sábado, julho 30, 2011

VÍDEO


Jean Gabin, ouçam-no... mesmo que seja outra vez. Um apelo à humildade perante a vida e ao amor que fica como o mais importante de todo o resto.


video

MENINA DO MATO - RUY MAURITY/JOSÉ JORGE


Foi música da tele-novela "O Casarão", uma das que eu ainda vi. É de fins de 1976 mas não tenho ideia de quando passou entre nós. Eram ainda uma relativa novidade que cativavam pela qualidade dos actores de então (Paulo Gracindo, Mário Lago, Sónia Braga, Aracy ...), das histórias, com grandes autores (o nosso Jorge Amado, Lauro César Muniz,...), pelas canções (Fascinação, Nuvem Passageira, Só Louco...) e pelo trabalho de realização numa excelente combinação de planos. Esta forma de contar histórias ganhou público, mercado, como se diz agora e os brasileiros foram os mestres. Depois, a quantidade foi dando cabo da qualidade e hoje, confesso, não tenho paciência...Encharcaram certos canais de televisão, seguem-se umas às outras, tornaram-se vício, alienação... Esta "Menina do Mato" é uma delícia...



TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA






Episódio Nº 166




Sempre tão reservado de referência à família, de súbito Emiliano se abrira num relato de mágoas, desgostos a granel, falta de compreensão e carinho, espantosa solidão de lar sem afecto – a voz ferida, triste, colérica. Não possuía, em verdade outra família que não Tereza, única alegria de quem finalmente se confessava velho e cansado, sem contudo imaginar-se às portas da morte. Se o soubesse teria antecipado a conversa e as providências anunciadas. Nunca Tereza pedira ou reclamara fosse o que fosse, bastando-lhe a presença e a ternura do doutor.

Ai, Emiliano, como viver sem mais aguardar a tua chegada sempre imprevisível, sem correr para a porta do jardim ao reconhecer teu passo de senhor, ao ouvir a tua voz de dono, sem me acolher no remanso do teu peito e receber teu beijo, sentindo nos lábios a cócega do bigode e a ponta cálida da língua? Como viver sem ti, Emiliano? Não me importam a pobreza, a miséria, o trabalho duro, o prostíbulo outra vez, a vida errante, só me importa a tua ausência, não mais ouvir tua fala, teu riso largo rolando nas salas, no jardim, em nosso quarto, não sentir o contacto das tuas mãos leves e pesadas, lentas e rápidas, agora frias mãos de morto, nem o calor do teu beijo, a certeza da tua confiança, o privilégio de tua convivência. A outra será viúva, eu estou viúva e órfã.

Só hoje soube ter sido amor à primeira vista o que senti por ti; me dei conta de repente. Ao ver chegar na roça do capitão, todo vestido de prata, o falado doutor Emiliano Guedes, da Usina Cajazeiras, reparei num homem e o achei bonito, nunca havia reparado antes. Agora só me resta recordar. Mais nada, Emiliano.

Cavalgando negra montaria, arreios de prata luzindo ao sol, altas botas e o dom de mando, assim o viu Tereza aproximar-se da casa da roça e, embora simples menina, ignorante, escravizada, constatou a distância a separá-lo de todos os demais.

Na sala lhe serviu café passado na hora e o doutor Emiliano Guedes, de pé, o rebenque na mão, cofiou o bigode ao enxergá-la e a mediu de cima a baixo. Junto a ele o terrível capitão não era ninguém, um servo às ordens, um bajulador. Ao sentir o peso dos olhos do usineiro acendeu-se em Tereza uma faísca e o doutor a pressentiu. Indo com a trouxa de roupa para o ribeirão, ainda o avistou galopando na estrada, sol e prata, e na altaneira visão Tereza lavou os olhos da mesquinhez em torno.

Tempos depois, ao conhecer Dan, por ele se apaixonando feito louca, de cabeça virada pelo estudante bonito e sedutor, recordara a figura do usineiro, comparando os dois sem se dar conta.

Tudo aquilo acontecera num tempo desolado e quando o capitão surgiu no quarto inesperadamente, empunhando os chifres e a taca, o doutor Emiliano Guedes andava em turismo pela Europa com a família e só ao regressar à Bahia, meses depois, teve conhecimento dos sucessos de Cajazeiras do Norte. Uma parenta, Beatriz, o procurara logo após o desembarque, desesperada: você é o chefe de família, primo. Fêmea insaciável com quem dormira nos idos de Março, antes dela casar-se com a besta do Eustáquio, estava em pânico, a pedir intervenção e auxílio.

- Daniel se meteu numa trapalhada horrível, primo! Se meteu, não; foi envolvido, primo Emiliano, vítima de rameira das piores, uma serpente. (clik na imagem e aumente)

HISTÓRIAS



DE HODJA


Enquanto dava um passeio pelo cemitério, Hodja tropeça e cai num buraco. Permanece aí uns minutos e pensa. “Eu pergunto-me se aquilo que dizem é verdade: virão os anjos para me interrogar?”

Ao longe, ouve o som distante de sinos, a respiração de animais de carga e gritos. Tudo misturado, esta cacofonia aproximava-se. Hodja sente medo e diz para si mesmo: “eu acho que vim na hora errada. Isto parece o Dia do Juízo Final. Creio que o melhor é sair deste buraco e dar uma olhadela…”

Salta rapidamente do buraco no instante em que as mulas que carregavam louça estavam só a alguns passos de distância se assustam, começam aos coices e a correr. A carga que ia nos seus dorsos cai e as louças e vidros partem-se ao cair no chão.

Os proprietários das mulas dirigem-se a Hodja e pedem explicações sobre o que ele acaba de fazer.

“Eu sou do outro mundo” responde Hodja, e “vim aqui para dar uma olhadela neste mundo”.

Os proprietários dão-lhe uma surra e deixam-no no chão muito ferido. Em seguida, recuperam as mulas, carregam as mercadorias que não se tinham partido e continuam a sua jornada.

