sábado, maio 16, 2009

VÍDEO
Baptizado à Maneira Àrabe

video

CANÇÔES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


VIKY LEANDROS - APRÉS TOI




DALIDA - BOM SOIR MON AMOUR


CANÇÕES BRASILEIRAS

MOLAMBO - SINVAL FONSECA (1953)

MÚSICA - JAIME TOMÁS FLORENCE (MEIRA)/ AUGUSTO MESQUITA


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


JULIETTE GRECO - JOLIE MÔME



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 134




DAS CHAMAS MORAIS ÀS CHAMAS VERDADEIRAS, CAPÍTULO EMOCIONANTE NO QUAL TIETA EXIBE UM ESPLENDOR DE FOGO


Liberto das penas do inferno, nas chamas do ciúme se consome o seminarista Ricardo, na noite da festa. Às nove horas em ponto, a luz do motor se apagou dando por findas as danças no tablado armado na praça do Curtume (perdoem: praça Modesto Pires) mas dona Carmosina inventou passeio até ao rio, espécie de piquenique nocturno. No bar de seu Manuel abasteceram-se de cerveja e guaraná, de bolinhos de bacalhau, especialidade do lusitano.

Da rede onde se recolhera à espera, o seminarista ouve o grupo na calçada, reconhece vozes, a de Leonora, a de Aminthas, a de Barbozinha em galanteio, esse velho ridículo não se assunta!, o riso de Tieta. Pensou que iam se despedir na porta mas os passos prosseguem pela praça e se perdem, ninguém entra em casa. Ricardo salta da rede, penetra na alcova, abre a janela sobre o beco, avista o grupo álacre no escuro da esquina, a caminho do rio. Sente-se enganado, traído, miserável.

Outra coisa não deseja Tieta senão voltar para casa, cansada do dia festivo, iniciado com a missa das oito e longo sermão do padre Mariano. Quando enxerga a magnânima ovelha na Igreja, entre os fiéis, o grato reverendo supera-se, estende a prédica, servindo latim e citações da bíblia. Tieta anseia reencontrar a ternura e a violência do seu menino, apenas entrevisto à tarde à hora da cerimónia, deslumbrante nas vestes de coroinha, a oferecer ao padre o aspersório. Indiferente às exibições folclóricas, tendo de rezar o rosário quotidiano, egoísta, Perpétua retivera o filho em casa para lhe fazer companhia.

Rodopiando nos braços de Barbozinha, de Osnar, de Fidélio – todos disputando a honra de dançar com ela – o pensamento de Tieta estava com Ricardo, ajoelhado diante do oratório a debulhar o terço com Perpétua. Insensata imagem, sonhara-se enlaçada pelo sobrinho vestido de batina; deslizavam no tablado, romântico e apaixonado par. Assim como estavam Leonora e Ascânio: a moça de olhos semicerrados, descansando a cabeça no ombro do rapaz.

Tieta aprovara a ideia de dona Carmosina e acompanhara o grupo na esperança de rapidamente desviar a quadrilha para outros rumos, deixando a sós Leonora e Ascânio, livres para os beijos e juras de amor. Na Bacia da Catarina, sob o negrume dos chorões, o namoro poderia desenvolver-se como devido, ao gosto de Mãezinha: ardente xodó e nada mais.

sexta-feira, maio 15, 2009

POR FALAR QUE O CAFÉ ALTERA O SISTEMA NERVOSO!!




Um bêbedo entra num bar e pede ao balcão três cafés: - Três cafés? -

pergunta, atónito, o empregado. - Sim, um para mim, outro para ti e outro

prá p*** da tua mãe!!! No dia seguinte, o mesmo bêbedo repete o mesmo

pedido, no mesmo café e ao mesmo empregado: - Três cafés...- Três?...-

Sim .. Três ... um para mim, outro para ti e outro prá p*** da tua mãe!!!

Desta vez o empregado "passou-se", saiu do balcão, agarrou no bêbedo e

deu-lhe uma sova e peras! No dia seguinte, todo entrevado, o bêbedo vai na

mesma ao café, dirige-se ao balcão e o empregado com um sorrisinho cínico

pergunta-lhe:

Então, três cafèzinhos, não é verdade?....

Não. - Responde o bebedo.

Só dois: um para mim e outro prá p*** da tua mãe! Pra ti não, porque o

café altera-te o sistema nervoso...


VÍDEO
NÃO É ENTERNECEDOR?

