sábado, outubro 01, 2011

IMAGEM

A beleza do preto e branco...


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MIA COUTO - Conferência sobre o Medo

Nasceu na cidade da Beira, em Moçambique, em 1955. É biólogo e escritor, dos mais importantes e traduzido em 22 línguas. Poesia, romances, crónicas, uma voz das mais respeitadas que denuncia com toda a frontalidade os "crimes" e os erros praticados na sociedade africana pós-independências mas, de uma forma mais generalizada, por todo o mundo dito civilizado. Esta comunicação que nos faz sobre o medo fala de verdades que infelizmente conhecemos da nossa própria vivência.

O GORILA



Dois amigos encontram-se.

- Então, pá, como estás, pareces acabrunhado…

- É verdade, não estou nada bem…

- Mas que se passa, conta lá.

- São problemas pessoais, íntimos…

- Desabafa, pá, sempre fomos amigos.

- Sabes daquele passeio que no ano passado fiz a África, não sabes?

- Sim, sim, lembro-me, tu falaste-me nisso.

- Pois bem, nessa viagem, nós estávamos na selva, o calor era mais que muito e passava por ali um rio. Eu despi-me todo para me refrescar dentro da água e quando me virei de costas para entrar no rio um gorila enorme, preto e cabeludo, agarrou-me por trás com os seus braços poderosos e violou-me.

- É pá, realmente tens razão, isso foi muito chato mas... alguém viu?

- Não, estávamos sozinhos, eu e ele…

- Ora bem, se ninguém viu e como o gorila não fala…

- Pois é, esse é o problema, ele não fala, não me escreve, não me telefona, não me diz nada…

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA




Episódio Nº 219



Os borrifos matinais haviam lavado o céu, a varição mantivera-se contínua, domingo luminoso e ameno. Na mesa do jantar, Tereza sorri: sereno dia de descanso a suceder à inesquecível noite da véspera, de quermesse, roda gigante, noite fantástica, absurda, a mais feliz da sua vida.

Inesquecível não só para ela, também para o doutor. Após o jantar saem para a caminhada até à ponte e o velho porto. Emiliano comenta:

- Há muitos anos não me divertia tanto como me diverti ontem. Você tem o dom da alegria, Favo de Mel. Foi, por assim dizer o começo da última conversa. Na ponte, Tereza relembra o simulado tropeção do doutor na rua, de volta da quermesse, deixando cair e espatifar-se o abajur de contas pintadas, declamando-lhe cómico epitáfio: descansa em paz, rei do mau gosto, para sempre adeus! Mas Emiliano já não ri, de novo amofinado, a face retesa, a cabeça posta em aflições e desgostos.

Mergulha o doutor num silêncio pesado; por mais Tereza se esforce para trazê-lo de retorno ao riso e à despreocupação, nada obtém. Rompera-se o curso da alegre inconsequência da véspera a prolongar-se até ao começo da noite daquele domingo de Maio.

Resta uma última trincheira, a cama. O amor sem peias, o embate dos corpos, o desejo e o prazer, o deleite infinito.

Para arrancá-lo da opaca tristeza, para lhe aliviar o fardo. Ah! se Tereza pudesse tomar a si tudo quanto o amola e deprime. Ela está acostumada com o ruim da vida, comeu do lado podre com fartura. O doutor sempre teve quanto desejou e como quis, os demais na obediência e no respeito, na sujeição às suas ordens, envelheceu gozando o bom da vida. Para ele é mais difícil. Na cama, quem sabe, dentro de Tereza, se apaziguará.

Mas, transposto o portão, Emiliano anuncia:

- Quero conversar contigo, Tereza. Fiquemos aqui, na rede um pouco.

Na quinta-feira ele estivera a pique de abrir o coração: ao falar do primeiro casamento, ao referir-se a Isadora. O fardo fez-se insuportável mesmo para o orgulho do doutor, chegou a hora de dividir a carga, aliviar o peso. Tereza anda para a rede: estou pronta, meu amor. Emiliano diz:

- Deita aqui junto de mim e escuta.

Só em certos momentos ele a trata por tu, quando quer tornar mais funda e patente a intimidade estabelecida entre eles. Tu, minha Tereza, meu Favo-de-Mel.

Ali, no jardim das pitangueiras, a lua desmedida de Estância escorrendo ouro sobre as frutas, o aroma do jasmim-do-cabo evolando-se na brisa, a voz irada, ele tudo lhe contou. Disse da decepção, do fracasso, da solidão da sua vida familiar. Os irmãos, uns incapazes, a esposa, uma infeliz, os filhos, um desastre.

Desperdiçara a vida no trabalho insano em benefício da família Guedes, dos irmãos e do povo deles, mais ainda de seu povo, esposa e filhos. O doutor Emiliano Guedes, o mais velho dos Guedes da Usina Cajazeiras, o chefe da família.

Concebera esperanças, arquitectara planos, sonhara sucessos e alegrias, e a essas cálidas esperanças, a esses ardentes planos e magníficos sucessos, a essas previstas alegrias, sacrificara mais do que a vida, sacrificara o resto do mundo, todas as demais pessoas, inclusivé Tereza.


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HISTÓRIAS

DE HODJA


Um cientista estrangeiro chegou a Aksehir, a aldeia de Hodja, e perguntou pelo homem mais sábio que ali vivia e as pessoas indicaram-lhe o Hodja.

O cientista quer submetê-lo a um teste e, para isso, desenha com uma vara um círculo no chão. Hodja, que também tem uma vara, desenha uma linha recta dividindo o círculo em duas partes.

O cientista desenha uma outra linha dividindo o círculo em quatro partes. Hodja, então, usando a linguagem de sinais, mostra ter ficado com três partes do círculo dando a outra ao cientista.

Nesse momento, o cientista aponta os dedos para o chão e agita-os. Em resposta, Hodja levanta as mãos para cima e agita-as para o céu, fazendo o oposto do cientista. Este, então, pega nas mãos de Hodja com força e congratula-o.

Os espectadores ficam surpreendidos e questionam o cientista sobre o que aconteceu e ele explica:

- “Quando desenhei um círculo, eu perguntei: dizem que o mundo é redondo, qual a sua opinião? Hodja desenhou uma linha ao meio dizendo-me: O mundo é realmente redondo e o Equador passa através do seu centro.