Quando Hodja consegue voltar a casa, com a cabeça partida, os olhos, os pés e as mãos feridos, a esposa perguntou-lhe:

- “O que é que aconteceu? O que te fizeram?

- “Eu vim” disse Hodja, “doutro mundo para este mundo”

- “Diz-me”, pergunta a esposa novamente: “Como são as coisas no outro mundo?”

- “Muito boas”, responde Hodja, “desde que ao chegares a este mundo não assustes as mulas que carregam a loiça”.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS À


6ª ENTREVISTA SOB O TEMA:
“ANJOS, REIS E ESTRELAS” (3)


Um Esforço Estéril

Houve sempre autores que tentaram demonstrar histórica, científica e racionalmente os eventos narrados na Bíblia. Para comprovar, por exemplo, que realmente se viu uma estrela especial em Belém quando Jesus nasceu, referem uma conjunção de planetas que ocorreram naqueles anos e que teria produzido a impressão de uma nova estrela brilhando no céu.

A Bíblia contém dados históricos, mas também está cheia de literatura: o mito, metáfora, contos épicos, verdadeiras e falsas, lendas, tradições orais ao longo do tempo, epigramas, fantasias colectivas, poesia… Na tentativa de provar cientificamente a literatura bíblica perde a ciência e perde a Bíblia.

Um dos autores mais recentes e populares em apoio destas causas perdidas foi o historiador alemão Werner Keller de origem judaica, que se tornou famoso nos anos 80 com seu livro "A Bíblia tinha razão".

sexta-feira, julho 29, 2011

FLOR DO TEMPO - PAULO DE CARVALHO

Festival da RTP de 1971. Em homenagem ao autor da música, José Calvário, já falecido. Paulo de Carvalho, felizmente, continua entre nós com a sua bela voz.


A Diferença Em Tratar Por Tu Ou Por Você...


O Director Geral de um Banco, estava preocupado com um jovem e brilhante director, que depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então o Director Geral do Banco chamou um detective e disse-lhe: - Siga o Dr. Mendes durante uma semana, durante a hora do almoço.
O detective, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.


Responde o Director Geral:

- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.

O detective pergunta-lhe:
- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?
- Sim, claro, respondeu o Director surpreendido!

- Então vou repetir : o Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

A lingua portuguesa é mesmo fascinante! Não é... ???

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA





Episódio Nº 165



Tereza mandara Nina buscar um copo com água; ao trazê-lo, a criada os encontrou aos beijos e agrados, a cabeça do doutor no colo da rapariga. Raquítica criatura apareceu depois para recolher a carga de aipim, a pedir desculpas pelo atrevido, sempre a lhe dar desgostos; dessa vez tomara lição e tanto.

Porque fica Tereza ali parada, não vem rezar pela alma do falecido? Homem direito e bom sem dúvida, mas emborcado em pecado mortal, em cima da amásia, sendo casado e pai de filhos, avô de netos. Para salvar-lhe a alma só com muita oração, muita missa, muita promessa, muito acto de contrição e caridade e quem mais deve pedir a Deus por ele senão a herege?

Rezar e arrepender-se da vida errada em companhia do marido de outra, na imoralidade a exigir a exigir o impossível das gastas forças do velho. Cabe-lhe a culpa da congestão, a ela e a mais ninguém.

Velho gaiteiro, buscando passar por competente, mostrar-se à altura da situação, de mulher na casa dos vinte, arretada, incontentável, carente de macho forte e jovem, de mais de um até.

Porque a viciosa não arranjara xodó entre os rapazes da cidade, economizando assim as forças do burro velho? Tão viciosa a ponto de manter-se honesta, guardando intactas para o coroca a ânsia, a precisão, a labareda a consumi-la. Na exigência e no pecado da carne, o pior de todos os pecados como é demais sabido, a sirigaita matara o ricaço, quem sabe na pressa de receber a bolada.

Porque não se põe de joelhos para rezar pela alma do pecador? Ele não só precisa como bem merece, terços, rosários e ladainhas, missas cantadas.

Nina costuma prestar ouvido às conversas, enquanto varre a casa, arruma aqui e ali, atende e serve. Ainda no começo da noite, ao chegar ao jardim com a bandeja de café ouvira referência a testamento na conversa do doutor com a emborca. Porque a ímpia não se lastima, não cobre a cabeça com cinzas, não irrompe em gritos e soluços, não aparenta sequer? Fica ali, parada, muda, distante. Devia ao menos dar uma satisfação ao mundo enquanto espera o testamento e a partilha para gozar a vida, em Aracaju ou na Bahia, desperdiçando a massa do velho broco com rapaz moderno, capaz de aguentar o baque da insaciável. Bolada de respeito certamente, dinheiro roubado pela indigna aos filhos e à legítima esposa, a quem de direito cabe toda a herança. Rica e livre, a sabidória, um pecado a mais e dos maiores.

Espertalhona, sem moral, sem coração, depois de tê-lo sugado e esvaído até à morte, nem para agradecer as larguezas, os desperdícios do defunto milionário, mão aberta, louco por ela, nem para agradecer o testamento reza uma ave-maria, derrama uma lágrima – nos olhos secos uma luz estranha, lá no fundo, carvão ardente. Nina renega o velho e a maldita, na contrição da reza.

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Tendo ido Nina arrumar-se e ferver água, Tereza, sozinha no quarto, à espera do médico senta-se na beira da cama e tomando a mão de Emiliano, lhe diz, em voz de terno acento, tudo quanto não soubera dizer no começo da noite.

No jardim, sob a copa das árvores, ao luar, na rede a balouçar-se de leve, conversaram os dois, para Tereza conversa inesperada e surpreendente, para o doutor a derradeira
. (clikc na imagem e aumente)

HISTÓRIAS



DE HODJA


As pessoas muitas vezes perguntavam a Hodja em que dia do mês de jejum estavam. Para contabilizar o passar dos dias, Hodja colocava uma pedra numa panela todos os dias. Quando alguém perguntava, Hodja contava as pedras e respondia que dia era.

Um dia, um brincalhão colocou muitas pedras dentro da panela quando Hodja estava distraído.

