sábado, novembro 26, 2011

FREDDIE MERCURY- I WANT TO BREAK FREE

Na verdade, quem faz estas músicas e canta desta maneira não devia morrer (e quantos mais...) . Continuar a ouvi-los é a única coisa que podemos fazer... com o benefício da qualidade desta maravilhosa audição.


MONSARAZ

O castelo de Monsaraz, uma das mais antigas vilas de Portugal situada numa região habitada desde os tempos pré-históricos rodeada de monumentos megalíticos. É um castro primitivo que depois foi romanizado. Por lá passaram visigodos, árabes e judeus. Não pude deixar de a visitar há anos e a sensação que se tem é a de um mergulho no passado para além da vista extraordinária sobre a planície alentejana. Não a conhecer é um "crime".


Uma rua de Monsaraz


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VÍDEO


Este touro tem o nome de Passarito e, na verdade... lá voar voou mas, sem asas e com 500 Kg não podia ir longe. ( Ele só queria era sair dali mas por azar foi cair no meio do pessoal...)

video



A família estava à mesa a almoçar e os garotos resolveram gozar com o avô e meteram-lhe um viagra no café.
Passados uns minutos, o avô levanta-se e anuncia que precisa de ir ao WC.
Quando regressa passados uns minutos, tem as calças ensopadas...
-Que é que aconteceu, avô?
-Sinceramente não faço ideia... Precisei de fazer xixi, tirei a pila para fora, vi que não era a minha e voltei a pô-la para dentro...

Uma Lacuna Muito Necessária ?

(continuação)




Mas melhor ainda, os amigos – e os deuses imaginários - têm tempo e paciência para dedicar toda a atenção a quem sofre. E são muito mais baratos do que os psiquiatras ou os conselheiros profissionais.

Terão os deuses, nesse seu papel de consoladores e conselheiros evoluído a partir de Binkers por meio de uma espécie de “pedomorfose” psicológica.

A “pedomorfose” é a manutenção na idade adulta, de características da infância.

Terão as religiões, originariamente evoluído, ao longo de gerações, através de um adiamento gradual do momento da vida em que as crianças põem de parte os “Binkers” – do mesmo modo que fomos abrandando, ao longo da evolução, o achatamento da testa e a protrusão (projecção para a frente) dos maxilares?

Para completar o quadro, consideremos a possibilidade inversa. Em vez de serem os deuses a evoluir a partir de Brinkers ancestrais, será possível os Brinkers terem evoluído de deuses antigos?

Esta ideia parece menos provável.

O psicólogo norte-americano Julien Jaynes observou que muitas pessoas têm a percepção que os seus próprios processos de pensamento são como uma espécie de diálogo entre o “eu” e outro protagonista interno, situado dentro da cabeça.

Hoje em dia compreendemos que ambas as vozes são nossas e senão o compreendermos somos tratados como doentes mentais.

Foi o que aconteceu, durante um breve período, com Evelyn Waugh, escritor inglês de personalidade difícil.

Sem papas na língua, como era seu timbre, comentou com um amigo: «Não te vejo há muito tempo, mas também tenho visto tão pouca gente porque – não sei se sabias – enlouqueci.»

Depois de recuperar, Evelyn escreveu um romance, “As Desventuras do Senhor Pinfold”, em que descreve o seu período alucinatório e as vozes que então ouvia.

O que Jaynes sugere é que antes do ano 1.000 A.C. a generalidade das pessoas desconhecia que a segunda voz – a que o Sr. Pinfold ouvia – vinha de dentro de si.

Julgavam-na a voz de um deus.

Jaynes vai mesmo ao ponto de localizar a “voz dos deuses no hemisfério do cérebro oposto ao que controla a linguagem.

Terá sido o momento em que as pessoas se deram conta de que as vozes exteriores que lhes parecia ouvir vinham, efectivamente, de dentro de si mesmas.

Jaynes considera esta transição histórica como o alvor da consciência humana.

Os deuses seriam, então, vozes alucinadas que falavam dentro das cabeças das pessoas.

Assim, e numa espécie de inversão da hipótese da pedomorfose, os deuses alucinados começaram, primeiro, por desaparecer das mentes adultas e foram, depois, puxados para trás, para fases cada vez mais recuadas da infância, até às suas actuais sobrevivências sob a forma de fenómenos como o Binker ou o “homenzinho púrpura”. O problema desta versão é que não explica a persistência dos deuses, hoje, na idade adulta.

Talvez seja melhor não tratar os deuses como antepassados dos Brinkers ou vice-versa,
mas antes encarar ambos como sub-produtos da mesma predisposição psicológica que têm em comum o poder de confortar.

Richard Dawkins
( Prémio Nobel em 1973 pelos seus estudos em Etologia)


Nota – Michael Shermer, psicólogo americano que há vários anos se dedica a uma cruzada em defesa do pensamento científico contra as superstições, diz o seguinte:

-
“Haverá alguma coisa que nos toque mais a alma do que espreitar uma galáxia distante por um telescópio de 100 polegadas, segurar na mão um fóssil com 100 milhões de anos ou um utensílio de pedra com 500.000 anos, contemplar de pé o imenso abismo de espaço e tempo que é o grande Canyon, ou escutar um cientista que olhou cara a cara a criação do universo e não pestanejou? É isso a profunda e sagrada ciência.”

TEREZA


BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio nº 267




Não houve tempo. Alguém subira as escadas a correr e da porta anunciava sem tomar fôlego:

- Na Barroquinha o pau está comendo!

Solta-se Tereza dos braços de Almério, atira-se escada abaixo, sai em disparada pela rua. O comerciante precipita-se também, não está entendendo nada, mas não quer deixar a moça sozinha.

Na Ajuda começaram a encontrar populares, alguns exaltados a discutir. O número aumenta na Praça Castro Alves.

Da Barroquinha chega o uivo das sirenes dos carros de polícia. Tereza arranca os sapatos para correr mais depressa, sem sequer notar Almério a lhe seguir o rastro.

25

Um carro lotado de presos passa ao lado de Tereza Batista, outro o segue, dois ainda permanecem na Barroquinha completando a carga.

A resistência terminou, o conflito foi breve e violento. Das viaturas desembarcaram tiras e guardas em quantidade, fecharam a rua, invadiram as casas e baixaram a porrada. Os cassetetes trabalharam com vontade no lombo das revoltosas. Onde se viu fazer pouco das ordens da polícia? Quebrem essas burras no pau, ordenara o Delegado hélio Cotias, o gentleman da segurança pública, heróico. Uns poucos homens, clientes quase todos em plena função, tentaram impedir a violência, apanharam eles também e foram presos.

Muitas mulheres reagiram. Maria Petisco mordeu e arranhou o detective Dalmo Coca e a negra Domingas, forte como um touro, se bateu até cair rendida

Arrastadas pelos tiras, iam sendo jogadas nos carros celulares. Colheita farta, há muito tempo não eram encanadas tantas meretrizes numa só batida. A noite no xadrez vai ser de grande animação.

Ao chegar no começo da rua, Tereza avista Acácia, levada por dois secretas. Boca de praga e insultos, a velha se debate. Tereza atira-se para o grupo, Tereza Boa de Briga. De revólver em punho Peixe Cação, um dos comandantes das tropas invasoras, divisa a bailarina do Flor de Lótus, ah! Chegou a esperada hora da vingança, a cadela vai pagar caro a soberba.