Então, eu dividi o círculo em quatro partes e perguntei o que aquilo significava. Ele dividiu-o em três partes indicando que três quartos do mundo são mar e um quarto terra. Depois, eu coloquei as minhas mãos para o chão e agitei os dedos, o que era uma pergunta sobre a causa da chuva e ele colocou as mãos para o ar com os dedos apontando para o céu, que era a sua maneira de dizer: o vapor sai da terra e é assim que acontece. Hodja sabe tudo”

As pessoas, então, viraram-se para Hodja e perguntaram-lhe qual a sua versão e ele respondeu:

-“Este indivíduo é ganancioso. Desenhou à minha frente um círculo, ou seja, uma bandeja de baklava (bolo). Tracei uma linha ao meio dizendo: você não pode ficar com baklava toda. Fique com metade que eu levo a outra metade. Em seguida, dividiu o círculo em quatro. Pedi três partes: três para mim e uma para ele. Depois agitou os dedos sobre a baklava perguntando se podíamos pôr as avelãs e eu levantei os meus dedos para sugerir que o colocássemos em forno quente. Tudo o que o homem desenhava eu era capaz de adivinhar o seu significado. Finalmente desisti.”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 18ª ENTREVISTA SOBRE O TÍTUL:


“REZAR O TERÇO” (4º e último)


Eduardo del Rio, Rius



Eduardo del Rio, mais conhecido como Rius, é um escritor mexicano humorista e caricaturista. Especialista na divulgação didáctica dos mais variados temas: história, alimentação, ecologia, filosofia, biografias, política, e economia. Ele já escreveu vários livros que procuram descobrir as inconsistências da religião católica, a história dos Papas e outras questões religiosas, tratando sempre de reivindicar o humanismo de Jesus de Nazaré. Quem melhor do que Rius para participar neste programa, para descobrir a relação histórica entre a piedosa devoção do rosário e algumas campanhas militares.


A Oração de Jesus



Jesus criticou a maneira de rezar dos fariseus que o faziam em público repetindo fórmulas (Mateus 6,5-8). E em várias ocasiões os Evangelhos dão conta do costume de Jesus de orar no silêncio da noite (Lc 5, 16).

Provavelmente, Jesus cumpriria com as orações tradicionais do seu povo: ao amanhecer, ao entardecer, antes das refeições e ao sábado na sinagoga. Mas o que chamou a atenção de seus contemporâneos foi a sua maneira muito pessoal de orar, como se estivesse a falar com Deus, sem as formalidades e as rotinas de piedade tradicionais.

sexta-feira, setembro 30, 2011

IMAGEM

A beleza de uma paisagem


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VÍDEO


Ainda ontem aconteceu comigo, mais uma vez, uma cena destas. Juro que não mais mudarei de lugar na fila.



video

PROVOCAÇÕES A PESSOAS INTELIGENTES:

Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans que lhe dizia:


-Prof. Einstein, gostaria de ter um filho seu... A minha justificativa baseia-se no facto de eu ser um modelo de beleza, e tendo um filho com o senhor certamente que o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência".

Einstein respondeu:


- "Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza.

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Quando Churchill fez 80 anos um repórter com menos de 30 anos foi fotografá-lo e disse:

- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:

- Por que não ? Você parece-me bastante saudável.

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE GUERRA


Episódio Nº 218


O coração palpitante, Tereza prende entre as suas as suas a mão esquerda do doutor; com o braço livre ele a circunda. Em determinado momento ficam parados no ponto mais alto, a cidade lá em baixo.

A multidão a divertir-se, confuso rumor de conversas e risos, luzes multicolores nas barracas, no carrossel, no contorno da praça. Pouco adiante as ruas vazias, mal iluminadas, a massa de árvores do Parque Triste, o vulto dos sobradões na sombra. Na distância, o murmúrio dos rios correndo sobre as pedras para se juntarem no porto velho, a caminho do mar.

Em cima, o céu imenso de estrelas e a lua de Estância, desmedida e louca. Tereza solta o balão azul, o vento o leva no rumo do porto – quem sabe para o mar distante?

- Ai, que maravilha! - murmura Tereza, comovida.

Na quermesse, obstinados, alguns basbaques, os olhos levantados, a espiá-los. Também umas quantas senhoras e comadres arriscam destroncar o pescoço para vê-los.

O doutor trás o corpo de Tereza para junto de si, ela descansa a cabeça no ombro dele. Emiliano acaricia-lhe os cabelos negros, toca-lhe a face e a beija na boca, beijo longo, profundo e público – um escândalo, um descaramento, uma delícia, um esplendor. Ah! os felizardos.

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Nas sombras e no silêncio do quarto, Tereza escuta o ruído dos automóveis na rua. Quantos? Mais de um certamente. Eles estão chegando, Emiliano, os teus. Tua família, tua gente. Vão se apossar do teu corpo, vão levá-lo. Mas enquanto estiveres nesta casa, nela permanecerei. Não tenho nenhum motivo para me esconder seja de quem for, tu o disseste. Sei que não te importas que me vejam e sei que, se estivesses vivo e eles chegassem de repente, tu lhe dirias: eis Tereza, minha mulher.

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Aquele Domingo de Maio transcorreu numa rotina de venturosa bonança. O banho de rio de manhãzinha, do qual voltaram na carreira, pois começara a chover, borrifos de água a lavar a cara do céu.

Permaneceram em casa o resto do dia até depois do jantar, o doutor numa preguiça de convalescente, da cama para o sofá, do sofá para a rede.

Durante a tarde o prefeito apareceu, veio solicitar o apoio de Emiliano para uma pretensão orçamentária da Municipalidade junto ao Executivo estadual: uma palavra do eminente cidadão de Estância – nós o consideramos um dos nossos! – ao governador será, sem sombra de dúvida, decisiva.

O doutor o recebeu no jardim onde descansava namorando Tereza. A amásia quis retirar-se para os deixar à vontade, mas Emiliano deu-lhe a mão, não lhe permitindo sair. Ele mesmo chamou lula e o enviou em busca de bebidas e de um cafezinho passado na hora.