No dia seguinte alguém pergunta ao Hodja: “Que dia é hoje?”

Hodja vai para casa contar as pedras que estão na panela e o que é que encontra? 150 pedras. Hodja murmura para si mesmo: “O nosso mês de jejum nunca foi tão longo, acho melhor reduzir o número e assim, responde ao homem: “Hoje é o dia 45º do mês”.

O homem fica perplexo: “Hodja, como é possível o mês ter 45 dias?”

“Boas notícias, porque eu ainda reduzi o número. Pelas pedras que contei, seria 150º dia do mês”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS À


6ª ENTREVISTA COM JESUS SOB O TEMA:



“ANJOS, REIS E ESTRELAS” (2)



Uma Ideia de Francisco de Assis

Em Dezembro, em todos os países cristãos, colocam-se "berços" ou "presépios" nas casas, igrejas, escritórios, edifícios públicos, com figuras que representam Maria, José e Jesus, pastores, os reis e anjos. Nunca falta a estrela.

É uma tradição muito antiga, inventada por São Francisco de Assis no século XIII, na cidade italiana de Greccio. Francisco construíra na floresta uma pequena casa de palha para onde levou uma mula e um boi, entre ao quais pôs uma imagem de Jesus. À meia-noite de 24 de Dezembro convidou os frades franciscanos e os camponeses vizinhos que vieram com tochas e cantando. Celebraram lá a missa e assim começou a bela tradição dos presépios e da missa do Galo.

quinta-feira, julho 28, 2011

VÍDEO


Telemóveis modernos confrontados com a tecnologia antiga...

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Madre Teresa de Calcutá chega ao Céu.
- Tendes fome? - Pergunta Deus.
Madre Teresa acena afirmativamente com a cabeça.
Deus prepara para cada um uma sanduiche de atum de conserva em pão de centeio.
Entretanto, a virtuosa mulher olha lá para baixo e vê os glutões no Inferno a devorarem bifes, lagostas, amêijoas, doces e vinho.
No dia seguinte, Deus convida-a para outra refeição. Uma vez mais, o pão de centeio seco com atum da lata....
Uma vez mais, ela vê os do Inferno a regalarem-se com uma verdadeira orgia gastronómica...
No dia a seguir, ao ser aberta a terceira lata de atum, Madre Teresa pergunta humildemente:
- Senhor, estou grata por me encontrar aqui Convosco como recompensa pela vida casta, regrada e devotada que levei.
Mas não compreendo: só comemos pão com atum, enquanto do outro lado comem como reis...
- Ó Teresinha, sejamos realistas - diz Deus com um suspiro - achas que vale a pena cozinhar só para duas pessoas?

BETH CARVALHO - AS ROSAS NÂO FALAM

Letra e música maravilhosas e a interpretação de Beth Carvalho dispensa comentários... um êxito de 1976.


TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 164


Saem correndo, Lula rua afora. Nina casa adentro, seminua nos trapos de dormir, a benzer-se. No quarto, toca e examina os lençóis marcados de sémen e de morte, põe a mão sobre a boca a suster uma exclamação – ai, o velho morreu se esporrando, trepado nela, na condenada!

Tereza retorna em passo lento, ainda sem o completo domínio das pernas e das emoções. Ainda não se detém a pensar nas consequências do acontecimento.

De joelhos, aos pés da cama, Nina puxa uma oração e por baixo espia a face de pedra da patroa – patroa lá dele, sou empregada do doutor. Porque a renegada não cai, ela também, de joelhos a rezar, a pedir perdão a Deus e ao falecido? Esforça-se Nina em busca de lágrimas; aquela morte em condições tão singular não constitui surpresa. Nina dissera e repetira a Lula e à lavadeira: um dia ele emborca na cama, em riba dela, afrontado.

Nos últimos tempos, o doutor não levava mais de dez dias sem aparecer em Estância, e quando, por força dos afazeres, se atrasava, ali permanecia tempo dobrado, a semana inteira – noite e dia na barra da saia de Tereza, a lhe mamar os peitos, a gozar com a perdida. Velho maluco, sem medir as forças, a desperdiça-las com mulher jovem e fogosa, sem enxergar outra em sua frente, tantas se ofereceram a começar por Nina, e ele embruxado pela fingida, sem consideração à idade avançada nem às famílias gradas, pois, não satisfeito de receber em casa da amásia visitas do prefeito, do delegado, do Senhor Juiz e até do padre Vinícius, saía com ela de braço dado pela rua, iam fretar-se na ponte sobre o rio Piauí ou banhar-se juntos na Cachoeira do Ouro, no Piauitinga, a desavergonhada de maiô mostrando o corpo, ele praticamente nu, apenas os bagos cobertos por minúscula sunga, indecências da estranja a corromper os bons costumes de Estância.

Assim nu, o velho ainda parecia rijo, bonitão, ainda homem de boa serventia; na idade, contudo, mais de quarenta anos o separavam de Tereza. Tinha de dar naquilo, Deus é bom mas é sobretudo justo e ninguém adivinha a hora do castigo.

Velho fogueteiro. Por mais forte e sadio parecesse, ia cumprir os sessenta e cinco. Nina o ouvira dizer na ante véspera ao doutor Amarílio, ao jantar: sessenta e cinco bem vividos, caro Amarílio, no trabalho e no prazer da vida. De mágoas e desgostos não falara, como se não os tivesse. Homem gasto a bancar de rapaz moderno, a fingir de garanhão – era na cama, era no sofá da sala, era na rede, em qualquer lugar e a toda a hora, em incontinente abuso digno de quem possuísse dezoito anos e o mais que na velhice falta a qualquer homem, parecendo a ele não faltar, pecador empedernido.

Nas noites de lua, a lua de Estância enlouquecida em ouro e prata, quando Nina e Lula se recolhiam para dormir, os dois viciados, o caduco e a sem vergonha, punham uma esteira sob as árvores, mangueiras centenárias, e ali faziam de um tudo, largando o leito de jacarandá com colchão de barriguda e lençóis de linho fino no quarto voltado para a viração do rio.