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


ROD STUART & AMY BELL - I DONT WANT TO TALK ABOUT IT




JEAN FRANÇOISE MAURICE - PAS DE SLOW POUR Moi



DEMÔNIOS DA GAROA - AI QUE SAUDADES DE AMÉLIA (1941)
LETRA - MÁRIO LAGO
MÚSICA - ATAÚLFO ALVES


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


NAT KING COLE - FASCINATION



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 133




Imagine que apareceu lá em casa, na fazenda, a dizer que vão montar fábrica aqui, construir uma cidade em Mangue Seco. Anda de juízo mole, acho que é devido à sua enteada – Muda de assunto: - Você ainda não me foi visitar na fazenda, ver minhas cabras; o rebanho dá gosto a gente olhar. Tenho um bode inteiro que é um portento, paguei um dinheirão por ele; se chama Ferro-em-Brasa.

À noite, os ternos de reis e o bumba–meu-boi exibem-se no estrado. Os ternos, em número de três, dois da cidade, o terceiro vindo de Rocinha, o mais bonito, o Sol do Oriente. Uma dúzia de pastoras, enfeitadas de papel de seda, conduzindo lanternas vermelhas e azuis, as vozes soltas, os pés na dança:

Somos pastoras
Das estrelas do céu
Chegamos do Oriente
Para saudar o Deus menino
Neste dia diferente

Tieta acompanha o canto do reisado, tomada de emoção. Menina de pés descalços, fugindo de casa para acompanhar os ternos nas ruas de Agreste.

Tanto sonhara empunhar uma lanterna, pastorear estrelas! Somente cabras e cabritas lhe couberam, vida afora. Valera a pena voltar para ver e ouvir.

Somos as pastoras
Da lua e do sol
Somos as pastoras
Do arrebol

Para assistir o bumba-meu-boi de Valdemar Coto, com o boi e a caapora, o vaqueiro em seu cavalo, dançando no tablado, espalhando a meninada pela praça. Uma única perna, um único braço, esvoaçante, branco lençol, agilíssimo, alegre fantasma, a caapora vem pedir a bênção a dona Tieta, é o moleque Sabino. Depois, o bumba-meu-boi e os ternos de reis descem a rua principal, param de porta em porta, saudando os moradores, pedindo permissão para entrar. Dançam e cantam na sala em louvor dos donos da casa. Cálices de licor, copos de cerveja, goles de cachaça são servidos ao vaqueiro, ao boi, à caapora, às pastoras do arrebol.

Improvisada orquestra, paga pela prefeitura, composta da harmónica de Claudionor das Virgens, do cavaquinho de Natalino Preciosidade, da viola de Lírio Santiago, toma lugar no estrado, ocupando cadeiras emprestadas por Laerte, ataca músicas de dança, variadas, para todos os gostos, logo surgem os pares.

- Olhem quem está dançando! – Astério aponta Osnar que comprime nos braços de macaco uma cabocla esfogueada, novinha, a saia no joelho, as pernas grossas.

- Sujeito mais sem vergonha – rosna dona Carmosina, furiosa por não ser ela a felizarda comprimida contra o peito do debochado, ai!

O assustado se anima, vários pares rodopiam no estrado. O cavaquinho chora num convite. Leonora olha para Ascânio, ele sorri, ele sorri, ela murmura, a voz rompendo cristais:

- Vamos…

Sobem ao tablado, a harmónica ataca a marchinha carnavalesca, Leonora desliza, os olhos semicerrados. Ascânio conduz o corpo leve da moça preso ao seu, os cabelos soltos tocam-lhe o rosto, sente-se o hálito cálido, noite gloriosa. A dança conquista a praça, generaliza-se. O engenheiro da Petrobrás, doutor Pedro e dona Marta, a esposa, incorporam-se aos dançarinos. Dona Edna aceita o convite de Seixas com o consentimento de Terto – e ele que se fizesse de besta e não consentisse! Dona Etna exige do marido compreensão e cortesia. Seixas a enlaça, ela adianta a coxa, mais audaciosa a cada rodopio. Quem acha, encaixa, diz Osnar e Seixas executa.

Cerimonioso e grave, o vate Barbosinha estende a ponta dos dedos a Tieta, solicitando o prazer da contradança. Diante do que, Elisa consegue decidir Astério e dona Carmosina exige de Aminthas o sacrifício:

- Me tire para dançar seu mal-educado.

- Vamos Elizabeth Taylor, mas tenha piedade dos meus pés.

- Cretino!

Os ternos de reis voltam à praça, dissolvem-se no estrado. Fidélio dança com a porta-bandeira do Sol do Oriente em busca do arrebol. O vaqueiro em seu cavalo Zaino, o boi, a caapora, correm atrás do bando de meninos chefiados por Peto. Ricardo ficou em casa, fazendo companhia à mãe. Depois do rosário, na rede espera a volta da tia.