Se não de todo refeito, pelo menos em plena convalescença, rindo, conversando, discutindo os projectos do prefeito, comandando, recuperado do cansaço e da amargura. Os poucos dias transcorridos em Estância, em companhia da amásia, parecem ter cicatrizado as feridas, aplaca as máguas. (clik na imagem e aumente)

HISTÓRIAS



DE HODJA


Numa aldeia onde é convidado, Hodja perdeu a carteira e disse para as pessoas:

- É melhor que vocês encontrem a minha carteira, caso contrário eu saberei o que fazer”.

Estas palavras assustaram os moradores e o chefe da polícia pressiona todos para a encontrarem. Depois de uma árdua procura, a carteira é encontrada.

O líder da comunidade diz: “Hodja, tu disseste-nos: "...caso contrário eu sei o que farei!...” Agora queremos saber o que terias feito se não tivéssemos encontrado a carteira.”

Responde o Hodja: “Ora, em casa tenho um tapete velho. Faria uma nova carteira a partir do tapete”

INFORMAÇÔES ADICIONAIS



À 18ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“REZAR O TERÇO” (3)


Rosário: Uma Arma Política



Até aos dias de hoje a devoção ao rosário foi associada tanto à piedade popular mais tradicional que encontra nesta repetição de palavras conhecidas calma e consolo, como a projectos político-militares tão longe dos ensinamentos de Jesus como as guerras religiosas.

Em 1571, os soldados dos Estados Pontifícios de Veneza, Génova e Espanha lutaram contra os muçulmanos em Lepanto e depois da carnificina daquela batalha naval atribuíram ao rosário a vitória do cristianismo sobre o Islão.

Em 1716, o príncipe Eugénio de Sabóia derrotou Temesvar na moderna Roménia, um exército turco e a vitória militar foi atribuída à recitação do Rosário pelas tropas cristãs. Em 1917, o rosário foi recomendado em Portugal, numa das muitas "aparições" de Maria em Fátima, para "a conversão da Rússia", ou seja, para o fracasso do projecto político que tinha começado naquele país.

Actualmente, o rosário é associado à cruzada do Vaticano contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres: em Cleveland, Estados Unidos, Jesus Cristo teria falado a uma vidente para pedir-lhe para rezar um rosário especial em que as contas eram lágrimas de um feto nela embutidas. De acordo com o vidente, esta oração tem a missão de parar o aborto, controle de natalidade e pílula do dia seguinte, e assim, de acordo com esta disparatada "revelação", aquelas medidas de controle da natalidade são a causa de guerras e dos desastres naturais que assolam nosso mundo.

quinta-feira, setembro 29, 2011

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Estranha mas linda confusão de paisagens


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VÍDEO
Vejam lá onde Romeu se havia de encontrar com a Julieta...

video

LEONARDO FÁVIO - ELLA YA ME OLVIDOU
Leonardo Fávio não é só um cantor dotado de uma voz poderosa. Não, ele é também um poeta e é a poesia que empresta às suas baladas românticas a força e beleza que elas têm. Os anos são uma "máquina de triturar artistas" para satisfazer a necessidade de dar a conhecer perfeitas mediocridades. Espero que na Argentina e em toda a América Latina, onde ele encantou plateias, continue a ser ouvido. Esta canção foi, merecidamente, um dos seus êxitos traduzida em catorze línguas.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 217



Deposita o cálice na mesa, rodeia com o braço a cintura da amásia, não se pode sentir vazio e triste quem possui Tereza. Coça-lhe o cangote com a unha, num ímpeto de desejo. Mais tarde beberão um último cálice na cama.

Sábado à noite ferve a animação na Praça da Matriz, quermesse organizada pelas senhoras gradas em benefício do Asilo dos Velhos e da Santa Casa da Misericórdia, as barracas atendidas por moças e rapazes da sociedade, dois improvisados bares com refrigerantes, refrescos e cerveja, sanduíche, cachorro quente, batida de limão, amendoim, maracujá e tangerina, doces inúmeros, e o parque de diversão de João Pereira, armado com carrossel, chicote, barcos voadores, roda gigante.

Eis que surgem de braço dado o doutor e a amásia. Por um segundo todos param para olhar e ver. Tereza tão formosa e bem vestida, a ponto das próprias senhoras terem de reconhecer não existir em Estância outra capaz de com ela se comparar. O velho de prata e a moça de cobre atravessam entre o povo, vão de barraca em barraca.

O doutor parece um rapazola, compra um balão azul para Tereza, ganha prémios no tiro ao alvo, uma carta de alfinetes, um dedal, toma refresco de mangaba, aposta e perde na roleta, mais adiante é o leilão de prendas. Sem sequer tomar conhecimento do objecto que está sendo apregoado, pelo qual já ofereceram vinte cruzeiros, ele dá um lance de cem e imediatamente recupera o abajur de conchas pintadas, aquele horror.

Tereza não pode controlar o riso desatado quando o leiloeiro recolhe o alto pagamento e, numa reverência grata, entrega a prenda.

Até então, Tereza se sentira contrafeita ante os olhares de soslaio das senhoras e beatas, a pequena multidão de estafermos a acompanhá-los com a vista, a segui-los de longe. Mas agora, rindo de perder o fôlego, tranquila enfrenta olhares e cochichos, indiferente aos curiosos, o braço no braço do doutor, feliz da vida.

Também o doutor se libertara de mágoas e cuidados, na surpresa feita na véspera a mestre João, na alegria do amigo, na recordação da juventude, na cama depois, nos refinamentos nocturnos nos braços de Tereza improvisada taça de Constantia, no banho do rio, na festa matinal, na tarde preguiçosa, na doce companhia da amásia. De quando em vez responde ao respeitoso boa-noite de um conhecido.

De longe as fidalgas olham os desavergonhados, calculando o preço do vestido, a perguntarem-se o valor dos brincos e do anel – pedras verdadeiras ou simples fantasia? O riso de Tereza não tem preço.

Sem querer, pela primeira vez, escapa-lhe da boca a expressão de um desejo, não chega todavia a ser um pedido:

- Sempre tive vontade de um dia andar na roda gigante.

- Nunca andou, Favo-de-Mel?