Nina abria uma nesga na porta dos aposentos nas aforas da casa e entrevia na luz do luar o embate dos corpos, escutava no silêncio da noite os gemidos, os ais, as palavras esparsas.

Tinha de terminar em congestão cerebral, o doutor era de sangue forte. Calmo, raras vezes se exaltava, mas, quando acontecia contrariar-se ou enraivecer-se, o sangue subia-lhe à cabeça: a cara vermelha, os olhos em fogo, a voz um rugido, capaz de qualquer desatino. Numa única ocasião Nina o vira assim, quando um vendedor de inhame e aipim faltou-lhe com o respeito; segurou o tipo pelo gasnete, esbofeteando-o sem parar. Bastara, porém, um gesto e uma palavra de Tereza para fazê-lo suspender o castigo e recompor-se (clik na imagem e aumente)

HISTÒRIAS



DE HODJA



Uma noite Hodja ouviu uma briga lá fora e ficou curioso. Saltou da cama ignorando as advertências da esposa: - “O que tens tu a ver com isso?”

Envolvido no seu cobertor, sai para a noite fria. Dois homens estão a lutar. Antes que Hodja pudesse dizer “parem de lutar” um dos homens rouba-lhe o cobertor e foge. O ouro desaparece também.

Quando volta para casa a tremer de frio, a esposa pergunta: “por que é eles lutavam?”

“Pelo nosso cobertor”, diz Hodja. “O cobertor desapareceu, a luta acabou”,

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À 6ª ENTREVISTA COM JESUS SOB O TEMA:
“ANJOS, REIS E ESTRELAS” (1)


Um Retábulo Cheio de Símbolos

Tal como no texto da anunciação a Maria, Lucas também incluíu os anjos no relato do nascimento de Jesus. Ele colocou-os felizes no céu cantando e pregando a paz aos homens de boa vontade. O outro evangelista, Mateus, estava interessado em ressaltar que a mensagem de Jesus não era apenas para o povo judeu, mas para todos os povos da terra.

Por isso, no seu relato, fez chegar até Belém, vindos de Leste, uns orientais que eram "magos", fazendo menção que eles tinham outra religião. Para incluir esta metáfora inspirou-se em várias profecias do Antigo Testamento e, para completar o seu bonito retábulo da Natividade, colocou uma estrela premonitória a anunciar a chegada de um grande rei.

Os anjos, os reis magos e a estrela são símbolos, metáforas bonitas para realçar a mensagem central que eles queriam transmitir às primeiras comunidades: Jesus vem para fazer uma tarefa maravilhosa, para transformar a noção limitada havida de Deus até então não só entre o seu povo como em toda a humanidade.

quarta-feira, julho 27, 2011

VÍDEO


Já não acredito mais naquilo que os meus olhos vêem...

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EUROVISÂO 1974 - PAULO CARVALHO - E DEPOIS DO AMOR


Canção que serviu de senha para o início da revolta militar do 25 de Abril de 1974 em Portugal. A letra é de José Nisa e a música de José Calvário (um dos melhores orquestradores portugueses, falecido com 58 anos em 2009). A música foi tocada às 22H55 pelos Emissores Associados de Lisboa como sinal de partida para as tropas dos quartéis. A partir do momento em que se começou a escutar esta bela canção já não haveria retrocesso possível. Para o bem ou para o mal os "dados estavam lançados" e o país iria ganhar uma evolução desconhecida. Hoje... ela faz parte da história mas por ser demasiado linda, a canção e a voz do Paulo de Carvalho, não merece ser ouvida apenas por ocasião de festejos da data.


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 163




Mas naquela noite dos jasmineiros em flor, noite de confidência e intimidade sem limite, na qual o doutor abriu o coração, lavou o peito rompendo a dura crosta de orgulho, quando Tereza foi arrimo para o desamparo, bálsamo para o desencanto, alegria a apagar a tristeza e a solidão, quando a clandestina casa da amásia foi o lar e ela a esposa que lhe faltavam, naquela noite única de paz com a vida, o desvelo envolveu o prazer e o fez extremo.

Durante um tempo vadio trocaram agrados de namoro, brincadeiras de noivos em núpcias, antes de partirem em cavalgada o cavaleiro e a sua montaria, doutor Emiliano Guedes e Tereza Batista. Quando o doutor se alteou para assumi-la, Tereza o enxergou tal como o conhecera na roça do capitão, bem antes de vir com ele viver: montado em árdego ginete, na mão direita o rebenque de prata, a esquerda a afagar o bigode, atravessando-a com olhos de verruma – dá-se conta de tê-lo amado desde então, pois, escrava morta de medo, ousara reparar num homem. Pela primeira vez.

Nua de trapos e lençol mas coberta de beijos, anelante, recebe-o por cima e com os braços e as pernas o prende e tranca contra o ventre; a cavalgada irrompe nos prados infindos do desejo. Incansável galope por montanhas e rios, subindo, descendo, cruzando caminhos, sendas estreitas, vencendo distâncias, crepúsculos e auroras, à sombra e ao sol, ao luar amarelo, no calor e no frio, num beijo de amor eterno, ai, Emiliano, meu amor, juntos atingem na hora exacta o destino do mel. As línguas se enroscam, torna-se mais apertado o abraço quando os corpos se abrem e desfazem em gozo. Ai, Tereza, exclama o amante e tomba morto.

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Ao saltar da cama, Tereza sente apenas o peso da morte sobre o peito e o ventre, o derradeiro estertor do amante, um gemido cavo, de dor ou de prazer? Ai, Tereza, disse ele e ali mesmo morreu, em pleno amor; já o companheiro inerte e ela ainda em júbilo se deleitando na folgança, a desfazer-se em néctar até sentir o peso da morte. Não pôde gritar ou pedir socorro, tomados o peito, a garganta, a boca suja de sangue do outro boca e na devida descrição.

