…

Raquel – obrigado, Renato. Bem, então, se as coisas foram assim no começo… já se deu conta J. Cristo? Já viu agora os seus representantes recusam as mulheres como sacerdotes, como pastores, como bispas? Por que acha que procedem assim?

J. Cristo – Não sei, talvez por medo… talvez se sintam de menor estatura e não queiram reconhecê-lo.

Raquel – Então, se compreendo bem, o senhor estaria de acordo com o sacerdócio feminino?

J. Cristo – Eu não estou de acordo com nenhum sacerdócio, nem de homens nem de mulheres mas para dirigir as comunidades as mulheres são mais sábias, mais responsáveis também… Foi isso que a mensagem mais importante, a pérola mais preciosa, Deus a confiou a uma mulher e não a um homem.

Raquel – De que pérola nos falas?

J. Cristo – Por que não procurá-la em Magdala?... queres vir?... vamos, ela está perto.

Raquel – Sim, vamos. Emissoras Latinas a caminho de Magdala, a repórter, sua enviada especial, Raquel Perez.



NOTA

Independentemente do número inicial de discípulos de J. Cristo serem 18 ou 20, o 12 foi escolhido por ter um significado especial em Israel. Designava uma totalidade e um só número sintetizava todo o povo de Deus. Doze, foram os filhos de Jacob, os patriarcas que deram nome às 12 tribos que povoaram a Terra Prometida.

Quanto à importância das mulheres no movimento de Jesus Cristo, a escritora britânica especialista em temas do Médio Oriente, Lesley Hazleton, refere dados muito interessantes sobre os movimentos espirituais de mulheres a par dos homens em cargos de decisão e poder antes e depois de Jesus nos primeiros séculos da cristandade e que influenciaram o cristianismo.

O próprio discípulo Paulo, apesar da sua misoginia por ter pertencido à seita judaica dos fariseus afirmou que “em Cristo já não há homem nem mulher” (Gálatas 3.28), confirmando com esta afirmação a participação activa das mulheres nas primeiras comunidades cristãs.

A participação das mulheres foi desaparecendo a partir do Século IV com a conversão do Imperador Constantino e a passagem do Cristianismo a religião oficial do Império.

Esta recusa na participação das mulheres mantém-se e confirma-se: o Papa João Paulo II em 1994 e José Ratzinger, hoje Papa, expressavam, mais uma vez a profunda misoginia do catolicismo oficial.

“Declaro que a Igreja não tem de modo algum a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que este ditame deve ser considerado como definitivo por todos os fiéis”

Assim reza o documento de Maio de 1994 de João Paulo II que foi ractificado em 1995 pela
Congregação da Doutrina da Fé onde pontificava o Cardeal Ratzinger, hoje Sumo Pontífice.

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

PUSSYCAT - MISSISSIPI
Simplesmente linda....esta canção.

CANÇÕES ITALIANAS

GIANNI NAZARRO - QUESTO SI CHE È AMORE
ela olhava o céu, eu, o rosto dela, depois, de improviso, o seu respiro tornou-se meu...

CANÇÕES FRANCESAS

SALVATORE ADAMO - LA NUIT (1964)
descupem a insistência mas Adamo está na minha juventude... voltar a ele... é regressar a ela ...

CANÇÕES BRASILEIRAS

ROBERTO CARLOS - FALANDO SÉRIO
Roberto Carlos, você é da minha geração mas agora eu percebo melhor porque o baptizaram de Rei.

CANÇÕES PORTUGUESAS

PAULO DE CARVALHO - SÁBADO Á TARDE
ainda se lembram desta canção do Paulo de Carvalho? As pequeninas histórias da nossa juventude têm uma beleza especial...




DONA

FLOR

E SEUS

DOIS

MARIDOS


EPISÓDIO Nº 14
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Dele não podia rir nem desconhecer a sua presença; não sendo candidato da galhofa como os demais, ficção de amigas, fuxico de comadres e, sim, realidade plantada ao pé da poste, varando sua sala com os olhos – um passo em frente e ei-lo instalado em casa da viúva e em seus braços. Atrás dela rua afora; no cinema a queimar-lhe, com o hálito e as palavras, a resolução mais firme, acendendo a brasa do desejo.

Dona Flor agora sabe por que, apesar de tanta agitação, trabalho e passatempo, sente-se inútil e vazia, esmorecida. Em torno dela dança o pretendente, “dormirás de madrugada”. Uma dança muito sua familiar, dança de baile e cabaré e não de ingénua roda de ciranda-cirandinha. Mas que dança, essa meu Deus, de onde a conhece dona Flor?

Não importa qual seja nem a música nem a dança, nem a hora nem o lugar: num ímpeto dona Flor arranca o véu do rosto, estende a mão ao noivo, rompe-se a bola de cristal: “Bela morena, não ficarei sozinha, vem, moço pálido, casamos logo, logo, meu fidalgo, meu príncipe encantado”.