Bem perto de Tereza, um guarda manda o povo dispersar, Peixe Cação aos gritos aponta-lhe a rapariga:

- Essa aí! Segura ela, não deixe escapar. Essa mesmo!
Tereza roda os sapatos, atinge com os saltos as têmporas do guarda, passa adiante, quer chegar até Acácia antes que a embarquem. Peixe Cação avança, Tereza vê-se encurralada entre ele e o policial de rosto ferido a rugir, espumando de raiva: tu me paga, puta miserável! Parte, porém, um carro de presos entre ela e o guarda. De onde surge o velho a escondê-la dos olhos de Peixe Cação? Um velho imponente, terno de linho branco, chapéu Chile e bengala de castão de ouro.

- Sai da frente, puto escroto! – berra Peixe Cação, apontando-lhe o revólver.

O ancião não faz caso, continua a fechar-lhe a passagem. O tira o empurra, não consegue movê-lo. O tempo de Almério entrar num táxi, alcançar Tereza e arrastá-la para dentro. Ela protesta:

- Estão levando Acácia.

Já levaram. Quer ir também? Está maluca?

O chofer comenta:

- Nunca vi tanta pancada. Dar em mulher, uma covardia.

Peixe Cação e o guarda buscam em vão, onde sumiu a desgraçada? Sumiu também o velho sem deixar rastro. Que velho? Um filho da puta bloqueando o caminho. Ninguém viu velho nenhum, nem antes, nem agora, nem depois.

O último carro de presos deixa a Barroquinha, a sirene abrindo alas entre curiosos na praça Castro Alves.


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 27 SOBRE O TEMA:


“MALDITOS OS RICOS” (2)



Santiago também os Amaldiçoou



Santiago, irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém após a morte de Jesus, seguindo a tradição de seu irmão, também falou duramente contra os ricos. Na sua carta, a "maldição", que lança contra eles começa assim: Vocês, os ricos, choram e gemem pelas desgraças que estão por vir. Porque suas riquezas se perderam e as vossas vestes estão roídas pelas traças ... (Tiago 5,1-6).

Os Padres da Igreja e os Ricos


O pensamento "social" dos primeiros Padres da Igreja continua a tradição dos profetas de Israel e de Jesus, e pode ser resumido na frase: aqueles que têm riquezas são apenas administradores dessa riqueza que deve ser distribuída pelos pobres para que o deixam de o ser .

Há muitos textos. Diz São Basílio: "Aquele que despoja um homem das suas vestes é um ladrão. Aquele que não veste o nu quando pode fazê-lo terá outro nome? O pão que guardas pertence ao faminto. Ao desnudo as vestes que escondes em teus cofres. Ao descalço os sapatos que apodrecem em tua casa. Ao miserável, a prata que escondes. ("Homilia contra a riqueza.")

Santo Ambrósio acredita que quando os ricos dão aos pobres, tudo o que faz é restituir: "Não és tu que distribuis aos pobres, apenas lhe devolves a parte que lhes pertence porque usurpas só para ti aquilo que é de todos e para uso de todos. A terra pertence a todos, não apenas aos ricos ("Homilia Nabote os pobres").


Santo Agostinho diz claramente que "o que é dado aos pobres é uma dívida que se paga em nome da justiça. A intenção original de Deus foi destinar tudo a todos.

E São João Crisóstomo diz: "Deus nunca fez alguns ricos e outros pobres. Deu a mesma terra para todos. Toda a terra é do Senhor e os frutos da terra devem ser partilhados por todos.

sexta-feira, novembro 25, 2011


FREDDIE MERCURY - THE GREAT PRETENDER (legendado)


FREDDIE MERCURY - NOTÌCIA DA SUA MORTE

Vinte anos sem a magia de Freddie Mercury. Para os seus fãs ele não morreu, deixou de fazer música. Nasceu em 1946 no então Zamzibar, colónia britãnica, hoje Tanzânia. Faleceu há vinte anos, em 24 de Novembro de 1991.


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Fim de Tarde no Estuário do Tejo


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NO LARGO DE CAMÕES EM LISBOA



CONSOANTE O ESPECTÁCULO ASSIM A REACÇÃO DOS ESPECTADORES. ORA VEJAM:





O Conde chega, enfim, à sua mansão. O mordomo atento abre-lhe a porta, baixa a cabeça, saúda-o, reverencialmente:
- Entra, filho de uma grande puta. De onde vem o senhor Conde com essa cara de paneleiro de merda?
Ao que o Conde, sorridente, lhe responde:
- De comprar um aparelho auditivo.



A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.


Mia Couto

Uma Lacuna Muito Necessária?

A propósito da história do Urso de Peluche chamado Brinker...

Será que a religião preenche uma lacuna muito necessária?

Diz-se frequentemente existir no cérebro uma lacuna que tem a forma de Deus e que é preciso preencher: temos uma necessidade psicológica de Deus – amigo imaginário, pai, big brother, confessor, confidente – e a necessidade tem de ser satisfeita quer Deus exista de facto, quer não.

Mas não será que Deus vem atravancar um espaço que melhor seria que preenchêssemos com outra coisa? Talvez a ciência? A arte? A amizade humana? O humanismo? O amor por esta vida, vivida no mundo concreto, sem dar crédito a eventuais vidas para além da morte? Um amor pela natureza – aquilo a que o grande entomólogo E.O. Wilson chamou Biofilia?

Já se apontaram à religião quatro grandes funções na vida humana: explicação, exortação, consolo e inspiração.

Historicamente, a religião aspirou a explicar a nossa existência e a natureza do universo em que nos inserimos. Nesta função ela foi, entretanto, completamente ultrapassada pela ciência.

Por exortação pretendo dizer a orientação moral sobre o modo como nos devemos comportar.

Quanto ao consolo e inspiração abordaremos de seguida mas, à laia de preâmbulo, começaremos com o fenómeno do «amigo imaginário» da nossa infância que julgo ter semelhanças com a crença religiosa.

Será o fenómeno do amigo imaginário uma ilusão de tipo superior, numa categoria diferente do comum faz-de-conta da infância?

Suspeito que o fenómeno do Binker da infância pode ser um bom modelo para compreender a crença teísta dos adultos. Não sei se os psicólogos já estudaram a questão deste ponto de vista mas seria digna de investigação.

Companheiro e confidente, um Binker para a vida: esse é, seguramente, um papel que Deus desempenha – uma lacuna que perduraria se Deus desaparecesse.

Outra criança, uma menina, tinha um “homenzinho púrpura” que lhe parecia uma presença real e visível e que se materializava no ar com uma cintilação e um suave tinido.

Visitava-a com regularidade, especialmente quando se sentia sozinha, mas com menor frequência à medida que ela foi crescendo.

Um certo dia, mesmo antes de ir para a escola, o “homenzinho púrpura” apareceu-lhe, anunciado pelo habitual tinir das campainhas, para lhe dizer que não voltaria a visitá-la.

Isto entristeceu a menina, mas o homenzinho púrpura disse-lhe que ela estava a crescer e que no futuro não iria precisar mais dele. Agora tinha de deixá-la para poder ir cuidar de outras crianças. Prometeu-lhe, no entanto, que voltaria se ela precisasse dele a sério.

Voltou, de facto, muitos anos mais tarde, num sonho, numa altura em que ela estava a atravessar uma crise pessoal e a tentar decidir o que fazer à vida.

A porta do quarto abriu-se e apareceu uma carrada de livros, empurrada, quarto dentro… pelo “homenzinho de púrpura”.

Ela interpretou isto como sendo um conselho no sentido de ir para a universidade – conselho que ela seguiu e mais tarde considerou bom.