- Nunca tive ocasião.

- Vai andar hoje, vamos.

Aguardam a vez na fila, antes de ocuparem uma caçamba. Elevam-se pouco a pouco, enquanto a roda vai parando para desembarcar os antigos e embarcar novos fregueses. (clik na imagem)

HISTÓRIAS



DE HODJA


Um dia Hodja entra num jardim e sobe a um damasqueiro. Enquanto está ocupado a colher damascos, o proprietário aparece e corre até ele:

- “O que é que você está a fazer?”

- “Eu sou um rouxinol” explica Hodja, “Eu estou a cantar”

O homem, então, desafia:

- “Muito bem, vamos ouvir o seu canto”. Tentando cantar como um rouxinol, Hodja emite sons horríveis.

O dono do pomar nem quer acreditar no que ouve:

- “Que tipo de canto de rouxinol é esse?

- Diz o Hodja: “Os rouxinóis novatos cantam assim”.

INFORMAÇÕES COMPLENTARES



À 18ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“REZAR O TERÇO” (2)



O Rosário (Terço) um “Mantra”

Na sua forma mais benigna, a devoção católica pelo terço - a repetição rotineira e rítmica das palavras - tem semelhanças com as "mantras" do hinduísmo e do budismo. A "mantra" é uma oração curta que se repete como um refrão várias vezes.

“Man” significa mente e "tra" significa libertação. É uma palavra ou grupo de palavras sem conteúdo específico semântica que é recitado um certo número de vezes para libertar o espírito elevando a mente a um plano superior, e também para alcançar sucessos materiais ou objectivos espirituais.

De acordo com o hinduísmo, o mantra "Om" é o som primordial do universo, a origem e início de todos os mantras. Na tradição hindu que no Ocidente está representado pelo movimento Hare Krishna, promove-se o canto de mantras para benefício espiritual das mentes.

quarta-feira, setembro 28, 2011

IMAGEM

O Mar e o Céu

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A MINHA HEROÍNA É A MESMA DA DELE: "A MÃE, MOIRA KELLY"

TEREZA

BATISTA
CANDADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 216



Durante o jantar, no dia seguinte, Tereza acompanha o esforço do doutor para ser o perfeito anfitrião de sempre, para manter a mesa cordial e animada.

A comida admirável, os vinhos escolhidos, a dona da casa formosa, elegante e atenta, tudo do melhor, mas falta a jovialidade, a força, a alegria de viver de Emiliano, contagiantes.

Daquela vez Tereza não conseguira tirar a cabeça do doutor dos problemas, dos arrepios, das amofinações, fazê-lo esquecer o mundo mais além dos limites de Estância.

Termina contudo por animar-se e rir o riso largo de homem satisfeito com a vida, ao fim do jantar, após o café, acesos os charutos, faltando apenas os licores e os conhaques, os digestivos. Havia sumido da sala, volta trazendo uma garrafa, nos olhos claros a malícia, na boca o riso.

- Mestre João se segure para não desmaiar, tenho uma surpresa… Sabe o que é isto aqui na minha mão? Veja, uma garrafa de Constantia, o Constantia de nosso Tempo.

A voz de Nascimento Filho se eleva, de repente jovem:

- Constantia? Não me diga! – Põe-se de pé, estende o braço:

- Deixe-me ver – As mãos trémulas, coloca os óculos para ler o rótulo, namora contra a luz a cor de ouro velho da bebida, sentencia:

- Você é um demónio, Emiliano. Onde arranjou?

Na emoção do amigo o doutor parece por fim ter esquecido as preocupações a deprimi-lo. Enquanto enche os cálices ele e mestre João discorrem sobre o vinho, imersos num mundo de lembranças.

No dia do baptizado de Emiliano, o vinho servido após a cerimónia fora Constantia. Os heróis de Balzac bebem Constantia nos romances da Comédia Humana, recorda Nascimento Filho, cujos olhos se gastaram na leitura. Frederico, o Grande, não o dispensava, acrescenta o doutor. Nem Napoleão, Luís Filipe, Bismark.

São dois velhos a sentirem o sabor da juventude no vinho espesso e escuro. O padre e o médico escutam em silêncio, os cálices cheios.

Saúde! – Brinda Emiliano. – À nossa, mestre João!

João Nascimento Filho cerra os olhos para melhor degustar: rapaz nas ruas da Bahia, na Faculdade de Direito, pleno de ambições literárias, antes de cair doente e ter de abandonar os estudos e as rodas boémias.

O doutor bebe devagar, saboreando: moço rico às voltas com amantes e festas, tentado pela advocacia e o jornalismo, jovem bacharel destinado a brilhante carreira. Sacrificara planos e esperanças à paixão por Isadora e não se arrependera.

Procura Tereza com os olhos, ela está a fitá-lo enternecida por vê-lo finalmente despreocupado, a rir com o amigo. Anda para ela. Que direito tem a fazê-la compartir os desgostos e tristezas apenas dele? Ela só lhe dera alegria, só merece amor.

- Gosta de Constantia, Favo-de-Mel?

- Gosto, sim, mas ainda prefiro o Porto.

- O vinho do Porto é o rei, Tereza. Não é, mestre João?
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CONSELHOS DA DRª LÚCIA

Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Eu sou a Rosa e eu queria um conselho! Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
Drª Lúcia: - Tire a roupa! Se ele não te agarrar, caia fora que é gay!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e eu agora estou com outro. Mas, ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
Drª Lúcia: - Quem é mesmo a galinha nesta história?
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é a Rose e eu queria saber porque os homens se masturbam, mesmo quando são casados?
Drª Lúcia: - Minha amiga... jogo é jogo... treino é treino!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Quero saber se a primeira vez dói. Tenho 24 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e de eu não aguentar...
Drª Lúcia: - Dói tanto, que você vai ficar em coma e nunca mais vai levantar!... Deixa de ser fresca e dê nele de uma vez... ó Cinderela!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se posso tomar anticoncepcional com diarréia...
Drª Lúcia: - Olha... eu tomo com água, mas a opção é sua!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Me chamo Jeferson e eu gostaria de saber como faço pra minha esposa gritar por uma hora depois do sexo!
Drª Lúcia: - Limpe o pau na cortina!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Sou virgem e rolou, pela primeira vez, um lance de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!!!
Drª Lúcia: - Claro que corre o risco de ficar grávida! E a criança vai sair pelo seu ouvido!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Meu nome é Suzi e eu gostaria de saber qual a diferença entre uma mulher com TPM e um pitbull?
Drª Lúcia: - A diferença é o baton, minha filha!
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Ouvinte: - Bom dia Drª Lúcia! Aqui é o Sílvio e eu gostaria de saber porque esses furacões recebem o nome de mulheres?
Drª Lúcia: - Porque quando eles chegam são selvagens e molhados, e quando se vão, levam sua casa e seu carro junto com eles!