E, de súbito, se recorda e sabe. Aquela música é o tango arrabalero que ela dançou mocinha em casa do Major e sete anos depois no Palace Hotel e quem está diante dela não é um rapaz pálido, um suplicante, um pretendente. Esse esvaiu-se no ar, desapareceu junto com a bola de cristal e com dona Dinorá. Quem está diante dela é o finado cuja memória ela não está sabendo honrar. Diante dela, de pé, o seu marido: levanta a mão, indignado, e a esbofeteia. Dona Flor cai sobre o leito de ferro e ele lhe arranca a roupa de viúva e lhe desfolha a grinalda e o véu de noiva, o finado seu marido. Ele a quer nuinha, em pêlo, a peladinha, onde já se viu vadiar vestida? Ah!, tirano mais tirano, tirano mais sem jeito…

Num esforço de desespero, dona flor acorda, a noite em torno e ela em pânico. Miados de gatos em cio nos tetos e quintais, ai sonho mais sem pé
e sem cabeça, ai sua paz perdida!

domingo, junho 06, 2010

ENTREVISTAS
FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO



Entrevista Nº 23



Tema – JESUS CRISTO ERA MORENO?


Raquel – Os nossos microfones continuam com Jesus Cristo junto do lago azul e redondo da Galileia numa cobertura especial da sua segunda vinda à Terra.

- Bons dias J.Cristo

Jesus - Bons dias Raquel, a ti e a todos os que nos escutam.

Raquel - E são cada vez mais os que nos ouvem, pendentes das declarações que me vens concedendo. Confesso que sempre fui uma apaixonada da Rádio mas hoje gostaria de estar a trabalhar para a Televisão para poder mostrar aos senhores ouvintes o seu rosto. Certamente que ficariam surpreendidos.

Jesus – E porquê a surpresa?

Raquel – É que o senhor parece-me diferente. Não sei, mas não o imaginava assim…

Jesus – Assim, como?

Raquel – É que nas imagens em que aparece, o senhor não é assim… nem nos quadros, nem nas imagens que reproduziram… não sei como dizer-lhe…

Jesus – Pois diz-me.

Raquel – O senhor… o senhor é muito moreno.

Jesus – Claro, saio à minha mãe.

Raquel – Ela também era assim… morena?

Jesus – Morena e formosa como a rapariga do “Cantar dos Cantares”. O pai dela, o meu avô Joaquim, era ainda mais moreno do que eu. Toda a minha família pelo lado do meu pai José e da minha mãe, saímos todos com a pele bem escura.

Raquel – Essa cor morena era então uma herança familiar?

Jesus – Não Raquel, aqui na Galileia, quem não tinha de sinio tinha de absinio.

Raquel – Também a estatura me surpreende… julgava-o maior… agora estou vendo que não… é quase da minha estatura.

Jesus – No meu tempo as pessoas não eram muito altas. Para além do mais, éramos pobres e com aquilo que comíamos, que não era muito, tampouco dava para crescermos mais.

Raquel – Se a nossa audiência pudesse vê-lo comprovaria que a sua estatura é média e o seu rosto não é fino, delicado, antes quadrado… como direi, o senhor parece um camponês do interior.

Jesus – É que eu fui um camponês do interior e com muita honra, como o meu pai José me ensinou a dizer.

Raquel – E a pele e os olhos… também o imaginava com os olhos azuis, a barba clara, os cabelos suaves, assim, caindo sobre os ombros… bem, como sempre o pintaram: loiro e com a melena dourada…

Jesus – Na Galileia, dourados, apenas os campos de trigo quando estava maduro e pronto para a ceifa… e azul, o lago, quando fazia bom tempo…

Raquel – Então, senhor, por que o pintam sempre como o senhor não foi?

Jesus – Os artistas são caprichosos. Inventam um mundo à sua imagem e semelhança.

Raquel – E como no seu tempo não havia máquina fotográfica, inventaram mal, não é assim?

Jesus – De que me falas, Raquel?

Raquel – Depois lhe explico, agora permita que lhe tire uma fotografia como recordação destas nossas entrevistas para publicar na nossa página da Internet.

Jesus – Tira o que quiseres… o que tenho que fazer?

Raquel – Ponha-se aí com o lago ao fundo… a ver… diga Wisky.

Jesus - Digo o quê?

Raquel – Sorria… já está!... Muito obrigado.

Junto do lago da Galileia e ao pé do moreno Jesus Cristo, sorrindo para os nossos ouvintes, R. Perez da E. Latinas.


NOTA

É obvio que J.Cristo não corresponde à imagem que vem acompanhando o relato destas entrevistas. Ele não seria, concerteza, um dolicocéfalo loiro, olhos azuis e cabelos escorridos sobre os ombros. Ele era um habitante da Galileia, no norte de África, de origem semita e não um descendente dos vikings, dos países do norte da Europa.

Em 2001, a BBC, publicitou uma Série intitulada “O Filho de Deus” apresentando um provável rosto de Jesus Cristo. Com base num crânio judeu do Séc. I da Era Cristã, encontrado em Jerusalém, aplicaram-lhe camadas de argila com a tecnologia gráfica e digital de última geração, chegando, assim, a uma cara que poderia ter sido de J.Cristo e que não anda muito longe dos primeiros rostos que foram pintados na Síria.