Foram alguns minutos tão-somente durante os quais Tereza Batista se sentiu maldita e louca, tendo a morte por amante, companheira de cama e de deleite. Olhos esbugalhados, muda e perdida, imóvel ante o leito de alvos lençóis lavados em água de alfazema, não enxerga o doutor a quem o coração falhara, gasto das decepções e no orgulho; vê a morte em gozo exposta.

Ela, Tereza, a tivera peito contra peito, com os braços, pernas e coxas a prendera ao ventre, dela penetrada, a dar-se e a recebê-la.

A festa terminou. De súbito foi a morte, tão-somente a morte, instalada na noite, estendida na cama, arrodilhada no ventre e no destino de Tereza Batista.

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À custa de ingente esforço, Tereza enfia um vestido, vai acordar Lula e Nina, o casal de empregados. Deve estar com aspecto de louca, a criada se alarma:

- O que foi siá Tereza?

Lula aparece na porta do quarto, acabando de vestir a camisa, Tereza consegue dizer:

- Vá correndo chamar o doutor Amarílio, diga para vir depressa, doutor Emiliano está passando mal.

Histórias


de Hodja

Um homem analfabeto recebe uma carta e pede ao Hodja para lhe ler. Hodja faz o seu melhor para compreender a carta mas não consegue. A carta, provavelmente foi escrita em árabe ou persa. “Eu não consigo lê-la”, confessa. Peça a outra pessoa para a ler”.

O homem fica zangado: - “É suposto o senhor ser um homem culto, um professor. Devia ter vergonha do turbante que usa”.

Hodja tira o seu turbante, coloca-o sobre a cabeça do homem e diz: “Se achas que o turbante sabe tudo, vê lá se agora és capaz de ler a carta!”.

6ª ENTREVISTA FICCIONADA


COM JESUS SOB O TEMA:



“ANJOS, REIS e ESTRELAS”




RAQUEL - Emissoras Latinas continuam em Belém, cheia de peregrinos e com Jesus Cristo, nosso convidado especial, que voltou à Terra depois de tantos anos e a quem damos novamente as boas vindas.

JESUS – Obrigado, Rachel. Shalom, paz para ti!

RAQUEL – E diga-nos, Jesus Cristo, teve tempo para conhecer um pouco da cidade, conversar com alguns vizinhos?

JESUS - Sim, claro. Fiz amizade com uma família que vive lá, perto do mercado… contaram-me os seus problemas…

RAQUEL - E eles reconheceram-no?

JESUS - Não. Eu me pareço com qualquer um deles. Assim há mais confiança.

RAQUEL – O senhor nos disse na anterior entrevista que não nasceu aqui em Belém, nem em 25 de Dezembro. É isso mesmo?

JESUS - É isso mesmo. Nasci em Nazaré, como toda a minha família, irmãos e irmãs.

RAQUEL - De seus irmãos conversaremos mais tarde. Agora quero referir-me aos anjos.

JESUS - Anjos?

RAQUEL - Os anjos que cantavam "Glória a Deus nas alturas" aqui em Belém, Nazaré, ou em algum outro lugar no céu ...

JESUS - Esses anjos foram as mãos das parteiras que ajudaram para dar à luz a minha mãe…

RAQUEL – Sim, mas os anjos cantaram ou não cantaram no dia de seu nascimento?

JESUS - O que acontece é que vocês tomam tudo à letra até ao último detalhe. Porque para o meu povo, um anjo… é uma boa notícia, o mensageiro que traz boas notícias.

RAQUEL - Não têm asas ou…?

JESUS -Nem asas nem penas. Como eu disse, os anjos, na realidade, foram as mulheres que ajudaram a minha mãe a dar à luz, as parteiras. Elas deram-lhe a boa notícia de que a criança nasceu saudável.

RAQUEL - E os três Reis Magos? tão pouco…?

JESUS - Que reis?

RAQUEL - Bem, Mateus, outro evangelista, diz que quando o senhor nasceu, vieram para sua cidade natal três Reis Magos seguindo uma estrela…

JESUS - Raquel, Mateus também gostava, tal como Lucas, de ornamentar as coisas. Eu acho que esses Reis Magos ele os tomou emprestados… deixa-me lembrar… do profeta Isaías, sim, do profeta Isaías.

RAQUEL - Como emprestado?

JESUS - Claramente, Mateus deve ter-se lembrado do texto do nosso grande profeta que escreveu sobre uns reis que vinham em camelos com presentes de ouro e incenso… quando eu era menino também me contaram essa história… e eu gostei.

RAQUEL - E não vieram os reis, nem lhe trouxeram nenhum presente?

JESUS - Na Nazaré, onde nasci, nunca vimos a coroa a nenhum rei.

RAQUEL - E a estrela, não diga que um grande cometa não apareceu nesse mesmo ano?

JESUS - Cometa? Se os meus vizinhos tivessem visto um cometa fugiam!... Eles diziam que os cometas traziam má sorte.

RAQUEL - Nossa audiência deve estar surpreendida, Senhor Jesus Cristo… queres tirar-nos a estrela de Belém…

JESUS - Certamente, Mateus, falou dessa estrela para dizer que a luz de Deus brilha sobre todas as pessoas de Oriente a Ocidente e que no reino de Deus ninguém é estrangeiro.

RAQUEL - Então, nada maravilhoso? Nem a estrela, nem anjos, nem os reis? Ao menos será verdade o burro e a vaquinha?

JESUS - A mula e a vaca!... Agora já nos estamos aproximando da terra, do campo, onde nasci… Queres que te conte como a minha mãe, Maria, deu à luz a Maria, tal como davam à luz as camponesas do meu tempo?

RAQUEL - Sim, claro. Estou muito interessada. E vocês, ouvintes das Emissoras Latinas, amigos e amigas? Onde deu Maria à luz, numa manjedoura? Quem estava ao lado dela no momento decisivo? Agora, isso vai ser-nos contado pelo próprio Jesus Cristo. Não perca a nossa próxima Entrevista. música.

De Belém de Judá, Raquel Perez

terça-feira, julho 26, 2011

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Loura arruivada massaja negro...