É uma história enternecedora que consegue, melhor do que qualquer outro exemplo, acercar-nos da compreensão do papel consolador e aconselhador que os deuses imaginários têm na vida das pessoas.

Um ser pode existir apenas na imaginação e, ainda assim, parecer completamente real à criança, dando-lhe verdadeiro consolo e bons conselhos.
(continua)

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio nº 266

O retraimento é atributo de Ogum Peixe Marinho. Mesmo no terreiro só desce a dançar com o povo uma vez por ano, no mês de Outubro, no mais do tempo vive enrustido nas profundezas do mar. Pois, vejam só: considerou tão importante a consulta da filha em aflição que, abandonando os hábitos estritos, em lugar de responder nos búzios, veio em pessoa reluzindo escamas e corais.

Um pé-de-vento sacode mãe Mariazinha, fazendo-a estremecer. Ogum Peixe Marinho monta seu cavalo. Com amizade abraça a filha Paulina: generosa, ela concorre para manter o brilho do terreiro e é das primeiras a chegar para as festas de Outubro. Passa-lhe a mão de cima a baixo, da cabeça aos pés livrando-a do mau-olhado e das contrariedades. Em seguida, voz de marulho, classifica o assunto de enrolado, com alguns nós pelas costas e muita confusão, mas, se bem conduzido, apresenta resultado favorável. Quem não arrisca não petisca. Para ser mais claro ainda, acrescenta: quem quer vai, quem não quer manda portador, perde tempo e dinheiro.

E a moça Tereza merece confiança? Foi categórico: absoluta. Guerreira, filha de Iansã, por detrás dela Ogum Peixe Marinho avista um velho de bordão e barbas brancas, o próprio Lemba di Lê, dito Oxalá pelos nagôs.

Num golpe de vento o encantado vai de volta, mãe Mariazinha estremece e abre os olhos. Paulina beija-lhe a mão. Ao longe, para os lados da Ribeira, roncam atabaques.

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Na noite seguinte, no Flor de Lótus, Almério das Neves dança com Tereza e a sente preocupada. Passara quatro dias sem a procurar, preso ao leito por uma gripe forte, apenas se levantou veio ao cabaré, Tereza o recebeu e saudou com amizade:

- Sumiu de minhas vistas, está-se vendendo caro.

Sob a brincadeira afectuosa, o desassossego. Na pista, castigando uma rumba, ele lhe pergunta se teve alguma notícia de Gereba. Não, nada de novo, infelizmente. Descobrira o escritório da firma que engajara os marujos a pedido do comandante do cargueiro. Prometeram-lhe buscar informações. Se obtivessem em seguida lhe transmitiriam. Deixe o número do telefone, é o melhor. Telefone não tem mas passará de quando em quando para saber. Já lá esteve duas vezes e até agora nada, o Balboa deve estar fazendo outra linha, esses navios panamianos não observam rota regular, vão para onde há carga, são barcos ciganos, esclarecera o espanhol Gonzalo, despachante da firma, pondo-lhe olhos de ostensivo frete. A Tereza só compete esperar com paciência, enquanto isso ir vivendo ao seu deus-dará.

Almério quis saber o que ela fizera durante esses dias. Ah!, tanta coisa, ele não estava a par das novidades, há muito a contar. Tensa, nem a conversa nem a dança a tranquilizam.

- Sabe com quem almocei hoje? Um xinxim de galinha espectacular. Duvido que adivinhe.

- Com quem?

- Com Vavá.

- Vavá do Maciel? Aquilo é um sujeito perigoso. Desde quando se dá com ele?

- Só agora o conheci… Vou lhe explicar…


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 27 SOBRE O TEMA :

“MALDIGO OS RICOS” (1)


Ai de vós, ricos!

Nos tempos de Jesus, os fariseus consideravam "malditos de Deus", “aleijados por Deus” ou “não benditos por “Deus” os pecadores. E consideravam "pecadores" ou "impuros" os doentes, os enfermos, as mulheres, aqueles que cobravam impostos, as prostitutas e os que não cumpriam a Lei e as leis e os rituais que eles propunham como não agradáveis para deus. No entanto, Jesus não seguiu estes critérios religiosos e não amaldiçoou qualquer um deles ou delas. Amaldiçoou os ricos com o seu famoso: Ai de vocês! (Lucas 6,24-26).

Camelos e Agulhas


O jovem rico do relato do Evangelho (Lucas 18,18-25) não recebeu de Jesus um conselho como às vezes é dado a entender. Recebeu uma proposta radical: a única maneira de entrar no reino de Deus é compartilhar a riqueza e adoptar a perspectiva dos pobres. Naquela ocasião, Jesus completou a sua proposta com um grande exagero: é mais fácil fazer passar o animal maior que ele conhecia, o camelo, pelo buraco de uma agulha do que um homem rico entrar no reino que ele pregava.

quinta-feira, novembro 24, 2011

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Se esta casa fosse minha... juro que mandava arranjar esta janela!

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LIONEL RICHIE - TRULY

Tal como o Messi, no futebol, o Lionel também veio do outro mundo... para o mundo, este, o dos cantores . Dois "Lioneis" que nasceram para nos encantar...

Um agente da GNR manda parar o carro de uma loura sensacional.

GNR- A senhora vai com pressa???

Loura - Ah, não se pode ir depressa??

GNR - Não. Posso ver a sua carta de condução?

Loura - Que carta??

GNR - Deve estar na sua carteira, explica o polícia.

A loura leva alguns minutos e finalmente encontra-a.

GNR- Os documentos do carro, por favor.

Loura - O carro tem documentos?

GNR - Normalmente estão no porta-luvas

Ela abre o porta-luvas, encontra os documentos e entrega-os ao guarda.

GNR - Eu volto num minuto. O agente afasta-se um pouco, vai até ao carro e liga para a Central.

GNR - `Tou sargento? Uma loura aqui, burra como tudo, estava conduzir a mais de 160 km/h.

Sargento - Uma loura maravilhosa num BMW vermelho??

GNR - Essa mesmo.

Sargento - És um sortudo. Vai até lá, devolve os documentos dela e tira o "coiso" para fora.

GNR - Como??????????

Sargento - Vai por mim, faz o que eu te digo e não te vais arrepender!

O agente volta ao carro da loira, devolve-lhe os documentos, abre a braguilha e tira o "coiso" para fora.

A loura olha e exclama: - Oh não...!! Outro teste do balão...!!!

RIR É O MELHOR REMÉDIO


O Urso de Peluche chamado Binker

“Na vida tenho um segredo que guardo com muito carinho, Binker lhe chamo e com ele nunca me sinto sozinho.

Quando brinco no meu quarto ou me sento no patamar, esteja eu onde estiver, sempre o Binker há-de estar.

O papá é muito esperto, de uma esperteza sem fim,
E a mamã é a melhor mãe do mundo inteiro para mim,
E a ama é a Nana – gosto de chamar-lhe assim –
Mas eles não vêm o Binker.

O Binker está sempre a falar, porque eu ando a ensiná-lo. Põe-se às vezes a guinchar, mas com isso não me ralo. Gosta às vezes de rugir, tão alto que assarapanta e eu tenho de o substituir porque lhe dói a garganta.

O papá é muito esperto, de uma esperteza sem fim,
E a mamã sabe tudo, tudo timtim por tintim.
E a ama é a Nana – gosto de chamar-lhe assim –
Mas eles não sabem do Binker.

Se corremos pelo parque, o Binker é bravo – um leão
E bravo é como o tigre, quando nos cerca a escuridão;
Bravo é como o elefante, pois não chora nunca, não…
Excepto se, ao lavar-se, lhe entra para os olhos o sabão.