Esgotadas as possibilidades de cachaça, Bafo de Bode retira-se da praça cada vez mais animada, a dança pegando fogo!

- Eta-ferro! Hoje vai ter movimento na beira do rio… - equilibra-se para aconselhar: - Mete os peitos, Ascânio, seja homem!

Desaparece no beco mas ainda se lhe escuta a voz podre e moralista:

- Toma cuidado, Terto, para não arrancar os fios da luz com os chifres…

Para o que diz Bafo de Bode, ninguém liga, advertência e sugestões perdem-se na música da harmonia, do cavaquinho e da viola, no júbilo da festa, na paz da noite de Agreste,

quinta-feira, maio 14, 2009

VÍDEO
GRUPO DE BAILADO CHINÊS

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS

PIERRE BACHELET - EMMANUELL




LEONARD COHEN - DANCE ME TO THE END OF LOVE


CANÇÔES BRASILEIRAS
MARIA BETÂNIA - VOCÊ NÃO SABE


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


ANTON KARAS - Tema do FILME "O 3ºHOMEM"



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 132





Cresce o hino sobre a praça e o casario na voz das crianças e dos populares. Se ninguém der um viva a Ascânio, eu perco a vergonha e dou! – ameaça Leonora em pensamento, revoltada com tanta ingratidão.

Chega a vez de padre Mariano, acolitado por Ricardo em vermelho e branco, galante e piedoso. Bendito seja Deus! Suspira dona Edna, ao lado de Terto, seu marido (não parece mas é). Os olhos de Cinira pregados no coroinha, nas partes aquela comichão. Também Tieta contemplou o sobrinho e sorriu. Não teme as rivais, seu único rival é Deus e entraram em acordo, para Deus a alma, o corpo, para a piedosa tia.

Padre Mariano benze o jardim, o obelisco, a praça, todos os presentes. Reserva bênçãos especiais para o nosso ínclito chefe, o coronel Artur de Figueiredo, para o benemérito munícipe Modesto pires, para a generosa, exemplar ovelha da nossa paróquia, dona Antonieta Esteves Cantarelli, e para sua gentil enteada. Que não lhes falte jamais a graça do Senhor, amem. Gotas sagradas sobre as cabeças mais próximas, adianta-se Perpétua para recebê-las.

O engenheiro da Petrobrás, doutor Pedro Palmeira, usa da palavra para agradecer, em nome do sogro. Refere-se à paz e à beleza de Agreste: que jamais sejam conturbadas pelos horrores de um mundo de violência. A barba negra, os cabelos longos, na moda, também ele provoca olhares, apetites e frustrações. Ao lado, de sentinela, a esposa, filha do lugar, conhecedora.

Por fim discursa Ascânio Trindade, em representação do coronel Artur de Tapitanga, cuja voz não mais alcança as alturas indispensáveis aos tropos oratórios. Inflamado, buscando inspiração nos olhos de Leonora, prevê dias de glória, gloriosos e iminentes, para Sant’Ana do Agreste. Os prezados concidadãos podem-se alegrar, pois próximo o fim do marasmo e da pobreza, das dificuldades, da pasmaceira. É possível que se localize em Agreste a sede de um novo pólo industrial a ser implantado no Estado da Bahia, a competir com o Centro Industrial de Aratu, nas proximidades da capital. Volverão os tempos da fartura, novamente teremos motivos de orgulho, nosso rincão bem amado resplandecerá, luminosa estrela no mapa do Brasil.

- Que diabo o Capitão Ascânio está arquitectando? – Pergunta Osnar.

- Ele está escondendo leite.

- Escondendo? Bem, Ascânio ainda não quer divulgar os planos da empresa de turismo, parece que são formidáveis – retruca dona Carmosina.

- Ele se referiu a pólo industrial.

- Força de expressão. Você não vai negar que o turismo é hoje uma indústria da maior importância – Dona Carmosina explica: - O que acontece é que Ascânio está apaixonado.

- Baratinado… - concorda Aminthas.

Com um brado vibrante: Salve Sant’Ana do Agreste! Ascânio encerra a fogosa e confusa oração. Do fundo da praça Modesto Pires, chega a voz de cachaça de Bafo de Bode no tardio viva:

- Viva Ascânio Trindade e viva a sua namorada! Quando é o casório, Ascânio?

Leonora enrubesce em meio aos risos de Elisa e dona Carmosina. Livres dos discursos, moças e rapazes aos pares, de mãos entrelaçadas, circulam no passeio, inaugurando-o de facto. Leonora fita Ascânio, estende-lhe a mão, mais um par de amorosos a contornar a praça. Dona Carmosina suspira, comovida.