HISTÓRIAS


DE HODJA


Um dia Hodja gabou-se de ser santo. Então, alguém desafia-o a fazer um milagre.

- Pergunta-lhe Hodja: “Que tipo de milagre?” E o homem responde: “Faz com que a montanha venha até ti”.

O Hodja chamou três vezes: “Vinde a mim montanha poderosa, vemmmm!”

Então ele começa a caminhar na direcção da montanha E diz o homem: “Hodja, a montanha não se moveu nem um milímetro.”

Hodja continua a caminhar na direcção da montanha, e respondeu:

- “Eu sou muito humilde. Se a montanha não vem até mim vou eu até ela.”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À 18ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:

“REZAR O TERÇO” (1)


Como Nasceu a Ave-Maria


A primeira parte da oração conhecida como Ave-Maria (Ave Maria cheia de graça…) já está no Missal Romano a partir do século VII. Três séculos mais tarde, era frequente em vários países na Europa as pessoas lerem dezenas de vezes repetindo essas frases. Era então tradição nos mosteiros os monges rezaram diariamente os 150 salmos da Bíblia. Como pessoas comuns que eram, não sabiam ler nem tão pouco tinham acesso aos livros e por isso começaram a substituir a prática monástica repetindo 150 vezes a primeira parte da Ave-Maria. A esta devoção foi chamado de "Saltério de Maria".

Em 1208, durante a guerra da Igreja Romana contra os cátaros ou albigenses, que consideravam hereges em terras, hoje francesas, um frade espanhol, Domingo de Guzmán, disse que Maria lhe tinha “aparecido” para recomendar a oração como "arma poderosa" contra os hereges e pedir-lhes para difundir a devoção do "rosário" - de saltério passou a ser rosário.


Quase três séculos depois tinha-se já tornado costume em muitos países, acrescentar à oração a segunda parte da Ave-Maria: “… Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós…”

terça-feira, setembro 27, 2011

ELEVADOR DA BICA

Sou um saudosista dos eléctricos e elevadores, estes tão importantes numa cidade com sete colinas. No meu tempo de menino, os eléctricos eram o mais importante transporte público de Lisboa e, sem dúvida, o mais popular. Agora, parece que atravancam o trânsito. Resta saber o que é que está a mais, se eles ou os automóveis...

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LEONARDO FÁVIO - SIMPLESMENTE UMA ROSA

Flávio é argentino, nasceu em 1938. E hoje, ainda faz sentido oferecer uma rosa?


Mulheres burras?

- A minha mulher é muito burra. Comprou 100 Kg de carne só porque estava em promoção. Vai-se estragar tudo... nós nem sequer temos arca frigorífica!

- A minha ainda é mais burra - diz o segundo - Comprou um carro só porque tinha uma cor bonita... eu já tenho carro e ela nem sequer tem carta!

- Olhem que a minha ainda consegue ser mais burra - diz o terceiro:


- Não é que vai de férias para a Grécia com duas amigas, comprou 50 preservativos... e nem sequer têm pénis!!!

TEREZA


BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 215


Nunca engravidou, por isso me dizia: sou um traste sem serventia. Emiliano por que foi casar comigo? Fez tudo para ter um filho, levei-a ao Rio, a São Paulo, os médicos não deram jeito nem as curandeiras.

N a vontade de pegar menino fez promessas absurdas, encomendou feitiços na Bahia, usava bentinhos, tomava tudo que lhe ensinavam, coitada. Morreu pedindo que me casasse de novo, sabia quanto eu desejava um filho. Ela, sim, valia a pena. Ela e você, Favo de Mel.

Parece em dúvida se deve prosseguir ou não. Balança a cabeça, afasta os fantasmas, muda de assunto.:

- Então, sábado tem quermesse na Praça da Matriz? Gostaria de ir Favo de Mel?

- Para fazer o quê, lá sozinha?

- Quem lhe falou em ir sozinha? – Agora é ele que mexe com ela, como se ao recordar Isadora houvesse serenado:

- Sozinha não permito, não vou correr o risco com tanto gabiru atrás de você… Eu lhe convido em ir em minha humilde companhia…

De tão surpresa Tereza bate palmas num arroubo de menina:

- Nós dois? Se aceito? Nem pergunte. – Mas logo a mulher reflectida toma o lugar da jovem entusiasta: - Vai dar muito que falar, não vale a pena.

- Você se importa que falem?

- Não é por mim, é pelo senhor. Por mim podem falar à vontade.

- Por mim também, Tereza. Por consequência, vamos dar ao bom povo de Estância, que nos hospeda com tanta gentileza e que não tem muita novidade a comentar, um prato para as conversas, apimentado.

- Ouça, Tereza, e fique sabendo de uma vez para sempre: não tenho mais motivo nenhum para lhe esconder seja de quem for. Terminou-se a discussão, vamos beber para comemorar.

- Ainda não se acabou, não senhor. Sábado não é o dia em que seu João, doutor Amarílio e o padre Vinícius vêm jantar aqui?

- Anteciparemos o jantar para amanhã, eles também hão-de querer ir à quermesse, o padre não pode faltar. Manda-se Lula avisar.