O papá é um papá, como são todos, enfim,
E a mamã esforça-se para ser a melhor mãe para mim;
E a ama é a Nana – gosto de chamar-lhe assim…
Mas eles não são como o Binker.

O Binker não é guloso, mas há coisas que adora comer,
Por isso, se me dão doces, eu lá tenho de dizer:
O Binker quer um chocolate. Será que me podem dar dois? E como ele tem dentes fracos eu papo tudo depois.

Gosto muito do papá, mas para brincar não tem tempo, e gosto também da mamã, mas às vezes está ausente,
E fico zangado com a Nana, por me querer bem penteado…

Mas o Binker é sempre o Binker, e está sempre ao meu lado.


(A. A. Milne, escritor inglês)


NOTA - A nossa mente cria necessidades... O Binker será o deus desta criança, sempre ao seu lado e nada nem ninguém é como ele.

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA



Episódio Nº 265



- Todo o mundo, se todo o mundo resolver não se mudar. Já falei com Vavá, penso que ele topa.

- Explique isso direito, menina, troque em miúdos.

Tereza explica mais uma vez. Forçar a mudança de um grupo de pensões é fácil, mas como irá a polícia fazer para transferir a zona inteira? Se ninguém se mudar? O pessoal da Barroquinha já se decidiu. Não se mudam.

- Não obedecem? Ah! A polícia…

Sim, a polícia vai usar da violência, prender, fazer e acontecer. Nem assim as mulheres obedecerão, nenhuma irá para os casarões do Bacalhau. Se não puderem receber homem na Barroquinha, ficam exercendo aqui e acolá, nas casas amigas. As donas das pensões aguentam os prejuízos uns dias até a polícia desistir. Com a mudança o prejuízo seria muito maior.

Isso é verdade.

Então? O pessoal do Maciel também não se muda, Vavá vai responder amanhã, mas Tereza é capaz de apostar que ele topa. Nem as pessoas do Pelourinho, nem as do Taboão, se dona Paulina estiver de acordo. Tudo depende dela.

- Maluquice! O único jeito é pagar, encher os bolsos dos tiras, sempre foi assim. Peixe Cação, aquele miserável, já começou a cobrar.

- E se nem assim adiantar? Mirabel pagou, não adiantou nada.

No meio da conversa apareceu Ariosto Álvaro Lírio, príncipe consorte. Em jovem tivera veleidades sindicais, participara de uma greve na Prefeitura para impedir aprovação de projecto de lei lesivos aos interesses públicos, greve vitoriosa. Dono de palavra fácil, pronunciara discursos na escadaria do Palácio Municipal, fora aplaudido. Guarda do movimento impressão festiva e grata. Aprova a ideia da resistência, capaz de obter resultados positivos. Não esconde o entusiasmo.

Ainda assim, dona Paulina de Sousa, mulher sensata, inimiga de decisões apressadas, não se resolve a emprestar de imediato apoio à proposta.

Tereza espera contendo a ansiedade. Se dona Paulina e Vavá disserem sim e ditarem ordens, ninguém se mudará em toda a zona, as mulheres da Barroquinha terão onde exercer, será geral a desobediência à intimidação da polícia.

- É coisa para o mundo vir abaixo – murmura a caftina.

Dona Paulina de Sousa fizera santo há muitos anos, ainda meninota, antes de ser Paulina Sururu e Rainha do Carnaval baiano, com mãe de Mariazinha de Água dos Meninos, em candomblé Angola onde reina Ogum Peixe Marinho, inkice dotado, seu guia. Volte amanhã, disse a Tereza. E o senhor, seu Ariosto, não se meta em nada disto. Fique de fora para não se prejudicar na Prefeitura.

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Rainha de Angola, poderosa na Terra e nos Céus, nas águas também, mãe Mariazinha acolheu calorosamente a ébômim Paulina de Sousa, feita no primeiro barco posto a navegar no candomblé de Água dos Meninos pela venerável zeladora dos inkíces, naquele então apenas confirmada no manejo da folha da navalha. Noite velha, mas mãe-de-santo não tem horário de comer e de dormir, de descansar, não se pertence. Paulina salvou os santos com as palmas rituais, beijou o chão, recebeu a bênção e abriu o coração. Assunto sério, mãe. A mudança significa a ruína e dói entregar aos tiras as economias amealhadas em suor e sangue.

ENTREVISTA FICCIONADA
COM JESUS Nº 27 SOBRE O TEMA:

"MALDITOS OS RICOS”



RAQUEL – Os nossos microfones continuam aqui, no Monte das Bem-Aventuranças. Diante de nossos olhos, uma vista panorâmica do lago da Galileia. E connosco, Jesus Cristo, numa entrevista exclusiva. O senhor mencionou na entrevista anterior uma segunda parte do seu discurso histórico neste Monte. Porque o senhor fala nessa segunda parte?

JESUS - Bem, em primeiro lugar, eu abençoei os pobres, felicitei-os.

RAQUEL - E depois?

JESUS - Então maldisse os ricos…

RACHEL – O senhor maldisse…?

JESUS - Maldisse os ricos.

RAQUEL - O senhor pode repetir as suas palavras?

JESUS - Eu disse-o então, e digo-o agora: Maldisse os ricos. Ai daqueles que riem e zombam dos pobres, porque muito em breve vão chorar e gritar quando Deus lhes esvaziar os cofres, quando Deus lhes tirar as vestes e os anéis e os deixar sem comida e sem dinheiro para a comprarem tal como eles fizeram aos seus trabalhadores!

RAQUEL - São palavras duras ...

JESUS - Mais duro é o coração de pedra que não quer compartilhar.

RAQUEL - Talvez nos estejam ouvindo pessoas endinheiradas mas de espírito humilde e generoso. O senhor também os mal-diria?

JESUS - Uma vez, um jovem rico de bom coração queria juntar-se a nós. Queria colocar a mão no arado do Reino de Deus.

RAQUEL – E o senhor que disse?

JESUS - Tem que escolher: ou Deus ou ao dinheiro. Se quiser juntar-se a nós, primeiro divide a sua riqueza entre os pobres.

RAQUEL - Se eram essas as condições ... então acho que muitas pessoas ricas não participaram no seu movimento.

JESUS – Alguns sempre compreenderam mas, na verdade é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.

RAQUEL - A sua mensagem não soa politicamente correcta. Não é muito radical?

JESUS - Radical, sim. Nós colocamos o machado na raiz e a raiz estava apodrecida.

RAQUEL - Eu sempre fui ensinada de que o senhor era uma pessoa dócil e de coração humilde… e agora eu acho-o… um pouco… como se diz? ... um pouco intolerante.

JESUS - Deus não tolera a injustiça, Raquel. Na hora do juízo final, Deus não vai perguntar pelos ritos, preces, jejuns ou presença nos templos. Só nos examinará pela justiça e será implacável com os injustos.

RAQUEL – O senhor está muito alterado...

JESUS – Não me pediste que recordasse o que disse nesta montanha?

RAQUEL - No entanto, podemos fechar o nosso programa reafirmando que sua mensagem é uma mensagem de paz?

JESUS - A mensagem de Deus é o fogo sobre a terra e eu quero que arda! Ouve, Raquel, se todas as manhãs, não desejares ardentemente que desapareçam a guerra, violência, mentira, ganância e luxúria pelo poder… nunca entenderás a minha mensagem.

RAQUEL – O senhor deseja acrescentar mais alguma coisa?