Da casa de Laerte Curte Couro saem improvisadas garçonetes, funcionárias do Curtume, com bandejas de pastéis, empadinhas e cálices de licor. Servem aos convidados de honra, oferta de modesto Pires. O coronel Artur de Tapitanga senta-se num dos bancos verdes, de ferro, confidencia a Antonieta, enquanto lhe alisa a mão e examina os anéis – são verdadeiros ou falsos os brilhantes? Se verdadeiros, valem uma fortuna:

- Meu afilhado Ascânio vai acabar maluco com essa história de turismo.



Fátima - 13 de Maio






Nascida para lutar contra a República e transformada em arma de arremesso contra o comunismo, Fátima mantém-se como símbolo da crendice popular e caixa de esmolas que sustenta a máquina eclesiástica.

Os ateus são sensíveis ao sofrimento humano, às manifestações de aflição, ao desespero e aos dramas individuais que exoneram a razão dos comportamentos. Já não podem ter a mesma benevolência para quem convence os crentes do gozo divino com as chagas nos joelhos e as maratonas pedestres ou com a oferta de objectos de ouro que atravessaram gerações na mesma família para acabarem no cofre forte da agiotagem mística.

Os alegados milagres das cambalhotas solares, das deambulações campestres da virgem e da aterragem de um anjo não foram originais nem exclusivas da Cova da Iria. Foram tentados em outras latitudes e repetidos em versões diferentes até atingirem a velocidade de cruzeiro da devoção popular e o pico da fama que tornou rentável a exploração.

Há um ano o cardeal Saraiva Martins, um clérigo atrofiado por longos anos de Vaticano, dedicado à investigação de milagres e à pesquisa da santidade, presidiu à peregrinação... contra o ateísmo. Podia ser a favor da fé, mas o gosto do conflito levou a Igreja a deixar cair a máscara da paz e a seguir o carácter belicista que carrega no código genético.

Há militares que regressaram há mais de quarenta anos da guerra colonial e que, ainda hoje, vão a Fátima agradecer o milagre do retorno, milagre que muitos milhares não tiveram, vítimas da civilização cristã e ocidental para cuja defesa o cardeal Cerejeira os conclamava.

Perdido o Império, desmoronado o comunismo, o negócio mudou de rumo e de ramo. É o emprego que se mendiga a troco de cordões de oiro, a saúde que se implora de vela na mão, a cura suplicada com cheiro a incenso e borrifos de água benta. Enquanto houver sofrimento o negócio floresce. Dos bolsos saem os euros dos peregrinos e os olhos dos crentes enchem-se de lágrimas perante a imagem de barro que a coreografia pia carrega de emoção.

Para o ano, no mesmo dia, repete-se a encenação e os corações dos devotos rejubilam com fé na virgem, igual à que os índios devotam às fogueiras para atraírem chuva. Com os joelhos esfolados, os pés doridos e o coração a sangrar.

posted by Carlos Esperança @ 12:18 PM 1 comments


COMENTÁRIO:

A crença religiosa, infelizmente, não se vence nem pelas evidências mais óbvias nem pelas acusações mais certeiras. A necessidade de acreditar mergulha nos primódios da nossa evolução e, se então, constituiu factor de sobrevivência, de há muito que, hábilmente aproveitada, se transformou em instrumento de manipulação de consciências tendo em vista o poder, o poder espiritual que, entre nós, o mundo católico, já foi também temporal.

Factor de instabilidade das nossas sociedades é hoje, como sempre foi, um grande e escandaloso negócio.

Por ironia, a crença é como uma espécie de "cruz" que a humanidade transporta às costas para infelicidade sua.

Triunfar sobre ela, apenas pelo uso da razão e do conhecimento. Há progressos...mas irá levar tempo. A libertação do fenómeno da crença é uma tarefa pessoal que exige coragem especialmente para todos os que a receberam como uma das mais precoces e importantes heranças.

Entretanto, nada poderemos fazer por aquela mãe que, caminhando de gatas, com a filha de tenra idade deitada a dormir sobre as costas, lá ia em peregrinação na direcção da cova da Cova da Iria.

Espetáculo degradante que constitui a melhor garantia de negócio para a Igreija no futuro próximo...

Nem um, daqueles padres progressistas que por lá deveriam estar, lhe estendeu a mão para a levantar e caminhar erecta com a recomendação de que os caminhos para Deus, ou para onde forem, não se alcançam a rastejar como os bichos. De pé, "de pé como as árvores" como dizia a saudosa Palmira Bastos.

A imagem repugna-lhes, por um lado, mas agrada-lhes por outro... são o seu exército, educado, preparado para obedecer, a eles, que se reclamam de intermediários, representantes, interlocutores de Deus que ali se confunde com a Srª de Fátima, com os mesmos poderes de cura e de milagres e como muitas outras Senhoras espalhadas por outros tantos locais de culto.