- Estou tão contente…

Depois do beijo e de novamente encher os cálices, de retorno ao colo de Tereza, na rede larga, Emiliano conta:

- Sabe, Tereza, eu desta vez trouxe um vinho que vai botar lágrimas de emoção nos olhos do mestre Nascimento, um vinho de nossa juventude. Naquele tempo se encontrava à venda na Bahia, depois desapareceu completamente, chama-se Constantia, um licoroso produzido na África do Sul. Pois não é que um rapaz que me fornece vinhos obteve duas garrafas a bordo de um cargueiro americano atracado no porto de Bahia para carregar cacau? Você vai ver o velho João tremer nos alicerces….(clik na imagem)

HISTÓRIAS



DE HODJA


Um dos vizinhos de Hodja morreu. Quando o caixão está a sair de casa a viúva não pára de chorar e grita:

- “Oh, eu fiquei sozinha, para onde foste tu? Lá, não há água… não há fogo para a lareira…”

Quando Hodja ouve isto grita para a esposa:

- “Corre a fechar a porta que eles estão a trazer o caixão para a nossa casa”.

18ª ENTREVISTA COM JESUS

SOBRE O TEMA:

“REZAR O TERÇO?”



REZADORA - Ave Maria cheia de graça, o Senhor seja contigo…

FIÉIS - Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores ...

RAQUEL - Continuamos em Nazaré, agora na Igreja Cristã Ortodoxa da Anunciação. Um grupo de peregrinos católicos reza o terço em honra da mãe de Jesus. E estamos novamente com Jesus Cristo, cobrindo sua segunda vinda à terra. Uma devoção bonita, a do rosário não acha?

JESUS – Deixa-me uma dúvida, Rachel… por que repetem e repetem sempre o mesmo?

RAQUEL - Porque é assim o rosário. Minha avó ensinou-me a rezar dez Ave-Marias para cada mistério. E como há cinco mistérios são 50 Ave-Marias. E como há três rodadas de mistérios são 150 Ave-Marias repetidas.

JESUS – E quem inventou essa ladainha?

RAQUEL – Julgo que foi sua mãe, Maria, que deu o rosário a… não me lembro a que santo. O senhor sabe isso?

JESUS - Ela?... Que estranho… Por que não perguntas a um dos teus amigos que sabem tanto?

RAQUEL – Espere um minuto… Vou entrar em contato com alguém que conhece essas histórias certeza… Eduardo del Rio, Rius?... Fala Raquel Perez das Emissoras Latinas… Estou aqui na Nazaré com o próprio Jesus Cristo… Nós queríamos saber sobre o rosário e as suas origens…

EDUADO RIUS – Ui! para isso tens de recuar oitocentos anos, até ao Séc. XII, quando um frade espanhol, Domingo de Guzmán, foi encarregado de converter os Albigenses.

RAQUEL – E quem eram esses Albigenses?

RIUS – Cristãos pacíficos e místicos que questionaram a autoridade do Papa de Roma. Assim, este sacerdote, disse-lhes que a mãe de Jesus lhe apareceu e lhe deu um rosário para os converter.

JESUS – Pergunte se eles se converteram.

RAQUEL - Jesus pergunta se eles se converteram...

RIUS – Bem, eles não tiveram outro remédio... Aqueles que não se converteram foram queimados vivos na fogueira.

JESUS – como disse?

RIUS – Então, no século XVI, o Papa Pio V, ordenou que os soldados cristãos rezassem o rosário antes da batalha contra os turcos muçulmanos, inimigos de Roma. Os dois exércitos enfrentaram-se em Lepanto… e foi um massacre. O Papa disse que, graças à Virgem Maria tinham esmagado os turcos!

JESUS – Que coisa tão abominável!

RAQUEL – Ainda que, Jesus Cristo, seja compreensível que sua mãe se coloco que a favor dos exércitos cristãos…

Jesus – Mas como podes tu dizer isso, Raquel? Não há exércitos cristãos. Os exércitos são feitas para matar e a minha mãe nunca matou ou ajudou a matar ninguém.

RAQUEL - Muito obrigado pela informação, amigo Rius. Voltaremos a contactar… receio, Jesus Cristo, que o nosso público esteja confundido, porque em muitos casos, a sua mãe Maria, pediu para rezarem o rosário. Ou não?

JESUS – Minha mãe era uma pessoa muito simples. Como achas que ela iria pedir que a saudassem repetindo cinquenta vezes a mesma coisa?

RAQUEL – Mas há muitas pessoas simples, minha avó por exemplo, que rezam o rosário… Então, eles encontram a paz em seu coração, chegam a Deus.

JESUS - Bem, isso é como alguém que se senta ao lado de um rio porque a música da água a correr lhe acalma o espírito. Mas nem a sua avó ou alguém acha que, repetindo e repetindo uma oração seja ouvida por Deus porque Ele já sabe do que precisamos antes de pedirmos.

RAQUEL - Então, que orações devemos rezar? Mais ainda, as orações servem para alguma
coisa? Continue a ouvir as nossas emissões.

segunda-feira, setembro 26, 2011

IMAGEM

Vista parcial de Lisboa tendo ao centro o Terreiro do Paço e a Estátua do Rei D. José


(clik na imagem e aumente)

IMAGEM

A estátua de D. José no Terreiro do Paço em Lisboa

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Um Nabuco de Verdi... especial.


Em 12 de Março último, a Itália festejava o 150º aniversário de sua criação. Para comemorar foi levada à cena, na Ópera de Roma, a representação da ópera mais simbólica da unificação italiana: "Nabuco", de Verdi, com a regência de Ricardo Muti ..

Nabuco, de Verdi, é uma obra ao mesmo tempo musical e política: ela evoca o episódio da escravidão do povo judeu na Babilónia e o famoso canto "Vapensiero" que é o canto dos escravos oprimidos, saudosos de sua pátria.


Na Itália, essa ária é o símbolo da luta que se travou, por volta de 1840, pela liberdade da Itália, então sob domínio do império austríaco dos Habsburgos. Verdi foi participante e símbolo dessa luta e a ópera foi escrita nessa época.

Antes da representação, Gianni Alemanno, Prefeito de Roma e ex-ministro de Berlusconi, subiu
ao palco para pronunciar um discurso denunciando os cortes no orçamento da cultura do governo central. Esta intervenção política, num momento cultural dos mais simbólicos para a Itália, iria produzir um efeito inesperado, ainda mais porque o próprio Berlusconi estava assistindo ao espectáculo.