JESUS - Olha para o horizonte, Raquel. Neste momento em que te calhou viver, eu vejo sinais no céu anunciando a tempestade. Quem tiver olhos para ver isso e ouvidos para ouvir, que ouça.

RAQUEL - Acompanhando Jesus Cristo na sua segunda vinda ao mundo de hoje, cada vez mais desigual e, portanto, cada vez mais violento.

Do Monte das Bem-aventuranças, Raquel Perez.

quarta-feira, novembro 23, 2011

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Fotografia de família...



VÍDEO


Espectáculo - Nilton


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Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque eu fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não constava. Apareceram o Sultão de Brunéo e também os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro, além de personalidades como a rainha Elizabeth de Inglaterra, Niarkos Stavros, o mexicano Carlos Slim e Emilio Azcarraga, mas eu não fui mencionado na revista.

Ora eu sou um homem rico, imensamente rico. E se não, veja-se:

- Eu tenho vida e a recebi não sei porquê, e tenho saúde sem saber como mantê-la.


Eu tenho uma família, esposa linda que me dá uma vida adorável e os meus filhos são maravilhosos para além da felicidade dos netos com quem pratico o exercício de um pai novo e alegre.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.


Tenho pessoas que sinceramente me amam apesar dos meus defeitos, e honestamente eu as amo apesar dos defeitos deles.

Tenho quatro leitores a cada dia a quem agradeço porque eles lêem o que eu escrevo errado.

Eu tenho uma casa, e muitos livros (minha esposa diria que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim que todos os anos me dá maçãs.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até eu chegar e me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa sobre coisas que ocorreram a outros e que a mim jamais teriam ocorrido.

Sou dono de uma herança comum a todos os homens: alegrias para desfrutar e tristezas pelos irmãos que estão sofrendo.

E eu tenho fé em Deus que tem por mim um amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que as minhas?

Por que, então, não apareci na lista da revista "Fortune" como um dos homens mais ricos do planeta? "


E você, o que acha? - Sou rico ou pobre?


Entretanto, há pessoas pobres, mas tão pobres que a única coisa que têm é ... DINHEIRO.


Armando Fuentes Aguirre (Cato)


Obs. - Este texto, muito bonito, que valoriza não o que se tem mas aquilo que se são os nossoas sentimentos, a parte interior de nós próprios, a vida em si, deve constituir um bálsamo e um motivo de descanso para os "tais", os da Revista Fortune, para quem a felicidade dos pobres, (os que são ricos com as coisas triviais), constitui motivo de descanso e despreocupação porque nada os impede a eles de terem tudo o que tem Fernando Fuentes Aguirre e... mais o DINHEIRO que faz falta a milhões de pessoas neste mundo desiquilibrado.

O SEXO E A IGREJA

(Parte Final)


Desde muito cedo que alguns homens perceberam o poder e a força da necessidade de acreditar e daí à criação, primeiro de simples Crenças e depois das Religiões foi um passo. À necessidade de acreditar chamaram-lhe fé e colocaram-na ao serviço dos seus objectivos: controlar as mentes, dominar os homens, colocá-los na sua esfera de obediência.

O sexo não é bem visto pela Igreja. Ela trata-o mal, tem-lhe aversão, condena-o porque ele é uma fonte de prazer, de todas a mais forte, e pode conduzir o homem à emancipação pela felicidade: “Se eu sou feliz pelo amor com outra pessoa não preciso de mais nada”… e isto não agrada à Igreja.

A Igreja também fala de amor e felicidade porque são aliciantes demasiado sedutores para que não constituam argumentos de atracção mas, no fundo, as Igrejas não estão interessadas na felicidade dos homens, apenas no seu controle e domínio.

Esta maneira de sentir que permite a uma pessoa desfalecer de prazer e felicidade nos braços de outra pessoa amada, levanta invejas à Igreja. Ela também quer as pessoas felizes… mas ajoelhadas, em contemplação, se possível em êxtase, prontas e dóceis aos pés de uma imagem, à mercê dos senhores da Igreja.

Conseguem até, tal a força da necessidade de amar, levar os seus súbitos a paixões de uma vida inteira pela imagem de um homem ou de uma mulher que eles fizeram santos e que por amor se lhes dedicam em recolhimento e clausura.

Mas, para que a confusão seja maior no espírito dos crentes misturam, de forma envergonhada, sexo e doutrina:

- “As núpcias cristãs supõem sempre uma intimidade e uma cumplicidade com Jesus Cristo que só é plena se for do casal” consorciado aos pés do altar, acrescento eu, fazendo-me lembrar a velha estratégia de que: se não podes vencer o inimigo alia-te a ele.

O óptimo, para a Igreja, seria que todos casássemos com Deus. Repare-se, que os três primeiros mandamentos, que não são primeiros por acaso mas porque a doutrina os considera prioritários são:

1º Amar a Deus sobre todas as coisas;

2º Não tomar seu Santo Nome em vão;

3º Guardar Domingos e Festas de guarda;

A tradução desta prioridade é que nós “nascemos para amar e servir Deus” e eu concluo que, na prática, isto significa que as pessoas nascem para servir e obedecer aos homens da Igreja… e isto porque Deus nunca se nos apresentou nem nos disse o que pretendia de nós.

Resta-nos, e não é pouco, as armas da razão, da inteligência, e do bom senso para controlarmos as nossas vidas com as nossas saudáveis emoções. Apesar de tudo, com elas, conseguimos ultrapassar até hoje todos os obstáculos e vicissitudes… como será no futuro?

- Ganharemos nós ou as “Al-Qaedas” de todo o mundo?

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA

Episódio Nº 264




Nascera empelicado e quem nasce empelicado é protegido de Oxalá, Lemba di Lê para os angolas. Apesar disso dona Paulina não perde a esperança e renova ebós infalíveis, um dia a casa cai e ela se verá viúva e noiva.

A outra coisa a desgostá-la era a dinheirama esperdiçada com polícias. Mantendo seu negócio em perfeita ordem, não explorando menores, não traficando em drogas, não permitindo freguês nas pensões, sente-se roubada, vítima da exploração mais injusta e sórdida quando tem de manter a mão nas economias, destinadas a lavrar terras em são Gonçalo dos Campos para engordar tipos como Peixe Cação, por exemplo, um imundo capaz de abusar das próprias filhas.

Ainda naquele dia o perverso ali estivera a lhe tomar dinheiro a pretexto de preparar o ambiente para a chegada dos marinheiros americanos. Não contente, ameaçara deus e o mundo com a transferência da zona. Se Paulina quisesse permanecer no Pelourinho, preparasse a bolsa, pois iria custar caro e, mesmo assim, as garantias seriam precárias. Dessa vez, segundo o secreta interessado em apavorá-la, a ordem vinha directamente do governador: tirem as putas do centro da cidade. Promessa feita pela esposa durante a campanha eleitoral: se o marido fosse eleito, expulsaria as rameiras para os confins de judas. Peixe Cação tripudiava.

- Agora é que eu quero ver santo de candomblé valer vocês. Se alguém quiser que a gente der um jeito, tem de gastar muito dinheiro. Vá-se preparando que é para já.

Dona Paulina de Sousa conhecera Tereza Batista por intermédio de Anália, rapariga muito risonha e quieta, o dia inteiro a cantar modas de Sergipe, nostálgicas modinhas, um passarinho. Por ser ela estanciana a se referir constantemente ao rio Piauitinga, à Cachoeira do Ouro, à velha ponte, Tereza fez-se sua amiga no Flor de Lótus e com ela recordava os sobrados coloniais, o Parque Triste, a Lua desmedida e um tempo morto. O nome do doutor nunca veio à baila, Tereza guardando avaramente para si memórias de alegria e de amor.