E transcrevendo José Carlos Espada:

- "Para o ano, no mesmo dia, repete-se a encenação e os corações dos devotos rejubilam de fé na virgem, igual à dos índios que devotam às fogueiras para atrairem chuva".

Em termos de fé, ficámos lá, na fogueira, na dança da chuva...


E FORAM TODOS PARA ADVOGADOS...




Assunto: Fwd: No tribunal.

Estas são as mais autênticas anedotas!


No tribunal - Isto é verdade e é do melhor que há!!!

São piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.

_________________

Advogado: Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado: Que ano?
Testemunha: Todos os anos.
______________________________________________

Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha
esquecido?
__________________

Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.
_____________________________________________

Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou
aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.
______________________________________________

Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a
pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?
_____________________________________________

Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?
______________________________________________

Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi
tirada?
_____________________________________________

Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?
_____________________________________________

Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?
______________________________________________

Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?
_______________________________________________

Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?
____________________________________________

Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas
mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...
______________________________________________

Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta
deve ser oral, está bem? Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.
____________________________________________

Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o
corpo da vitima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu
estava a fazer-lhe aquela autópsia.
___________________________________________

Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de
urina?
_____________________________________________

******* Esta é a melhor! ********

Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor verificou o pulso da
vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor verificou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor verificou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia
começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como é que o senhor pode ter a certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e tirando o curso de Direito em
algum lugar!!!




quarta-feira, maio 13, 2009

VÍDEO
Nem os anos, nem o peso a impediram de ser ela a dar o espetáculo!

video

CANÇÕES QUE SEMPRE LEMBRAREMOS



JASON DONOVAN - SEALED WITH A KISS





PAOLO MENOLI - A CHI



CANÇÕES BRASILEIRAS


IVAN LINS - COMEÇAR DE NOVO (1978)
AUTORIA - IVAN LINS/VICTOR MARTINS


BAÚ DAS RECORDAÇÕES

MARTY ROBBINS - HARBOR LIGHTS




Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 131





Da INAUGURAÇÃO DA PRAÇS COM DISCURSOS E DANÇAS, CAPÍTULO EUFÒRICO



Exceptuando-se parte da meninada ainda na matinê, no Cine Teatro Tupi, praticamente todo o resto da população da cidade reuniu-se, às cinco da tarde do último Domingo antes do Natal, na antiga praça do Curtume, de agora em diante praça Modesto Pires. O jardim, o passeio que o circunda, o obelisco ao centro, o calçamento de pedras, benfeitorias devidas à acção de Ascânio Trindade na prefeitura, merecem o elogio geral.

- Esse Ascânio é um retado.

- Imagine-se quando ele for prefeito de verdade.

- Agreste vai virar um jardim.

Um estrado de madeira, armado para a cerimónia e para a exibição dos ternos de reis e do bumba-meu-boi; no obelisco a placa de concreto, coberta com a bandeira brasileira. Na esquina, na parede da casa de Laerte Curte Couro, de propriedade de Perpétua, placa de metal igualmente coberta. Pena a Lira Dois de Julho ter-se dissolvido haver cerca de trinta anos, com a morte do obstinado Maestro Jocafi que a dirigiu e regeu durante mais de meio século. Ascânio sonha com a reorganização da Lira cuja fama repercutira em todo o sertão da Bahia e de Sergipe. Difícil é encontrar quem empunhe a batuta, no município não há quem possa fazê-lo.

Madrinha da inauguração, cercada pela família e pelos amigos mais próximos, majestosa e sorridente, verdadeira rainha ou melhor, plagiando o vate Barbosinha, Madona transportada da Renascença para os oiteiros do Agreste, dona Antonieta Esteves Cantarelli, pelo braço do coronel Artur de Tapitanga, seguida por Ascânio Trindade, Modesto Pires, dona Aída, a filha Marta e o genro, engenheiro da Petrobrás, avança em direcção ao singelo monumento.

Silêncio e atenção, pescoços esticados. Dona Antonieta estende a mão, puxa a fita verde e amarela descerrando a placa de concreto onde se lê a data festiva e o nome do benemérito coronel Artur de Figueiredo, prefeito em exercício.

Cerimónia simples, saudada por palmas, emocionante, no entanto, pois Perpétua saca do negro lenço do bolso da saia negra e enxuga uma lágrima – lágrima negra, de luto, segundo sussurra ao ouvido de dona Carmosina o irreverente Aminthas, em dia de humor igualmente negro.