Ouvido pelo Times, Ricardo Muti, o regente, conta que foi uma verdadeira noite de revolução:


- "Bem, - disse ele - no início, houve uma grande ovação por parte do público. Depois, começamos a ópera e ela se desenvolvia muito bem mas, quando chegamos ao famoso canto "Va pensiero", eu senti imediatamente que a atmosfera se tornara tensa entre o público. Existem coisas que não se podem descrever mas que se sentem. Antes, era o silêncio do público que reinava mas no momento em que sentiram que "Va pensiero" ia começar, o silêncio se encheu de verdadeiro fervor, Podíamos sentir a reacção visceral do público à lamentação dos escravos, que cantavam "...oh, minha pátria, tão bela e perdida!"


Quanto o coro chegou ao fim, alguns, de entre o público, já gritavam por bis. Entretanto, começou a gritar-se "Viva a Itália!" e "Viva Verdi".
As pessoas do poleiro (os lugares das galerias mais altas e mais baratos) começaram a jogar papeis cheios de mensagens patrióticas - alguns querendo "Ricardo Mutti, senador vitalício.

Terminada a transcrição das declarações de Muti, é interessante lembrar um significado particular da mensagem "Viva Verdi". Na época das lutas
pela libertação do domínio austríaco, a meta era a unificação da Itália, sob o mando do então rei do Piemonte e Sardenha, Victor Emmanuelle.


Os activistas da unificação gritavam e escreviam nos muros, por toda a Itália, "Viva VERDI". Sob o disfarce da grande popularidade do compositor o que se pretendia dizer era, retendo apenas as primeiras letras após o Viva era: "Viva Victor Emmanuelle Rei D'Italia!".

Ainda que houvesse um precedente, em 1986 fora concedido um bis no La Scala de Milão, Muti hesitava fazê-lo em Roma. Para ele uma ópera deve fluir do início ao fim.


- "Eu não queria simplesmente tocar um bis. Era preciso que houvesse um motivo muito particular", recordou Muti. Mas o público já tinha despertado nele o sentimento patriótico e, num gesto teatral, o regente virou-se no seu pódio, fazendo frente, ao mesmo tempo ao público e a Berlusconi. E eis o que ele disse depois que os apelos por um bis se calaram e se escutou, vindo da plateia, um "Viva Itália!"

Disse Muti: - "Sim, estou de acordo com isso, "Viva a Itália!" mas não tenho mais 30 anos e tendo vivido minha vida como um italiano que muito andou pelo mundo, tenho vergonha do que se passa em meu país.


Então, eu vou ceder ao vosso pedido de bis para "Va pensiero". Mas não é somente pela alegria patriótica que sinto presente, mas porque esta noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava "Oh, meu país, belo e perdido", eu pensei que se nós continuarmos assim vamos matar a cultura, sobre a qual se construiu a história da Itália e, nesse caso, nós e a nossa pátria, seremos "belos” mas “perdidos"
(Irrompem aplausos, inclusive dos artistas em cena)

Muti, continua: -
"Desde que reina aqui um "clima italiano" eu, Muti, permaneci calado por muitos e longos anos. Gostaria agora… que déssemos um sentido a esse canto. Como estamos em casa, no teatro da capital, e com um coro que cantou de forma magnífica e foi acompanhado magnificamente, se vocês quiserem, eu proponho-vos que se juntem a nós para que cantemos todos."

Foi então que ele convidou o público a cantar com o coro dos escravos.


- "Eu vi grupos de pessoas se levantando. Toda a Ópera de Roma se levantou. E o coro, no palco, também se levantou. Esse foi um momento mágico na Ópera.

Naquela noite não foi somente uma apresentação de Nabucco, mas foi igualmente uma declaração do teatro da capital dirigida aos políticos."


E agora, se leram esta explicação, ouçam esta peça da Ópera de Verdi. Eu comovi-me, mais amigos meus se comoveram, sentimo-nos italianos, que fazemos parte dos povos do sul da europa cujo principal valor será sempre o da cultura e que nenhum erro de políticos justifica a humilhação que nos está a ser infligida.


Mas, naquele momento, naquela sala, naquele contexto, brasileiros, portugueses, americanos, cidadãos de um qualquer país, todos nos sentimos italianos porque há valores que, simplesmente, são universais.

Va' pensiero... com intervenção de Ricardo Muti falando para o auditório.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 214




Está cansado da viagem, mais cansado dos dissabores. Tereza descalça-lhe os sapatos, tira-lhe as meias. Num tempo esquecido, todas as noites devia lavar os pés do capitão, penosa obrigação de escrava.

O capitão, a roça, o armazém, o cubículo com a estampa da Anunciação e a taca de couro, o ferro de engomar, tudo isso sumiu na distância, dissolvendo-se no tempo do doutor, na harmonia de agora. No prazer de descalçar e desnudar o amásio belo, limpo, sábio. O acto é o mesmo, melhor dito, parece o mesmo acto de vassalagem, de sujeição. Mas, enquanto do capitão era serva, cativa do medo, do doutor é amante, escravidão do amor. Tereza completamente feliz.

Completamente? Não, porque o percebe magoado e ferido e as amarguras dele nela se reflectem, a magoam e ferem por mais o doutor as esconda. Vou preparar um banho bem quente para o senhor descansar da viagem.

Depois do banho foi a cama, extensa e profunda de prazer. Ele chegava ansioso, em ânsia a encontrando, e o primeiro embate tinha a violência da fome, a urgência da sede. Ai, meu amor, morriam e renasciam.

- O bode velho está tirando o atraso, botando a escrita em dia, uma hora dessas emborca em riba da assanhada… - sussurra Nina a Lula enquanto examinam a bicicleta, presente destinado ao filho deles, da melhor marca, igual à do anúncio colorido publicado na revista.

Na hora do crepúsculo e da brisa, Tereza e o doutor voltam ao jardim. Apaziguadora, a noite de Estância começa a se estender sobre as árvores, o casario e as pessoas. Da cozinha, resmungando incongruências, a velha Eulina envia pitus para o tira-gosto; prepara escaldado de guaiamuns para o jantar. Lula trás a mesa, as garrafas e o gelo. Emiliano, após servir, estende-se na rede, finalmente em casa.