Inquilina de uma das pensões da ex-rainha do Carnaval, aquela onde se situavam os aposentos reais, Anália convidara Tereza a almoçar, as visitas se repetiram. Chegada a uma boa prosa, a contar e a ouvir casos, dona Paulina se afeiçoara à moça sertaneja, fina de maneiras, conversa de doutora.

Tereza lhe falava do sertão e de cidades do norte, relatando acontecimentos curiosos, histórias de bichos, gente e assombrações. Com o mesmo apreço citava um senhor distinto, um lorde ou um pé-rapado, sem eira nem beira.

Ao vê-la chegar – vim filar a bóia – dona Paulina se alegrava: tinha diversão para a tarde toda. Amália lhe segredara haver sido Tereza amásia de um ricaço em Sergipe, vivendo no luxo e no bem-bom. Não fosse tola, ligasse para dinheiro, poderia estar hoje independente, tendo arrancado do velho o que quisesse, ele era doido por ela, babadíssimo.

Quando Tereza apareceu em hora inesperada, dona Paulina estava entregue a afazeres relativos ao controle das pensões, nem assim a despediu:

- Fique junto de mim, diga ao que veio. Está precisando de dinheiro?

- Obrigado, não é isso. Amanhã o pessoal da Barroquinha tem de mudar.

- Arbitrariedade, um abuso. Hoje esteve aqui o tal de Peixe Cação, já está querendo dinheiro da gente por conta da mudança.

- Mas o pessoal da Barroquinha não vai se mudar.

Dona Paulina de Sousa arregalou os olhos:

- Vai desobedecer? E quem garante pelas consequências?


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 26 SOBRE O TEMA:

“O REINO DA TERRA” (última parte))

A Teologia da Libertação


Emergente na América Latina nos anos 60 e 70 do século XX, a Teologia da Libertação, encontrou s nas bem-aventuranças um texto-chave para promover e desenvolver uma prática e uma interpretação revolucionária da mensagem de Jesus.

A América Latina sendo a única região no mundo predominantemente cristã e com a maior desigualdade entre ricos e pobres, estava na fila para entrar neste continente onde os olhos dos teólogos e das comunidades, organizações religiosas e até mesmo bispos, resgataram a mensagem original de Jesus a favor dos pobres.

Existem muitas perspectivas a partir das quais parte da Teologia latino-americana da Libertação, se procurava libertar do cativeiro eurocêntrico, o que marcou uma ruptura da hegemonia doutrinal, espiritual e moral da Igreja Católica Romana no continente sul americano.

A Teologia da Libertação entende a Teologia não como um exercício teórico, mas como uma reflexão crítica sobre a vida em concreto na sociedade. Entende-a não como uma declaração ou recitação de verdades, mas como uma atitude perante a vida. Ela coloca o ser humano no centro e vê a realidade humana, especialmente as injustiças entre os seres humanos, não apenas como um objecto de análise, mas por uma razão para o compromisso. Mais ênfase na ortopraxia do que na ortodoxia. Entende a história como um processo contínuo da humanidade para a sua libertação individual e colectiva e pretende viver a história denunciando profeticamente as injustiças e anunciando a caminho da libertação.

Promove uma evangelização consciencializadora que permite transferências de uma consciência mágica e providencial para uma consciência crítica e comprometida com a causa da justiça e da paz.

A Teologia da Libertação resgata o Jesus histórico e leva em profundidade a dimensão política da sua mensagem. Revaloriza os grandes profetas do Antigo Testamento e coloca mais ênfase sobre o pecado estrutural do que nos pecados individuais. Insiste em que a relação com o próximo, especialmente os pobres, é o centro da fé cristã e ensina que a conversão do próximo é o sentido último da espiritualidade.

terça-feira, novembro 22, 2011

IMAGEM

Estas habitações foram feitas no Butão, país entre a China e a Índia, no topo do mundo, bem perto do céu, lá para a cordilheira dos Himalaias. Nele vive um povo que se considera feliz.

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JOANA PESSOA - DÁ-ME OS TEUS OLHOS


A Joana é de uma família ligada às artes, especialmente música e poesia. Esta canção foi seleccionada para uma telenovela. A letra e a voz da Joana conferem-lhe uma beleza e frescura especial. No conjunto com as imagens, fazem-nos regressar à nossa meninice... Linda

CAPACIDADE DE TRBALHO

O Tomé é um vendedor de colchões e roupa interior na Feira do Relógio.

Um dia ele chega a casa e diz à mulher:

- Tens de começar a ir trabalhar, amor. Olha para mim, hoje vendi três colchões e vinte cuecas e ganhei 600 Euros.

Responde ela:

- Olha Tomé... eu, sem sair de casa, só com um colchão e sem cuecas já fiz 800 Eur.

VÍDEO


Não tem mesmo hora...


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TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA

Episódio Nº 263


Antigamente redonda e portentosa mulata, dita Paulina Desordem ou Paulina Sururu, eleita rainha do Carnaval e coroada no Clube Carnavalesco Fantoches da Enterpe, em cujo carro-chefe desfilara coberta de lantejoulas pelas ruas da cidade, a actual e imponente caftina Paulina de Sousa, dona Paulina com o máximo respeito, no passar dos tempos tornara-se gordíssima e ordeira dona de quatro pensões de raparigas, no Pelourinho e no Taboão.

A mais poderosa figura da zona, depois de Vavá influindo sobre vasta e numerosa população. O mulherio a estimava: dona Paulina é rigorosa mas não deixa ninguém na mão, não é como outras que só fazem é sugar o sangue da gente.

Todas a tratavam de dona e as mais moças, vindas do interior, lhe tomavam a bênção; suas quatro casas eram exemplos de boa administração, sossegadas, oferecendo aos fregueses mulheres amáveis e sadias, silêncio e segurança. Nelas não sucediam escândalos, bafafás, roubos, bebedeiras, coisas tão comuns nos bordéis. Não havendo bar aberto em nenhuma delas, não eram vendidas bebidas alcoólicas aos clientes; em compensação, dona Paulina fornecia àqueles curiosos ou necessitados, literatura erótica, barata, porém eficaz, folhetos de cordel com trovas e desenhos de sacanagem e, para os mais abastados, fotos sensacionais. Pequeno adjutório ao comércio propriamente dito.

Dona Paulina de Sousa impunha a lei e a fazia cumprir. Bondosa e solidária não faltava ás mulheres nas necessidades mas não admitia a menor bagunça nos limites das pensões.

Inquilina sua tinha de se comportar, compreendendo estar em local de trabalho destinado a dar renda. Deboche, cachaça, maconha, vícios, porta afora. Quem não estivesse de acordo, arrumasse a trouxa e fosse cantar em outra freguesia.

Do agitado e alegre passado, além de lembranças e casos a relatar, dona Paulina guarda reservas de energia suficientes para cortar as asas a qualquer sirigaita metida a sebo ou de algum freguês novato, sem experiência do regulamento – quem quiser trepar fiado ou de graça vá trepar na puta que o pariu – pretendendo dar o beiço, espetar a despesa, regalar-se sem pagar.

Valia a pena vê-la nessas horas, indignada, movimentando-se rápida apesar do corpanzil, agressiva, uma fúria. Botava para correr até estivador.