Os meninos do Grupo Escolar atacam o hino. Vivas ao coronel que acena com a mão, agradecendo. Todo satisfeito, de braço com a Tieta: a cabrita montês virou cabra de qualidade, úberes fartos e expostos. Ah!, seus tempos!

Zé Esteves, no cúmulo da satisfação com a proximidade da mudança para a nova residência, suspende o bordão e a voz:

- E viva minha filha, a senhora dona Antonieta Esteves Cantarelli!

Entusiasmo geral, nova lágrima de Perpétua, Elisa aberta em sorriso de vedeta, desperdiçando beleza, Leonora a mais animada, comandando as palmas. Por que não dão vivas a Ascânio Trindade?

Aplausos para dona Aída: a ela coube descobrir a placa na parede da esquina com o nome do logradouro reformado: praça Modesto Pires (cidadão eminente).

Viva Modesto Pires! – grita Laerte Curte Couro, da porta da casa, ao lado da mulher e dos filhos, puxando o saco do patrão.

Dona Preciosa e dona Auta Rosa, directora e secretária do Grupo Escolar, tentam conter a indisciplinada e incompleta turma, recrutada à força. Devido às férias fora difícil reunir mesmo aquele grupo de alunos, mais difícil ainda mantê-los em ordem. Vamos, o hino, seus rebeldes! A professora Auta Rosa, loura, nervosa e bonita, conta com admiradores fanáticos entre os discípulos. Dona Preciosa impõe-se a muque, a berruga no nariz, a voz de cabo de esquadra:

- Um, dois, três, agora!

terça-feira, maio 12, 2009

O que é aquilo? What is that? legendado

VÍDEO
JOGADA ESPECTACULAR DE BASKETBOL

video

CANÇÕES DE QUE SEMPRE NOS LEMBRAREMOS
CARMELO PAGANO - L'AMORE SE NE VA


JIMMY FONTANA - IL MONDO


CANÇÕES BRASILEIRAS


JORGE BEN JOR - CHOVE CHUVA



BAÚ DAS RECORDAÇÕES


PAUL ANKA - PUPPY LOVE (1957)




Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 130





Colaboração, toda a que se fizer necessário. Silêncio, mais difícil. O povo da terra é perguntador, o que não sabe inventa. Se Ascânio nada disser sobre a entrevista, o fuxico vai crescer, será pior. Não pode fazer referência a um projecto de turismo? As cogitações são nesse sentido; ele próprio, Ascânio, assim imaginara.

A ideia pareceu extremamente divertida ao Magnífico Doutor, não conteve o riso. Os olhos postos nas pacatas ruas de Agreste, através das janelas do primeiro andar da prefeitura, concordou, jovial:

- Turismo… Boa bola. Bem acahado, Senhor Prefeito. C’est drôle.

Ascânio não perguntou o motivo do riso, do ar Zombeteiro do ilustre visitante, do mote em francês. Ajudou-o a enrolar plantas e projectos, a colocá-los num tubo longo, de metal, a reunir papéis, a fechar a elegante pasta negra, de executivo. Na porta de saída, Doutor Mirko Stefano confiou pasta e tubo ao peso pesado postado de sentinela; notava-se-lhe o volume do revólver no cinto. Um segundo campeão, de idêntico peso, medida e carantonha, chegou correndo do bar, onde degostava uma bramota em companhia de chofer, o paletó aberto, a arma exposta.

O doutor viera desta vez acompanhado apenas de chofer e do par de alagoanos. Para desolação de Osnar e Fidélio, presentes ao desembarque, nem uma só marciana ou garota de Ipanema descera da Rural, apenas o Grande Chefe Espacial, o motorista e os dois pistoleiros. Não deixara de ser, no entretanto, matéria para assombro e comentário pois há anos não se via em exibição nas ruas de Agreste outras armas além de facões dos roceiros na feira de sábado, e das maldições e pragas do profeta Possidônio, sendo os primeiros simples instrumentos de trabalho e servindo as últimas apenas contra os demónios e a impiedade.

Além de armados, de pouca conversa. O que veio a desalterar-se no bar não despregou os olhos da prefeitura onde deixara o colega. Osnar não se atrevera a pedir notícias de Bety, Bebé para os íntimos. Reagiu, indignado, à sugestão de Fidélio, gozador:

. Por que você não bate um papo com ele? Conte a história da polaca, conquiste-lhe as graças, descubra o que veio fazer. Mostre que é o ta.

- Vá à merda.

A mal-encarada dupla embarcou na Rural, no banco traseiro, guardando os documentos. O Magnífico Doutor apertou a mão de Ascânio, abriu-se num sorriso de velho amigo:

- Até breve, caro prefeito. Mera Cristas! Aliás, se me permite mandarei uns brindes para o Natal das crianças pobres.