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HUMANOS - MUDAR DE VIDA

Parece que sim, vamos mesmo ser obrigados a mudar de vida. É perigoso viver a crédito, especialmente para além de determinados limites. Esqueceram-se os velhos conselhos do antigamente: "se tens gastas, se não tens não gastas"... tão simples como isto. Mas os governos, na ânsia de "fazerem obra" e muitas pessoas incapazes de resistirem à volúpia do consumo, endividaram-se como se o mundo fosse acabar amanhã sendo certo que os credores são sempre os últimos a morrer...



FINALMENTE FOI QUEBRADO O MITO DA LOIRA
ESTÚPIDA!!!

Um colega de trabalho fala para sua colega loira:
- Conheço uma maneira de conseguir uns dias de folga.
- E como é que vai fazer isso? - Diz a loira.
- Vou demonstrar, diz o empregado.
Então, ele sobe pela viga e pendurou-se de cabeça para baixo no tecto.
Nesse momento o chefe entrou, viu o empregado pendurado no tecto e perguntou:
- Que diabo está fazendo aí?
- Sou uma lâmpada, respondeu o empregado.
- Hummm... acho que você precisa de uns dias de folga. Vá pra casa.
Ouvindo isto, o homem desceu da viga e dirigiu-se para a porta.
A loira preparou-se imediatamente para sair também.
O chefe puxou-a pelo braço e perguntou-lhe:
- Onde você pensa que vai?
- Eu vou pra casa! Não consigo trabalhar no escuro...

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA




Episódio Nº 162



Depois, levantou-se, alta estatura de árvore: árvore frondosa de acolhedora sombra. No decorrer desses seis anos, os cabelos grisalhos e o basto bigode tornaram-se cor de prata, mas o rosto ainda liso, o nariz adunco, os olhos penetrantes e o corpo rijo não demonstravam os sessenta e quatro anos já cumpridos. Um sorriso encabulado, tão diverso do seu sorriso largo, o doutor Emiliano fita Tereza ao luar, como a pedir-lhe desculpas pelo travo de aspereza, de mágoa e até de cólera a marcar a conversa, no entanto uma conversa de amor, de puro amor.

Ainda deitada na rede, tocada fundo, tão fundo a ponto de sentir os olhos húmidos, o coração repleto de ternura, Tereza deseja lhe dizer tanta coisa, tanto amor lhe expressar, mas apesar do muito que aprendeu na companhia dele nessa meia dúzia de anos, ainda assim não encontra as palavras exactas.

Toma da mão que ele lhe estende, arranca-se da rede para os braços do doutor e novamente lhe entrega os lábios – como lhe dizer marido e amante, pai e amigo, filho, meu filho? Deita a cabeça no meu colo e repousa, meu amor. Um monte de sentimentos e emoções, respeito, gratidão, ternura, amor – ai, compaixão, jamais!

Compaixão ele não pede nem aceita, rocha irredutível. Amor, sim, amor e devotamento – como dizer-lhe tanta coisa ao mesmo tempo? Deita a cabeça no meu colo e repousa, meu amor.

Mais além do aroma embriagador dos jasmineiros, Tereza sente no peito do doutor aquele discreto perfume, seca madeira, do qual aprendera a gostar – tudo aprendera com ele. Ao término do beijo apenas diz: Emiliano, meu amor, Emiliano! E para ele foi bastante, sabia o quanto significava, pois ela sempre o tratara de senhor, jamais lhe disse tu ou você e só na hora do gozo, na cama se permitia confessar-lha amor. Transpunham os últimos obstáculos.

- Nunca mais me tratarás de doutor. Seja onde for.

- Nunca mais Emiliano. – Seis anos tinham-se passado desde a noite em que ele a retirara do prostíbulo.

Na força dos sessenta e quatro anos vividos intensamente, Emiliano Guedes, sem aparentar esforço, levanta Tereza nos braços e a conduz ao quarto por entre o luar e a fragrância do jasmim-do-cabo.

Uma vez ela tinha sido carregada, sob a chuva no quintal do capitão, igual a uma noiva em noite de núpcias, mas foram núpcias com a falsidade e a traição. Hoje, porém, quem a conduz é o doutor e essa noite de amor quase nupcial foi precedida de largos anos de terna convivência, leito de delícias, amigação perfeita.

Quem me dera ser solteiro para casar contigo. Não mais amásia, ilícita manceba de casa e mesa posta. Esposa, a verdadeira.

Nesses seis anos não houvera instante na cama com o doutor que não tivesse sido perfeito de prazer, deleite absoluto. Desde a primeira noite, quando Emiliano a fora buscar na pensão de Gabi e, escanchada na garupa do cavalo, a levara campo afora. Refinado mestre, nas mãos dele, sábias e pacientes, Tereza floresceu em mulher incomparável
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HISTÓRIAS


DE HODJA


Um dia alguém pergunta a Hodja se ele tem experiência como médico. Tendo respondido que sim o outro pergunta-lhe o que é que ele sabe – “Sei as respostas:

- Mantém os pés quentes e a cabeça fria;

- Mantém-te ocupado e não te preocupes muito.”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 5ª ENTREVISTA COM JESUS SOB O TEMA:


“25 DE DEZEMBRO” (4)




O Deus Sol


A adoração do sol está presente em quase todas as culturas antigas, pela sua influência óbvia e poderosa em todas as actividades agrícolas. No Egipto, foi central a adoração do Sol e os faraós eram considerados filhos do deus Sol.

Também foi central a adoração do sol no Império Inca. A apoteose desta religião era a Festa do Sol, Inti Raymi ("inti" é "sol" em quéchua), que ainda hoje é realizada na cidade de Cusco a 24 de Junho, no dia do solstício de verão.