Sem se referir ao incidente com a beata, ela lhe fala da quermesse:

- Vai ser no sábado, depois de amanhã. Vieram pedir uma prenda, aproveitei e ofereci aquele abajur de conchas pintadas que o senhor não tolerava, um que lhe deram em Aracaju, se lembra?

- Lembro. Horrível… Foi um cliente do Banco quem me deu, um comerciante. Deve ter pago um bom dinheiro por aquela monstruosidade. Coisa mais feia.

- O senhor é que acha feio, todo o mundo acha lindo. – Bole com ele para o fazer rir: - O doutor é um enganjento, põe defeito em tudo. Não sei como foi gostar de mim, uma tribufu sem serventia.

- Favo de Mel, agora você me lembrou da minha primeira esposa, Isadora. Nunca lhe contei que para casar quase4 briguei com meu pai, o velho era contra por ela ser moça pobre, gente do povo, costureira. A mãe fazia doces para festas, o pai ela nunca vira. Eu tinha acabado de me formar, foi namoro rápido, bati o olho nela, aprovei. Essa vale a pena, disse para mim mesmo.

Com menos de dois meses fiz-lhe o serviço, gostava dela, me casei. Tive que ir morar na usina, trabalhar ao lado do velho, abrindo mão dos meus planos, que eram outros. Não me arrependo, ela valia a pena. Meu pai terminou adorando Isadora, foi ela que lhe fechou os olhos na hora da morte.

Boa e dedicada, extremosa, cativante. Fomos casados dez anos, morreu de tifo em poucos dias.
(clik na imagem)

HISTÓRIAS


DE HODJA


Os filhos do vizinho recolheram um punhado de nozes e foram pedir a Hodja que as repartisse entre eles.

Hodja perguntou-lhes se preferiam uma partilha humana ou divina. Os meninos responderam que preferiam uma divisão divina.

Então, Hodja, dá cerca de cinco nozes a alguns, dez a outros e a um deles apenas uma. Os meninos não ficam satisfeitos:

- “Hodja, que tipo de partilha divina é essa?”

- “Esta é a forma como Deus reparte”, disse Hodja: “muito para alguns, pouco para outros e nada para os restantes”.

Em seguida, os meninos decidem mudar para partilha humana e Hodja aborda então criança por criança para que cada um deles receba o mesmo número de nozes.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À 17ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:

“JESUS PERDIDO NO TEMPLO” (3º e última)


Uma Personalidade Esquizofrénica


A teologia tradicional apresenta Jesus como uma pessoa de dupla natureza, divina e humana. Estas duas naturezas permitiriam a Jesus ter uma dupla consciência: como Deus sabia de tudo, até mesmo em criança sabia o que iria acontecer em toda a sua vida, com todos os seus detalhes, e em homem, como qualquer outro ser humano, uma descoberta progressiva, gradual da sua missão.

Só uma proposta dogmática pode apresentar um homem com duas mentes, uma omnisciente e outra limitada: um deus disfarçado de homem ou um homem que esconde um deus.

Estas idéias, enraizadas na filosofia de Aristóteles, para serem aceites transformaram em dogma, durante séculos, a personalidade de Jesus num esquizofrénico ou bipolar, um candidato a psicopata.

domingo, setembro 25, 2011

HOJE É
DOMINGO

(Da Minha cidade de Santarém)

Da mesa do meu café, neste Domingo soalheiro, recordo que ficámos da semana passada com um assunto pendente relativo ao vulcão Toba, o tal que explodiu há 75 mil anos quando, entretanto, os nossos antepassados já tinham saído do continente africano para colonizarem o planeta.

Esse cataclismo quase que dizimou o Homo Sapiens tendo sobrevivido apenas um número crítico de pessoas, umas duas mil, das quais, comprovadamente, pelos registos das mutações na análise do ADN mitocondrial, todos nós descendemos… os sete mil milhões que vamos ser dentro de uma ou duas semanas. Por isso se explica tão pouca diversidade de ADN na humanidade fazendo de todos nós primas e primos.

Há pesquisas que indicam que o número de mulheres chegou a ser apenas de umas quinhentas e durante séculos qualquer uma dessas gerações poderia ter sido a última. Terão sido necessários vinte mil anos para que a população recuperasse para os números anteriores à explosão do vulcão.

A nossa sobrevivência, como de qualquer outra espécie, resulta de um processo de mudanças permanentes, sem destino, hora marcada ou futuro assegurado, com a diferença que nós temos capacidade para influenciar esse destino, fazendo guerras, revoluções e crimes ambientais.

Por outro lado, estamos sujeitos a ocorrências naturais porque vivemos num planeta que está “vivo” e num universo surpreendente que vamos agora perscrutando mas que já sabemos explode de vida.

A erupção durou duas semanas e alguns dos nossos antepassados morreram imediatamente vítimas dela. No entanto, as piores consequências resultaram da queda das temperaturas entre cinco a doze graus o que, para além de outros seres vivos, animais e plantas, eliminaram também outros “primos” nossos que anteriormente já tinham saído de África e andavam por aí…

Dizem os cientistas que pesquisaram a fundo este assunto que a nossa sobrevivência se ficou a dever ao facto de existirem então três zonas tropicais de elevados índices pluviométricos cujo solo conseguiu sustentar maior número de pessoas, sendo certo que todas essas áreas estavam em África.

Lá se encontraram registos evidentes de expansão humana imediatamente posteriores ao cataclismo, ferramentas e gravuras, que não foram vistos em nenhum outro lugar e provenientes dessa data.

Assim, de uma coisa podemos estar certos, devemos a nossa existência a essas populações, ao seu engenho e à sua sorte, sim, sorte, o tal factor que não controlamos e que é tão importante na vida de cada um de nós e de nós todos.

Bom Domingo

(clik na imagem. Jardim da Liberdade, recem acabado, em frente do Tribunal, ao fundo, onde até há pouco eram duas vias para automóveis. Este Jardim, na parte nobre da cidade, foi possível porque um emprenteiro construiu e explora um Parque de Estacionamento que lhe é subterrâneo recebendo também a receita dos parquímetros agora instalados em toda a parte central da cidade. Desta forma, são os habitantes da cidade que estão a pagar, e vão pagar durante muitos anos, uma obra importante de alindamento da sua terra)

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