Partiu a Rural, o pequeno grupo de basbaques ainda demorou-se a olhar para Ascânio, ele também ali parado meditando em tudo o que lhe fora dito e a Agreste prometido. Brindes de Natal para as crianças pobres, um festivo começo, Osnar se aproximou:

- Então, Capitão, a que veio o astronauta?

Avesso a embustes, considerado por todos um cidadão íntegro, de rígidos princípios, Ascânio viu-se de repente obrigado a mentir, a abandonar sua maneira de ser. Seja tudo pelo bem de Agreste! Embaraçado e sem jeito, respondeu:

- Que pode ser, senão turismo? – Adianta detalhe que não lhe parece matéria secreta: - Está interessado em comprar terras em Mangue Seco. O coqueiral…

- Terras do coqueiral? Puta merda, Capitão Ascânio. Vai dar uma confusão dos diabos. Até hoje não se tirou a limpo quem são os donos…

Atrapalhado, Ascânio avista Leonora na porta da casa de Perpétua, os olhos na prefeitura. Ficara de ir buscá-la, a ela e a Tieta, para o banho na Bacia de Catarina, está na hora. Despede-se às pressas.

Osnar estranha as maneiras do secretário da prefeitura: Ascânio está escondendo leite. Empresa de turismo, muito dinheiro, novidades às pencas. E se esses caras comprarem o coqueiral e a praia de Mangue Seco? Se fundarem um clube exclusivo, reservado para os sócios? Não, não podem fazê-lo, é impossível, as praias são propriedade do povo, inalienáveis, não é? Talvez comprem terrenos, construam hotéis, lojas, armazéns modernos… Que sabe, Bebè virá passar uns tempos no coqueiral para estudar na prática o interesse turístico das dunas e dirigir a publicidade: aproveitem a nossa oferta e venham praticar o coito carnal nas alvas areias de Mangue Seco, pagando depois em módicas prestações mensais. Mesmo não sendo polaca, Bety
parece-lhe capaz de audazes cometimentos.

segunda-feira, maio 11, 2009

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AVENTURAS DA 3ª IDADE



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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS



JOE DASSIN - QUE SONT DEVENUES MES AMOURS


VAIA CON DIOS - WATS A WOMAN (COM TRADUÇÂO)


CANÇÕES BRASILEIRAS


ROBERTO CARLOS - CAFÉ DA MANHÃ (1978)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


FRANKIE LAINE - I BELIEVE (1953)



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 129







Preso aos lábios do doutor Stefano, Ascânio enxergou Agreste reerguido da decadência, colocado na vanguarda dos municípios do interior baiano. No céu a visão da fumaça das chaminés, pagando com juros o atraso devido à ausência da fumaça do trem de ferro, trazia ao mesmo tempo a riqueza para Agreste e um laivo de soberba a instalar-se no coração de Ascânio: à frente do progresso, a comandá-lo, o jovem prefeito, incansável batalhador.

Ao final da conversa com o enviado da directoria Provisória, quando, em nome da Prefeitura, autorizou a sociedade a examinar as possibilidades de estabelecer sua indústria em terras do município, Ascânio sentiu reviver aquela antiga ambição de estudante de Direito, do noivo de Astrud, planos de triunfo. Interesse pessoal somando-se a elevado sentimento cívico. Pessoal, não mesquinho ou desonesto.

Vislumbrou a possibilidade de construir, à base do novo progresso de Agreste, carreira de administrador e político, a levá-lo e a elevá-lo até Leonora. Carreira vitoriosa, dando-lhe as credenciais exigidas a quem deseje candidatar-se a marido de herdeira paulista, grã-fina e milionária.

Até então julgara-a inatingível, vivendo no pavor do anúncio da data de partida, do fim do acanhado idílio de silêncios e expectativas, de meias palavras e gestos imprecisos. Agora, tinha um horizonte, campo de luta, já não se sentia mísero funcionário de um burgo nas vascas da agonia pois, como afirmara poeticamente o Magnífico Doutor, raiava sobre Agreste a aurora de grandes eventos, a manhã do progresso.

Pena não poder contar o milagre a Leonora, nem a ela nem a pessoa alguma. O Doutor Mirko Stefano exigira a máxima descrição, segredo absoluto até nova ordem. Somente após a conclusão dos estudos preliminares, apenas iniciados, poderia a empresa dar publicidade à notícia auspiciosa. Uma palavra dias antes do momento exacto pode botar tudo a perder.