O Poder do Sol


Hoje, com a crise energética causada pelo uso irracional e acelerado de combustíveis fósseis (petróleo), acumulado pela natureza durante milhões de anos e desperdiçado ao longo dos últimos 200 anos, nós olhamos para o sol como a fonte inesgotável de energia e vida para a Humanidade, com a certeza de que a energia solar poderia ajudar a evitar uma catástrofe resultante da combinação de superpopulação e consumo de energias não renováveis.

segunda-feira, julho 25, 2011

AMÁLIA RODRIGUES - POVO QUE LAVAS NO RIO


Se fosse viva teria feito no passado sábado 91 anos de idade. Que a sua voz nunca se apague, que nunca deixe de ser ouvida. A sua voz é nosso património, nosso legado e as suas canções monumentos que o povo conhece, entende e lhe enchem a alma. Pedro Homem de Melo foi o autor deste poema que tem a força e a poesia que só a Amália poderia valorizar ainda mais. A canção é de 1961.


Um médico, depois de ver a história clínica do paciente, pergunta:
- Fuma?
- Pouco.
- Faz bem. Quanto menos melhor.
- Bebe?
- Pouco.
- Ainda bem.
- Pratica desporto?
- Não posso. Tenho lesões antigas.
- Pois, é pena.
- E sexo, pratica com frequência?
- Muito pouco.
- Isso é que não pode ser. Se não pratica desporto, deve compensar fazendo muito sexo. Vá para casa e pense bem nisso...
- Ele foi para casa, contou à mulher o que o médico lhe tinha dito e, de seguida foi tomar um banho. A mulher, esperançosa, enfeita-se, perfuma-se, põe o seu melhor baby-doll e fica à espera dele, numa pose toda provocante.
Ele sai do chuveiro, perfuma-se cuidadosamente, começa a vestir-se, e a mulher, surpreendida, pergunta:
- Aonde é que vais?
- Não ouviste o que o médico me disse?
- Sim, por isso mesmo estou aqui, já prontinha para... tu sabes!
Então ele responde:
- Ah, Francisca, Francisca, lá estás tu outra vez com a mania dos remédios caseiros..

TEREZA


BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio nº 161





Tão cansada e farta de viver, resolveu parar de vez, aceitou a proposta e ordenou a festa. Essa história do casamento de Tereza Batista eu posso lhe contar, meu jovem, coube-me o rol de padrinho, conheço toda a trama – e, sendo amigo da outra parte, dou razão à moça, veja bem.

Desanimada andou, entregue à sorte, sem esperança tão sem ânimo: basta lhe dizer que ouviu dichote de moleque em língua de sotaque e nem ligou, nem saiu atrás do covardão – tão cansada de tudo até de pelejar. Mas se aconteceu sentir-se assim, foi coisa transitória – bastou soprar a brisa do Recôncavo e novamente foi Tereza inteira, a sorrir e a velejar.

Do casamento posso lhe falar, seu moço; da greve do balaio fechado e da passeata das senhoras meretrizes reunidas na frente da igreja, da carga da polícia e do resto – de tudo isso lhe dou conta e, sendo pobre mas tendo sido rico lhe ofereço de comer, moqueca de primeira, no restaurante da finada Maria de São Pedro, nos altos do Mercado.

Só não posso lhe contar como me pede e quer saber, da vida de Tereza em amigação e morte com o doutor. Dessa história não dou notícia, dela só sei de ouvir dizer. Se o jovem deseja realmente saber como se deu, vá a Estância onde tudo se passou. A viagem é um passeio, a gente é boa e o lugar lindo, lá se reúnem os rios Piauí e Piauitinga para formar o rio Real e dividir Sergipe da Bahia.

3

Encerrando a longa e imprevista conversa daquela noite de Domingo, o doutor Emiliano Guedes sussurrou:

- Quem me dera ser solteiro para casar contigo. Não que isso modificasse em nada o que és para mim. As palavras eram acalanto, música em surdina, a voz familiar inesperadamente envolta em timidez, parecendo ainda mais tímida ao ouvido de Tereza: - Minha mulher…

Repentina timidez de adolescente, de aflito postulante, desprotegida criatura, em absoluta contradição com a personalidade forte do doutor, acostumado ao mando, seguro de si, directo e firme, insolente e arrogante quando necessário, se bem o mais das vezes cordial e gentil, uma dama no trato fino – senhor feudal de terras, canaviais e usina de açúcar, mas também capitalista citadino, banqueiro, presidente de conselhos de administração de empresas, bacharel em Direito.

Não era a timidez atributo de carácter do doutor Emiliano Guedes, o mais velho dos Guedes da Usina Cajazeiras, do Banco Interestadual de Bahia e Sergipe, da Eximportex S.A., de tudo isso o verdadeiro dono – empreendedor, ousado imperativo, generoso. Tanto quanto as palavras, o tom de voz enterneceu Tereza.

Ali, no jardim de pitangueiras, a lua desmedida de Estância escorrendo ouro sobre mangas, abacates e cajus, o aroma do jasmim-do-cabo evolando-se na brisa do rio Piauitinga, após ter-lhe dito, com amargor, ira e paixão o que jamais pensara confiar a parente, sócio ou amigo, o que jamais Tereza imaginara ouvir (se bem muita coisa houvesse adivinhado pouco a pouco no correr do tempo) o doutor a envolveu nos braços e, beijando-lhe os lábios, concluiu, a voz comovida e embargada: Tereza, minha vida, meu amor, só tenho a ti no mundo… (clik na imagem e aumente)

HISTÓRIAS



DE HODJA

Um vizinho bate à porta de Hodja e pergunta-lhe se ele lhe pode emprestar a corda de estender a roupa. Hodja entra em casa e volta minutos depois. “Desculpe, não podemos emprestar”, diz ele. “Temos a farinha estendida nela”.

“Por favor, Hodja”, diz o vizinho. “Desde quando é que a farinha se estende na corda?”

Responde Hodja: “Desde quando é que alguém pede emprestada a corda de estender roupa?”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À 5ª ENTREVISTA COM JESUS

SOB O TEMA: “25 DE DEZEMBRO?”(3)




Do Sábado ao Domingo, da Páscoa ao Natal.



Três séculos depois de Jesus, o Imperador Constantino, que visava a unidade política religiosa e territorial do Império, procurou harmonizar o culto de Mitra, o Sol Invicti (Invencível) com o cristianismo.