Vivendo maritalmente com Ariosto Alvo Lírio, pagador da Prefeitura, pardo, alto e magro, educado e maneiroso, dona Paulina prepara-se para merecida aposentadoria. Em nome de Ariosto, por razões legais, adquirira casa e alguma terra em São Gonçalo dos Campos, de onde era oriunda e onde pretende viver pacificamente o resto da sua vida. Quando, dentro de cinco anos, o funcionário municipal se aposentar, ela passará adiante as prósperas pensões, não faltam candidatos à sucessão, indo cuidar da terra em companhia do amásio, quem sabe já marido.

Duas únicas coisas entristecem e irritam dona Paulina e uma delas é exactamente o facto de ser casada com Telémaco de Sousa, barbeiro de ofício e cachaceiro por vocação. Sujeito renitente, até agora escapou de sucessivos e poderosos trabalhos mandados fazer em sua intenção pela esposa, muito ligada a gente de Ifá, temíveis feiticeiros. O Fígaro já sofreu dois medonhos desastres de automóvel, num morreram três pessoas. No outro duas, sendo ele o único a escapar ileso. Pegou tifo brabo, o médico o desenganou e nem assim morreu, desconsiderando o doutor.

Na maior cachaça, voltando de passeio a Itaparica, caiu no mar e, sem saber nadar, não se afogou o mal agradecido.


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA Nº 26 SOBRE O TEMA:
“ O REINO DA TERRA” (2)


Lázaro e Epulón ( O Opulento)



Uma das parábolas mais famosas de Jesus é a do homem rico, Opulón e Lázaro (Lucas 16:19-31). Há que inscrevê-la nas narrativas de todas as culturas expressando indignação popular com todas as injustiças e o anseio para que Deus faça justiça a favor dos pobres.



Deus em cada Grão

A teóloga feminista coreana Chung Hyun Kung, em seu livro "Luta para ser o Sol Outra Vez" (Orbis Books, 1990), resume as ideias de uma pobre mulher numa área da Índia, atingidas pela fome:
- Sem comida, não há vida. Quando as pessoas que estão morrendo de fome comem, experimentam Deus em cada grão. Apreciam e gostam de Deus em cada grão que mastigam. A comida vivifica. O maior amor de Deus para aqueles que estão morrendo de fome é a comida. Quando o grão da terra sustenta a vida, eles descobrem o significado da frase: "De tal maneira Deus amou o mundo que lhe deu Seu Filho amado." Quando Deus lhes dá comida através de outros seres humanos comprometidos, Deus os entrega a seu Filho amado, Jesus Cristo.

segunda-feira, novembro 21, 2011

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Aldeia dos Arcos, Montalegre, Portugal


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A crise segundo "Einstein"

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Albert Einstein


Voz autorizada, Einstein esteve sempre em crise no seu desafio permanente com a ciência do conhecimento. É verdade que em outros momentos do percurso da humanidade situações graves, quase limites, foram superadas com ganhos para o homem que parece realmente ter essa capacidade de fabricar talento na angústia e superar-se. A estabilidade leva à acomodação e aos vícios e neste momento há, realmente, muita coisa a corrigir. Veremos a que preço…

A IGREJA E A SEXUALIDADE

As paróquias da Baixa e do Chiado, na cidade de Lisboa, recentemente, distribuiram um panfleto de preparação para a confissão cujo título, na capa, é: “Sacramento de penitência e da reconciliação”.

Neste panfleto pode ler-se que um dos pecados graves de que os crentes se devem penitenciar diz respeito à sua vida sexual colocando ao leitor as seguintes questões:

- Guardais castidade?
- Consentis em maus pensamentos?
- Participeis em conversas indecentes?
- Praticais alguma acção grave contra a castidade (masturbação, relações sexuais fora do casamento, leitura, audição ou visionamento de material pornográfico, práticas homossexuais)?

Estas são as primeiras questões que as pessoas devem colocar a si próprias para “obterem a reconciliação com Deus e com a Igreja”.

A seguir vêm outras questões tendo em vista igualmente a tal “reconciliação com Deus e a Igreja” como sendo:

- Praticaste alguma falta contra os direitos sagrados da vida tais como: homicídio, aborto, eutanásia, violência contra os outros, suicídio tentado ou planeado, uso de drogas, abuso de álcool, condução imprudente e sistemática, riscos desnecessários e excessos tomados por aventureirismo ou bravata, ou qualquer acção que represente violação do 5º mandamento da lei de Deus”.

… podiam, mais simplesmente, ter resumido perguntando às pessoas se cumpriram as Leis e Regulamentos incluindo o Código das Estradas.

O destaque que é conferido à sexualidade e às práticas homossexuais colocando-as em paridade com crimes gravíssimos como o homicídio, despertou reacções indignadas quando, a própria lei, já autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A Igreja continua ainda a revelar, em certos sectores, que tem pelas coisas do sexo uma aversão, espécie de paranóia que vem de longe e teima em se manter, mesmo num momento muito delicado dada a revelação pública de inúmeros casos de pedofilia com encobrimento por parte de Bispos, seus mais altos responsáveis.

Não esqueçamos que Jesus, segundo a doutrina, não teve direito a um pai para que pudesse ter sido concebido “sem pecado”, por sua mãe, “virgem” Maria.

Ou seja, o acto da procriação é um pecado (esta, sim, verdadeira heresia…) e para que a humanidade não se extinguisse os senhores da Igreja permitiram que as relações sexuais fossem aceites, sabe-se lá com que relutância, dentro do casamento, presume-se que o canónico.

Por quê esta aversão, este ódio/atracção, pelo sexo? Esta relação com o seu quê de patológica foi agravada pela insensata decisão da obrigatoriedade ao celibato dos padres, decisão esta tomada no Concílio de Nicéia em 326. Voltaremos a este Concílio num próximo texto porque ele também ajuda a explicar aspectos importantes de uma decisão tão contra-natura.

- O poder do sexo desafia o poder da fé. São duas forças tremendas, podendo ser destruidoras dentro de nós: pelo amor e pela fé se mata e se morre.

Para garantir a reprodução, os processos de selecção da natureza “criaram” o amor que torna irresistível a aproximação e a união entre as pessoas com vínculos mais fortes, demasiado fortes por vezes, nos primeiros anos para assegurarem a concepção e o apoio aos descendentes nos primeiros tempos de vida. (leia-se a respeito desta matéria o que a antropóloga e investigadora americana Helen Fisher tem para nos ensinar).

Para garantir a sobrevivência os processos de selecção desenvolveram, também, o mecanismo do “acreditar”, já aqui explicado pelo autorizado Prémio Nobel, Richard Dawkins, de que as religiões, mais tarde, se aproveitaram (“danos colaterais”) e a que chamaram fé.

O “Amor” e o “Acreditar” são dois espaços dentro do nosso cérebro, duas forças potencialmente explosivas que podem servir projectos de felicidade ou de destruição. (continua)

Tranquilizem-se aqueles que se preocupavam com 2012:

- O FIM DO MUNDO, em Dezembro de 2011, foi cancelado em Portugal porque o país não tem capacidade financeira para receber um evento dessa dimensão.

AMÀLIA RODRIGUES - LÁGRIMA

E agora silêncio... a Amália vai cantar o fado.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA
Episódio Nº 262




- Não vão ficar na cadeia a vida toda. Por isso vim lhe ver.

- Para quê?

- Diz que depois da Barroquinha, é a vez do Maciel. Me diga se não é segredo, o senhor… Desculpe: você… Você vai-se mudar?

Vavá mantém os olhos fitos em Tereza, aqueles olhos, vida de seu corpo, pesquisadores, desconfiados, adivinhos. Porque ela não se contenta em ser bonita? Bonita de mais, ai Deus do céu!