Se bem, à primeira vista, a região de Sant’Ana do Agreste, nas proximidades de Mangue Seco, parecesse o local ideal para a instalação das fábricas, os relatórios conclusivos dependiam ainda de um levantamento completo de possibilidades e vantagens, de análises diversas, indo da profundidade do mar na barra do rio Real ao apoio da Administração. Novos técnicos desembarcariam logo após o Natal. Para o complicado trabalho que iriam realizar o doutor Stefano solicitou reserva e boa vontade ao Senhor Prefeito, além da necessária autorização. Eram propriedade da Prefeitura as terras à margem do rio? A quem pertenciam? A discrição impunha-se inclusive para evitar uma alta exagerada nos preços dos terrenos, tornando anti económica a utilização da área. Por ora silêncio, depois os foguetes.

domingo, maio 10, 2009

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A BICICLETA, DE TANTO TREINO , JÁ CONHECIA O CAMINHO...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS
SPEEDY GONZALEZ - PAT BOONE ( TRIBUTO )


J'ESPÈRE - MARC LAVOINE/QUYNH ANH


CANÇÕES BRASILEIROS


CAMINHEMOS - NELSON GONÇALVES (1947)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


EDITH PIAF - PADAM, PADAM (1957)




Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 127








DE COMO, PREMIDO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS, O IMPOLUTO ASCÂNIO TRIDADE, APÓS SECRETA ENTREVISTA COM O MAGNÍFICO DOUTOR INICIA A PRÁTICA DA MENTIRA E, NA AURORA DOS NOVOS TEMPOS, ENTREGA-SE À SOBERBA, INCORRENDO DE UMA SÓ VEZ, EM DOIS PECADOS CAPITAIS



Ao término da conferência com o doutor Mirko Stefano, Ascânio Trindade sente-se outro homem. Uma hora de conversa bastara ao carismático relações-públicas para conquistar a confiança e a admiração do probo funcionário municipal. Probo e sonhador. O Magnífico exibira plantas e desenhos devidos a competentes e engenhosos arquitectos, engenheiros e urbanistas; citara números e fórmulas esotéricas; empregara termos mágicos: organograma, Know-how, insumos, mercado de trabalho, marketing, status – a prefeitura de Sant’Ana do Agreste terá status de município industrial. Ascânio deslumbrou-se.

Na porta do velho sobradão colonial, sede da municipalidade, despedindo o visitante, Ascânio Trindade assume nova condição, a de empresário. O termo é falso, correcto será dizer-se estadista. Administrador de comuna destinada a glorioso futuro de riqueza e progresso – futuro ou presente? Por ora apenas secretário da prefeitura com plenos poderes. Em breve, prefeito: os plenos poderes confirmados pelo voto do povo, unânime, segundo tudo indica.

Em determinado ponto da conversa pareceu-lhe perceber, nas discretas e sibilinas palavras do enviado da Directoria, insinuação suspeita, referência a pagamento de serviços prestados. Não entenderá bem mas, por via das dúvidas, foi logo esclarecendo que seu apoio ao grandioso projecto se devia exclusivamente aos superiores interesses do município e da pátria. Verdade cristalina: nenhum baixo sentimento, nenhuma pretensão pouco louvável na sua maneira de agir. Apenas o amor à terra natal, a seu desenvolvimento, fizera-o vibrar de entusiasmo durante a exposição do doutor Mirko Stefano, técnico, poliglota e convincente. Valia a pena ouvi-lo.

Conhecedor da natureza humana, hábil negociador, o Magnífico recuou. Sabia recuar, há tempo e ocasião para cada coisa. Por favor, caro Senhor Presidente, please, não me entenda mal. Referia-se a formas de pagamento da empresa ao município, directas e indirectas, considerando serviços remuneráveis a colaboração da prefeitura ao sucesso do projecto, ao conceder a necessária autorização para que num dos seus distritos, o de Mangue Seco, se instalasse o complexo industrial, duas grandes fábricas interligadas.

Além dos benefícios directos, arrecadação de consideráveis impostos, crescimento da renda bruta per capita, empregos para naturais do lugar, a empresa tomaria a seu cargo providenciar melhoramentos necessários e urgentes: asfaltamento da estrada, por exemplo. A empresa pressionará o Governo do Estado, o Ministério competente, se necessário, não falta prestígio aos Directores, digo-lhe em confiança, Senhor Prefeito. Construção de hotel, estabelecimento de linha de ônibus, serviço de lanchas no rio. Sem falar na área de Mangue Seco, onde se ergueriam as fábricas dando nascimento à moderna cidade operária, dezenas de residências destinadas aos trabalhadores, técnicos e funcionários. Para todo esse mundo de progresso a empresa concorrerá, graciosamente. Antes de visar lucros, os dignos Directores desejam contribuir para a construção
de um Brasil poderoso, à altura da sua gloriosa missão no mundo. E viva!

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