Constantino, então já "convertido" ao cristianismo, ordenou que "o dia do Sol" (domingo), Domingo, fosse o dia semanal de descanso.

Até então, os cristãos, influenciados por sua origem judaica, descansavam ao sábado. Também, até essa altura, o que os cristãos celebravam anualmente era a Ressurreição de Jesus, na festa lunar da Páscoa.


O nascimento de Jesus somente se celebrava em alguns lugares a 6 de Janeiro, data do calendário Juliano que coincide com o solstício de Inverno.

Foi a partir do século III que começou a celebrar-se o dia que era o principal do ano para o culto solar, 25 de Dezembro, o dia de Natalis Invictus. Nesse dia festejava-se o nascimento ou melhor, o renascimento do sol, porque a partir desse dia frio de Inverno, solstício de Inverno, os dias voltavam a ter mais horas de luz.


Finalmente, a meio do século IV, o Papa Libério (352-366), instituiu a data de 25 de Dezembro como dia de celebração do nascimento de Jesus, o dia da Natividade.

domingo, julho 24, 2011

HOJE É



DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)


Talvez em tempo de férias devesse estar na praia nesta manhã de Domingo de fins do mês de Julho. No entanto, cá estou sentado à mesa do meu Café, como é habitual, na minha cidade de Santarém.

Há duas semanas atrás deixei-vos aqui uma história de um jovem, vítima inocente da sua paixão. Foi uma história inventada, tal como eram inventadas as histórias que a minha avó me contava quando eu era criança. De resto, devo dizer-vos que não faço grande diferença entre histórias inventadas e verdadeiras. A grande diferença entre umas e outras é a forma como as contamos: umas bem e outras assim-assim.

Para além desta diferença qualquer outra é irrelevante, não conta, não interessa, bem vistas as coisas nem tão pouco existem. A imaginação limita-se a recriar a realidade, nada verdadeiramente é inventado, tudo aconteceu ou podia ter acontecido. Como é que uma só pessoa, neste caso quem conta a história, podia abarcar as vidas de todas as pessoas no mundo?

Um amigo meu perguntou-me quem era aquele rapaz vítima da sua paixão cuja história aqui deixei faz hoje quinze dias...

A Tereza Batista, o Jorge Amado a conheceu, como já tinha conhecido a Tieta. Ambas vieram da realidade da vida que se vivia naquela época para os lados da cidade da Bahia daquele imenso Brasil. Não tenho nenhuma dúvida que existiram e por isso, nós, os leitores da história, nos apaixonámos por elas.

Nos filmes e no teatro, os actores transformam-se nos personagens, na leitura é a imaginação do leitor que lhes traça o rosto e a figura sob a superior orientação do escritor mas tudo é real, tudo é verdadeiro.

A história que vou começar a contar hoje também é verdadeira, tem cunho pessoal, passou-se comigo em África, Angola, em Novembro do Ano de 1963.

Estávamos em guerra por decisão de Salazar em resposta às atrocidades cometidas às ordens de Holden Roberto, líder político da UPA (União dos Povos de Angola). Muitas dezenas de pessoas, brancos e negros, mulheres e crianças foram mortos à catanada, selvaticamente, em 15 de Março de 1961, no norte de Angola, com o objectivo de criar um clima de terror que fizesse os portugueses fugir de Angola com medo.

Os portugueses não fugiram, mandaram embora as mulheres e as crianças que tinham sobrevivido ao massacre, puseram uma arma ao ombro e responderam à violência com violência, a mesma violência. Foram treze anos de guerra…

Eu cheguei no princípio do mês de Dezembro de 1962, era um jovenzinho como todos os outros mas como tinha estudos, o que nessa época era raro, fui como oficial miliciano.

Em Novembro do ano seguinte fui fazer a minha última operação de guerra no norte de Angola antes de seguir para outro local do território que sempre estivera em paz.

Era assim, a primeira parte da comissão na guerra, a segunda, com as tropas já desfalcadas pelas baixas e psicologicamente muito afectadas, era na paz, em zonas onde não havia conflitos. O seu lugar na zona da guerra era preenchido por outras tropas, “fresquinhas” e inexperientes - os "maçaricos", pele branquinha, maná para os mosquitos que os esperavam ávidos de sangue - desembarcadas no cais de Luanda vindas de Portugal.

Novembro de 1963. Eu ia fazer a minha última operação, depois regressaria a Luanda e então seguiria para outro destino aguardando que chegasse ao fim a minha comissão para ser devolvido ao meu país, à minha família, aos meus amigos… à minha terra.

Mas naquele mês de Novembro iria acontecer a “minha grande operação” a última, numa região onde nunca estivera, com outras tropas que não conhecia, organizada no papel e comandada das avionetas pelos oficiais do Quartel-General em Luanda.

Era uma oportunidade para as chefias militares sedeadas no ar condicionado de fazerem a sua própria guerra, concebendo e realizando Operações que eram desencadeadas em locais escolhidos por serem considerados importantes do ponto de vista estratégico e envolviam grande número de efectivos.

Nessas Operações, oficiais superiores, Majores ou Tenente-Coronéis, dentro de pequenas avionetas, ao lado dos pilotos, sobrevoavam a zona onde as tropas operavam tentando fazer o acompanhamento que não era fácil porque cá em baixo era um ininterrupto tapete verde.

Para terem uma ideia da movimentação dos grupos de combate no terreno e da sua localização, davam ordens pela rádio para que fossem lançadas granadas de fumo, bem do desagrado das tropas que operavam no terreno porque tinham de interromper a marcha e correrem o risco de que esses sinais fossem também notados pelos guerrilheiros.

Percebíamos, no entanto, que essa era a maneira desses senhores oficiais participarem mais directamente na guerra sem o esforço e risco inerentes e ao mesmo tempo poderem enriquecer o seu currículo militar…

Continuarei de hoje a uma semana para não vos maçar mais por agora… até lá um Bom Domingo a todos.



(Na imagem o edifício da Câmara Municipal de Santarém)

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