- Se eu puder dar um jeito é claro que não.

- E se não tiver jeito? Nem quero pensar.

- Mas se ninguém se mudar, ninguém? Você acha que a polícia pode obrigar, mudar a pulso, se ninguém obedecer? Acho que não.

Desobedecer à polícia, ideia mais louca e absurda. Mas, se o povo da zona pudesse impor a localização do meretrício, conservando-o onde se encontra à tantos anos, seria uma beleza.

Ideia absurda e louca, ideia tentadora. Vavá em vez de responder, pergunta:

- Me diga você uma coisa, por favor: acredita que a polícia vai tocar no castelo de Taviana com essa porção de graúdo protegendo ela?

- Não sei lhe dizer.

- Pois eu duvido. Du-vi-do! Pode mudar todo o mundo menos Taviana, Sendo assim, então por que você se mete nisso, fala como se trabalhasse na Barroquinha ou aqui? Porquê?

- Porque se hoje frequento a casa de Taviana já fui mulher de porta aberta e posso vir a ser de novo. – Calou-se por um instante, e Vavá, pasmado, viu-lhe nos olhos negros o fulgor de um raio. – Já passei por boas e aprendi que se a gente não brigar, não alcança nada nesta vida. Nem merece.

Resistir às ordens da polícia, ideia mais absurda e louca, por isso mesmo, quem sabe? Ora quem sabe! Exu, pai e protector.

Amanhã, meio-dia lhe digo alguma coisa, vou pensar.

- Ao meio-dia em ponto voltarei. Boa-noite Vavá.

Já vai embora? Não quer tomar nada? Um trago de licor? Tenho aqui do bom, feito pelas freiras, de cacau e de violeta. É cedo, vamos conversar um pouco.

- Ainda tenho o que fazer antes de ir para o Flor de Lótus.

- Amanhã, então. Ao meio-dia, venha almoçar comigo. Me diga o que é que gosta de comer.

- O que houver, muito obrigada.

Levanta-se, Vavá a contempla em carne e osso, ai Deus do céu! Sorridente, Tereza se despede. Garra disforme, a mão de Vavá. Mas quanta delicadeza ao tocar nos dedos da rapariga. Não se contenta em ser bonita, tem ideias absurdas. Vavá, não sejas louco, toma cuidado, recorda-te de Anunciação do Crato. No peito um incêndio, como pode Vavá tomar cuidado? Caído de amores, perdidamente enamorado.

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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 26 SOBRE O TEMA:

“O REINO NA TERRA” (1)


Na Tradição dos Profetas




As bem-aventuranças proclamadas por Jesus como uma boa notícia aos pobres dá continuidade à tradição dos grandes profetas de Israel, para quem a pobreza é vista como uma situação de opressão, um escândalo que vai contra a vida e, portanto, contra a vontade de Deus.
A pobreza dos "órfãos e viúvas" - símbolo naqueles dias de pobreza e marginalização - deve ser rejeitada, combatida, eliminada se você quiser ser fiel a Deus. Isso é o que pregavam os profetas e também Jesus mas ele não via essa situação como inevitável, mas sim o resultado de abuso de poder de uns seres humanos sobre os outros.

domingo, novembro 20, 2011

HOJE É

DOMINGO





Sim, quase que aposto que os tempos que aí vêm não vão ser “pêra doce”, não para todos e não da mesma maneira, mas nestas alturas, e sem que isso sirva de consolo para alguém, convêm que alarguemos as vistas para percebermos que o mundo é muito maior e mesmo aqui ao pé de nós há outras realidades verdadeiramente dramáticas.

Estamos na Palestina e a jornalista, profissional experiente, não afastou o microfone enquanto a expressão da jovem senhora se mantinha muda:

As mãos contorciam-se e os seus olhos negros, grandes, com as sobrancelhas bem delineadas, mantinham-se inexpressivos enquanto a boca entreaberta parecia tomar balanço para dizer qualquer coisa.

Finalmente, com nítida relutância, confessou:

“ Não há palavras, todas as palavras que eu pudesse utilizar para me referir aos israelitas seria estar a ofender essas palavras. Chamar-lhes animais seria estar a ofender os animais”

À sua frente, de costas para a câmara, estaria a sua casa destruída, uma casa de pessoas civis, palestinianas, adquirida e mobilada com o trabalho de todos os dias e de todos os anos.

Fiquei preso a este testemunho e à convicção de um terrível dilema para os judeus de Israel: quantas mais guerras ganharem mais pessoas perdem para sempre do outro lado da fronteira e mais inimigos ganham.

Neste conflito há qualquer coisa de errado desde a primeira hora. Com dois caminhos divergentes à partida e em que um deles é ignorado, posto de parte como senão existisse, ficou, apenas um como o único possível.

Quando os judeus começaram a instalar-se na Cisjordânia sabiam que iam ter por vizinhos os árabes que naturalmente viram neles concorrentes que lhes vinham disputar o território, a eles, que já lá estavam.

Numa estratégia de boa vizinhança, elementar a pessoas sensatas, teria competido aos judeus, em primeiro lugar, compreender essa primeira reacção dos árabes e posteriormente, através de políticas efectivas, demonstrar-lhes a vantagem de poderem beneficiar de uma vizinhança mais rica e tecnologicamente mais avançada.

Sem descurarem, naturalmente, o investimento na sua defesa, ali, o melhor investimento teria sido nos seus próprios vizinhos cujos níveis de bem-estar deveriam ter sido sempre motivo de preocupação dos israelitas.

Ter vizinhos satisfeitos teria sido o grande antídoto para a guerra e a solução para a paz. O passado histórico e religioso condenou esta solução óbvia.

O regime do Irão, dos Ayatollahs fanáticos que sonham dirigir um Império religioso na região para daí partirem à conquista do mundo perceberam isso perfeitamente.

Como dizia um outro testemunho no sul da palestina:

“É o hezbollah que me está a construir a casa e a ajudar-me no trabalho, na educação dos filhos, na saúde…” e o dinheiro para todas estas despesas de carácter social vem do Irão que tem tudo menos dificuldades financeiras.

Mas a preto e branco só os filmes e mesmo esses só para certas elites cinéfilas e os enredos em que de um lado estavam os bons e do outro os maus há muito que já não são levados a sério.

O que existe, de facto, são políticas que conduzem as sociedades e o mundo por determinados caminhos e, pressuposto, para certos objectivos.

Quando vejo desfilar nas ruas soldados de deus, vestidos de negro, auto-flagelando-se numa coreografia de povos primitivos e líderes religiosos barbudos, de turbante negro, subirem à tribuna rodeados de seguranças por todos os lados menos por cima apenas porque eles ainda não levitam, fico “pele de galinha”, “vejo” o mundo a andar para trás e a voltarmos aos tempos medievais.

Se considero a política bélica de Israel errada para os próprios interesses dos israelitas e para a paz em toda aquela região, considero, igualmente, altamente perigosa e ameaçadora no futuro para o mundo, a política do Irão e dos seus “enviados” Hamas e Hesbollah.

Viver num mundo de ódio, saber que milhares de pessoas que nem nos conhecem, nossos vizinhos, ali mesmo ao lado, desejam o nosso mal, a nossa morte, nos odeiam do fundo dos seus corações… é bem pior que as nossas dificuldades financeiras… pelo menos até agora.

(click na imagem da rua das "meninas", na parte antiga de Santarém quando, no tempo do Salazar, a prostituição era um negócio autorizado.)

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