Em Jerusalém há muitos homens parecidos com ele. Trata-se de um autêntico judeu, repetido numa multidão de rostos passeando-se pela cidade.

Embora sabendo que ela não corresponde à realidade, manteremos no apoio a estas entrevistas a mesma imagem porque não consideramos isso um aspecto importante e, por outro lado, ela já está ao nosso imaginário.

Importante, mesmo, é sabermos que todos evoluímos, nos últimos 100 a 200.000 anos, de um mesmo grupo de homens e mulheres que nasceram em África e colonizou todo o planeta.

As diferenças que hoje se registam de cor de pele e de traços faciais resultam apenas da adaptação a climas e ambientes distintos que esses grupos humanos foram encontrando nas suas deambulações pelo planeta.

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

BONEY M - SUNNY
a canção é de 1976 e esta versão de 2006... e é muito difícil resistir-lhe!

CANÇÔES ITALIANAS

BETTY CURTIS - AMADO MIO (1946)
...amado meu, curtimos esta hora que nos apaixona mas desaparecerá...
... a noite resplende de mil luzes e aos nossos beijos sorrirá...

CANÇÕES FRANCESAS

JEAN-FRANÇOIS MICHAEL - ADIEU, JOLY CANDY
não é preciso saber falar françês para gostar desta canção... ela esteve nos nossos ouvidos durante uma vida.


CANÇÕES BRASILEIRAS

SIMONE - TÔ VOLTANDO
Esta canção, do final da década de 70, está relacionada com o regresso dos exilados do regime militar que tinha vigorado no Brasil durante 21 anos, desde 1964, através da repressão. Ela é uma delícia...

CANÇÕES PORTUGUESAS

ANA MOURA - E VIEMOS NASCIDOS DO MAR
Uma bela poesia de Fausto na voz bem portuguesa da Ana Moura ao som de um fado repenicado que consola um "alfacinha" como eu...

DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 139



Veio seu Aluísio, bem composto tabaréu do interior, honrado homem do sertão, muito correcto em sua dança e em sua eloquência, um finório a lhe pedir a mão com modos quase alcançando grinalda e flores, quase colhendo de dona Flor a flor agreste. Mas, dona Flor, não sendo besta, muito ao contrário, sabidíssima malandra, não se deixou engazopar e envolver pela conversa do rábula e notário, conversa de argúcia e de mesura.

- Vamos à Igreja, senhora minha, tenho tudo preparado, os banhos e a bênção episcopal, até já me sujeitei à confissão e fui absolvido dos pecados.

- Meu senhor, não me engabele, se quiser comer a peladinha venha de juiz e padre.

- Será que não chega só com padre, a bênção de Deus e da religião? De que vale a lei do homem quando temos a de Deus ao nosso alcance?

- Guarde, seu doutor, sua bênção, seu padre e sua confissão. Sem a licença do juiz, vosmicê me desculpando, sem ela não me come a peladinha, não desfolha a flor da viuvinha.

“Mina viuvinha, minha viuvinha”, assim ciciando galanteios entrou para o centro da roda o rapaz bonito, pálido e esguio, lânguido e suplicante, seu alento morno a envolvê-la, sua cantiga de amor a entontecê-la:

Tira tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu.

Dançava que nem artista de cabaré, uma dança conhecida, qual seria ela? Em volta de dona Flor sua voz de sedução:

Aproveita bela viúva
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirás de madrugada.

De madrugada, virgem ou viúva. De súbito, eis dona Flor sem véu de noiva, sem vestes brancas de donzela casta e casadoira, sem as flores virginais de laranjeira. Vestida agora de viúva, de luto fechado, meias cor de fumo, o resto cor de nojo,, véu cobrindo a face, mantilha na cabeça, tristeza e cinzas. Uma flor apenas, rosa de tão vermelha quase negra.

Tanto quisera seu vestido branco, seu traje de noiva – não o usara no devido tempo, não tendo mais cabaço quando subscrevera papei de casamento, flor desfolhada na viração de Itapoã.

Com os candidatos das amigas e comadres, com as visões de dona Dinorá, podia dar-se a brincadeiras, a pilhérias, dizendo-se virgem sem mácula, sem ranço, sem marca, sem toque de homem, não passava tudo aquilo de pagode para rir. Mas não com o galante moço da esquina, um príncipe, um fidalgo, parecendo tão menino e já tão rico, tanta moça a gemer e a suspirar por ele e ele gemendo e suspirando por dona Flor viúva e pobre. Com o próspero comerciante de Itabuna, bom partido para qualquer donzela quanto mais para viúva, não era possível dar-se a mofas e gracejos: sua respiração ardente penetrou-lhe a carne, cobrindo-lhe de calor a indiferença, dissolvendo-lhe o gelo, revivendo quem morta se encontrava para tais coisas e para
sempre, seu hálito refloriu o desejo murcho e
seco, perdida a paz de dona Flor.

VALE A PENA REVER A AVENTURA ÉPICA DO PEQUENO URSO

Enquanto pôde fugiu... atitude inteligente... quando não foi mais possível, enfrentou a fera... atitude corajosa... ao resto, a mãe salvou a situação.


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